terça-feira, 31 de março de 2026

A doçura de uma saudade

A doçura de uma saudade alegre lhe prateava os olhos
E os lábios, tremendo, balbuciavam um nome querido
Como fosse uma oração a ser rezada em solene contrição,
O momento se fazia de um lugar em que ele havia vivido

Sorria para o horizonte como se nele estivesse guardado
Sua preciosa relíquia que um dia, um triste adeus a levou,
Mas continuava murmurando o nome que a alma santificou,
O brilhar do olhos desenhava a imagem que sempre guardou

Entre sorrir e chorar, entre quase alegre e triste, se perde
Dentro de um pensamento tão forte que sentiu o perfume
Nunca esquecido, sempre ali, como se lhe fosse parte de si,
Inventava orações, cantava hinos, entre risos e queixumes

E assim, corria pelo tempo, entre os anos, meses e dias
Até os detalhes lhes vinham como pedaços de si mesmo
E faziam-se completos como se até eles estivessem vivos
Como se a ele, tivesse o tempo lhes deixado cativos.

José João
31/03/2.026

segunda-feira, 30 de março de 2026

Esse meu jovem rosto de hoje!!

 Meu jovem rosto de hoje, no espelho, sorri lembrando
Que há algum tempo não lhe via as novidades de agora,
Ontem era aceso, riso fácil, inconsequente e muito alegre
Hoje, mais jovem que ontem, e novas marcas chegando

Amanhã, esse rosto, com certeza terá novas expressões
Lábios contornados por sinais do tempo, a seu gosto
Na fronte, os cabelos mais grisalhos, olhos mais caídos,
A testa mais franzida, este será, amanhã, meu novo rosto

Todos os dias meu rosto se renova se fazendo diferente
Não é aquela mesmice de todos os dias ser o mesmo rosto
Tenho a curiosidade de vê-lo amanhã, com novas marcas
Sorrindo por prazer de sorrir, sem saber o que é ser carente

Até a maneira de fazer barba é diferente, é mais cuidadosa,
Os detalhes de agora fazem que os gestos sejam delicados
Nos vemos olhando nossos olhos é uma hora prazerosa
No espelho vemos o jovem rosto de hoje com mais cuidado

José João
30/03/2.026

domingo, 29 de março de 2026

Poesia... uma oração santificada

 ... Se sou poeta, ainda não sei, a poesia é santificada,
Eu sou pecador, profano a poesia com palavras soltas
Nas entrelinhas escrevo ideias perdidas, sem sentido
A poesia é oração, então como orar com palavras rotas?

... Se sou poeta, não sei. Não sei eternizar a poesia,
Apenas escrevo o que sinto, sem bem saber o sentir,
Escrevo prantos e saudades misturadas com alegria
Assim, as vezes finjo. Não sei se o poeta sabe fingir.

Conto minhas dores, dores alheias em versos avulso
Por vezes me perco em rimas que não sei por onde vão
Não raro, chorando prantos e sorrindo, fico confuso
Não sei se assim a poesia está dizendo sim ou  não

Se escrevo sobre flores, não falo da beleza do perfume
Só das pétalas, como se o perfume não tivesse beleza,
Ser poeta e dizer que da flor o perfume é só queixume
Não é bem ser poeta, não é ter na alma a medida certa

Mas vou aprender, dos pássaros, já traduzo o gorjeio,
Já converso com as estrelas no silêncio da madrugada,
Aprendi cantar com a brisa para esconder meus anseios
Mas, pelo menos, sei que a poesia uma oração consagrada

José João
29/03/2.026

Será que é medo de sonhar outra vez?

