sexta-feira, 12 de agosto de 2022

O mundo também é assim... mágico.

Quantas vezes a brisa carinhosa enxugou minhas lágrimas?!
Quantas vezes a doçura do por do sol refletiu em meus olhos
Suas cores divinas com sublime singeleza para que brilhassem?
E o sussurrar do vento! Quantas vezes me contou histórias...
Declamou versos, rezou ladainhas que só eu sabia e podia ouvir?
E o nascer do sol! Quando na noite a insônia era companheira!
Ele chegava brincando de orvalhar as flores, que despertavam
Exalavam todo seu perfume me gritando que outro dia nascia...
Os pássaros, meu amigos, em algazarra de retreta faziam festa
Para me alegrar e cada um gorjeava mais alto e mais bonito.
Ah! Não fossem eles... como estaria? Até me ensinaram canto!
As folhas, encharcadas com os beijos do luar e canto dos pássaros
Dançavam alegres num valsar estranhamente inocente e belo...
Como se rodopiassem no mesmo lugar com um encanto único.
Ah! O mundo!! Tão bonito! Tão mágico! E eu não sabia!
Só depende de você e de como prepara a alma para vê-lo.

José João
12/08/2.022



Como é possível viver sem amar?

Os olhos secos, a alma vazia e nenhuma saudade,
Não há histórias nem detalhes, nem mesmo tristeza,
Coitada da pobre alma que nunca soube o que é amar
É como se vegetasse, sem nem ao menos poder sonhar

Entrega-se à angustia sem mesmo saber o que é viver,
Pensamentos vorazes se atropelam cheios de rancores
Como estradas perdidas que não levam a lugar nenhum
Coitada, até sem prantos para chorar suas própria dores

Preferi, logo cedo, aprender amar e... também chorar,
Me entregar sem medo do pranto e assim me fazer vivo
Olhos contando histórias de amores que me fizeram cativo

Choro saudades, detalhes que nunca me permiti esquecer,
Lembro de histórias que ainda hoje choro fingindo sorrir
Como vivi! E como as lembranças ainda me fazem viver!!!

José João
12/08/2.022


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Coisa de amigos poetas.

Onde está minha poesia? Guardei-a nessa caixinha
Trançada com fios de nuvens, nuvens do alvor do dia.
Nessa caixinha guardo pétalas que ainda vou colorir,
Guardo o perfume das flores que ainda vão nascer,
Guardo saudades, lágrimas, sorrisos, até os fingidos,
É onde guardo também minhas poesias incompletas
E nela guardei a minha e, agora parece... desapareceu!
Ah! Eu sou um Querubim Poeta, sou eu quem pinta
O horizonte para o por do sol, quem lustra as estrelas,
Sou eu quem faz, de uma a uma as lágrimas da alma,
É minha poesia que afaga os corações mais tristes!
E agora minha poesia desaparece!!! Como pode ser?
Estão as pétalas que ainda vou colorir, estão as flores
Que vão nascer amanhã, o perfume... mas a poesia!!
Sou um Querubim Poeta... mas isso me dá muita raiva.
Como ela desapareceu da minha caixinha de nuvens?
Espera... deixa eu ver... essas marcas, sei de quem é,
Sei, roubou minha poesia que estava quase completa!
Foi o João!! Sim foi ele... e  depois diz que é poeta!

José João
10/08/2.022

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A lágrima só é bela quando é a alma que chora

Deixa-me ir, dizia a lágrima aos olhos vazios...
Deixa-me mostrar ao mundo que sou poesia,
Que posso contar histórias da alma que chora
Sem as palavras e sem rimas, como faço agora

A lágrima implorava aos olhos em fervoroso pedido,
Este, indiferente, fazia que o pranto se frustrasse
E em desespero perguntasse; Tu não és a janela da alma?
Sou eu a sua voz, sem mim seu sentimento não é percebido

E tu, que te dizes ser dela a janela, se fecha aí... vazio
Como se fosses um mero espectador de sua angustia
Como se fizesses de te mesmo um infértil jardim baldio

Aí... os olhos que pareciam sonolentos... despertaram
E com olhar embargado como se sentisse dor infinda
Disse: apenas esperava que te fizesses ainda mais linda ...
.......................... ........................... ...............................
- agora vai e conta ao mundo o que a alma sente -

José João
08/08/2.022

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Ah! Como fala esse meu silêncio de agora!

As vezes tenho raiva de mim... por tudo que não fiz...
Coisas tão fáceis de dizer e... não sei porque não disse.
Sem tempo de ouvir... quantas coisas ficaram no silêncio!
Quantos olhares se perderam sem que eu nada visse!!

