quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Minha amiga... a saudade

Deixa, saudade, que me sente em teu colo
Me abraça forte, não olha para meu pranto
Apenas afaga minha alma e a ela dá alento
Fala que as lágrimas são pedaços de encanto

Fala-me dos anos, de  todo esse tempo já ido
Dos sonhos, alguns sonhados, outros perdidos,
Dos olhares que se perderam fitando o nada
Conta dos momentos que se fizeram esquecidos

Saudade, afaga o pensar trazendo boas lembranças
Diz-me o que já não sei... será que um dia eu vivi?
Por favor, saudade, conta, se belos momentos sorri.

Tanto tempo sozinho! Se não fosses tu, saudade...
Nem sei mais o que seria de mim, dos meus dias
Sentado em teu colo, minhas noites não são vazias.

José João
29/09/2.022

domingo, 25 de setembro de 2022

As vezes... não precisa lágrimas para chorar

Quando qualquer tristeza em euforia invade minha alma
São meus olhos que se atormentam para fabricar prantos
Quanto maior a euforia da tristeza, bem maior o tormento
De fabricar lágrimas e chorar tamanha tristeza a contento

E, se com essa eufórica tristeza, a solidão se fizer presente
Maior o tormento dos olhos, usam até lágrimas criança
Se põem gritando em desespero, buscando na alma alento.
E esta, coitada, gastou o pranto chorando tanto tormento

Assim, os olhos, em busca incessante, se fitam no tempo
Na distância de alguns momentos já há muito acontecidos
Então fazem de ontem, instantes de a muito tempo vividos

E como fosse poesia, onde se finge chorar a dor que se sente,
E olhos e alma se põem sentindo a mesma eufórica tristeza
Se fazem só um e choram, mesmo com as lágrimas ausentes.

José João
25/09/2.022


sábado, 17 de setembro de 2022

Para amar... é preciso não ter medo

O tempo me fez perder os meus tantos e sombrios medos,
Medos que me fizeram perder momentos que não vivi
Poderiam ser repletos de sorrisos, de sonhos verdadeiros
Mas por medo, o tempo foi passando e a tudo isso perdi

Hoje, venci meus medos por tudo que vida me fez sentir,
Prantos desvairados, angustias incontidas, torpes pesadelos,
Senti tantas saudades que alma chorava por pena de mim
Hoje me dou ao prazer de ver essa aflição chegar ao fim

Aprendi que saudades doídas passam e se vão ao tempo
Que as aflições são como a noite, amanhã é um novo dia
Que as dores também se vão, se perdem no esquecimento

Assim aprendi: viver é não ter medo de sofrer, de chorar
É saber que tudo isso é preciso para alma se fazer grande
Quando se aprende não se tem mais medo de viver... amar ...

José João
17/09/2.022

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Minha caixa de poesias

Minha caixa de poesias fica solta no tempo, sem trancas...
Guarda poesias completas, por fazer, guarda palavras soltas,
Lágrimas, sorrisos, pensamentos, olhares... até saudades,
Guarda versos perdidos, frases rasgadas, tristes e rotas

Dizem que é mágica, mas é apenas uma caixa de ... poesias
E de tudo que ela precisa para se fazer viva e ir ao tempo
Nela, estão guardados sonhos antigos que falam de amar.
Acham-na mágica por guardar sonhos que ainda vou sonhar

Guarda cordas trançadas de nuvens amarrando o vento
Flores em profusão, tem até pássaros em liberdade perene
Borboletas voando soltas, acreditem, até anjos ela guarda
Outro dia fugiu um para consolar uma alma amargurada

As vezes, e muitas, mesmo sem tranca, ela não quer abrir
Ponho-a em minha frente, pego uma taça cheia de solidão
(ela não gosta de guardar solidão) imploro que ela se abra
E nada. Mesmo com lágrimas nos olhos lápis e papel na mão

Ela, minha caixa de poesia, que muitos dizem ser mágica,
Impassível, se fecha toda, como se me desse um sonoro não
Aí tenho que buscar saudades, as mais doidas, prantos tristes
Ela só se abre efusiva e sem segredos com um toque de coração

Aí voam flores, prantos, lágrimas, saudades, tudo de uma vez
Lá vou eu buscar o lugar de cada uma, as rimas... essas então!!
Se põem, como loucas, no fim de um verso que nem é o seu
Depois da poesia pronta, me pergunto: será que o poeta sou eu?

José João
16/09/2.022

Soneto da lembrança

De quantos beijos já senti o sabor... a doçura, o calor!!
Quantas vezes olhares efusivos e afoitos me desnudaram!
Quantos olhares cheios de ternura me iluminaram a vida!
Quantas mãos ternas, suaves, o meu rosto acariciaram!