 Vai-se, e há muito tempo, meu primeiro sonho desperto
Sonho que sonhei bem antes de saber o que era um adeus,
Até hoje lembro, e até me assusto, de ainda estar tão vivo
Não sei se foi o único ou o derradeiro mas sinto ainda perto

Sei, e a mim não nego, que esse sonho me fez diferente
Desde que o tive outro sonho não sonhei, porque, não sei
Mas se chegava de mansinho um motivo de outro sonhar
Lá me vem ele correndo gritando: você não está carente

Mas...  até hoje pergunto, como posso ainda estar sonhando
O mesmo sonho? Como pode se fazer de último o primeiro?
O que não fiz, ou fiz, para o primeiro se fazer de derradeiro?

Sonhos são para serem sonhados, mas só sonhei o primeiro?
Nem mais outro sonho sonhei, ainda que, por favor, pedindo
Será que com medo de sonhar outro sonho... estou fingindo?

José João
29/03/2.026

sábado, 28 de março de 2026

Solidão e saudade juntas

 Dá-me tua mão e vamos por aí caminhar juntos,
Cantando aleluias, contando história e sorrindo
Andando pelo tempo como fosse uma só estrada
E por horizontes coloridos seguir sempre sorrindo

Pintar flores, perfumar o tempo, cantar modinhas
Costurar poesias em pedaços completos de nós
Pular porteiras como crianças alegres e traquinas
E ouvir dos pássaros o canto como fosse ladainhas

E nós, com toda liberdade que só nós sabemos ter,
Deitar na relva olhando estrelas até o amanhecer
Então o orvalhar da aurora se faz precioso véu
Que fará parecer que estamos bem pertinho céu

Assim  se fará o momento de nos dizer quem somos
Eu sou a saudade, indo sem pressa a nenhum lugar
E você? - Eu sou a solidão em busca de companhia
- Saudade e solidão! É o que é preciso para se chorar

José João
228/03/2.026


... E assim Deus criou a mulher


                             Como definir o que vai muito além de apenas ser,
Deus disse: essa é minha criação especial, e ainda:
Dentro de si fará a vida ser mais que apenas nascer
E, com minha luz, fará o mundo também crescer

Vou lhe permitir sapiência, humildade e habilidade
Que lhe seja dado a caminhar ao lado de seu parceiro
Sendo um forte amparo pela sabedoria e bondade
E se fará sua coroa a fazê-lo ver o amor verdadeiro.

Será generosa mas forte, dela farei minha semelhança,
Darei, a meu agrado, o perfume e a beleza de uma flor,
A delicadeza da brisa, uma voz suave que faça sonhar
Ela será, dentre as minhas criações, a de mais valor  

No fazer nascer será a única que entre sorrir e chorar
Fará que a vida seja festa e se fará a mãe que quiser
E entre lágrimas e risos faz de único esse momento
Assim Deus  criou sua melhor semelhança: a mulher .

José João
28/03/2.025

quinta-feira, 26 de março de 2026

Desculpe D. verdade, chamá-la de mentirosa

A verdade, essa tola verdade que tanto faz doer
Que vai lá na alma dizer o que não se quer ouvir
Até diz, sem cerimônia, o que não se quer saber
E para mais machucar faz o pobre coração sentir

Com ela sempre discuto, até lhe digo que mente
Quando insiste em me dizer que desaprendi a amar
Dona verdade, entre nós dois, você é a mais carente
Vivo como sei viver, se fico triste, me ponho a cantar

Quantas vezes, dona verdade, quantas vezes lhe enganei
Lembra-se daquele pranto que chorei na sua frente?!
Dona verdade, lhe juro, não fui eu, não fui eu que chorei.

Mas a senhora diz, com orgulho, que minha vida é desditosa
Vou indo, vou cantando, vou sorrindo e até amando eu vou
Portanto, dona verdade, desculpe-me chamá-la de mentirosa.

José João
26/03/2.026

terça-feira, 24 de março de 2026

Preencher vazios... ninguém merece.

