quarta-feira, 17 de junho de 2026

Será que o poeta escolheu ser poeta?

 O poeta, aquele que ri da dor, não escolheu ser poeta,
Apenas foi escolhido e por quais razões, ainda não sei.
Carregar na alma a chama imaculada da poesia, acesa
É entregar-se a fazer versos por obrigação da natureza

Não há que se dizer que o poeta, como poeta não nasceu
Foi-lhe dado o dom divino. E a quem se pode perguntar
Porque as palavras, lhes são tão submissas e tão cativas
Porque lhes é permitido ao mesmo tempo sorrir e chorar?

Fazem poesias com prantos, lhes dando brilho ao olhar,
Gritam no silêncio e enchem o vazio só com um sonhar
Misturam tristeza e solidão num verso que fala de amar

Não há de se dizer que o poeta, como poeta não nasceu.
Ao poeta foi dada a poesia talvez desde antes do nascer
Se quiserem perguntar, perguntem: Quem a ele escolheu?

José João
17/06/2.026

Um dia o amar será assim

A mim não importa que venham os prantos,
Vou amar como nunca ninguém ainda amou,
Vou fazer orações divinas com o nome dela, 
Que os anjos, alegres, comigo cantem por ela

Vou amar tanto, que da razão farei brinquedo
Farei que, para viver, só amar seja preciso
Esculpir nas nuvens sua imagem consagrada
E que lhe seja dada uma beleza santificada

Vou amar, mas tanto, que me porei a seus pés
E em perene oração irei jurar para a eternidade
Todo esse amor que da vida, será a maior verdade.

Tanto assim será que as palavras se farão pequenas
Que o olhar se fará um grito que só alma sabe gritar
Tanto será o amor que só outra alma saberá escutar

José João
17/06/2.026

Haverá sempre uma nova saudade para sentir

 Lá, por trás das flores, muito além do montes, 
O horizonte, distante e belo, convida a sonhar,
Buscar saudades, que talvez venham com prantos
Mas sempre a saudade do que foi belo faz chorar

O pensamento, solto no tempo, busca momentos
Que de tão divinos a alma guarda em segredo,
Esconde do esquecer para sempre estarem vivos
E a eles um coração, agora carente, fica cativo

Lá por trás das flores, muito além dos montes,
Aquele horizonte distante, em divino silêncio,
Um dia fará que lembre o que ainda não vivi?

A saudade sempre lembra a beleza que existiu,
Mas a alma sempre vai buscando novo existir
Quem sabe aqui chore outra saudade que senti?

José João
17/06/2.026

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Amigos de todos os dias

 Amigos, os tenho e são muitos. Deles posso falar,
Amigos que há quarenta anos somos nós dois em um
Paixões que acontecidas, amantes para toda vida
Meu primeiro alimento é ela, minha querida glicazida

Logo após me vem o outro, sorrindo como menino
Meu querido succinato, grande irmão metroplol
Esse de mim toma conta, como se fosse um irmão
Cuidadoso e com carinho cuida do meu coração

Também não posso esquecer dos amigos do almoço
Me fazem fiel companhia, o somalgin e o glivage
O primeiro sempre atento a afinar o meu sangue
O outro me trata o açúcar desde do pé até o pescoço

Esses são meus amigos, a eles devo muitos favores,
Outra amante, rosuvastantina, sempre na minha mente
Cuida para que continue sem gordura ruim por dentro
Amigos e amantes por toda vida mas não aconselho que tente

José João
15/06/2.026

Amor! Sempre o mesmo roteiro.

