sexta-feira, 30 de julho de 2021

Retalhos de sonhos


Quantas vezes meus sonhos foram rasgados, 
Foram rotos, viraram retalhos de mim! 
Quantos como apenas sombras estão agora 
Caídos num esquecimento quase sem fim. 
 
Vivê-los outra vez é tentar o impossível, 
Apenas como lembranças posso senti-los, 
Lembranças quase apagadas no pensamento 
Que saudades insistem em me fazer ouvi-los 

 Alinhavar meus sonhos rasgados... como? 
Costura-los com a linha do tempo, até tentei 
Mas foram outra vez rebentados os que costurei 

 Busquei pedaços perdidos em detalhes vividos 
Procurei rastros talvez perdidos no tempo 
Nada encontrei, todos já se tinham perdidos 

 José João 
30/07/2.021

quarta-feira, 28 de julho de 2021

O amor... um eterno vício

Hoje, não sei porque, os sonhos e lágrimas se foram,
Ficaram algumas lembranças vazias, quase detalhes,
Desses que se perdem no tempo, se fazem pedaços
E ficam fazendo a alma chorar seu tanto cansaço

De ter se entregado, como se loucuras fossem verdades,
Acreditando no que dizem... que o amor é... eterno,
Que se existisse razão no amar nunca ele seria assim
Para sempre, um sonho que não se quer que tenha fim

Rio-me tanto que até as vezes choro, sim, choro de rir
E até não sei se rio da dor que sinto ou se rio mesmo de mim
Que fiz a alma acreditar, inocente, em uma ilusão assim

Ah! O amor! Apenas uma loucura que mora dentro da gente
E grita, e manda, até a própria alma, calmamente, alicia
E como se fosse um ópio, lentamente, sem pressa ele vicia

José João
28/07/2.021

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Noite, prantos e saudade

As vezes é o brilho do prateado do meu pranto 
Que ilumina o escuro da solidão que toma o tempo.
Sento na noite, sem me importar com o escuro
E o pranto se faz luz, se faz rastro, se faz encanto

Brilha, iluminado, na fresta do portal do vazio
Onde a lua derrama toda sua imensidão de silêncio
Brincando se fazer poesia nas sombras da noite
Parindo mistérios e sonhos como estivesse no cio

Eu, o provedor de prantos, deixo-os livres, soltos
A se fazerem palavras mudas, voando sem rumo
Em poesias com rimas perdidas, de versos rotos

Assim, me vêm sonhos que nem sei se mesmo sonhei
Murmuro palavras, dede muito, no tempo perdidas
E chegam saudades que pensava terem sido esquecidas

José João
21/07/2.021

terça-feira, 20 de julho de 2021

Uma saudade distante

 Um dia, quando a noite ainda namorava no horizonte
E as estrelas, ainda pequenas, pareciam mais longe ainda,
Eu, sentado na beira do rio, vendo as águas correrem mansas
Olhava, desenhado no horizonte, mais um dia que finda

Quando, de repente e não sei de onde, chega uma saudade,
Simplesmente do nada, chegou em silêncio, entrou e ficou,
O pensamento voou longe, buscou nomes e... uma verdade
Senti os momentos tão vivos que pareciam ter pouca idade

Mas, buscando no tempo, sabia que eram momentos caducos
E que a saudade, de cabelos brancos, coitada, se fazia de ontem
E gritava para o pranto: andem, quero ser chorada, se aprontem

Como se quisesse ser chorada outra vez com lágrimas novas
E os olhos... que se perdiam buscando estradas no horizonte
Deixaram duas lágrimas caírem para chorar aquela saudade distante

