domingo, 17 de maio de 2026

O corpo é pó, a alma... é imortal

Que os irmãos brancos que queiram caminhar comigo,
Cheguem, juntem-se aos irmãos negros á minha direita.
Todos que acham que a alma é divina, sem cor, imaterial
Não se prendam, é essa, da vida, a ordem mais natural.

Vamos dar as mãos, caminhar juntos num mesmo passo,
Ver Castro Alves, e Machado de Assis no mesmo abraço
Joaquim Nabuco e Pinto da Gama, os dois de mãos dadas
Quatro heróis juntos, a mesma luta, no mesmo espaço

Corpo e alma caminham juntos mas, coitado do corpo, 
Alguns se arvoram, brancos nórdicos, matéria, material,
Mas um dia, bem ali, nu, como nasceu, vai sem levar nada
Fica a alma, viva e sem cor, do homem a parte mais vital

Ah! Se um dia se pudesse ouvir a fala do Alexandre Dumas
Em conversa informal com Shakespeare,.. O ser ou não ser?
Seria essa a questão? Ser o quê? Apenas homens de cor?
Ou seriam almas vivas e solenes com o mesmo divino valor?

Eu, preto que sou., ouvi de um anjo sem cor, que disse:
"Quando a saudade afligir-me
Ninguém irá me consolar
Quando a existência fugir-me
Quem há de me prantear?"

Ora!  Maria Firmina! acalma esse teu coração!
Poesia, bem sabemos, cor, nunca terá
Cora Coralina virá te consolar?

José João
17/05/2.026

sábado, 16 de maio de 2026

Poesia, um lugar de todos.

Um pedacinho de céu é uma poesia falando de amor,
As estrela são as palavras derramadas nos versos,
Escritas em prateados prantos que chegam até a alma
Como fossem orações rezadas enfeitando o universo

A poesia é um lugar onde até o impossível acontece,
Prantos e risos se misturam em perfeita harmonia, 
Solidão e prazer se juntam para sentir uma saudade,
Verdades se fazem como fossem infantis fantasias.

A poesia é um lugar que só mora quem sabe amar,
Quem sabe se entregar sem querer nada em troca.
A poesia é um lugar onde se pode viver e até sonhar

A poesia é um lugar onde a lágrima se santifica,
Um lugar que, mesmo sem primavera, se faz florido
 É o único em lugar que a vida não precisa se justificar

José João
16/05/2.026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um guarda-chuva vestido de primavera.

Um guarda-chuva enfeitado com a beleza da primavera.
As flores debruçadas, assim como fossem anjos inocentes,
Inspirando a poetisa a criar poemas cheios de doce poesia
Então o tempo se abre entre sonhos, lembranças e fantasias

O perfume do campo, o gorjear de irrequietos pássaros,
Na sombra de um guarda-chuva florido ... um pensamento,
Assim, a poetisa cria, no caderno da vida, um momento
Em que tudo se faz encanto, até o tempo fica mais lento

Como se quisesse ficar ali, fazer parte da poesia criada
Em que a poetisa, de cada flor, faz um verso, uma rima 
Que vai ao mundo como fosse um história encantada

E assim, o guarda-chuva vestido de primavera e a poesia
Se abraçam, caminham juntos,  fazem o mundo mais belo
E a poetisa... se esconde dentro dos versos que ela cria

15/05/2.026

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Minha poesia de muitas cores

 Hoje, quero pintar poesias, isso mesmo, pintar poesias,
Escreve-las é fácil, basta conversar com as palavras...
Pinta-las!! Que cor haveria para pintar uma oração?
As poesias são divinas, mistura de alma e coração.

Vou pintar uma, vou pinta-la com cor de saudade,
Matizar com a cor do pranto, como raios prateados,
Alguns pingos de lágrimas como respingos de chuva
Realçando as rimas dos versos com adornos dourados

Vou pintar alguns versos com a cor de uma tristeza,
Não com qualquer tristeza, só mesmo as mais tristes
Que realce com a cor de um adeus, adeus de verdade
Aquele adeus triste, mistura das cores de dor e saudade

Também, na poesia, pintei a solidão, foi mais difícil
Não encontrava tinta que pudesse com ela realçar
Então, usei tinta cambiante, tem uma cor inconstante
Nunca se sabe se se está só ou se é a solidão que está

Assim, fiz minha poesia colorida, não é tão fácil de ver,
Na verdade, é vista pelos amantes que sentem com a alma,
Aqueles que sabem da cor do pranto, da cor da saudade,
Que não se escondem e, para chorar, a alma tem liberdade.

