segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Que o silêncio conte o que a alma sente

 Horizontes, jardins floridos, por de sol coloridos...
Que importa para quem chora a dor de uma saudade?
Que belo seria mais que as lágrimas que tristemente chora?
Ou até mesmo as orações que reza quando a alma implora?

Que o tempo leve as angustias e deixe o pensamento leve,
Que possa voar em sutis volteios brincando de ser livre
Indo sem pressa, sem direção, apenas voando em liberdade
Sonhando inocentes sonhos novos que se façam de verdade

Que pode ser belo quando a saudade e solidão se juntam?
Quando até o tempo perde a cor e tudo fica da cor do pranto?
Fica tudo tão sem razão que sussurros tristes se fazem canto!

É melhor calar, deixar que o silêncio taciturno se faça voz
E conte, à sua maneira, a tristeza que a alma calada sente
Esperando, acabrunhada, um dia não ser mais tão carente

José João
28/02/2.022

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Os poetas não são mágicos, são apenas poetas.

 O poeta, do dia faz noite e chora sob a luz das estelas,
Planta, num verso, um pé de flamboyant viçoso e florido 
Onde um sabiá, já quase no fim do verso, gorjeia um canto
E convida o poeta a chorar com ele uma saudade antiga.
De um verso a outro o poeta pinta lágrimas no rosto triste,
Com um ponto final no fim do mesmo verso, para o tempo
E faz nascer um sorriso como se as lágrimas fossem fingidas
E sorri para as lagrimas como se o sorriso fosse verdadeiro.
A verdade do poeta é diferente, pode nem ser verdade...
As vezes, as mentiras que a poesia diz são verdades
Que o poeta brinca de não contar nos versos, e pra quê?
São momentos vividos pela alma do poeta... em segredo.
Ah! Esses poetas!! Viajam muito além dos horizontes,
Do pensamento fazem pássaros alados e voam livres
Sobre oceanos, entre as nuvens, brincam, em sutis volteios
Com a brisa, e vão entre cercas, quintais e corações
(parei nesse verso para enxugar uma lágrima teimosa
Que insistia em me lembrar uma saudade antiga)
Contando histórias de amor, de saudade e de sonhos.
Ah! Esses poetas! Não são mágicos... são apenas poetas.

José João
26/02.2.022

Como se não fosse preciso

 É noite, o silêncio da solidão enche o tempo
A saudade, qualquer saudade se faz toda viva
Corre entre os pensamentos quase já esquecidos
Buscando antigos momentos no tempo perdidos

O marolar das sombras que se agitam no chão,
Em movimentos cadenciados do vento nas folhas
Brincam de fazer desenhos sem traços e sem cor
Sem que o tempo permita qualquer outra escolha

A noite brinca de fazer sonhos, vontades impossíveis 
De fazer histórias, sonhos que nem foram sonhados
De fazer verdades, mentiras que sonhamos acordados

Saudade, a noite lá fora, o silêncio doentio da solidão 
Tudo isso brincando de fazer a alma gritar em lágrimas
Como se não fosse preciso, para chorar, qualquer razão

José João
26/02/2.022

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

A vaidosa e bela flor sem perfume

Ah! Coitada daquela flor!! Tão linda! Tão única!
Reinava, orgulhosa, no centro do jardim ... só ela,
Borboletas, beija flores lhes beijavam com cerimônia
E ela, mostrando sua beleza, dizia: daqui sou a mais bela

O sereno do alvor do dia mais ainda embelezava suas pétalas
Como fossem pedaços de diamante sobre divino veludo
E ela, a única, a mais bela, se espreguiçava sorrindo
E sorrindo dizia, sou a mais bela, pra vocês devo ser tudo

Vocês, dizia ela, são apenas realce pra minha beleza
Esquecida que flores são frágeis, que beleza passa
E que amanhã o tempo, indolente, cobra o que deu

Assim a orgulhosa flor foi murchando, envelhecendo,
Chorando, triste, a beleza que em tão pouco tempo perdeu
E por não deixar perfume, até ela, dela mesma, se esqueceu.

José João
23/02/2.022

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Ouça o som da vida

Ouça o som da vida ao seu redor, ouça-o bem.
Ouça o som da vida dentro de você, no seu peito
Quando as emoções fazem o coração gritar eufórico
Num descompasso mágico e divino por tão perfeito.

Ouvir a vida no silencioso volteio da brisa leve
Que te abraça  corpo e alma e te deixa livre, solto
Num marasmo santificado de sonhos coloridos
Que num mar melodioso de ternura te deixa envolto

Ouça o som da vida em tua voz, sim na tua voz
Quando coração e alma gritam juntos: te amo
Aí se percebe que não existe mais eu, existe nós

Ouça o som da vida nas asas do teu pensamento
Ouça o som da vida quando sonhas ainda acordado,
E sente a beleza de estares vivo, de amar e ser amado.

José João
19/02/2.022

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Como escrever em versos o que só sei sentir?

