segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Nem sempre amar é ... sorrir

Um dia, alguém chorava em minha frente
E as lágrimas eram tão tristes... tão tristes
Que nem vi a cor dos olhos que choravam,
Vi apenas a dor da alma que parecia 
Se contorcer em dolorida convulsão, 
Pedindo, com os tantos prantos, apenas
Uma palavra, um abraço um sussurrar
De: estou aqui. Ah! Essa minha alma!
Também carente, se propôs chorar junto
E chorou, com lágrimas vivas a outra dor.
E juntas, abraçadas naquele doloroso
Sentir, não viam cor, apenas se entregavam
Sabendo que as lágrimas se misturavam,
Se abraçavam num inocente abraçar,
E as almas pareciam mais alividas
Se faziam uma só, sem medo, sem temor,
Sem se olharem com os olhos, tão poucos!
Preferiram se tocar com a plenitude
De suas existências. Até que um dia...
Outra vez as lágrimas, mas dessa vez,
A saudade não era doída, era só mesmo
Saudade, e as lágrimas se misturaram,
Mas sem dor, ficava um pedacinho de cada
Coração dentro do outro...


José João
30/10/2.017.


Pelas lágrimas?! Seria eterno

Há como se medir a vida... a minha o fiz
Pelos tantos adeus, pelas tantas saudades
Sentidas, um dia pensei em medi-la
Pelas lágrimas choradas, me surpreendi,
Se assim pudesse e fizesse... seria eterno,
Chorei quase todos os adeus, quase todas
As saudades. Minha alma brincava de fingir
Se fazendo em risos, mas coitada, tão falsos
Que não enganava nem a mais sutil tristeza,
A menor das angustias percebia o seu fingir.
E... as lágrimas vinham, algumas brilhantes
Enganadas pela alma que a elas dizia...
É só uma saudade. Outras vinham frias,
Tristes, preguiçosas, como se meu sentir
Lhes fizesse lentas para mais encharcar
Os olhos, para chorarem realmente a dor
Que a alma chorava, outras vinham 
Finos fios a caírem  no rosto como regatos 
Cristalinos que chora a falta de chuva, 
Outras vinham como correntezas, eram 
Tantas lágrimas que sufocavam até a voz. 
Foi aí que vi...se medisse a vida por lágrimas,..
Seria...eterno

José João
30/10/2.017



Tua ausência...minha loucura

Nos meus sonhos, loucos sonhos, trazidos
Por essa carência mórbida e tão doída,
Dessa tanta falta de ti, dessa ausência
Que me toma todo, e me invade a alma,
Nas manhãs, acordo, acaricio teus cabelos,
Te beijo a fronte, te admiro toda e cuido
Para que teu sono, que te faz parecer criança,
Te traga sonhos, belos sonhos e... choro...
Não estás, me vejo sozinho quando desperto,
E. nessa minha loucura, te vejo sempre,
Até nos detalhes, como cobrir teu corpo
Nas manhãs frias e tu, tão inocente, linda,
Dormindo como se anjos guardassem
Teu sono. Até meu respirar se fazia silêncio
Para não espantar teus sonhos, hoje...hoje
Essas imagens me vêm, nítidas, do tamanho
Dessa infinda saudade que me toma,
Desse vazio de dentro de mim, dessa vontade
De gritar, até blasfêmias, pela angustia
Que me faz que viver seja apenas...chorar.

José João
30/10/2.017

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Hoje, chorei sem lágrimas

Hoje, o que queria mesmo era apenas 
Algumas lágrimas, nem precisava 
Que fossem muitas, não precisava que fosse
Pranto, me bastariam algumas lágrimas.
Mas elas, parece, se esconderam de mim,
E assim, a dor dessa saudade se faz mais doída,
As lágrimas me serviam tanto! Aliviam a dor,
Mas ontem, acho, chorei todas elas... todas...
Por tão forte ter sido a dor dessa saudade
Chorei todas elas, chorei aos gritos,
Gritei gritos estridentes no silêncio de cada
Lágrima que, suave, saía dos meus olhos
Para molhar a saudade que doía tanto...
Hoje me sinto vazio, de mim e de lágrimas,
Os olhos, em triste procura do que nem sabe,
Dançam irrequietos buscando imagens
Que se perderam no tempo e ... hoje...
Mesmo sem lágrimas, continuam chorando,
Gritando teu nome como oração divina,


José João
26/10/2.017


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Confissão?! Não sei

Desculpa se as tantas vezes que te disse
Te amo foram poucas. Se meu olhos
Não souberam dizer, gritar, tudo que minha
Alma sentia. Ela se entregou tanto a te
Que até esqueceu meu nome. Desculpa, amor...
Se não sentias meu coração gritando, 
Num louco pulsar, quando estava contigo,
O suor frio a me percorrer o corpo, os arrepios
Quando estavas perto, e minhas mãos?!
Trêmulas, ansiosas mas... tímidas, assim
Como se tocar em te fosse profanar teu corpo.
Desculpa se te amei tanto e não percebeste,
Foi minha culpa. A vezes somos tão pouco
Que nos damos todo e ninguém percebe...
Te confesso que nem sorrir com meu sorriso
Eu sabia mais, tinha que ser com o teu...
Meus sonhos! Mas que meus sonhos?
Sonhava os teus sonhos e os meus, juro,
Sonhava contigo. Desculpa,  amor...
Se te amei tanto e...não soube te dizer.


