Que não sabe o que é o amor, nem o que é amar
Que sente a dor de uma adeus, chora aos prantos
Mas não sabe se é dor de sofrer se é dor de chorar
Sei o que é saudade, tristeza, sei até sentir o vazio,
Esse que é preenchido pela solidão que veste a alma
Quando nem sonhos podem ser sonhados à vontade
Apenas as mentirosas fantasias se vestem de verdade
Ou talvez, nunca tenha aprendido o que seja o amor,
Nunca aprendi contar com os olhos o que a alma sente,
Nem sentir o frio das mãos, o murmurar tremulo da voz
O tremor instintivo do corpo na troca de um beijo ardente
Sim, sou eu, aquele que ama sem saber o que é o amor,
Aquele que se entrega a sonhar o que nem sabe sonhar,
Que se faz de caminho por onde a saudade vai chegar,
Sou, talvez, aquele que ama, e não sabe o que é amar
Sou, quem não vê a cor do pranto mas lhe sabe o gosto,
Que sabe ler sua história pelas marcas que tem no rosto,
Que sabe ouvir o silêncio delirante do perfume da flor,
Sou quem não sabe o que é amor, mas sabe o que é dor
Cruz Filho
26/07/2.026