sábado, 25 de abril de 2026

Acho que matei meus prantos

 Sinto saudade, entretanto, não me permito chorar
Matei as lágrimas antes que chegassem aos olhos
Cicatrizes, como se desenhadas, enfeitam a alma
Antigas ou recentes, mas só servem para lembrar

Meu olhar se perde no vazio da imensidão do nada
Sem lágrimas, perde o brilho, sem luz, sem alegria
A alma emudece, coitada, só sabia falar com pranto
Que se foi, assim, o mundo sem cor perdeu o encanto

Se matei as lágrimas antes de chegarem aos olhos
Não foi por querer, as vezes lágrimas se fazem voz
Ainda mais quando estamos nós, eu e a alma a sós

Um dia foi tanto o pranto que, por saudade chorei,
Tanto, que os olhos incharam e contra ele blasfemei
 Aí nunca mais me vieram por isso acho que os matei

José João
25/04/2.026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Vai... mas leva tudo, até os pensamentos

 Que dor maior para a alma que a dor de um adeus?!
Não te basta o que sinto? O quê ainda queres aqui?
Já disseste esse adeus, então, sai de dentro de mim
Vai, não me importa mais se te apraz ver-me assim.

Que dor! Tanta que ir ou ficar perderam o sentido
Que gritar ou calar não aplaca essa tanta mágoa
Que rasga a alma e faz que a solidão seja um lugar
E o pranto se derrama como se viver fosse chorar

Disseste adeus, então me deixa aqui, só, te imploro
Deixa que, pelo menos, sinta essa minha dor em paz.
E não me imponhas sentir tua saudade... não quero
Seja gentil, vá, leve todas as lembranças. assim espero

Onde estiveres, com certeza, não ouvirás mais os gritos
Que minha alma haverá de gritar, por essa tanta dor
Que bom se levasses tudo, até o que penso sem querer
Por isso, vai, leva tudo, me deix em paz... por favor

José João
24/04/2.0026

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Só o homem não tem tempo...

Que belo dia a amanhecer sobre as flores, os pássaros e eu,
Sobre o rio, sobre os passos de alguém que passou na estrada
Indo, não sei pra onde, não importa, o dia só quer amanhecer,
Se fazer luz, se faze vida, em mim, em todos, até em você

E lá estão os pássaros, alegres a saudá-lo com inocente sinfonia,
As flores orvalhadas, pétalas luzidias, louvando esse novo dia
O rio, sussurrando, vai dizendo ao mundo essa toda sua alegria,
Os passos que ficaram na estrada se fazem mistérios, fantasias.

Quanta beleza! todos festejam o nascer do sol, um novo encanto
Até as sombras parecem alegres mostrando o dançar das flores
Aí, o próprio tempo, no farfalhar das folhas, inventa um canto

Tudo sorri, o céu, sublime teto, se abre num divino manto azul 
A brisa se faz faceira, como se brincasse de correr com o vento,
Só o homem não vê essa beleza, sempre se dizendo, sem tempo! 

José João
23/04/2.026

terça-feira, 21 de abril de 2026

Preciso ser poeta.

Quero ser poeta, preciso ser poeta para fazer poesias
Assim como fossem canções que só a alma sabe cantar,
Plantar estrelas em canteiros  feitos de amor e sonhos,
Inventar melodias que só os pássaros saibam gorjear

Fazer veros em rimas de lua com luar, de amor com amar,
Com risos e prantos juntos na harmonia de um chorar
Que não seja por dor, nem por adeus, só por um confessar
Que viver é muito mais, é ir muito além, e não só estar

Caminhar num universo que só quem ama sabe caminhar,
Sabe sentir no coração e na alma um gostoso bem estar
Fazer dos amanhãs momentos  para brincar, para sonhar

Preciso ser poeta, para abrir corações com uma poesia,
Para fazer a alma gritar e ouvir seu eco num doce lembrar
De um momento tão terno que só os olhos puderam falar

José João
21/04/2.026

domingo, 19 de abril de 2026

Tão poucos sabem o que é a tristeza!

 Vou, sem nunca estar sozinho, vou comigo,
Ando entre horizontes... se vier solidão...
Não importa... nem que o mundo pare...
Não importa... apenas vou, sempre indo,
Inventando versos, cantando trovas...
Invento orações se a dor é maior que eu...
Invento cantigas para alegrar a alma... sim a alma
Ela, por vezes, é mais triste que eu...
Mesmo lhe dizendo que... tristeza...
Nada mais é que um momento de lucidez,
Faz despertar, mudar rotas, trocar caminhos,
Fazer outros rastros, recomeçar...
Até sonhar outros sonhos, trocar de saudades.
Ah! A tristeza! Tão pouco  compreendida!!

