sexta-feira, 31 de julho de 2026

Queria cantar um canto alegre, mas...

 Quero cantar coisas de amor, coisas do coração,
Um canto de primavera com perfume de flores
Mas minha alma troca o ritmo, fala de aflição
Aí canta um canto de saudade, que fala de dores

Ah! Se eu pudesse  trocar o gosto desse canto
Por um canto com gosto do perfume das flores,
Meu canto não teria esse salgado sabor de pranto
Chorando histórias antigas de perdidos amores.

Cantaria com a brisa com o mar, com o tempo,
Inventaria palavras que ainda nem existem. 
Meu canto iria com nuvens levadas pelo vento,
Mas em ficar, a tristeza e a solidão insistem

Se ao menos eu corresse por campos floridos,
Levando na alma a beleza daqueles sorrisos
Não teria essa dor que insiste agora em ficar,
Essa dor tão doída que só me convida a chorar

Cruz Filho
31/07/2.026

terça-feira, 28 de julho de 2026

Faz que te seja quimera a dor que sentes

 Ora! Não te aflijas se a solidão te tem sozinho agora,
Faz que ela te sirva de leito onde confortável, choras
Nem te assustes se rios de pranto dos teus olhos caiam
Que sempre estejam a teu dispor e assim nunca te traiam

 Faz que te sejam tristezas e silêncios, simples quimeras,
De angustias faz poesias cheias de prantos e de risos
Não te deixe enganar pela simples dor de um adeus dito
Não vale a pena, por um adeus deixar o coração aflito.

Se vais chorar... chora, pois só a ti isso agora importa
Que te acostumes a chorar sozinho! Ora! O pranto é teu,
Nunca te negues ao choro, seria um crime imperdoável
O pranto é o único soldo que a alma tem de formidável

Escreve teus versos, molhados com tuas lágrimas puras,
Faz deles beleza inconteste como é dos pássaros o canto.
Se te fizeram que a vida te fosse uma ponte fria e dura
Faz dos versos orações... clamando por todos os santos

Cruz Filho
28/07/2.026

Solidão! É bom sentir sozinho.

Na multidão, a dor da solidão é maior que está sozinho,
A tristeza é mais triste, o vazio é maior, mais completo,
As palavras perdem o sentido e nada mais sabem dizer
Tudo fica sem cor, só o silêncio sabe o que deve fazer

E faz. Silencia o tempo, cala a alma que em triste mudez,
Se entrega a um desastroso pranto que até acham ridículo,
Chorar no meio da multidão é se fazer palhaço sem graça
É fazer que o pranto se faça veneno servido em tosca taça

Chorar no fim da tarde, sentado no tempo, é até um prazer,
Ouvir o murmúrio da alma entre chorar e cantar baixinho,
Fica fácil para a solidão falar o que a alma tanto quer saber,
Tão docilmente ela diz que se pode ouvir, chorar e entender

Horizonte colorido, sol se pondo, um caminho sobre o mar,
A brisa sussurrando uma canção de saudade, um triste canto 
O mar, salgado pelas lágrimas que não se sabe quem chorou
Não pergunta porque choras, deixa que com ele vá teu pranto

Cruz Filho
28/07/2.026

domingo, 26 de julho de 2026

Acho que não sei o que é amar.

Sou eu, aquele que ama sem nunca ter amado,
Que não sabe o que é o amor, nem o que é amar
Que sente a dor de uma adeus, chora aos prantos
Mas não sabe se é dor de sofrer se é dor de chorar

Sei o que é saudade, tristeza, sei até sentir o vazio,
Esse que é preenchido pela solidão que veste a alma
Quando nem sonhos podem ser sonhados à vontade
Apenas as mentirosas fantasias se vestem de verdade

Ou talvez, nunca tenha aprendido o que seja o amor,
Nunca aprendi contar com os olhos o que a alma sente,
Nem sentir o frio das mãos, o murmurar tremulo da voz
O tremor instintivo do corpo na troca de um beijo ardente

