terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Eu!? Quero apenas entrar em teu coração

 Vim de tão longe! Caminhei entre rios, estrelas
Fiz caminhos entre jardins, não deixei marcas...
Apenas trouxe o perfume das flores que beijei
E vou deixando poemas pelos lugares que passei

Já escrevi versos nas nuvens, contando de mim,
No tempo, contando histórias que há muito vivi
Deixei rascunhos nos prateados raios de luar,
Agora escrevo a esmo indo de lugar em lugar

Talvez assim, quem sabe, possa dizer ao mundo
O que ainda tenho para dizer, para fazer acontecer,
Não quero aplausos apenas ser ouvido na leitura
Sim, ouvido, porque ler é escutar a arte de viver

Amei! Amei como um louco ama sem nem saber.
Me entreguei assim como se entregam os amantes
Sem medo dos amanhãs, nem do que seja dor
Amei tanto e chorei que do pranto fiz... diamantes

Hoje, ando sem rumo por aí, entre estrelas e jardins,
Entre sonhos e fantasias, fazendo o que se pode fazer
Indo de coração em coração despertando para vida  
Despertando almas, deixando poesias... dentro de você

José João
10/02/2.026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Esses meus sonhos!!

 Nos meus sonhos, um rio de luar se deitava no chão
Como mansas águas a se fazerem silenciosa poesia,
Fazendo buscar saudades antigas, nunca esquecidas,
A noite, quase sem ser noite, se fazia iluminada fantasia

Dormir, pela tanta beleza viva, era como fosse heresia
Quão belo era o deitar-se do luar a iluminar o tempo!
E a brisa, a voltear mansa, sussurrando doce melodia
Fazia do mundo um sonho, caminhando em passo lento

As folhas, enquanto as flores dormiam, se faziam vivas
Dançavam, sonolentas, acariciadas pela brisa carinhosa,
Parecia lhes sussurrar no ouvido o que só elas entendiam,
Suas sombras dançavam na relva uma dança tão graciosa!!

No meu sonho, me deitava sobre um curioso raio de luar
Que me perguntava se eu conhecia as estrelas cadentes,
Perguntava quem eu era, o que fazia, até se eu escrevia.
- Se escreves, faz para minha estrela cadente uma poesia

José João
09/02/2.026

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Um caderno de presente.

Um dia me deram um caderno. Sim, um caderno!
E disseram: Escreva aí seus poemas, seus momentos.
Ora mas... num caderno, escrever pedaços de mim?
Mas pensei, meus prantos nas páginas seriam eternos

Quem melhor poderia falar de mim que as lágrimas
Deixadas num papel?! Que mais bela poesia teria?
Uma lágrima bem no meio da página, apenas ela
Mostrando toda a nudez da alma em inocente poesia!

Sentei, o caderno aberto em minha frente, passivo,
Voei no tempo, buscando as saudades mais antigas,
Aquelas a quem alma e coração estão sempre cativos
Lentamente... as lágrimas vieram como velhas amigas

Caiam dos olhos como  pedaços completos de mim
Escrevendo a poesia com um sentido triste mas... terno
Uma, duas, três... tantas que uma folha se fez pouca
Mas a poesia se fez plena. Que presente! Foi esse caderno!!

José João
08/02/2.026


E se juntasse ilusões e fantasias?

 Não sei mais de mim, acho que me perdi,
Tantos foram os sonhos mal sonhados,
Tantas foram as ilusões que a verdade se foi,
Fiquei perdido do que ainda não vivi

Tempo!! Não sei, os amanhãs encurtaram,
Correr atrás de sonhos novos... vale a pena?
Talvez se remendasse meus pequenos pedaços
Essa minha dor de agora fosse mais amena.

Quem sabe se nas poesias fingidas que escrevi
Contando histórias que nem sabia de quem
Talvez tirasse retalhos para que pudesse sentir,
Mas os sonhos mal sonhados sempre veem.

Será que se juntasse as ilusões e as fantasias,
Se costurasse com pedaços antigos de mim
E escrevesse, mesmo em prantos, uma poesia,
Será que essa dor ainda doeria tanto assim?

José João
08/02/2.026

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Não foi como a saudade de ontem...

 Ontem minha saudade era diferente dessa de agora
Não tinha lágrimas, nem história, só tinha o tempo.
A saudade de ontem não tinha rosto, não tinha nome...
Uma página rota em que não tinha nem sobrenome

A saudade de ontem escreveria em apenas um verso 
Afinal era uma dessas saudades que nem nome tinha
Que quase não se percebe, nem sei se era saudade 
Ou uma fantasia triste, cheia de vazios, sem verdade

A saudade de hoje é diferente, não caberia num verso,
Uma saudade completa, com rosto, nome e sobrenome
Feito uma história infinda como fosse um universo

Dessas em que o pranto se faz fonte, molha o rosto,
Faz cicatriz na alma, faz que se sinta dor sem querer
É uma saudade diferente, que fica enquanto se viver

José João
07/02/2.026

Por trás da poesia...

 Hoje, não quero saber de tristezas, nem... ser poeta
Eles têm a mania de contar saudades, doídas e tristes
Até convidei a tristeza para vir tomar café comigo
Lhe contei tantas piadas, ela ria, fiquei seu amigo

Fiz a tristeza ficar alegre, ela até chorou de alegria
Também me contou piadas e ela sabe de algumas
Aquela da saudade, que não era saudade era fantasia
Ela, a tristeza, contava as piadas e ela mesma ria

Até fofocamos um pouco, a tristeza sabe de coisas!!
Contou segredos da solidão que, juro, nem eu sabia
Disse que algumas vezes alguém quer sonhar sozinho
E ela vem, ardilosa, matreira, chegando de mansinho

Pois é, fiz a tristeza rir, contar coisas que não sabia
Até ficamos de nos encontrar eu, ela e a alegria
Agora, convencer essa a se encontrar com a tristeza...
Mas um encontro informal, sem poetas e nem poesia

A tristeza, num surto, deu altas e gostosas gargalhadas
Acreditem, quase nem conseguia respirar de tanto rir,
Me olhava e ria. Via nela um semblante descontraído 
Ela disse: Nunca tinha feito isso, que bom ter aprendido!!

José João
07/02/2.026