Hoje são tatuagens perfeitas, desenhadas em minha alma
São os tantos momentos que zombam do que seja esquecer
Ficam perenes como se costurados eternamente no tempo
Se fizeram saudades, histórias que me dizem o que é viver

Por vezes, até acho que sinto a doçura, o sabor de um beijo,
Outras vezes parece que me visto com a ternura de um olhar
As vezes sinto as carícias, mas aí já é dentro do meu sonhar.

Das saudades... são tantas, que de todas não posso lembrar
Mas algumas me vêm tão vivas que parecem até de ontem
Essas, não sei porque, mas fazem ainda meu pranto prantear

José João
16/09/2.022

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

A primavera

Dou-me à beleza do abrir-se das flores na primavera
Como fosse um cativo servo a admirar o insondável
Entrego-me servil a ouvir o cochichar das açucenas 
O canto sutil do perfume dos lírios, doce e infindável

Encanta-me a delicadeza da brisa ninando as flores
A leveza das borboletas com se pedissem licença
Como se respeitosamente lhes pedisse para pousar
E os irrequietos beija-flores a docemente lhes beijar

Ah! A primavera! Pintando o mundo em cores singelas,
Vestindo-o com harmonioso colorido, até mesmo divino
Tanto que os passarinhos nos gorjeios rezam sacros hinos

Primavera! Se deita nos campos, nos jardins ... quintais
Como se cada flor, da própria beleza, fizesse uma oração
Uma oração alegre para fazer morada em cada um coração

José João
14/09/2.022

Hoje

Hoje já não conto mais histórias divertidas,
Mesmo porque minha voz reticente é triste,
Quase um silêncio que se perde num murmúrio
Tentando contar o que talvez nem mais existe

Hoje me perdi no tempo sem saber dos anos
Me perdi nas estradas e nos tantos caminhos
Ouço minha voz reticente talvez chorando
Um sussurro da alma fingindo estar cantando

Hoje, com passos lentos vou buscando horizontes,
Vistos ao longe na penumbra de desgastado olhar,
Ombros curvos, mãos trêmulas segurando o tempo
Que agora passa e vai como se imitando o vento

Hoje, saudades se perdem em lamurioso pranto
Como se cada uma quisesse uma lágrima para chorar
Como se cada uma fosse a história mais perfeita
Que a vida, em prantos, quisesse ao mudo contar

Hoje imito pássaros presos no seu triste gorjear
Em notas baixas por não ter mais força de cantar
O céu ficou tão distante já nem mais pode alcançar
Coitado, lhes atrofiaram as asas e não pode mais voar

Hoje, na insônia da vida, procuro sonhos para sonhar
E a alma de olhos abertos não se cansa de procurar
E não vale buscar momentos que a muito já se foram
Sento no tempo e... paciente, ainda espero... amar

José João
14/09/2.022

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Vamos sonhar juntos!

Quero gritar, quero sonhar, quero ainda poder ser...
... ser o melhor de mim, fazer o que ainda posso fazer 
Correr entre meus próprios pensamentos e ... voar...
Voar nos poemas que ainda não fiz e... ao mundo entregar

Como se cada verso fosse uma flor, um pedaço de beleza
Ou o pedaço mais belo de mim mostrado na poesia
Escrita com as lágrimas tão alegres quanto inocentes
Com saudades coloridas mas todas elas diferentes

Fazer os sentimentos invadirem corações e alegrar almas
Cantar com o tempo canções que iluminem a vida
E fazer que a vontade de dizer: te amo, seja preferida

Entrar, ficar e fazer morada nos corações mais sofridos
Mostrar aos descrentes que após a chuva o sol reaparece
E que a todos, aos alegres, aos tristes ele sempre aquece.

José João
09/09/2.022

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Viver... nem sempre é escolher

O depois, começou com uma saudade...doída...
Depois, com o tempo, virou uma tênue lembrança,
Depois, detalhes, como sútil nuvem que esvaece 
Depois, momentos distantes, aqueles que se esquece 

Ah! Quem dera fosse assim! Mas a saudade se faz viva
A lembrança, ajuda a saudade triste ser sempre sentida
Aos  detalhes, a alma chorando prantos, deles se faz cativa
E ao olhar vazio, apenas a euforia das lágrimas é permitida

É isso... esse adeus que se diz sem querer, vendo o outro ir
As vezes nem se diz, tanto é a dor que a voz emudece,
Aí o silêncio se faz forte do tamanho da dor que se padece

Mas o tempo... continua passando e deixando a dor ficar
Indo como se numa estrada reta sem margens pra descansar
E a saudade, aquela do começo do depois, só sabe fazer chorar