Tantos sorrisos perdidos apenas pelo medo de sorrir
De mostrar a alma, mostrar a singeleza de um momento!
Quantas vezes me escondi em silêncios maliciosos
Que hoje me entregam, sem pudor, a tenebroso tormento.

Quantas vezes ficou preso na garganta uma única palavra!
Que poderia acalmar uma alma triste e cheia de ansiedade!!
Poderia faze-la sorrir, e inundar-se de inocente vontade

Quantas vezes nada disse por apenas nada querer dizer,
Mesmo tendo tanto para ser dito preferi calar sem razão
E agora, quero ouvir, falar, e o silêncio me diz ... não.

José João
05/08/2.022


terça-feira, 2 de agosto de 2022

Ah! Se eu ainda fosse poeta!!!

                                                                             
Não sei... mas acho que um dia já fui poeta...
Contava estrelas ao meio dia, como está agora,
Mas não vejo as estrelas, mas eu via... era poeta.
Brincava de conversar com as flores... os lírios,
Um dia até vi um pé flamboyant cheio de orquídeas,
Sim, orquídeas num pé de flamboyant, agora sou louco!
E o rouxinol, quando eu era poeta, ouvia um belo dueto,
O rouxinol com o sabiá, cantavam hinos divinos...
Como fossem anjos brincando de alegrar o mundo.
Um dia parei uma águia que brincava de voltear, 
Chamei-a, pus em seu bico um ramo de oliveira
E a mandei ir distribuir paz em todo o mundo,
No outro verso pedi que ela me ensinasse a voar...
E aprendi, minhas asas, do tamanho do meu pensamento
Me levavam onde quisesse ir. mas ... eu era poeta.
Quantas vezes colori lágrimas com a cor do tempo
(vocês conhecem a cor do tempo? Não! Que pena!!)
Esculpi prantos, sim, muitos prantos, e sem cinzel,
Apenas usando os olhos e o rosto... já fui poeta.
Hoje não, nem sei mais fingir alegria quando choro...
Não sei nem mais encontrar as estrelas cadentes 
Que caiam no meus quintal, sabia quando era poeta.
Hoje não...hoje tudo é tão verdade que até fingir...
Sim, fingir, não é mais um brincar de enganar a alma 
É a dura verdade de não se saber mais o que é verdade.
Ah! Se eu ainda fosse poeta!!

José João
02/08/2.022


Poeta, eu?!! As poesias é que se fazem.

As vezes a poesia vem aos gritos, alvoroçada,
Vestida elegantemente em rimas perfeitas, 
Palavras postas na exata ordem do dizer
Cantando em ladainhas a doçura que é viver

Outras vezes ela vem em completo desalinho...
Com versos longos, sem rimas e sem encantos
Vem lenta, calada, como se não fosse uma poesia
Fosse só mensageira trazendo uns tantos prantos

Ah! Essas poesias que não sei como se criam!!
Onde nascem... contando as coisas que se sente!
E como elas nos sabem e contam coisas da gente?!

Mostram da alma nossas virtudes... nossos defeitos
Brincam com a gente, até fingem o que querem ser
Essa aqui chegou poesia... e por nada, se fez soneto.

José João
02/08/2.022

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

As vezes a noite é tão carinhosa!

As vezes passeio entre as estrelas... como se fossem flores
Como se o céu fosse um jardim e o pensamento uma estrada.
Voo também em sonhos que se vão em meigos e leves volteios
Brincando de voar com os raios de luar, com estrelas cadentes,
Deixo minha saudade brincar de escrever em meu rosto
Minhas tantas histórias que, quando noite, são mais vivas.
Até parecem histórias de ontem, algumas até mais doídas
Então peço para as estrelas cadentes levarem a saudade triste
E na volta, trazerem saudades alegres, mas elas, as estrelas,
Passam tão rápidas que não dá tempo de fazer todo o pedido,
Mesmo o pensamento indo com elas, não levam a saudade triste
Nem trazem uma saudade alegre. Ah! Essas estrelas... apressadas!!!
Já vem o alvor do dia... um alvorecer preguiçoso, lento
Vindo lá de um horizonte colorido, o sol em estardalhaço
Parece gritar que está vindo, a noite corre alvoroçada, as estrelas
Se perdem, nessa agitação somem as saudades, os prantos
Só a solidão, que mesmo entre tantos, continua impassível,
Sem remorsos, como é sempre.

