Escrevendo poesias no tempo, regando flores com pranto,
Pintando o mundo cor de saudade, esculpindo nas nuvens
Um rosto nunca esquecido, terno, doce, de eterno encanto.
Assim vai minha alma, busca estrelas para enfeitar o dia,
As noites já estão cheias delas, é preciso algo diferente,
Fazer que as flores gorjeiem seu perfume em trinados
Mesmo que só possam ouvi-los os amantes, os carentes
Minha alma viajante vai inventando coisas incoerentes
Precisa mudar o pensar, nem só de saudade se pode viver
Solidão não é companhia, o vazio não tem nada pra se ver
Inventar o que ainda não existe é preciso, é fazer acontecer
Por isso minha alma vai por aí, faz artesanato de nuvens,
Pinta pôr-do-sol com lágrimas que chora ou emprestadas
Faz arranjos de tristezas costuradas com risos fingidos
Até faz canções que a alma, mesmo chorando, grita calada
José João
09/07/2.026
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