Sim, sou eu, aquele que ama sem saber o que é o amor,
Aquele que se entrega a sonhar o que nem sabe sonhar,
Que se faz de caminho por onde a saudade vai chegar,
Sou, talvez, aquele que ama, e não sabe o que é amar

Sou, quem não vê a cor do pranto mas lhe sabe o gosto,
Que sabe ler sua história pelas marcas que tem no rosto,
Que sabe ouvir o silêncio delirante do perfume da flor,
Sou quem não sabe o que é amor, mas sabe o que é dor

Cruz Filho
26/07/2.026

Acho qui os dotô num sente cuma a gente

 Num iscrevo prosa, nem iscrevo vrrlsos, num sei.
Minhas palavra, donde vem, tabém num sei dizê,
Chego ni mim como se fosse luz resplandecente
Que, também, nun sei cuma, elas alivia  meu sofrê

Nas noite, sozinho, os óio umidece querendo chorá
Mais num sei não, me insinaro qui home num chora,
Qui ingole os sargado pranto sem nenhum lamentá,
Esfrego as mão, sento inriba do tempo, nada de implorá.

As mão grossa de orar no cabo da foice, ou cutelo,
Num rezar oração cutirvando sozinho o duro chão
Sinto o suó caí do rosto, sorrio um sorriso amarelo
O chão eu sei cutivar, tem quem cutive no coração.

Não sei donde sai essas história, acho qui é mintira
O coração bate, as veiz discompassado, quando alembra
Uma sordade duns abraço no roçado, isso inté já tive
Mais moiá as planta plantada no coração é mpossive.

Nun escrevo prosa e nem verlso, como iscreve os dotô,
Acho muito bonito, eles iscreve  as coisa que eles sente,
Eles falo de amô, de sordade, falo que até choru os adeus
Mais... acho qui os dotô num sente as coisa cuma a gente


Cruz Filho
26/07/2.026

sábado, 25 de julho de 2026

Quem sou eu?!

 Quem eu sou?! Não sei. Uma alma andando nua.
Perdida no tempo, se procurando sem saber quem é,
Andando entre sonhos, prantos e seus tantos pecados
Procurando no tempo o que nem sabe o que quer

Sou, entre tantos, aquele que anda só, na multidão,
Gritando o que sente na alma e ninguém quer ouvir,
Que se faz poesias triste, declamadas como oração
Vai, caminhando lento, olhar perdido sem nada sentir

Inventa ladainhas, reza em silêncio num triste rezar, 
Ergue os braços em súplica, joelhos dobrados no chão
Grita em desesperado grito sem ouvir o próprio eco
Como não existisse ou se perdesse no vazio da solidão

Quem sou eu?! Não sei. Apenas vejo o reflexo de mim,
Só, com as mãos na fronte, como se pedisse um favor,
Como se rezasse uma oração, dessas que se reza contrito
Ao saber-se, pelas tantas dores, que se é um pobre pecador

José João
25/07/2.026

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Tem dia que amo tanto!

Tem dia que amo tanto que confundo viver com amar,
Aí a alma dá risonhas cambalhotas brincando de brincar,
O silêncio brinca de deixar mais alto o eco de seu grito,
A tristeza deixa de ser triste e até deixa o pranto aflito

Tem dia que amo tanto que faço versos de mim mesmo,
Coloridos, costurados no tempo a dizerem o que sinto, 
Nos olhos, reluzentes brilhos confessando ao mundo
Um dia como um sonho, tão verdadeiro que não minto

Converso com as flores, com os pássaros, imito gorjeios,
Visto o perfume delas, voo em sutis volteios pelo tempo.
Tem dia que amo tanto que me entrego aos meus anseios
Até me sinto uma poesia que voa leve desde o pensamento

Tem dia que amo tanto que de mim mesmo me esqueço,
Desenho os mais loucos sonhos que o amor possa sonhar.
Os mais belos, aqueles que fazem a alma, alegre, flutuar
Quando amo... nem os mais belos sonhos podem imitar

José João
24/07/2.026

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Solidão! É como a noite enquanto não chega luz

