quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando me lembro de mim...

Quando me lembro de mim, sempre choro.
Lembro os momentos divinos por mim vividos.
Lembranças de beijos com o gosto doce de amor
Coração pulsando forte, a quase perda dos sentidos!

A razão gritando, alegre, sua própria loucura...
As mãos tremendo, a voz sussurrando baixinho
Deixando que os olhos marejados gritassem alto
A beleza do sentir a vida florir em inocente ternura

Ah! Quando lembro de mim!! Me perco no tempo,
Me vejo entre risos, doces carícias, ternos acenos
Que diziam "até logo" com lenços de seda bordados 
Balançando em delicadas mãos num acenar sereno.

Uma fonte cantava o que o que só se sabia sentir,
Olhos nos olhos, mãos que diziam do tanto amar,
Um silencioso confessar do que sentia cada alma,
A inocência de um beijo como só a alma sabe beijar.

Quando me lembro de mim, me vem o pranto.
Hoje me pergunto quem sou, não tenho resposta,
Talvez tenha vivido em outro lugar...  num sonho...
Tão real, sinto na alma, e a esse sentir não me oponho

José João
02/07/2.026

domingo, 28 de junho de 2026

As cartas emudeceram.

Até ontem tinha as cartas, já amareladas, letras sumidas,
Ainda diziam o que um dias foi tão gostoso de ouvir,
Tinham os beijos que faziam a alma torcer-se de saudade,
As promessas que, nas cartas, se faziam de doces verdades.

Todas estavam guardadas, algumas manchadas de pranto,
Quando a insônia me tomava, ia busca-las para estar contigo,
E no silêncio da noite bebia as palavras... as lágrimas vinham,
Aí então o coração pulsava mais forte, assim, te sentia comigo

Estavam amarradas com aquela fita que escreveste: te amo.
Não lembro mais quantas noites elas me fizeram sonhar,
Lia uma por uma, sentia cada palavra que me faziam sorrir
Mas se era muita saudade, muitas vezes me fizeram chorar

Hoje, não fez mais sentido guarda-las, não havia mais razão,
O adeus dito naquela última carta doeu muito, doeu demais,
Matou sonhos, matou saudades, os sorrisos se foram por aí...
Só ficou mesmo o silêncio, as cartas, mudas, não falam mais 

José João
28/06/2.026 

A única. Sem par no universo!

 ... Se meus pecados forem tantos por tanto amar-te,
Que hei de fazer? És maior que qualquer razão,
O universo se dobraria e só Deus é maior que tanto
Até os anjos louvam com orações esse todo encanto!

Dou-me a ti em ladainhas rezadas com teu nome,
Rezas que a alma cria em versos a fazer-te poesia
E se pecado for, que a mim me seja dado perdão
Quero apenas fazer-te oração sem nenhuma heresia

Te dar, a meu gosto, um olhar com brilho de estrelas,
Te  fazer que as flores invejem esse teu doce perfume,
Que sintam-se pequenas! Coitadas! não é o meu intento,
Mas por ti, o perfume delas, sei, é apenas um queixume

Até pedi que anjos me fizessem artesão de moldar nuvens,
Que me dessem espátulas e cinzéis com a magia de criar
Para nelas esculpir teu rosto, olhos inocentes de criança,
Rosto angelical, moldado por longos cabelos cor de luar.

Ah! Te fiz assim! Até dizem não existir poesia perfeita,
Mas... poesia de palavras, são poucas e pouco dizem.
Mas não és uma poesia escrita com rimas no fim do verso
És a doçura mágica, dessas que não existe par no universo

José João
28/06/2.026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Até já nem sei se é destino ou castigo.

 Andar sozinho com a solidão te afagando a alma,
Buscar sonhos perdidos ou que nunca aconteceram,
Provar o sabor do pranto chorado por tantas saudades
É ter a certeza de ter vivido, ter vivido de verdade.

Não há de ser vida, uma vida sem sonhos perdidos,
Sem prantos chorando saudades de momentos idos,
De vazios quando se sente uma presença tão ausente
Que se foi sem ir, que insiste em ficar dentro da gente

Há de a solidão ser apenas um grito que não se ouve,
Que a tristeza seja apenas uma febre na alma doente
Que se perdeu dos sonhos e agora se vê tão carente

Ando pela vida ouvindo o eco de gritos que não gritei
Um vazio que parece o mundo sem se importar comigo,
Ninguém me ouve e já nem sei se é destino ou se é castigo

José João
19/06/2.026

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Será que o poeta escolheu ser poeta?

