quinta-feira, 31 de março de 2022

Por tanto te amar

Oh dor que me causas e bem sabes...
Que me fere a alma em chagas tão abertas,
Que desfalece o corpo em mais forte agonia
Que mãe, ao ver do filho, a perda da alegria

Em prantos aos teus pés e de joelhos
Mais que te implorei, te jurei a própria vida,
Pra te me fiz servo, igual a cão passivo...
Que do dono, apanha mas o ama e é cativo.

Sobre espinhos andaria e tu no colo
A proteger-te com a vida se preciso,
Que jorrasse meu sangue lento ao tempo
A suspeitar que terias um segundo de tormento

Que absurdo existirá no mundo a teu agrado
Que impossível me fosse contentar-te?
Estrelas buscaria e até a morte de bom grado
Aceitaria ... simplesmente por amar-te.

E, se no tempo, a vida assim me permitisse
Mil anos de pranto copioso em minha face
Por apenas um segundo mais intenso que a vida
Me permitisses que tua fronte eu beijasse

Se no mundo, há o que teus olhos não possam ver
Se por ironia, os meus a isso possam olhar
E se queres tanto ... feliz assim me farias
Arranca os meus... vê ... e me dá essa alegria!

Que queres que te diga? Que te faça e te contente?
Pede. Que impossível a quem ama não existe
Se por muito a fazer-te achares pouco minha lida
Me toma, que por mim, pra te, é pouco a própria vida.

José João
(reedição a pedido)
31/03/2.022

Não sou poesia, sou a ...

Eu?? Sou a mistura de água e fogo!!!!!
Sou a calma da turbulência!!!
Sou a inocência de um pensamento indecente,
Sou a fragilidade de um desejo ardente...

Sou a chuva que inunda a estrada
Sou a estrada afogada pela chuva
Sou a planta respirando aliviada
Sou a pedra parada, chorando calada

Sou o silêncio verde das campinas
Sou o vento brincando de voltear
Sou o eco da solidão
Que ninguém sabe escutar

Sou o canto desesperado de um pássaro ferido
Sou o vento zangado, indo e arrastando a chuva
Que balança o tempo... que alvoroça o mar.
Sou as flores que nas campinas se vergam para chorar

Eu?! Sou qualquer lágrima que choram por aí
Sou até mesmo a carícia de um raio de sol demente
Sou qualquer alma triste gritando, chorando carente
Eu!!? (estrondosa gargalhada) Sou a tristeza
(outra estrondosa gargalhada) brincando de ser gente.

José João
31/03/2.022

segunda-feira, 28 de março de 2022

Não chore por quem não sabe ...

 Para chorar, bastam uma angustia, uma saudade e ... lágrimas.
Chorar é uma oração que a alma reza quando se sente triste
Quando um adeus que não deveria ser dito ... acontece
Quando uma dor diferente, uma dor que não é dor aparece

Só quem chora com a alma sabe sentir essa dor que não é dor
Mas dói, e tanto, que sufoca e faz da voz apenas um murmúrio
Que, inaudível, quase se faz silêncio e só a solidão pode ouvir
Como se ela fosse a razão de tudo que não se precisa sentir

Mas se chorar é preciso, que as lágrimas se façam aos cântaros
Que povoem os olhos como palavras mudas da angustia sentida
Ou da saudade que faz de sempre uma dor nunca esquecida

Quantas coisas fazem chorar!! Há sempre uma razão para tanto
Mas nunca chore em vão, é preciso saber por quem chorar
E não se permita chorar por quem não sabe o que é o pranto

José João
28/03/2.022

sexta-feira, 25 de março de 2022

Aquele tempo não era tempo era... um lugar

Onde está o amor? Onde se esconderam o afeto, a ternura...
O que fizeram com os sorrisos? Com a meiguice de um olhar?
Estou perdido, vou voltar no tempo, num tempo bem distante
Onde amar era oração e os amantes ainda sabiam conversar

Vou voltar a esse tempo... de cartas perfumadas com flores
De namorados, sem medo, deitarem na relva contando estelas,
Sentarem num banco da praça ao por do sol falando de amor
Brincar de bem-me-quer com pétalas coloridas de tantas cores

Era um lugar tão inocente! Todos que ali viviam sabiam sorrir
Não esse sorriso falso de uma self, mas verdadeiro, aberto, solto
Que fazia os olhos lacrimejarem alegres pelo tanto prazer de rir
Dos amanhãs não se tinha medo, eram um verdadeiro  porvir

