quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vou indo sem pressa... até o ...

Vou indo, sem nenhuma pressa de chegar e nem sei,
Na verdade, para onde vou, um horizonte colorido...
Um pedaço do campo onde os pássaros fazem ninhos
Ou sentir a beleza exuberante de um jardim florido

Vou indo, sem pressa, para que o tempo me dê tempo
De sonhar novos sonhos, de colorir minhas saudades,
De refazer histórias contadas nas poesia incompletas,
De chorar meus prantos que ainda hoje são verdades

Vou, sem pressa, para que o amor ainda me alcance
Que faça as mãos tremerem e, forte, o coração pulsar,
Os olhos se inundarem de viçosos e alegres prantos
E regozije-se a alma pela doce e santa loucura de amar

Não tenho pressa, por vezes o amor anda tão devagar!
Vem como fosse passageiro de uma calmaria distante
Em outras, quando vem qual furacão nem se percebe
Bom, se vem de mansinho, é mais forte a cada instante 

José João
15/04/2.026

terça-feira, 14 de abril de 2026

Ainda tenho lágrimas para molhar o passado


Estar só, pensar sozinho é um prazer, nem é solidão,
É a liberdade de dizer-se o que se quer e... ouvir-se,
Sem medo que ouçam seus segredos guardados
A hora da solidão é o momento de, sozinho, sentir-se

 Ver o que fez, um bom momento para arrepender-se
Ou, para saber-se maior por ser certo aquilo que fez,
Sozinho se pode escolher a saudade que se quer sentir
Pode-se até chorar a vontade, sem nenhuma desfaçatez

Quando me sento comigo... sozinhos, na beira da tarde
Contamos histórias de saudades, de olhares, de beijos,
Buscamos sonhos antigos que nem foram sonhados

Por vezes me chegam tímidas lágrimas, quase tristes
Me marcam o rosto, me fazem lembrar, fazem chorar
Aí então percebo que ainda os olhos molham o passado

José João
14/04/2.026

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma memória morrendo aos poucos

 As pedras, agora lustrosas pelos tantos pisados,
Os azulejos, tristes por tantas histórias apagadas,
Os mirantes, agora sombrios, soturnos, abatidos
Como se agora chorassem seus aposentos vazios

Quantas histórias mortas nos velhos sobradões!
Quantas lágrimas e poesias lhes fizeram vivos!
Quantos castiçais de prata lhes iluminaram!
Agora, tristes espectros, foi o que se tornaram

As donzelas de belos lenços em ouro bordado
Os leques em fios de prata em artes trançados
Vestidos costurados em seda vinda de além mar
Chapéus da Europa por princesas e rainhas usados

Eis, bem ali o mar, caravelas, vindo de navegar
Trazendo mercados, até sonhos traziam de lá
E grandes poetas em fraques vestidos a declamar
Às suas amadas, com terno respeito e doce olhar!

Quantas histórias de amor, de sangue e de pranto?
Quantos lamentos os casarões haverão de guardar?
Quantos gemidos de negros ainda se pode escutar?
Nas eira, beira e tribeira, ainda no mesmo lugar.

Caem os sobradões, que mesmo com histórias tristes
Guardam em si o tempo, guardam lágrimas, prantos
Deveriam ser lembrados, respeitados por serem tantos
Até mesmo a lembrança, por tanto abandono desiste

Pedras de cantaria, hoje bem poderiam ser poesias!!
Os lampiões, timidamente iluminando os casarões,
Fazendo dos azulejos verdadeiras óperas de fantasias
E o acendedor, solitário, nas noites sem companhia

Os casarões estão esquecidos, suas histórias morrendo,
Seus azulejos, hoje, não passam de decorações vencidas
Lembranças da história, agora vergonhosamente apagadas, 
Patrimônio Cultural Mundial! Sim. Em épocas já passadas

José João
13/04/2.026

A tristeza... é uma nuvem itinerante

Embora me faça chorar, nunca tive a tristeza como inimiga,
Por vezes, ela até parece prepotente, mas é apenas desespero,
É como ela sabe dizer, gritar e pedir que te olhes a ti mesmo
Ela só existe naquele momento por mais que seja o exagero

A tristeza é a febre da alma, apenas diz: alma, estás doente
E fica ali para que não esqueças e procures alguma cura,
Quem sabe um sorriso, um aperto de mão, um lembrança,
Até mesmo uma saudade alegre... a tristeza nunca dura

A não ser que endureças teu coração e a ele não permitas
Que se entregue a um terno e doce sentimento, uma paixão
A tristeza, como amiga, te diz: ama, sorri, te entrega a amar
Deixa que tua alma, diz a tristeza, se entregue, até sem razão

Ah! Essa tão bondosa tristeza! Que por vezes se faz perdão,
Em outras faz pensar, ser mais, ser melhor, ser mesmo você.
Talvez seja teu momento mais consciente e, não é constante
A tristeza é assim como fosse uma inocente nuvem itinerante

José João
13/04/2.026




domingo, 12 de abril de 2026

Por que dez palavras?