 O poeta, aquele que ri da dor, não escolheu ser poeta,
Apenas foi escolhido e por quais razões, ainda não sei.
Carregar na alma a chama imaculada da poesia, acesa
É entregar-se a fazer versos por obrigação da natureza

Não há que se dizer que o poeta, como poeta não nasceu
Foi-lhe dado o dom divino. E a quem se pode perguntar
Porque as palavras, lhes são tão submissas e tão cativas
Porque lhes é permitido ao mesmo tempo sorrir e chorar?

Fazem poesias com prantos, lhes dando brilho ao olhar,
Gritam no silêncio e enchem o vazio só com um sonhar
Misturam tristeza e solidão num verso que fala de amar

Não há de se dizer que o poeta, como poeta não nasceu.
Ao poeta foi dada a poesia talvez desde antes do nascer
Se quiserem perguntar, perguntem: Quem a ele escolheu?

José João
17/06/2.026

Um dia o amar será assim

A mim não importa que venham os prantos,
Vou amar como nunca ninguém ainda amou,
Vou fazer orações divinas com o nome dela, 
Que os anjos, alegres, comigo cantem por ela

Vou amar tanto, que da razão farei brinquedo
Farei que, para viver, só amar seja preciso
Esculpir nas nuvens sua imagem consagrada
E que lhe seja dada uma beleza santificada

Vou amar, mas tanto, que me porei a seus pés
E em perene oração irei jurar para a eternidade
Todo esse amor que da vida, será a maior verdade.

Tanto assim será que as palavras se farão pequenas
Que o olhar se fará um grito que só alma sabe gritar
Tanto será o amor que só outra alma saberá escutar

José João
17/06/2.026

Haverá sempre uma nova saudade para sentir

 Lá, por trás das flores, muito além do montes, 
O horizonte, distante e belo, convida a sonhar,
Buscar saudades, que talvez venham com prantos
Mas sempre a saudade do que foi belo faz chorar

O pensamento, solto no tempo, busca momentos
Que de tão divinos a alma guarda em segredo,
Esconde do esquecer para sempre estarem vivos
E a eles um coração, agora carente, fica cativo

Lá por trás das flores, muito além dos montes,
Aquele horizonte distante, em divino silêncio,
Um dia fará que lembre o que ainda não vivi?

A saudade sempre lembra a beleza que existiu,
Mas a alma sempre vai buscando novo existir
Quem sabe aqui chore outra saudade que senti?

José João
17/06/2.026

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Amigos de todos os dias

 Amigos, os tenho e são muitos. Deles posso falar,
Amigos que há quarenta anos somos nós dois em um
Paixões que acontecidas, amantes para toda vida
Meu primeiro alimento é ela, minha querida glicazida

Logo após me vem o outro, sorrindo como menino
Meu querido succinato, grande irmão metroplol
Esse de mim toma conta, como se fosse um irmão
Cuidadoso e com carinho cuida do meu coração

Também não posso esquecer dos amigos do almoço
Me fazem fiel companhia, o somalgin e o glivage
O primeiro sempre atento a afinar o meu sangue
O outro me trata o açúcar desde do pé até o pescoço

Esses são meus amigos, a eles devo muitos favores,
Outra amante, rosuvastantina, sempre na minha mente
Cuida para que continue sem gordura ruim por dentro
Amigos e amantes por toda vida mas não aconselho que tente

José João
15/06/2.026

Amor! Sempre o mesmo roteiro.

Quando falam de amor, ouço em silêncio e calo
Que poderia dizer, do que não conheço, não falo
Pra mim o amor é uma loucura dessas que dói
E só tristeza, solidão e saudade é o que constrói

Nunca consegui ver-me sentindo esse tal de amor,
Que nos rastros, quando se vai, se ver um tremor,
Que na voz deixa sonoras reticências e mudez
Dores que a alma sente, quase todas de uma vez

Nunca entendi esse tal de amor, nem o que faz,
Quando se vai só deixa saudade, vazios e prantos
E quando se pensa curado, vêm outras coisas mais

Não falo desse tal de amor, calo e até dele corro
O que pode importar algo que é tão passageio
Até os sonhos de amor sempre têm o mesmo roteiro

José João
14/06/2.026

domingo, 14 de junho de 2026

A poesia! Vai muito além da imaginação!

 Minha vida! Uma história que não sei como contar.
Alguns momentos brindados com doce champanhe, 
Outros, brindados entre  lágrimas e tantos prantos
Que me fazem sentir na alma o que não quero falar

Quantos sonhos vivendo histórias de amor infindo!
Beijando lábios perfumados como se fossem flores,
Acariciando rostos que pareciam fino e macio veludo
A vida, como eterno sonho, se fazia bem mais que tudo

Viajei entre planetas, fiz imagens de mim mesmo,
Corri entre jardins, atravessei rios, corri pelos campos,
Um dia fui escravo, num outro fui um majestoso lorde
Fazia poesias para um rei que me deu um titulo de nobre

Minha vida, devaneios cheios de sonhos mentirosos,
Vi um rosário de ouro no céu com as contas de estrelas.
Num lugar, muito distante, a beleza única de dois sois
Nessa loucura pergunto: alguém sabe quem somos nós?