José João
07/05/2.026

Pedra e flor no mesmo verso

Pedra e flor são diferentes até que a poesia as encontre,
Encontradas, cada uma têm sua beleza e sua história,
O que as iguala? Apenas a poesia... lhes faz de poesia
Assim não fosse, compara-las seria verdadeira heresia

Coitada, chorando sozinha, presa, sem ir a lugar nenhum
Lhe passam por cima e apenas dizem: sai do caminho.
Posta ao frio, ao calor, coitada, sem voz para reclamar
Ouve tudo calada, triste, nem lágrimas tem para chorar

Já a flor, orgulhosa, vaidosa e bela exala seu perfume,
Nas manhãs, o orvalho lhe deixa mais bela e luzidia
Aumenta o perfume, beijam-lhes borboletas e beija-flores
Balança suave ao vento embalada por tantos amores

Balançam-se nos seus galhos ao sabor de leve brisa,
Parecem valsar como fossem belas damas a dançar
Leves como pedaços de algodão balançando ao vento
Até induzem, com sua beleza e ternura, a se fazerem amar

Assim, pedra e flor se fazem distantes, dureza e ternura
Insensível e generosa, mas... podem viver em harmonia  
Pedras e flores podem, até mesmo chorarem juntas
Podem, por milagre divino, juntas se fazerem poesia

José João
07/05/2.026

O cenário de um adeus

 Foi aqui, tenho certeza, tinha um flamboyant florido.
No segundo galho, na ponta dele, havia um ninho,
Era de um rouxinol, alegre, que cantava doce gorjeio
Como se estivesse, no cantar, fazendo terno carinho

Mais ali, na sombra do flamboyant, tinha uma pedra.
Parecia um banco, presente da natureza para os amantes,
As flores, as mais antigas caiam e enfeitavam o chão
Com elas, o vento vadio desenhava um perfeito coração

Mais na frente, ali onde ainda está aquele ipê amarelo,
Haviam alguns pés de lírio, açucenas e samambaias
Parecia um belo jardim pelas mãos de um anjo cultivado
Tinha até uma orquídea com a samambaia... abraçados

Hoje, só existem a pedra e o pé de ipê, mas não esqueço,
Era belo! A harmonia da beleza e o perfume do tempo
E foi aqui, está guardado na alma, o que nunca esqueci...
O mais triste e doloroso adeus que um dia já ouvi

José João
07/05/2.026

Que venha uma qualquer saudade

 Os sonhos que sonhei nunca mais se apagaram
Ficaram gravados na alma como fossem orações,
Dessas que se reza todos os dias pedindo milagres
E a esperança do acontecer se faz fortes emoções

Nos momentos que parecem solidão... o lembrar
Chega com lágrimas, como contas de um rosário
Que a alma, em triste ladainha, ajoelha para rezar,
Pedir que um sonho, apenas um, possa lhe chegar

Assim são os sonhos que a alma faz de relíquias,
Sonhados nas manhãs nas noites, nas madrugadas,
Em desespero e aflita pede um sonho e mais nada

Um sonho de antes de ter acontecido um adeus,
De um olhar em que os olhos falaram a verdade
Que venha, mesmo triste, uma qualquer  saudade

José João
07/05/2.026

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Um quadro que só a alma sabe sentir.

 Indo pela praia, ouvindo a voz do vento,
Sentindo o perfume doce de inocente brisa,
O horizonte desenhando cálido pôr-do-sol
Fazem a alma sonhar, sentir-se viva no tempo

Os passos se perdem num caminhar lento,
Sem pressa de ir, como se a poesia estivesse 
Parada, pronta para ser escrita ou até declamada
Como fosse a beleza de uma terra encantada

Os pássaros, pairavam como fossem nuvens 
Em volteios que não levavam a nenhum lugar 
Apenas lhes faziam ser parte de um quase sonhar

O sol indo lento, parecia com preguiça de ir
O sombrear do dia chamava, de longe, as estrelas
Um quadro que só a alma pode ver e... sentir

José João
06/05/2.026

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viver... é deixar amor e saudade no cio.

Chorar por uma saudade de um amor verdadeiro,
É a forma mais perfeita de contar o que se sente,
Que o pranto se derrame como fosse água de rio!
Que belo! Contar uma história de maneira diferente.

Como fosse o coração pulsando e a alma gritando,
O silêncio indo embora, saudade chegando forte,
Lágrimas e prantos nos olhos molhados se confundindo
E o tempo, de tudo isso, se fazendo divino transporte

Levando tudo, até aos amanhãs para ficarem vivos,
Não permitir que todos esses sentir se percam um dia
Assim, o que foi belo um dia, jamais se fará de vazio
Como se viver fosse deixar amor e saudade no cio

Como ternos pedaços de vida a se fazerem completos,
Marcando os dias até que a eternidade se faça plena
Como histórias que se perpetuam na alma e no tempo
Como se a vida fosse sempre vivida... doce e serena.

José João
01/05/2.026

Rabiscando prantos... não minto


Rabisco meus prantos com letras tristes e tortas
Eles contam com erros e perfeições aquele que sou
Até o pranto, na poesia, sai com saem as palavras,
Dizem na imperfeição do rabisco o que me sobrou

Não sei de palavras bonitas, que falam de beleza,
De lágrimas luzidias, sei apenas rabiscar o que sinto
Se o fizesse com as letras perfeitas e belas palavras
A tristeza que sinto seria arte, não tristeza, não minto

O encanto que, talvez a poesia diga, seria o sentir
Mas aí não precisa palavras bonitas, basta não fingir.
Pra mim, meus rabiscos falando de tristezas e sonhos
Me bastam, se fazem  história sem que precise mentir

Escrever com a pefeição da escrita é impossível pra mim
Não saberia dizer com palavras bonitas o que é ser triste,
Não saberia contar, sem rabiscos tortos, tudo que sinto
Assim sou verdadeiro, conto a verdade e... não minto.

