domingo, 12 de julho de 2026

Em qualquer horizonte...

 Brincando de me encantar com o pôr-do-sol,
De inventar sonhos que só a alma pode sonhar,
Caminhar sobre o rastro que o sol deixa no mar
Ir, criando ilusões até onde um sonho pode chegar

Ouvir o canto do vento em melodias sussurradas,
Sentir a brisa como fosse terno carinho do tempo,
Caminhar em qualquer direção, só importa seguir,
Haverá sempre um horizonte onde se queira ir

Vou, ouvindo o vento com se ouvir fosse sentir
E, lá longe, onde nunca fui, o pensamento diz
Que deve haver uma nova história para se viver
É ir, sem medo, lá deve haver um novo acontecer

Assim, vou levando comigo fantasias,. saudades, 
Levo sorrisos novos, desejos que sempre guardei
Levo olhares inocentes, cheios de doce ternura
Quem sabe lá encontre o que até agora sonhei?

José João
12/07/2.022

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Minha alma viajante...

 Minha alma viajante vai por aí de horizonte a horizonte,
Escrevendo poesias no tempo, regando flores com pranto,
Pintando o mundo cor de saudade, esculpindo nas nuvens
Um rosto nunca esquecido, terno, doce, de eterno encanto.

Assim vai minha alma, busca estrelas para enfeitar o dia,
As noites já estão cheias delas, é preciso algo diferente,
Fazer que as flores gorjeiem seu perfume em trinados
Mesmo que só possam ouvi-los os amantes, os carentes

Minha alma viajante vai inventando coisas incoerentes
Precisa mudar o pensar, nem só de saudade se pode viver
Solidão não é companhia, o vazio não tem nada pra se ver
Inventar o que ainda não existe é preciso, é fazer acontecer

Por isso minha alma vai por aí, faz artesanato de nuvens,
Pinta pôr-do-sol com lágrimas que chora ou emprestadas
Faz arranjos de tristezas costuradas com risos fingidos
Até faz canções que a alma, mesmo chorando, grita calada

José João
09/07/2.026

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mesmo chorando... eu canto.

 Canto minhas poesias, não que goste de cantar,
Apenas finjo uma alegria que estou longe de sentir.
E se a voz se parece canto, mesmo sendo sussurro
É outra maneira de chorar contando o que já vivi.

Canto como fosse o vento cantarolando sem ter voz,
Apenas um gemido ou um murmúrio sem sentido,
Sem palavras, até mesmo sem nada para dizer
Apenas um contar mudo do que a alma tenha vivido

Não há alegria, só há tristeza, dessas quase infinda,
Como fosse um pássaro... sozinho chorando triste
Pousado, pois até o prazer de voar já não existe

Assim, conto minha história num quase cantar mudo
Em que as palavras se perdem perto de uma  mudez
Mas se não cantasse o silêncio seria uma insensatez.

José João
06/07/2.026

Não sei mais...

 Não sei mais brincar com as flores, sentir o perfume,
Não sei mais sentir o pratear do luar sobre os jardins,
Não vejo mais beleza no valsar das sombras no chão
Não sei mais deitar na relva ouvido coisas do coração

Perdi o contar do tempo pelos ontens, hoje a amanhãs,
Ficaram iguais, como se solidão e vazio se fizessem dia,
Perdi o sabor do vento, e assim desaprendi dizer: te amo
Sei, agora, murmurar palavras sem calor, palavras frias.

O horizonte, lá no fim da tarde, já não é mais poesia,
A lentidão das horas, cruzando a solidão, é irritante,
Até a brisa, que antes se fazia doce de terma carícia
Chega em incoerentes volteios num chegar sufocante

A saudade, que faz se sentir o que aconteceu ontem
Parece que perdeu o prazer de ser, o prazer de lembrar
Então, chega uma angustia gritando desde a alma:
É hora de sentar no tempo, mãos na fronte, e chorar

José João
08/07/2.026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Saudade!! Faz o ontem estar na sua frente.

