segunda-feira, 15 de junho de 2026

Amigos de todos os dias

 Amigos, os tenho e são muitos. Deles posso falar,
Amigos que há quarenta anos somos nós dois em um
Paixões que acontecidas, amantes para toda vida
Meu primeiro alimento é ela, minha querida glicazida

Logo após me vem o outro, sorrindo como menino
Meu querido succinato, grande irmão metroplol
Esse de mim toma conta, como se fosse um irmão
Cuidadoso e com carinho cuida do meu coração

Também não posso esquecer dos amigos do almoço
Me fazem fiel companhia, o somalgin e o glivage
O primeiro sempre atento a afinar o meu sangue
O outro me trata o açúcar desde do pé até o pescoço

Esses são meus amigos, a eles devo muitos favores,
Outra amante, rosuvastantina, sempre na minha mente
Cuida para que continue sem gordura ruim por dentro
Amigos e amantes por toda vida mas não aconselho que tente

José João
15/06/2.026

Amor! Sempre o mesmo roteiro.

Quando falam de amor, ouço em silêncio e calo
Que poderia dizer, do que não conheço, não falo
Pra mim o amor é uma loucura dessas que dói
E só tristeza, solidão e saudade é o que constrói

Nunca consegui ver-me sentindo esse tal de amor,
Que nos rastros, quando se vai, se ver um tremor,
Que na voz deixa sonoras reticências e mudez
Dores que a alma sente, quase todas de uma vez

Nunca entendi esse tal de amor, nem o que faz,
Quando se vai só deixa saudade, vazios e prantos
E quando se pensa curado, vêm outras coisas mais

Não falo desse tal de amor, calo e até dele corro
O que pode importar algo que é tão passageio
Até os sonhos de amor sempre têm o mesmo roteiro

José João
14/06/2.026

domingo, 14 de junho de 2026

A poesia! Vai muito além da imaginação!

 Minha vida! Uma história que não sei como contar.
Alguns momentos brindados com doce champanhe, 
Outros, brindados entre  lágrimas e tantos prantos
Que me fazem sentir na alma o que não quero falar

Quantos sonhos vivendo histórias de amor infindo!
Beijando lábios perfumados como se fossem flores,
Acariciando rostos que pareciam fino e macio veludo
A vida, como eterno sonho, se fazia bem mais que tudo

Viajei entre planetas, fiz imagens de mim mesmo,
Corri entre jardins, atravessei rios, corri pelos campos,
Um dia fui escravo, num outro fui um majestoso lorde
Fazia poesias para um rei que me deu um titulo de nobre

Minha vida, devaneios cheios de sonhos mentirosos,
Vi um rosário de ouro no céu com as contas de estrelas.
Num lugar, muito distante, a beleza única de dois sois
Nessa loucura pergunto: alguém sabe quem somos nós?

Mergulhei em mares distantes, com praias no horizonte,
E nadei com um amigo que eu nem conhecia, chegamos.
Fiquei na praia, ele voltou, parecia que o mar era seu,
Essas minhas mentiras! Perguntem, que mentiroso sou eu?

Mas fui um escravo que fazia versos, assim me vi um dia,
Um lorde que foi poeta, que escreveu a vida em versos,
Que se viu um dia deitado e livre flutuando outro viver
Que permanece acordado, brincando ainda de escrever

Sou quem, em leve sono, recorda lugares onde nunca foi,
Sou quem beijou lábios de damas que só em sonhos eu vi
Que viveu histórias, fantasias ou mentiras, ao certo não sei
Também não sei  se tudo foi um sonho ou se mesmo vivi!

José João
13/06/2.026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

As coisas que escrevo.

Nem sempre são minhas as coisas que escrevo
As vezes empresto minhas lágrimas para alguém,
Por vezes alguém, a mim, empresta suas lágrimas
Para a poesia  basta ter e... não pergunta de quem

Quantas vezes chorei dores que não eram minhas!
Gritei, em silêncio, saudades que nem sabia sentir,
Molhei os versos com prantos paridos do nada
Pensavam ser minha a dor mas era apenas um fingir

As vezes fingir é preciso, mas tem que saber fingir,
Senão fica maior que a dor que se tem medo de sentir
Aprender, mesmo com a alma chorando, saber sorrir 

Aprendi, desde muito, assim são as coisas que escrevo,
Se são meus os prantos ou se são prantos que emprestei!
Ou foi emprestado, o pranto que aqui, agora, chorei?