José João
01/05/2.026

Meu espaço... não sei onde está.

 Meu esspaço!? Faz muito tempo que o perdi,
Até as poesias, por falta dele, se fizeram silêncio
Se esconderam, fugiram de mim, até entendi...
Como sem espaço, poderiam estar comigo, aqui?

Perdido no tempo, me perco ruminando sonhos,
Lembrando momentos que se form, desde muito.
Chorando saudades antigas, as novas não as tive,
Triste, mas sem saudade de otem também se vive

Mas os ontens estão sempre tão perto do hoje,
Onde as saudades estão vivas, e são novos os prantos
E ainda mais brilhante, por serm novas as lágrimas,
Se fazem, pelo brilho, de muito maior encanto

Sem espaço, sinto o que diz a alma, mas não falo
Deixo que o silêncio consuma a mim e ao tempo, 
Que cale poesia dentro do peito, então emudeço
E, triste, a vejo-a indo, num voar pesaroso e lento

José João
01/05/2.026

Palavras que a tristeza diz.

 Ah! essas palavras que a tristeza faz que se diga!
Por vezes aos gritos o que alma não sabe conter
E vão ao tempo criando ecos que não se sabe dizer
Se vem só da alma essa tristeza que tanto faz doer

Assim um olhar vazio e triste se perde na distância,
Marejado de lágrimas mas... chorando em prantos
Como se as palavras molhadas se fizessem vivas
E para alma ficassem, pelo sal, inocentes e cativas

Molhar as palavras com o pranto que a alma chora
É fazer uma poesia que se reza em contrita devoção,
É fazer que cada verso, seja do rosário, divina oração.

Assim, as palavras ditas se fazem gritos chorados
Em prantos que se derramam desde o começo da dor
E seguem como perene companhia até onde se for. 

José João
01/05/2.026

sábado, 25 de abril de 2026

Acho que matei meus prantos

 Sinto saudade, entretanto, não me permito chorar
Matei as lágrimas antes que chegassem aos olhos
Cicatrizes, como se desenhadas, enfeitam a alma
Antigas ou recentes, mas só servem para lembrar

Meu olhar se perde no vazio da imensidão do nada
Sem lágrimas, perde o brilho, sem luz, sem alegria
A alma emudece, coitada, só sabia falar com pranto
Que se foi, assim, o mundo sem cor perdeu o encanto

Se matei as lágrimas antes de chegarem aos olhos
Não foi por querer, as vezes lágrimas se fazem voz
Ainda mais quando estamos nós, eu e a alma a sós

Um dia foi tanto o pranto que, por saudade chorei,
Tanto, que os olhos incharam e contra ele blasfemei
 Aí nunca mais me vieram por isso acho que os matei

José João
25/04/2.026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Vai... mas leva tudo, até os pensamentos

 Que dor maior para a alma que a dor de um adeus?!
Não te basta o que sinto? O quê ainda queres aqui?
Já disseste esse adeus, então, sai de dentro de mim
Vai, não me importa mais se te apraz ver-me assim.

Que dor! Tanta que ir ou ficar perderam o sentido
Que gritar ou calar não aplaca essa tanta mágoa
Que rasga a alma e faz que a solidão seja um lugar
E o pranto se derrama como se viver fosse chorar

Disseste adeus, então me deixa aqui, só, te imploro
Deixa que, pelo menos, sinta essa minha dor em paz.
E não me imponhas sentir tua saudade... não quero
Seja gentil, vá, leve todas as lembranças. assim espero

Onde estiveres, com certeza, não ouvirás mais os gritos
Que minha alma haverá de gritar, por essa tanta dor
Que bom se levasses tudo, até o que penso sem querer
Por isso, vai, leva tudo, me deix em paz... por favor

José João
24/04/2.0026

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Só o homem não tem tempo...

Que belo dia a amanhecer sobre as flores, os pássaros e eu,
Sobre o rio, sobre os passos de alguém que passou na estrada
Indo, não sei pra onde, não importa, o dia só quer amanhecer,
Se fazer luz, se faze vida, em mim, em todos, até em você

E lá estão os pássaros, alegres a saudá-lo com inocente sinfonia,
As flores orvalhadas, pétalas luzidias, louvando esse novo dia
O rio, sussurrando, vai dizendo ao mundo essa toda sua alegria,
Os passos que ficaram na estrada se fazem mistérios, fantasias.

Quanta beleza! todos festejam o nascer do sol, um novo encanto
Até as sombras parecem alegres mostrando o dançar das flores
Aí, o próprio tempo, no farfalhar das folhas, inventa um canto

Tudo sorri, o céu, sublime teto, se abre num divino manto azul 
A brisa se faz faceira, como se brincasse de correr com o vento,
Só o homem não vê essa beleza, sempre se dizendo, sem tempo! 

