quarta-feira, 22 de julho de 2026

Assim como o rio...

 Lá vai o rio, correndo mudo, sussurrando aos gritos,
Talvez uma oração, que só ele sabe o que quer dizer,
Se é ladainha, um cantar triste, um cantar dos aflitos
Mas apenas para ouvir, sentir, o que não se pode ver

Talvez, quem sabe, vá chorando triste, um sonoro não
Da flor que da margem o via e com ele não quis seguir
Preferiu os lírios que lhes perfumavam todos os dias
Que seguir incerta, um lugar para onde não queria ir

Como o  rio, que nem o eco do seu grito pode ouvir,
Sou eu, que vou cantando com a triste voz do pranto
Um adeus dito, desses que o grito é um triste sentir
A tristeza dos amanhãs, agora sem nenhum encanto

Vai o rio margeado por pontiagudas pedras geladas
Que nada dizem a não ser da frieza do silêncio atroz
Da flor, que apenas ficou e nada disse, fez-se muda
Assim também um dia ouvi, um adeus dito sem voz.

José João
22/07/2.026

Como posso ser poeta se...

 ... É dos poetas a doce luz divina a lhes dar inspiração,
A fazer que simples palavras lhes saiam do coração,
Feito melodia, canto angelical, ou até mesmo oração
Como fosse de um divino aos pecados lhe dar perdão.

... Se é dos poetas a dádiva de uma alma assaz carente,
De tudo que a poesia possa se fazer, a ele foi permitido,
Costurar prantos, saudades, risos, num mesmo verso
E cerzir num sorriso inocente a dor do adeus mais doído

Como posso ser poeta? Se não sei dar riso ao pranto!?
Se nas angustias já vividas, nelas esqueci o que é viver?
Como posso ser poeta se perdi, do mundo, o encanto?
Perdido em tantos vazios, não me permitiram aprender

Como posso ser poeta?! Não sei nem contar da agonia
Que por vezes inspira versos contando fingidas mentiras!
Só os poetas sabem e, com maestria, mentir sem pecar
Sabem fazer de suas histórias, divinas orações e rezar.

As vezes escrevo alguns versos pelo prazer de me ouvir
Contar sonhos, contar fantasias, como sonolento delírio,
Como fosse uma estrada por onde de mim posso fugir.
Como ser poeta?! Se nem para contar mentiras, sei mentir?

José João
22/07/2.026

terça-feira, 21 de julho de 2026

Só sei escrever o que sinto

Não sei ser poeta de escrever coisas bonitas ou... tristes,
Apenas escrevo o que sinto. Deixo que alma se faça alma
Com todas suas saudades, sorrisos, cicatrizes e até sonhos,
Que conte o que sente, chore seus prantos, não me oponho

Dela, sou apenas provedor de lágrimas, de quantas precise,
As vezes de prantos, quando ela precisa chorar dor maior,
Dores de adeus, até quase esquecidos e chegam de repente
Choro com os olhos, com palavras, com o que seja melhor

Na poesia, choro com as rimas soltas no fim de cada verso,
Não me preocupa a métrica, importa apenas a medida certa,
Das lágrimas ou do pranto de cada sentir que vou chorar,
Versos longos, versos curtos, do tamanho que a dor chegar

Sei também ser poeta de fingir ser dor a dor que a alma sente,
De mentir quando é preciso chorar e chorar fingindo chorar
Sei até falar a verdade se não me for possível falar sem mentir.
Não sei ser poeta de poesia que chora uma dor fingindo fingir

José João
21/07/2.026


Perfume a alma que ela será ouvida

 Gritar! Minha alma gritou em desesperado grito,
O pranto jorrou dos olhos como água pura da fonte
O coração pulsou como pulsam as estrelas cadentes
E ninguém ouviu, então ele se pôs num pulsar aflito

Depois, soluçando, assim como soluça uma criança
A alma se pôs em silêncio, os gritos não tiveram voz,
Perguntou-se então, o que fazer para que me ouçam?
Porque os gritos se perdem, será o silêncio um algoz?

Viu, num jardim florido, as flores em contrito silêncio,
Mas, percebidas desde longe, antes mesmo da beleza.
Ao perguntar-se porquê? Veio a inconcebível resposta
Quase não acredita, ao ser tomada por tanta surpresa

O perfume da flores é um sussurro mais alto que o grito
É um silencioso murmúrio que quase faz o tempo parar
No seu quase silêncio, as flores falam todo o seu sentir.
Com o murmurar do perfume as flores se fazem "ouvir".

José João
21/07/2.026

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Murmurar... é mais poderoso que gritar.