 
Meus vazios!! Não quero ninguém a preenche-los,
Se alguém a mim vier será em só um seu o espaço
Preencher vazios, quem o merece? É minha a culpa
Então, por justiça, que lhe dê um outro cômodo pedaço

Perdi tempo, perdi saudades e o vazio em mim chegou
Que agora eu me permita de fazê-lo ir-se, desaparecer
Para, no mais confortável de mim, habite quem me queira
Que eu, pleno, sem mágoas, possa me entregar e receber

Se já não quero, sozinho, ir por aí chorando velhas dores
Que me banhe, ainda que seja nas lágrimas que já chorei,
Mas que fique repleto de mim, sem vazios e sem favores

Assim, haverei de ver-me a encontrar espaço na alma
Acolher ternamente, em doce afago, quem em mim chegar
E entregar-me todo, sem nem lembranças para lembrar. 

 José João
24/03/2.026

Essa distância que nos une tanto!

 Te amo... mesmo assim, estando tão distante.
Não tenho o compromisso da pressa de chegar
Te sonho hoje, amanhã, depois, por toda hora
Ah! Essa distância! Que só em te me faz sonhar!

Te amo sem nenhuma pressa, te amo, por te amar
Não corro para te encontrar, visto que já estás aqui
Não tenho hora para ir, nem tu tens hora para vir
Assim, agradeço a distância que só a te me faz sentir

Minha alma está contigo como se estivesses comigo,
Aqui gora. Te sinto como fossemos nós em mim,
É a distância que nos une como fosse nosso abrigo

Te amo, mesmo estando aqui, a ver-te em sonhos
Por ele te envio flores e nelas sinta meu perfume
Que o teu, vem dentro da saudade que a te me une.

José João
24/03/2.026

Quem é você? Um dia me perguntaram e...

  Quem é você? Um dia me perguntaram...eu sou...
Não sei... sou tantos, sou um escravo que fugiu
Sou um poeta que em sonhos fez infinitas poesias
Sou quem chora a dor alheia apenas por cortesia

Um pedaço do universo que não sabe de onde veio
Que nasceu homem cheio de infinitas fantasias
Sou o ego que me diz ser rei e diz que nunca errei
Até diz que eu não peco, mesmo rezando heresias.

Sou o que dizem que sou, embora não saiba ser,
Sou o que não sou, mas dizem que sou, eu não sei
Não sei se já fui mendigo pedindo amor por aí
Como castigo pelo tanto ter e não dar... paguei

Quem sou finalmente? O que querem que eu seja?
Me veja como quiser, mas eu sou o que não sei.
Me conheci mais pelo espelho, nele vi minha orelha
Raspei a cabeça para contar os fios de cabelo, falhei.

O que dizem de mim, as vezes, é só invenção, mentira
O que não dizem de mim, isso talvez fosse verdade
Se finjo para não chorar ou se choro para não sorrir
Qualquer que seja a verdade, todos dirão que menti

José João
24/03/2.026

segunda-feira, 23 de março de 2026

Agora vou escrever poesias só com lágrimas

 Não vou mais escrever poesias com palavras,
Elas são tão comuns, vou escrever poesias com lágrimas.
São mais eloquentes, são límpidas, são transparentes,
Parecem pedaços de diamantes lapidados na alma,
Falam mais alto, gritam mais verdades. As palavras...
São tão comuns... se fazem tão poucas. As lágrimas,
Elas não, elas gritam alto... despertam o querer sentir,
E dizem tudo o que a alma gostaria de dizer.
Vou escrever minhas poesias agora só com lágrimas,
Elas parecem flores perfumando o tempo... correndo,
Gritando as coisas que sentem, a poesia fica mais terna.
Até a saudade fica mais bonita se escrita em lágrimas.

José João
23/03/2.026

Te amo... sem te conhecer

 Amar-te é, de mim, fazer-me teu sem que nem saibas
E que importa que não saibas se é o meu amor a doar-se
Sem nada pedir, seria amar por somente amar, apenas isso
Então te amo e a mm não importa que não saibas disso

Te amo por apenas te amar, se  te conheço? Não importa!
Mas sinto essa vontade na alma e assim me entrego todo
Te faço de sonhos completos, repletos e plenos de nós dois
Embora nem saibas que existo mas, juro, tenho-te a rogo.