José João
23/04/2.026

terça-feira, 21 de abril de 2026

Preciso ser poeta.

Quero ser poeta, preciso ser poeta para fazer poesias
Assim como fossem canções que só a alma sabe cantar,
Plantar estrelas em canteiros  feitos de amor e sonhos,
Inventar melodias que só os pássaros saibam gorjear

Fazer veros em rimas de lua com luar, de amor com amar,
Com risos e prantos juntos na harmonia de um chorar
Que não seja por dor, nem por adeus, só por um confessar
Que viver é muito mais, é ir muito além, e não só estar

Caminhar num universo que só quem ama sabe caminhar,
Sabe sentir no coração e na alma um gostoso bem estar
Fazer dos amanhãs momentos  para brincar, para sonhar

Preciso ser poeta, para abrir corações com uma poesia,
Para fazer a alma gritar e ouvir seu eco num doce lembrar
De um momento tão terno que só os olhos puderam falar

José João
21/04/2.026

domingo, 19 de abril de 2026

Tão poucos sabem o que é a tristeza!

 Vou, sem nunca estar sozinho, vou comigo,
Ando entre horizontes... se vier solidão...
Não importa... nem que o mundo pare...
Não importa... apenas vou, sempre indo,
Inventando versos, cantando trovas...
Invento orações se a dor é maior que eu...
Invento cantigas para alegrar a alma... sim a alma
Ela, por vezes, é mais triste que eu...
Mesmo lhe dizendo que... tristeza...
Nada mais é que um momento de lucidez,
Faz despertar, mudar rotas, trocar caminhos,
Fazer outros rastros, recomeçar...
Até sonhar outros sonhos, trocar de saudades.
Ah! A tristeza! Tão pouco  compreendida!!

José João
19/04/2.026

Amo até...

Quanto de amor cabe em alguém?
Sempre mais do que deveria.
Amo...
Amo até sangrar por dentro,
Amo até não caber em mim
E quando não cabe mais...
Choro.
Porque amar, pra mim...
Sempre foi transbordar.

Quanto de saudade cabe em um peito?
Não sei. Sei que amo
Amo:
Amo até doer, amo até transbordar,
Amo até me perder
E... se me perco
É porque amei demais...
Amo, e amo de novo
Como se o mundo acabasse
Toda vez que amo

José João
19/04/2.026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Canto a todo instante.

 Canto o que me vem da alma e não importa
Se são palavras belas, ou palavras sem cor
Canto, mas só até a dor que a alma suporta
Canto pranto, saudades, o que o ela me impor

Canto a cada instante, sem nunca ser bastante
O que vem para dizer, não paro, nem emudeço
Minha alma é alegre e vive um viver constante
Não creio em destino e me pergunto: mereço?

Sei que canto, mesmo sem voz e sem talento
Mas me vem, não sei de onde, o que eu digo.
Ao que me diz a alma, fico sempre todo atento
Se dizem que o canto não contenta, eu nem ligo

A cada instante chega um canto que nem sei
E me impõe um cantar em versos e no papel
Canto escrevendo, sem métricas, canto assim
Se não gostarem, perdoem, mas canto para mim

José João
16/04/2.026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vou indo sem pressa... até o ...

Vou indo, sem nenhuma pressa de chegar e nem sei,
Na verdade, para onde vou, um horizonte colorido...
Um pedaço do campo onde os pássaros fazem ninhos
Ou sentir a beleza exuberante de um jardim florido

Vou indo, sem pressa, para que o tempo me dê tempo
De sonhar novos sonhos, de colorir minhas saudades,
De refazer histórias contadas nas poesia incompletas,
De chorar meus prantos que ainda hoje são verdades

Vou, sem pressa, para que o amor ainda me alcance
Que faça as mãos tremerem e, forte, o coração pulsar,
Os olhos se inundarem de viçosos e alegres prantos
E regozije-se a alma pela doce e santa loucura de amar

Não tenho pressa, por vezes o amor anda tão devagar!
Vem como fosse passageiro de uma calmaria distante,
Em outras, quando vem qual furacão nem se percebe.
Bom, se vem de mansinho, é mais forte a cada instante 

José João
15/04/2.026

terça-feira, 14 de abril de 2026

Ainda tenho lágrimas para molhar o passado.


Estar só, pensar sozinho é um prazer, nem é solidão,
É a liberdade de dizer-se o que se quer e... ouvir-se,
Sem medo que ouçam seus segredos guardados
A hora da solidão é o momento de, sozinho, sentir-se

 Ver o que fez, um bom momento para arrepender-se
Ou, para saber-se maior por ser certo aquilo que fez,
Sozinho se pode escolher a saudade que se quer sentir
Pode-se até chorar a vontade, sem nenhuma desfaçatez

Quando me sento comigo... sozinhos, na beira da tarde
Contamos histórias de saudades, de olhares, de beijos,
Buscamos sonhos antigos que nem foram sonhados

Por vezes me chegam tímidas lágrimas, quase tristes
Me marcam o rosto, me fazem lembrar, fazem chorar
Aí então percebo que ainda os olhos molham o passado