 Não importa o tamanho dos versos... nem da poesia
Não importam as palavras, nem as rimas, não importam.
Versos longos, versos curtos, escritos em pedaços de papel
Ou poesia em tantos versos, até esculpidas com cinzel

Tenho uma poesia perfeita, mas nunca pude escreve-la
Não encontrei palavras, se encontrasse não seria perfeita
Seria uma poesia qualquer, que se lê mas sem nada sentir
Minha poesia, mesmo declamada seria impossível de ouvir

Ela está escrita dentro da alma e são tantos os sentimentos
Tantas as emoções que palavras não traduzem, são poucas
Não teria como escrever o menor dos meus momentos

Não cabe, nos versos que escrevo, a poesia que só sei sentir
Ela se escreve em dois livros, um na alma outro no coração
Sem dizer pra ninguém nada do que já senti ou...do que já vivi


José João
16/02/2.022

Vou fingir que é poesia

Hoje me perdi nas palavras soltas, versos compridos...
Como fossem estradas que procuram um horizonte
Sem marcas, porque ninguém por ela ainda passou
Como orações perdidas que ninguém nunca rezou

Sou o silêncio da poesia que ainda não se escreveu,
Na confusão de mim, faço versos curtos que nada dizem
Desenho sorrisos no tempo, brinco de fazer lágrimas
Escrevendo no chão poesias que nunca ninguém leu

Mas triste?! Eu!! Não. Vou caminhando calado, sozinho
Murmurando rezas que invento, ladainhas que canto
Até juro que é mentira a verdade de meu pranto!

Na poesia posso tudo, até fingir as verdades que minto
Fingir que é mentira as verdadeiras lágrimas que choro
Até dizer que é verdade a vontade de sorrir... que não sinto.

José João
16/02/2.022

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Quando a ferida é na alma

 Dou-me ao tempo a curar-me as cicatrizes...
Sarar as feridas que angustias fizeram na alma,
Entrego-me no criar orações que nunca rezei
Pra chorar essa dor... chorar, como nunca chorei.

Me ponho a fazer de mim leve brisa livre ao tempo
A ir em volteios sutis, entre horizontes coloridos
Levando as tristezas, as dores que a alma sente
E assim com eles vão os pensamentos entristecidos

Me faço forte, e vou além de mim buscar sorrisos
Deve haver alguns perdidos a serem encontrados
Mesmo de lábios que, por tristeza, tenham chorado

Mas se choramos a dois há uma verdade a ser sentida
Um do outro apaga as cicatrizes que feriam a alma
Nasce uma razão de amar e ...começar uma nova vida

José João
10/02/2.022

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Saudades e sonhos vão ... perdidos por aí

 Não é mais hora nem tempo de chorar saudades,
Na verdade, nem lágrimas tenho mais para chorar
Todas se perderam nos tantos momentos passados.
Os olhos vazios se fizeram desertos por tanto pesar.

Vago por estradas perdidas que não sei onde vão levar
Os horizontes se repetem na distância que não sei
Passos lentos, sem deixar marcas, sussurros perdidos
Repetindo palavras ditas em tempos há muito já idos

Lembranças se confundem com sonhos nunca sonhados
E os que sonhei se fizeram caducos... vagando por aí
Como fossem andarilhos perdidos sem ter onde ir

Pobres sonhos! Perderam a cor ... perderam a razão
Perderam até o sentido de um dia terem existido
Hoje, coitados, quase moribundos por tão esquecidos

José João
06/02/2.022

Soneto do amanhã

 Vou deixar algumas lágrimas pra chorar amanhã,
Essa caixinha com solidão e essa outra com tristeza,
Guardar também um pouco dessa vontade de chorar
Quem sabe amanhã eu não tenha história pra contar!?

Escrevo o que hoje me sobrou... vou parar de chorar
Vou deixar mais lágrimas, nunca se sabe, uma saudade...
Sim tem que ficar uma saudade mas... qual delas?
Acho que tenho uma guardada na bolsa de antiguidade

Caso não tenha amanhã nada para fazer uma nova poesia
O que guardei, com certeza, vai servir. O que pode faltar?
Guardei lágrimas, solidão, tristeza, vontade de chorar...

Acho que não falta mais nada, tenho tudo que preciso,
Na caixinha de musica guardei palavras, guardei rimas
- Poeta, e se esqueceu alguma coisa? rsrsrs  improviso

José João 
03/02/2.022

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Soneto da ilusão perdida

 Lá vem a noite, num relampejar de medos e prantos
Num contar histórias de fadas, de fantasmas e solidão,
Cheia de sombras, dessas que tanto causam espanto
E aos amantes sozinhos, uma mistura de tristeza e encanto

Um raio de luar, desses curiosos, chega até os olhos
Que brilham como se estivessem molhados, encharcados
E para disfarçar, atiram um olhar lá longe no horizonte
Disfarçando o silêncio dos olhos, que choram calados

E num tratar de sussurros e gemidos como se fosse voz
Conta estrelas como fossem contas perdidas de um rosário
Que nunca foi rezado, nunca existiu, é apenas imaginado