Correr entre as próprias sombras que ficaram no tempo.
Murmurando prantos, muito mais poderoso que gritar
Quando não se tem palavras para contar a tanta tristeza
Que toma a alma e faz que ela possa apenas... chorar

Deixar que as lágrimas se façam palavras choradas,
Num sussurro estridente, que se vai, deixando ecos
A serem ouvidos quando também o coração chora
Aí, até a tristeza, por pena, se faz de sua namorada

Lhe acalenta, conta histórias que a solidão contou,
Faz que ilusões se façam sonhos a serem sonhados,
Faz de fantasias, verdades nunca antes acontecidas
Até deixa que sorrisos se façam de lágrimas fingidas

É quando, lá de longe, chega uma saudade antiga,
Quase esquecida, não fosse costurada na memória,
Contando apenas pedaços do que se viveu um dia
Confundindo tempo, verdades, quase outra história

José João
15/07/2.026

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Poesia! A maneira mais bela de fingir.

Poesia! Escreve sonhos como se fossem verdades,
Desenha os prantos da alma como fossem sorrisos,
Sorrir com lágrimas nos olhos dizendo ser alegria,
Inventando outra maneira para chorar suas saudades

Poesia, a maneira mais bela que se tem para fingir,
De mentir sem medo de pecar, de chorar sem temor,
De se mostrar bem maior que qualquer vazio ou dor,
De sentir a dor do mais cruel adeus e... ainda sorrir

Qual beleza é maior que fazer versos rimando pranto
Com solidão, lembranças alegres que agora são tristes?
Qual beleza haveria de ser mais bela que uma lembrança
Que até hoje se faz verdade, se faz vida, se faz encanto?

Só a poesia para fazer do improvável uma verdade crua.
Escreve sem rimas o que a alma chora e no fim do verso...
Completa com um sonho que ninguém nunca sonhou
Costurando neles pedaços de prantos que na alma sobrou 

José João
13/07/2.026

domingo, 12 de julho de 2026

A poesia não quis dizer o que alma e coração sentiam

Hoje, as palavras se foram, se perderam por aí,
Se esconderam no silêncio como fossem mudas,
Não sei o porquê, elas sempre estavam aqui
Sempre disponíveis para contar o que já vivi

Não tinha o fim do verso por não existir poesia
Até as rimas se faziam vazias, de palavras soltas
Como se tudo que fosse dito se fizesse heresia
Gritadas sem ter voz, cerzidas em frases rotas

O pranto se prende nos olhos sem querer chorar
As mãos tremem como se tivessem medo da pena,,
No pensamento, uma saudade que não quis chegar

Não teve poesia, apenas uma vontade de chorar,
Como? Se até as lágrimas, tímidas, se escondiam!?
Então a poesia não disse o que alma e coração sentiam

José João
12/07/2.026

Em qualquer horizonte...


Brincando de me encantar com o pôr-do-sol,
De inventar sonhos que só a alma pode sonhar,
Caminhar sobre o rastro que o sol deixa no mar
Ir, criando ilusões até onde um sonho pode chegar

Ouvir o canto do vento em melodias sussurradas,
Sentir a brisa como fosse terno carinho do tempo,
Caminhar em qualquer direção, só importa seguir,
Haverá sempre um horizonte onde se queira ir

Vou, ouvindo o vento com se ouvir fosse sentir
E, lá longe, onde nunca fui, o pensamento diz
Que deve haver uma nova história para se viver
É ir, sem medo, lá deve haver um novo acontecer

Assim, vou levando comigo fantasias,. saudades, 
Levo sorrisos novos, desejos que sempre guardei
Levo olhares inocentes, cheios de doce ternura
Quem sabe lá encontre o que até agora sonhei?

José João
12/07/2.022

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Minha alma viajante...

 Minha alma viajante vai por aí de horizonte a horizonte,
Escrevendo poesias no tempo, regando flores com pranto,
Pintando o mundo cor de saudade, esculpindo nas nuvens
Um rosto nunca esquecido, terno, doce, de eterno encanto.

Assim vai minha alma, busca estrelas para enfeitar o dia,
As noites já estão cheias delas, é preciso algo diferente,
Fazer que as flores gorjeiem seu perfume em trinados
Mesmo que só possam ouvi-los os amantes, os carentes

Minha alma viajante vai inventando coisas incoerentes
Precisa mudar o pensar, nem só de saudade se pode viver
Solidão não é companhia, o vazio não tem nada pra se ver
Inventar o que ainda não existe é preciso, é fazer acontecer

Por isso minha alma vai por aí, faz artesanato de nuvens,
Pinta pôr-do-sol com lágrimas que chora ou emprestadas
Faz arranjos de tristezas costuradas com risos fingidos
Até faz canções que a alma, mesmo chorando, grita calada

José João
09/07/2.026

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mesmo chorando... eu canto.