José João
07?09/2.022

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Os retalhos do tempo

Hoje me procuro e não sei onde me deixei
Caminho sobre o que não sei mais de mim
Os sonhos se foram, ficaram apenas saudades
E não sei porque ainda estão tão vivas assim

Olho os momentos que ficaram dentro do que fui
Choro dores que já deveriam ter ido com o tempo
Grito ladainhas que só sei rezar com meus prantos
E as verdades... são apenas mentiras que invento

Perdi o caminho, as marcas dos passos são sombras
Meu grito não é mais um grito é o eco de um gemido
Que por medo de ser ouvido se fez assim... tímido

Quase silencioso alinhavado entre lágrima e solidão
Em pespontos desencontrados como se feitos a mão
Mas são apenas pedaços incompletos de minha ilusão

José João
05/09/2.022

sábado, 3 de setembro de 2022

Minhas poesias são todas ... eu mesmo.

A mim, sempre perguntam: porque não corriges tuas poesias?
Porque não sou poeta, sou gente... tenho o direito de errar
Se o fizesse, não seria todo eu, seria apenas uma parte de mim,
Nos versos que escrevo sou completo, gosto de me mostrar assim.

Fingir! Isso eu sei, e muito bem, mas todos dizem: é errado fingir
Como corrigir um verso se nele me ponho a fingir... sem mentir!!!
Mas... e se errar entre fingir e mentir corrijo o mentir ou o fingir?
Ou deixo incompleta a história completa de tudo que já dia vivi?

Porque não devo me mostrar na poesia e os meus tantos defeitos?
Quantas palavras não conheço! Quantas histórias não sei contar!
Quantos pontos perdidos, quantos acentos voando e... o verbo!!!
Chorar,  trovejar,  conjugo como os olhos os outros só sei escutar 

Ora, se não sei nem viver sem errar, imagine escrever  sem errar!!
Corrigir poesias!! Não me sentiria bem, aos outros, eu enganar?!
Nas minhas poesias cheias de erros, nelas acredite... sou todo eu
Aquele que se preocupa em contar o que sente e não como escreveu

Eu. Um "poeta" mortal, também imperfeito como são todos os mortais
Os erros que aqui fazem parte de mim, não tenho vergonha de mostrar
São verdades minhas, daquilo que sou, humano como somos todos nós
Quem escreve com o coração poder errar mas ... ainda assim "poemar"

José João
03/09/2.022

Por apenas uma lágrima alegre

Um dia meus olhos já sorriram, até brincaram,
Minhas lágrimas alegres tinham um outro brilho,
Aos pulos, corriam inocentes, a me enfeitar o rosto
E o olhar a correr entre horizontes como andarilho

Desses que veem apenas beleza, mesmo entre pedras
Que voam com o vento entre os quintais e jardins.
Meus olhos, cheios de sonhos, já se fizeram assim
Poesias perfumadas e completas falando de mim

Mas o tempo! Impassível na sua viagem de apenas ir
Sisudo, empertigado sabendo que nada pode para-lo
Nem se importa se belezas secam e deixam de existir

Assim foi o olhar de sonhos, o olhar para os amanhãs
Ficaram tristes, as lágrimas sorridentes apenas choram
E os olhos, por só uma lágrima alegre, agora imploram

José João
03/09/2.022


sábado, 27 de agosto de 2022

O poeta... é só quem pode mentir sem pecar

Ah! Os poetas!! Os magos! Quem me dera fosse um deles...
Desses poetas, loucos, que fazem suas casas sobre o vento,
Colhem flores nas nuvens, conversam livres com a tristeza
E com maestria, fazem do pranto poemas de estranha beleza

Quem dera fosse um poeta para neste verso falar de saudade
Nesse, falar de ontem e da cor da flor que vai nascer amanhã,
O poeta faz isso, no meio de um verso bem alegre... ele chora
Depois pinta o tempo, esculpe um sorriso e manda a tristeza embora

Contam, chorando, até saudades antigas que nunca sentiram
Contam, gargalhando, saudades doídas que se fazem de pranto
Plantam, pacientes, sementes em pedras, regam com lágrimas
E antes que nasçam veem a beleza da flor e todo seu encanto

São os poetas que enfeitam o mundo com suas belas loucuras
Escritas em versos rasgados, as vezes inocentes, outras devassos
Num verso, no meio da noite inventa um sol e ilumina o tempo
Já vi um poeta que, apenas com uma flor, perfumou o vento.