E assim a solidão se faz tempo, se faz noite, se faz história
Faz das nuvens transporte, levando sonhos não acontecidos
Desses que nunca se esquece, que no tempo ficam escondidos

José João
03/02/2.022

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Queria saber pintar poesias

Queria pintar meus versos com a cor da saudade
Mas de que cor é a saudade? Cor de lágrimas?
Mas... lágrima tem cor? Será a cor da tristeza?
Mas talvez eu os pinte com a cor da incerteza

Versos soltos, compridos como os dias tristes
Palavras  perdidas, vagando a esmo na poesia
Que se completa com os sussurros paridos
Por momentos que nunca foram esquecidos

Ah! Fosse eu um poeta! Um mágico poeta!
Desses que pinta o verso com a cor da alma
Que desenha coloridos sorrisos em lábios sem cor
Que pinta saudades como quem pinta uma flor!

Mas, ai de mim, não sei nem a cor da saudade!
Não sei a cor das lágrimas, nem da tristeza...
Delas, o que entendo, na poesia não sei contar
Não me permitem falar... só mesmo chorar

Por tudo isso minhas poesias ficam imperfeitas
Ficam versos incolores sem rimas e sem beleza,
Perdidos, escondidos em uma imensidão do vazio
Onde saudades e tristezas vivem em pleno cio

José João
03/02/2.022

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Apaga as cicatrizes... os jardins estão floridos

 Ah! Quantas cicatrizes ainda marcam minha alma!!
Ficaram como lembranças das tantas dores sentidas,
Das tantas saudades choradas, saudades vivas até hoje,
Soluços perdidos no tempo e angustias nunca vencidas.

Lágrimas choradas fazendo gentis caminhos no rosto,
Sorrisos fingidos presos nos lábios como sombras tristes
Tudo isso como cicatrizes enfeitando tão carente alma
Que apesar de tudo deita no tempo e sonha... paciente e calma

Ela sabe... ainda existem sonhos alegres a serem sonhados
Ainda existem sorrisos que um dia se farão verdadeiros
E que ainda existem corações para amar e serem amados.

Que ainda existem coloridos horizontes a serem percorridos,
É preciso estar atento, deixar os olhos livres, sem lágrimas,
Apagar as cicatrizes e ir, pelos tantos jardins ainda floridos.

José João
31/01/2.022

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Amar... é antes de tudo... viver

 Nunca é tarde para recomeçar, para sorrir, cantar
Nunca é tarde para amar, gritar com a alma: eu amo.
Estou disponível ao amor, à entrega, a um sonhar
Que riam das minhas rugas, delas eu não reclamo

Meus ombros curvos, passos curtos, voz cansada
Mas a juventude de um coração que aprendeu amar
Pulsa gritando poesias que nascem dentro da alma
Até a ruga que nasceu ontem sorri num novo cantar

Ah! Minhas mãos! Calejadas mas sempre carinhosas
Percorrem um rosto como fossem plumas divinas
Como fosse a brisa submissa acariciando frágil rosa

Ah! Meus tantos anos! Meus tantos cabelos brancos!
Testemunhos de que amar é saber-se vivo, renascer
Me ensinaram que amar é... antes de tudo... viver.

José João
27/01/2.022

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

É mais belo um sonho a dois

 Sozinho é fácil sonhar, se sonha qualquer sonho
É fácil caminhar, se caminha em qualquer caminho
Até cantar se faz fácil se canta qualquer canção
Sozinho não se tem pressa...é apenas ir ...sozinho

Ser só é mais fácil de sentir a dor lasciva da solidão
Como se a tristeza estivesse no cio para fazê-la viva
Ser sozinho é apenas isso, viver entre as angustias
Vagar no tempo e do vazio deixar a alma cativa

Grito ao mundo a minha loucura de amar sempre
Não correr só, entre os caminhos que a vida oferece
Ter sempre perto uma outra alma que à minha aquece

Ah! Sonhando a dois ... não se sonha qualquer sonho.
Há de haver flores não se caminha qualquer caminho
E se tiver, os dois sorrindo, varrem juntos os espinhos 


José João
25/01/2.022

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Um dia já fui poeta, hoje...


Um dia, juro, já fui poeta, hoje eu canto triste
Perdi a beleza da rima chorando no fim do verso
Em poesias incompletas com palavras esquecidas
Que não diziam mais nada, no tempo estavam perdidas

Não encontro uma poesia, mesmo em noites estreladas,
Nem quando uma se solta e vai correndo para o infinito 
Só os olhos se inspiram... as lágrimas se fazem versos
E no cálido silêncio da noite a alma declama aos gritos

Mas não são poesias... são orações em forma de pranto,
As vezes são murmúrios, gemidos que se fazem acordes
Em desencontrada sinfonia tentando imitar um canto

Minhas poesias ficaram soltas, voando perdidas por aí...
Em tristes volteios, quem sabe... volteando com  o vento...
Ou talvez apenas querendo brincar de ir com o tempo

