terça-feira, 3 de março de 2026

As vezes somos lápis ou papel?

 Lápis e papel brigavam pela importância de cada um.
O papel dizia: Não fosse eu onde escreverias tuas palavras?
Dizia o lápis: Pobre de ti, papel, eu sou quem te faz útil
Não fosse eu continuarias mudo, limpo, sem valor nenhum,

Lápis, não te esqueças, não és tu que me riscas, eu te risco
Tanto que ao imprimires em mim o que escreves, te gastas
Te levo nas palavras que escreves, senão serias um esquecido
Ora papel, não seja tolo, para ser o meus transporte, tu bastas

Estavam nessa discursão quando alguém empunha o lápis,
Ajeita o papel e começa a escrever: Hoje amanheci triste e...
Imprimiu com tanta força que a ponta do lápis quebrou,
Depois de ter furado o papel, o escritor, zangado... falou

Mas que lápis fraco e o papel mais ainda, como escrever?
O lápis e o papel se olharam, ficaram sem saber o que falar.
Um sobre o outro como se estivessem abraçados...disseram
E agora? Ele se foi, ficamos inúteis, sem nada para contar!

José João
03/03/2.026

segunda-feira, 2 de março de 2026

A voz do pranto

 Não sei se foram minhas ou da poesia as lágrimas
Que molharam as palavras, que as deixaram mudas,
Pesadas, como se dizer alguma coisa fosse pecado
Foi então que o silêncio se fez divino, se fez sagrado

Nem o sussurrar do tempo pedindo para ir, se ouvia,
De muito longe um rastro de luz se fazia tênue estrada 
Como se por falta de voz só os olhos pudessem falar,
Dizer com prantos o que o silêncio mandou a voz calar

Foi então que a beleza se fez viva, lágrimas límpidas,
Transparentes, pareciam vir de uma milagrosa fonte,
Profanaram o silêncio e se fizeram uma voz diferente

Como se sussurrassem num quase silencioso chorar
As palavras que o peso das lágrimas da poesia, calou
Mas se ouvia o canto triste de um mais triste murmurar 

José João
02/03/2.026

domingo, 1 de março de 2026

Quando a saudade chegar...

 Como enxugar as lágrimas depois de um adeus?
Elas são derramadas pela alma em lancinante dor,
Os olhos se afazem fonte corrente, que não volta
Então só a saudade para ser grito, para ser clamor

As palavras se perdem, os lábios só murmuram,
O pensamento se perde além de qualquer pensar,
Tudo fica triste como se a única alegria fosse chorar
Assim, o pranto se faz de oração para a alma rezar

Os dias se arrastam lentos, o olhar se perde no nada,
Os lábios tremem, sussurram um nome que se foi
E um vazio cheio de solidão se faz silenciosa estrada

A abrir-se até a qualquer horizonte, qualquer que seja,
Todos se fazem da mesma cor, todos se fazem iguais
 Que chegue a saudade, dessas que sempre se pede mais 

José João
01/03/2.026

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Que lugar... os velhos tempos!!

 Indo por caminhos que nunca havia percorrido...
Vendo paisagens novas, que nunca havia visto
Percebi, conversando comigo, minha liberdade
Não estava só, apenas encontrei outra verdade.

Eu! Com todos os que fui em diferentes lugares
Minha infância num lugar, adolescência em outro
Chegaram os cabelos brancos, continuamos assim
Mas o tempo se fez lugares diferentes para mim

Cada lugar uma história, umas deixaram saudades
Outras foram esquecidas, não deviam ser lembradas
Algumas ainda insistem em se fazer lembranças
Mas ainda existem saudades e lembranças choradas

A criança que fui, não guarda tantas recordações
O jovem eu se diverte com o que guarda na memória
Conversam riem, correm nos lugares que viveram
Eu! Sou quem junta o dois e de nós conto a história.

José João
27/02/2.025

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Senhor... És minha luz.

Entrego-me a fazer de Te, doce luz a ser caminho,
A ser guia dos passos que a vida me faz caminhar.
Saber-Te luz a guiar-me, me faz que sejas tanto
Que me entrego a seguir-Te sem nenhum entretanto

Guias meus pés por caminhos ainda desconhecidos
Fazes que me seja leve, pesos que nunca carreguei
E vou, me sentindo forte, Contigo o que posso temer?
Fazes de mim vencedor de lutas que ainda nem batalhei

Vou Contigo, sem medo, defender-me, me ensinaste
Estando Contigo, sou rocha, sou rochedo de cercania
Pois sei que com tua luz, quem a desafiar-me ousaria?

Dou-me a entregar-me todo e pleno a Te que me conduz
Sei que serás minha companhia... onde quer quer eu vá
Assim, grito bem alto que ouçam: Senhor, Tu és minha luz.

José João
26/02/2.026

Só o tempo como remédio.

 Ah! essa tanta falta de alegria que me toma todo
Que vai do corpo à alma. esta  se prende ao pranto,
No corpo, um desespero que traz primitivas reações
Impropérios e heresias se fazem loucas emoções.

Vou a lavar-me na pureza de salgadas lágrimas
Como se essas fossem bálsamos, mas no corpo,
Um desconfortável sentir lhe faz um fugaz tremor
Que entre choro e blasfêmias grita essa tanta dor.

Que resta então? Que lhe seja o tempo o remédio
Que lhe aplaque as marcas ou que faça cicatrizes
Das feridas saradas e lhe tire da vida esse tédio

De nada, adiantaram as lágrimas, nem os prantos
Não se fizeram bálsamos, apenas choraram a dor
Só o tempo, mesmo lento, se fez cura, se fez santo.

José João
26/02/2.026