quarta-feira, 8 de julho de 2026

Não sei mais...

 Não sei mais brincar com a flores, sentir o perfume,
Não sei mais sentir o pratear do luar sobre os jardins,
Não vejo mais beleza no valsar das sombras no chão
Não sei mais deitar na relva ouvido coisas do coração

Perdi o contar do tempo pelos ontens, hoje a amanhãs,
Ficaram iguais, como se solidão e vazio se fizessem dia,
Perdi o sabor do vento, e assim desaprendi dizer: te amo
Sei, agora, murmurar palavras sem calor, palavras frias.

O horizonte, lá no fim da tarde, já não é mais poesia,
A lentidão das horas, cruzando a solidão, é irritante,
Até a brisa, que antes se fazia doce de terma carícia
Chega em incoerentes volteios num chegar sufocante

A saudade, que faz se sentir o que aconteceu ontem
Parece que perdeu o prazer de ser, o prazer de lembrar
Então, chega uma angustia gritando desde a alma,
É hora de sentar no tempo, mãos na fronte, e chorar

José João
08/07/2.026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Saudade!! Faz o ontem estar na sua frente.

Dou-me à saudade sem medo do pranto,
Busco momentos na alma para senti-la,
Cuido que estejam vivas as lembranças,
Aí a alma faz que só eu possa ouvi-la

Com o silêncio prazeroso desse encanto
Me entrego a sonhar o que já aconteceu,
Quanto lembrar! Sorrisos, carícias, beijos
Que  fazem sentir de antes o mesmo desejo

Como é bom ter momentos guardados!
Para que um dia se façam de saudade
Gritando que tudo vivido foi verdade

Bendita seja a saudade, faz que vivamos
O que se foi sem nunca se fazer ausente
Como se o passado estivesse bem aí, na frente

José João
05/07/2.026

O som da saudade no silêncio.

 O som da saudade só é ouvido no silêncio,
Quando até o soluço da alma é ouvido,
E o pranto caindo no rosto se faz oração
Aí se ouve a lágrima chorada pelo coração

 Esse silêncio!! Que chora dores e saudades!
Que veste o mundo de mudez por teu respeito,
E fica ali, como se   fosse o dono do tempo
Fazendo que até a dor seja sentida do teu jeito

A saudade não seria saudade sem o silêncio,
Não seria sentida plena se qualquer voz falasse,
Não teria a beleza de uma ternura triste em tua face

Dou-me à saudade, com ela é mais fácil viver,
Faz que momentos possam outra vez acontecer
Faz que a alma guarde o que não se quer esquecer

José João
05/07/2.026

sábado, 4 de julho de 2026

Sempre haverá uma esperança

Vou por aí caminhando comigo, com o que sobrou de mim,
Restos de sonhos, de saudades, só os prantos são muitos.
Lembranças quase esquecidas de momentos um dia vividos,
Alguns adeus que ainda hoje doem, nunca foram esquecidos

Vou, em passos lentos, ouvindo o silencioso eco do silêncio,
Que vem de um vazio cheio do que nunca mais pude sentir,
Uma voz a me dizer o que perdi, mostrando o que é a solidão,
Me acompanha, mas aprendi a chorar sorrindo, aprendi fingir

Vou costurando palavras nas poesias de rimas perdidas,
Cerzindo pedaços de mim nos sentimentos que a alma sente,
Procurando sonhos perdidos, como fossem rezas para rezar
Mas logo percebo, são apenas motivos que me fazem chorar

Meus pés marcam o chão molhado pelo pranto que choro,
As mãos acariciam meu rosto cheio de marcas do tempo,
Os pensamentos se perdem, caducos, nada mais lembram
Ainda assim, a qualquer um: ei, vamos juntos, estou atento

José João
04/07/2.026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando me lembro de mim...

Quando me lembro de mim, sempre choro.
Lembro os momentos divinos por mim vividos.
Lembranças de beijos com o gosto doce de amor
Coração pulsando forte, a quase perda dos sentidos!