José João
05/01/2.021

sábado, 18 de dezembro de 2021

relíquias perdidas

 Não sei onde estão mas... juro, estavam guardados,
Duas saudades, dois beijos antigos, algumas lágrimas...
Tinha até um sorriso se fazendo de alegre... fingindo
Um sorriso triste, desses que a alma sorri mentindo

Tudo dentro de uma pequena gaveta criada pelo tempo
Ainda cheia de espaços vazios, por guardar tão pouco
Duas saudades, beijos, lágrimas e um sorriso fingido
Mas era tudo, pedaços da vida que eu tinha vivido

Tudo era relíquia, não sei como perdi, pra onde foram
Ficou  um vazio... as saudades me ajudavam sorrir
Os beijos adoçavam o travor amargo do que restou

O sorriso fingido me fazia rir das dores que um dia senti
Tudo que se foi me fez assim, me fez como agora estou
Sem ter nada para mostrar, sem nem mostrar o que sou.

José João
18/12/2.021

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Hoje não tem poesia

Não sei por onde andam as poesias... se foram...
Não sei se partiram nas asas de uma ilusão perdida...
Se nas asas de um sonho que nunca mais voltou
Só sei que as perdi... quiseram se fazer esquecidas

As rimas se perderam nos versos incompletos, vazios
As palavras se esconderam, se perderam sem sentido
Outro dia havia uma poesia escondida dentro da noite
Tentei busca-la, mas se foi, disse que lhe havia mentido

Mentido!! Eu!! Tanto lhe falei de saudades, de sonhos...
Não sei mentir na poesia, está bem que até posso fingir
Declamando versos deixo os olhos fingirem sorrir

Mas mentir... nunca!! Está bem, hoje não tem poesia
Desculpem, vou sentar no pé do meu flamboyant florido
Será que as poesias encontraram um outro poeta preferido??!!

José João
14/12/2.021

domingo, 12 de dezembro de 2021

Nós dois em Veneza.

 Ainda lembro  o gondoleiro ... o violino,
Os acordes flutuavam no ar, como se as notas musicais
Fossem borboletas coloridas e... na água escura,
O reflexo multicolorido das luzes  que em  teus olhos
Refletiam a candura mágica dos anjos de Veneza...
E a volúpia de querer-te se fez tanta que esqueci
Gondola, violonista e gondoleiro... te tomei nos braços,
Sofregamente te beijei os lábios como se Veneza
Fosse o paraíso dos amantes. Ouvi ao longe
Uma guitarra em solo cantando o amor e dizia:
"Dio, come te amo não é possibile tanta felicitá"
Quase desfaleci em teus braços (lembro bem)
Deitei a cabeça em teu colo e chorei, não por tristeza
nem por dor... mas era tamanha a felicidade
Que as estrelas, tão perto, se fizeram luzes divinas
Tomei-as nas mão e te dei todas elas e... sorriste
Qual um anjo criança que abre, alegre, o coração...
Aí Veneza se fez luz, o gondoleiro, de repente
Era um querubim, o violonista se vestiu com asas
De pureza e o violino era uma harpa de acordes divinos
E como amantes ficamos Veneza viu em nós amor eteno.
Nos viu com homem e mulher e se entregou a nós
Tanto que ainda hoje Veneza canta para nós dois:
"Dio, come te amo non é possibile ... Noi due inamorati
Come nessuno ao  mondo, Dio, Dio come te amo"
Até hoje Veneza clama por nós dois, mas não sei ...
Não sei quem és ... nem onde estás

José João
12/12/2.021
(de 30/09/2.005)

Minha solidão preferida

Entre os homens!!! Mas não fosse o mar...
E meus sonhos... estaria só.
Espantaram meu silêncio e minha solidão despertou...
Mais forte, muito mais forte, não é a mesma solidão
Sutil e silenciosa de quando a noite acorda
E me desperta para sonhar e me convida pra chorar.
Essa solidão de entre os homens me angustia, 
Me machuca. Não é a solidão da saudade
Que sinto quando estou só na recordação do que fui.
É um sentimento de inexistência entre os homens,
Como se apenas não existisse.
Prefiro minha solidão da noite, meus sonhos...minha saudade
de  quando estou sozinho, para esses, com certeza,
Minha existência é fundamental.

José João
12/12/2.021

Sou feito de detalhes

 Sou feito de detalhes, uma escultura de mágicos entalhes
Esculpido por um artista divino com um mágico cinzel.
Mas quem sabe eu seja uma pintura feita no tempo
Pintada pelo mesmo artista divino com um mágico pincel?

Ah! Os detalhes de que fui feito todos têm uma razão
Alguns são detalhes comuns, desses cheios de defeitos,
Outros são detalhes raros, só vistos com o coração
E com tanto sentimento que até os julgam perfeitos

Assim, sou feito de pedaços, alguns já completos
Outros ainda em formação, aprendendo com a vida
E tantos já se foram hoje são lembranças esquecidas.