José João
08/06/2.026

Brincando de voar

Por sobre o tempo, espaço infindo, me permiti sonhar,
Brinquei de desenhar, com nuvens, meus tantos desejos.
Busquei pensamentos distantes, sonhos não sonhados,
Os que já sonhei, palavras não ditas, beijos guardados.

Sobre as nuvens, num horizonte que parecia bem ali
O sol pintava o tempo com cores que não se sabe dizer,
Esculturas, como feitas por mãos divinas... brilhavam,
Se faziam pedaços de um céu convidando para viver

Disperso, como se visse um sonho vivo, me fiz ouvinte
De um silêncio que contava minhas dores e saudades,
Contava tristezas que pensava desde muito, esquecidas

Olhava o quase não passar do tempo, brincando de voar,
Recordações se faziam histórias povoando o pensamento, 
A se misturarem com as vontades  ainda não acontecidas

José João
08/06/2.026


sábado, 30 de maio de 2026

Sem prantos... não sei fazer poesia.

 Poesia, a alma do poema, poderia fazer todos os dias.
Solidão tenho para tanto, dores? Essas tenho avulso,
Sonhos perdidos, sonhados e sumidos no esquecimento,
Desses, perdi a conta, do meu dia a dia foram expulsos.

Tristezas! Tenho muitas, correm soltas pela alma e vão,
Desde o alvor do dia, nas noites, chega, então, a saudade
Que povoa o momento com a presença de quem não está
Aí as palavras se perdem, correm nos verso sem poder falar

Poesias, poderia fazê-las todos os dias, assim eu quisesse
Costurava sonhos com fantasias, neles alinhavava ilusões
Mas por vezes me pergunto: é se quisesse ou se pudesse?

Tenho tudo que se pode, com a alma, escrever poesias,
E não seria apenas uma. Para fazer poesias tenho tanto!
Só não as crio todos os dias? Apenas por falta de pranto

José João
30/05/2.026

... Até chegar um adeus.

Entreguei-me, rezei um nome como fosse oração,
Brinquei de costurar meus sonhos com verdades,
Dessas que todos os dias acontecem por milagre
Como se fosse do próprio tempo, divina vontade

Inventei rezas, ladainhas  contando tanta beleza!
Vesti-me de inocente pureza, fiz-me sem mácula
Pretensão que só um sentimento puro faz acontecer
É o mesmo que, em divinos momentos... viver

Pedi aos anjos que me ajudassem a fazer poesias,
Trouxessem pedacinhos do céu para enfeitar os dias
Que fizesse rosário de estrelas para rezar essa alegria
Até lustrei o pranto para, risonho, me fazer companhia

Sonho verdadeiro, desses que, por milagre, acontece,
Que de cada dia faz um detalhe, completo e eterno
Até que um dia tudo parece ter sido feito de fantasia
Um adeus é dito, o silêncio gritando e, a vida vazia.

José João
30/05/2.026

“A última flor do Lácio, inculta e bela"

Um dia, um poeta, num livre expressar-se, disse:

A última flor do Lácio, inculta e bela. E a flor...
Se fez forte, se fez altiva e, talvez ... a mais bela,
Do vulgar passou a ser, do saber, uma larga janela 

Caminha pelo mundo brincando de fazer história,

De fazer-se quase sem tradução, tão rica lhe fizeram!
E se faz um buquê de palavras, única nessa condição
Que brinca nos dicionários por não lhe haver tradução

E a flor do Lácio, mesmo inculta mas sonora e bela

É a única que diz ao mundo o sentir de uma verdade
Que no mundo, toda alma sente, mas apenas ela
Tem a palavra única de dizer que isso é... saudade

Agora, chegam da luz da ignorância, pobres parvos,
Que, por natureza, são ignavos e indolentes seres 
Se vestem de trapos literários de uma estupidez gritante
De quem, por doutrinação, que matar uma língua pujante

Que se há de fazer ante tão grande e pesado fardo
Que tanto pesa nos ombros dos verdadeiros literatos?
Estarão em estertores aqueles que tanto nos ensinaram
E que honrosamente esse belo legado a nós deixaram?

Que a última flor do Lácio, inculta e bela, permaneça
Luz, a fazer-se em belas, ternas e gentis poesias, 
Que os incultos se dobrem à vontade dessa gigante
E que sucumbam os disparates desses tantos ignorantes.


José João
30/05/2.026