José João
01/08/2.022


sexta-feira, 22 de julho de 2022

O rosto e o pranto

Meus versos, algumas vezes, são lágrimas da alma
Chorando saudades tristes, lembranças quase perdidas,
Detalhes esquecidos que um dia até já foram histórias
E as palavras... se fizeram poucas para serem ouvidas

Minhas poesias, pedaços da alma, escrevo com prantos
Com palavras molhadas, encharcadas de dor e de mim
Costuradas pelo tempo, soberbo alfaiate das minhas ilusões
Que até um dia foram sonhos, hoje, são loucas alucinações

Sento no tempo, perdido na noite, olhando sem nada ver
Vou buscando lágrimas, saudades, pedaços de pensamentos
Já madrugada, busco o pranto... só com ele sei escrever

Não preciso de papel, seria pouco e eu ... escrevo a gosto
Como fosse preciso fazer um poesia completa em cada verso 
E qual melhor cenário que o pranto escrevendo no meu rosto?

José João
22/07/2.022

terça-feira, 19 de julho de 2022


 
Por Tanto, Prefiro Cético Calar

Porque essas tantas perguntas?
Tantas respostas sem serem ditas?
Por acaso minhas mentiras são verdadeiras?
Como posso gritar ao mundo se não tenho voz?
Calar é só o que posso fazer, porquê?

Parece que ontem tinha a voz livre
Toda verdade era dita sem medo
Perdeu-se no tempo a força do dizer
Caminhava entre as palavras soltas
Contando histórias que todos sabiam

Perdi a força de falar para o mudo
Tudo que aprendi um dia, juro que perdi,
Passo agora o tempo vendo o que não sei,
Contando o que mandam que conte
Como se calar agora fosse ser herói

domingo, 10 de julho de 2022

Um verso, uma palavra e as tantas verdades

O que não cabe em meu verso?
dor
Mas nos meus versos sempre tem
lágrimas
Porque é assim que sei escrever
saudades
Também no mesmo verso mostro
prantos
São versos curtos que contam
angustias
E ela não dita, no tempo se faz
silêncio
Não se ouve, não se vê que triste
solidão
Quem mais fica a esmo, perdida?
alma
Que busca terminar suas aflições 
rezando
No verso menor, a palavra mostra
verdades
Dor, lágrimas, saudade e prantos,
Angustia, silêncio e solidão,
Almas rezando... são verdades
Que quase ninguém vê.

José João
10/07/2.022

A embriaguez dos meus versos

Quantas vezes fugi pra dentro da poesia! Quantas vezes!
Contando alegrias que nunca senti, fingindo histórias
Que nunca vivi! Sentindo carícias que nunca existiram.
Quantas vezes busquei rimas no nada, como se o nada
Estivesse cheio de saudades mortas ou lembranças perdidas.
Ah! Os versos! Quantos de mim fugiram! Rimas alinhavadas
Em lágrimas soltas, em palavras rotas, em versos incompletos
Porque o pranto insistia em ser a maior verdade da poesia.
E assim, na verdade que se fazia ser, tomava conta das palavras
E a poesia não se queria fazer toda de pranto... e nem podia
Ia embora de mim como se fosse uma brisa fugidia que preferia
Ir em volteios leves a lugar nenhum que ser toda pranto...
E eu... desenhava nos lábios um arremedo de sorriso,
Balbuciava pensamentos inaudíveis, como são os pensamentos
E fingia que eram versos que... nunca se fizeram completos
E eu, a poesia fingida que insistia em não me fazer árido de versos
Íamos ao tempo como bêbados, com pensamentos embriagados
Contando mentiras, como se viver fosse apenas isso... um mentira.

José João
10/07/2.022

domingo, 26 de junho de 2022

Quem dera eu fosse a voz da humanidade!!

Brinco de pintar o horizonte com cores que só eu sei,
De esculpir flores em nuvens, enfeitar a saudade com beijos,
De brincar com as palavras em versos cheios de verdades
Ou de fingidas histórias que insisto em fazer verdadeiras.
Eu!!! Alinhavo pedaços de sorrisos em qualquer papel...
Faço que a palavra tenha outro sentido, brinco de fazer isso.
Até já fiz a brisa cantar ladainhas em volteios inocentes.
Converso com as flores, lustro suas pétalas macias...
Guardo seu perfume em caixinhas de musicas coloridas...
Posso fazer tudo isso. Lustro estrelas, até as mais distantes.
Prendo as estrelas cadentes em folhas de papel, só pra mim.
Posso esculpir uma lágrima no rosto alegre do palhaço,
Ou um sorriso se o rosto precisar fingir que está risonho.
Eu! Posso fazer o impossível, posso parar uma águia no ar
No fim de um verso e, no outro, falar da beleza da primavera,
Do flamboyant florido, do Lírio apaixonado pela Azaleia.
Posso tudo. Sabem que sou eu? Não? EU SOU A ARTE
E VOCÊS... OS ARTISTAS QUE USO PARA FICAR VIVA.