Sou como sou, feito de pedaços incompletos de mim
Detalhes que se juntam apesar das tantas desigualdades
E me fazem como nem eu sei, só sei que sou assim

José João
12/12/2.021

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

... viva uma história nova de amor

 Viver, é o que mundo ensina, as tantas lágrimas, dores,
Sorrisos e saudades que se misturam... se fazem vida,
Caminham no tempo levando a gente como passageiro
O segredo é fazer de tudo isso uma imagem colorida

Aprendi a fazer de qualquer dor, encantadoras cicatrizes
Verdadeiras tatuagens multicoloridas desenhadas na alma
Na aridez de meus pensamentos vazios criei ternas fontes
E desenhei estradas floridas indo até além dos horizontes

Sim, além dos horizontes,  não desses bem aí perto dos olhos,
Os meus vão muito além, onde só se chega em pensamento
Se souber se deixar levar pela doce magia do encantamento

Inventar, sem medo, novas histórias para as velhas cicatrizes, 
Refazer a pintura das tatuagens... pinta-las de outra cor
Ou então escrever na alma uma outra história de um novo amor

José João
24/11/2.021

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Amar... é beijar a alma de quem se ama

 Amar! Como é difícil! Muito fácil dizer: "te amo"
Todos dizem, riem ao dizer, até olham nos olhos, 
Mas, pra mim, sempre foi difícil... apenas falar!!!
Com quantas outras palavras diria a mesma coisa?
Quantos beijos são trocados durante um: "eu te amo"?
Mas beijar para afirmar o que se disse... é tão pouco!
Amar é tão difícil! Tanto quanto mostrar que se ama.
Beijos, até mesmo inocentes, efusivos abraços...
Mas onde neles estão as declarações verdadeiras
De um amor incondicional? Sem olhares ou palavras?
Ah! Essas tantas maneiras tão comuns de falar...
Mostram mais aos outros... e não interessa os outros,
Mas por quem o coração dispara, as mãos tremem...
A voz fica reticente e os sonhos se atropelam...
É fácil dizer te amo com um beijo no rosto...difícil...
É encontrar a alma e, em silêncio, beija-la com ternura
E... faze-la sentir...  e fazer desse momento... eterno.

José João
19/11/2.021

terça-feira, 16 de novembro de 2021

A noite

A noite... seus mistérios, seus silêncios e encantos...
Uma beleza misteriosa, uma mudez que se escuta...
Que se escuta com a alma que mostra, sem medo,
Todos o seus pecados, chega a gritar seus desejos...
E a noite calma, plácida e terna lhe ouve silenciosa.
E continua  solene, cheia de graça, a ser apenas ... noite.
Entre os galhos das árvores, como fossem  braços 
Erguidos clamando aos céus o que só eles sabem...
O luar se espraia, os galhos não lhe tocam e eles
Correm soltos na grama, no tempo na paz e na alma.
Tudo é tão silêncio que nem a brisa ousa se fazer ouvir...
Lá, no meio da noite, como se esta fosse um infinito templo,
Imagina-se palácios, rios correndo sem paradas
O murmúrio da água mansamente cantando amores,
Beijando as flores das margens, talvez levando lágrimas
Que a própria noite faz chorar por despertar saudades.
Ah! As noites! Silenciosas provocando buscas no tempo
Que só ela mesma sabe provocar e... fazer vivo.

José João
16/11/2.021


segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A flor (orgulhosa) e o beija flor


Um beija flor... que brinca entre as tantas flores
Voa irrequieto, rápido, coração batendo forte
Cada flor que beija seria um de seus amores?
Quem lhe dera fosse tanto essa tanta sorte

De repente pousa quieto... ao longe uma flor
Que pena não ter voz para cantar coisas da alma
Quem sabe a flor lhe ouvisse falando de amor
Num gorjear sublime cheio de paz e divina calma?

Arvora-se num voar irrequieto, em busca da flor
Que em pétalas luzidias espairece ao sol da manhã
Vaidosa, orgulhosa por tanta beleza a seu favor
Sente-se única, espreguiça-se como bela castelã

E chega o beija flor beijando-lhe a pétala luzidia
E a flor, com um olhar de tédio, se encrespa arredia
E a ele diz: Quem és tu para me dar assim bom dia?
Eu, a mais bela flor do jardim não te dou essa ousadia

O beija flor, coitado, lhe bateu mais de pressa o coração
Pasmo, timidamente perguntou: Porquê me falas assim?
Sou o beija flor, beijo as flores como se fosse uma oração
Sei que és a flor mais bela e mais viçosa desse jardim...

Se sabes disso, disse a flor, porquê te aproximas de mim?
Desculpa, bela flor, desculpa, admito... foi um engano
Tua beleza me inebriou mas agora me veio a lume
És apenas bela mas, coitada, desprovida de perfume

Vaidosa flor, a beleza se vai ao tempo... ela passa
Que pena se te orgulhas do dom da formosura!
Ao perderes a beleza, te restará apenas o queixume
Imortal na flor não é a beleza... é o doce perfume.