Mergulhei em mares distantes, com praias no horizonte,
E nadei com um amigo que eu nem conhecia, chegamos.
Fiquei na praia, ele voltou, parecia que o mar era seu,
Essas minhas mentiras! Perguntem, que mentiroso sou eu?

Mas fui um escravo que fazia versos, assim me vi um dia,
Um lorde que foi poeta, que escreveu a vida em versos,
Que se viu um dia deitado e livre flutuando outro viver
Que permanece acordado, brincando ainda de escrever

Sou quem, em leve sono, recorda lugares onde nunca foi,
Sou quem beijou lábios de damas que só em sonhos eu vi
Que viveu histórias, fantasias ou mentiras, ao certo não sei
Também não sei  se tudo foi um sonho ou se mesmo vivi!

José João
13/06/2.026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

As coisas que escrevo.

Nem sempre são minhas as coisas que escrevo
As vezes empresto minhas lágrimas para alguém,
Por vezes alguém, a mim, empresta suas lágrimas
Para a poesia  basta ter e... não pergunta de quem

Quantas vezes chorei dores que não eram minhas!
Gritei, em silêncio, saudades que nem sabia sentir,
Molhei os versos com prantos paridos do nada
Pensavam ser minha a dor mas era apenas um fingir

As vezes fingir é preciso, mas tem que saber fingir,
Senão fica maior que a dor que se tem medo de sentir
Aprender, mesmo com a alma chorando, saber sorrir 

Aprendi, desde muito, assim são as coisas que escrevo,
Se são meus os prantos ou se são prantos que emprestei!
Ou foi emprestado, o pranto que aqui, agora, chorei?

José João
08/06/2.026

Brincando de voar

Por sobre o tempo, espaço infindo, me permiti sonhar,
Brinquei de desenhar, com nuvens, meus tantos desejos.
Busquei pensamentos distantes, sonhos não sonhados,
Os que já sonhei, palavras não ditas, beijos guardados.

Sobre as nuvens, num horizonte que parecia bem ali
O sol pintava o tempo com cores que não se sabe dizer,
Esculturas, como feitas por mãos divinas... brilhavam,
Se faziam pedaços de um céu convidando para viver

Disperso, como se visse um sonho vivo, me fiz ouvinte
De um silêncio que contava minhas dores e saudades,
Contava tristezas que pensava desde muito, esquecidas

Olhava o quase não passar do tempo, brincando de voar,
Recordações se faziam histórias povoando o pensamento, 
A se misturarem com as vontades  ainda não acontecidas

José João
08/06/2.026


sábado, 30 de maio de 2026

Sem prantos... não sei fazer poesia.

 Poesia, a alma do poema, poderia fazer todos os dias.
Solidão tenho para tanto, dores? Essas tenho avulso,
Sonhos perdidos, sonhados e sumidos no esquecimento,
Desses, perdi a conta, do meu dia a dia foram expulsos.

Tristezas! Tenho muitas, correm soltas pela alma e vão,
Desde o alvor do dia, nas noites, chega, então, a saudade
Que povoa o momento com a presença de quem não está
Aí as palavras se perdem, correm nos verso sem poder falar

Poesias, poderia fazê-las todos os dias, assim eu quisesse
Costurava sonhos com fantasias, neles alinhavava ilusões
Mas por vezes me pergunto: é se quisesse ou se pudesse?

Tenho tudo que se pode, com a alma, escrever poesias,
E não seria apenas uma. Para fazer poesias tenho tanto!
Só não as crio todos os dias? Apenas por falta de pranto

José João
30/05/2.026

... Até chegar um adeus.

Entreguei-me, rezei um nome como fosse oração,
Brinquei de costurar meus sonhos com verdades,
Dessas que todos os dias acontecem por milagre
Como se fosse do próprio tempo, divina vontade

Inventei rezas, ladainhas  contando tanta beleza!
Vesti-me de inocente pureza, fiz-me sem mácula
Pretensão que só um sentimento puro faz acontecer
É o mesmo que, em divinos momentos... viver

Pedi aos anjos que me ajudassem a fazer poesias,
Trouxessem pedacinhos do céu para enfeitar os dias
Que fizesse rosário de estrelas para rezar essa alegria
Até lustrei o pranto para, risonho, me fazer companhia

Sonho verdadeiro, desses que, por milagre, acontece,
Que de cada dia faz um detalhe, completo e eterno
Até que um dia tudo parece ter sido feito de fantasia
Um adeus é dito, o silêncio gritando e, a vida vazia.