Ah! Solidão! Quem me dera pudesse calar-te a voz!
Essa voz estridente que grita na alma, sem remorso
O sentir das dores que desde quando se fizeram vivas 
Se fazem de doloroso tormento na pobre alma cativa

Que, com alucinante prazer, até do silêncio faz eco
A ir-se por entre os sonhos, já quase no tempo perdidos,
A repetir silenciosa voz que dos olhos saem em pranto
Como fossem orações rezadas em clamores já vencidos

Nefasta solidão que, no tempo, se alastra como poeira
Queimando os olhos que insistem em chorar o que sente,
E se mistura com lágrimas choradas, com sal temperadas
Para que a alma sinta o sabor do pranto e se faça demente

Ah! Solidão! Que de vazio encharca o tempo, que perece
Num caminhar mais lento para a dor ser bem mais doída.
Quem dera, de te,  pudesse fazer meras e sutis sombras 
E apagar-te como fosses noite que com a luz desaparece

Cruz Filho
23/07/2.026

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Assim como o rio...

 Lá vai o rio, correndo mudo, sussurrando aos gritos,
Talvez uma oração, que só ele sabe o que quer dizer,
Se é ladainha, um cantar triste, um cantar dos aflitos
Mas apenas para ouvir, sentir, o que não se pode ver

Talvez, quem sabe, vá chorando triste, um sonoro não
Da flor que da margem o via e com ele não quis seguir
Preferiu os lírios que lhes perfumavam todos os dias
Que seguir incerta, um lugar para onde não queria ir

Como o  rio, que nem o eco do seu grito pode ouvir,
Sou eu, que vou cantando com a triste voz do pranto
Um adeus dito, desses que o grito é um triste sentir
A tristeza dos amanhãs, agora sem nenhum encanto

Vai o rio margeado por pontiagudas pedras geladas
Que nada dizem a não ser da frieza do silêncio atroz
Da flor, que apenas ficou e nada disse, fez-se muda
Assim também um dia ouvi, um adeus dito sem voz.

José João
22/07/2.026

Como posso ser poeta se...

... É dos poetas a doce luz divina a lhes dar inspiração,
A fazer que simples palavras lhes saiam do coração,
Feito melodia, canto angelical, ou até mesmo oração,
Como fosse um dom divino aos pecados lhe dar perdão.

... Se é dos poetas a dádiva de uma alma assaz carente,
De tudo que a poesia possa se fazer, a ele foi permitido,
Costurar prantos, saudades, risos, num mesmo verso
E cerzir sorrisos inocentes na dor do adeus mais dolorido

Como posso ser poeta? Se não sei dar riso ao pranto!?
Se nas angustias já vividas, nelas esqueci o que é viver?
Como posso ser poeta se perdi, do mundo, o encanto?!
Perdido em tantos vazios, que não me permitiram aprender

Como posso ser poeta?! Não sei nem contar da agonia
Que por vezes inspira versos contando fingidas mentiras!?
Só os poetas sabem e, com maestria, mentir sem pecar
Sabem fazer de suas histórias, divinas orações e... rezar.

As vezes escrevo alguns versos pelo prazer de me ouvir
Contar sonhos, contar fantasias, como sonolento delírio,
Como fosse uma estrada por onde de mim posso fugir.
Mas como ser poeta?! Se nem para contar mentiras, sei mentir?

José João
22/07/2.026

terça-feira, 21 de julho de 2026

Só sei escrever o que sinto

Não sei ser poeta de escrever coisas bonitas ou... tristes,
Apenas escrevo o que sinto. Deixo que alma se faça alma
Com todas suas saudades, sorrisos, cicatrizes e até sonhos,
Que conte o que sente, chore seus prantos, não me oponho

Dela, sou apenas provedor de lágrimas, de quantas precise,
As vezes de prantos, quando ela precisa chorar dor maior,
Dores de adeus, até quase esquecidos e chegam de repente
Choro com os olhos, com palavras, com o que seja melhor