Quem dera eu fosse um poeta, desses que o próprio Deus ilumina
Que lhe dá toda liberdade de fazer o que bem quiser no pensar
Andar nas nuvens, voar com os pássaros e até com eles cantar
Ah Esses poetas! Esses loucos que Deus permitiu mentir sem pecar

José João
27/08/2.022

A solidão está dormindo...não a desperte

Chuva e vento declamam, lá fora, poesias incompreensíveis
Como se a noite com gritos e gemidos contasse uma história,
De repente trovões e relâmpagos como gritos da alma da noite
Se fazem ver e ouvir raivosos como se ao mundo fossem açoite

Mas dentro de um vazio intransponível a solidão se acomoda,
Não se importa com chuva, vento, relâmpagos e nem trovões
Escondida na noite, espera impassível, imóvel, sem pressa
Apenas entrar na alma a qualquer hora é o que lhe interessa

Quase manhã, cessam chuva, vento, trovões  e relâmpagos
E ela, a solidão, de olhos fitos no nada, atentos e bem abertos
Vê com calma irritante, flores, pássaros, todos bem despertos

Aí pensariam... ela foi embora, a solidão se foi com a noite
Ledo engano! Ela não tem hora para tomar, invadir um coração
Ela é mais plena, dói mais, quando está no meio da multidão

José João
27/08/2.022

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Aprendi assim...

 As vezes, vou sim, buscar coisas já passadas, quase perdidas,
Trago-as como fossem relíquias quer sejam risos ou prantos,
Saudades a muito sentidas, até que já tenham sido choradas
Vou busca-las, dou-lhes uma nova cor e as faço novos encantos

Quantas estradas de pedras, cheias de espinhos já percorri...
Vou busca-las no pensamento e vejo o quanto me ajudaram!
Me ensinaram a escolher outros caminhos e... se não houver 
A pisar sobre pontiagudas pedras e espinhos eu... já aprendi.

Lembro de algumas lágrimas que nem precisavam ser choradas
Mas... chorei, assim aprendi os verdadeiros motivos pra chorar
Hoje, bem poucas coisas podem fazer meu pranto derramar

Quantas noites perdidas com o pensamento vagando na escuridão!
Ah! Mas aprendi, essas tantas noites serviram para me ensinar
Que vale muito mais... muito mais, abrir a alma, deitar e sonhar.

José João
26/08/2.022

A beleza de viver é ...

Talvez tenham sido ilusões os tantos sonhos que sonhei,
Mas, foram muitos! Sonhei beijando lábios desconhecidos,
Sonhei com vozes, como fossem anjos, me jurando amor,
Senti carícias de mãos ternas cheias de ternura... de calor

Sonhei sonhos coloridos, com cor de uma saudade alegre
Só uma vez, eu acho, me veio um com diferente encanto
Mas esse, com certeza, não era ilusão, não tenho duvida
Ele veio da alma aos olhos gritando que era um pranto

Ah! meus sonhos! Brincava em volteios ao por do sol...
De adivinhar o caminho que ele deixava sobre o mar
Não sei se eram sonhos ou ilusões perdidas no pensar

Mas um dia, senti na alma, a leveza de um doce afagar
Como fosse um sonho, nem abri os olhos ... e nem queria
E assim aprendi que a beleza de viver é... apenas amar

José João
26/08/2.022

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Amar é... até loucura a dois

Já fiz loucuras por amar!! Mas o que é loucura?
Para quem ama loucura é uma razão diferente,
É o que faz alma e coração pulsarem juntos
É um sonhar acordado que toma conta da gente.

Amar é colorir a vida sem se importar com a cor
É desenhar sorrisos nos olhos e até mudar seu brilho
É brincar de mal me quer e sempre dar bem me quer 
É carregar o outro mesmo caminhando sobre espinho.

Amar é um milagre, é a loucura inocente da razão
É fazer de cada momento um pedaço da eternidade
É como se para viver não precisasse mais de idade

Amar é a dor infinda quando se precisa dizer "não".
É inventar histórias que sempre tenham final feliz
Amar...  amar ...faz do amante um perfeito aprendiz

José João
18/08/2.022

sábado, 13 de agosto de 2022

Alma e coração chorando juntos

Vozes silenciosas... como se tivessem medo
De acordar o silêncio, ficam mudas, sem nada dizer,
Como se não quisessem mandar a solidão embora.
Um grito que a alma aflita, tenta gritar... fica mudo,
As lágrimas se alvoroçam correndo nos olhos tristes,
Perdidos em visões distantes que só trazem saudades,
Até  que já foram choradas, mas se fazem de ontem.
As lembranças se agitam num brigar com o esquecer,
Os detalhes de momentos se fazem tão fortes que...
Parecem ser histórias completas de hoje ou de sempre.
Um acorde distante, parece um pedaço de tempo
Que virou uma nota musical, fica solto no espaço,
Parece querer fazer lembrar, não sei se um pensamento
Ou um momento que ficou distante, mas... machuca,
Traz tão ferozmente um lembrar que até o coração
Se assusta e, num reclamar em pulsos descompassados,
Grita como se apenas assim pudesse dizer o que sente, 
E a alma, sentindo-o solidário lhe faz que chegue
Um sentir ainda maior... um adeus que não queria dizer.