José João
30/05/2.026

“A última flor do Lácio, inculta e bela"

Um dia, um poeta, num livre expressar-se, disse:

A última flor do Lácio, inculta e bela. E a flor...
Se fez forte, se fez altiva e, talvez ... a mais bela,
Do vulgar passou a ser, do saber, uma larga janela 

Caminha pelo mundo brincando de fazer história,

De fazer-se quase sem tradução, tão rica lhe fizeram!
E se faz um buquê de palavras, única nessa condição
Que brinca nos dicionários por não lhe haver tradução

E a flor do Lácio, mesmo inculta mas sonora e bela

É a única que diz ao mundo o sentir de uma verdade
Que no mundo, toda alma sente, mas apenas ela
Tem a palavra única de dizer que isso é... saudade

Agora, chegam da luz da ignorância, pobres parvos,
Que, por natureza, são ignavos e indolentes seres 
Se vestem de trapos literários de uma estupidez gritante
De quem, por doutrinação, que matar uma língua pujante

Que se há de fazer ante tão grande e pesado fardo
Que tanto pesa nos ombros dos verdadeiros literatos?
Estarão em estertores aqueles que tanto nos ensinaram
E que honrosamente esse belo legado a nós deixaram?

Que a última flor do Lácio, inculta e bela, permaneça
Luz, a fazer-se em belas, ternas e gentis poesias, 
Que os incultos se dobrem à vontade dessa gigante
E que sucumbam os disparates desses tantos ignorantes.


José João
30/05/2.026

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Bem aventuradas as mães

 Bem aventurado o ventre que te trouxe, o seio
Que te amamentou, bem aventuradas todas as mães
Que entre lágrimas e risos te deu a vida, te deu a luz
E reza por te orações divinas que nunca se farão vãs.

Bendita seja aquela voz que acalentou teu adormecer,
Benditos sejam os beijos que te falaram sobre o amor,
Benditas sejam aquelas mãos que te acariciaram o rosto,
Que te embalaram o berço, e por te choravam tua dor

Benditos sejam os olhos chorando em silencioso pranto
Como fossem orações rezadas se sentias qualquer dor,
Benditos os joelhos inchados que por penitência pediam
Em mudo desespero: por favor, cuida do meu filho, Senhor

Bendita seja a mãe, que no seu ventre, alegre, te gerou,
Que te fez crescer e, as vezes triste, se fazia forte, até sorria
Porque queria que sugasses o leite temperado com amor
E se ela estivesse triste, ao sugar, triste também ficarias.

Benditas sejam todas as mães, benditas sejam as mulheres,
Bendito seja delas o amor, que pelos filhos se entregam toda,
Benditos os braços que com divino carinho  te carregaram,
Bendito seja aquele coração e aquela boca que te beijaram. 

Benditas sejam todas as mães.

José João
29/05/2.026

terça-feira, 26 de maio de 2026

Quando um adeus está perto!

 Entre palavras não ditas, silêncios como respostas,
Olhares perdidos, desses que já não dizem mais nada,
Foi assim que começou  desenhar-se em nós o adeus,
Suspiros de angustia como para o adeus uma aposta.

Noites frias, mal dormidas, pensamentos perdidos, 
Como se voassem para o nada, por nada ter que fazer,
Silêncio lá fora, silêncio na alma, noite sem sonhos
E o medo, do vazio, da dor que está prestes a acontecer

Promessas não importam mais, a verdade se escondeu
Nas palavras não ditas, nas perguntas sem respostas
No amanhã, que desde ontem, na mudez já se perdeu

E tudo que um sentimento que se foi faz a alma sentir
Está ali, esperando para dizer o que não se quer ouvir
Vem o pranto, uma dor de verdade que não se pode mentir

José João
26/05/2.026

... Se a poesia quer chorar! Que chore!

 As vezes meus versos não dizem o que quero dizer...
Querem apenas chorar, e choram como fossem eu...
Do começo ao fim, até as rimas se fazem lágrimas
Como fossem elas a viver o que minha alma já viveu

As palavras fogem de mim para se fazerem prantos...
Chegam até aos olhos gritando alto seu desagrado
Então, os versos se vestem com as lágrimas choradas
Daí o gosto da poesia, temperada pelos pranto salgado

Não sei por quais motivos o pranto salga a poesia?!
Se não sou eu quem chorou a dor que ela diz sentir!!
Se ela, por si só, se faz em versos chorados e tristes
Se não sou quem chora, qual de nós está a fingir?

Se os versos, por vezes, não dizem o que quero dizer
Se é a poesia que por si se faz, e se faz a seu querer
Ela que chore seus prantos, a todo seu bel prazer
Eu ... apenas junto as palavras que ela quer escrever

José João
26/05/2.026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quantos gostariam de ter sua história!!