José João
14/04/2.026

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma memória morrendo aos poucos

 As pedras, agora lustrosas pelos tantos pisados,
Os azulejos, tristes por tantas histórias apagadas,
Os mirantes, agora sombrios, soturnos, abatidos
Como se agora chorassem seus aposentos vazios

Quantas histórias mortas nos velhos sobradões!
Quantas lágrimas e poesias lhes fizeram vivos!
Quantos castiçais de prata lhes iluminaram!
Agora, tristes espectros, foi o que se tornaram

As donzelas de belos lenços em ouro bordado
Os leques em fios de prata em artes trançados
Vestidos costurados em seda vinda de além mar
Chapéus da Europa por princesas e rainhas usados

Eis, bem ali o mar, caravelas, vindo de navegar
Trazendo mercados, até sonhos traziam de lá
E grandes poetas em fraques vestidos a declamar
Às suas amadas, com terno respeito e doce olhar!

Quantas histórias de amor, de sangue e de pranto?
Quantos lamentos os casarões haverão de guardar?
Quantos gemidos de negros ainda se pode escutar?
Nas eira, beira e tribeira, ainda no mesmo lugar.

Caem os sobradões, que mesmo com histórias tristes
Guardam em si o tempo, guardam lágrimas, prantos
Deveriam ser lembrados, respeitados por serem tantos
Até mesmo a lembrança, por tanto abandono desiste

Pedras de cantaria, hoje bem poderiam ser poesias!!
Os lampiões, timidamente iluminando os casarões,
Fazendo dos azulejos verdadeiras óperas de fantasias
E o acendedor, solitário, nas noites sem companhia

Os casarões estão esquecidos, suas histórias morrendo,
Seus azulejos, hoje, não passam de decorações vencidas
Lembranças da história, agora vergonhosamente apagadas, 
Patrimônio Cultural Mundial! Sim. Em épocas já passadas

José João
13/04/2.026

A tristeza... é uma nuvem itinerante


 Embora me faça chorar, nunca tive a tristeza como inimiga,
Por vezes, ela até parece prepotente, mas é apenas desespero,
É como ela sabe dizer, gritar e pedir que te olhes a ti mesmo
Ela só existe naquele momento por mais que seja o exagero

A tristeza é a febre da alma, apenas diz: alma, estás doente
E fica ali para que não esqueças e procures alguma cura,
Quem sabe um sorriso, um aperto de mão, um lembrança,
Até mesmo uma saudade alegre... a tristeza nunca dura

A não ser que endureças teu coração e a ele não permitas
Que se entregue a um terno e doce sentimento, uma paixão,
A tristeza, como amiga, te diz: ama, sorri, te entrega a amar
Deixa que tua alma, diz a tristeza, se entregue, até sem razão

Ah! Essa tão bondosa tristeza! Que por vezes se faz perdão,
Em outras faz pensar, ser mais, ser melhor, ser mesmo você.
Talvez seja teu momento mais consciente e, não é constante
A tristeza é assim, como fosse uma inocente nuvem itinerante

José João
13/04/2.026




domingo, 12 de abril de 2026

Por que dez palavras?

Dez palavras por verso, até poderia, mas não acho justo
Há dores que nem se precisa de tanto, outras, são tão poucas?
Saudade! Quem decide o tamanho da saudade para os versos?
Qual o tamanho das palavras? Sílabas por cada lágrima solta?

Serão necessárias dez palavras para contar o que finjo?
Se fingir uma verdade verdadeira de uma mentira fingida?
Estratosférico amor que, infelizmente, imprescindível, se foi
Mas sem lágrimas para chorar, a alma ficou perdida

Meus versos são como as pessoas, magras, altas baixas, gordas
A métrica é do tamanho do que a alma quer dizer,
Versos compridos que, por vezes, ainda ficam incompletos
Outros, curtos, dizem tudo o que queria acontecer

Elegância no poema está no que a poesia diz,
Prender a alma ao que numa linha se escreve
Como se o verso tivesse padrão feito em máquinas frias!
Então, que tristeza! Assim para que a poesia serve? 

José João
12/04/2.026

Só posso pagar com prantos...

 
Diz-me, quanto de saudade tua alma suporta?
Quanto de pranto podes chorar por uma vida?
Quem poderia dizer, mesmo que a alma saiba?
Isso não me importa, nem qualquer dor sentida.

Que chore, aos cântaros, todo esse meu pranto,
Que de saudades, transborde a alma por tantas
A mim, importa amar, sem nenhum entretanto
Que chore, por amor, as lágrimas serão santas

Assim, me entrego ao que acho um doce viver,
Amar, como se amar fosse um divinal acontecer
Chorar ao dizer, ou ao ouvir um terno: "eu te amo"
É como se fosse, para a vida, o mais belo renascer

Amo, amo, e amo. A mim o que importa a saudade?
Lágrimas servem é para isso, para chorar o adeus,
Se for pecado esse tanto amar e eu tiver que pagar
Pago em prantos, o que mais sei nessa vida é chorar

José João
12/04/2.026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Meus versos... bem... as vezes...