José João
13/08/2.022

Confissão

Não importam mais as muitas saudades
Doloridas que tanto me marcaram.
Mas foi preciso senti-las, chora-las
Como se fosse a alma em contrição,
Expurgando os pecados para fazer-se
Limpa e permitir que o amor chegasse
Na plenitude de toda sua beleza,
E lá, bem dentro de mim,
Uma luz a acender-se grita teu nome
Como fosse oração a ser rezada,
Indo desde a alma até a própria vida,
Assim, te fazendo do que mais preciso.
Percorri caminhos perdidos, por anos,
Andei pelo tempo à tua procura,
Refiz estradas que me levassem a te,
Vaguei por veredas vazias, cheias de solidão.
E minha alma sangrava por tua falta,
Declamava versos vazios de poesias inacabadas,
Hoje, ainda faltam palavras, mas agora digo 
Olha... de muito minha alma grita: te amo

José João
13/08/2.022

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

O mundo também é assim... mágico.

Quantas vezes a brisa carinhosa enxugou minhas lágrimas?!
Quantas vezes a doçura do por do sol refletiu em meus olhos
Suas cores divinas com sublime singeleza para que brilhassem?
E o sussurrar do vento! Quantas vezes me contou histórias...
Declamou versos, rezou ladainhas que só eu sabia e podia ouvir?
E o nascer do sol! Quando na noite a insônia era companheira!
Ele chegava brincando de orvalhar as flores, que despertavam
Exalavam todo seu perfume me gritando que outro dia nascia...
Os pássaros, meu amigos, em algazarra de retreta faziam festa
Para me alegrar e cada um gorjeava mais alto e mais bonito.
Ah! Não fossem eles... como estaria? Até me ensinaram canto!
As folhas, encharcadas com os beijos do luar e canto dos pássaros
Dançavam alegres num valsar estranhamente inocente e belo...
Como se rodopiassem no mesmo lugar com um encanto único.
Ah! O mundo!! Tão bonito! Tão mágico! E eu não sabia!
Só depende de você e de como prepara a alma para vê-lo.

José João
12/08/2.022



Como é possível viver sem amar?

Os olhos secos, a alma vazia e nenhuma saudade,
Não há histórias nem detalhes, nem mesmo tristeza,
Coitada da pobre alma que nunca soube o que é amar
É como se vegetasse, sem nem ao menos poder sonhar

Entrega-se à angustia sem mesmo saber o que é viver,
Pensamentos vorazes se atropelam cheios de rancores
Como estradas perdidas que não levam a lugar nenhum
Coitada, até sem prantos para chorar suas própria dores

Preferi, logo cedo, aprender amar e... também chorar,
Me entregar sem medo do pranto e assim me fazer vivo
Olhos contando histórias de amores que me fizeram cativo

Choro saudades, detalhes que nunca me permiti esquecer,
Lembro de histórias que ainda hoje choro fingindo sorrir
Como vivi! E como as lembranças ainda me fazem viver!!!

José João
12/08/2.022


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Coisa de amigos poetas.

Onde está minha poesia? Guardei-a nessa caixinha
Trançada com fios de nuvens, nuvens do alvor do dia.
Nessa caixinha guardo pétalas que ainda vou colorir,
Guardo o perfume das flores que ainda vão nascer,
Guardo saudades, lágrimas, sorrisos, até os fingidos,
É onde guardo também minhas poesias incompletas
E nela guardei a minha e, agora parece... desapareceu!
Ah! Eu sou um Querubim Poeta, sou eu quem pinta
O horizonte para o por do sol, quem lustra as estrelas,
Sou eu quem faz, de uma a uma as lágrimas da alma,
É minha poesia que afaga os corações mais tristes!
E agora minha poesia desaparece!!! Como pode ser?
Estão as pétalas que ainda vou colorir, estão as flores
Que vão nascer amanhã, o perfume... mas a poesia!!
Sou um Querubim Poeta... mas isso me dá muita raiva.
Como ela desapareceu da minha caixinha de nuvens?
Espera... deixa eu ver... essas marcas, sei de quem é,
Sei, roubou minha poesia que estava quase completa!
Foi o João!! Sim foi ele... e  depois diz que é poeta!

