segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Não sei... se por destino ou castigo

 Pobre e gentil alma que calada chora
Um pranto triste em sutis soluços
Por sonhos que no tempo se perderam
Ou pela angustia se fizera já vencidos

Calado o canto, pois maior é o pranto
Pela saudade de tantos vivídos encantos
Que em triste agonia lentamente morreram
E eram mais que muitos por serem tantos

Aos muitos sonhos em vão sonhados
À alma, coitada, um só não lhe restou
Até a saudade que aflita lhe embalava
Se foi com os sonhos e não mais voltou

Que triste agonia de uma vida sozinha
Que nem os soluços em eco lhe volta
Silêncio perene de um mundo perdido
Morto no tempo e por ela esquecido

Tão só que do tempo perdeu o sentido
Que pensa de ontem as dores sentidas
E lhe custa crer que essa dor de agora
Por ela já foram desde muito vivídas

Triste silêncio nos olhos sem brilho
Quando o pranto se recusa chorar
Brilhantes se tornam se lágrimas vêm
Mesmo que ela se saiba, agora, ninguém

Cativa ao vazio minha alma se torna
Faz dele seu mundo e já não se importa
Pois só o vazio lhe ficou como abrigo
É só o que tem, por destino ou castigo

Cruz Filho
05/10/2.026

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