Amar por amar, é uma oração que apenas os amantes rezam
Não esses amantes que perto, mão dadas, dizem: te amo
Mas aqueles que não precisam conhecer e assim se entregam

Sou desses que o tempo se faz de transporte, e sem rumo vai,
Que ama por apenas amar, afinal, amar é o mesmo que viver
Por isso amar pra mim é fácil, te amo, mesmo sem te conhecer

José João
23/03/2.026

sábado, 21 de março de 2026

De abrir os olhos... ainda há tempo

 Ah! Doce morada essa minha!
Que me abriga dia e noite,
Que me aquece até a alma
E me tira o medo dos açoites

Mas eu, que bem abrigado estou
Habito, cômodo, a casa do Senhor
Alguns, nela, apenas moram
Que pena! Perdidos do amor

Haverá um dia e, disso eu sei.
Que ouvirão ranger de dentes
Gritarão seu Nome a implorar
Aí verão o que é morar e habitar.

De abrir os olhos ainda há tempo
Mas os olhos límpidos da alma
Esses que se fazem de consciência
E se limpam em santas penitências

José João
21/03/2.026

Consola, gritar em versos minha dor

 Mesmo chorando por dores que afligem a alma
Dou-me ainda, a ser dos tristes, o menos triste
E ainda enfeito o pranto que choro com sorrisos
Daqueles que quase não são sorrisos, mas acalma.

Entrego-me, como o menos triste, a fazer sonhos
Pois de mim, me permito ser, uma sombra colorida
Choro minhas dores mesmo a alma gritando aflita
Ou rezando orações inventadas, por tanta desdita

Sinto por quem chora e do pranto não faz voz,
E se entrega a um vazio sem palavras para falar
Que pena! Que dor mais miserável! Dor atroz

Não é tanto assim minha tortura por ser triste
Mesmo em copioso pranto ainda sei quem sou
Consola-me, nos versos, gritar essa tanta dor.

José João
21/03/2.026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Meus cinco pontos cardeais

... e se foi, por além mar, rumo a desconhecidos horizontes,
Consigo, levava apenas flores, sonhos e um punhado de amor
Que, desde muito havia guardado na alma, para que um dia...
Talvez, até por milagre, pudesse ancorar-se em perdido porto
Sentir o que depois de tantos prantos, na alma nãos mais sentia

Atravessando mares bravios de turbulentas e desditosas ondas,
Enfrentando ventos fortes num barco a vela que chamou de Vida,
Ia ele enfrentando noites que as ondas não lhe permitiam dormir
Mas sempre, a si mesmo dizendo: não importa... vou conseguir
Rezava, buscava os sonhos como orações nas rotas pretendidas

Há de haver um porto, dizia ele, em que a corrente seja amena
E que meu barco Vida um dia possa ancorar em terra fértil, 
Que minhas flores cresçam, que meus sonhos se façam verdades,
Que esse punhado de amor se faça tanto enfeite a mim e ao tempo,
E se faça caminho a quem um dia como eu vive buscando saudades

A vai ele além mar, num frágil barco a vela que ele chama... Vida
Inventando horizontes se a noite é de chuva ou se faz de mais escura.
Inventou mais um ponto cardeal, para ele são cinco, fica mais fácil,
Como fossem os cinco versos de cada estrofe da poesia que cria
E ainda vai, como navegante antigo, tendo só as estrelas como guia.

José João
20/03/2.026

quinta-feira, 19 de março de 2026

A eternidade do poema e da poesia.

