terça-feira, 24 de março de 2026

Preencher vazios... ninguém merece.

 
Meus vazios!! Não quero ninguém a preenche-los,
Se alguém a mim vier será em só um seu o espaço
Preencher vazios, quem o merece? É minha a culpa
Então, por justiça, que lhe dê um outro cômodo pedaço

Perdi tempo, perdi saudades e o vazio em mim chegou
Que agora eu me permita de fazê-lo ir-se, desaparecer
Para, no mais confortável de mim, habite quem me queira
Que eu, pleno, sem mágoas, possa me entregar e receber

Se já não quero, sozinho, ir por aí chorando velhas dores
Que me banhe, ainda que seja nas lágrimas que já chorei,
Mas que fique repleto de mim, sem vazios e sem favores

Assim, haverei de ver-me a encontrar espaço na alma
Acolher ternamente, em doce afago, quem em mim chegar
E entregar-me todo, sem nem lembranças para lembrar. 

 José João
24/03/2.026

Essa distância que nos une tanto!

 Te amo... mesmo assim, estando tão distante.
Não tenho o compromisso da pressa de chegar
Te sonho hoje, amanhã, depois, por toda hora
Ah! Essa distância! Que só em te me faz sonhar!

Te amo sem nenhuma pressa, te amo, por te amar
Não corro para te encontrar, visto que já estás aqui
Não tenho hora para ir, nem tu tens hora para vir
Assim, agradeço a distância que só a te me faz sentir

Minha alma está contigo como se estivesses comigo,
Aqui gora. Te sinto como fossemos nós em mim,
É a distância que nos une como fosse nosso abrigo

Te amo, mesmo estando aqui, a ver-te em sonhos
Por ele te envio flores e nelas sinta meu perfume
Que o teu, vem dentro da saudade que a te me une.

José João
24/03/2.026

Quem é você? Um dia me perguntaram e...

  Quem é você? Um dia me perguntaram...eu sou...
Não sei... sou tantos, sou um escravo que fugiu
Sou um poeta que em sonhos fez infinitas poesias
Sou quem chora a dor alheia apenas por cortesia

Um pedaço do universo que não sabe de onde veio
Que nasceu homem cheio de infinitas fantasias
Sou o ego que me diz ser rei e diz que nunca errei
Até diz que eu não peco, mesmo rezando heresias.

Sou o que dizem que sou, embora não saiba ser,
Sou o que não sou, mas dizem que sou, eu não sei
Não sei se já fui mendigo pedindo amor por aí
Como castigo pelo tanto ter e não dar... paguei

Quem sou finalmente? O que querem que eu seja?
Me veja como quiser, mas eu sou o que não sei.
Me conheci mais pelo espelho, nele vi minha orelha
Raspei a cabeça para contar os fios de cabelo, falhei.

O que dizem de mim, as vezes, é só invenção, mentira
O que não dizem de mim, isso talvez fosse verdade
Se finjo para não chorar ou se choro para não sorrir
Qualquer que seja a verdade, todos dirão que menti

José João
24/03/2.026

segunda-feira, 23 de março de 2026

Agora vou escrever poesias só com lágrimas

 Não vou mais escrever poesias com palavras,
Elas são tão comuns, vou escrever poesias com lágrimas.
São mais eloquentes, são límpidas, são transparentes,
Parecem pedaços de diamantes lapidados na alma,
Falam mais alto, gritam mais verdades. As palavras...
São tão comuns... se fazem tão poucas. As lágrimas,
Elas não, elas gritam alto... despertam o querer sentir,
E dizem tudo o que a alma gostaria de dizer.
Vou escrever minhas poesias agora só com lágrimas,
Elas parecem flores perfumando o tempo... correndo,
Gritando as coisas que sentem, a poesia fica mais terna.
Até a saudade fica mais bonita se escrita em lágrimas.

José João
23/03/2.026

Te amo... sem te conhecer

 Amar-te é, de mim, fazer-me teu sem que nem saibas
E que importa que não saibas se é o meu amor a doar-se
Sem nada pedir, seria amar por somente amar, apenas isso
Então te amo e a mm não importa que não saibas disso

Te amo por apenas te amar, se  te conheço? Não importa!
Mas sinto essa vontade na alma e assim me entrego todo
Te faço de sonhos completos, repletos e plenos de nós dois
Embora nem saibas que existo mas, juro, tenho-te a rogo.

Amar por amar, é uma oração que apenas os amantes rezam
Não esses amantes que perto, mão dadas, dizem: te amo
Mas aqueles que não precisam conhecer e assim se entregam

Sou desses que o tempo se faz de transporte, e sem rumo vai,
Que ama por apenas amar, afinal, amar é o mesmo que viver
Por isso amar pra mim é fácil, te amo, mesmo sem te conhecer

José João
23/03/2.026

sábado, 21 de março de 2026

"A última flor do Lácio, inculta e bela"

Um dia, um poeta, num livre expressar-se, disse:
"A última flor do Lácio, inculta e bela". E a flor!
Se fez forte, se fez altiva e, talvez ... a mais bela
Do vulgar passou a ser, do saber, uma larga janela 

Caminha pelo mundo brincando de fazer história
De fazer-se quase sem tradução, tão rica lhe fizeram!
E se faz bouquet de palavras, única nessa condição
Que brinca nos dicionários por não lhe haver tradução

E a flor do Lácio, mesmo inculta mas sonora e bela
É a única que diz ao mundo o sentir de uma verdade
Que no mundo, toda alma sente, mas apenas ela
Tem a palavra única de dizer que isso é... saudade

Agora chegam, da luz da ignorância, pobres parvos
Que, por natureza, são ignavos seres que, indolentes
Se vestem de trapos literários de uma estupidez gritante
De quem, por doutrinação, que matar uma língua pujante

Que se há de fazer ante tão grande e pesado fardo
Que tanto pesa nos ombros dos verdadeiros literatos?
Estarão em estertores aqueles que tanto nos ensinaram
E que honrosamente esse belo legado a nós deixaram?

Que a última flor do Lácio, inculta e bela, permaneça
Como luz a fazer-se em belas, ternas e doces poesias 
Que os incultos se dobrem à vontade dessa gigante
E que sucumbam os disparates desses tantos ignorantes.

José João
21/03/2.026