quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Senhor... És minha luz.

Entrego-me a fazer de Te, doce luz a ser caminho,
A ser guia dos passos que a vida me faz caminhar.
Saber-Te luz a guiar-me, me faz que sejas tanto
Que me entrego a seguir-Te sem nenhum entretanto

Guias meus pés por caminhos ainda desconhecidos
Fazes que me seja leve, pesos que nunca carreguei
E vou, me sentindo forte, Contigo o que posso temer?
Fazes de mim vencedor de lutas que ainda nem batalhei

Vou Contigo, sem medo, defender-me, me ensinaste
Estando Contigo, sou rocha, sou rochedo de cercania
Pois sei que com tua luz, quem a desafiar-me ousaria?

Dou-me a entregar-me todo e pleno a Te que me conduz
Sei que serás minha companhia... onde quer quer eu vá
Assim, grito bem alto que ouçam: Senhor, Tu és minha luz.

José João
26/02/2.026

Só o tempo como remédio.

 Ah! essa tanta falta de alegria que me toma todo
Que vai do corpo à alma. esta  se prende ao pranto,
No corpo, um desespero que traz primitivas reações
Impropérios e heresias se fazem loucas emoções.

Vou a lavar-me na pureza de salgadas lágrimas
Como se essas fossem bálsamos, mas no corpo,
Um desconfortável sentir lhe faz um fugaz tremor
Que entre choro e blasfêmias grita essa tanta dor.

Que resta então? Que lhe seja o tempo o remédio
Que lhe aplaque as marcas ou que faça cicatrizes
Das feridas saradas e lhe tire da vida esse tédio

De nada, adiantaram as lágrimas, nem os prantos
Não se fizeram bálsamos, apenas choraram a dor
Só o tempo, mesmo lento, se fez cura, se fez santo.

José João
26/02/2.026

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Não sei ser doutor... só sei ser eu.

 Eu?! Não sei ser senhor, não sei ser doutor. Só sei ser eu.
Visto um terno feito de saudades, com botões de flores,
Uma camisa de primavera com uma gravata de petúnias
E vou pelo mundo... expulsando dores e criando amores

Sou quem brinca de fazer das flores bouquet de poemas
Que contam histórias desde o outono quando as folhas caem
Que vai semeando sementes nas margens dos caminhos
Que afaga a solidão e com ela vai sem nunca estar sozinho

Não sei ser senhor, nem ser doutor, escrever versos, eu sei
Desses versos cheios de lágrimas alegres, de risos soltos
Versos malucos contando coisas que eu mesmo inventei

Escrevo versos que o tempo trás, de coisas que já vivi,
De sonhos, até mesmo de sonhos que ainda não sonhei
Escrevo também eu, nos versos de dores que sozinho chorei

José João
25/02/2.026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A mim! Só interessam os amanhãs.

 ... de mim!? Já nem sei. Não sei o que fui, nem o que não fui,
Nem o que sou agora. De mim sabem mais do que eu mesmo.
Mas... já não me pergunto por mim, o que interessa agora?
A mim, só importa o que ainda posso ser, o resto, vá embora

Se sonhei sonhos que não eram meus... foi apenas inocência.
Se a mim fizeram sonhar assim, é porque não fui tão atento
Por isso, tenha sido minha a culpa, a culpa do que sou eu
Choro essa dor que sinto agora mas... o pecado não foi meu.

Viajo, calmo, entre os "eus", o que sou agora, e o que antes fui,
A vida é engraçada, se faz de vida, se faz de livro, se faz de lição
E ela mesma se faz de verdade, como só ela deve e pode ser.
Daí minha razão em deixar para trás o que não me faz viver. 

Vou continuar fazendo versos, fingidos ou que falem verdades,
Dos ontens, faço minhas histórias, afinal, foram  eles que vivi
Nega-los! Não poderia mas, o que não sei, não faz parte de mim
A mim, me interessam os amanhãs, ainda sem dores para sentir.

José João
24/02/2.026

Cansei de sonhar sozinho

 Dá-me a mão e vamos juntos, cruzar ravinas e prados,
Cruzar montes floridos, brincar de ir sem rumo por aí.
Brincar de conversar com as estrelas, de fazer sonhos
Brincar de caminhar para horizontes que estão bem ali.

Vamos inventar versos inocentes, cheios de eternidade,
Fazer de cada momento, histórias inocentes e completas
Vem, vamos brincar de pintar a noite com raios prateados
Juntar pirilampos e bordar caminhos com raios dourados

Vamos ver o voo das garças, vivos pedaços de nuvens
A voltear leve sobre o mar como se escrevendo versos
Ou se fazendo um quadro pintado ao tempo, no infinito
Eternizando a beleza esculpida nesse pedaço de universo

Vem ouvir o vento cantando uma canção só para nós dois,
Baixinho, como se mais ninguém pudesse ouvir, só nós
Deixa que o chão se faça em flores em perfumado caminho.
Vem, sonha comigo, cansei de sonhar assim, tão sozinho.

José João
24/02/2.026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Que essa dor seja uma oração..

 Quem, diz-me agora, como eu, te amou tanto?
Eu, no entanto digo, diz-me a quem tanto amaste?
Porque quis Deus que desse amor viesse o pranto?
Será que só com pranto o amor pode ser encanto?

Que a mim me seja dado a agonia lenta de sentir,
Mas a te, diz-me, que poderia te fazer querer-me?
Talvez o triste encanto do chorar da pobre alma
Quando em prantos se faz é o mesmo que ver-me

Vai.  Convence-te que essa dor não é tua culpa
Que esse fardo que me toma e a mim faz chorar
Fui eu quem procurou ao insistindo a tanto amar

Se vem a mim, cruel sofrer por tão desvairada dor,
Se fui eu quem a buscou quando impossível se fazia
Que me sirva de oração, que não a faça de heresia

José João
23/02/2.026