terça-feira, 26 de maio de 2026

... Se a poesia quer chorar! Que chore!

 As vezes meus versos não dizem o que quero dizer...
Querem apenas chorar, e choram como fossem eu...
Do começo ao fim, até as rimas de fazem lágrimas
Como fossem elas a viver o que minha alma já viveu

As palavras fogem de mim para se fazerem prantos...
Chegam até aos olhos gritando alto seu desagrado
Então, os versos se vestem com as lágrimas choradas
Daí o gosto da poesia, temperada pelos pranto salgado

Não sei por quais motivos o pranto salga a poesia?!
Se não sou eu quem chorou a dor que ela diz sentir!!
Se ela, por si só, se faz em versos chorados e tristes
Se não sou quem chora, qual de nós está a fingir?

Se os versos, por vezes, não dizem o que quero dizer
Se é a poesia que por si se faz, e se faz a seu querer
Ela que chore seus prantos, a todo seu bel prazer
Eu ... apenas junto as palavras que ela quer escrever

José João
26/05/2.026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quantos gostariam de ter sua história!!

 Sim, envelheci. Cabelos embranquecidos, voz reticente,
Ombros curvos, passos lentos, o olhar só vai até ali,
O rosto cheio de marcas, cicatrizes que o tempo deixa,
Cada uma é uma história que se diz... isso eu já vivi.

Quantas histórias vividas! Quantas lições aprendidas!
Assim, aprendi, que muitos amanhãs ainda estão por vir
Ainda deixarão marcas no rosto, mas também virão risos,
Ainda virão momentos de ternura que ainda hoje não senti

Envelheci, mas o coração ainda pulsa se falam de amor,
Aprendi que a vida tem atalhos, para que correr para chegar?
Os anos me ensinaram a ir sempre entre o vagar e a pressa
Se estiver no caminho errado minhas marcas me farão voltar

Os rastros deixados num caminhar sem pressa sempre ficam
Como se fossem uma lembrança que nem o tempo pode apagar
Só tenha cuidado por onde pisar, não pise em pedras, mas...
Se tiver uma no cominho, jogue-a longe, pedras não sabem andar

Nunca esqueça que os amanhãs existem e você ainda está aqui, 
Caminhe com suas cicatrizes, outras cicatrizes virão mas, agora
Você é sábio para fazer delas marcas de cortesia que a vida dá
Seja seu herói! Veja quantos não gostariam de estar em seu lugar?!!

José João
25/05/2.026

sábado, 23 de maio de 2026

Grita, minha alma. Não desista.

 A alma, mesmo triste, continua acordada, mas sonhando.
E pergunta: o que fazer? Onde está a luz? Onde estão...
O amor, a verdade, um olhar sincero iluminado, onde estão?
Grita minha alma! Os gritos, serão do mundo, pedidos de perdão

Pede, minha alma, que outras se juntem em fervorosa oração,
Que mãos se entrelacem, que corações se abracem, se façam
Uma corrente a iluminar caminhos de luz quase a apagar-se
Tanto é o egoísmo que faz dentro da maldade o bem afogar-se

Onde estão os amanhãs num céu que quase não brilha mais?
Nos olhos a incerteza, o medo, a angustia de não poder ter
Um sorriso alegre, de verdadeira esperança, da certeza de ser
Uma alma justa que com a bondade no coração faça acontecer

Grita minha alma, deve haver outras disponíveis para amar,
Para gritarem até onde cheguem as orações e sejam ouvidas,
Grita, minha alma, que há de haver pelo menos mais dez justos
Que haverão de juntar-se a ti e Ele, haverá de lhes sarar as feridas

José João
23/05/2.026


domingo, 17 de maio de 2026

O corpo é pó, a alma... é imortal

Que os irmãos brancos que queiram caminhar comigo,
Cheguem, juntem-se aos irmãos negros á minha direita.
Todos que acham que a alma é divina, sem cor, imaterial
Não se prendam, é essa, da vida, a ordem mais natural.

Vamos dar as mãos, caminhar juntos num mesmo passo,
Ver Castro Alves, e Machado de Assis no mesmo abraço
Joaquim Nabuco e Pinto da Gama, os dois de mãos dadas
Quatro heróis juntos, a mesma luta, no mesmo espaço

Corpo e alma caminham juntos mas, coitado do corpo, 
Alguns se arvoram, brancos nórdicos, matéria, material,
Mas um dia, bem ali, nu, como nasceu, vai sem levar nada
Fica a alma, viva e sem cor, do homem a parte mais vital

Ah! Se um dia se pudesse ouvir a fala do Alexandre Dumas
Em conversa informal com Shakespeare,.. O ser ou não ser?
Seria essa a questão? Ser o quê? Apenas homens de cor?
Ou seriam almas vivas e solenes com o mesmo divino valor?