 
Ah! Se eu tivesse aprendido fazer poesias...
Dessas que as palavras gritam alegres,
Trocam de sentido no que querem dizer,
Ficam eufóricas, nem parecem palavras
Parecem sentimentos ávidos por viver

Mas não aprendi a sentir o viver assim
Comigo elas não gritam, ficam paradas
Não que fiquem mudas mas, apenas gemem
Como se estivessem por tristezas marcadas
Nem com a emoção dos versos elas tremem

Queria ser poeta de fazer o verso cantar,
Dizer coisas que todos querem ouvir
Provocar sentimento gostoso de sentir
Desses que fazem a alma de gozo chorar
E gritar aos céus: eu quero apenas amar

Meus versos se escrevem em curtas linhas
Em rimas perdidas como fossem indo embora
Como sendo mudas novas que no sol definha,
Parecem escritos fora do tempo, fora de hora
Que se arrasta no vazio e na alma não caminha.

José João
10/04/2.026

Minha curiosidade de amanhã

 
Vou indo sem pressa... não preciso mais correr,
Já senti todas as saudades que a vida me fez sentir,
Ouvi e disse todos os adeus que tinha para dizer
Até os amores, que sorrindo ou chorando ... vivi

Vou devagar, não tenho pressa, sei onde chegar
Prantos... não os tenho mais, chorei todos eles
Talvez uma saudade aqui, uma outra por ali
Uma lembrança antiga que o tempo não quis levar.

Sonhos, já os sonhei, outros estão perto de mim,
Não preciso correr para sonha-los, estão bem aí
No dobrar do tempo, bem aí, no primeiro amanhã,
Não tenho pressa para sentir o que a muito já senti

Sorrisos, tenho alguns e os que tenho me bastam 
Mas ainda tenho uma curiosidade de todos os dias
Muito importante para mim, longe de ser coisa vã...
É saber qual marca nova, meu rosto trará amanhã

José João
10/04/2.026

Ah! Esse amor eterno!

                                                                                                                       
Quando o amor se faz de forte ventania
Como fosse tempestade mas... sem maresia
A tomar toda a alma, inunda-la de fantasia,
O coração, em êxtase, pula louco de alegria
E reza orações que até outro dia... não sabia

No tempo, feito nau vadia, navega solto
Sob um céu de brigadeiro, um tal de amor
Por milagre, com prantos, ri e sente o calor
De beijos que ainda virão, ainda nem trocou
Mas a alma eufórica jura que já sente o sabor

E um mundo, inocente, se abre como leque,
Pintado de primavera, com flores de verão
Aí as confissões se fazem de divinas rezas
Como se fosse de anjos essa doce criação
Aí, Chega a loucura, um verdadeiro furacão

Os "nãos" são desprezados, perdem a razão
Saem acanhados, sem saber nem onde ficar
Sussurram injúrias, mas qual alma vai ouvir?
O amor juntou as duas e toda atenção lhes dá,
Que mais importa a não ser esse... louco sentir?

Assim, juntas, almas e corações até se esquecem
Desse tal de amanhã, afinal, o amor não é eterno?
Na eternidade é onde se escondem todos os amantes
Nela sempre cabe mais um, é um coração materno
E quem eternizou o amor nunca mais será como antes

José João
10/04/2.026

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Amar... é nunca morrer.

Hoje, vou por aí entre horizontes e sempre só,
Quero gritar meu canto mas não tenho voz...
Minhas poesias se perdem no tempo, então choro
Alguém pode me ouvir? A isso agora imploro.

Quero contar dos amores que vivi, que senti,
Dos abraços que dei, mas que também recebi.
Quero fazer poesias contar o belo que já vivi,
Estou vivo, ando por aí, amo, ainda não morri

Quem melhor que eu para contar a beleza da vida?
Quem já amou tanto quanto eu amei, me entreguei?
Quem melhor que eu pode falar do que seja amar
Dizer: te amo de verdade, com lágrimas no olhar?

Dizer te amo, não com essas palavras bobas, tolas,
Dizer te amo é deixar a alma gritar, num silêncio
Que só os amantes ouvem, é um todo se entregar
Sorrindo, tremendo, chorando sem nada trocar.

Eu, ando por aí, amo quando encontro um coração
Até sei fazer versos, faço poesias, me entrego todo
Sem reservas, nem segredos, fazer que amar seja viver,
Fazer que amar, como é o amor, é nunca morrer.

José João
08/04/2.026

O aprendiz.

    
 Talvez devesse calar a voz... esconder-me entre sonhos...
Ou gritar minhas verdades? Para quê? O mundo está surdo,
Quem sabe dizer agora: Que o amor seja sempre eterno?
Que a saudade é um presente divino, dado a tantos mudos?

Quem chora uma saudade com a alma em divino pranto?
O amor se fez uma brincadeira tão comum, tão sem sentido.
As palavras são tão poucas, tão sem razão... tão pequenas,
Ao amor, dele fizeram apenas um brincar sem mais encanto

Dou-me a ser do mundo, um simples contador de versos
Que fala da inocência das flores, da beleza que é a saudade, 
Que faz versos para o luar, para o alvor do dia quando vem,
Com os pássaros confessando às amadas um amor de verdade

Sou quem se banha com a pureza do orvalho da madrugada,
Que brinca de escrever versos como fosse oração à sua amada
Não sei ser poeta, escrevo o que a vida manda, o que a vida diz
Quem, como eu, sabe o que é ser do mundo, um aprendiz?