 Sim, envelheci. Cabelos embranquecidos, voz reticente,
Ombros curvos, passos lentos, o olhar só vai até ali,
O rosto cheio de marcas, cicatrizes que o tempo deixa,
Cada uma é uma história que se diz... isso eu já vivi.

Quantas histórias vividas! Quantas lições aprendidas!
Assim, aprendi, que muitos amanhãs ainda estão por vir
Ainda deixarão marcas no rosto, mas também virão risos,
Ainda virão momentos de ternura que ainda hoje não senti

Envelheci, mas o coração ainda pulsa se falam de amor,
Aprendi que a vida tem atalhos, para que correr para chegar?
Os anos me ensinaram a ir sempre entre o vagar e a pressa
Se estiver no caminho errado minhas marcas me farão voltar

Os rastros deixados num caminhar sem pressa sempre ficam
Como se fossem uma lembrança que nem o tempo pode apagar
Só tenha cuidado por onde pisar, não pise em pedras, mas...
Se tiver uma no cominho, jogue-a longe, pedras não sabem andar

Nunca esqueça que os amanhãs existem e você ainda está aqui, 
Caminhe com suas cicatrizes, outras cicatrizes virão mas, agora
Você é sábio para fazer delas marcas de cortesia que a vida dá
Seja seu herói! Veja quantos não gostariam de estar em seu lugar?!!

José João
25/05/2.026

sábado, 23 de maio de 2026

Grita, minha alma. Não desista.

 A alma, mesmo triste, continua acordada, mas sonhando.
E pergunta: o que fazer? Onde está a luz? Onde estão...
O amor, a verdade, um olhar sincero iluminado, onde estão?
Grita minha alma! Os gritos, serão do mundo, pedidos de perdão

Pede, minha alma, que outras se juntem em fervorosa oração,
Que mãos se entrelacem, que corações se abracem, se façam
Uma corrente a iluminar caminhos de luz quase a apagar-se
Tanto é o egoísmo que faz dentro da maldade o bem afogar-se

Onde estão os amanhãs num céu que quase não brilha mais?
Nos olhos a incerteza, o medo, a angustia de não poder ter
Um sorriso alegre, de verdadeira esperança, da certeza de ser
Uma alma justa que com a bondade no coração faça acontecer

Grita minha alma, deve haver outras disponíveis para amar,
Para gritarem até onde cheguem as orações e sejam ouvidas,
Grita, minha alma, que há de haver pelo menos mais dez justos
Que haverão de juntar-se a ti e Ele, haverá de lhes sarar as feridas

José João
23/05/2.026


domingo, 17 de maio de 2026

O corpo é pó, a alma... é imortal

Que os irmãos brancos que queiram caminhar comigo,
Cheguem, juntem-se aos irmãos negros á minha direita.
Todos que acham que a alma é divina, sem cor, imaterial
Não se prendam, essa é , da vida, a ordem mais natural.

Vamos dar as mãos, caminhar juntos num mesmo passo,
Vê Castro Alves, e Machado de Assis no mesmo abraço
Olavo Bilac e Pinto da Gama, os dois de mãos dadas
Quatro heróis juntos, a mesma luta, no mesmo espaço

Corpo e alma caminham juntos mas, coitado do corpo, 
Alguns se arvoram, brancos nórdicos, matéria, material,
Mas um dia, bem ali, nu, como nasceu, vai sem levar nada
Fica a alma, viva e sem cor, do homem a parte mais vital

Ah! Se um dia se pudesse ouvir a fala do Alexandre Dumas
Em conversa informal com Shakespeare,.. O ser ou não ser?
Seria essa a questão? Ser o quê? Apenas homens de cor?
Ou seriam almas vivas e solenes com o mesmo divino valor?

Eu, preto que sou., ouvi de um anjo sem cor, que disse:
"Quando a saudade afligir-me
Ninguém irá me consolar
Quando a existência fugir-me
Quem há de me prantear?"

Ora!  Maria Firmina! acalma esse teu coração!
Poesia, bem sabemos, cor, nunca terá
E Cora Coralina virá te consolar?

José João
17/05/2.026

sábado, 16 de maio de 2026

Poesia, um lugar de todos.

Um pedacinho de céu é uma poesia falando de amor,
As estrela são as palavras derramadas nos versos,
Escritas em prateados prantos que chegam até a alma
Como fossem orações rezadas enfeitando o universo

A poesia é um lugar onde até o impossível acontece,
Prantos e risos se misturam em perfeita harmonia, 
Solidão e prazer se juntam para sentir uma saudade,
Verdades se fazem como fossem infantis fantasias.