José João
19/04/2.026

Amo até...

Quanto de amor cabe em alguém?
Sempre mais do que deveria.
Amo...
Amo até sangrar por dentro,
Amo até não caber em mim
E quando não cabe mais...
Choro.
Porque amar, pra mim...
Sempre foi transbordar.

Quanto de saudade cabe em um peito?
Não sei. Sei que amo
Amo:
Amo até doer, amo até transbordar,
Amo até me perder
E... se me perco
É porque amei demais...
Amo, e amo de novo
Como se o mundo acabasse
Toda vez que amo

José João
19/04/2.026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Canto a todo instante.

 Canto o que me vem da alma e não importa
Se são palavras belas, ou palavras sem cor
Canto, mas só até a dor que a alma suporta
Canto pranto, saudades, o que o ela me impor

Canto a cada instante, sem nunca ser bastante
O que vem para dizer, não paro, nem emudeço
Minha alma é alegre e vive um viver constante
Não creio em destino e me pergunto: mereço?

Sei que canto, mesmo sem voz e sem talento
Mas me vem, não sei de onde, o que eu digo.
Ao que me diz a alma, fico sempre todo atento
Se dizem que o canto não contenta, eu nem ligo

A cada instante chega um canto que nem sei
E me impõe um cantar em versos e no papel
Canto escrevendo, sem métricas, canto assim
Se não gostarem, perdoem, mas canto para mim

José João
16/04/2.026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vou indo sem pressa... até o ...

Vou indo, sem nenhuma pressa de chegar e nem sei,
Na verdade, para onde vou, um horizonte colorido...
Um pedaço do campo onde os pássaros fazem ninhos
Ou sentir a beleza exuberante de um jardim florido

Vou indo, sem pressa, para que o tempo me dê tempo
De sonhar novos sonhos, de colorir minhas saudades,
De refazer histórias contadas nas poesia incompletas,
De chorar meus prantos que ainda hoje são verdades

Vou, sem pressa, para que o amor ainda me alcance
Que faça as mãos tremerem e, forte, o coração pulsar,
Os olhos se inundarem de viçosos e alegres prantos
E regozije-se a alma pela doce e santa loucura de amar

Não tenho pressa, por vezes o amor anda tão devagar!
Vem como fosse passageiro de uma calmaria distante,
Em outras, quando vem qual furacão nem se percebe.
Bom, se vem de mansinho, é mais forte a cada instante 

José João
15/04/2.026

terça-feira, 14 de abril de 2026

Ainda tenho lágrimas para molhar o passado.


Estar só, pensar sozinho é um prazer, nem é solidão,
É a liberdade de dizer-se o que se quer e... ouvir-se,
Sem medo que ouçam seus segredos guardados
A hora da solidão é o momento de, sozinho, sentir-se

 Ver o que fez, um bom momento para arrepender-se
Ou, para saber-se maior por ser certo aquilo que fez,
Sozinho se pode escolher a saudade que se quer sentir
Pode-se até chorar a vontade, sem nenhuma desfaçatez

Quando me sento comigo... sozinhos, na beira da tarde
Contamos histórias de saudades, de olhares, de beijos,
Buscamos sonhos antigos que nem foram sonhados

Por vezes me chegam tímidas lágrimas, quase tristes
Me marcam o rosto, me fazem lembrar, fazem chorar
Aí então percebo que ainda os olhos molham o passado

José João
14/04/2.026

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Uma memória morrendo aos poucos

 As pedras, agora lustrosas pelos tantos pisados,
Os azulejos, tristes por tantas histórias apagadas,
Os mirantes, agora sombrios, soturnos, abatidos
Como se agora chorassem seus aposentos vazios

Quantas histórias mortas nos velhos sobradões!
Quantas lágrimas e poesias lhes fizeram vivos!
Quantos castiçais de prata lhes iluminaram!
Agora, tristes espectros, foi o que se tornaram

As donzelas de belos lenços em ouro bordado
Os leques em fios de prata em artes trançados
Vestidos costurados em seda vinda de além mar
Chapéus da Europa por princesas e rainhas usados

Eis, bem ali o mar, caravelas, vindo de navegar
Trazendo mercados, até sonhos traziam de lá
E grandes poetas em fraques vestidos a declamar
Às suas amadas, com terno respeito e doce olhar!

