quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Só... mas não tão sozinho.

Não vou pedir amor, ficar mendigo de migalhas.
                         Estender as mãos pedindo restos. Não, não faço.
Não vou mendigar um pedaço de olhar perdido,
Que nem foi pra mim, nem vou pedir restos
De palavras que ficaram perdidas, soltas no tempo
Sem que  ninguém quisesse ouvir. Prefiro estar só.
Tenho minhas lágrimas que, carinhosamente,
Afagam meu rosto nos momentos mais tristes,
Minhas mãos que acariciam minha fronte
Quando meus pensamentos se vestem de loucura,
Minha voz, mesmo reticente, cheia de soluços,
Sussurra canções que o tempo me traz e me perco
A ouvi-las com a alma... cheia de encantamento,
E meus olhos! Mesmo lacrimejantes, indo buscar
Sonhos que nunca sonhei, indo buscar imagens
Que a esperança pinta pra mim em tons de verde.
E, finalmente, uma saudade, mesmo de quem não sei,
Mas se veste de senhora, elegante, vestido longo,
Branco, esvoaçando ao vento, cabelos brincando
De dançar com a brisa, sorrindo como se dissesse:
Te amo. Assim...não vou pedir migalhas...
Mesmo estando só...mas não tão sozinho.

José João
04/02/2.026

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dois poemas

 -  Dou-me a pensar na beleza da poesia!
 Primavera é uma poesia, colorida e bela
 O que, com doce inocência, ela diz nos versos?
 Pintada por meigas mãos divinas de um artista
-   Indo até onde o pensamento alcança, e mais
  Assim, são primavera e poesia, duas orações
-  São também ladainhas rezadas pelos corações

-  Poemas ou poesias... palavras e emoções
Pétalas em rimas coloridas a gosto por um artesão
-  O que, a mim importa? Palavras veem da alma
E enfeitando a imaginação dos gentis amantes
-  E as duas, juntas, se fazem apenas um despertar
Que às suas amadas oferecem belas flores e poesias
- Maior que apenas ser... mais que apenas estar
É fazer-se presente num coração disponível para amar
Assim, muito além do tempo vai a poesia
E vão, poesia e primavera sempre fazendo lembrar
Sem se importar com tempo vão... fazendo sonhar

José João
02/02/2.026

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O silêncio... parece um pedacinho do céu,

 Ah! O silêncio!! Parece ser um pedacinho do céu!
Onde você ouve com a alma o que ninguém pode falar,
Até sua imaginação criar um canto de inspiração divina
Que vem com inocentes sonhos que só você pode sonhar

No silêncio, você dorme como criança e até ri sozinho
Faz o que quiser, o silêncio dá a liberdade de ser você
De voar por horizontes distantes, apenas contigo mesmo
Voltear no tempo, rindo por rir, indo sem pressa, a esmo

O lugar mais perfeito, só você sabe o que faz e onde está
Esse silêncio! um lugar belo, cheio de coisas, todas suas
E nele cabe tudo que se quer dizer, sentir e até sonhar

Ele é mudo, só te ouve, sem que precises de palavras,
Sereno, paciente, sempre gentil deixa que fales a vontade
Faz ouças a te mesmo, por isso te mostra tua própria verdade

José João
30/01/2.026




O silêncio como voz e lugar para nós dois

 Senta aqui, ouve comigo o silêncio de nós dois.
Deixe que ele nos fale de nós para nossas almas,
Elas entendem o que é dito sem precisar palavras
Apenas ouve o silêncio contando o antes e o depois

Senta aqui, pertinho, no colo dessa tamanha saudade
Que a mim faz parecer que é de ontem essa ausência
Até o perfume ela traz como se estivesses bem aqui
Dando a certeza de que sejas a minha maior verdade

Deixa que o silêncio grite por nós nossas vontades,
Que se faça eco em nossos corações, que a distância,
Ou o tempo faça, de nós, história para a eternidade

Onde estamos? Juntinhos, embora não estejas aqui,
Mas que pode haver, no universo, mais forte que amar?
O silêncio se faz voz e lugar para podermos, juntos, ficar

José João
29/01/2.026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A alma ouve a voz do silêncio

Como as palavras atrapalham a voz do silêncio!!
Não se pode ouvir sua meiga voz nos falando na alma,
Não se pode ouvir as canções que o pensamento canta
Dessas que entram no coração e à tristeza ela espanta!

Deixem-me ouvir meu silêncio como fosse um oração,
Como fosse silencioso clamor pedindo o que nem sei,
Sonhando com verdades que ainda não foram vividas
Ou fazer do silêncio ladainha rezando pelo que pequei

Vendo os pássaros em volteios no silêncio do espaço
Sentindo o perfume das flores silenciosamente indo,
Sem alarde, mostrando o perfume num espaço infindo

Palavras, só quando for preciso escutar com o ouvido
Coisas banais que quem está só não tem porque dizer
A alma ouve a voz do silêncio. Ouvir palavras? Duvido

José João
29/01/2.026 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

No silêncio do entardecer.

 Caminhando no silêncio de um colorido entardecer
Em que o pôr do sol parecia uma gravura sem matriz
E o tempo, se deitava sonolento, no quase anoitecer
Dando, à beleza do momento, um leve brilho de verniz

O dia andava lento, sem pressa, como sabendo onde ir
E eu, caminhando atento, ao cantar silencioso da tarde
Que mudava de cor mas se fazia docemente perfumada
Parecia um sonho, desses que a alma sonha acordada

 Momento perfeito para sentir o gosto de uma saudade,
Para sentir o sal do pranto temperando cada sussurro
Como se esse gosto fosse a confissão de uma verdade

Os olhos fechados veem detalhes ainda não esquecidos,
O vento no rosto parece carícias um dia tanto sentidas 
Aí a alma chora pelas tantas emoções um dia vividas

José João
27/01/2.025