José João
10/08/2.022

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A lágrima só é bela quando é a alma que chora

Deixa-me ir, dizia a lágrima aos olhos vazios...
Deixa-me mostrar ao mundo que sou poesia,
Que posso contar histórias da alma que chora
Sem as palavras e sem rimas, como faço agora

A lágrima implorava aos olhos em fervoroso pedido,
Este, indiferente, fazia que o pranto se frustrasse
E em desespero perguntasse; Tu não és a janela da alma?
Sou eu a sua voz, sem mim seu sentimento não é percebido

E tu, que te dizes ser dela a janela, se fecha aí... vazio
Como se fosses um mero espectador de sua angustia
Como se fizesses de te mesmo um infértil jardim baldio

Aí... os olhos que pareciam sonolentos... despertaram
E com olhar embargado como se sentisse dor infinda
Disse: apenas esperava que te fizesses ainda mais linda ...
.......................... ........................... ...............................
- agora vai e conta ao mundo o que a alma sente -

José João
08/08/2.022

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Ah! Como fala esse meu silêncio de agora!

As vezes tenho raiva de mim... por tudo que não fiz...
Coisas tão fáceis de dizer e... não sei porque não disse.
Sem tempo de ouvir... quantas coisas ficaram no silêncio!
Quantos olhares se perderam sem que eu nada visse!!

Tantos sorrisos perdidos apenas pelo medo de sorrir
De mostrar a alma, mostrar a singeleza de um momento!
Quantas vezes me escondi em silêncios maliciosos
Que hoje me entregam, sem pudor, a tenebroso tormento.

Quantas vezes ficou preso na garganta uma única palavra!
Que poderia acalmar uma alma triste e cheia de ansiedade!!
Poderia faze-la sorrir, e inundar-se de inocente vontade

Quantas vezes nada disse por apenas nada querer dizer,
Mesmo tendo tanto para ser dito preferi calar sem razão
E agora, quero ouvir, falar, e o silêncio me diz ... não.

José João
05/08/2.022


terça-feira, 2 de agosto de 2022

Ah! Se eu ainda fosse poeta!!!

                                                                             
Não sei... mas acho que um dia já fui poeta...
Contava estrelas ao meio dia, como está agora,
Mas não vejo as estrelas, mas eu via... era poeta.
Brincava de conversar com as flores... os lírios,
Um dia até vi um pé flamboyant cheio de orquídeas,
Sim, orquídeas num pé de flamboyant, agora sou louco!
E o rouxinol, quando eu era poeta, ouvia um belo dueto,
O rouxinol com o sabiá, cantavam hinos divinos...
Como fossem anjos brincando de alegrar o mundo.
Um dia parei uma águia que brincava de voltear, 
Chamei-a, pus em seu bico um ramo de oliveira
E a mandei ir distribuir paz em todo o mundo,
No outro verso pedi que ela me ensinasse a voar...
E aprendi, minhas asas, do tamanho do meu pensamento
Me levavam onde quisesse ir. mas ... eu era poeta.
Quantas vezes colori lágrimas com a cor do tempo
(vocês conhecem a cor do tempo? Não! Que pena!!)
Esculpi prantos, sim, muitos prantos, e sem cinzel,
Apenas usando os olhos e o rosto... já fui poeta.
Hoje não, nem sei mais fingir alegria quando choro...
Não sei nem mais encontrar as estrelas cadentes 
Que caiam no meus quintal, sabia quando era poeta.
Hoje não...hoje tudo é tão verdade que até fingir...
Sim, fingir, não é mais um brincar de enganar a alma 
É a dura verdade de não se saber mais o que é verdade.
Ah! Se eu ainda fosse poeta!!

José João
02/08/2.022


Poeta, eu?!! As poesias é que se fazem.

As vezes a poesia vem aos gritos, alvoroçada,
Vestida elegantemente em rimas perfeitas, 
Palavras postas na exata ordem do dizer
Cantando em ladainhas a doçura que é viver

Outras vezes ela vem em completo desalinho...
Com versos longos, sem rimas e sem encantos
Vem lenta, calada, como se não fosse uma poesia
Fosse só mensageira trazendo uns tantos prantos

Ah! Essas poesias que não sei como se criam!!
Onde nascem... contando as coisas que se sente!
E como elas nos sabem e contam coisas da gente?!

Mostram da alma nossas virtudes... nossos defeitos
Brincam com a gente, até fingem o que querem ser
Essa aqui chegou poesia... e por nada, se fez soneto.

José João
02/08/2.022

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

As vezes a noite é tão carinhosa!