Ah! Que belo lugar! Não se tinha medo, as noite eram amigas
Os amantes ficavam até tarde na porta contando suas vontades
As crianças brincavam, corriam cheias de vida pelos campos
Que em festa se enfeitava todo com a luz leve dos pirilampos

E nas quermesses!! O alto falante em cima de um alto mastro 
Falava aos namorados, marcava encontros e mandava beijos!!
As barquinhas! Os ousados ganhavam olhares das garotas
Haja força, esconder o cansaço com novas piruetas marotas

Quanta beleza, inocência! Fascinante ternura naquele lugar!
No flamboyant florido os mais velhos contavam histórias
Falavam de suas experiências, da vida e das coisas de Deus
Lições nunca esquecidas dessas que o tempo costuma cobrar

Saudade! Deixavam as crianças serem inocentemente crianças
Faziam brinquedos, trocavam figurinhas, "assistiam" rádio.
Namorados escreviam cartas perfumadas loucos por resposta
Tudo isso se foi com o tempo, agora... só as lembranças

José João
25/03/2.022

quinta-feira, 24 de março de 2022

Se for pra chorar... choramos juntos

Ah! Nessas horas tristes... sempre vou estar contigo...
Vamos, sorri mas... se tiver que chorar... choramos os dois
Vem, me dá tua mão, me dá um sorriso, e vamos aí pela vida
Fecha os olhos, me sente, sorri, deixa pra chorar depois

Olha aqui, olha como estou te olhando, cheio de ternura
Me olha, enxuga os olhos, deixa que eles gritem de alegria
Não, não deixa que eles se percam em paisagens vazias
Estou aqui.. sorri, canta, me diz te amo, como sempre fazias

Olha o tempo, olha nosso tempo de verdades e fantasias
Da sutileza dos carinhos, da leveza das palavras, escuta
E se eu te abraçar agora? Te beijar, o que tu farias?

Dá um sorriso... vai... dá um sorriso cheio de nós dois
Cheio do que sentimos, do que queremos, do que somos, 
Sorri, tristeza não te precisamos, nem agora e nem depois


José João
22/03/2.022

quarta-feira, 23 de março de 2022

As flores sabem esperar

 Folhas caídas no chão, levadas embora pelo vento
Vão sem querer ir, as árvores com seus galhos vazios
Se perdem na sisudez de sua tristeza e vergonha, 
Estão nuas, esqueléticas surradas pelo frio do tempo

Olha como estão! Desfolhadas, secas, sem beleza
A brisa não lhes acaricia mais e como poderia?
Eretas apenas pela vaidade, são apenas galhos...
Não se enfeitam mais com a singeleza do orvalho

Nem os passarinhos não lhes fazem mais ninhos
Mas eis que chega a magia do tempo e as flores
Nascem belas, viçosas e lhes afoga as dores

Primavera, gritam, e os galhos encharcados de cores
Dançam ao sabor do vento num valsar inocente
Agitam-se alegres e do outono não guardam rancores

José João
23/03/2.022

terça-feira, 22 de março de 2022

A ilusão das fantasias

Ah! O mundo! Um meu mundo... onde vaidosamente vivia.
Cheio de sorrisos, de elogios, de palavras soltas e vadias
Dessas que mudam a realidade em sonho, sonhos mortos
Era o meu mundo, de fingimentos,  ilusões e fantasias

O gosto doce das palavras macias que não falavam verdades
Mas o que queria ouvir. O tempo colorido por luzes falsas
Sorrisos fingidos, falsos olhares luzentes que nada diziam
A! Esse mundo!! De muitas luzes mas de verdades escassas

Hoje o tempo parece parado, parece até mesmo sem cor
As palavras se fazem poucas, arredias, monótonas e soltas
E as tantas ilusões e fantasias se perderam cheias de rancor

Agora as lágrimas são verdadeiras e tantas mas choro sozinho
Os muitos sorrisos e palavras macias se fizeram tristes e mudos
Assim, vou vagando no tempo perguntando o que é um carinho

José João
22/03/2.022

quinta-feira, 17 de março de 2022

Se alguém lê minhas poesias... não sei, apenas escrevo

 As vezes me perguntam: Alguém lê tuas poesias?
Não sei, nem elas sabem se são lidas, coitadas,
Sabem apenas por quem e porque são escritas
Mas talvez as leiam quem sinta dores parecidas

Minhas poesias não são para apenas serem lidas
Apenas isso não importa, são para serem sentidas
Por isso vão por aí, levadas a esmo pelo tempo
Entrando em almas como a minha... enternecidas

Quem sabe encontrem alguém que chore doídas perdas?
Quem sabe acalente um coração que grita desesperado
Uma saudade difícil de sentir por mais que tenha chorado?

