sábado, 25 de abril de 2026

Acho que matei meus prantos

 Sinto saudade, entretanto, não me permito chorar
Matei as lágrimas antes que chegassem aos olhos
Cicatrizes, como se desenhadas, enfeitam a alma
Antigas ou recentes, mas só servem para lembrar

Meu olhar se perde no vazio da imensidão do nada
Sem lágrimas, perde o brilho, sem luz, sem alegria
A alma emudece, coitada, só sabia falar com pranto
Que se foi, assim, o mundo sem cor perdeu o encanto

Se matei as lágrimas antes de chegarem aos olhos
Não foi por qurer, as vezes lágrimas se fazem voz
Ainda mais quando estamos nós,. eu e a alma a sós

Um dia foi tanto o pranto que, por saudade chorei,
Tanto, que os olhos incharam e contra ele blasfemei
 Aí nunca mais me vieram por isso acho que os matei

José João
25/04/2.026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Vai... mas leva tudo, até os pensamentos

 Que dor maior para a alma que a dor de um adeus?!
Não te basta o que sinto? O quê ainda queres aqui?
Já disseste esse adeus, então, sai de dentro de mim
Vai, não me importa mais se te apraz ver-me assim.

Que dor! Tanta que ir ou ficar perderam o sentido
Que gritar ou calar não aplaca essa tanta mágoa
Que rasga a alma e faz que a solidão seja um lugar
E o pranto se derrama como se viver fosse chorar

Disseste adeus, então me deixa aqui, só, te imploro
Deixa que, pelo menos, sinta essa minha dor em paz.
E não me imponhas sentir tua saudade... não quero
Seja gentil, vá, leve todas as lembranças. assim espero

Onde estiveres, com certeza, não ouvirás mais os gritos
Que minha alma haverá de gritar, por essa tanta dor
Que bom se levasses tudo, até o que penso sem querer
Por isso, vai, leva tudo, me deix em paz... por favor

José João
24/04/2.0026

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Só o homem não tem tempo...

Que belo dia a amanhecer sobre as flores, os pássaros e eu,
Sobre o rio, sobre os passos de alguém que passou na estrada
Indo, não sei pra onde, não importa, o dia só quer amanhecer,
Se fazer luz, se faze vida, em mim, em todos, até em você

E lá estão os pássaros, alegres a saudá-lo com inocente sinfonia,
As flores orvalhadas, pétalas luzidias, louvando esse novo dia
O rio, sussurrando, vai dizendo ao mundo essa toda sua alegria,
Os passos que ficaram na estrada se fazem mistérios, fantasias.

Quanta beleza! todos festejam o nascer do sol, um novo encanto
Até as sombras parecem alegres mostrando o dançar das flores
Aí, o próprio tempo, no farfalhar das folhas, inventa um canto

Tudo sorri, o céu, sublime teto, se abre num divino manto azul 
A brisa se faz faceira, como se brincasse de correr com o vento,
Só o homem não vê essa beleza, sempre se dizendo, sem tempo! 

José João
23/04/2.026

terça-feira, 21 de abril de 2026

Preciso ser poeta.

Quero ser poeta, preciso ser poeta para fazer poesias
Assim como fossem canções que só a alma sabe cantar,
Plantar estrelas em canteiros  feitos de amor e sonhos,
Inventar melodias que só os pássaros saibam gorjear

Fazer veros em rimas de lua com luar, de amor com amar,
Com risos e prantos juntos na harmonia de um chorar
Que não seja por dor, nem por adeus, só por um confessar
Que viver é muito mais, é ir muito além, e não só estar

Caminhar num universo que só quem ama sabe caminhar,
Sabe sentir no coração e na alma um gostoso bem estar
Fazer dos amanhãs momentos  para brincar, para sonhar

Preciso ser poeta, para abrir corações com uma poesia,
Para fazer a alma gritar e ouvir seu eco num doce lembrar
De um momento tão terno que só os olhos puderam falar

José João
21/04/2.026

domingo, 19 de abril de 2026

Tão poucos sabem o que é a tristeza!

 Vou, sem nunca estar sozinho, vou comigo,
Ando entre horizontes... se vier solidão...
Não importa... nem que o mundo pare...
Não importa... apenas vou, sempre indo,
Inventando versos, cantando trovas...
Invento orações se a dor é maior que eu...
Invento cantigas para alegrar a alma... sim a alma
Ela, por vezes, é mais triste que eu...
Mesmo lhe dizendo que... tristeza...
Nada mais é que um momento de lucidez,
Faz despertar, mudar rotas, trocar caminhos,
Fazer outros rastros, recomeçar...
Até sonhar outros sonhos, trocar de saudades.
Ah! A tristeza! Tão pouco  compreendida!!

José João
19/04/2.026

Amo até...

Quanto de amor cabe em alguém?
Sempre mais do que deveria.
Amo...
Amo até sangrar por dentro,
Amo até não caber em mim
E quando não cabe mais...
Choro.
Porque amar, pra mim...
Sempre foi transbordar.

Quanto de saudade cabe em um peito?
Não sei. Sei que amo
Amo:
Amo até doer, amo até transbordar,
Amo até me perder
E... se me perco
É porque amei demais...
Amo, e amo de novo
Como se o mundo acabasse
Toda vez que amo

José João
19/04/2.026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Canto a todo instante.

 Canto o que me vem da alma e não importa
Se são palavras belas, ou palavras sem cor
Canto, mas só até a dor que a alma suporta
Canto pranto, saudades, o que o ela me impor

Canto a cada instante, sem nunca ser bastante
O que vem para dizer, não paro, nem emudeço
Minha alma é alegre e vive um viver constante
Não creio em destino e me pergunto: mereço?

Sei que canto, mesmo sem voz e sem talento
Mas me vem, não sei de onde, o que eu digo.
Ao que me diz a alma, fico sempre todo atento
Se dizem que o canto não contenta, eu nem ligo

A cada instante chega um canto que nem sei
E me impõe um cantar em versos e no papel
Canto escrevendo, sem métricas, canto assim
Se não gostarem, perdoem, mas canto para mim

José João
16/04/2.026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vou indo sem pressa... até o ...

Vou indo, sem nenhuma pressa de chegar e nem sei,
Na verdade, para onde vou, um horizonte colorido...
Um pedaço do campo onde os pássaros fazem ninhos
Ou sentir a beleza exuberante de um jardim florido

Vou indo, sem pressa, para que o tempo me dê tempo
De sonhar novos sonhos, de colorir minhas saudades,
De refazer histórias contadas nas poesia incompletas,
De chorar meus prantos que ainda hoje são verdades

Vou, sem pressa, para que o amor ainda me alcance
Que faça as mãos tremerem e, forte, o coração pulsar,
Os olhos se inundarem de viçosos e alegres prantos
E regozije-se a alma pela doce e santa loucura de amar

Não tenho pressa, por vezes o amor anda tão devagar!
Vem como fosse passageiro de uma calmaria distante
Em outras, quando vem qual furacão nem se percebe
Bom, se vem de mansinho, é mais forte a cada instante 

José João
15/04/2.026