 Canto minhas poesias, não que goste de cantar,
Apenas finjo uma alegria que estou longe de sentir.
E se a voz se parece canto, mesmo sendo sussurro
É outra maneira de chorar contando o que já vivi.

Canto como fosse o vento cantarolando sem ter voz,
Apenas um gemido ou um murmúrio sem sentido,
Sem palavras, até mesmo sem nada para dizer
Apenas um contar mudo do que a alma tenha vivido

Não há alegria, só há tristeza, dessas quase infinda,
Como fosse um pássaro... sozinho chorando triste
Pousado, pois até o prazer de voar já não existe

Assim, conto minha história num quase cantar mudo
Em que as palavras se perdem perto de uma  mudez
Mas se não cantasse o silêncio seria uma insensatez.

José João
06/07/2.026

Não sei mais...

 Não sei mais brincar com as flores, sentir o perfume,
Não sei mais sentir o pratear do luar sobre os jardins,
Não vejo mais beleza no valsar das sombras no chão
Não sei mais deitar na relva ouvido coisas do coração

Perdi o contar do tempo pelos ontens, hoje a amanhãs,
Ficaram iguais, como se solidão e vazio se fizessem dia,
Perdi o sabor do vento, e assim desaprendi dizer: te amo
Sei, agora, murmurar palavras sem calor, palavras frias.

O horizonte, lá no fim da tarde, já não é mais poesia,
A lentidão das horas, cruzando a solidão, é irritante,
Até a brisa, que antes se fazia doce de terma carícia
Chega em incoerentes volteios num chegar sufocante

A saudade, que faz se sentir o que aconteceu ontem
Parece que perdeu o prazer de ser, o prazer de lembrar
Então, chega uma angustia gritando desde a alma:
É hora de sentar no tempo, mãos na fronte, e chorar

José João
08/07/2.026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Saudade!! Faz o ontem estar na sua frente.

Dou-me à saudade sem medo do pranto,
Busco momentos na alma para senti-la,
Cuido que estejam vivas as lembranças,
Aí a alma faz que só eu possa ouvi-la

Com o silêncio prazeroso desse encanto
Me entrego a sonhar o que já aconteceu,
Quanto lembrar! Sorrisos, carícias, beijos
Que  fazem sentir de antes o mesmo desejo

Como é bom ter momentos guardados!
Para que um dia se façam de saudade
Gritando que tudo vivido foi verdade

Bendita seja a saudade, faz que vivamos
O que se foi sem nunca se fazer ausente
Como se o passado estivesse bem aí, na frente

José João
05/07/2.026

O som da saudade no silêncio.

 O som da saudade só é ouvido no silêncio,
Quando até o soluço da alma é ouvido,
E o pranto caindo no rosto se faz oração
Aí se ouve a lágrima chorada pelo coração

 Esse silêncio!! Que chora dores e saudades!
Que veste o mundo de mudez por teu respeito,
E fica ali, como se   fosse o dono do tempo
Fazendo que até a dor seja sentida do teu jeito

A saudade não seria saudade sem o silêncio,
Não seria sentida plena se qualquer voz falasse,
Não teria a beleza de uma ternura triste em tua face

Dou-me à saudade, com ela é mais fácil viver,
Faz que momentos possam outra vez acontecer
Faz que a alma guarde o que não se quer esquecer

José João
05/07/2.026

sábado, 4 de julho de 2026

Sempre haverá uma esperança

Vou por aí caminhando comigo, com o que sobrou de mim,
Restos de sonhos, de saudades, só os prantos são muitos.
Lembranças quase esquecidas de momentos um dia vividos,
Alguns adeus que ainda hoje doem, nunca foram esquecidos

Vou, em passos lentos, ouvindo o silencioso eco do silêncio,
Que vem de um vazio cheio do que nunca mais pude sentir,
Uma voz a me dizer o que perdi, mostrando o que é a solidão,
Me acompanha, mas aprendi a chorar sorrindo, aprendi fingir

Vou costurando palavras nas poesias de rimas perdidas,
Cerzindo pedaços de mim nos sentimentos que a alma sente,
Procurando sonhos perdidos, como fossem rezas para rezar
Mas logo percebo, são apenas motivos que me fazem chorar

Meus pés marcam o chão molhado pelo pranto que choro,
As mãos acariciam meu rosto cheio de marcas do tempo,
Os pensamentos se perdem, caducos, nada mais lembram
Ainda assim, a qualquer um: ei, vamos juntos, estou atento

José João
04/07/2.026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando me lembro de mim...

Quando me lembro de mim, sempre choro.
Lembro os momentos divinos por mim vividos.
Lembranças de beijos com o gosto doce de amor
Coração pulsando forte, a quase perda dos sentidos!

