Essa voz estridente que grita na alma, sem remorso
O sentir das dores que desde quando se fizeram vivas
Se fazem de doloroso tormento na pobre alma cativa
Que, com alucinante prazer, até do silêncio faz eco
A ir-se por entre os sonhos, já quase no tempo perdidos,
A repetir silenciosa voz que dos olhos saem em pranto
Como fossem orações rezadas em clamores já vencidos
Nefasta solidão que, no tempo, se alastra como poeira
Queimando os olhos que insistem em chorar o que sente,
E se mistura com lágrimas choradas, com sal temperadas
Para que a alma sinta o sabor do pranto e se faça demente
Ah! Solidão! Que de vazio encharca o tempo, que perece
Num caminhar mais lento para a dor ser bem mais doída.
Quem dera, de te, pudesse fazer meras e sutis sombras
E apagar-te como fosses noite que com a luz desaparece
Cruz Filho
23/07/2.026
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