Nas poesias que escrevo nem sempre as dores são minhas
As vezes empresto minhas lágrimas para outra alma chorar
Acho que minhas poesias chegam nos que sofrem por amar

José João
17/03/2.022

Minhas lágrimas!!? Todas têm um nome

Todos choram, disso eu sei, mas meu pranto é diferente,
Não são lágrimas que saem dos olhos e logo ficam perdidas
Elas ficam vivas, sempre lembrando que um dia foram choradas
Nenhuma das minhas lágrimas... nunca, nenhuma foi esquecida

Todas as lágrimas que meus olhos choraram têm um nome
A lágrima estrela, brilhando ao longe, insondável e luzidia
A lágrima lírio, alva, transparente, foi um chorar inocente
A lágrima girassol altiva e bela, só chorada durante o dia

A lágrima dama da noite, tímida, só se mostrava com o luar
A lágrima luz da lua, sutil, sempre misteriosa e nua
A lágrima flor de mel, essa era louca não tinha hora pra chegar

Todas as minhas lágrimas têm um nome e foram mais que tantas
Cada saudade sentida sempre chorava com uma lágrima diferente
Quantas serão as lágrimas? Tem lágrima até com nome de gente!!

José João
17/03/2.022

 

Meus prantos... quase não dão nem pra mim!

Quem dera dentro de mim coubesse, dos outros, suas dores,
Quem dera meus olhos tivessem ânimo e lágrimas para tanto
Mas coitado de mim, para tanto, sou tão pequeno... tão menor,
Em mim só cabe minhas dores, e chorá-las uns poucos prantos

Foram tantas as dores que eu, mesmo como provedor de lágrimas,
Só as tenho para chorar minhas angustias e minhas saudades
Embora a alma, coitada, declame versos tristes da minha vida
Meus olhos, por falta de lágrimas, choram em gargalhadas fingidas

Mas nem sempre foi assim, as vezes meus olhos faziam festa
Brincavam de brilhar sorrindo em reflexos alegres e luzidios
Hoje se perdem tristonhos, cabisbaixos, covardes e fugidios

Ao longe, muito ao longe, lá onde quase a vista não pode alcançar
É pra lá, por vergonha, que ele se perde indo sem cor se esconder
Como se apenas ali, no silêncio da solidão, tivesse o direito de viver

José João
17/03/2.022

domingo, 13 de março de 2022

Eu, a chuva, o tempo e o pranto.

Ontem estava ajudando a chuva a banhar o tempo,
A acariciar as flores, regar jardins. A chuva e o pranto
Se misturavam, deixavam as pétalas macias e brilhantes
E corriam entre os canteiros sussurrando suaves cantos

Eu, a chuva e o tempo, este em cerimonioso silêncio
Eu, ocupado que não faltasse lágrimas para ajudar a chuva
E esta, se juntando ao pranto ia rompendo cercas e quintais
Iam juntas, puras, inocentes como verdadeiras vestais

Onde iriam as duas? Será que um dia se fariam poesia?
Será que fariam as flores dos jardins mais belas e viçosas?
Será que a chuva e pranto diriam o que minha alma sentia?

Não sei, mas foram por aí, em direção a um rio... um mar
Correram entres caminhos, entre pedras foram sem paradas...
E com certeza nunca contarão o porque desse meu chorar?

José João
12/03/2.022

sexta-feira, 11 de março de 2022

O gorjeio de um rouxinol

Um dia, pelas estradas do mundo, andei perdido
Qual folha caída no outono levada pelo vento,
Indo sem saber onde, perdido, indo por apenas ir
Caminhando em pedras e chorando meu tormento

Se flores havia nos caminhos... não as via nunca
Meus olhos tristes sempre encharcados pelo pranto
Nem chegavam até o horizonte, se perdiam no vazio
E a frieza  cinzenta do tempo apagava qualquer encanto

Os passos trôpegos, cambaleantes como os de um bêbado
A voz morria na garganta  como fosse um suspiro da alma
E a solidão, inseparável companhia... sempre a meu lado

Um dia, no alvor de uma madrugada que começava o dia
Um rouxinol gorjeando alegre, mais alegre que mesmo belo
Me disse num trinado: Sorri, canta que acaba essa agonia
(Parei, ouvi, esqueci e o mundo se fez soneto e poesia.)