A razão gritando, alegre, sua própria loucura...
As mãos tremendo, a voz sussurrando baixinho
Deixando que os olhos marejados gritassem alto
A beleza do sentir a vida florir em inocente ternura

Ah! Quando lembro de mim!! Me perco no tempo,
Me vejo entre risos, doces carícias, ternos acenos
Que diziam "até logo" com lenços de seda bordados 
Balançando em delicadas mãos num acenar sereno.

Uma fonte cantava o que o que só se sabia sentir,
Olhos nos olhos, mãos que diziam do tanto amar,
Um silencioso confessar do que sentia cada alma,
A inocência de um beijo como só a alma sabe beijar.

Quando me lembro de mim, me vem o pranto.
Hoje me pergunto quem sou, não tenho resposta,
Talvez tenha vivido em outro lugar...  num sonho...
Tão real, sinto na alma, e a esse sentir não me oponho

José João
02/07/2.026

domingo, 28 de junho de 2026

As cartas emudeceram.

Até ontem tinha as cartas, já amareladas, letras sumidas,
Ainda diziam o que um dia foi tão gostoso de ouvir,
Tinham os beijos que faziam a alma torcer-se de saudade,
As promessas que, nas cartas, se faziam de doces verdades.

Todas estavam guardadas, algumas manchadas de pranto,
Quando a insônia me tomava, ia busca-las para estar contigo,
E no silêncio da noite bebia as palavras... as lágrimas vinham,
Aí então o coração pulsava mais forte, assim, te sentia comigo

Estavam amarradas com aquela fita que escreveste: te amo.
Não lembro mais quantas noites elas me fizeram sonhar,
Lia uma por uma, sentia cada palavra que me faziam sorrir
Mas se era muita saudade, muitas vezes me fizeram chorar

Hoje, não fez mais sentido guarda-las, não havia mais razão,
O adeus dito naquela última carta doeu muito, doeu demais,
Matou sonhos, matou saudades, os sorrisos se foram por aí...
Só ficou mesmo o silêncio, as cartas, mudas, não falam mais 

José João
28/06/2.026 

A única. Sem par no universo!

 ... Se meus pecados forem tantos por tanto amar-te,
Que hei de fazer? És maior que qualquer razão,
O universo se dobraria e só Deus é maior que tanto
Até os anjos louvam com orações esse todo encanto!

Dou-me a ti em ladainhas rezadas com teu nome,
Rezas que a alma cria em versos a fazer-te poesia
E se pecado for, que a mim me seja dado perdão
Quero apenas fazer-te oração sem nenhuma heresia

Te dar, a meu gosto, um olhar com brilho de estrelas,
Te  fazer que as flores invejem esse teu doce perfume,
Que sintam-se pequenas! Coitadas! não é o meu intento,
Mas por ti, o perfume delas, sei, é apenas um queixume

Até pedi que anjos me fizessem artesão de moldar nuvens,
Que me dessem espátulas e cinzéis com a magia de criar
Para nelas esculpir teu rosto, olhos inocentes de criança,
Rosto angelical, moldado por longos cabelos cor de luar.

Ah! Te fiz assim! Até dizem não existir poesia perfeita,
Mas... poesia de palavras, que são poucas e pouco dizem.
Mas não és uma poesia escrita com rimas no fim do verso
És a doçura mágica, dessas que não existe par no universo

José João
28/06/2.026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Até já nem sei se é destino ou castigo.

 Andar sozinho com a solidão te afagando a alma,
Buscar sonhos perdidos ou que nunca aconteceram,
Provar o sabor do pranto chorado por tantas saudades
É ter a certeza de ter vivido, ter vivido de verdade.

Não há de ser vida, uma vida sem sonhos perdidos,
Sem prantos chorando saudades de momentos idos,
De vazios quando se sente uma presença tão ausente
Que se foi sem ir, que insiste em ficar dentro da gente

Há de a solidão ser apenas um grito que não se ouve,
Que a tristeza seja apenas uma febre na alma doente
Que se perdeu dos sonhos e agora se vê tão carente

Ando pela vida ouvindo o eco de gritos que não gritei
Um vazio que parece o mundo sem se importar comigo,
Ninguém me ouve e já nem sei se é destino ou se é castigo

José João
19/06/2.026

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Será que o poeta escolheu ser poeta?

 O poeta, aquele que ri da dor, não escolheu ser poeta,
Apenas foi escolhido e por quais razões, ainda não sei.
Carregar na alma a chama imaculada da poesia, acesa
É entregar-se a fazer versos por obrigação da natureza

Não há que se dizer que o poeta, como poeta não nasceu
Foi-lhe dado o dom divino. E a quem se pode perguntar
Porque as palavras, lhes são tão submissas e tão cativas
Porque lhes é permitido ao mesmo tempo sorrir e chorar?

