A fazer que simples palavras lhes saiam do coração,
Feito melodia, canto angelical, ou até mesmo oração
Como fosse de um divino aos pecados lhe dar perdão.
... Se é dos poetas a dádiva de uma alma assaz carente,
De tudo que a poesia possa se fazer, a ele foi permitido,
Costurar prantos, saudades, risos, num mesmo verso
E cerzir num sorriso inocente a dor do adeus mais doído
Como posso ser poeta? Se não sei dar riso ao pranto!?
Se nas angustias já vividas, nelas esqueci o que é viver?
Como posso ser poeta se perdi, do mundo, o encanto?
Perdido em tantos vazios, não me permitiram aprender
Como posso ser poeta?! Não sei nem contar da agonia
Que por vezes inspira versos contando fingidas mentiras!
Só os poetas sabem e, com maestria, mentir sem pecar
Sabem fazer de suas histórias, divinas orações e rezar.
As vezes escrevo alguns versos pelo prazer de me ouvir
Contar sonhos, contar fantasias, como sonolento delírio,
Como fosse uma estrada por onde de mim posso fugir.
Como ser poeta?! Se nem para contar mentiras, sei mentir?
José João
22/07/2.026
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