José João
15/11/2.021

sábado, 13 de novembro de 2021

Coisas que só a vida ensina

 Talvez, quem sabe por milagre, entre minhas tantas rugas
Ainda tenho o resto de um sorriso alegre que ficou em mim,
Um resto de olhar festivo, quando os olhos também sorriam
E a expressão prazerosa de um prazer que nunca tinha fim.

Lembro da juventude, todos os amanhãs a minha disposição,
Tinha tempo, não tinha pressa, até beijos ficavam para depois
Caminhava lento entre as horas, sabendo que eram minhas
E sempre, onde eu fosse, os rastros que se via eram de nós dois

Ah! O tempo! As novas rugas do velho rosto contando histórias
A alma cheia de coisas antigas, de detalhes nunca esquecidos
Ainda assim, vou em busca de outras conquistas, outras vitórias

Que os tempos idos e antigas lembranças me ponham ainda atento
Afinal, me prepararam  para sentir, mais que ver, a vida lá na frente
E mesmo com minhas novas rugas, estar vivo ... sem ser carente.

José |João
13/11/2.021


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Fiz do amor uma oração...

 Ah! quem me dera pudesse falar apenas com o olhar!
Não precisar de palavras, tão poucas para tanta ternura
Quais palavras poderiam dizer o que sente minha alma?
Quem dera os olhos mostrassem essa inocente loucura

Essa minha alma! Sempre atenta a apenas se entregar
E sempre desperta para o que mais de meio mundo
Permanece adormecido... essa beleza única de amar
Como se mais nada fosse preciso, como se pensar fosse pecar

Sigo entre meus próprios sonhos sem buscar razões,
E pra quê? A razão não explica o que faz o amor...
A razão é tão louca que até chega a matar as emoções.

Quando uma ansiedade incontida desperta para o viver 
Quando um pulsar forte, desmedido, acorda o coração
Aí a alma confunde o amor com a mais perfeita oração

José João
29/10/2.021

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Onde só os sonhos podem chegar

 Há de haver um lugar, bem longe dos olhos ,,,
Onde só sonhos podem chegar e nele viver,
Um lugar cheio de arco-íris feito de flores
Onde só os beijos fazem o amor florescer

Lá, estrelas brincam de nascer como crianças
Fazem riscos no céu levando os pedidos
Pedidos feitos por quem ainda não sabe sonhar,
Há de haver esse lugar feito apenas para amar

Dizem que, nesse lugar, os corações apaixonados
Não precisam falar, dizem que suas almas se sentem
E que os anjos, com a voz da brisa, se põem a cantar

Canções divinas com acordes que só os anjos sabem
Dizem que até as lágrimas são alegres e sorridentes 
Que lá não existe saudade nem... corações carentes.

José João
25/10/2.021

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Porque ainda não sei se...

 Ah! Já caminhei por tantos caminhos que nem sei,
Estradas, veredas, em alguns deixei meus rastros
De outros trouxe dores, de poucos, muita saudade
Todos esses momentos parecem ter a mesma idade

Me perdi no tempo, perdi as rotas por onde passei
Sei que em muitos, meus rastros foram de prantos
E se perderam sugados pela marca de outras dores
Alguns, me escreveram na alma verdades e encantos

Hoje percorro outros caminhos, cheios do que vivi
Levo cantos, palavras e versos que ainda não escrevi
Tenho até poesias escritas com o que há muito senti

Guardo como se fossem de ontem, porque ainda não sei
Se serão emoções diferentes das que um dia já senti
Ou serão apenas lágrimas novas chorando o que já chorei

José João
16/09/2.021

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Agora... o tempo é o poeta

Quantas vezes minhas lágrimas molharam as poesias!!
Quantas vezes a solidão, sem cerimônia, se fazia rima!!
Já escrevi versos perdidos de mim, em poesias vazias
Até já fiz do pranto, para meus versos, matéria-prima

Quanto já chorei sentindo a dor sufocante de uma saudade!
Sentindo o peito arfar no desejo de gritar apenas um nome!
Até quis fazer de cada momento um instante de eternidade
Mas apenas consegui prantos, tudo se vai e a dor não some.

Hoje as poesias não são mais minhas, são todas do tempo,
Ele me escreve em contos e versos até desenha meu sonho
E a tudo isso, por tanto que já perdi, deixo, não me oponho

A ele empresto lágrimas, sorrisos tristes, olhares vadios,
Lembranças perdidas, silencio, versos ainda não escritos
Empresto, até a triste perfeição do meu distante olhar vazio.