Quantas histórias de amor, de sangue e de pranto?
Quantos lamentos os casarões haverão de guardar?
Quantos gemidos de negros ainda se pode escutar?
Nas eira, beira e tribeira, ainda no mesmo lugar.

Caem os sobradões, que mesmo com histórias tristes
Guardam em si o tempo, guardam lágrimas, prantos
Deveriam ser lembrados, respeitados por serem tantos
Até mesmo a lembrança, por tanto abandono desiste

Pedras de cantaria, hoje bem poderiam ser poesias!!
Os lampiões, timidamente iluminando os casarões,
Fazendo dos azulejos verdadeiras óperas de fantasias
E o acendedor, solitário, nas noites sem companhia

Os casarões estão esquecidos, suas histórias morrendo,
Seus azulejos, hoje, não passam de decorações vencidas
Lembranças da história, agora vergonhosamente apagadas, 
Patrimônio Cultural Mundial! Sim. Em épocas já passadas

José João
13/04/2.026

A tristeza... é uma nuvem itinerante


 Embora me faça chorar, nunca tive a tristeza como inimiga,
Por vezes, ela até parece prepotente, mas é apenas desespero,
É como ela sabe dizer, gritar e pedir que te olhes a ti mesmo
Ela só existe naquele momento por mais que seja o exagero

A tristeza é a febre da alma, apenas diz: alma, estás doente
E fica ali para que não esqueças e procures alguma cura,
Quem sabe um sorriso, um aperto de mão, um lembrança,
Até mesmo uma saudade alegre... a tristeza nunca dura

A não ser que endureças teu coração e a ele não permitas
Que se entregue a um terno e doce sentimento, uma paixão,
A tristeza, como amiga, te diz: ama, sorri, te entrega a amar
Deixa que tua alma, diz a tristeza, se entregue, até sem razão

Ah! Essa tão bondosa tristeza! Que por vezes se faz perdão,
Em outras faz pensar, ser mais, ser melhor, ser mesmo você.
Talvez seja teu momento mais consciente e, não é constante
A tristeza é assim, como fosse uma inocente nuvem itinerante

José João
13/04/2.026




domingo, 12 de abril de 2026

Por que dez palavras?

Dez palavras por verso, até poderia, mas não acho justo
Há dores que nem se precisa de tanto, outras, são tão poucas?
Saudade! Quem decide o tamanho da saudade para os versos?
Qual o tamanho das palavras? Sílabas por cada lágrima solta?

Serão necessárias dez palavras para contar o que finjo?
Se fingir uma verdade verdadeira de uma mentira fingida?
Estratosférico amor que, infelizmente, imprescindível, se foi
Mas sem lágrimas para chorar, a alma ficou perdida

Meus versos são como as pessoas, magras, altas baixas, gordas
A métrica é do tamanho do que a alma quer dizer,
Versos compridos que, por vezes, ainda ficam incompletos
Outros, curtos, dizem tudo o que queria acontecer

Elegância no poema está no que a poesia diz,
Prender a alma ao que numa linha se escreve
Como se o verso tivesse padrão feito em máquinas frias!
Então, que tristeza! Assim para que a poesia serve? 

José João
12/04/2.026

Só posso pagar com prantos...

 
Diz-me, quanto de saudade tua alma suporta?
Quanto de pranto podes chorar por uma vida?
Quem poderia dizer, mesmo que a alma saiba?
Isso não me importa, nem qualquer dor sentida.

Que chore, aos cântaros, todo esse meu pranto,
Que de saudades, transborde a alma por tantas
A mim, importa amar, sem nenhum entretanto
Que chore, por amor, as lágrimas serão santas

Assim, me entrego ao que acho um doce viver,
Amar, como se amar fosse um divinal acontecer
Chorar ao dizer, ou ao ouvir um terno: "eu te amo"
É como se fosse, para a vida, o mais belo renascer

Amo, amo, e amo. A mim o que importa a saudade?
Lágrimas servem é para isso, para chorar o adeus,
Se for pecado esse tanto amar e eu tiver que pagar
Pago em prantos, o que mais sei nessa vida é chorar

José João
12/04/2.026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Meus versos... bem... as vezes...