José João
26/06/2.022

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Aprendi a sorrir com os olhos

A tristeza me ensinou sorrir... sorrisos diferentes,
Sorrir chorando não é fingir, é mesmo chorar,
É como gritar com os olhos, quando as lágrimas
Correm no rosto, é como fossem palavras silenciosas
Que só a alma sabe dizer... num copioso silêncio.
Sorrir com os olhos! Ah! Quantas vezes já fiz isso!!
As vezes a saudade vinha lentamente com o pôr do sol,
As lembranças fervilhavam na alma carente... sozinha...
Aí os olhos, solidários, sorriem brilhantes num olhar vago
A se deixar ir lá longe, de carona com o pensamento
Indo buscar até mesmo detalhes que ficaram perdidos.
Até gargalhar meus olhos sabem, se perdem no tempo...
Gargalham como fosse o gorjear de um pássaro alegre...
Riem tanto que choram, as lágrimas deslizam no rosto,
Umas se perdem ao vento, outras se fazem caminhos...
Algumas se dão ao luxo de salgar a alma com beijos.
Mas triste mesmo, é um sofrido soluço de uma saudade
Que os olhos, espantados, se derramam em pratos...
Mas tantos que nem fingir sabem... choram mesmo.

José João
20/06/2.022

É assim que te amo

Te amo tanto, que tua falta me sufoca a alma, que grita
Dentro de mim tua ausência, que me faz as lágrimas
Escreverem teu nome em meu rosto como carícias,
Essa vontade que me invade, que te traz pra mim,
Apenas me diz o quanto te amo. Tudo em volta,
Tem teu perfume, parece que o tempo me sorri
Com teu sorriso, que a brisa tem a sutileza suave
De tuas mãos brincando de desenhar em meu rosto
Palavras gritadas em silêncio que só a alma ouve.
Te amo com a certeza de nós dois, te amo
Dentro dos sonhos que me fazes sonhar, te amo...
Te amo no silêncio que me permito para te sentir mais,
Para ouvir teu ofegar quando nós dois, numa entrega
Sem pecados, nos damos um ao outro na imensidão
Do que nos fizemos ser. Te amo e, a cada amanhã,
Te amo mais, muito mais e, se há de o céu
Querer proteger esse meu querer, um dia ele terá
Que crescer para poder cobri-lo.

José João
20/06/2.022

Retalhos de versos e... de mim

Qual pássaro no chão caído
Gorjeando prantos doloridos
Se fez minha pobre alma aflita.
Dentro de mim a solidão aplaude os versos
Que a tristeza recita, a angustia pede bis,
Mas tristeza diz um sonoro não,
Quer os versos chorando dores novas,
Chorando prantos tristes, ainda que belos...
É com eles que a alma canta a saudade que sente,
Aí então, escrevo versos loucos, de rimas soltas,
Escrevo versos tristes de prantos frios,
Escrevo versos amargos com palavras rotas
Mas ainda assim trazem  o doce perfume
Que me afaga o corpo, que abraça minha alma
E me veste com o sabor de amor eterno,
Meus beijos ficam na imagem que tenho 
E nos versos... minha alma carente busca,
No íntimo de mim, bem dentro dos meus segredos
O que nem sabia mais lembrar.

José João
20/06/2.022

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Para amar ... basta amar

Não precisa que se faça nada para amar... para amar
Basta amar. O amor chega, toma na alma o melhor lugar,
Fica sem razão porque para o amor razão não existe
O coração rompe em gritos e os olhos se danam a brilhar

As vezes se ama quem nem se conhece, foi apenas um olhar
Cada um com suas aflições, com suas dores, seu chorar
Mas de repente tudo fica como se fosse um pedaço de luz
As aflições se perdem, ri-se das dores e tudo parece passar

O amor é um pedaço consciente de uma loucura qualquer
É um fazer-se brasa com um frio nas mãos e silêncio na voz
É um gritar na alma, é uma descoberta da existência do nós

O amor! É a loucura de gargalhar sozinho dentro da multidão
Sentar na calçada, numa doce solidão, e esperar como criança
Que o mais belo sonho seja verdade, não apenas uma esperança