Fazem poesias com prantos, lhes dando brilho ao olhar,
Gritam no silêncio e enchem o vazio só com um sonhar
Misturam tristeza e solidão num verso que fala de amar

Não há de se dizer que o poeta, como poeta não nasceu.
Ao poeta foi dada a poesia talvez desde antes do nascer
Se quiserem perguntar, perguntem: Quem a ele escolheu?

José João
17/06/2.026

Um dia o amar será assim

A mim não importa que venham os prantos,
Vou amar como nunca ninguém ainda amou,
Vou fazer orações divinas com o nome dela, 
Que os anjos, alegres, comigo cantem por ela

Vou amar tanto, que da razão farei brinquedo
Farei que, para viver, só amar seja preciso
Esculpir nas nuvens sua imagem consagrada
E que lhe seja dada uma beleza santificada

Vou amar, mas tanto, que me porei a seus pés
E em perene oração irei jurar para a eternidade
Todo esse amor que da vida, será a maior verdade.

Tanto assim será que as palavras se farão pequenas
Que o olhar se fará um grito que só alma sabe gritar
Tanto será o amor que só outra alma saberá escutar

José João
17/06/2.026

Haverá sempre uma nova saudade para sentir

 Lá, por trás das flores, muito além do montes, 
O horizonte, distante e belo, convida a sonhar,
Buscar saudades, que talvez venham com prantos
Mas sempre a saudade do que foi belo faz chorar

O pensamento, solto no tempo, busca momentos
Que de tão divinos a alma guarda em segredo,
Esconde do esquecer para sempre estarem vivos
E a eles um coração, agora carente, fica cativo

Lá por trás das flores, muito além dos montes,
Aquele horizonte distante, em divino silêncio,
Um dia fará que lembre o que ainda não vivi?

A saudade sempre lembra a beleza que existiu,
Mas a alma sempre vai buscando novo existir
Quem sabe aqui chore outra saudade que senti?

José João
17/06/2.026

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Amigos de todos os dias

 Amigos, os tenho e são muitos. Deles posso falar,
Amigos que há quarenta anos somos nós dois em um
Paixões que acontecidas, amantes para toda vida
Meu primeiro alimento é ela, minha querida glicazida

Logo após me vem o outro, sorrindo como menino
Meu querido succinato, grande irmão metroplol
Esse de mim toma conta, como se fosse um irmão
Cuidadoso e com carinho cuida do meu coração

Também não posso esquecer dos amigos do almoço
Me fazem fiel companhia, o somalgin e o glivage
O primeiro sempre atento a afinar o meu sangue
O outro me trata o açúcar desde do pé até o pescoço

Esses são meus amigos, a eles devo muitos favores,
Outra amante, rosuvastantina, sempre na minha mente
Cuida para que continue sem gordura ruim por dentro
Amigos e amantes por toda vida mas não aconselho que tente

José João
15/06/2.026

Amor! Sempre o mesmo roteiro.

Quando falam de amor, ouço em silêncio e calo
Que poderia dizer, do que não conheço, não falo
Pra mim o amor é uma loucura dessas que dói
E só tristeza, solidão e saudade é o que constrói

Nunca consegui ver-me sentindo esse tal de amor,
Que nos rastros, quando se vai, se ver um tremor,
Que na voz deixa sonoras reticências e mudez
Dores que a alma sente, quase todas de uma vez

Nunca entendi esse tal de amor, nem o que faz,
Quando se vai só deixa saudade, vazios e prantos
E quando se pensa curado, vêm outras coisas mais

Não falo desse tal de amor, calo e até dele corro
O que pode importar algo que é tão passageio
Até os sonhos de amor sempre têm o mesmo roteiro

José João
14/06/2.026

domingo, 14 de junho de 2026

A poesia! Vai muito além da imaginação!

 Minha vida! Uma história que não sei como contar.
Alguns momentos brindados com doce champanhe, 
Outros, brindados entre  lágrimas e tantos prantos
Que me fazem sentir na alma o que não quero falar

Quantos sonhos vivendo histórias de amor infindo!
Beijando lábios perfumados como se fossem flores,
Acariciando rostos que pareciam fino e macio veludo
A vida, como eterno sonho, se fazia bem mais que tudo

Viajei entre planetas, fiz imagens de mim mesmo,
Corri entre jardins, atravessei rios, corri pelos campos,
Um dia fui escravo, num outro fui um majestoso lorde
Fazia poesias para um rei que me deu um titulo de nobre

Minha vida, devaneios cheios de sonhos mentirosos,
Vi um rosário de ouro no céu com as contas de estrelas.
Num lugar, muito distante, a beleza única de dois sois
Nessa loucura pergunto: alguém sabe quem somos nós?