José João
19/10/2.017




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Pedaços completos de saudades

Sentado dentro de uma solidão teimosa,
Com a tristeza fazendo festa em volta de mim...
Com uma angustia como se chorasse comigo
A perda de sonhos que se foram por aí,
Sem rumo, perdidos, levados por entre vazios
Que mais pareciam pedaços de mim. A alma
Se desfazendo em prantos chorados a vulso
Me trazia uma saudade partida em pedaços,
Tantos, que pareciam pétalas caídas no chão
Rolando entre os nadas, na vã tentativa 
De consolar um coração que, sozinho, fingia
Deitar-se comodo sobre a face dura da vida
Que, em silêncio, lhe dizia quanto dói a solidão.
Uma luz, sutil, vindo talvez de algum pedaço
De esperança, deitava-se sobre a saudade
Que fingia-se flor para enganar a alma
Que jurava ser um perfume que nunca
Esqueceu.

José João
17/10/2.017


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Por minha culpa

Hoje, hoje eu tenho todo o tempo que não dei.
Todo o tempo que não quis ou não pude te dá,
Hoje ele é todo meu, tanto e só meu que, sozinho,
Nessa solidão tão doída, não tenho com quem dividi-lo,
Se arrasta lento nas horas, se faz caminho sombrio
Indo a lugar nenhum apenas indo te buscar na saudade.
Hoje o tempo, a mim, se entrega todo e não sei
Se por ironia, por mero desejo de me ver chorar
Sozinho essa saudade de nós dois que só agora
Eu sei, é minha culpa. Hoje, o tempo é meu,
O silêncio, a solidão é minha,, a vontade
De te ter nos braços é só minha. A necessidade
De gritar essa angustia que me toma, invade a alma,
E a faz gritar: desculpa... ainda te amo, como se
Não fosse tarde para isso. Hoje, ombros curvos,
Cabeça baixa. passos trôpegos, voz reticente...
Quase sem ser voz, vou indo, olhando os amanhãs
Como se a esperança, desde ontem estivesse morta,
Porque eu não soube que o tempo que não dei
Hoje, se faria eterno para essa tanta tristeza
Para essa tanta ausência tua...por minha culpa


José João
13/10/2.017

Não me amas mas... eu te amo

Ora, se a mim dizes não mais querer-me
Dou-me ao prazer de sentir tua saudade
Te permites por direito não mais ser minha
A mim permito que sejas tu minha verdade

Se ironizas meu querer, meu jeito de amar
Se afirmas ser ridículo meu modo de sentir
Que te dê a vida todo esse direito que é teu
Mas te amar esse é um direito todo e só meu 

Te amar não quer dizer que sejas minha,
Não quer dizer que te obrigue a aceitar-me
Nem também que deveria estar contigo

Te amar e não querer-me que posso eu fazer?
Apenas calar, mas a mim não  podes proibir
Que pra onde eu vá, sempre te leve comigo


José João
13/10/2.017


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No adeus...é melhor calar

Tristes são todos os adeus, mas alguns...
Ah! Alguns são mais doídos que todos,
Até mais que aqueles que foram gritados
Com os olhos no silêncio das lágrias,
Alguns, nem o tempo permite esquecer
Porque se fazem mais que dor, se fazem
Remorso que a alma chorará para sempre,
É no adeus onde as palavras vêm do nada
E nada dizem, a não ser aumentar a dor
Que no momento não passa disso, mas...
Depois, essas palavras fazem eco na alma,
Se fazem um grito sonoro do tempo e,
O arrependimento do ter dito, a angustia,
Se fazem tão vivas que os olhos se enchem
Com as lágrimas que não foram choradas
Quando as palavras que vieram do nada
E nada disseram foram ditas... aí a dor
É maior e, uma vergonha, como se fosse
Tristeza, invade até a alma, e se chora
Como se fosse um pedido de perdão
Que não pode mais ser ouvido.

José João
12/10/2.017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Amar... amar ...

