quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando me lembro de mim...

Quando me lembro de mim, sempre choro.
Lembro os momentos divinos por mim vividos.
Lembranças de beijos com o gosto doce de amor
Coração pulsando forte, a quase perda dos sentidos!

A razão gritando, alegre, sua própria loucura...
As mãos tremendo, a voz sussurrando baixinho
Deixando que os olhos marejados gritassem alto
A beleza do sentir a vida florir em inocente ternura

Ah! Quando lembro de mim!! Me perco no tempo,
Me vejo entre risos, doces carícias, ternos acenos
Que diziam "até logo" com lenços de seda bordados 
Balançando em delicadas mãos num acenar sereno.

Uma fonte cantava o que o que só se sabia sentir,
Olhos nos olhos, mãos que diziam do tanto amar,
Um silencioso confessar do que sentia cada alma,
A inocência de um beijo como só a alma sabe beijar.

Quando me lembro de mim, me vem o pranto.
Hoje me pergunto quem sou, não tenho resposta,
Talvez tenha vivido em outro lugar...  num sonho...
Tão real, sinto na alma, e a esse sentir não me oponho

José João
02/07/2.026

domingo, 28 de junho de 2026

As cartas emudeceram.

Até ontem tinha as cartas, já amareladas, letras sumidas,
Ainda diziam o que um dias foi tão gostoso de ouvir,
Tinham os beijos que faziam a alma torcer-se de saudade,
As promessas que, nas cartas, se faziam de doces verdades.

Todas estavam guardadas, algumas manchadas de pranto,
Quando a insônia me tomava, ia busca-las para estar contigo,
E no silêncio da noite bebia as palavras... as lágrimas vinham,
Aí então o coração pulsava mais forte, assim, te sentia comigo

Estavam amarradas com aquela fita que escreveste: te amo.
Não lembro mais quantas noites elas me fizeram sonhar,
Lia uma por uma, sentia cada palavra que me faziam sorrir
Mas se era muita saudade, muitas vezes me fizeram chorar

Hoje, não fez mais sentido guarda-las, não havia mais razão,
O adeus dito naquela última carta doeu muito, doeu demais,
Matou sonhos, matou saudades, os sorrisos se foram por aí...
Só ficou mesmo o silêncio, as cartas, mudas, não falam mais 

José João
28/06/2.026 

A única. Sem par no universo!

 ... Se meus pecados forem tantos por tanto amar-te,
Que hei de fazer? És maior que qualquer razão,
O universo se dobraria e só Deus é maior que tanto
Até os anjos louvam com orações esse todo encanto!

Dou-me a ti em ladainhas rezadas com teu nome,
Rezas que a alma cria em versos a fazer-te poesia
E se pecado for, que a mim me seja dado perdão
Quero apenas fazer-te oração sem nenhuma heresia

Te dar, a meu gosto, um olhar com brilho de estrelas,
Te  fazer que as flores invejem esse teu doce perfume,
Que sintam-se pequenas! Coitadas! não é o meu intento,
Mas por ti, o perfume delas, sei, é apenas um queixume

Até pedi que anjos me fizessem artesão de moldar nuvens,
Que me dessem espátulas e cinzéis com a magia de criar
Para nelas esculpir teu rosto, olhos inocentes de criança,
Rosto angelical, moldado por longos cabelos cor de luar.

Ah! Te fiz assim! Até dizem não existir poesia perfeita,
Mas... poesia de palavras, são poucas e pouco dizem.
Mas não és uma poesia escrita com rimas no fim do verso
És a doçura mágica, dessas que não existe par no universo

José João
28/06/2.026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Até já nem sei se é destino ou castigo.

 Andar sozinho com a solidão te afagando a alma,
Buscar sonhos perdidos ou que nunca aconteceram,
Provar o sabor do pranto chorado por tantas saudades
É ter a certeza de ter vivido, ter vivido de verdade.

