sábado, 30 de maio de 2026

... Até chegar um adeus.

Entreguei-me, rezei um nome como fosse oração,
Brinquei de costurar meus sonhos com verdades,
Dessas que todos os dias acontecem por milagre
Como se fosse do próprio tempo, divina vontade

Inventei rezas, ladainhas  contando tanta beleza!
Vesti-me de inocente pureza, fiz-me sem mácula
Pretensão que só um sentimento puro faz acontecer
É o mesmo que, em divinos momentos... viver

Pedi aos anjos que me ajudassem a fazer poesias,
Trouxessem pedacinhos do céu para enfeitar os dias
Que fizesse rosário de estrelas para rezar essa alegria
Até lustrei o pranto para, risonho, me fazer companhia

Sonho verdadeiro, desses que, por milagre, acontece,
Que de cada dia faz um detalhe, completo e eterno
Até que um dia tudo parece ter sido feito de fantasia
Um adeus é dito, o silêncio gritando e, a vida vazia.

José João
30/05/2.026

“A última flor do Lácio, inculta e bela"

Um dia, um poeta, num livre expressar-se, disse:

A última flor do Lácio, inculta e bela. E a flor...
Se fez forte, se fez altiva e, talvez ... a mais bela,
Do vulgar passou a ser, do saber, uma larga janela 

Caminha pelo mundo brincando de fazer história,

De fazer-se quase sem tradução, tão rica lhe fizeram!
E se faz um buquê de palavras, única nessa condição
Que brinca nos dicionários por não lhe haver tradução

E a flor do Lácio, mesmo inculta mas sonora e bela

É a única que diz ao mundo o sentir de uma verdade
Que no mundo, toda alma sente, mas apenas ela
Tem a palavra única de dizer que isso é... saudade

Agora, chegam da luz da ignorância, pobres parvos,
Que, por natureza, são ignavos e indolentes seres 
Se vestem de trapos literários de uma estupidez gritante
De quem, por doutrinação, que matar uma língua pujante

Que se há de fazer ante tão grande e pesado fardo
Que tanto pesa nos ombros dos verdadeiros literatos?
Estarão em estertores aqueles que tanto nos ensinaram
E que honrosamente esse belo legado a nós deixaram?

Que a última flor do Lácio, inculta e bela, permaneça
Luz, a fazer-se em belas, ternas e gentis poesias, 
Que os incultos se dobrem à vontade dessa gigante
E que sucumbam os disparates desses tantos ignorantes.


José João
30/05/2.026

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Bem aventuradas as mães

 Bem aventurado o ventre que te trouxe, o seio
Que te amamentou, bem aventuradas todas as mães
Que entre lágrimas e risos te deu a vida, te deu a luz
E reza por te orações divinas que nunca se farão vãs.

Bendita seja aquela voz que acalentou teu adormecer,
Benditos sejam os beijos que te falaram sobre o amor,
Benditas sejam aquelas mãos que te acariciaram o rosto,
Que te embalaram o berço, e por te choravam tua dor

Benditos sejam os olhos chorando em silencioso pranto
Como fossem orações rezadas se sentias qualquer dor,
Benditos os joelhos inchados que por penitência pediam
Em mudo desespero: por favor, cuida do meu filho, Senhor

Bendita seja a mãe, que no seu ventre, alegre, te gerou,
Que te fez crescer e, as vezes triste, se fazia forte, até sorria
Porque queria que sugasses o leite temperado com amor
E se ela estivesse triste, ao sugar, triste também ficarias.

Benditas sejam todas as mães, benditas sejam as mulheres,
Bendito seja delas o amor, que pelos filhos se entregam toda,
Benditos os braços que com divino carinho  te carregaram,
Bendito seja aquele coração e aquela boca que te beijaram. 

Benditas sejam todas as mães.

José João
29/05/2.026

terça-feira, 26 de maio de 2026

Quando um adeus está perto!

 Entre palavras não ditas, silêncios como respostas,
Olhares perdidos, desses que já não dizem mais nada,
Foi assim que começou  desenhar-se em nós o adeus,
Suspiros de angustia como para o adeus uma aposta.

Noites frias, mal dormidas, pensamentos perdidos, 
Como se voassem para o nada, por nada ter que fazer,
Silêncio lá fora, silêncio na alma, noite sem sonhos
E o medo, do vazio, da dor que está prestes a acontecer

Promessas não importam mais, a verdade se escondeu
Nas palavras não ditas, nas perguntas sem respostas
No amanhã, que desde ontem, na mudez já se perdeu

E tudo que um sentimento que se foi faz a alma sentir
Está ali, esperando para dizer o que não se quer ouvir
Vem o pranto, uma dor de verdade que não se pode mentir

José João
26/05/2.026

... Se a poesia quer chorar! Que chore!