José João
26/05/2.022

terça-feira, 24 de maio de 2022

Eu! O louco

Eu?!! Eu sou louco, assim como são todos os loucos...
Não sei me escrever ... só sei me declamar... sou louco...
Quem dera eu pudesse gargalhar nos versos, neles...
Só sei chorar mas... sou louco, assim como louca 
É uma flor, dessas que nascem lindas, entre espinhos... 
Como a lua... que brilha quando todos estão dormindo
 (gargalhada) Sou tão louco que pintei o tempo,
Sim, pintei o tempo, pintei a saudade... eu fiz isso,
Afinal de contas (gargalhada) sou louco... sou louco
Pintei o tempo com a cor das lágrimas... ficou bonito!
Pintei a saudade cor da tristeza, com cerdas de nuvem,
Todos vocês sabem a cor da tristeza, não precisa dizer.
Inventei sonhos, muitos, coloridos, em preto e branco
Com matizes sem cor e traços pontilhados de incertezas.
Tracei a rota do eco de um grito meu... e ele foi hahaha
Batendo de pedra em pedra, como estivesse bêbado...
De repente parou, ficou em silêncio, ficou sem dizer
Mais nada. Como disse, sou louco, saí voando, sim ...
Voando com um pássaro que passava, ele com as asas
Eu... com pensamentos e chegamos juntos no horizonte.
Como disse sou louco hahahaha tão louco que ...
Dizem que sou poeta. hahahahaha.



segunda-feira, 23 de maio de 2022

Monólogo da saudade

Lembro ainda de algumas primaveras, das flores,
Do perfume do campo...das tardes coloridas, 
Por do sol melancólico falando de saudades,
Pintando o céu com cores que não se vê... 
A não ser no pôr do sol. As vezes penso ouvir
O cantar suave da brisa murmurando a Ave Maria
Com o coro dos pássaros em trinados curtos,
Longos, em perfeita sinfonia, mesmo sem maestros.
E as esculturas nas nuvens!!! De sublime perfeição...
Pareciam desenhadas, depois esculpidas por magia...
Talvez com um cinzel divino nas mãos de um anjo.
Lembro ainda! Há quantos anos não vejo o mesmo céu...
E não o verei nunca mais, ficou no meu mundo de criança...
Perdido no tempo mas... vivo na memória... como relíquia.
Ainda lembro da arribação... garças, guarás, em fila,
As garças com o alvor dos lírios iam lentas, inocentes
Como fossem pétalas indo ao vento... os guarás...
Vaidosos em suas plumagens de deslumbrante colorido
Brincavam de fazer do pôr do sol molduras para seus voos.
Ah! Quanta beleza! E eu... louco, falando com o tempo
Num macambuzio e sonolento lembrar, falando sozinho
Num monólogo em que saudade substitui as palavras,
Se faz um dicionário completo.

José João
23/05/2.022

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Histórias que me contaram ou... sonhei?

Eu era criança quando e me contaram,,, jurando verdade
Que uma lágrima criança, que nem sabia o que é o pranto
Foi embora de um olhar, buscando horizontes distantes
Sonhando, que um olhar um dia, dela fizesse um canto

E se foi a pequena lágrima, deixando um rastro de saudade
Lágrimas sentem saudade, sim. Um dia então, na madrugada,
No alvorecer do dia, foi confundida com um pingo de orvalho
Que beijava uma flor triste, já sem perfume, bastante cansada

Eu, uma lágrima! Confundida com um pingo de orvalho!!?
Como pode um pingo de orvalho a mim ser comparado?
Dizia a pequena lágrima furiosa, será apenas isso que valho?
Ah! Não devia ter partido, devia com as outras ter ficado

E o pingo de orvalho acariciando a velha flor triste e cansada
Disse: Sou o orvalho de todos dias desde quando ela desabrochou
Mas não sei chorar, faça o que não sei, chore um pouco por ela
A lágrima, envergonhada, abraçou o orvalho e pela flor chorou

Não sei se é verdade essa história mas um dia me contaram.
Dizem que a pequena lágrima até formou com outras um pranto
E que nas madrugadas, quando a saudade dói nas almas sozinhas
Se juntam orvalhos e prantos num dueto de choro e canto.

José João
19/05/2.022

As vezes a dor é um recomeço

Sempre haverá um outro recomeço... quando? Onde?
Não se sabe... mas haverá, a vida é cheia de recomeços,
As vezes um olhar, um sonho, uma estrada, um silêncio,
Até mesmo uma dor, quantas vezes não é ela um recomeço?
Mas é preciso estar atento, não ter pressa, saber esperar.
É preciso saber acalmar a alma, fazê-la passiva ao tempo,
Aprender colorir os pensamentos, os sonhos e sonhar sempre.
Vai... vai entre a calma e a pressa e esquece a ansiedade,
Não sabes se o que buscas está no fim desse caminho, 
Se estiver, indo entre o vagar e a pressa não custarás chegar,
Se não, terás ainda as marcas dos pés para te fazer voltar.
Haverá de ter sempre um recomeço, não te desespere...
Não te aflijas, nenhuma dor é para sempre, olha a tempestade...
Mas depois dela um outro dia recomeça, alegre, sorrindo.
Espera que teu dia risonho vai chegar um dia, te acalma...
Mas te atenta para que tenhas certeza que é mesmo o teu dia...
Por vezes, a pressa é tanta que confundimos, nem era aquele,
Outas vezes, por não acreditar em nós, chega nosso dia risonho,
Olhamos sem certeza, sem fé e ele se vai, quando percebemos...
Tem-se que esperar um outro recomeço... mas sempre haverá um.
Sorria.. quem sabe ele esteja bem aí... na tua frente!

