Eu!? Fujo de tudo isso, procuro jardins calmos e floridos...
Brinco de conversar com as flores, lhes ouvir as histórias
Até faço poesias, confidências de mim, perco os sentidos
Tiros, latido de cães raivosos que gritam palavras duras,
Assaltos, bárbaros crimes. Vou conversar com o mar,
Molhar os pés em suas ondas como se me purificassem,
Até conto meus pecados num inocente... me confessar
Crianças famintas, andando nuas em miseráveis lixões,
Violentadas, como se fossem nada, por cretinos vilões.
Eu! Saio por aí passeando por os entre verdes prados
Imaginando o que faço amanhã, coisas do meu agrado.
...De repente me sinto inútil, vendo as belezas mortas
Grito: CHEGA, DEEM-ME UMA AFIADA ESPADA
Que agora me fiz guerreiro, vou à luta, não posso calar
Que venham esses covardes, a vida me ensinou lutar
Não tenho mais medo desses covardes engravatados,
Vis assassinos que não precisam de armas para matar
Usam suas canetas como fuzis e matam sem pudor
Covardes, míseros insetos provedores de tanta dor
Que venham com suas falsas leis e moral decadente,
Um dia sentirão a força do braço da justiça sobre si
Minha vontade, empunhar a espada e fazer-me ouvir
Mas uso a caneta, arma dos fortes. Covardes, estou aqui
Não existem mais flores, nem prado, mar ou jardins
O que existe é a revolta, mas poucos sabem senti-la
Alguns por medo, outros apenas por serem cúmplices
De desgarradas almas... um dia a justiça vai destruí-las
Somos nós os juízes, o martelo de carvalho quebrou,
As togas se romperam em rotos e fedorentos trapos,
O verde, coitado, se desbotou como se por vergonha
O que resta? Criar outro verde e por fora esses farrapos
Cruz Filho
15/09/2.026
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