Dez palavras por verso, até poderia, mas não acho justo
Há dores que nem se precisa de tanto, outras, são tão poucas?
Saudade! Quem decide o tamanho da saudade para os versos?
Qual o tamanho das palavras? Sílabas por cada lágrima solta?

Serão necessárias dez palavras para contar o que finjo?
Se fingir uma verdade verdadeira de uma mentira fingida?
Estratosférico amor que, infelizmente, imprescindível, se foi
Mas sem lágrimas para chorar, a alma ficou perdida

Meus versos são como as pessoas, magras, altas baixas, gordas
A métrica é do tamanho do que a alma quer dizer,
Versos compridos que, por vezes, ainda ficam incompletos
Outros, curtos, dizem tudo o que queria acontecer

Elegância no poema está no que a poesia diz,
Prender a alma ao que numa linha se escreve
Como se o verso tivesse padrão feito em máquinas frias!
Então, que tristeza! Assim para que a poesia serve? 

José João
12/04/2.026

Só posso pagar com prantos...

 Diz-me, quanto de saudade tua alma suporta?
Quanto, de pranto podes chorar por uma vida?
Quem poderia dizer, mesmo que alma saiba?
Isso não me importa, nem qualquer dor sentida.

Que chore, aos cântaros, todo esse meu pranto,
Que de saudades transborde a alma por tantas
A mim, importa amar, sem nenhum entretanto
Que chore, por amor, as lágrimas serão santas

Assim, me entrego ao que acho um doce viver,
Amar, como se amar fosse um divinal acontecer
Chorar ao dizer, ou ao ouvir um terno: "eu te amo"
É como se fosse para a vida o mais belo renascer

Amo, amo, e amo, a mim o que importa a saudade?
Lágrimas, servem é para isso, para chorar o adeus
Se for pecado esse tanto amar e eu tiver que pagar
Pago em prantos, o que mais sei nessa vida é chorar

José João
12/04/2.026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Meus versos... bem... as vezes...

 
Ah! Se eu tivesse aprendido fazer poesias...
Dessas que as palavras gritam alegres,
Trocam de sentido no que querem dizer,
Ficam eufóricas, nem parecem palavras
Parecem sentimentos ávidos por viver

Mas não aprendi a sentir o viver assim
Comigo elas não gritam, ficam paradas
Não que fiquem mudas mas, apenas gemem
Como se estivessem por tristezas marcadas
Nem com a emoção dos versos elas tremem

Queria ser poeta de fazer o verso cantar,
Dizer coisas que todos querem ouvir
Provocar sentimento gostoso de sentir
Desses que fazem a alma de gozo chorar
E gritar aos céus: eu quero apenas amar

Meus versos se escrevem em curtas linhas
Em rimas perdidas como fossem indo embora
Como sendo mudas novas que no sol definha,
Parecem escritos fora do tempo, fora de hora
Que se arrasta no vazio e na alma não caminha.

José João
10/04/2.026

Minha curiosidade de amanhã

 Vou indo sem pressa... não preciso mais correr,
Já senti todas as saudades que a vida me fez sentir,
Ouvi e disse todos os adeus que tinha para dizer
Até os amores, que sorrindo ou chorando ... vivi

Vou devagar, não tenho pressa, sei onde chegar
Prantos... não os tenho mais, chorei todos eles
Talvez uma saudade aqui, uma outra por ali
Uma lembrança antiga que o tempo não quis levar.

Sonhos, já os sonhei, outros estão perto de mim,
Não preciso correr para sonha-los, estão bem aí
No dobrar do tempo, bem ali, no primeiro amanhã
Não tenho pressa para sentir o que a muito já senti

Sorrisos, tenho alguns e os que tenho me bastam 
Mas ainda tenho uma curiosidade de todos os dias
Muito importante pra mim, longe de ser coisa vã
É saber qual marca nova, meu rosto trará amanhã

José João
10/04/2.026