Na poesia, choro com as rimas soltas no fim de cada verso,
Não me preocupa a métrica, importa apenas a medida certa,
Das lágrimas ou do pranto de cada sentir que vou chorar,
Versos longos, versos curtos, do tamanho que a dor chegar

Sei também ser poeta de fingir ser dor a dor que a alma sente,
De mentir quando é preciso chorar e chorar fingindo chorar
Sei até falar a verdade se não me for possível falar sem mentir.
Não sei ser poeta de poesia que chora uma dor fingindo fingir

José João
21/07/2.026


Perfume a alma que ela será ouvida

 Gritar! Minha alma gritou em desesperado grito,
O pranto jorrou dos olhos como água pura da fonte
O coração pulsou como pulsam as estrelas cadentes
E ninguém ouviu, então ele se pôs num pulsar aflito

Depois, soluçando, assim como soluça uma criança
A alma se pôs em silêncio, os gritos não tiveram voz,
Perguntou-se então, o que fazer para que me ouçam?
Porque os gritos se perdem, será o silêncio um algoz?

Viu, num jardim florido, as flores em contrito silêncio,
Mas, percebidas desde longe, antes mesmo da beleza.
Ao perguntar-se porquê? Veio a inconcebível resposta
Quase não acredita, ao ser tomada por tanta surpresa

O perfume da flores é um sussurro mais alto que o grito
É um silencioso murmúrio que quase faz o tempo parar
No seu quase silêncio, as flores falam todo o seu sentir.
Com o murmurar do perfume as flores se fazem "ouvir".

José João
21/07/2.026

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Murmurar... é mais poderoso que gritar.

Correr entre as próprias sombras que ficaram no tempo.
Murmurando prantos, muito mais poderoso que gritar
Quando não se tem palavras para contar a tanta tristeza
Que toma a alma e faz que ela possa apenas... chorar

Deixar que as lágrimas se façam palavras choradas,
Num sussurro estridente, que se vai, deixando ecos
A serem ouvidos quando também o coração chora
Aí, até a tristeza, por pena, se faz de sua namorada

Lhe acalenta, conta histórias que a solidão contou,
Faz que ilusões se façam sonhos a serem sonhados,
Faz de fantasias, verdades nunca antes acontecidas
Até deixa que sorrisos se façam de lágrimas fingidas

É quando, lá de longe, chega uma saudade antiga,
Quase esquecida, não fosse costurada na memória,
Contando apenas pedaços do que se viveu um dia
Confundindo tempo, verdades, quase outra história

José João
15/07/2.026

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Poesia! A maneira mais bela de fingir.

Poesia! Escreve sonhos como se fossem verdades,
Desenha os prantos da alma como fossem sorrisos,
Sorrir com lágrimas nos olhos dizendo ser alegria,
Inventando outra maneira para chorar suas saudades

Poesia, a maneira mais bela que se tem para fingir,
De mentir sem medo de pecar, de chorar sem temor,
De se mostrar bem maior que qualquer vazio ou dor,
De sentir a dor do mais cruel adeus e... ainda sorrir

Qual beleza é maior que fazer versos rimando pranto
Com solidão, lembranças alegres que agora são tristes?
Qual beleza haveria de ser mais bela que uma lembrança
Que até hoje se faz verdade, se faz vida, se faz encanto?

Só a poesia para fazer do improvável uma verdade crua.
Escreve sem rimas o que a alma chora e no fim do verso...
Completa com um sonho que ninguém nunca sonhou
Costurando neles pedaços de prantos que na alma sobrou 

José João
13/07/2.026

domingo, 12 de julho de 2026

A poesia não quis dizer o que alma e coração sentiam

Hoje, as palavras se foram, se perderam por aí,
Se esconderam no silêncio como fossem mudas,
Não sei o porquê, elas sempre estavam aqui
Sempre disponíveis para contar o que já vivi

Não tinha o fim do verso por não existir poesia
Até as rimas se faziam vazias, de palavras soltas
Como se tudo que fosse dito se fizesse heresia
Gritadas sem ter voz, cerzidas em frases rotas

O pranto se prende nos olhos sem querer chorar
As mãos tremem como se tivessem medo da pena,,
No pensamento, uma saudade que não quis chegar

Não teve poesia, apenas uma vontade de chorar,
Como? Se até as lágrimas, tímidas, se escondiam!?
Então a poesia não disse o que alma e coração sentiam

José João
12/07/2.026

Em qualquer horizonte...