José João
19/05/2.022

quarta-feira, 18 de maio de 2022

E se forem verdades as minhas mentiras?

Rio-me tanto quando me chamam de poeta!! Eu?!! Poeta?!!
Sou apenas um desses que escreve versos, todos fingidos
Ri das lágrimas e sorri falsos sorrisos se sente uma saudade
Escreve coisas de criança, fingidor, finge até mesmo a idade

Lágrimas!! O que é isso. Alguma coisa dos olhos? Da alma?
Não sei, sei que os olhos são os límpidos espelhos do fingidor
Que corre entre espinhos, conversa com pedras, bebe prantos
E sai cantado modinhas ... ainda fazendo doces versos de amor

Não sei ser poeta, apenas sei escrever a dor que os outros sentem
Por exemplo, a saudade que os outros choram ... eu sei contar
Preparo os prantos e entrego as lágrimas que quiserem derramar
Sou tão fingidor que com cada um dos olhos uma dor posso chorar

Se dizem que a saudade é minha, numa poesia que escrevi, rio-me...
As vezes é uma saudade antiga, já caduca, que alguém um dia contou
Finjo ser minha porque minha alma triste até em versos ela se vira
E quem poderá dizer que não são verdades minhas inocentes mentiras?

José João
18/05/2.022

Pra viver... não precisa ser feliz

Quando criança, brincava de pintar os dias
Sem me preocupar com o que a vida sempre diz
Queria apenas brincar, sabendo que os amanhãs
Todos eles estariam risonhos e eu... sempre feliz.

Mas o tempo! Esse senhor que não para nunca
Foi passando, fui crescendo, criando sonhos,
Sem medo, daria tempo de fazer o que não fiz
Já não sonhava ia em busca de ainda ser feliz

E o tempo que antes se arrastava deixando rastros
Aumentou o passo, como se da vida fosse a matriz
Agora, em mim, só a esperança de um dia ser  feliz

Hoje, cabelos brancos, ombros curvos e voz pausada,
Mãos trêmulas, rugas no rosto sem brilho e sem verniz
Ouço o que a vida diz: pra viver não precisa ser feliz

José João
18/05/2.022

terça-feira, 17 de maio de 2022

Esperando minha poesia

Ah! Quantas poesias soltas por aí!! E eu... sem nenhuma!
Poesias brincando de esconder com as estrelas cadentes,
Cantadas em gorjeios, em trinados alegres, soltos, livres
Desenhadas nas pétalas das flores luzidias e brilhantes

Poesias pintando o céu da madrugada em inocentes cores 
Brincando de reger os pássaros em sinfonias desencontradas
Despertando lírios, açucenas, jasmins, borboletas e beija-flores
E eu...sem nenhuma poesia mesmo chorando tantas dores

Outro dia tinha um por do sol desenhando estradas no horizonte,
Corri, pequei lápis, papel, algumas lágrimas mas... decepção
Era de uma outra poesia, de alguém ao tempo pedindo perdão

Desisti de escrever uma poesia. Tantas e eu sem nenhuma!!
Sentei na porta do tempo, olhando vagamente o imenso vazio
Ouvi uma voz: espera, tuas poesias estão com a saudade no cio

José João
17/05/2.022

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Versos podados

 
As vezes meus sentimentos cabem nos versos,
As vezes meus versos curtos cabem na poesia 
Mas nem sempre as poesias cabem nas páginas
Assim ficam as tristezas e... se vão as alegrias

Serão maiores que as páginas a tristeza da gente?
Tanto que seja preciso amputar versos carentes?
Serão maiores que os versos aquilo que se sente?
Para deixar na poesia tantas lágrimas ausentes?

Quantas páginas perdidas em livros dourados!!
Com páginas rotas em tristes versos sem rima
Porque o pensamento nelas foram todos podados!!