José João
15/09/2.021

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Amar... por sempre amar

 Não há de ser o medo de amar que me afaste do amor,
Não há de ser o medo de chorar que me faça não amar,
Vou falar sempre, mesmo que minha voz perca o calor
E, se me faltar, ensinarei as lágrimas ao amor se confessar

Se um dia o tempo encher minha voz de reticências,
E as palavras se fizerem sussurros, sem querer sair 
Não calarei meu grito, minha alma saberá como falar.
Falarei como os olhos, ensinarei meu olhar a sorrir

Não há de nada me fazer perder a vontade de ser amante
De me entregar em devaneios puros e inocentes, sem temor
De me deixar servo cativo dessa majestade... o amor

Se depois de tanto, se depois de tudo, me perder no tempo
E, por isso, sem que queira, ele me cercar de solidão
Continuarei amando na saudade que vem morar no coração

José João
10/09/2.021

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Só agora e ...não importa mais

 Tempo!! E eu tive tanto! Tive todo o tempo do mundo
Para dizer, te amo. Nas manhãs, ao nascer do sol...
Nós, juntos, mãos dadas e eu... não disse, calei.
Ao por do sol, nós, sentados na frente do mar...
O sol a fazer caminho sobre a água prateada e reluzente 
E eu... não disse. Te olhava nos olhos, sorria...
Me via nos teus olhos, queria gritar te amo e... não fiz.
Tive todo o tempo do mundo... te dei flores, beijos
Mas... não sei porque nunca disse: te amo.
E hoje, depois que te foste, minha alma, alucinada,
Sente vontade de gritar te amo e... quando essa vontade
Vai além de mim... grito, entre soluços... te amo.
Hoje me vi perdido nas lembranças que deixaste...
E as lágrimas que choro, percebo, não é só saudade
É também remorso por ficar tanto tempo calado, sem dizer
O que agora sei que te faria feliz... pedir perdão...
Peço, mas a mim não perdoo por não dizer o que querias
Ou precisavas ouvir. Tive todo o tempo do mundo...
Agora que não estás aqui... agora que vejo o que perdi,
Agora que sei que não vais me ouvir... digo: Te amo,
Chorando, com gosto do pranto que a alma chora

José João
26/08/2.021

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Soneto da loucura!!??

Sim, sou louco! Amo como se amar fosse viver,
Vivo meus sonhos como fossem todos verdade
Não me importa o velho rosto e novas rugas
Para amar... para amar, quem disse que tem idade?

Dou-me ao prazer de me entregar todo e pleno,
Na minha doce loucura de amante, sou todo eu,
Deixo que a alma faça alarde ao dizer... te amo
Que o gosto de amar se divida, não seja apenas meu

Gosto de dividir risos ternos num pulsar forte
Quando o coração alegre sente em ritmo frenético,
A alma... declamando versos em suspiros poéticos

Aí o tempo para, meu velho jovem rosto se ilumina,
Então corro entre meus sonhos, em plena liberdade
De ser eu, um louco amante, sem medo da idade.

José João
04/08/2.021

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Retalhos de sonhos


Quantas vezes meus sonhos foram rasgados, 
Foram rotos, viraram retalhos de mim! 
Quantos como apenas sombras estão agora 
Caídos num esquecimento quase sem fim. 
 
Vivê-los outra vez é tentar o impossível, 
Apenas como lembranças posso senti-los, 
Lembranças quase apagadas no pensamento 
Que saudades insistem em me fazer ouvi-los 

 Alinhavar meus sonhos rasgados... como? 
Costura-los com a linha do tempo, até tentei 
Mas foram outra vez rebentados os que costurei 

 Busquei pedaços perdidos em detalhes vividos 
Procurei rastros talvez perdidos no tempo 
Nada encontrei, todos já se tinham perdidos 

 José João 
30/07/2.021

quarta-feira, 28 de julho de 2021

O amor... um eterno vício

Hoje, não sei porque, os sonhos e lágrimas se foram,
Ficaram algumas lembranças vazias, quase detalhes,
Desses que se perdem no tempo, se fazem pedaços
E ficam fazendo a alma chorar seu tanto cansaço

De ter se entregado, como se loucuras fossem verdades,
Acreditando no que dizem... que o amor é... eterno,
Que se existisse razão no amar nunca ele seria assim
Para sempre, um sonho que não se quer que tenha fim

Rio-me tanto que até as vezes choro, sim, choro de rir
E até não sei se rio da dor que sinto ou se rio mesmo de mim
Que fiz a alma acreditar, inocente, em uma ilusão assim

Ah! O amor! Apenas uma loucura que mora dentro da gente
E grita, e manda, até a própria alma, calmamente, alicia
E como se fosse um ópio, lentamente, sem pressa ele vicia

José João
28/07/2.021

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Noite, prantos e saudade

As vezes é o brilho do prateado do meu pranto 
Que ilumina o escuro da solidão que toma o tempo.
Sento na noite, sem me importar com o escuro
E o pranto se faz luz, se faz rastro, se faz encanto

Brilha, iluminado, na fresta do portal do vazio
Onde a lua derrama toda sua imensidão de silêncio
Brincando se fazer poesia nas sombras da noite
Parindo mistérios e sonhos como estivesse no cio

Eu, o provedor de prantos, deixo-os livres, soltos
A se fazerem palavras mudas, voando sem rumo
Em poesias com rimas perdidas, de versos rotos

Assim, me vêm sonhos que nem sei se mesmo sonhei
Murmuro palavras, dede muito, no tempo perdidas
E chegam saudades que pensava terem sido esquecidas