Mergulhei em mares distantes, com praias no horizonte,
E nadei com um amigo que eu nem conhecia, chegamos.
Fiquei na praia, ele voltou, parecia que o mar era seu,
Essas minhas mentiras! Perguntem, que mentiroso sou eu?

Mas fui um escravo que fazia versos, assim me vi um dia,
Um lorde que foi poeta, que escreveu a vida em versos,
Que se viu um dia deitado e livre flutuando outro viver
Que permanece acordado, brincando ainda de escrever

Sou quem, em leve sono, recorda lugares onde nunca foi,
Sou quem beijou lábios de damas que só em sonhos eu vi
Que viveu histórias, fantasias ou mentiras, ao certo não sei
Também não sei  se tudo foi um sonho ou se mesmo vivi!

José João
13/06/2.026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

As coisas que escrevo.

Nem sempre são minhas as coisas que escrevo
As vezes empresto minhas lágrimas para alguém,
Por vezes alguém, a mim, empresta suas lágrimas
Para a poesia  basta ter e... não pergunta de quem

Quantas vezes chorei dores que não eram minhas!
Gritei, em silêncio, saudades que nem sabia sentir,
Molhei os versos com prantos paridos do nada
Pensavam ser minha a dor mas era apenas um fingir

As vezes fingir é preciso, mas tem que saber fingir,
Senão fica maior que a dor que se tem medo de sentir
Aprender, mesmo com a alma chorando, saber sorrir 

Aprendi, desde muito, assim são as coisas que escrevo,
Se são meus os prantos ou se são prantos que emprestei!
Ou foi emprestado, o pranto que aqui, agora, chorei?

José João
08/06/2.026

Brincando de voar

Por sobre o tempo, espaço infindo, me permiti sonhar,
Brinquei de desenhar, com nuvens, meus tantos desejos.
Busquei pensamentos distantes, sonhos não sonhados,
Os que já sonhei, palavras não ditas, beijos guardados.

Sobre as nuvens, num horizonte que parecia bem ali
O sol pintava o tempo com cores que não se sabe dizer,
Esculturas, como feitas por mãos divinas... brilhavam,
Se faziam pedaços de um céu convidando para viver

Disperso, como se visse um sonho vivo, me fiz ouvinte
De um silêncio que contava minhas dores e saudades,
Contava tristezas que pensava desde muito, esquecidas

Olhava o quase não passar do tempo, brincando de voar,
Recordações se faziam histórias povoando o pensamento, 
A se misturarem com as vontades  ainda não acontecidas

José João
08/06/2.026


sábado, 30 de maio de 2026

Sem prantos... não sei fazer poesia.

 Poesia, a alma do poema, poderia fazer todos os dias.
Solidão tenho para tanto, dores? Essas tenho avulso,
Sonhos perdidos, sonhados e sumidos no esquecimento,
Desses, perdi a conta, do meu dia a dia foram expulsos.

Tristezas! Tenho muitas, correm soltas pela alma e vão,
Desde o alvor do dia, nas noites, chega, então, a saudade
Que povoa o momento com a presença de quem não está
Aí as palavras se perdem, correm nos verso sem poder falar

Poesias, poderia fazê-las todos os dias, assim eu quisesse
Costurava sonhos com fantasias, neles alinhavava ilusões
Mas por vezes me pergunto: é se quisesse ou se pudesse?

Tenho tudo que se pode, com a alma, escrever poesias,
E não seria apenas uma. Para fazer poesias tenho tanto!
Só não as crio todos os dias? Apenas por falta de pranto

José João
30/05/2.026

... Até chegar um adeus.

Entreguei-me, rezei um nome como fosse oração,
Brinquei de costurar meus sonhos com verdades,
Dessas que todos os dias acontecem por milagre
Como se fosse do próprio tempo, divina vontade

Inventei rezas, ladainhas  contando tanta beleza!
Vesti-me de inocente pureza, fiz-me sem mácula
Pretensão que só um sentimento puro faz acontecer
É o mesmo que, em divinos momentos... viver

Pedi aos anjos que me ajudassem a fazer poesias,
Trouxessem pedacinhos do céu para enfeitar os dias
Que fizesse rosário de estrelas para rezar essa alegria
Até lustrei o pranto para, risonho, me fazer companhia

Sonho verdadeiro, desses que, por milagre, acontece,
Que de cada dia faz um detalhe, completo e eterno
Até que um dia tudo parece ter sido feito de fantasia
Um adeus é dito, o silêncio gritando e, a vida vazia.