José João
11/03/2.022


sexta-feira, 4 de março de 2022

Coitada da solidão!

Há quem veja maldade na solidão, taciturna...fria
Não a vejo assim, vejo-a, coitada, triste ... carente
Por sua própria existência... mais carente que má
Ninguém a quer por perto para todos é indiferente

Assim, vagueia, qual sonambula, sozinha no tempo
Sempre só, vagueando o olhar em horizontes vazios,
Indo por veredas sombrias, sem uma voz para ouvir
Ouve apenas lamentos de quem só tem ela pra sentir

Por vezes se mistura na multidão que apenas vai,
Olha assombrada os rostos aflitos, perdidos, sem luz
Mas ninguém a vê... cada um preocupado com sua cruz

Assim, a solidão se faz triste pela tanta carência de tantos
Ela, entre eles, nem pode se dar ao prazer de ser A solidão
Nem a conhecem mais, desde que da vida perderam o  encanto

José João
04/03/2.022

quinta-feira, 3 de março de 2022

Quando se diz: te amo

 Quando se diz: te amo, a voz é apenas um instrumento.
Quando se diz: te amo, o coração pulsa bem mais forte,
Se agita como se quisesse que ele mesmo dissesse o quanto
Aí faz a voz tremer e os olhos chorarem um alegre pranto.

Quando se diz: te amo, e a razão para tanto não existe,
Quando o coração não grita, é o mesmo que nada dizer
São apenas palavras vazias, perdidas, soltas no tempo
Indo a esmo como fossem folhas mortas levadas pelo vento

Não há de se dizer, te amo, sem que o amor não permita
Dizer por apenas dizer, é triste, é uma canção sem melodia
Um grito que ninguém ouve, é rezar o terço sem a Ave Maria

Deixo o coração em silêncio se não for verdade o que sinto
Nem me permito a ousadia de mentir, quer seja com o olhar,
Dizer te amo, é uma oração divina que poucos sabem rezar

José João
03/03/2.022

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Que o silêncio conte o que a alma sente

 Horizontes, jardins floridos, por de sol coloridos...
Que importa para quem chora a dor de uma saudade?
Que belo seria mais que as lágrimas que tristemente chora?
Ou até mesmo as orações que reza quando a alma implora?

Que o tempo leve as angustias e deixe o pensamento leve,
Que possa voar em sutis volteios brincando de ser livre
Indo sem pressa, sem direção, apenas voando em liberdade
Sonhando inocentes sonhos novos que se façam de verdade

Que pode ser belo quando a saudade e solidão se juntam?
Quando até o tempo perde a cor e tudo fica da cor do pranto?
Fica tudo tão sem razão que sussurros tristes se fazem canto!

É melhor calar, deixar que o silêncio taciturno se faça voz
E conte, à sua maneira, a tristeza que a alma calada sente
Esperando, acabrunhada, um dia não ser mais tão carente

José João
28/02/2.022

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Os poetas não são mágicos, são apenas poetas.

 O poeta, do dia faz noite e chora sob a luz das estelas,
Planta, num verso, um pé de flamboyant viçoso e florido 
Onde um sabiá, já quase no fim do verso, gorjeia um canto
E convida o poeta a chorar com ele uma saudade antiga.
De um verso a outro o poeta pinta lágrimas no rosto triste,
Com um ponto final no fim do mesmo verso, para o tempo
E faz nascer um sorriso como se as lágrimas fossem fingidas
E sorri para as lagrimas como se o sorriso fosse verdadeiro.
A verdade do poeta é diferente, pode nem ser verdade...
As vezes, as mentiras que a poesia diz são verdades
Que o poeta brinca de não contar nos versos, e pra quê?
São momentos vividos pela alma do poeta... em segredo.
Ah! Esses poetas!! Viajam muito além dos horizontes,
Do pensamento fazem pássaros alados e voam livres
Sobre oceanos, entre as nuvens, brincam, em sutis volteios
Com a brisa, e vão entre cercas, quintais e corações
(parei nesse verso para enxugar uma lágrima teimosa
Que insistia em me lembrar uma saudade antiga)
Contando histórias de amor, de saudade e de sonhos.
Ah! Esses poetas! Não são mágicos... são apenas poetas.

