quarta-feira, 8 de julho de 2026

Não sei mais...

 Não sei mais brincar com as flores, sentir o perfume,
Não sei mais sentir o pratear do luar sobre os jardins,
Não vejo mais beleza no valsar das sombras no chão
Não sei mais deitar na relva ouvido coisas do coração

Perdi o contar do tempo pelos ontens, hoje a amanhãs,
Ficaram iguais, como se solidão e vazio se fizessem dia,
Perdi o sabor do vento, e assim desaprendi dizer: te amo
Sei, agora, murmurar palavras sem calor, palavras frias.

O horizonte, lá no fim da tarde, já não é mais poesia,
A lentidão das horas, cruzando a solidão, é irritante,
Até a brisa, que antes se fazia doce de terma carícia
Chega em incoerentes volteios num chegar sufocante

A saudade, que faz se sentir o que aconteceu ontem
Parece que perdeu o prazer de ser, o prazer de lembrar
Então, chega uma angustia gritando desde a alma:
É hora de sentar no tempo, mãos na fronte, e chorar

José João
08/07/2.026

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