José João
20/07/2.021

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Agora a saudade ri comigo

Apaguei do tempo as horas tristes, me vesti de mim,
Essas horas não me deixavam sentir uma saudade alegre
Dessas, que os olhos, em lágrimas, fazem dourada festa
E brincam de fazer caminho no rosto salgando o sorriso
Que nasce como criança e cresce como grito da alma.
Quantos sorrisos deixei de sorrir nas tantas horas tristes?!
Quanta angustia já vivi!! Quantas dores sentidas me vinham
Parando o tempo nas noites frias em que tudo era vazio!
Ah! Quantas vezes, sozinho, me vi chorando prantos 
Que saiam soltos e iam molhando os versos perdidos
Que insistiam em se fazer tristes, sem forma e sem rima.
Apaguei o tempo, deixei que tudo isso se fizesse escombros,
Lágrimas, agora, só de encantos que chegam em alarde
Fazendo a voz  declamar versos que a alma dita, e a saudade?!
Só de momentos que se fizeram vivos, que fizeram o peito 
Pulsar no descompasso só acontecido quando a emoção
É maior que a razão e esta se esconde atrás do silêncio.
Hoje tenho saudades alegres, acreditem, de momentos que crio
Até mesmo mesmo sem nunca tê-los vivido.

José João
16/07/2.021

quinta-feira, 15 de julho de 2021

O perfume de tua saudade

 ... me entrego a te recriar na ansiedade de minha alma
Que busca  os momentos, os sonhos que sonhamos juntos,
As histórias que escrevemos, os passos que demos no tempo
Tudo me vem, até beijos que não aconteceram... eu invento.

Vou por caminho que passamos um dia, já não há marcas
Sento no mesmo lugar vendo o horizonte que tanto vimos
E sinto tua falta, tua ausência... quanta angustia me invade!!
Tanto é  que juro sentir até o perfume de tua saudade

Um silêncio diferente me toma desde a voz até a alma,
Que se põe a recitar versos cheios da vontade de te
Eu!! Um provedor de lágrimas choro pelo que vivi

E vou entre as vontades, os sonhos e os tantos detalhes
Que agora, depois de tudo, se fizeram histórias vivas
Onde a alma, em desespero, chora lágrimas já cativas.

José João
15/07/2.02

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Hoje não sou poeta... sou apenas eu.

 
Hoje não. Não vou chorar as dores de ninguém,
Nem vou chorar saudades que não sei sentir...
Não batam em minha porta pedindo poesias assim
Hoje, tenho o direito de chorar apenas por mim.

Sintam suas angustias, chorem suas dores, e daí?
Tenho as minhas e quem por mim vai chora-las?
Quem bate em minha porta e vem chorar comigo?
E ainda dizem: toda essa dor deve ser castigo.

Não vou chorar nos meus versos nenhuma saudade
Nem fazer rimas entre dores, angustias e prantos
Quem quiser que escreva suas tristezas e encantos

Hoje, meus prantos são todos e somente meus
Não me achem para fazer versos com dores alheias
Que suas almas chorem os prantos que são seus.

José João
                                                                         12/07/2.021

Será?! Será que sou poeta??

As vezes procuro inspiração em lágrimas alheias,
Choro saudades que não são minhas, invento prantos,
Sonho sonhos que não são meus... que me contam
Se meus versos riem, são prazeres de outros encantos

Empresto até angustias a quem não sabe senti-las,
Quantas vezes emprestei meus olhos para chorarem!
Doei lágrimas avulso, deixei-as livres para mostrar
Dores vivas daqueles, coitados, que não sabem chorar

Dou-me a isso, a escrever versos de dores emprestadas,
Seria muito egoísmo chorar apenas as dores que sinto
Mas, na poesia, toda as lágrimas são minhas, não minto

Choro a tristeza daqueles que, infelizes, nunca amaram,
Também daqueles que se entregaram e hoje estão só, 
Com a alma encharcada do pranto que nunca choraram.

José João
12/07/2.021

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Nas páginas apagadas vou...

 Meu livro de poesias ficou vazio, páginas em branco,
Ficou mudo, não dizia mais nada, apenas o silêncio
Da falta de palavras que um dia estavam escritas ali,
Página por página se foram, tudo que na vida escrevi

Não sei como, de um livro, todas as páginas se vão,
Por si só se apagam... como não fosse mais preciso,
Como se todas as saudades não tivessem acontecido
Como se as lágrimas ali escritas não tivessem mais sentido.