José João
26/02.2.022

Como se não fosse preciso

 É noite, o silêncio da solidão enche o tempo
A saudade, qualquer saudade se faz toda viva
Corre entre os pensamentos quase já esquecidos
Buscando antigos momentos no tempo perdidos

O marolar das sombras que se agitam no chão,
Em movimentos cadenciados do vento nas folhas
Brincam de fazer desenhos sem traços e sem cor
Sem que o tempo permita qualquer outra escolha

A noite brinca de fazer sonhos, vontades impossíveis 
De fazer histórias, sonhos que nem foram sonhados
De fazer verdades, mentiras que sonhamos acordados

Saudade, a noite lá fora, o silêncio doentio da solidão 
Tudo isso brincando de fazer a alma gritar em lágrimas
Como se não fosse preciso, para chorar, qualquer razão

José João
26/02/2.022

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

A vaidosa e bela flor sem perfume

Ah! Coitada daquela flor!! Tão linda! Tão única!
Reinava, orgulhosa, no centro do jardim ... só ela,
Borboletas, beija flores lhes beijavam com cerimônia
E ela, mostrando sua beleza, dizia: daqui sou a mais bela

O sereno do alvor do dia mais ainda embelezava suas pétalas
Como fossem pedaços de diamante sobre divino veludo
E ela, a única, a mais bela, se espreguiçava sorrindo
E sorrindo dizia, sou a mais bela, pra vocês devo ser tudo

Vocês, dizia ela, são apenas realce pra minha beleza
Esquecida que flores são frágeis, que beleza passa
E que amanhã o tempo, indolente, cobra o que deu

Assim a orgulhosa flor foi murchando, envelhecendo,
Chorando, triste, a beleza que em tão pouco tempo perdeu
E por não deixar perfume, até ela, dela mesma, se esqueceu.

José João
23/02/2.022

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Ouça o som da vida

Ouça o som da vida ao seu redor, ouça-o bem.
Ouça o som da vida dentro de você, no seu peito
Quando as emoções fazem o coração gritar eufórico
Num descompasso mágico e divino por tão perfeito.

Ouvir a vida no silencioso volteio da brisa leve
Que te abraça  corpo e alma e te deixa livre, solto
Num marasmo santificado de sonhos coloridos
Que num mar melodioso de ternura te deixa envolto

Ouça o som da vida em tua voz, sim na tua voz
Quando coração e alma gritam juntos: te amo
Aí se percebe que não existe mais eu, existe nós

Ouça o som da vida nas asas do teu pensamento
Ouça o som da vida quando sonhas ainda acordado,
E sente a beleza de estares vivo, de amar e ser amado.

José João
19/02/2.022

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Como escrever em versos o que só sei sentir?

 Não importa o tamanho dos versos... nem da poesia
Não importam as palavras, nem as rimas, não importam.
Versos longos, versos curtos, escritos em pedaços de papel
Ou poesia em tantos versos, até esculpidas com cinzel

Tenho uma poesia perfeita, mas nunca pude escreve-la
Não encontrei palavras, se encontrasse não seria perfeita
Seria uma poesia qualquer, que se lê mas sem nada sentir
Minha poesia, mesmo declamada seria impossível de ouvir

Ela está escrita dentro da alma e são tantos os sentimentos
Tantas as emoções que palavras não traduzem, são poucas
Não teria como escrever o menor dos meus momentos

Não cabe, nos versos que escrevo, a poesia que só sei sentir
Ela se escreve em dois livros, um na alma outro no coração
Sem dizer pra ninguém nada do que já senti ou...do que já vivi


José João
16/02/2.022

Vou fingir que é poesia

Hoje me perdi nas palavras soltas, versos compridos...
Como fossem estradas que procuram um horizonte
Sem marcas, porque ninguém por ela ainda passou
Como orações perdidas que ninguém nunca rezou

Sou o silêncio da poesia que ainda não se escreveu,
Na confusão de mim, faço versos curtos que nada dizem
Desenho sorrisos no tempo, brinco de fazer lágrimas
Escrevendo no chão poesias que nunca ninguém leu

Mas triste?! Eu!! Não. Vou caminhando calado, sozinho
Murmurando rezas que invento, ladainhas que canto
Até juro que é mentira a verdade de meu pranto!

Na poesia posso tudo, até fingir as verdades que minto
Fingir que é mentira as verdadeiras lágrimas que choro
Até dizer que é verdade a vontade de sorrir... que não sinto.