A poesia é um lugar que só mora quem sabe amar,
Quem sabe se entregar sem querer nada em troca.
A poesia é um lugar onde se pode viver e até sonhar

A poesia é um lugar onde a lágrima se santifica,
Um lugar que, mesmo sem primavera, se faz florido
 É o único em lugar que a vida não precisa se justificar

José João
16/05/2.026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um guarda-chuva vestido de primavera.

Um guarda-chuva enfeitado com a beleza da primavera.
As flores debruçadas, assim como fossem anjos inocentes,
Inspirando a poetisa a criar poemas cheios de doce poesia
Então o tempo se abre entre sonhos, lembranças e fantasias

O perfume do campo, o gorjear de irrequietos pássaros,
Na sombra de um guarda-chuva florido ... um pensamento,
Assim, a poetisa cria, no caderno da vida, um momento
Em que tudo se faz encanto, até o tempo fica mais lento

Como se quisesse ficar ali, fazer parte da poesia criada
Em que a poetisa, de cada flor, faz um verso, uma rima 
Que vai ao mundo como fosse um história encantada

E assim, o guarda-chuva vestido de primavera e a poesia
Se abraçam, caminham juntos,  fazem o mundo mais belo
E a poetisa... se esconde dentro dos versos que ela cria

15/05/2.026

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Minha poesia de muitas cores

Hoje, quero pintar poesias, isso mesmo, pintar poesias,
Escreve-las é fácil, basta conversar com as palavras...
Pinta-las!! Que cor haveria para pintar uma oração?
As poesias são divinas, mistura de alma e coração.

Vou pintar uma, vou pinta-la com cor de saudade,
Matizar com a cor do pranto, como raios prateados,
Alguns pingos de lágrimas como respingos de chuva
Realçando as rimas dos versos com adornos dourados

Vou pintar alguns versos com a cor de uma tristeza,
Não com qualquer tristeza, só mesmo as mais tristes
Que realce com a cor de um adeus, adeus de verdade
Aquele adeus triste, mistura das cores de dor e saudade

Também, na poesia, pintei a solidão, foi mais difícil
Não encontrava tinta que pudesse com ela realçar
Então, usei tinta cambiante, tem uma cor inconstante
Nunca se sabe se se está só ou se é a solidão que está

Assim, fiz minha poesia colorida, não é tão fácil de ver,
Na verdade, é vista pelos amantes que sentem com a alma,
Aqueles que sabem da cor do pranto, da cor da saudade,
Que não se escondem e, para chorar, a alma tem liberdade.

José João
07/05/2.026

Pedra e flor no mesmo verso

Pedra e flor são diferentes até que a poesia as encontre,
Encontradas, cada uma têm sua beleza e sua história,
O que as iguala? Apenas a poesia... lhes faz de poesia
Assim não fosse, compara-las seria verdadeira heresia

Coitada, chorando sozinha, presa, sem ir a lugar nenhum
Lhe passam por cima e apenas dizem: sai do caminho.
Posta ao frio, ao calor, coitada, sem voz para reclamar
Ouve tudo calada, triste, nem lágrimas tem para chorar

Já a flor, orgulhosa, vaidosa e bela exala seu perfume,
Nas manhãs, o orvalho lhe deixa mais bela e luzidia
Aumenta o perfume, beijam-lhes borboletas e beija-flores
Balança suave ao vento embalada por tantos amores

Balançam-se nos seus galhos ao sabor de leve brisa,
Parecem valsar como fossem belas damas a dançar
Leves como pedaços de algodão balançando ao vento
Até induzem, com sua beleza e ternura, a se fazerem amar

Assim, pedra e flor se fazem distantes, dureza e ternura
Insensível e generosa, mas... podem viver em harmonia  
Pedras e flores podem, até mesmo chorarem juntas
Podem, por milagre divino, juntas se fazerem poesia

José João
07/05/2.026

O cenário de um adeus

 Foi aqui, tenho certeza, tinha um flamboyant florido.
No segundo galho, na ponta dele, havia um ninho,
Era de um rouxinol, alegre, que cantava doce gorjeio
Como se estivesse, no cantar, fazendo terno carinho

Mais ali, na sombra do flamboyant, tinha uma pedra.
Parecia um banco, presente da natureza para os amantes,
As flores, as mais antigas caiam e enfeitavam o chão
Com elas, o vento vadio desenhava um perfeito coração

Mais na frente, ali onde ainda está aquele ipê amarelo,
Haviam alguns pés de lírio, açucenas e samambaias
Parecia um belo jardim pelas mãos de um anjo cultivado
Tinha até uma orquídea com a samambaia... abraçados

Hoje, só existem a pedra e o pé de ipê, mas não esqueço,
Era belo! A harmonia da beleza e o perfume do tempo
E foi aqui, está guardado na alma, o que nunca esqueci...
O mais triste e doloroso adeus que um dia já ouvi