Um livro sem poesias, sem palavras, sem letras, vazio.
Sem dores para contar, sem mostrar os prantos chorados,
Um livro que, nem ao menos, deixou versos inacabados.

Se foram todas as poesias, de solidão de tristeza, de angustias,
Até beijos antigos, nenhum chorar, nada, nem... um lembrar
Mas... nessas páginas apagadas, vou fazer outro recomeçar.

José João
08/07/2.021

Um rascunho de poesia

Até parece que as poesias fugiram de mim,
Os poemas insistem em não serem escritos,
As rimas se escondem do fim dos versos
E a alma... se agita, triste, em gritos aflitos

Onde estão todas as saudades, os momentos!?
Pergunta ela aos prantos e, cabisbaixa, se cala
Deixa que o silêncio lhe tome e a ela responda
Mas ele, assustado, nada diz, não fala, nada conta.

E os versos, que sempre se fizeram gritos da alma,
Ficaram perdidos no tempo, escondidos entre vazios
Que se multiplicam como se estivessem no cio

Até a brisa, que por vezes sussurrava nomes
Como se me fossem trazidos lá de perto do céu
Calou, e a poesia que não fiz ficou por aí... ao léu

José João
08/07/2.021

sábado, 3 de julho de 2021

A arrogância de uma flor.

Caída ao chão em amargos e doloridos suspiros,
A  flor, que um dia bela, perguntava-se: o que fiz?
Pétalas soltas, perdidas, arrastadas indo ao vento
Agora, em desespero, pede: por favor alguém me diz.

O beija-flor, pairando leve, olha o que agora é a flor,
Se vai sem nada dizer, mas lembra do que dela ouviu.
Um dia, disse: linda flor, se me permites, vou beijar-te, 
Como ousas? Quem és tu pequeno ser pobre e serviu?

Suavemente, brincado ao vento, vem uma borboleta
Alegre em volteios leves, vem como voa a liberdade
Olhando a moribunda flor no chão caída...lhe diz:

Eras bela, todos sabiam, até as outras flores te invejavam
Mas por tua arrogante vaidade todos de te se afastavam,
Agora vês onde estás? A beleza, o tempo lhe contradiz.

José João
03/07/2.021

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Agora... só em sonhos

Hoje, me perdi de mim, flutuei no tempo,
Percorri jardins, corri em quintais... sonhei.
Ah! O pé de flamboyant, viçoso, florido.
Quantas vezes sentado em sua raiz eu chorei!

O rio... que me ouvia acariciando meus pés
Indo lento, sem voltas, me ouvindo calado
Quantas vezes ele bebeu minhas lágrimas!
Levou-as consigo no seu ir quase cansado!

Ah! Meu velho rio... hoje nem existe mais
Onde será que deixou meus tantos prantos?
 E o sabiá? Contando histórias com seu canto!

Até os jardins, que pena, já não existem mais,
As flores que, belas, se miravam nas águas do rio
Morreram, coitadas, afogadas na tristeza do vazio.


José João
02/07/2.021

Para entender as estrelas é preciso...

 Qantos a mim dizem que são mudas as estrelas!!
Eu, em tantas noites, desperto para com elas conversar,
Atento-me a ouvi-las, no divino silêncio dos anjos
Lhes contando, as vezes em lágrimas, a dor de amar.

Quantos a mim dizem que amar não causa dor!!
Calo, me entrego ao tempo, não me dou a responder,
Mesmo com a resposta dentro de mim prefiro me calar
Quem diz: o amor não causa dor, não sabe o que é amar

"Mudas?! As estrelas!!? Quanta tristeza é a isso ouvir
As estrelas, todas serenas, dentro de cotagiante calma
Em voz sublime, divinal, conversam com nossa alma

Só ela tem ouvidos para ouvir o que dizem as estrelas
Só uma alma que se entregou toda ao prazer de amar
Pode entendê-las e nas noites, com carinho, lhes escutar

José João
02/07/2.021
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