 
Ah! Se eu tivesse aprendido fazer poesias...
Dessas que as palavras gritam alegres,
Trocam de sentido no que querem dizer,
Ficam eufóricas, nem parecem palavras
Parecem sentimentos ávidos por viver

Mas não aprendi a sentir o viver assim
Comigo elas não gritam, ficam paradas
Não que fiquem mudas mas, apenas gemem
Como se estivessem por tristezas marcadas
Nem com a emoção dos versos elas tremem

Queria ser poeta de fazer o verso cantar,
Dizer coisas que todos querem ouvir
Provocar sentimento gostoso de sentir
Desses que fazem a alma de gozo chorar
E gritar aos céus: eu quero apenas amar

Meus versos se escrevem em curtas linhas
Em rimas perdidas como fossem indo embora
Como sendo mudas novas que no sol definha,
Parecem escritos fora do tempo, fora de hora
Que se arrasta no vazio e na alma não caminha.

José João
10/04/2.026

Minha curiosidade de amanhã

 
Vou indo sem pressa... não preciso mais correr,
Já senti todas as saudades que a vida me fez sentir,
Ouvi e disse todos os adeus que tinha para dizer
Até os amores, que sorrindo ou chorando ... vivi

Vou devagar, não tenho pressa, sei onde chegar
Prantos... não os tenho mais, chorei todos eles
Talvez uma saudade aqui, uma outra por ali
Uma lembrança antiga que o tempo não quis levar.

Sonhos, já os sonhei, outros estão perto de mim,
Não preciso correr para sonha-los, estão bem aí
No dobrar do tempo, bem aí, no primeiro amanhã,
Não tenho pressa para sentir o que a muito já senti

Sorrisos, tenho alguns e os que tenho me bastam 
Mas ainda tenho uma curiosidade de todos os dias
Muito importante para mim, longe de ser coisa vã...
É saber qual marca nova, meu rosto trará amanhã

José João
10/04/2.026

Ah! Esse amor eterno!

                                                                                                                       
Quando o amor se faz de forte ventania
Como fosse tempestade mas... sem maresia
A tomar toda a alma, inunda-la de fantasia,
O coração, em êxtase, pula louco de alegria
E reza orações que até outro dia... não sabia

No tempo, feito nau vadia, navega solto
Sob um céu de brigadeiro, um tal de amor
Por milagre, com prantos, ri e sente o calor
De beijos que ainda virão, ainda nem trocou
Mas a alma eufórica jura que já sente o sabor

E um mundo, inocente, se abre como leque,
Pintado de primavera, com flores de verão
Aí as confissões se fazem de divinas rezas
Como se fosse de anjos essa doce criação
Aí, Chega a loucura, um verdadeiro furacão

Os "nãos" são desprezados, perdem a razão
Saem acanhados, sem saber nem onde ficar
Sussurram injúrias, mas qual alma vai ouvir?
O amor juntou as duas e toda atenção lhes dá,
Que mais importa a não ser esse... louco sentir?

Assim, juntas, almas e corações até se esquecem
Desse tal de amanhã, afinal, o amor não é eterno?
Na eternidade é onde se escondem todos os amantes
Nela sempre cabe mais um, é um coração materno
E quem eternizou o amor nunca mais será como antes

José João
10/04/2.026

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Amar... é nunca morrer.

Hoje, vou por aí entre horizontes e sempre só,
Quero gritar meu canto mas não tenho voz...
Minhas poesias se perdem no tempo, então choro
Alguém pode me ouvir? A isso agora imploro.

Quero contar dos amores que vivi, que senti,
Dos abraços que dei, mas que também recebi.
Quero fazer poesias contar o belo que já vivi,
Estou vivo, ando por aí, amo, ainda não morri

Quem melhor que eu para contar a beleza da vida?
Quem já amou tanto quanto eu amei, me entreguei?
Quem melhor que eu pode falar do que seja amar
Dizer: te amo de verdade, com lágrimas no olhar?

Dizer te amo, não com essas palavras bobas, tolas,
Dizer te amo é deixar a alma gritar, num silêncio
Que só os amantes ouvem, é um todo se entregar
Sorrindo, tremendo, chorando sem nada trocar.

Eu, ando por aí, amo quando encontro um coração
Até sei fazer versos, faço poesias, me entrego todo
Sem reservas, nem segredos, fazer que amar seja viver,
Fazer que amar, como é o amor, é nunca morrer.