Fiz versos curtos, em poesias quase incompletas
Que quase nada dizem, mas cabem numa página
Embora com versos rasgados e rimas obsoletas

José João
16/05/2.022

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Ontem

  Ontem tive sonhos que não queria sonhar,
Não brinquei de fazer sorrisos, nem de lembrar
Momentos alegres, ontem brinquei de chorar
Peguei saudade, prantos, dores e  fiz rimar

Loucura, rimar riso com dor, sorriso com tristeza
Lágrimas e prantos com alegrias no mesmo verso
Mas o que tem rimar no mesmo verso o in-verso?
Há de haver, em tudo que se sente, uma certeza

A mim causaria estranheza, não rimar com beleza
Um pranto que nasceu com um outro que já morreu
Com um outro pranto que nem sequer ainda viveu

Se disser que rimei saudades que ainda nem senti
Com saudade que um dia, até mesmo chorando vivi
Com o mesmo pranto que por toda vida escondi?

José João
09/05/2.022

Saiba viver... para sempre

Não abracem apenas os pretos, nem apenas os brancos,
Nem só os ricos, nem apenas os pobres, é bom saber que
Somos todos gente, somos uma raça só, somos todo humanos.
Todos temos defeitos e virtudes, todos somos da mesma matéria,
Apenas alguns têm mais informações mas, ainda mesmo assim,
Somos todos úteis. A vida, o mudo, são labirintos desconhecidos
Onde todos temos importância vital para a existência da raça.
Ah! Nós... os humanos, tão orgulhosos, tão cheios de vaidade!!
Sem nem saber o que realmente somos, nossa complexa existência
De alma e corpo, de consciência e de forma, da mesma matéria...
Que um dia apodrecerá, e a beleza, como apenas escultura 
Sucumbirá porque ela é um forma, a subjetividade da vida.
Tão ridículos a vaidade e o orgulho! Como nascemos? Frágeis,
Indefesos, nus, ridicularmente nus, precisando dos outros...
Para tudo, até para nos vestirmos e nossa higiene!! rsrsrs
Depois, já grandes, nos damos imbecilmente como auto suficientes,
Somos "donos" de nós... Aí os pobres são escadas para o sucesso
E sempre mais, e sempre mais... aí o tempo!! Inexorável,
Embranquece os cabelos, curva os ombros, reticencias na voz
Passos curtos e incertos e...como disse, inexorável... a morte.
Tão ridículo a vaidade e orgulho! Como morremos? Frágeis,
Indefesos, nus, ridicularmente nus, precisando dos outros
Para tudo, até para se vestir ... e a complexa existência ...
Agora é um enigma, a forma desaparece com a matéria
E o que resta? Aí, nesse momento, é que a verdade mostra
Quem você foi? Você foi o que plantou no coração daqueles
A quem um dia te fizeste útil. Você não leva nada
E deixa apenas isso... o que você foi. Saiba viver... para sempre...

José João
09/05/2.022

domingo, 1 de maio de 2022

Zelo

Te guardo dentro de mim, com tanto carinho
Que por vezes te percebo comodamente dormindo,
... nem respiro para não despertar teu sono,
Até te faço belos sonhos, te canto hinos
Que os anjos me ensinaram para poder te ninar.
Te guardo como flor... imaculada, frágil e bela,
Tanto que nem permito, embora precises, talvez,
Que borboletas de pousem nas pétalas,
Suguem tem néctar com a te beijar,
Meu amor egoísta grita: esse néctar é meu.
Trancei, paciente, cordas de nuvens,
Depois tingi cor do ocaso, sol poente,
Assim fiz uma rede, tão delicada e tão fina
Que a mais leve brisa te embala sorrindo,
Sussurrando canções que ensinei o vento cantar.
Te guardo dentro de mim, com tanto carinho,
Que até pedi para meu coração bater de mansinho
Caso queiras, deitada em meu peito, dormir e sonhar.
E a noite... quando velo teu sono!! Dormes sorrindo...
E um raio de luar mais ousado pela janela entrando
Te cubro depressa... esse corpo só eu posso olhar.
Ah! Como te guardo dentro de mim!
É tanto meu zelo, que deitei o mais singelo arco íris
Por onde passas... para que não sujes os pés,
Mas... sinceramente ... tudo isso ainda é pouco

José João
01/05/2.005



quinta-feira, 21 de abril de 2022

Soneto do encanto de amar

Deixa-me que te guarde dentro do meu pensar
Que te faça afagos como fosse a brisa a cariciar-te
Deixa que entre, em nostálgica alegria, na tua alma
E dentro dela acomodar-me com única forma de amar-te

Deixa que meus suspiros rezem teu nome em clamor
Que meu silêncio se faça divino como oração a ser rezada
E se houver o que falar que minha voz se faça doce canto
Em te louvar, te fazer de terna poesia, verdadeiro encanto