José João
21/07/2.021

terça-feira, 20 de julho de 2021

Uma saudade distante

 Um dia, quando a noite ainda namorava no horizonte
E as estrelas, ainda pequenas, pareciam mais longe ainda,
Eu, sentado na beira do rio, vendo as águas correrem mansas
Olhava, desenhado no horizonte, mais um dia que finda

Quando, de repente e não sei de onde, chega uma saudade,
Simplesmente do nada, chegou em silêncio, entrou e ficou,
O pensamento voou longe, buscou nomes e... uma verdade
Senti os momentos tão vivos que pareciam ter pouca idade

Mas, buscando no tempo, sabia que eram momentos caducos
E que a saudade, de cabelos brancos, coitada, se fazia de ontem
E gritava para o pranto: andem, quero ser chorada, se aprontem

Como se quisesse ser chorada outra vez com lágrimas novas
E os olhos... que se perdiam buscando estradas no horizonte
Deixaram duas lágrimas caírem para chorar aquela saudade distante

José João
20/07/2.021

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Agora a saudade ri comigo

Apaguei do tempo as horas tristes, me vesti de mim,
Essas horas não me deixavam sentir uma saudade alegre
Dessas, que os olhos, em lágrimas, fazem dourada festa
E brincam de fazer caminho no rosto salgando o sorriso
Que nasce como criança e cresce como grito da alma.
Quantos sorrisos deixei de sorrir nas tantas horas tristes?!
Quanta angustia já vivi!! Quantas dores sentidas me vinham
Parando o tempo nas noites frias em que tudo era vazio!
Ah! Quantas vezes, sozinho, me vi chorando prantos 
Que saiam soltos e iam molhando os versos perdidos
Que insistiam em se fazer tristes, sem forma e sem rima.
Apaguei o tempo, deixei que tudo isso se fizesse escombros,
Lágrimas, agora, só de encantos que chegam em alarde
Fazendo a voz  declamar versos que a alma dita, e a saudade?!
Só de momentos que se fizeram vivos, que fizeram o peito 
Pulsar no descompasso só acontecido quando a emoção
É maior que a razão e esta se esconde atrás do silêncio.
Hoje tenho saudades alegres, acreditem, de momentos que crio
Até mesmo mesmo sem nunca tê-los vivido.

José João
16/07/2.021

quinta-feira, 15 de julho de 2021

O perfume de tua saudade

 ... me entrego a te recriar na ansiedade de minha alma
Que busca  os momentos, os sonhos que sonhamos juntos,
As histórias que escrevemos, os passos que demos no tempo
Tudo me vem, até beijos que não aconteceram... eu invento.

Vou por caminho que passamos um dia, já não há marcas
Sento no mesmo lugar vendo o horizonte que tanto vimos
E sinto tua falta, tua ausência... quanta angustia me invade!!
Tanto é  que juro sentir até o perfume de tua saudade

Um silêncio diferente me toma desde a voz até a alma,
Que se põe a recitar versos cheios da vontade de te
Eu!! Um provedor de lágrimas choro pelo que vivi

E vou entre as vontades, os sonhos e os tantos detalhes
Que agora, depois de tudo, se fizeram histórias vivas
Onde a alma, em desespero, chora lágrimas já cativas.

José João
15/07/2.02

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Hoje não sou poeta... sou apenas eu.

 
Hoje não. Não vou chorar as dores de ninguém,
Nem vou chorar saudades que não sei sentir...
Não batam em minha porta pedindo poesias assim
Hoje, tenho o direito de chorar apenas por mim.

Sintam suas angustias, chorem suas dores, e daí?
Tenho as minhas e quem por mim vai chora-las?
Quem bate em minha porta e vem chorar comigo?
E ainda dizem: toda essa dor deve ser castigo.

Não vou chorar nos meus versos nenhuma saudade
Nem fazer rimas entre dores, angustias e prantos
Quem quiser que escreva suas tristezas e encantos

Hoje, meus prantos são todos e somente meus
Não me achem para fazer versos com dores alheias
Que suas almas chorem os prantos que são seus.

José João
                                                                         12/07/2.021

Será?! Será que sou poeta??

As vezes procuro inspiração em lágrimas alheias,
Choro saudades que não são minhas, invento prantos,
Sonho sonhos que não são meus... que me contam
Se meus versos riem, são prazeres de outros encantos

Empresto até angustias a quem não sabe senti-las,
Quantas vezes emprestei meus olhos para chorarem!
Doei lágrimas avulso, deixei-as livres para mostrar
Dores vivas daqueles que, coitados, não sabem chorar

Dou-me a isso, a escrever versos de dores emprestadas,
Seria muito egoísmo chorar apenas as dores que sinto
Mas, na poesia, toda as lágrimas são minhas, não minto

Choro a tristeza daqueles que, infelizes, nunca amaram,
Também daqueles que se entregaram e hoje estão só, 
Com a alma encharcada dos prantos que nunca choraram.

José João
12/07/2.021