José João
16/02/2.022

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Quando a ferida é na alma

 Dou-me ao tempo a curar-me as cicatrizes...
Sarar as feridas que angustias fizeram na alma,
Entrego-me no criar orações que nunca rezei
Pra chorar essa dor... chorar, como nunca chorei.

Me ponho a fazer de mim leve brisa livre ao tempo
A ir em volteios sutis, entre horizontes coloridos
Levando as tristezas, as dores que a alma sente
E assim com eles vão os pensamentos entristecidos

Me faço forte, e vou além de mim buscar sorrisos
Deve haver alguns perdidos a serem encontrados
Mesmo de lábios que, por tristeza, tenham chorado

Mas se choramos a dois há uma verdade a ser sentida
Um do outro apaga as cicatrizes que feriam a alma
Nasce uma razão de amar e ...começar uma nova vida

José João
10/02/2.022

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Saudades e sonhos vão ... perdidos por aí

 Não é mais hora nem tempo de chorar saudades,
Na verdade, nem lágrimas tenho mais para chorar
Todas se perderam nos tantos momentos passados.
Os olhos vazios se fizeram desertos por tanto pesar.

Vago por estradas perdidas que não sei onde vão levar
Os horizontes se repetem na distância que não sei
Passos lentos, sem deixar marcas, sussurros perdidos
Repetindo palavras ditas em tempos há muito já idos

Lembranças se confundem com sonhos nunca sonhados
E os que sonhei se fizeram caducos... vagando por aí
Como fossem andarilhos perdidos sem ter onde ir

Pobres sonhos! Perderam a cor ... perderam a razão
Perderam até o sentido de um dia terem existido
Hoje, coitados, quase moribundos por tão esquecidos

José João
06/02/2.022

Soneto do amanhã

 Vou deixar algumas lágrimas pra chorar amanhã,
Essa caixinha com solidão e essa outra com tristeza,
Guardar também um pouco dessa vontade de chorar
Quem sabe amanhã eu não tenha história pra contar!?

Escrevo o que hoje me sobrou... vou parar de chorar
Vou deixar mais lágrimas, nunca se sabe, uma saudade...
Sim tem que ficar uma saudade mas... qual delas?
Acho que tenho uma guardada na bolsa de antiguidade

Caso não tenha amanhã nada para fazer uma nova poesia
O que guardei, com certeza, vai servir. O que pode faltar?
Guardei lágrimas, solidão, tristeza, vontade de chorar...

Acho que não falta mais nada, tenho tudo que preciso,
Na caixinha de musica guardei palavras, guardei rimas
- Poeta, e se esqueceu alguma coisa? rsrsrs  improviso

José João 
03/02/2.022

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Soneto da ilusão perdida

 Lá vem a noite, num relampejar de medos e prantos
Num contar histórias de fadas, de fantasmas e solidão,
Cheia de sombras, dessas que tanto causam espanto
E aos amantes sozinhos, uma mistura de tristeza e encanto

Um raio de luar, desses curiosos, chega até os olhos
Que brilham como se estivessem molhados, encharcados
E para disfarçar, atiram um olhar lá longe no horizonte
Disfarçando o silêncio dos olhos, que choram calados

E num tratar de sussurros e gemidos como se fosse voz
Conta estrelas como fossem contas perdidas de um rosário
Que nunca foi rezado, nunca existiu, é apenas imaginado

E assim a solidão se faz tempo, se faz noite, se faz história
Faz das nuvens transporte, levando sonhos não acontecidos
Desses que nunca se esquece, que no tempo ficam escondidos

José João
03/02/2.022

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Queria saber pintar poesias

Queria pintar meus versos com a cor da saudade
Mas de que cor é a saudade? Cor de lágrimas?
Mas... lágrima tem cor? Será a cor da tristeza?
Mas talvez eu os pinte com a cor da incerteza

Versos soltos, compridos como os dias tristes
Palavras  perdidas, vagando a esmo na poesia
Que se completa com os sussurros paridos
Por momentos que nunca foram esquecidos

Ah! Fosse eu um poeta! Um mágico poeta!
Desses que pinta o verso com a cor da alma
Que desenha coloridos sorrisos em lábios sem cor
Que pinta saudades como quem pinta uma flor!