Brincando de me encantar com o pôr-do-sol,
De inventar sonhos que só a alma pode sonhar,
Caminhar sobre o rastro que o sol deixa no mar
Ir, criando ilusões até onde um sonho pode chegar

Ouvir o canto do vento em melodias sussurradas,
Sentir a brisa como fosse terno carinho do tempo,
Caminhar em qualquer direção, só importa seguir,
Haverá sempre um horizonte onde se queira ir

Vou, ouvindo o vento com se ouvir fosse sentir
E, lá longe, onde nunca fui, o pensamento diz
Que deve haver uma nova história para viver
É ir, sem medo, lá deve haver um novo acontecer

Assim, vou levando comigo fantasias,.. saudades, 
Levo sorrisos novos, desejos que sempre guardei,
Levo olhares inocentes, cheios de doce ternura
Quem sabe lá encontre o que até agora sonhei?

José João
12/07/2.022

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Minha alma viajante...

 Minha alma viajante vai por aí de horizonte a horizonte,
Escrevendo poesias no tempo, regando flores com pranto,
Pintando o mundo cor de saudade, esculpindo nas nuvens
Um rosto nunca esquecido, terno, doce, de eterno encanto.

Assim vai minha alma, busca estrelas para enfeitar o dia,
As noites já estão cheias delas, é preciso algo diferente,
Fazer que as flores gorjeiem seu perfume em trinados
Mesmo que só possam ouvi-los os amantes, os carentes

Minha alma viajante vai inventando coisas incoerentes
Precisa mudar o pensar, nem só de saudade se pode viver
Solidão não é companhia, o vazio não tem nada pra se ver
Inventar o que ainda não existe é preciso, é fazer acontecer

Por isso minha alma vai por aí, faz artesanato de nuvens,
Pinta pôr-do-sol com lágrimas que chora ou emprestadas
Faz arranjos de tristezas costuradas com risos fingidos
Até faz canções que a alma, mesmo chorando, grita calada

José João
09/07/2.026

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Mesmo chorando... eu canto.

 Canto minhas poesias, não que goste de cantar,
Apenas finjo uma alegria que estou longe de sentir.
E se a voz se parece canto, mesmo sendo sussurro
É outra maneira de chorar contando o que já vivi.

Canto como fosse o vento cantarolando sem ter voz,
Apenas um gemido ou um murmúrio sem sentido,
Sem palavras, até mesmo sem nada para dizer
Apenas um contar mudo do que a alma tenha vivido

Não há alegria, só há tristeza, dessas quase infinda,
Como fosse um pássaro... sozinho chorando triste
Pousado, pois até o prazer de voar já não existe

Assim, conto minha história num quase cantar mudo
Em que as palavras se perdem perto de uma  mudez
Mas se não cantasse o silêncio seria uma insensatez.

José João
06/07/2.026

Não sei mais...

 Não sei mais brincar com as flores, sentir o perfume,
Não sei mais sentir o pratear do luar sobre os jardins,
Não vejo mais beleza no valsar das sombras no chão
Não sei mais deitar na relva ouvido coisas do coração

Perdi o contar do tempo pelos ontens, hoje a amanhãs,
Ficaram iguais, como se solidão e vazio se fizessem dia,
Perdi o sabor do vento, e assim desaprendi dizer: te amo
Sei, agora, murmurar palavras sem calor, palavras frias.

O horizonte, lá no fim da tarde, já não é mais poesia,
A lentidão das horas, cruzando a solidão, é irritante,
Até a brisa, que antes se fazia doce de terma carícia
Chega em incoerentes volteios num chegar sufocante

A saudade, que faz se sentir o que aconteceu ontem
Parece que perdeu o prazer de ser, o prazer de lembrar
Então, chega uma angustia gritando desde a alma:
É hora de sentar no tempo, mãos na fronte, e chorar

José João
08/07/2.026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Saudade!! Faz o ontem estar na sua frente.