José João
08/04/2.026

O aprendiz.

    
 Talvez devesse calar a voz... esconder-me entre sonhos...
Ou gritar minhas verdades? Para quê? O mundo está surdo,
Quem sabe dizer agora: Que o amor seja sempre eterno?
Que a saudade é um presente divino, dado a tantos mudos?

Quem chora uma saudade com a alma em divino pranto?
O amor se fez uma brincadeira tão comum, tão sem sentido.
As palavras são tão poucas, tão sem razão... tão pequenas,
Ao amor, dele fizeram apenas um brincar sem mais encanto

Dou-me a ser do mundo, um simples contador de versos
Que fala da inocência das flores, da beleza que é a saudade, 
Que faz versos para o luar, para o alvor do dia quando vem,
Com os pássaros confessando às amadas um amor de verdade

Sou quem se banha com a pureza do orvalho da madrugada,
Que brinca de escrever versos como fosse oração à sua amada
Não sei ser poeta, escrevo o que a vida manda, o que a vida diz
Quem, como eu, sabe o que é ser do mundo, um aprendiz?

José João
08/04/2.026

Revendo velhos guardados... chorei

 Ontem estive revendo, dentro da alma, velhos guardados,
Encontrei sonhos antigos, saudades que nem sei porque senti,
Histórias de amores mal resolvidos, sonhos já esquecidos,
Restos de dores e de prantos chorados, agora tão descabidos!

Também encontrei o que eternamente ficará dentro da alma
Como se fosse preciso estar ali, para sempre estarem vivos,
Revi sorrisos verdadeiros, até vi prantos um dia chorados
E ainda diziam que foi a alma quem os manteve guardados

Revi um olhar que disse adeus como se os olhos gritassem,
Senti o adeus mais doloroso que ninguém nunca ouviu
Tanto, que chorei, e até me pareceu com o mesmo pranto,
As cicatrizes que pareciam saradas se abriram por encanto

Foi um adeus que a alma não queria, não precisava ser dito,
E essa ausência faz que ela até hoje vague por aí incompleta,
Perdida, indo entre vazios, procurando um lugar para ficar
Mas onde vá, com ela vai a tristeza e o pranto para chorar

José João
08?04/2.026

Alma minha... diz-me o que sentes.

 Oh! Alma minha! Agora que estamos a sós, diz-me:
O que tanto te aflige que emudeces e calas a voz?
Diz-me o porquê desse silêncio, o que te atormenta?
Por acaso, alma minha, não sabes quem somos nós?

Tu, minha essência de vida, que de imortal me fazes
Eu, teu templo, nos fazemos um, sentes dor, eu choro,
Sou, como bem sabes, teu único provedor de lágrimas,
É o meu pranto, a tua voz. Alma minha diz, te imploro.

Diz-me, preciso saber, por que estás assim tão aflita?!
Dou-me a te fazer que sejas de mim, a outra metade,
Se te entristece um qualquer sentir, me dou ao pranto,
O que quer que sintas, em mim, também será verdade.

Pobre alma minha! Cabisbaixa, até parece tão carente!
Diz-me agora, que estamos a sós, diz-me o que sentes.
- Para ti não tenho segredos, choro com o teu chorar,
Então, chora comigo essa saudade que insiste em ficar.

José João
07/03/2.026

Os amanhãs são... tão imprevisíveis!

Onde estão meus sonhos? Porque perguntas?
Por acaso não sabes que se foram quando foste?!
Que os levaste contigo e em mim deixaste o pranto!?
Tudo se foi, como passe de mágica, como por encanto!

Em mim, bem sabes que deixaste apenas saudade,
Uma saudade triste, dessas que deixa a alma ferida,
Perdida no tempo, apenas a solidão como companhia
E uma história que mesmo triste, nunca será esquecida

Ainda assim dou-me a te rezar com inocente oração
A adorar-te e, sem orgulho, ser teu cervo mais fiel
Que a mim me digam: coitado quanta humilhação!
Que seja dito, mas a mim, é como perecer no céu

Mas, o que sinto agora é, por destino, o que mereço
Entretanto, não te iludas, o mundo dá muitas voltas
E quem sabe um dia, todos os sonhos por te sonhados,
Em desespero e em prantos, por te serão procurados?