Apenas o amar me basta, amar é como viver...
É estar pleno, vivo, cheio de sonhos e sonhar
É  fazer a beleza estar em todo e qualquer lugar
E deixar na alma quem só você pode guardar

É  saber-se livre mesmo preso a um só pensar
Na prazerosa inquietação de apenas se entregar
Ser a medida certa, nem ser muito nem ser pouco
É o prazer incontido de por tanta alegria chorar

Amar... é como se viver fosse além de sonhar
Assim, como uma magia que faz a gente flutuar,.
Voar, ir além, muito além sem nem sair do lugar

Amar, é brincar de dar nome a cada estrela, 
De poder vê-las, todas, refletidas num olhar
É... hoje a solidão me cobrou esse lembrar


José João
11/10/2.017



terça-feira, 10 de outubro de 2017

O que tua falta me faz

Me perco de mim quando tua saudade
Chega gritando, estridente, se fazendo
De único acontecer para a alma.
As palavras se perdem nos versos,
Correm sem encontrar um lugar
Em que digam o que querem dizer.
Um adeus fica gritando lá atrás do tempo
Querendo ainda ser dor, um eu te amo,
Dito a tanto tempo quer se fazer de ontem,
Um sonho correndo entre os versos
Tropeça numa vírgula que separava
Um ontem de um sempre. Um ponto
No fim de um verso, queria por força
Acabar com uma saudade que acabava
De chegar, que nem ainda tinha 
Se feito lágrima. Me perco, os soluços
Que querem se fazer voz, nos suspiros
Que querem se fazer gritos da alma
E eu... nessa toda confusão...
Apenas choro tua falta.


José João
10/10/2.017


Aprendi chorar sorrindo

Rio, até nas horas tristes, dentro da solidão,
Sentado em frende da tristeza, rio-me ...
E as gargalhadas, apraz-me ver a solidão
E a tristeza aparvalhadas, sem nada entender,
Jurando que estão a me trazer angustias e eu...
Delas rindo! Que meus olhos chorem...
Até permito, afinal, não são minhas lágrimas,
São lágrimas da alma, mas eu... rio sempre
Até da dor, com aquela cara fechada de rancor,
Com a morbidez de mais se fazer doer...
Até dela rio-me a vontade, e ela também
Não entende tão surpresa fica que por si só
Se faz mais amena sem que nem ela mesma
Perceba. Rio da solidão, da tristeza, da dor,
Rio-me quando a saudade vem trazendo
Coisas antigas de muito já esquecidas, 
Das coisas ou de momentos que doe lembar,
Eu rio, é  minha maior expressão de chorar
Tristezas, solidão, angustia e até saudades
Nunca saberão desse meu segredo.
Quando, mesmo chorando, eu sorrio
Ninguém me pergunta se estou triste.

José João
10/10/2.017

O vício de ser sonho

Minha saudade cavalga sobre meus sonhos
Que, já cansados, vão sem querer ir, vão lentos
Quase não indo mais a lugar nenhum,
Mas ainda assim são viajantes no tempo, viajam
Desde os ontens até não sei em quantos amanhãs.
Me deixo levar como se nada mais fosse preciso,
Sem sonhar sonhos novos, sem olhar além 
Do que agora me é permito olhar e sentir,
Me faço história perdida de momentos esquecidos,
De poesias inacabadas, agora vazias, sem sentido...
Poesias que ninguém mais quer ler, nada dizem
Por nada terem pra dizer, tudo se fez tão pouco
Que o tudo que havia dentro de mim...sumiu
Se resumiu em restos, em pedaços tão pequenos
Que ninguém vê, nem sente, nem percebe, nem lê
E assim deixo que a saudade cavalgue 
Nos sonhos que ainda exitem apenas
Pelo vício de serem sonhos.

José João
10/10/2.017


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um triste despertar.

Outro dia, como se fosse ontem, eu era jovem,
Brincava de zombar com o tempo, os amanhãs
Eram tão distantes, as saudades... saudades!!!
Perguntava de onde ela vinha e o que era.
O mundo parava pra mim e eu sorria...
Tudo era tão bem ali, ao alcance das mãos.
Os sonhos se pariam avulso e, todos eles,
Tão perto que se podia esperar acontecer.
Zombava das lágrimas, que ridículo os prantos!
Ah! O tempo! passa fingindo para os jovens
Que vai sempre espera-los, mas de repente,
Ele mente e..passa, só aí se percebe, assustado,
Que é ele quem zomba, os amanhãs se fazem
Incertos, as saudades ficam vivas e cada uma
Tem um nome. Tudo fica tão distante que o medo
De não ter mais tempo se faz tanto 
Que as lágrimas se fazem prantos, os sonhos,
Que ontem se pariam avulso, quase não 
Acontecem mais e... chorar não é mais ridículo,
É viver na lembrança com o que se brincou e... 
Não  se viveu e agora... 


José João
03/10/2.017

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