Não há de ser vida, uma vida sem sonhos perdidos,
Sem prantos chorando saudades de momentos idos,
De vazios quando se sente uma presença tão ausente
Que se foi sem ir, que insiste em ficar dentro da gente

Há de a solidão ser apenas um grito que não se ouve,
Que a tristeza seja apenas uma febre na alma doente
Que se perdeu dos sonhos e agora se vê tão carente

Ando pela vida ouvindo o eco de gritos que não gritei
Um vazio que parece o mundo sem se importar comigo,
Ninguém me ouve e já nem sei se é destino ou se é castigo

José João
19/06/2.026

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Será que o poeta escolheu ser poeta?

 O poeta, aquele que ri da dor, não escolheu ser poeta,
Apenas foi escolhido e por quais razões, ainda não sei.
Carregar na alma a chama imaculada da poesia, acesa
É entregar-se a fazer versos por obrigação da natureza

Não há que se dizer que o poeta, como poeta não nasceu
Foi-lhe dado o dom divino. E a quem se pode perguntar
Porque as palavras, lhes são tão submissas e tão cativas
Porque lhes é permitido ao mesmo tempo sorrir e chorar?

Fazem poesias com prantos, lhes dando brilho ao olhar,
Gritam no silêncio e enchem o vazio só com um sonhar
Misturam tristeza e solidão num verso que fala de amar

Não há de se dizer que o poeta, como poeta não nasceu.
Ao poeta foi dada a poesia talvez desde antes do nascer
Se quiserem perguntar, perguntem: Quem a ele escolheu?

José João
17/06/2.026

Um dia o amar será assim

A mim não importa que venham os prantos,
Vou amar como nunca ninguém ainda amou,
Vou fazer orações divinas com o nome dela, 
Que os anjos, alegres, comigo cantem por ela

Vou amar tanto, que da razão farei brinquedo
Farei que, para viver, só amar seja preciso
Esculpir nas nuvens sua imagem consagrada
E que lhe seja dada uma beleza santificada

Vou amar, mas tanto, que me porei a seus pés
E em perene oração irei jurar para a eternidade
Todo esse amor que da vida, será a maior verdade.

Tanto assim será que as palavras se farão pequenas
Que o olhar se fará um grito que só alma sabe gritar
Tanto será o amor que só outra alma saberá escutar

José João
17/06/2.026

Haverá sempre uma nova saudade para sentir

 Lá, por trás das flores, muito além do montes, 
O horizonte, distante e belo, convida a sonhar,
Buscar saudades, que talvez venham com prantos
Mas sempre a saudade do que foi belo faz chorar

O pensamento, solto no tempo, busca momentos
Que de tão divinos a alma guarda em segredo,
Esconde do esquecer para sempre estarem vivos
E a eles um coração, agora carente, fica cativo

Lá por trás das flores, muito além dos montes,
Aquele horizonte distante, em divino silêncio,
Um dia fará que lembre o que ainda não vivi?

A saudade sempre lembra a beleza que existiu,
Mas a alma sempre vai buscando novo existir
Quem sabe aqui chore outra saudade que senti?

José João
17/06/2.026

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Amigos de todos os dias

 Amigos, os tenho e são muitos. Deles posso falar,
Amigos que há quarenta anos somos nós dois em um
Paixões que acontecidas, amantes para toda vida
Meu primeiro alimento é ela, minha querida glicazida

Logo após me vem o outro, sorrindo como menino
Meu querido succinato, grande irmão metroplol
Esse de mim toma conta, como se fosse um irmão
Cuidadoso e com carinho cuida do meu coração

Também não posso esquecer dos amigos do almoço
Me fazem fiel companhia, o somalgin e o glivage
O primeiro sempre atento a afinar o meu sangue
O outro me trata o açúcar desde do pé até o pescoço

Esses são meus amigos, a eles devo muitos favores,
Outra amante, rosuvastantina, sempre na minha mente
Cuida para que continue sem gordura ruim por dentro
Amigos e amantes por toda vida mas não aconselho que tente

José João
15/06/2.026