domingo, 22 de fevereiro de 2026

A incoerência é muito mais... divertido

 Não busco mais razões, nem coerência. Já cansei.
São tão comuns, são tão todo dia e nada mudam.
Vou buscar o que para a coerência seria impossível
Por exemplo, voar com as borboletas, ainda não tentei.

Sentir o cheiro doce das nuvens, vou pedir ao vento.
Com certeza ele me levará até elas, ele já prometeu
Pediu apenas que fosse de meias, lá é muito frio
Mas um raio de sol disse que me aqueceria a contento

Razões e coerências são frias, tiram a ilusão da gente,
Com elas perto não se faz nada, a não ser sentir medo
Dizem que não se pode beijar um pássaro que voa
Eu.. voo sem asas, gosto de ser, assim, bem diferente

Gosto de pintar a água, mas com tinta transparente
Faço transas douradas nos longos cabelos da noite,
Dou asas aos pés a saudade para que chegue depressa
Lágrimas, carrego num balde feito de estrelas luzentes.

Cansei dessa tal de razão, dessa bobagem de coerência
Brinco de mergulhar com as águias numa piscina azul
Cheia de pequenos pedaços de alegria, sonhos coloridos
Nadamos voamos, é muito mais divertido, a incoerência

José João
22/02/2.026

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Porque estando alegre quase me sinto triste?!

 Porque as vezes, estando alegre, quase me sinto triste?
Vem de dentro de mim ou de não sei onde uma quase tristeza
O sorriso continua sorriso mas sem que eu esteja sorrindo
Razões, não encontro, talvez, seja da alma alguma incerteza

Será que só eu, sinto em mim, as duvidas que a alma sente?
O que será que ela sabe e não diz, de ser assim tão carente?
É uma quase alegria, uma quase tristeza, de mim fico ausente
Não sei se é por falta de alguém que em mim já esteve presente!

 Não diria ser saudade, também não é solidão, eu me basto, 
Não por orgulho, mas pelos tantos que já fui, desde criança
Ao que sou agora trago pedaços de mim, muita lembrança

De muito converso com quem já fui, desde o jovem rapaz
Que todos os dias sonhava acordado de colorir os amanhãs...
Será que é isso? Quando vejo as vontades que tive, todas vãs

José João
21/02/2.026

Dizem que os olhos não sabem gritar...

Quem disse que os olhos não pedem em eloquente clamor?
Que não gritam quando, em desespero, choram uma dor?
Não fossem os olhos nada diria, as palavras não sabem dizer,
Se perdem na dor que a alma sente e nada se pode fazer

Quem, mais que os olhos, em prantos salgados, grita em oração
Perdas, que se fazem doloridos vazios, em qualquer coração?
Só os olhos, pela dor se iluminam e falam sozinho até de solidão
E vão buscar prantos, de onde não sei, como se pedindo perdão.

Os olhos mostram para a alma qualquer alegria ou até aflição
Que mostram a beleza do viver quando algo belo vai acontecer
São os olhos que mostram a ternura da vida em qualquer renascer

Quando brilhos estranhos, em demente ternura, se põem a dizer
Que a alma se ilumine, se vista, se atente que uma luz vai chegar
São eles que, como janelas, mostram acordados o que seja viver

José João
20/02/2.026

Para que falar o que só sei sentir.

Não sei escrever versos bonitos, só o que sinto.. não minto
Se os versos ficarem molhados de lágrimas ... eu chorei
Se encharcados de pranto foi a alma, ela sempre exagera
As vezes as lágrimas veem antes dos versos, ela não espera

Se escrevo versos tristes, cheios de solidão, não tenho culpa
Se são sem rimas, palavras soltas, costuradas em rimas rotas
Não é minha a culpa, é a pressa da alma em dizer o que sente
Em se fazer voz e contar os vazios por ser assim tão... carente

Não preciso de nomes nem lembranças para sentir saudade.
Eu, em mim, sou ela e trago do tempo o que gosto de ser
Sou minhas lembranças, essas que até hoje me ajudam viver

Não me preocupam as palavras e nem o que querem dizer
A mim, não tem mais sentido contar ao mudo o que já vivi
Não falo, para que falar o que não sei dizer só... sei sentir

José João
20/02/2.026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Teu perfume... tão doce quanto ardente.

 Como aquele perfume da primavera, que se eternizou,
Depois que permitiste que as flores a te se igualassem.
Quando as borboletas pousavam em teu rosto, e as flores
Ficavam pálidas, olhos fitos, como se só a te admirassem?!

Como o perfume daquela primavera perfuma a saudade!
Que fez morada na alma sem se importar com o tempo
Ainda hoje, lembro, sinto a carícia na alma, e calo a voz
Aí vou buscando, lá dentro de mim, lembranças de nós

Até hoje, passado tanto tempo, ainda é aquela primavera...
As outras ficaram mesmo só com o perfume das flores,
Primaveras comuns, que lembram apenas as minhas dores

Daquela primavera guardei apenas uma flor, inocente 
Aquela que te dei, deste um beijo, puseste nos cabelos...
Fiquei com ela, ainda guarda teu perfume doce e ardente.

José João
19/02/2.026

Da poesia... eu faço luz.

 Queres que te diga quem sou? Sou quem vai por aí
Declamando saudades, beijando o rosto da solidão
Fazendo rosário de prantos, em ladainhas e oração
Que faz versos cantando amores, até mesmo os daqui

Não sei contar prosas, não sei contar tolas fantasias,
Mas sei gritar no silêncio sem que assuste ninguém
Se são palavras bonitas, não sei. Pode até ser poesia
Que se escreve no coração da alma sem nenhum porém

Quem sou? Que importa? basta apenas que a alma ouça,
Se tiver lágrimas, e a dor contada nos versos, fizer chorar
Sou eu trazendo dores e sonhos, alguns tristes de sonhar

Dou-me a fazer histórias, as vezes, difíceis de contar
Costuro lágrimas na saudade triste, com ponto de cruz
E vou me fazendo estrada e, da poesia... fazendo luz

José João
18/02/2.026