José João
07/05/2.026

Que venha uma qualquer saudade

 Os sonhos que sonhei nunca mais se apagaram
Ficaram gravados na alma como fossem orações,
Dessas que se reza todos os dias pedindo milagres
E a esperança do acontecer se faz fortes emoções

Nos momentos que parecem solidão... o lembrar
Chega com lágrimas, como contas de um rosário
Que a alma, em triste ladainha, ajoelha para rezar,
Pedir que um sonho, apenas um, possa lhe chegar

Assim são os sonhos que a alma faz de relíquias,
Sonhados nas manhãs nas noites, nas madrugadas,
Em desespero e aflita pede um sonho e mais nada

Um sonho de antes de ter acontecido um adeus,
De um olhar em que os olhos falaram a verdade
Que venha, mesmo triste, uma qualquer  saudade

José João
07/05/2.026

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Um quadro que só a alma sabe sentir.

 Indo pela praia, ouvindo a voz do vento,
Sentindo o perfume doce de inocente brisa,
O horizonte desenhando cálido pôr-do-sol
Fazem a alma sonhar, sentir-se viva no tempo

Os passos se perdem num caminhar lento,
Sem pressa de ir, como se a poesia estivesse 
Parada, pronta para ser escrita ou até declamada
Como fosse a beleza de uma terra encantada

Os pássaros, pairavam como fossem nuvens 
Em volteios que não levavam a nenhum lugar 
Apenas lhes faziam ser parte de um quase sonhar

O sol indo lento, parecia com preguiça de ir
O sombrear do dia chamava, de longe, as estrelas
Um quadro que só a alma pode ver e... sentir

José João
06/05/2.026

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viver... é deixar amor e saudade no cio.

Chorar por uma saudade de um amor verdadeiro,
É a forma mais perfeita de contar o que se sente,
Que o pranto se derrame como fosse água de rio!
Que belo! Contar uma história de maneira diferente.

Como fosse o coração pulsando e a alma gritando,
O silêncio indo embora, saudade chegando forte,
Lágrimas e prantos nos olhos molhados se confundindo
E o tempo, de tudo isso, se fazendo divino transporte

Levando tudo, até aos amanhãs para ficarem vivos,
Não permitir que todos esses sentir se percam um dia
Assim, o que foi belo um dia, jamais se fará de vazio
Como se viver fosse deixar amor e saudade no cio

Como ternos pedaços de vida a se fazerem completos,
Marcando os dias até que a eternidade se faça plena
Como histórias que se perpetuam na alma e no tempo
Como se a vida fosse sempre vivida... doce e serena.

José João
01/05/2.026

Rabiscando prantos... não minto


Rabisco meus prantos com letras tristes e tortas
Eles contam com erros e perfeições aquele que sou
Até o pranto, na poesia, sai com saem as palavras,
Dizem na imperfeição do rabisco o que me sobrou

Não sei de palavras bonitas, que falam de beleza,
De lágrimas luzidias, sei apenas rabiscar o que sinto
Se o fizesse com as letras perfeitas e belas palavras
A tristeza que sinto seria arte, não tristeza, não minto

O encanto que, talvez a poesia diga, seria o sentir
Mas aí não precisa palavras bonitas, basta não fingir.
Pra mim, meus rabiscos falando de tristezas e sonhos
Me bastam, se fazem  história sem que precise mentir

Escrever com a pefeição da escrita é impossível pra mim
Não saberia dizer com palavras bonitas o que é ser triste,
Não saberia contar, sem rabiscos tortos, tudo que sinto
Assim sou verdadeiro, conto a verdade e... não minto.

José João
01/05/2.026

Meu espaço... não sei onde está.

 Meu esspaço!? Faz muito tempo que o perdi,
Até as poesias, por falta dele, se fizeram silêncio
Se esconderam, fugiram de mim, até entendi...
Como sem espaço, poderiam estar comigo, aqui?

Perdido no tempo, me perco ruminando sonhos,
Lembrando momentos que se form, desde muito.
Chorando saudades antigas, as novas não as tive,
Triste, mas sem saudade de otem também se vive

Mas os ontens estão sempre tão perto do hoje,
Onde as saudades estão vivas, e são novos os prantos
E ainda mais brilhante, por serm novas as lágrimas,
Se fazem, pelo brilho, de muito maior encanto

Sem espaço, sinto o que diz a alma, mas não falo
Deixo que o silêncio consuma a mim e ao tempo, 
Que cale poesia dentro do peito, então emudeço
E, triste, a vejo-a indo, num voar pesaroso e lento

José João
01/05/2.026

Palavras que a tristeza diz.

