Que faço com a poesia que fugiu de mim? Se foi.
Procuro entre saudades, nas palavras, até no pranto,
Procuro nas rimas perdidas no fim de cada verso
E só encontro vazios que sufocam por serem tantos
Mergulho no silêncio que sempre tem as respostas
Para quem fala de solidão, de dores e de saudades,
Mas apenas chegam lágrimas, mudas, nada dizem
Assim não sei o que em mim, possa ser verdade
Corro, desde os áridos até ao mais florido horizonte,
Voo no tempo buscando sonhos, colorindo histórias
Inventando amores, amores que nunca um dia vivi
Mas... o que me vem é um doloroso e triste sentir
Nem assim, com essa tanta tristeza, a poesia vem
O tempo perdeu a cor, a lágrima perdeu o sabor,
Tudo perde o sentido, da vida, se perdeu a doçura,
E um vazio grita tão alto que até penso ser loucura
Cruz Filho
04/08/2.026