José João
08/04/2.026

Revendo velhos guardados... chorei

 Ontem estive revendo, dentro da alma, velhos guardados,
Encontrei sonhos antigos, saudades que nem sei porque senti,
Histórias de amores mal resolvidos, sonhos já esquecidos,
Restos de dores e de prantos chorados, agora tão descabidos!

Também encontrei o que eternamente ficará dentro da alma
Como se fosse preciso estar ali, para sempre estarem vivos,
Revi sorrisos verdadeiros, até vi prantos um dia chorados
E ainda diziam que foi a alma quem os manteve guardados

Revi um olhar que disse adeus como se os olhos gritassem,
Senti o adeus mais doloroso que ninguém nunca ouviu
Tanto, que chorei, e até me pareceu com o mesmo pranto,
As cicatrizes que pareciam saradas se abriram por encanto

Foi um adeus que a alma não queria, não precisava ser dito,
E essa ausência faz que ela até hoje vague por aí incompleta,
Perdida, indo entre vazios, procurando um lugar para ficar
Mas onde vá, com ela vai a tristeza e o pranto para chorar

José João
08?04/2.026

Alma minha... diz-me o que sentes.

 Oh! Alma minha! Agora que estamos a sós, diz-me:
O que tanto te aflige que emudeces e calas a voz?
Diz-me o porquê desse silêncio, o que te atormenta?
Por acaso, alma minha, não sabes quem somos nós?

Tu, minha essência de vida, que de imortal me fazes
Eu, teu templo, nos fazemos um, sentes dor, eu choro,
Sou, como bem sabes, teu único provedor de lágrimas,
É o meu pranto, a tua voz. Alma minha diz, te imploro.

Diz-me, preciso saber, por que estás assim tão aflita?!
Dou-me a te fazer que sejas de mim, a outra metade,
Se te entristece um qualquer sentir, me dou ao pranto,
O que quer que sintas, em mim, também será verdade.

Pobre alma minha! Cabisbaixa, até parece tão carente!
Diz-me agora, que estamos a sós, diz-me o que sentes.
- Para ti não tenho segredos, choro com o teu chorar,
Então, chora comigo essa saudade que insiste em ficar.

José João
07/03/2.026

Os amanhãs são... tão imprevisíveis!

Onde estão meus sonhos? Porque perguntas?
Por acaso não sabes que se foram quando foste?!
Que os levaste contigo e em mim deixaste o pranto!?
Tudo se foi, como passe de mágica, como por encanto!

Em mim, bem sabes que deixaste apenas saudade,
Uma saudade triste, dessas que deixa a alma ferida,
Perdida no tempo, apenas a solidão como companhia
E uma história que mesmo triste, nunca será esquecida

Ainda assim dou-me a te rezar com inocente oração
A adorar-te e, sem orgulho, ser teu cervo mais fiel
Que a mim me digam: coitado quanta humilhação!
Que seja dito, mas a mim, é como perecer no céu

Mas, o que sinto agora é, por destino, o que mereço
Entretanto, não te iludas, o mundo dá muitas voltas
E quem sabe um dia, todos os sonhos por te sonhados,
Em desespero e em prantos, por te serão procurados?

José João
08/04/2.026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Um amor profano

 Trazia no peito o gosto de um louco amor insano,
Com ele a dor de um adeus que nunca mais se foi,
Uma saudade, dessas que a alma grita em prantos.
Como pode doer tanto a dor de um amor profano!?

Um amor que nem deveria ter um dia acontecido
Tão pecadores, aqueles que a ele se entregaram
Que pecado incoerente de um dia terem amado!!
Agora, no adeus, perceberam o tanto que pecaram

Se foram as juras, os segredos, agora só saudade
De quem, por tanta culpa, nem merece ser lembrado
Nunca é divino, mesmo belo, viver-se um pecado? 

Agora é um adeus, um vazio, um vago lembrar,
Quem, por justa razão, vai primeiro esquecer?
Dá-se a um amar profano, o castigo é... viver.

José João
07/04/2.026

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Os poetas... fingem na hora certa.

 A quanto tempo!! Quantos outonos! Folhas caídas...
A quanto tempo!! Quantas primaveras! Flores nascem,
Se abrem ao mundo, enfeitam e perfumam o tempo
Mas a saudade continua... das horas amenas vividas

Faz tanto tempo! Quantos verões e invernos passados!!
Quantas noites acordado num impossível contar estrelas.
Ouvindo do vento, vindo de longe, com um terno canto!
Trazendo recordações de momentos e com ela o pranto!