 As vezes meus versos não dizem o que quero dizer...
Querem apenas chorar, e choram como fossem eu...
Do começo ao fim, até as rimas de fazem lágrimas
Como fossem elas a viver o que minha alma já viveu

As palavras fogem de mim para se fazerem prantos...
Chegam até aos olhos gritando alto seu desagrado
Então, os versos se vestem com as lágrimas choradas
Daí o gosto da poesia, temperada pelos pranto salgado

Não sei por quais motivos o pranto salga a poesia?!
Se não sou eu quem chorou a dor que ela diz sentir!!
Se ela, por si só, se faz em versos chorados e tristes
Se não sou quem chora, qual de nós está a fingir?

Se os versos, por vezes, não dizem o que quero dizer
Se é a poesia que por si se faz, e se faz a seu querer
Ela que chore seus prantos, a todo seu bel prazer
Eu ... apenas junto as palavras que ela quer escrever

José João
26/05/2.026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quantos gostariam de ter sua história!!

 Sim, envelheci. Cabelos embranquecidos, voz reticente,
Ombros curvos, passos lentos, o olhar só vai até ali,
O rosto cheio de marcas, cicatrizes que o tempo deixa,
Cada uma é uma história que se diz... isso eu já vivi.

Quantas histórias vividas! Quantas lições aprendidas!
Assim, aprendi, que muitos amanhãs ainda estão por vir
Ainda deixarão marcas no rosto, mas também virão risos,
Ainda virão momentos de ternura que ainda hoje não senti

Envelheci, mas o coração ainda pulsa se falam de amor,
Aprendi que a vida tem atalhos, para que correr para chegar?
Os anos me ensinaram a ir sempre entre o vagar e a pressa
Se estiver no caminho errado minhas marcas me farão voltar

Os rastros deixados num caminhar sem pressa sempre ficam
Como se fossem uma lembrança que nem o tempo pode apagar
Só tenha cuidado por onde pisar, não pise em pedras, mas...
Se tiver uma no cominho, jogue-a longe, pedras não sabem andar

Nunca esqueça que os amanhãs existem e você ainda está aqui, 
Caminhe com suas cicatrizes, outras cicatrizes virão mas, agora
Você é sábio para fazer delas marcas de cortesia que a vida dá
Seja seu herói! Veja quantos não gostariam de estar em seu lugar?!!

José João
25/05/2.026

sábado, 23 de maio de 2026

Grita, minha alma. Não desista.

 A alma, mesmo triste, continua acordada, mas sonhando.
E pergunta: o que fazer? Onde está a luz? Onde estão...
O amor, a verdade, um olhar sincero iluminado, onde estão?
Grita minha alma! Os gritos, serão do mundo, pedidos de perdão

Pede, minha alma, que outras se juntem em fervorosa oração,
Que mãos se entrelacem, que corações se abracem, se façam
Uma corrente a iluminar caminhos de luz quase a apagar-se
Tanto é o egoísmo que faz dentro da maldade o bem afogar-se

Onde estão os amanhãs num céu que quase não brilha mais?
Nos olhos a incerteza, o medo, a angustia de não poder ter
Um sorriso alegre, de verdadeira esperança, da certeza de ser
Uma alma justa que com a bondade no coração faça acontecer

Grita minha alma, deve haver outras disponíveis para amar,
Para gritarem até onde cheguem as orações e sejam ouvidas,
Grita, minha alma, que há de haver pelo menos mais dez justos
Que haverão de juntar-se a ti e Ele, haverá de lhes sarar as feridas

José João
23/05/2.026


domingo, 17 de maio de 2026

O corpo é pó, a alma... é imortal

Que os irmãos brancos que queiram caminhar comigo,
Cheguem, juntem-se aos irmãos negros á minha direita.
Todos que acham que a alma é divina, sem cor, imaterial
Não se prendam, essa é , da vida, a ordem mais natural.

Vamos dar as mãos, caminhar juntos num mesmo passo,
Vê Castro Alves, e Machado de Assis no mesmo abraço
Olavo Bilac e Pinto da Gama, os dois de mãos dadas
Quatro heróis juntos, a mesma luta, no mesmo espaço

Corpo e alma caminham juntos mas, coitado do corpo, 
Alguns se arvoram, brancos nórdicos, matéria, material,
Mas um dia, bem ali, nu, como nasceu, vai sem levar nada
Fica a alma, viva e sem cor, do homem a parte mais vital

Ah! Se um dia se pudesse ouvir a fala do Alexandre Dumas
Em conversa informal com Shakespeare,.. O ser ou não ser?
Seria essa a questão? Ser o quê? Apenas homens de cor?
Ou seriam almas vivas e solenes com o mesmo divino valor?

Eu, preto que sou., ouvi de um anjo sem cor, que disse:
"Quando a saudade afligir-me
Ninguém irá me consolar
Quando a existência fugir-me
Quem há de me prantear?"

Ora!  Maria Firmina! acalma esse teu coração!
Poesia, bem sabemos, cor, nunca terá
E Cora Coralina virá te consolar?

José João
17/05/2.026