Se tenho dores novas para chorar e, chora-las, recuso.
Essas dores de agora ainda não se fizeram saudade
Como as dores antigas que, para alma, são verdades
Dessas que se costuram com pontos feitos em cruz,
As dores de agora são apenas alinhavadas, sem vigor,
Na verdade, ainda são pespontos que todos ainda vêm,
Não dizem daquele adeus que perpetuou essa tanta dor
Um dia, quem sabe, essa dor antiga se perca no tempo!
E a de agora se costure na alma com pontos em cruz,
O certo, é que de dor de saudade a alma tem para sentir,
Pode até, por tanto, chorar de verdade ou mesmo fingir
Mas, coitada, tomara se atente ao perigo que seja mentir,
Por vezes, a dor de verdade, acredite, dói só até bem ali
Fingir que não é dor a dor que se sente, vai muito além
É remorso, tentar apagar da vida quem se quis tanto bem
Cruz filho
02/08/2.026