 Como limitar por rimas e métricas o que é infinito?
A mim, não me importam os poemas, mas a poesia.
Um poema é fácil fazer, junte palavras bonitas e você.
Já a poesia! É infinita e bela na sua plenitude de ser

Não sei conferir versos, nem palavras, nem sílabas
Só sei juntar as letras que dizem o que a alma quer.
Que fazem rir ou chorar, com prantos alegres ou tristes
Não sei se são poemas ou poesias quando falam de amar

Meus versos falam de gente, assim os faço, como elas são,
Compridos, pequenos, gordos, magros, só não têm cor
Mas se cor tivessem, com certeza, teriam a cor de lágrimas
Pois todas elas, em qualquer um, tem a mesma cor e sabor

Por isso não me ocupo tanto com rimas, como rimar gente?
Nem também com métrica, como medir o que já foi vivido?
Como seria eterna a poesia de um poema não fosse ele eterno?
Poemas e poesias, um diz as palavras, a outra dá o sentido.

José João
19/03/2.026

Deixei de escrever poesias.

Deixei de escrever poesias, a solidão se afastou de mim,
As saudades, não sei para onde, mas foram embora
As lembranças foram esquecidas, apenas algumas restam,
Mas não valem mais a pena serem lembradas agora

Assim, deixei de escrever  as poesias que a alma sentia
Mas ainda escrevo poemas, pedaços de imagens soltas
Que não despertam mais o pranto, só se fazem versos
Costurados em retalhos de rimas quase perdidas e rotas

As palavras estão por aí, voando ao tempo, sem rumo
Os sentimentos se perderam nos vazios que ficaram
Depois que a solidão se foi como se não fosse preciso
Nem saudades, nem sonhos nunca mais me chegaram

Talvez existam algumas lágrimas escondidas na alma,
Mas tão poucas e menos ainda motivos para chora-las
Assim se foram as poesias, ficaram uns poucos poemas
Cheios dos sofreres da vida, por isso, sem palavras amenas

José João
19/03/2.026

segunda-feira, 16 de março de 2026

Eu! Sei onde quero chegar

Disseste-me que tua alma ao insurgir-se contra a solidão
Da minha faria eterna companheira até se fazerem uma só.
Que o tempo seria um detalhe apenas, a fazer-se estrada
E a vida se tornaria belos sonhos vivos em cada um coração


Ouço-me agora, triste, em rezar alto orações inventadas
Pois que, a mesma solidão que dizias chorando, te afligir
Agora, em mim habita ainda mais doida. Em te acreditei
Até juraste em lágrimas, me vi em teus dias mas... errei

Dou-me a fazer de mim triste poesia muda que nada diz,
Com versos perdidos, palavras soltas, cheia de vazios
A se fazerem depósitos de partes de mim e da alma
Perdida em prantos como se as lágrimas estivessem no cio

Mas não lamento, nem me oponho a agora viver assim
Consola-me saber-te livre a ir sozinha a nenhum lugar
Caminhando entre solidão por caminhos sem horizontes
Eu! Vou indo com meus sonhos mas sabendo onde chegar

José João
16/03/2.026

Minhas compras.


Vou ao mercado mágico, preciso fazer algumas compras,
Comprar alguns metros de esperança, isso é para logo,
Alguns quilos de amor, mas de um amor doce e sublime.
De carinhos e beijos, lágrimas não, nelas eu me afogo

Sonhos! Uns trezentos e sessenta e cinco, por enquanto,
Alegrias! Essas estão em falta, estão bem mais caras
Vou comprar dois sacos grandes uso um e guardo o outro
Quem sabe dos amanhãs! Também uma caixa de encantos.

De solidão, embora pareça incoerente, mas ela é preciso
Vou comprar só dez quilos, as vezes ela se faz uma prisão.
Vou comprar também vinte quilos de boas e belas saudades
Como chorar minhas saudades sozinho sem estar em solidão?

Não pode faltar nas minhas coisas uma bela e nobre ilusão
Vai que a verdade seja dessas muito doídas, que machucam
E que não suporte senti-la, como acalmar o pobre coração?
Cem quilos de ilusão e fantasias acalmam qualquer aflição

Pronto. Acho que é só isso mesmo. mas como trazer tanto?!
Fácil. Tenho um bornal no peito, um bornal de fundo mágico
Sempre cabe mais, só não cabe o pranto, esse escorre sempre.
Agora a despensa da alma está completa, mas por enquanto!