Sentado na beira do tempo, a ouvir meu próprio silêncio
Contar histórias de mim e me confessar inocente pecador,
Sentir na alma, o prazer da saudade e a dor de um adeus
Então, inventar orações, gritar heresias sem nenhum pudor

Há quanto tempo! Desde muito me pus a criar fantasias,
Fabricar ilusões com gosto de verdade, num falso fingir
E assim enganar a mim mesmo, como fazem os poetas
Fica tão verdadeiro o fingir por fingirem nas horas certas 

José João
06/04/2.026

domingo, 5 de abril de 2026

Quando o amor chegar

 Quando o amor chegar
Vou me lavar com o orvalho da madrugada
Me perfumar com o perfume do campo
Vestir roupa nova, começar nova jornada

Vou cantar canções, que ainda nem fiz
Cantigas alegres de alegrar corações
Pintar o mundo com tinta de cor verniz
E ouvir o que voz do amor me diz

Quando o amor chegar
Vou recomeçar no sentido norte
Me vestir de primavera
Me vestir de flores e ficar mais forte. 

Quando o amor chegar
Vou me fazer de jardineiro,
De estrelas plantar um canteiro
Para no brilho delas...sentir teu olhar

Mas... quando o amor se for
Vou pintar o tempo cor de saudade
Vou ir sem pressa, indo devagar
Esperando outro abril chegar

José João
05/04/2.026

sábado, 4 de abril de 2026

Ainda existe... apenas não vemos mais

 Agora dizem, antes, a vida tinha pausa e momentos únicos,
Para mim, a vida continua tendo pausas e seus momentos 
Os meus, são os mesmos, não mudaram, ficaram em mim
Ainda sinto a ternura do primeiro beijo, foi num jardim

Ainda vejo a primavera, sempre florida, com novas flores
De cada uma, ainda lembro o sabor doce de seus perfumes
A algazarra dos pássaros no alvor do dia, cantando hinos
A alegria das borboletas e beija-flores, ainda é costume

Nas noites, os vagalumes, como nossas estrelas luminosas, 
Iluminavam, cintilantes, o campo numa orgia de luzes.
O rio, cantando uma canção que ninguém sabia, só ouvia
Lua e estrelas refletidas no rio era outro céu, a gente via

Agora dizem, antes a vida tinha pausa e momentos únicos,
Se tudo isso era uma pausa que vida dava para vivermos
É de lamentar, não mudou, essa pausa ela continua dando 
Nós é que nos perdemos, a tudo isso não estamos olhando

Aí dizem, o tempo fica mais lento, se se vive coisas novas.
Coisas novas, para quê? Não se ama mais como antigamente
Quem ainda sabe dizer: eu te amo, com a alma em risos?
Quem, hoje sabe dizer: que nosso amor viva eternamente?

Aquele lugar, esse lugar que agora chamam de antigamente,
Que bom! Ah! Quem dera pudesse voltar! Lá eu era gente,
Trouxe muito de lá, aprendi que o tempo conta os momentos
E cada momento que se vive, com certeza, é um novo presente.

José João
04/04/2.026

terça-feira, 31 de março de 2026

A doçura de uma saudade

A doçura de uma saudade alegre lhe prateava os olhos
E os lábios, tremendo, balbuciavam um nome querido
Como fosse uma oração a ser rezada em solene contrição,
O momento se fazia de um lugar em que ele havia vivido

Sorria para o horizonte como se nele estivesse guardado
Sua preciosa relíquia que um dia, um triste adeus a levou,
Mas continuava murmurando o nome que a alma santificou,
O brilhar do olhos desenhava a imagem que sempre guardou

Entre sorrir e chorar, entre quase alegre e triste, se perde
Dentro de um pensamento tão forte que sentiu o perfume
Nunca esquecido, sempre ali, como se lhe fosse parte de si,
Inventava orações, cantava hinos, entre risos e queixumes

E assim, corria pelo tempo, entre os anos, meses e dias
Até os detalhes lhes vinham como pedaços de si mesmo
E faziam-se completos como se até eles estivessem vivos
Como se a ele, tivesse o tempo lhes deixado cativos.

José João
31/03/2.026

segunda-feira, 30 de março de 2026

Esse meu jovem rosto de hoje!!

 Meu jovem rosto de hoje, no espelho, sorri lembrando
Que há algum tempo não lhe via as novidades de agora,
Ontem era aceso, riso fácil, inconsequente e muito alegre
Hoje, mais jovem que ontem, e novas marcas chegando

Amanhã, esse rosto, com certeza terá novas expressões
Lábios contornados por sinais do tempo, a seu gosto
Na fronte, os cabelos mais grisalhos, olhos mais caídos,
A testa mais franzida, este será, amanhã, meu novo rosto

Todos os dias meu rosto se renova se fazendo diferente
Não é aquela mesmice de todos os dias ser o mesmo rosto
Tenho a curiosidade de vê-lo amanhã, com novas marcas
Sorrindo por prazer de sorrir, sem saber o que é ser carente

Até a maneira de fazer barba é diferente, é mais cuidadosa,
Os detalhes de agora fazem que os gestos sejam delicados
Nos vemos olhando nossos olhos é uma hora prazerosa
No espelho vemos o jovem rosto de hoje com mais cuidado

José João
30/03/2.026