Eu, preto que sou., ouvi de um anjo sem cor, que disse:
"Quando a saudade afligir-me
Ninguém irá me consolar
Quando a existência fugir-me
Quem há de me prantear?"

Ora!  Maria Firmina! acalma esse teu coração!
Poesia, bem sabemos, cor, nunca terá
Cora Coralina virá te consolar?

José João
17/05/2.026

sábado, 16 de maio de 2026

Poesia, um lugar de todos.

Um pedacinho de céu é uma poesia falando de amor,
As estrela são as palavras derramadas nos versos,
Escritas em prateados prantos que chegam até a alma
Como fossem orações rezadas enfeitando o universo

A poesia é um lugar onde até o impossível acontece,
Prantos e risos se misturam em perfeita harmonia, 
Solidão e prazer se juntam para sentir uma saudade,
Verdades se fazem como fossem infantis fantasias.

A poesia é um lugar que só mora quem sabe amar,
Quem sabe se entregar sem querer nada em troca.
A poesia é um lugar onde se pode viver e até sonhar

A poesia é um lugar onde a lágrima se santifica,
Um lugar que, mesmo sem primavera, se faz florido
 É o único em lugar que a vida não precisa se justificar

José João
16/05/2.026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um guarda-chuva vestido de primavera.

Um guarda-chuva enfeitado com a beleza da primavera.
As flores debruçadas, assim como fossem anjos inocentes,
Inspirando a poetisa a criar poemas cheios de doce poesia
Então o tempo se abre entre sonhos, lembranças e fantasias

O perfume do campo, o gorjear de irrequietos pássaros,
Na sombra de um guarda-chuva florido ... um pensamento,
Assim, a poetisa cria, no caderno da vida, um momento
Em que tudo se faz encanto, até o tempo fica mais lento

Como se quisesse ficar ali, fazer parte da poesia criada
Em que a poetisa, de cada flor, faz um verso, uma rima 
Que vai ao mundo como fosse um história encantada

E assim, o guarda-chuva vestido de primavera e a poesia
Se abraçam, caminham juntos,  fazem o mundo mais belo
E a poetisa... se esconde dentro dos versos que ela cria

15/05/2.026

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Minha poesia de muitas cores

 Hoje, quero pintar poesias, isso mesmo, pintar poesias,
Escreve-las é fácil, basta conversar com as palavras...
Pinta-las!! Que cor haveria para pintar uma oração?
As poesias são divinas, mistura de alma e coração.

Vou pintar uma, vou pinta-la com cor de saudade,
Matizar com a cor do pranto, como raios prateados,
Alguns pingos de lágrimas como respingos de chuva
Realçando as rimas dos versos com adornos dourados

Vou pintar alguns versos com a cor de uma tristeza,
Não com qualquer tristeza, só mesmo as mais tristes
Que realce com a cor de um adeus, adeus de verdade
Aquele adeus triste, mistura das cores de dor e saudade

Também, na poesia, pintei a solidão, foi mais difícil
Não encontrava tinta que pudesse com ela realçar
Então, usei tinta cambiante, tem uma cor inconstante
Nunca se sabe se se está só ou se é a solidão que está

Assim, fiz minha poesia colorida, não é tão fácil de ver,
Na verdade, é vista pelos amantes que sentem com a alma,
Aqueles que sabem da cor do pranto, da cor da saudade,
Que não se escondem e, para chorar, a alma tem liberdade.

José João
07/05/2.026

Pedra e flor no mesmo verso

Pedra e flor são diferentes até que a poesia as encontre,
Encontradas, cada uma têm sua beleza e sua história,
O que as iguala? Apenas a poesia... lhes faz de poesia
Assim não fosse, compara-las seria verdadeira heresia

Coitada, chorando sozinha, presa, sem ir a lugar nenhum
Lhe passam por cima e apenas dizem: sai do caminho.
Posta ao frio, ao calor, coitada, sem voz para reclamar
Ouve tudo calada, triste, nem lágrimas tem para chorar

Já a flor, orgulhosa, vaidosa e bela exala seu perfume,
Nas manhãs, o orvalho lhe deixa mais bela e luzidia
Aumenta o perfume, beijam-lhes borboletas e beija-flores
Balança suave ao vento embalada por tantos amores

Balançam-se nos seus galhos ao sabor de leve brisa,
Parecem valsar como fossem belas damas a dançar
Leves como pedaços de algodão balançando ao vento
Até induzem, com sua beleza e ternura, a se fazerem amar

Assim, pedra e flor se fazem distantes, dureza e ternura
Insensível e generosa, mas... podem viver em harmonia  
Pedras e flores podem, até mesmo chorarem juntas
Podem, por milagre divino, juntas se fazerem poesia

José João
07/05/2.026