A poesia se veste em pedaços rendados de beleza e saudade,
De sonhos e prantos, por vezes costurados no mesmo verso,
Enfeita-se com rimas, de tão divinas, se pensa que não existe
Mas toda essa formosura acontece se tiver uma saudade triste
Dessas que a alma grita como se o pranto fosse palavra viva,
Que dela sai pelos olhos e faz eco em uma dolorosa solidão
Que a alma, presa em tanta angustia, se entrega toda e plena
Ao vazio, com se fosse preciso, apenas uma mentirosa ilusão
Assim, a poesia se completa com perdidos pedaços de ontens,
Com adeus que foram ditos em murmúrios e só a alma ouviu,
Com restos de lembranças que a alma em lembrar ainda insiste
Pois acredita que a poesia só é bela se tiver uma saudade triste
Assim, ela se fez em retalhos costurados em fios de sonhos,
Com remendos de solidão avulsa, encontrada no vazio do tempo
E a alma, querendo ser escrita em belas poesias, teimosa insiste
Que a poesia por ela escrita só é bela quando a saudade é triste.
Cruz Filho
20/08/2.026