José João
08/04/2.026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Um amor profano

 Trazia no peito o gosto de um louco amor insano,
Com ele a dor de um adeus que nunca mais se foi,
Uma saudade, dessas que a alma grita em prantos.
Como pode doer tanto a dor de um amor profano!?

Um amor que nem deveria ter um dia acontecido
Tão pecadores, aqueles que a ele se entregaram
Que pecado incoerente de um dia terem amado!!
Agora, no adeus, perceberam o tanto que pecaram

Se foram as juras, os segredos, agora só saudade
De quem, por tanta culpa, nem merece ser lembrado
Nunca é divino, mesmo belo, viver-se um pecado? 

Agora é um adeus, um vazio, um vago lembrar,
Quem, por justa razão, vai primeiro esquecer?
Dá-se a um amar profano, o castigo é... viver.

José João
07/04/2.026

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Os poetas... fingem na hora certa.

 A quanto tempo!! Quantos outonos! Folhas caídas...
A quanto tempo!! Quantas primaveras! Flores nascem,
Se abrem ao mundo, enfeitam e perfumam o tempo
Mas a saudade continua... das horas amenas vividas

Faz tanto tempo! Quantos verões e invernos passados!!
Quantas noites acordado num impossível contar estrelas.
Ouvindo do vento, vindo de longe, com um terno canto!
Trazendo recordações de momentos e com ela o pranto!

Sentado na beira do tempo, a ouvir meu próprio silêncio
Contar histórias de mim e me confessar inocente pecador,
Sentir na alma, o prazer da saudade e a dor de um adeus
Então, inventar orações, gritar heresias sem nenhum pudor

Há quanto tempo! Desde muito me pus a criar fantasias,
Fabricar ilusões com gosto de verdade, num falso fingir
E assim enganar a mim mesmo, como fazem os poetas
Fica tão verdadeiro o fingir por fingirem nas horas certas 

José João
06/04/2.026

domingo, 5 de abril de 2026

Quando o amor chegar

 Quando o amor chegar
Vou me lavar com o orvalho da madrugada
Me perfumar com o perfume do campo
Vestir roupa nova, começar nova jornada

Vou cantar canções, que ainda nem fiz
Cantigas alegres de alegrar corações
Pintar o mundo com tinta de cor verniz
E ouvir o que voz do amor me diz

Quando o amor chegar
Vou recomeçar no sentido norte
Me vestir de primavera
Me vestir de flores e ficar mais forte. 

Quando o amor chegar
Vou me fazer de jardineiro,
De estrelas plantar um canteiro
Para no brilho delas...sentir teu olhar

Mas... quando o amor se for
Vou pintar o tempo cor de saudade
Vou ir sem pressa, indo devagar
Esperando outro abril chegar

José João
05/04/2.026

sábado, 4 de abril de 2026

Ainda existe... apenas não vemos mais

 Agora dizem, antes, a vida tinha pausa e momentos únicos,
Para mim, a vida continua tendo pausas e seus momentos 
Os meus, são os mesmos, não mudaram, ficaram em mim
Ainda sinto a ternura do primeiro beijo, foi num jardim

Ainda vejo a primavera, sempre florida, com novas flores
De cada uma, ainda lembro o sabor doce de seus perfumes
A algazarra dos pássaros no alvor do dia, cantando hinos
A alegria das borboletas e beija-flores, ainda é costume

Nas noites, os vagalumes, como nossas estrelas luminosas, 
Iluminavam, cintilantes, o campo numa orgia de luzes.
O rio, cantando uma canção que ninguém sabia, só ouvia
Lua e estrelas refletidas no rio era outro céu, a gente via

Agora dizem, antes a vida tinha pausa e momentos únicos,
Se tudo isso era uma pausa que vida dava para vivermos
É de lamentar, não mudou, essa pausa ela continua dando 
Nós é que nos perdemos, a tudo isso não estamos olhando

Aí dizem, o tempo fica mais lento, se se vive coisas novas.
Coisas novas, para quê? Não se ama mais como antigamente
Quem ainda sabe dizer: eu te amo, com a alma em risos?
Quem, hoje sabe dizer: que nosso amor viva eternamente?

Aquele lugar, esse lugar que agora chamam de antigamente,
Que bom! Ah! Quem dera pudesse voltar! Lá eu era gente,
Trouxe muito de lá, aprendi que o tempo conta os momentos
E cada momento que se vive, com certeza, é um novo presente.

José João
04/04/2.026