quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Não sei ser doutor... só sei ser eu.

 Eu?! Não sei ser senhor, não sei ser doutor. Só sei ser eu.
Visto um terno feito de saudades, com botões de flores,
Uma camisa de primavera com uma gravata de petúnias
E vou pelo mundo... expulsando dores e criando amores

Sou quem brinca de fazer das flores bouquet de poemas
Que contam histórias desde o outono quando as folhas caem
Que vai semeando sementes nas margens dos caminhos
Que afaga a solidão e com ela vai sem nunca estar sozinho

Não sei ser senhor, nem ser doutor, escrever versos, eu sei
Desses versos cheios de lágrimas alegres, de risos soltos
Versos malucos contando coisas que eu mesmo inventei

Escrevo versos que o tempo trás, de coisas que já vivi,
De sonhos, até mesmo de sonhos que ainda não sonhei
Escrevo também eu, nos versos de dores que sozinho chorei

José João
25/02/2.026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A mim! Só interessam os amanhãs.

 ... de mim!? Já nem sei. Não sei o que fui, nem o que não fui,
Nem o que sou agora. De mim sabem mais do que eu mesmo.
Mas... já não me pergunto por mim, o que interessa agora?
A mim, só importa o que ainda posso ser, o resto, vá embora

Se sonhei sonhos que não eram meus... foi apenas inocência.
Se a mim fizeram sonhar assim, é porque não fui tão atento
Por isso, tenha sido minha a culpa, a culpa do que sou eu
Choro essa dor que sinto agora mas... o pecado não foi meu.

Viajo, calmo, entre os "eus", o que sou agora, e o que antes fui,
A vida é engraçada, se faz de vida, se faz de livro, se faz de lição
E ela mesma se faz de verdade, como só ela deve e pode ser.
Daí minha razão em deixar para trás o que não me faz viver. 

Vou continuar fazendo versos, fingidos ou que falem verdades,
Dos ontens, faço minhas histórias, afinal, foram  eles que vivi
Nega-los! Não poderia mas, o que não sei, não faz parte de mim
A mim, me interessam os amanhãs, ainda sem dores para sentir.

José João
24/02/2.026

Cansei de sonhar sozinho

 Dá-me a mão e vamos juntos, cruzar ravinas e prados,
Cruzar montes floridos, brincar de ir sem rumo por aí.
Brincar de conversar com as estrelas, de fazer sonhos
Brincar de caminhar para horizontes que estão bem ali.

Vamos inventar versos inocentes, cheios de eternidade,
Fazer de cada momento, histórias inocentes e completas
Vem, vamos brincar de pintar a noite com raios prateados
Juntar pirilampos e bordar caminhos com raios dourados

Vamos ver o voo das garças, vivos pedaços de nuvens
A voltear leve sobre o mar como se escrevendo versos
Ou se fazendo um quadro pintado ao tempo, no infinito
Eternizando a beleza esculpida nesse pedaço de universo

Vem ouvir o vento cantando uma canção só para nós dois,
Baixinho, como se mais ninguém pudesse ouvir, só nós
Deixa que o chão se faça em flores em perfumado caminho.
Vem, sonha comigo, cansei de sonhar assim, tão sozinho.

José João
24/02/2.026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Que essa dor seja uma oração..

 Quem, diz-me agora, como eu, te amou tanto?
Eu, no entanto digo, diz-me a quem tanto amaste?
Porque quis Deus que desse amor viesse o pranto?
Será que só com pranto o amor pode ser encanto?

Que a mim me seja dado a agonia lenta de sentir,
Mas a te, diz-me, que poderia te fazer querer-me?
Talvez o triste encanto do chorar da pobre alma
Quando em prantos se faz é o mesmo que ver-me

Vai.  Convence-te que essa dor não é tua culpa
Que esse fardo que me toma e a mim faz chorar
Fui eu quem procurou ao insistindo a tanto amar

Se vem a mim, cruel sofrer por tão desvairada dor,
Se fui eu quem a buscou quando impossível se fazia
Que me sirva de oração, que não a faça de heresia

José João
23/02/2.026

domingo, 22 de fevereiro de 2026

A incoerência é muito mais... divertido

 Não busco mais razões, nem coerência. Já cansei.
São tão comuns, são tão todo dia e nada mudam.
Vou buscar o que para a coerência seria impossível
Por exemplo, voar com as borboletas, ainda não tentei.

Sentir o cheiro doce das nuvens, vou pedir ao vento,
Com certeza ele me levará até elas, ele já prometeu,
Pediu apenas que fosse de meias, lá é muito frio
Mas um raio de sol disse que me aqueceria a contento

Razões e coerências são frias, tiram a ilusão da gente,
Com elas perto não se faz nada, a não ser sentir medo
Dizem que não se pode beijar um pássaro que voa
Eu.. voo sem asas, gosto de ser assim, bem diferente

Gosto de pintar a água, mas com tinta transparente,
Faço tranças douradas nos longos cabelos da noite,
Dou asas aos pés da saudade para que chegue depressa.
Lágrimas, carrego num balde feito de estrelas luzentes.

Cansei dessa tal de razão, dessa bobagem de coerência,
Brinco de mergulhar com as águias numa piscina azul
Cheia de pequenos pedaços de alegria e de sonhos coloridos
Nadamos, voamos, é muito mais divertido, a incoerência

José João
22/02/2.026

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Porque estando alegre quase me sinto triste?!

 Porque as vezes, estando alegre, quase me sinto triste?
Vem de dentro de mim ou de não sei onde uma quase tristeza
O sorriso continua sorriso mas sem que eu esteja sorrindo
Razões, não encontro, talvez, seja da alma alguma incerteza

Será que só eu, sinto em mim, as duvidas que a alma sente?
O que será que ela sabe e não diz, de ser assim tão carente?
É uma quase alegria, uma quase tristeza, de mim fico ausente
Não sei se é por falta de alguém que em mim já esteve presente!

 Não diria ser saudade, também não é solidão, eu me basto, 
Não por orgulho, mas pelos tantos que já fui, desde criança
Ao que sou agora trago pedaços de mim, muita lembrança

De muito converso com quem já fui, desde o jovem rapaz
Que todos os dias sonhava acordado de colorir os amanhãs...
Será que é isso? Quando vejo as vontades que tive, todas vãs

José João
21/02/2.026