José João
16/03/2.026

domingo, 15 de março de 2026

O que é a poesia? Será que ela é ...

 Um dia me perguntaram o que era uma poesia... e eu...
Foi aí que percebi que não sei o que é uma poesia!
É uma sensação estranha, as vezes se chora sorrindo
Uma dor que é dor mas não dói tanto e não é fantasia.

Outras vezes se chora uma dor que parece não ser dor
O coração bate mais forte, a alma também parece chorar
Mas a poesia diz que não é dor e se faz de palavras soltas
Como se apenas estivesse perdida entre ser, não ser e estar

As vezes é alegria que se sente e a vontade é de chorar,
Aí a poesia não se faz nem alegre e nem triste, só poesia
Sem falar nem de risos nem de lágrimas, só uma história
Que nem se sabe se se conta em versos, prosa ou é só falar

As vezes uma tristeza, dessas que é alegre, não sei como!
Por isso não sei o que seja uma poesia, se é o que se sente,
Se é o que se imagina e diz que sente sem nunca sentir
Se é aquela verdade que você jura mas é só um fingir.

Ora! Vejam! Dizem que poesia é aquilo que a alma sente,
A alma do poeta!? Mas eu acho que as vezes o poeta mente.
Mas o que é poesia se o que o poeta escreve não é poesia?
A poesia é de quem lê, até chora na poesia do poeta ausente

Não sei o que é poesia, se é uma doce e santificada mentira.
Se é uma verdade dita escondida em uma mentira fingida
Se a poesia está na alma de quem por apenas querer, escreveu
Ou se a poesia está dentro da alma de quem chorando... leu?

José João
15/03/2.026

Lágrimas e prantos... choram dores diferentes.

 Minhas lágrimas! Não sei se são a voz do pranto,
Ou quem sabe, a voz eloquente da alma chorando.
Só sei que no rosto, se fazem caminhos brilhantes
Inundando as marcas que, do tempo, são vigilantes

Caem dos olhos, inundam o rosto, chegam aos lábios,
Mudos, por falta de voz, das lágrimas fazem palavras
E num quase sorrir murmura uma prece desconhecida
Como se o pranto lhe fosse um sopro que lhe dá vida.

As lágrimas se fazem letras, o pranto se faz em verso
Se juntam num só sentir, num só chorar, chega a poesia,
Se a dor é pouca se faz de oração, se muita se faz heresia

Alma, lágrima e pranto se mãos tivessem estariam dadas
A alma chora em lágrimas quando a dor é dor de saudade
Mas é com o pranto que chora um adeus, dor de verdade.

José João
15/03/2.026

quinta-feira, 12 de março de 2026

Meu rio de prantos!!

 Ah! Meu rio de prantos! Que vai entre margens coloridas,
Pintadas de flores e saudades, de sonhos e douradas fantasias,
Que me leva a devaneios de ver paisagens que são só minhas
E me despertam para caminhar como se fosse divina romaria

Meu rio de prantos! Vai lento como se o tempo fosse um mar
As vezes com ondas ternas, cálidas, outras tempestuoso e bravo
Aí o rio de pranto se alvora, se faz turbulento, até a alma grita
Reza orações desconhecidas, heresias e fica assim, tão aflita

Meu rio de prantos, vai, corre pelos leitos áridos da solidão,
Segue por entre margens com pedras de tristezas, sempre indo
Pranto e lágrimas se misturam, choram dores de um só coração

Vão, sob horizontes coloridos, em profundos veios até o mar
Chegam, abraçam-se com lágrimas que há muito tempo chorei
O mar e meu rio de prantos juntam as lágrimas em um só chorar.