As vezes passeio entre as estrelas... como se fossem flores
Como se o céu fosse um jardim e o pensamento uma estrada.
Voo também em sonhos que se vão em meigos e leves volteios
Brincando de voar com os raios de luar, com estrelas cadentes,
Deixo minha saudade brincar de escrever em meu rosto
Minhas tantas histórias que, quando noite, são mais vivas.
Até parecem histórias de ontem, algumas até mais doídas
Então peço para as estrelas cadentes levarem a saudade triste
E na volta, trazerem saudades alegres, mas elas, as estrelas,
Passam tão rápidas que não dá tempo de fazer todo o pedido,
Mesmo o pensamento indo com elas, não levam a saudade triste
Nem trazem uma saudade alegre. Ah! Essas estrelas... apressadas!!!
Já vem o alvor do dia... um alvorecer preguiçoso, lento
Vindo lá de um horizonte colorido, o sol em estardalhaço
Parece gritar que está vindo, a noite corre alvoroçada, as estrelas
Se perdem, nessa agitação somem as saudades, os prantos
Só a solidão, que mesmo entre tantos, continua impassível,
Sem remorsos, como é sempre.

José João
01/08/2.022


sexta-feira, 22 de julho de 2022

O rosto e o pranto

Meus versos, algumas vezes, são lágrimas da alma
Chorando saudades tristes, lembranças quase perdidas,
Detalhes esquecidos que um dia até já foram histórias
E as palavras... se fizeram poucas para serem ouvidas

Minhas poesias, pedaços da alma, escrevo com prantos
Com palavras molhadas, encharcadas de dor e de mim
Costuradas pelo tempo, soberbo alfaiate das minhas ilusões
Que até um dia foram sonhos, hoje, são loucas alucinações

Sento no tempo, perdido na noite, olhando sem nada ver
Vou buscando lágrimas, saudades, pedaços de pensamentos
Já madrugada, busco o pranto... só com ele sei escrever

Não preciso de papel, seria pouco e eu ... escrevo a gosto
Como fosse preciso fazer um poesia completa em cada verso 
E qual melhor cenário que o pranto escrevendo no meu rosto?

José João
22/07/2.022

terça-feira, 19 de julho de 2022


 
Por Tanto, Prefiro Cético Calar

Porque essas tantas perguntas?
Tantas respostas sem serem ditas?
Por acaso minhas mentiras são verdadeiras?
Como posso gritar ao mundo se não tenho voz?
Calar é só o que posso fazer, porquê?

Parece que ontem tinha a voz livre
Toda verdade era dita sem medo
Perdeu-se no tempo a força do dizer
Caminhava entre as palavras soltas
Contando histórias que todos sabiam

Perdi a força de falar para o mudo
Tudo que aprendi um dia, juro que perdi,
Passo agora o tempo vendo o que não sei,
Contando o que mandam que conte
Como se calar agora fosse ser herói

domingo, 10 de julho de 2022

Um verso, uma palavra e as tantas verdades

O que não cabe em meu verso?
dor
Mas nos meus versos sempre tem
lágrimas
Porque é assim que sei escrever
saudades
Também no mesmo verso mostro
prantos
São versos curtos que contam
angustias
E ela não dita, no tempo se faz
silêncio
Não se ouve, não se vê que triste
solidão
Quem mais fica a esmo, perdida?
alma
Que busca terminar suas aflições 
rezando
No verso menor, a palavra mostra
verdades
Dor, lágrimas, saudade e prantos,
Angustia, silêncio e solidão,
Almas rezando... são verdades
Que quase ninguém vê.

José João
10/07/2.022

A embriaguez dos meus versos

Quantas vezes fugi pra dentro da poesia! Quantas vezes!
Contando alegrias que nunca senti, fingindo histórias
Que nunca vivi! Sentindo carícias que nunca existiram.
Quantas vezes busquei rimas no nada, como se o nada
Estivesse cheio de saudades mortas ou lembranças perdidas.
Ah! Os versos! Quantos de mim fugiram! Rimas alinhavadas
Em lágrimas soltas, em palavras rotas, em versos incompletos
Porque o pranto insistia em ser a maior verdade da poesia.
E assim, na verdade que se fazia ser, tomava conta das palavras
E a poesia não se queria fazer toda de pranto... e nem podia
Ia embora de mim como se fosse uma brisa fugidia que preferia
Ir em volteios leves a lugar nenhum que ser toda pranto...
E eu... desenhava nos lábios um arremedo de sorriso,
Balbuciava pensamentos inaudíveis, como são os pensamentos
E fingia que eram versos que... nunca se fizeram completos
E eu, a poesia fingida que insistia em não me fazer árido de versos
Íamos ao tempo como bêbados, com pensamentos embriagados
Contando mentiras, como se viver fosse apenas isso... um mentira.