José João
30/05/2.026

“A última flor do Lácio, inculta e bela"

Um dia, um poeta, num livre expressar-se, disse:

A última flor do Lácio, inculta e bela. E a flor...
Se fez forte, se fez altiva e, talvez ... a mais bela,
Do vulgar passou a ser, do saber, uma larga janela 

Caminha pelo mundo brincando de fazer história,

De fazer-se quase sem tradução, tão rica lhe fizeram!
E se faz um buquê de palavras, única nessa condição
Que brinca nos dicionários por não lhe haver tradução

E a flor do Lácio, mesmo inculta mas sonora e bela

É a única que diz ao mundo o sentir de uma verdade
Que no mundo, toda alma sente, mas apenas ela
Tem a palavra única de dizer que isso é... saudade

Agora, chegam da luz da ignorância, pobres parvos,
Que, por natureza, são ignavos e indolentes seres 
Se vestem de trapos literários de uma estupidez gritante
De quem, por doutrinação, que matar uma língua pujante

Que se há de fazer ante tão grande e pesado fardo
Que tanto pesa nos ombros dos verdadeiros literatos?
Estarão em estertores aqueles que tanto nos ensinaram
E que honrosamente esse belo legado a nós deixaram?

Que a última flor do Lácio, inculta e bela, permaneça
Luz, a fazer-se em belas, ternas e gentis poesias, 
Que os incultos se dobrem à vontade dessa gigante
E que sucumbam os disparates desses tantos ignorantes.


José João
30/05/2.026

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Bem aventuradas as mães

 Bem aventurado o ventre que te trouxe, o seio
Que te amamentou, bem aventuradas todas as mães
Que entre lágrimas e risos te deu a vida, te deu a luz
E reza por te orações divinas que nunca se farão vãs.

Bendita seja aquela voz que acalentou teu adormecer,
Benditos sejam os beijos que te falaram sobre o amor,
Benditas sejam aquelas mãos que te acariciaram o rosto,
Que te embalaram o berço, e por te choravam tua dor

Benditos sejam os olhos chorando em silencioso pranto
Como fossem orações rezadas se sentias qualquer dor,
Benditos os joelhos inchados que por penitência pediam
Em mudo desespero: por favor, cuida do meu filho, Senhor

Bendita seja a mãe, que no seu ventre, alegre, te gerou,
Que te fez crescer e, as vezes triste, se fazia forte, até sorria
Porque queria que sugasses o leite temperado com amor
E se ela estivesse triste, ao sugar, triste também ficarias.

Benditas sejam todas as mães, benditas sejam as mulheres,
Bendito seja delas o amor, que pelos filhos se entregam toda,
Benditos os braços que com divino carinho  te carregaram,
Bendito seja aquele coração e aquela boca que te beijaram. 

Benditas sejam todas as mães.

José João
29/05/2.026

terça-feira, 26 de maio de 2026

Quando um adeus está perto!

 Entre palavras não ditas, silêncios como respostas,
Olhares perdidos, desses que já não dizem mais nada,
Foi assim que começou  desenhar-se em nós o adeus,
Suspiros de angustia como para o adeus uma aposta.

Noites frias, mal dormidas, pensamentos perdidos, 
Como se voassem para o nada, por nada ter que fazer,
Silêncio lá fora, silêncio na alma, noite sem sonhos
E o medo, do vazio, da dor que está prestes a acontecer

Promessas não importam mais, a verdade se escondeu
Nas palavras não ditas, nas perguntas sem respostas
No amanhã, que desde ontem, na mudez já se perdeu

E tudo que um sentimento que se foi faz a alma sentir
Está ali, esperando para dizer o que não se quer ouvir
Vem o pranto, uma dor de verdade que não se pode mentir

José João
26/05/2.026

... Se a poesia quer chorar! Que chore!

 As vezes meus versos não dizem o que quero dizer...
Querem apenas chorar, e choram como fossem eu...
Do começo ao fim, até as rimas se fazem lágrimas
Como fossem elas a viver o que minha alma já viveu

As palavras fogem de mim para se fazerem prantos...
Chegam até aos olhos gritando alto seu desagrado
Então, os versos se vestem com as lágrimas choradas
Daí o gosto da poesia, temperada pelos pranto salgado

Não sei por quais motivos o pranto salga a poesia?!
Se não sou eu quem chorou a dor que ela diz sentir!!
Se ela, por si só, se faz em versos chorados e tristes
Se não sou quem chora, qual de nós está a fingir?

Se os versos, por vezes, não dizem o que quero dizer
Se é a poesia que por si se faz, e se faz a seu querer
Ela que chore seus prantos, a todo seu bel prazer
Eu ... apenas junto as palavras que ela quer escrever

José João
26/05/2.026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quantos gostariam de ter sua história!!

 Sim, envelheci. Cabelos embranquecidos, voz reticente,
Ombros curvos, passos lentos, o olhar só vai até ali,
O rosto cheio de marcas, cicatrizes que o tempo deixa,
Cada uma é uma história que se diz... isso eu já vivi.