José João
12/003/2.026   

quinta-feira, 5 de março de 2026

Deus te fez luz... ILUMINA

Um dia, creia, será a luz das tuas orações que brilharão,
O bem que aqui fizeste, que brilhará para que sejas visto.
Foste feito luz, então ilumina para que um dia possas brilhar
Não esse brilho bobo dos homens. Esse, não levam a Cristo

Ouve bem. Não te deixes levar por palavras ditas sem fé,
Segue os ensinamentos deixados pelo Senhor nosso Deus. 
Foi Ele quem te fez luz, Foi Ele quem te fez um dia nascer
Talvez seja difícil, talvez custe, mas tenta, a Ele obedecer

Não te preocupes com risos de escarnio, risos de ironia,
Deixa que o façam e pede por esses coitados em tuas orações
Um dia, todos a tremer, se ajoelharão e o medo lhes tomará
Não temas, brilharão como estrelas, tuas orações e boas ações

Entre uma multidão aflita tu serás visto, pecados perdoados...
Mas começa agora, ainda há tempo, pede a Deus sabedoria
Ele te dará mais do que imaginas, aprende a tê-lo contigo
Muitos gritam seu nome, poucos os que Lhe fazem de abrigo.

José João
05/03/2.026

terça-feira, 3 de março de 2026

As vezes somos lápis ou papel?

 Lápis e papel brigavam pela importância de cada um.
O papel dizia: Não fosse eu onde escreverias tuas palavras?
Dizia o lápis: Pobre de ti, papel, eu sou quem te faz útil
Não fosse eu continuarias mudo, limpo, sem valor nenhum,

Lápis, não te esqueças, não és tu que me riscas, eu te risco
Tanto que ao imprimires em mim o que escreves, te gastas
Te levo nas palavras que escreves, senão serias um esquecido
Ora papel, não seja tolo, para ser o meus transporte, tu bastas

Estavam nessa discursão quando alguém empunha o lápis,
Ajeita o papel e começa a escrever: Hoje amanheci triste e...
Imprimiu com tanta força que a ponta do lápis quebrou,
Depois de ter furado o papel, o escritor, zangado... falou

Mas que lápis fraco e o papel mais ainda, como escrever?
O lápis e o papel se olharam, ficaram sem saber o que falar.
Um sobre o outro como se estivessem abraçados...disseram
E agora? Ele se foi, ficamos inúteis, sem nada para contar!

José João
03/03/2.026

segunda-feira, 2 de março de 2026

A voz do pranto

 Não sei se foram minhas ou da poesia as lágrimas
Que molharam as palavras, que as deixaram mudas,
Pesadas, como se dizer alguma coisa fosse pecado
Foi então que o silêncio se fez divino, se fez sagrado

Nem o sussurrar do tempo pedindo para ir, se ouvia,
De muito longe um rastro de luz se fazia tênue estrada 
Como se por falta de voz só os olhos pudessem falar,
Dizer com prantos o que o silêncio mandou a voz calar

Foi então que a beleza se fez viva, lágrimas límpidas,
Transparentes, pareciam vir de uma milagrosa fonte,
Profanaram o silêncio e se fizeram uma voz diferente

Como se sussurrassem num quase silencioso chorar
As palavras que o peso das lágrimas da poesia, calou
Mas se ouvia o canto triste de um mais triste murmurar 

José João
02/03/2.026

domingo, 1 de março de 2026

Quando a saudade chegar...

 Como enxugar as lágrimas depois de um adeus?
Elas são derramadas pela alma em lancinante dor,
Os olhos se afazem fonte corrente, que não volta
Então só a saudade para ser grito, para ser clamor

As palavras se perdem, os lábios só murmuram,
O pensamento se perde além de qualquer pensar,
Tudo fica triste como se a única alegria fosse chorar
Assim, o pranto se faz de oração para a alma rezar

Os dias se arrastam lentos, o olhar se perde no nada,
Os lábios tremem, sussurram um nome que se foi
E um vazio cheio de solidão se faz silenciosa estrada

A abrir-se até a qualquer horizonte, qualquer que seja,
Todos se fazem da mesma cor, todos se fazem iguais
 Que chegue a saudade, dessas que sempre se pede mais 

José João
01/03/2.026