segunda-feira, 8 de junho de 2026

As coisas que escrevo.

Nem sempre são minhas as coisas que escrevo
As vezes empresto minhas lágrimas para alguém,
Por vezes alguém, a mim, empresta suas lágrimas
Para a poesia  basta ter e... não pergunta de quem

Quantas vezes chorei dores que não eram minhas!
Gritei, em silêncio, saudades que nem sabia sentir,
Molhei os versos com prantos paridos do nada
Pensavam ser minha a dor mas era apenas um fingir

As vezes fingir é preciso, mas tem que saber fingir,
Senão fica maior que a dor que se tem medo de sentir
Aprender, mesmo com a alma chorando, saber sorrir 

Aprendi, desde muito, assim são as coisas que escrevo,
Se são meus os prantos ou se são prantos que emprestei!
Ou foi emprestado, o pranto que aqui, agora, chorei?

José João
08/06/2.026

Brincando de voar

Por sobre o tempo, espaço infindo, me permiti sonhar,
Brinquei de desenhar, com nuvens, meus tantos desejos.
Busquei pensamentos distantes, sonhos não sonhados,
Os que já sonhei, palavras não ditas, beijos guardados.

Sobre as nuvens, num horizonte que parecia bem ali
O sol pintava o tempo com cores que não se sabe dizer,
Esculturas, como feitas por mãos divinas... brilhavam,
Se faziam pedaços de um céu convidando para viver

Disperso, como se visse um sonho vivo, me fiz ouvinte
De um silêncio que contava minhas dores e saudades,
Contava tristezas que pensava desde muito, esquecidas

Olhava o quase não passar do tempo, brincando de voar,
Recordações se faziam histórias povoando o pensamento, 
A se misturarem com as vontades  ainda não acontecidas

José João
08/06/2.026