Quantas histórias vividas! Quantas lições aprendidas!
Assim, aprendi, que muitos amanhãs ainda estão por vir
Ainda deixarão marcas no rosto, mas também virão risos,
Ainda virão momentos de ternura que ainda hoje não senti

Envelheci, mas o coração ainda pulsa se falam de amor,
Aprendi que a vida tem atalhos, para que correr para chegar?
Os anos me ensinaram a ir sempre entre o vagar e a pressa
Se estiver no caminho errado minhas marcas me farão voltar

Os rastros deixados num caminhar sem pressa sempre ficam
Como se fossem uma lembrança que nem o tempo pode apagar
Só tenha cuidado por onde pisar, não pise em pedras, mas...
Se tiver uma no cominho, jogue-a longe, pedras não sabem andar

Nunca esqueça que os amanhãs existem e você ainda está aqui, 
Caminhe com suas cicatrizes, outras cicatrizes virão mas, agora
Você é sábio para fazer delas marcas de cortesia que a vida dá
Seja seu herói! Veja quantos não gostariam de estar em seu lugar?!!

José João
25/05/2.026

sábado, 23 de maio de 2026

Grita, minha alma. Não desista.

 A alma, mesmo triste, continua acordada, mas sonhando.
E pergunta: o que fazer? Onde está a luz? Onde estão...
O amor, a verdade, um olhar sincero iluminado, onde estão?
Grita minha alma! Os gritos, serão do mundo, pedidos de perdão

Pede, minha alma, que outras se juntem em fervorosa oração,
Que mãos se entrelacem, que corações se abracem, se façam
Uma corrente a iluminar caminhos de luz quase a apagar-se
Tanto é o egoísmo que faz dentro da maldade o bem afogar-se

Onde estão os amanhãs num céu que quase não brilha mais?
Nos olhos a incerteza, o medo, a angustia de não poder ter
Um sorriso alegre, de verdadeira esperança, da certeza de ser
Uma alma justa que com a bondade no coração faça acontecer

Grita minha alma, deve haver outras disponíveis para amar,
Para gritarem até onde cheguem as orações e sejam ouvidas,
Grita, minha alma, que há de haver pelo menos mais dez justos
Que haverão de juntar-se a ti e Ele, haverá de lhes sarar as feridas

José João
23/05/2.026


domingo, 17 de maio de 2026

O corpo é pó, a alma... é imortal

Que os irmãos brancos que queiram caminhar comigo,
Cheguem, juntem-se aos irmãos negros á minha direita.
Todos que acham que a alma é divina, sem cor, imaterial
Não se prendam, essa é , da vida, a ordem mais natural.

Vamos dar as mãos, caminhar juntos num mesmo passo,
Vê Castro Alves, e Machado de Assis no mesmo abraço
Olavo Bilac e Pinto da Gama, os dois de mãos dadas
Quatro heróis juntos, a mesma luta, no mesmo espaço

Corpo e alma caminham juntos mas, coitado do corpo, 
Alguns se arvoram, brancos nórdicos, matéria, material,
Mas um dia, bem ali, nu, como nasceu, vai sem levar nada
Fica a alma, viva e sem cor, do homem a parte mais vital

Ah! Se um dia se pudesse ouvir a fala do Alexandre Dumas
Em conversa informal com Shakespeare,.. O ser ou não ser?
Seria essa a questão? Ser o quê? Apenas homens de cor?
Ou seriam almas vivas e solenes com o mesmo divino valor?

Eu, preto que sou., ouvi de um anjo sem cor, que disse:
"Quando a saudade afligir-me
Ninguém irá me consolar
Quando a existência fugir-me
Quem há de me prantear?"

Ora!  Maria Firmina! acalma esse teu coração!
Poesia, bem sabemos, cor, nunca terá
E Cora Coralina virá te consolar?

José João
17/05/2.026

sábado, 16 de maio de 2026

Poesia, um lugar de todos.

Um pedacinho de céu é uma poesia falando de amor,
As estrela são as palavras derramadas nos versos,
Escritas em prateados prantos que chegam até a alma
Como fossem orações rezadas enfeitando o universo

A poesia é um lugar onde até o impossível acontece,
Prantos e risos se misturam em perfeita harmonia, 
Solidão e prazer se juntam para sentir uma saudade,
Verdades se fazem como fossem infantis fantasias.

A poesia é um lugar que só mora quem sabe amar,
Quem sabe se entregar sem querer nada em troca.
A poesia é um lugar onde se pode viver e até sonhar

A poesia é um lugar onde a lágrima se santifica,
Um lugar que, mesmo sem primavera, se faz florido
 É o único em lugar que a vida não precisa se justificar

José João
16/05/2.026