Na multidão, a dor da solidão é maior que está sozinho,
A tristeza é mais triste, o vazio é maior, mais completo,
As palavras perdem o sentido e nada mais sabem dizer
Tudo fica sem cor, só o silêncio sabe o que deve fazer
E faz. Silencia o tempo, cala a alma que em triste mudez,
Se entrega a um desastroso pranto que até acham ridículo,
Chorar no meio da multidão é se fazer palhaço sem graça
É fazer que o pranto se faça veneno servido em tosca taça
Chorar no fim da tarde, sentado no tempo, é até um prazer,
Ouvir o murmúrio da alma entre chorar e cantar baixinho,
Fica fácil para a solidão falar o que a alma tanto quer saber,
Tão docilmente ela diz que se pode ouvir, chorar e entender
Horizonte colorido, sol se pondo, um caminho sobre o mar,
A brisa sussurrando uma canção de saudade, um triste canto
O mar, salgado pelas lágrimas que não se sabe quem chorou
Não pergunta porque choras, deixa que com ele vá teu pranto
Cruz Filho
28/07/2.026
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