 Ah! essas palavras que a tristeza faz que se diga!
Por vezes aos gritos o que alma não sabe conter
E vão ao tempo criando ecos que não se sabe dizer
Se vem só da alma essa tristeza que tanto faz doer

Assim um olhar vazio e triste se perde na distância,
Marejado de lágrimas mas... chorando em prantos
Como se as palavras molhadas se fizessem vivas
E para alma ficassem, pelo sal, inocentes e cativas

Molhar as palavras com o pranto que a alma chora
É fazer uma poesia que se reza em contrita devoção,
É fazer que cada verso, seja do rosário, divina oração.

Assim, as palavras ditas se fazem gritos chorados
Em prantos que se derramam desde o começo da dor
E seguem como perene companhia até onde se for. 

José João
01/05/2.026

sábado, 25 de abril de 2026

Acho que matei meus prantos

 Sinto saudade, entretanto, não me permito chorar
Matei as lágrimas antes que chegassem aos olhos
Cicatrizes, como se desenhadas, enfeitam a alma
Antigas ou recentes, mas só servem para lembrar

Meu olhar se perde no vazio da imensidão do nada
Sem lágrimas, perde o brilho, sem luz, sem alegria
A alma emudece, coitada, só sabia falar com pranto
Que se foi, assim, o mundo sem cor perdeu o encanto

Se matei as lágrimas antes de chegarem aos olhos
Não foi por querer, as vezes lágrimas se fazem voz
Ainda mais quando estamos nós, eu e a alma a sós

Um dia foi tanto o pranto que, por saudade chorei,
Tanto, que os olhos incharam e contra ele blasfemei
 Aí nunca mais me vieram por isso acho que os matei

José João
25/04/2.026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Vai... mas leva tudo, até os pensamentos

 Que dor maior para a alma que a dor de um adeus?!
Não te basta o que sinto? O quê ainda queres aqui?
Já disseste esse adeus, então, sai de dentro de mim
Vai, não me importa mais se te apraz ver-me assim.

Que dor! Tanta que ir ou ficar perderam o sentido
Que gritar ou calar não aplaca essa tanta mágoa
Que rasga a alma e faz que a solidão seja um lugar
E o pranto se derrama como se viver fosse chorar

Disseste adeus, então me deixa aqui, só, te imploro
Deixa que, pelo menos, sinta essa minha dor em paz.
E não me imponhas sentir tua saudade... não quero
Seja gentil, vá, leve todas as lembranças. assim espero

Onde estiveres, com certeza, não ouvirás mais os gritos
Que minha alma haverá de gritar, por essa tanta dor
Que bom se levasses tudo, até o que penso sem querer
Por isso, vai, leva tudo, me deix em paz... por favor

José João
24/04/2.0026

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Só o homem não tem tempo...

Que belo dia a amanhecer sobre as flores, os pássaros e eu,
Sobre o rio, sobre os passos de alguém que passou na estrada
Indo, não sei pra onde, não importa, o dia só quer amanhecer,
Se fazer luz, se faze vida, em mim, em todos, até em você

E lá estão os pássaros, alegres a saudá-lo com inocente sinfonia,
As flores orvalhadas, pétalas luzidias, louvando esse novo dia
O rio, sussurrando, vai dizendo ao mundo essa toda sua alegria,
Os passos que ficaram na estrada se fazem mistérios, fantasias.

Quanta beleza! todos festejam o nascer do sol, um novo encanto
Até as sombras parecem alegres mostrando o dançar das flores
Aí, o próprio tempo, no farfalhar das folhas, inventa um canto

Tudo sorri, o céu, sublime teto, se abre num divino manto azul 
A brisa se faz faceira, como se brincasse de correr com o vento,
Só o homem não vê essa beleza, sempre se dizendo, sem tempo! 

José João
23/04/2.026

terça-feira, 21 de abril de 2026

Preciso ser poeta.

Quero ser poeta, preciso ser poeta para fazer poesias
Assim como fossem canções que só a alma sabe cantar,
Plantar estrelas em canteiros  feitos de amor e sonhos,
Inventar melodias que só os pássaros saibam gorjear

Fazer veros em rimas de lua com luar, de amor com amar,
Com risos e prantos juntos na harmonia de um chorar
Que não seja por dor, nem por adeus, só por um confessar
Que viver é muito mais, é ir muito além, e não só estar

Caminhar num universo que só quem ama sabe caminhar,
Saber sentir no coração e na alma um gostoso bem estar
Fazer dos amanhãs momentos  para brincar, para sonhar

Preciso ser poeta, para abrir corações com uma poesia,
Para fazer a alma gritar e ouvir seu eco num doce lembrar
De um momento tão terno que só os olhos puderam falar

José João
21/04/2.026