Quando falam de amor, ouço em silêncio e calo
Que poderia dizer, do que não conheço, não falo
Pra mim o amor é uma loucura dessas que dói
E só tristeza, solidão e saudade é o que constrói

Nunca consegui ver-me sentindo esse tal de amor,
Que nos rastros, quando se vai, se ver um tremor,
Que na voz deixa sonoras reticências e mudez
Dores que a alma sente, quase todas de uma vez

Nunca entendi esse tal de amor, nem o que faz,
Quando se vai só deixa saudade, vazios e prantos
E quando se pensa curado, vêm outras coisas mais

Não falo desse tal de amor, calo e até dele corro
O que pode importar algo que é tão passageio
Até os sonhos de amor sempre têm o mesmo roteiro

José João
14/06/2.026

domingo, 14 de junho de 2026

A poesia! Vai muito além da imaginação!

 Minha vida! Uma história que não sei como contar.
Alguns momentos brindados com doce champanhe, 
Outros, brindados entre  lágrimas e tantos prantos
Que me fazem sentir na alma o que não quero falar

Quantos sonhos vivendo histórias de amor infindo!
Beijando lábios perfumados como se fossem flores,
Acariciando rostos que pareciam fino e macio veludo
A vida, como eterno sonho, se fazia bem mais que tudo

Viajei entre planetas, fiz imagens de mim mesmo,
Corri entre jardins, atravessei rios, corri pelos campos,
Um dia fui escravo, num outro fui um majestoso lorde
Fazia poesias para um rei que me deu um titulo de nobre

Minha vida, devaneios cheios de sonhos mentirosos,
Vi um rosário de ouro no céu com as contas de estrelas.
Num lugar, muito distante, a beleza única de dois sois
Nessa loucura pergunto: alguém sabe quem somos nós?

Mergulhei em mares distantes, com praias no horizonte,
E nadei com um amigo que eu nem conhecia, chegamos.
Fiquei na praia, ele voltou, parecia que o mar era seu,
Essas minhas mentiras! Perguntem, que mentiroso sou eu?

Mas fui um escravo que fazia versos, assim me vi um dia,
Um lorde que foi poeta, que escreveu a vida em versos,
Que se viu um dia deitado e livre flutuando outro viver
Que permanece acordado, brincando ainda de escrever

Sou quem, em leve sono, recorda lugares onde nunca foi,
Sou quem beijou lábios de damas que só em sonhos eu vi
Que viveu histórias, fantasias ou mentiras, ao certo não sei
Também não sei  se tudo foi um sonho ou se mesmo vivi!

José João
13/06/2.026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

As coisas que escrevo.

Nem sempre são minhas as coisas que escrevo
As vezes empresto minhas lágrimas para alguém,
Por vezes alguém, a mim, empresta suas lágrimas
Para a poesia  basta ter e... não pergunta de quem

Quantas vezes chorei dores que não eram minhas!
Gritei, em silêncio, saudades que nem sabia sentir,
Molhei os versos com prantos paridos do nada
Pensavam ser minha a dor mas era apenas um fingir

As vezes fingir é preciso, mas tem que saber fingir,
Senão fica maior que a dor que se tem medo de sentir
Aprender, mesmo com a alma chorando, saber sorrir 

Aprendi, desde muito, assim são as coisas que escrevo,
Se são meus os prantos ou se são prantos que emprestei!
Ou foi emprestado, o pranto que aqui, agora, chorei?

José João
08/06/2.026

Brincando de voar

Por sobre o tempo, espaço infindo, me permiti sonhar,
Brinquei de desenhar, com nuvens, meus tantos desejos.
Busquei pensamentos distantes, sonhos não sonhados,
Os que já sonhei, palavras não ditas, beijos guardados.

Sobre as nuvens, num horizonte que parecia bem ali
O sol pintava o tempo com cores que não se sabe dizer,
Esculturas, como feitas por mãos divinas... brilhavam,
Se faziam pedaços de um céu convidando para viver

Disperso, como se visse um sonho vivo, me fiz ouvinte
De um silêncio que contava minhas dores e saudades,
Contava tristezas que pensava desde muito, esquecidas

Olhava o quase não passar do tempo, brincando de voar,
Recordações se faziam histórias povoando o pensamento, 
A se misturarem com as vontades  ainda não acontecidas

José João
08/06/2.026