Dou-me à saudade sem medo do pranto,
Busco momentos na alma para senti-la,
Cuido que estejam vivas as lembranças,
Aí a alma faz que só eu possa ouvi-la

Com o silêncio prazeroso desse encanto
Me entrego a sonhar o que já aconteceu,
Quanto lembrar! Sorrisos, carícias, beijos
Que  fazem sentir de antes o mesmo desejo

Como é bom ter momentos guardados!
Para que um dia se façam de saudade
Gritando que tudo vivido foi verdade

Bendita seja a saudade, faz que vivamos
O que se foi sem nunca se fazer ausente
Como se o passado estivesse bem aí, na frente

José João
05/07/2.026

O som da saudade no silêncio.

 O som da saudade só é ouvido no silêncio,
Quando até o soluço da alma é ouvido,
E o pranto caindo no rosto se faz oração
Aí se ouve a lágrima chorada pelo coração

 Esse silêncio!! Que chora dores e saudades!
Que veste o mundo de mudez por teu respeito,
E fica ali, como se   fosse o dono do tempo
Fazendo que até a dor seja sentida do teu jeito

A saudade não seria saudade sem o silêncio,
Não seria sentida plena se qualquer voz falasse,
Não teria a beleza de uma ternura triste em tua face

Dou-me à saudade, com ela é mais fácil viver,
Faz que momentos possam outra vez acontecer
Faz que a alma guarde o que não se quer esquecer

José João
05/07/2.026

sábado, 4 de julho de 2026

Sempre haverá uma esperança

Vou por aí caminhando comigo, com o que sobrou de mim,
Restos de sonhos, de saudades, só os prantos são muitos.
Lembranças quase esquecidas de momentos um dia vividos,
Alguns adeus que ainda hoje doem, nunca foram esquecidos

Vou, em passos lentos, ouvindo o silencioso eco do silêncio,
Que vem de um vazio cheio do que nunca mais pude sentir,
Uma voz a me dizer o que perdi, mostrando o que é a solidão,
Me acompanha, mas aprendi a chorar sorrindo, aprendi fingir

Vou costurando palavras nas poesias de rimas perdidas,
Cerzindo pedaços de mim nos sentimentos que a alma sente,
Procurando sonhos perdidos, como fossem rezas para rezar
Mas logo percebo, são apenas motivos que me fazem chorar

Meus pés marcam o chão molhado pelo pranto que choro,
As mãos acariciam meu rosto cheio de marcas do tempo,
Os pensamentos se perdem, caducos, nada mais lembram
Ainda assim, a qualquer um: ei, vamos juntos, estou atento

José João
04/07/2.026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando me lembro de mim...

Quando me lembro de mim, sempre choro.
Lembro os momentos divinos por mim vividos.
Lembranças de beijos com o gosto doce de amor
Coração pulsando forte, a quase perda dos sentidos!

A razão gritando, alegre, sua própria loucura...
As mãos tremendo, a voz sussurrando baixinho
Deixando que os olhos marejados gritassem alto
A beleza do sentir a vida florir em inocente ternura

Ah! Quando lembro de mim!! Me perco no tempo,
Me vejo entre risos, doces carícias, ternos acenos
Que diziam "até logo" com lenços de seda bordados 
Balançando em delicadas mãos num acenar sereno.

Uma fonte cantava o que o que só se sabia sentir,
Olhos nos olhos, mãos que diziam do tanto amar,
Um silencioso confessar do que sentia cada alma,
A inocência de um beijo como só a alma sabe beijar.

Quando me lembro de mim, me vem o pranto.
Hoje me pergunto quem sou, não tenho resposta,
Talvez tenha vivido em outro lugar...  num sonho...
Tão real, sinto na alma, e a esse sentir não me oponho

José João
02/07/2.026