Mas, ai de mim, não sei nem a cor da saudade!
Não sei a cor das lágrimas, nem da tristeza...
Delas, o que entendo, na poesia não sei contar
Não me permitem falar... só mesmo chorar

Por tudo isso minhas poesias ficam imperfeitas
Ficam versos incolores sem rimas e sem beleza,
Perdidos, escondidos em uma imensidão do vazio
Onde saudades e tristezas vivem em pleno cio

José João
03/02/2.022

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Apaga as cicatrizes... os jardins estão floridos

 Ah! Quantas cicatrizes ainda marcam minha alma!!
Ficaram como lembranças das tantas dores sentidas,
Das tantas saudades choradas, saudades vivas até hoje,
Soluços perdidos no tempo e angustias nunca vencidas.

Lágrimas choradas fazendo gentis caminhos no rosto,
Sorrisos fingidos presos nos lábios como sombras tristes
Tudo isso como cicatrizes enfeitando tão carente alma
Que apesar de tudo deita no tempo e sonha... paciente e calma

Ela sabe... ainda existem sonhos alegres a serem sonhados
Ainda existem sorrisos que um dia se farão verdadeiros
E que ainda existem corações para amar e serem amados.

Que ainda existem coloridos horizontes a serem percorridos,
É preciso estar atento, deixar os olhos livres, sem lágrimas,
Apagar as cicatrizes e ir, pelos tantos jardins ainda floridos.

José João
31/01/2.022

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Amar... é antes de tudo... viver

 Nunca é tarde para recomeçar, para sorrir, cantar
Nunca é tarde para amar, gritar com a alma: eu amo.
Estou disponível ao amor, à entrega, a um sonhar
Que riam das minhas rugas, delas eu não reclamo

Meus ombros curvos, passos curtos, voz cansada
Mas a juventude de um coração que aprendeu amar
Pulsa gritando poesias que nascem dentro da alma
Até a ruga que nasceu ontem sorri num novo cantar

Ah! Minhas mãos! Calejadas mas sempre carinhosas
Percorrem um rosto como fossem plumas divinas
Como fosse a brisa submissa acariciando frágil rosa

Ah! Meus tantos anos! Meus tantos cabelos brancos!
Testemunhos de que amar é saber-se vivo, renascer
Me ensinaram que amar é... antes de tudo... viver.

José João
27/01/2.022

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

É mais belo um sonho a dois

 Sozinho é fácil sonhar, se sonha qualquer sonho
É fácil caminhar, se caminha em qualquer caminho
Até cantar se faz fácil se canta qualquer canção
Sozinho não se tem pressa...é apenas ir ...sozinho

Ser só é mais fácil de sentir a dor lasciva da solidão
Como se a tristeza estivesse no cio para fazê-la viva
Ser sozinho é apenas isso, viver entre as angustias
Vagar no tempo e do vazio deixar a alma cativa

Grito ao mundo a minha loucura de amar sempre
Não correr só, entre os caminhos que a vida oferece
Ter sempre perto uma outra alma que à minha aquece

Ah! Sonhando a dois ... não se sonha qualquer sonho.
Há de haver flores não se caminha qualquer caminho
E se tiver, os dois sorrindo, varrem juntos os espinhos 


José João
25/01/2.022

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Um dia já fui poeta, hoje...


Um dia, juro, já fui poeta, hoje eu canto triste
Perdi a beleza da rima chorando no fim do verso
Em poesias incompletas com palavras esquecidas
Que não diziam mais nada, no tempo estavam perdidas

Não encontro uma poesia, mesmo em noites estreladas,
Nem quando uma se solta e vai correndo para o infinito 
Só os olhos se inspiram... as lágrimas se fazem versos
E no cálido silêncio da noite a alma declama aos gritos

Mas não são poesias... são orações em forma de pranto,
As vezes são murmúrios, gemidos que se fazem acordes
Em desencontrada sinfonia tentando imitar um canto

Minhas poesias ficaram soltas, voando perdidas por aí...
Em tristes volteios, quem sabe... volteando com  o vento...
Ou talvez apenas querendo brincar de ir com o tempo

José João
05/01/2.021

sábado, 18 de dezembro de 2021

relíquias perdidas

 Não sei onde estão mas... juro, estavam guardados,
Duas saudades, dois beijos antigos, algumas lágrimas...
Tinha até um sorriso se fazendo de alegre... fingindo
Um sorriso triste, desses que a alma sorri mentindo

Tudo dentro de uma pequena gaveta criada pelo tempo
Ainda cheia de espaços vazios, por guardar tão pouco
Duas saudades, beijos, lágrimas e um sorriso fingido
Mas era tudo, pedaços da vida que eu tinha vivido

Tudo era relíquia, não sei como perdi, pra onde foram
Ficou  um vazio... as saudades me ajudavam sorrir
Os beijos adoçavam o travor amargo do que restou

O sorriso fingido me fazia rir das dores que um dia senti
Tudo que se foi me fez assim, me fez como agora estou
Sem ter nada para mostrar, sem nem mostrar o que sou.