José João
10/07/2.022

domingo, 26 de junho de 2022

Quem dera eu fosse a voz da humanidade!!

Brinco de pintar o horizonte com cores que só eu sei,
De esculpir flores em nuvens, enfeitar a saudade com beijos,
De brincar com as palavras em versos cheios de verdades
Ou de fingidas histórias que insisto em fazer verdadeiras.
Eu!!! Alinhavo pedaços de sorrisos em qualquer papel...
Faço que a palavra tenha outro sentido, brinco de fazer isso.
Até já fiz a brisa cantar ladainhas em volteios inocentes.
Converso com as flores, lustro suas pétalas macias...
Guardo seu perfume em caixinhas de musicas coloridas...
Posso fazer tudo isso. Lustro estrelas, até as mais distantes.
Prendo as estrelas cadentes em folhas de papel, só pra mim.
Posso esculpir uma lágrima no rosto alegre do palhaço,
Ou um sorriso se o rosto precisar fingir que está risonho.
Eu! Posso fazer o impossível, posso parar uma águia no ar
No fim de um verso e, no outro, falar da beleza da primavera,
Do flamboyant florido, do Lírio apaixonado pela Azaleia.
Posso tudo. Sabem que sou eu? Não? EU SOU A ARTE
E VOCÊS... OS ARTISTAS QUE USO PARA FICAR VIVA.

José João
26/06/2.022

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Aprendi a sorrir com os olhos

A tristeza me ensinou sorrir... sorrisos diferentes,
Sorrir chorando não é fingir, é mesmo chorar,
É como gritar com os olhos, quando as lágrimas
Correm no rosto, é como fossem palavras silenciosas
Que só a alma sabe dizer... num copioso silêncio.
Sorrir com os olhos! Ah! Quantas vezes já fiz isso!!
As vezes a saudade vinha lentamente com o pôr do sol,
As lembranças fervilhavam na alma carente... sozinha...
Aí os olhos, solidários, sorriem brilhantes num olhar vago
A se deixar ir lá longe, de carona com o pensamento
Indo buscar até mesmo detalhes que ficaram perdidos.
Até gargalhar meus olhos sabem, se perdem no tempo...
Gargalham como fosse o gorjear de um pássaro alegre...
Riem tanto que choram, as lágrimas deslizam no rosto,
Umas se perdem ao vento, outras se fazem caminhos...
Algumas se dão ao luxo de salgar a alma com beijos.
Mas triste mesmo, é um sofrido soluço de uma saudade
Que os olhos, espantados, se derramam em pratos...
Mas tantos que nem fingir sabem... choram mesmo.

José João
20/06/2.022

É assim que te amo

Te amo tanto, que tua falta me sufoca a alma, que grita
Dentro de mim tua ausência, que me faz as lágrimas
Escreverem teu nome em meu rosto como carícias,
Essa vontade que me invade, que te traz pra mim,
Apenas me diz o quanto te amo. Tudo em volta,
Tem teu perfume, parece que o tempo me sorri
Com teu sorriso, que a brisa tem a sutileza suave
De tuas mãos brincando de desenhar em meu rosto
Palavras gritadas em silêncio que só a alma ouve.
Te amo com a certeza de nós dois, te amo
Dentro dos sonhos que me fazes sonhar, te amo...
Te amo no silêncio que me permito para te sentir mais,
Para ouvir teu ofegar quando nós dois, numa entrega
Sem pecados, nos damos um ao outro na imensidão
Do que nos fizemos ser. Te amo e, a cada amanhã,
Te amo mais, muito mais e, se há de o céu
Querer proteger esse meu querer, um dia ele terá
Que crescer para poder cobri-lo.

José João
20/06/2.022

Retalhos de versos e... de mim

Qual pássaro no chão caído
Gorjeando prantos doloridos
Se fez minha pobre alma aflita.
Dentro de mim a solidão aplaude os versos
Que a tristeza recita, a angustia pede bis,
Mas tristeza diz um sonoro não,
Quer os versos chorando dores novas,
Chorando prantos tristes, ainda que belos...
É com eles que a alma canta a saudade que sente,
Aí então, escrevo versos loucos, de rimas soltas,
Escrevo versos tristes de prantos frios,
Escrevo versos amargos com palavras rotas
Mas ainda assim trazem  o doce perfume
Que me afaga o corpo, que abraça minha alma
E me veste com o sabor de amor eterno,
Meus beijos ficam na imagem que tenho 
E nos versos... minha alma carente busca,
No íntimo de mim, bem dentro dos meus segredos
O que nem sabia mais lembrar.

José João
20/06/2.022