domingo, 17 de maio de 2026

O corpo é pó, a alma... é imortal

Que os irmãos brancos que queiram caminhar comigo,
Cheguem, juntem-se aos irmãos negros á minha direita.
Todos que acham que a alma é divina, sem cor, imaterial
Não se prendam, é essa, da vida, a ordem mais natural.

Vamos dar as mãos, caminhar juntos num mesmo passo,
Ver Castro Alves, e Machado de Assis no mesmo abraço
Joaquim Nabuco e Pinto da Gama, os dois de mãos dadas
Quatro heróis juntos, a mesma luta, no mesmo espaço

Corpo e alma caminham juntos mas, coitado do corpo, 
Alguns se arvoram, brancos nórdicos, matéria, material,
Mas um dia, bem ali, nu, como nasceu, vai sem levar nada
Fica a alma, viva e sem cor, do homem a parte mais vital

Ah! Se um dia se pudesse ouvir a fala do Alexandre Dumas
Em conversa informal com Shakespeare,.. O ser ou não ser?
Seria essa a questão? Ser o quê? Apenas homens de cor?
Ou seriam almas vivas e solenes com o mesmo divino valor?

Eu, preto que sou., ouvi de um anjo sem cor, que disse:
"Quando a saudade afligir-me
Ninguém irá me consolar
Quando a existência fugir-me
Quem há de me prantear?"

Ora!  Maria Firmina! acalma esse teu coração!
Poesia, bem sabemos, cor, nunca terá
Cora Coralina virá te consolar?

José João
17/05/2.026

sábado, 16 de maio de 2026

Poesia, um lugar de todos.

Um pedacinho de céu é uma poesia falando de amor,
As estrela são as palavras derramadas nos versos,
Escritas em prateados prantos que chegam até a alma
Como fossem orações rezadas enfeitando o universo

A poesia é um lugar onde até o impossível acontece,
Prantos e risos se misturam em perfeita harmonia, 
Solidão e prazer se juntam para sentir uma saudade,
Verdades se fazem como fossem infantis fantasias.

A poesia é um lugar que só mora quem sabe amar,
Quem sabe se entregar sem querer nada em troca.
A poesia é um lugar onde se pode viver e até sonhar

A poesia é um lugar onde a lágrima se santifica,
Um lugar que, mesmo sem primavera, se faz florido
 É o único em lugar que a vida não precisa se justificar

José João
16/05/2.026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um guarda-chuva vestido de primavera.

Um guarda-chuva enfeitado com a beleza da primavera.
As flores debruçadas, assim como fossem anjos inocentes,
Inspirando a poetisa a criar poemas cheios de doce poesia
Então o tempo se abre entre sonhos, lembranças e fantasias

O perfume do campo, o gorjear de irrequietos pássaros,
Na sombra de um guarda-chuva florido ... um pensamento,
Assim, a poetisa cria, no caderno da vida, um momento
Em que tudo se faz encanto, até o tempo fica mais lento

Como se quisesse ficar ali, fazer parte da poesia criada
Em que a poetisa, de cada flor, faz um verso, uma rima 
Que vai ao mundo como fosse um história encantada

E assim, o guarda-chuva vestido de primavera e a poesia
Se abraçam, caminham juntos,  fazem o mundo mais belo
E a poetisa... se esconde dentro dos versos que ela cria

15/05/2.026

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Minha poesia de muitas cores

 Hoje, quero pintar poesias, isso mesmo, pintar poesias,
Escreve-las é fácil, basta conversar com as palavras...
Pinta-las!! Que cor haveria para pintar uma oração?
As poesias são divinas, mistura de alma e coração.

Vou pintar uma, vou pinta-la com cor de saudade,
Matizar com a cor do pranto, como raios prateados,
Alguns pingos de lágrimas como respingos de chuva
Realçando as rimas dos versos com adornos dourados

Vou pintar alguns versos com a cor de uma tristeza,
Não com qualquer tristeza, só mesmo as mais tristes
Que realce com a cor de um adeus, adeus de verdade
Aquele adeus triste, mistura das cores de dor e saudade

Também, na poesia, pintei a solidão, foi mais difícil
Não encontrava tinta que pudesse com ela realçar
Então, usei tinta cambiante, tem uma cor inconstante
Nunca se sabe se se está só ou se é a solidão que está

Assim, fiz minha poesia colorida, não é tão fácil de ver,
Na verdade, é vista pelos amantes que sentem com a alma,
Aqueles que sabem da cor do pranto, da cor da saudade,
Que não se escondem e, para chorar, a alma tem liberdade.

