quinta-feira, 23 de julho de 2026

Solidão! É como a noite enquanto não chega luz

Ah! Solidão! Quem me dera pudesse calar-te a voz!
Essa voz estridente que grita na alma, sem remorso
O sentir das dores que desde quando se fizeram vivas 
Se fazem de doloroso tormento na pobre alma cativa

Que, com alucinante prazer, até do silêncio faz eco
A ir-se por entre os sonhos, já quase no tempo perdidos,
A repetir silenciosa voz que dos olhos saem em pranto
Como fossem orações rezadas em clamores já vencidos

Nefasta solidão que, no tempo, se alastra como poeira
Queimando os olhos que insistem em chorar o que sente,
E se mistura com lágrimas choradas, com sal temperadas
Para que a alma sinta o sabor do pranto e se faça demente

Ah! Solidão! Que de vazio encharca o tempo, que perece
Num caminhar mais lento para a dor ser bem mais doída.
Quem dera, de te,  pudesse fazer meras e sutis sombras 
E apagar-te como fosses noite que com a luz desaparece

Cruz Filho
23/07/2.026

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