Deixa, que pra te seja festa, o gorjeio alegre do alvorecer
Como fossem anjos cantando hinos alegrando teu despertar
E o sol, vindo de mansinho, para um beijo teu ele roubar

Deixa que agrade tua alma com carícias de divinal prazer
Que me permita te enfeitar com estrelas e pedaços de luar
Para que se possa mostrar ao mundo o que realmente é amar

José João
21/04/2.022

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Ah! Se pudesse voltar a ser criança


Vou brincar um pouquinho de ser outra vez criança!
Brincar de ser feliz como todas as crianças brincam.
De colorir o amanhã sem medo, cheio de sorrisos
De pintar os dias com todas as cores da esperança

Vou brincar de ser criança, me lambuzar de beijos
Beijos inocentes, abraçar por abraçar, sem carência
Sorrir apenas por sorrir, brincar de correr no tempo
Soltar pipa bem pertinho do céu levada pelo vento

Por ela mandar um recado pra Deus, recado de criança
Desses recados inocentes que só mesmo Deus entende
Esses recados de criança que  Ele, sempre sorrindo atende

Mas... não deixei marcas no tempo que me façam voltar
Nem as pedrinhas no chão marcando o caminho de volta
Me perdi num lugar estranho onde só brincam de chorar

José João
20/04/2.022

Será que a tarde é triste ou... triste sou eu?

Outro dia, sentado na janela do tempo sem nada pra fazer,
Via a tarde, colorida, passar lentamente por precisar ir..
Indo como se estivesse carregada, talvez de sorriso e lágrimas,
De quantos olhares tristes que nem repararam sua beleza!
E ia a tarde, caminhando no tempo, talvez levando saudades,
Levando histórias que terminaram num triste aceno de adeus
Em que os olhos teimavam em ficar sem lágrimas, silenciosos,
Como se essas fossem o grito que a alma insistia em gritar.
Eu, brincando de nada sentir, de ver apenas a tarde ir-se,
E enfeitar outro horizonte qualquer, saí do marasmo e perguntei...
A mim mesmo, Porque será que as tardes se parecem tristes,
Mesmo lindas, quando o sol começa a entrar na noite?
Parece que se vai nostálgica, como se estivesse com saudade
E o amanhã custasse a chegar, pra ela outra vez se fazer bela!?
Não entendo o que as tardes sentem! Ou será que sou eu?
Sentado na porta da tempo, costurando retalhos de sonhos
Que se rasgaram e que, agora rotos, são apenas restos...?
Mas... será mesmo que a tarde é nostálgica e triste ou...
Triste sou eu?

José João
20/04/2.022



Eu... o Palhaço Sorriso.

Eu!!? Eu sou o dono do riso. Espanto tristezas e lágrimas,
Canto ao tempo a beleza de sorrir, está triste? Então venha...
Olha eu aqui! O Palhaço Sorriso, só o que sei é fazer sorrir
Não há tristeza, que eu, o Palhaço Sorriso, não afaste de te.

Também sou mágico, da lapela tiro belas flores perfumadas
Brinco de dar cambalhotas no tempo, transformo lágrimas
Em sorrisos que os olhos gargalham alegres e brilhantes
Sou alegria pura, sou a alma que brinca com os amantes

Quer sorrir? Venha! Brinco de bem me quer com as flores
Brinco de cantar, brinco de enfeitar o mundo com alegrias
Não deixo que perto de mim ninguém chore suas dores

Porque sei o que é sentir dor... meus sorrisos... são lagrimas
Minha alegria está tão distante, pinto o rosto para enganar
Na verdade, dentro de mim ... o que sei mesmo é chorar.

José João
22/04/2.022

Prantos e cantos se confundem em mim

Talvez, nem eu sei, ainda tenha me restado um sonho 
Mas que sonho esquecido haveria de ainda me restar?
Pelas tantas angustias vividas, são tantos os receios
Que, por medo, não me permito mais nem poder sonhar

Em vazio espaço, tão vazio que nem saudade tem para sentir
Sigo rastros quase apagados que a vida, por pena, me deixou
Se por destino, infinda busca, a vida exigir a sozinho procurar
Levo prantos para chorar e aliviar essa minha tão insana dor

Quantos sonhos sonhei para um dia dentro deles poder estar!
E devaneios?! Tantos quantos foram os sonhos por mim sonhados
Mas talvez, por punição, cruel pena a mim me impuseram
Deixa-los mortos, pelo simples "crime" de um dia ter amado

Assim, meus passos por perdidas rotas se fizeram escombros
Sem rumo, buscam horizontes que nem sei se ainda existem
Fazendo que nem precise de outra dor para chorar meu pranto
Porque  soluços tristes e os "ais" me enganam e se fazem canto

José João
20/04/2.022