Dou-me à saudade sem medo do pranto,
Busco momentos na alma para senti-la,
Cuido que estejam vivas as lembranças,
Aí a alma faz que só eu possa ouvi-la

Com o silêncio prazeroso desse encanto
Me entrego a sonhar o que já aconteceu,
Quanto lembrar! Sorrisos, carícias, beijos
Que  fazem sentir de antes o mesmo desejo

Como é bom ter momentos guardados!
Para que um dia se façam de saudade
Gritando que tudo vivido foi verdade

Bendita seja a saudade, faz que vivamos
O que se foi sem nunca se fazer ausente
Como se o passado estivesse bem aí, na frente

José João
05/07/2.026

O som da saudade no silêncio.

 O som da saudade só é ouvido no silêncio,
Quando até o soluço da alma é ouvido,
E o pranto caindo no rosto se faz oração
Aí se ouve a lágrima chorada pelo coração

 Esse silêncio!! Que chora dores e saudades!
Que veste o mundo de mudez por teu respeito,
E fica ali, como se   fosse o dono do tempo
Fazendo que até a dor seja sentida do teu jeito

A saudade não seria saudade sem o silêncio,
Não seria sentida plena se qualquer voz falasse,
Não teria a beleza de uma ternura triste em tua face

Dou-me à saudade, com ela é mais fácil viver,
Faz que momentos possam outra vez acontecer
Faz que a alma guarde o que não se quer esquecer

José João
05/07/2.026

sábado, 4 de julho de 2026

Sempre haverá uma esperança

Vou por aí caminhando comigo, com o que sobrou de mim,
Restos de sonhos, de saudades, só os prantos são muitos.
Lembranças quase esquecidas de momentos um dia vividos,
Alguns adeus que ainda hoje doem, nunca foram esquecidos

Vou, em passos lentos, ouvindo o silencioso eco do silêncio,
Que vem de um vazio cheio do que nunca mais pude sentir,
Uma voz a me dizer o que perdi, mostrando o que é a solidão,
Me acompanha, mas aprendi a chorar sorrindo, aprendi fingir

Vou costurando palavras nas poesias de rimas perdidas,
Cerzindo pedaços de mim nos sentimentos que a alma sente,
Procurando sonhos perdidos, como fossem rezas para rezar
Mas logo percebo, são apenas motivos que me fazem chorar

Meus pés marcam o chão molhado pelo pranto que choro,
As mãos acariciam meu rosto cheio de marcas do tempo,
Os pensamentos se perdem, caducos, nada mais lembram
Ainda assim, a qualquer um: ei, vamos juntos, estou atento

José João
04/07/2.026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando me lembro de mim...

Quando me lembro de mim, sempre choro.
Lembro os momentos divinos por mim vividos.
Lembranças de beijos com o gosto doce de amor
Coração pulsando forte, a quase perda dos sentidos!

A razão gritando, alegre, sua própria loucura...
As mãos tremendo, a voz sussurrando baixinho
Deixando que os olhos marejados gritassem alto
A beleza do sentir a vida florir em inocente ternura

Ah! Quando lembro de mim!! Me perco no tempo,
Me vejo entre risos, doces carícias, ternos acenos
Que diziam "até logo" com lenços de seda bordados 
Balançando em delicadas mãos num acenar sereno.

Uma fonte cantava o que o que só se sabia sentir,
Olhos nos olhos, mãos que diziam do tanto amar,
Um silencioso confessar do que sentia cada alma,
A inocência de um beijo como só a alma sabe beijar.

Quando me lembro de mim, me vem o pranto.
Hoje me pergunto quem sou, não tenho resposta,
Talvez tenha vivido em outro lugar...  num sonho...
Tão real, sinto na alma, e a esse sentir não me oponho

José João
02/07/2.026