Eu, no entanto digo, diz-me a quem tanto amaste?
Porque quis Deus que desse amor viesse o pranto?
Será que só com pranto o amor pode ser encanto?
Que a mim me seja dado a agonia lenta de sentir,
Mas a te, diz-me, que poderia te fazer querer-me?
Talvez o triste encanto do chorar da pobre alma
Quando em prantos se faz é o mesmo que ver-me
Vai. Convence-te que essa dor não é tua culpa
Que esse fardo que me toma e a mim faz chorar
Fui eu quem procurou ao insistindo a tanto amar
Se vem a mim, cruel sofrer por tão desvairada dor,
Se fui eu quem a buscou quando impossível se fazia
Que me sirva de oração, que não a faça de heresia
José João
23/02/2.026