José João
07/05/2.026

Pedra e flor no mesmo verso

Pedra e flor são diferentes até que a poesia as encontre,
Encontradas, cada uma têm sua beleza e sua história,
O que as iguala? Apenas a poesia... lhes faz de poesia
Assim não fosse, compara-las seria verdadeira heresia

Coitada, chorando sozinha, presa, sem ir a lugar nenhum
Lhe passam por cima e apenas dizem: sai do caminho.
Posta ao frio, ao calor, coitada, sem voz para reclamar
Ouve tudo calada, triste, nem lágrimas tem para chorar

Já a flor, orgulhosa, vaidosa e bela exala seu perfume,
Nas manhãs, o orvalho lhe deixa mais bela e luzidia
Aumenta o perfume, beijam-lhes borboletas e beija-flores
Balança suave ao vento embalada por tantos amores

Balançam-se nos seus galhos ao sabor de leve brisa,
Parecem valsar como fossem belas damas a dançar
Leves como pedaços de algodão balançando ao vento
Até induzem, com sua beleza e ternura, a se fazerem amar

Assim, pedra e flor se fazem distantes, dureza e ternura
Insensível e generosa, mas... podem viver em harmonia  
Pedras e flores podem, até mesmo chorarem juntas
Podem, por milagre divino, juntas se fazerem poesia

José João
07/05/2.026

O cenário de um adeus

 Foi aqui, tenho certeza, tinha um flamboyant florido.
No segundo galho, na ponta dele, havia um ninho,
Era de um rouxinol, alegre, que cantava doce gorjeio
Como se estivesse, no cantar, fazendo terno carinho

Mais ali, na sombra do flamboyant, tinha uma pedra.
Parecia um banco, presente da natureza para os amantes,
As flores, as mais antigas caiam e enfeitavam o chão
Com elas, o vento vadio desenhava um perfeito coração

Mais na frente, ali onde ainda está aquele ipê amarelo,
Haviam alguns pés de lírio, açucenas e samambaias
Parecia um belo jardim pelas mãos de um anjo cultivado
Tinha até uma orquídea com a samambaia... abraçados

Hoje, só existem a pedra e o pé de ipê, mas não esqueço,
Era belo! A harmonia da beleza e o perfume do tempo
E foi aqui, está guardado na alma, o que nunca esqueci...
O mais triste e doloroso adeus que um dia já ouvi

José João
07/05/2.026

Que venha uma qualquer saudade

 Os sonhos que sonhei nunca mais se apagaram
Ficaram gravados na alma como fossem orações,
Dessas que se reza todos os dias pedindo milagres
E a esperança do acontecer se faz fortes emoções

Nos momentos que parecem solidão... o lembrar
Chega com lágrimas, como contas de um rosário
Que a alma, em triste ladainha, ajoelha para rezar,
Pedir que um sonho, apenas um, possa lhe chegar

Assim são os sonhos que a alma faz de relíquias,
Sonhados nas manhãs nas noites, nas madrugadas,
Em desespero e aflita pede um sonho e mais nada

Um sonho de antes de ter acontecido um adeus,
De um olhar em que os olhos falaram a verdade
Que venha, mesmo triste, uma qualquer  saudade

José João
07/05/2.026

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Um quadro que só a alma sabe sentir.

 Indo pela praia, ouvindo a voz do vento,
Sentindo o perfume doce de inocente brisa,
O horizonte desenhando cálido pôr-do-sol
Fazem a alma sonhar, sentir-se viva no tempo

Os passos se perdem num caminhar lento,
Sem pressa de ir, como se a poesia estivesse 
Parada, pronta para ser escrita ou até declamada
Como fosse a beleza de uma terra encantada

Os pássaros, pairavam como fossem nuvens 
Em volteios que não levavam a nenhum lugar 
Apenas lhes faziam ser parte de um quase sonhar

O sol indo lento, parecia com preguiça de ir
O sombrear do dia chamava, de longe, as estrelas
Um quadro que só a alma pode ver e... sentir

José João
06/05/2.026