A razão gritando, alegre, sua própria loucura...
As mãos tremendo, a voz sussurrando baixinho
Deixando que os olhos marejados gritassem alto
A beleza do sentir a vida florir em inocente ternura

Ah! Quando lembro de mim!! Me perco no tempo,
Me vejo entre risos, doces carícias, ternos acenos
Que diziam "até logo" com lenços de seda bordados 
Balançando em delicadas mãos num acenar sereno.

Uma fonte cantava o que o que só se sabia sentir,
Olhos nos olhos, mãos que diziam do tanto amar,
Um silencioso confessar do que sentia cada alma,
A inocência de um beijo como só a alma sabe beijar.

Quando me lembro de mim, me vem o pranto.
Hoje me pergunto quem sou, não tenho resposta,
Talvez tenha vivido em outro lugar...  num sonho...
Tão real, sinto na alma, e a esse sentir não me oponho

José João
02/07/2.026

domingo, 28 de junho de 2026

As cartas emudeceram.

Até ontem tinha as cartas, já amareladas, letras sumidas,
Ainda diziam o que um dia foi tão gostoso de ouvir,
Tinham os beijos que faziam a alma torcer-se de saudade,
As promessas que, nas cartas, se faziam de doces verdades.

Todas estavam guardadas, algumas manchadas de pranto,
Quando a insônia me tomava, ia busca-las para estar contigo,
E no silêncio da noite bebia as palavras... as lágrimas vinham,
Aí então o coração pulsava mais forte, assim, te sentia comigo

Estavam amarradas com aquela fita que escreveste: te amo.
Não lembro mais quantas noites elas me fizeram sonhar,
Lia uma por uma, sentia cada palavra que me faziam sorrir
Mas se era muita saudade, muitas vezes me fizeram chorar

Hoje, não fez mais sentido guarda-las, não havia mais razão,
O adeus dito naquela última carta doeu muito, doeu demais,
Matou sonhos, matou saudades, os sorrisos se foram por aí...
Só ficou mesmo o silêncio, as cartas, mudas, não falam mais 

José João
28/06/2.026 

A única. Sem par no universo!

 ... Se meus pecados forem tantos por tanto amar-te,
Que hei de fazer? És maior que qualquer razão,
O universo se dobraria e só Deus é maior que tanto
Até os anjos louvam com orações esse todo encanto!

Dou-me a ti em ladainhas rezadas com teu nome,
Rezas que a alma cria em versos a fazer-te poesia
E se pecado for, que a mim me seja dado perdão
Quero apenas fazer-te oração sem nenhuma heresia

Te dar, a meu gosto, um olhar com brilho de estrelas,
Te  fazer que as flores invejem esse teu doce perfume,
Que sintam-se pequenas! Coitadas! não é o meu intento,
Mas por ti, o perfume delas, sei, é apenas um queixume

Até pedi que anjos me fizessem artesão de moldar nuvens,
Que me dessem espátulas e cinzéis com a magia de criar
Para nelas esculpir teu rosto, olhos inocentes de criança,
Rosto angelical, moldado por longos cabelos cor de luar.

Ah! Te fiz assim! Até dizem não existir poesia perfeita,
Mas... poesia de palavras, que são poucas e pouco dizem.
Mas não és uma poesia escrita com rimas no fim do verso
És a doçura mágica, dessas que não existe par no universo

José João
28/06/2.026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Até já nem sei se é destino ou castigo.

 Andar sozinho com a solidão te afagando a alma,
Buscar sonhos perdidos ou que nunca aconteceram,
Provar o sabor do pranto chorado por tantas saudades
É ter a certeza de ter vivido, ter vivido de verdade.

Não há de ser vida, uma vida sem sonhos perdidos,
Sem prantos chorando saudades de momentos idos,
De vazios quando se sente uma presença tão ausente
Que se foi sem ir, que insiste em ficar dentro da gente

Há de a solidão ser apenas um grito que não se ouve,
Que a tristeza seja apenas uma febre na alma doente
Que se perdeu dos sonhos e agora se vê tão carente

Ando pela vida ouvindo o eco de gritos que não gritei
Um vazio que parece o mundo sem se importar comigo,
Ninguém me ouve e já nem sei se é destino ou se é castigo

José João
19/06/2.026