José João
18/12/2.021

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Hoje não tem poesia

Não sei por onde andam as poesias... se foram...
Não sei se partiram nas asas de uma ilusão perdida...
Se nas asas de um sonho que nunca mais voltou
Só sei que as perdi... quiseram se fazer esquecidas

As rimas se perderam nos versos incompletos, vazios
As palavras se esconderam, se perderam sem sentido
Outro dia havia uma poesia escondida dentro da noite
Tentei busca-la, mas se foi, disse que lhe havia mentido

Mentido!! Eu!! Tanto lhe falei de saudades, de sonhos...
Não sei mentir na poesia, está bem que até posso fingir
Declamando versos deixo os olhos fingirem sorrir

Mas mentir... nunca!! Está bem, hoje não tem poesia
Desculpem, vou sentar no pé do meu flamboyant florido
Será que as poesias encontraram um outro poeta preferido??!!

José João
14/12/2.021

domingo, 12 de dezembro de 2021

Nós dois em Veneza.

 Ainda lembro  o gondoleiro ... o violino,
Os acordes flutuavam no ar, como se as notas musicais
Fossem borboletas coloridas e... na água escura,
O reflexo multicolorido das luzes  que em  teus olhos
Refletiam a candura mágica dos anjos de Veneza...
E a volúpia de querer-te se fez tanta que esqueci
Gondola, violonista e gondoleiro... te tomei nos braços,
Sofregamente te beijei os lábios como se Veneza
Fosse o paraíso dos amantes. Ouvi ao longe
Uma guitarra em solo cantando o amor e dizia:
"Dio, come te amo não é possibile tanta felicitá"
Quase desfaleci em teus braços (lembro bem)
Deitei a cabeça em teu colo e chorei, não por tristeza
nem por dor... mas era tamanha a felicidade
Que as estrelas, tão perto, se fizeram luzes divinas
Tomei-as nas mão e te dei todas elas e... sorriste
Qual um anjo criança que abre, alegre, o coração...
Aí Veneza se fez luz, o gondoleiro, de repente
Era um querubim, o violonista se vestiu com asas
De pureza e o violino era uma harpa de acordes divinos
E como amantes ficamos Veneza viu em nós amor eteno.
Nos viu com homem e mulher e se entregou a nós
Tanto que ainda hoje Veneza canta para nós dois:
"Dio, come te amo non é possibile ... Noi due inamorati
Come nessuno ao  mondo, Dio, Dio come te amo"
Até hoje Veneza clama por nós dois, mas não sei ...
Não sei quem és ... nem onde estás

José João
12/12/2.021
(de 30/09/2.005)

Minha solidão preferida

Entre os homens!!! Mas não fosse o mar...
E meus sonhos... estaria só.
Espantaram meu silêncio e minha solidão despertou...
Mais forte, muito mais forte, não é a mesma solidão
Sutil e silenciosa de quando a noite acorda
E me desperta para sonhar e me convida pra chorar.
Essa solidão de entre os homens me angustia, 
Me machuca. Não é a solidão da saudade
Que sinto quando estou só na recordação do que fui.
É um sentimento de inexistência entre os homens,
Como se apenas não existisse.
Prefiro minha solidão da noite, meus sonhos...minha saudade
de  quando estou sozinho, para esses, com certeza,
Minha existência é fundamental.

José João
12/12/2.021

Sou feito de detalhes

 Sou feito de detalhes, uma escultura de mágicos entalhes
Esculpido por um artista divino com um mágico cinzel.
Mas quem sabe eu seja uma pintura feita no tempo
Pintada pelo mesmo artista divino com um mágico pincel?

Ah! Os detalhes de que fui feito todos têm uma razão
Alguns são detalhes comuns, desses cheios de defeitos,
Outros são detalhes raros, só vistos com o coração
E com tanto sentimento que até os julgam perfeitos

Assim, sou feito de pedaços, alguns já completos
Outros ainda em formação, aprendendo com a vida
E tantos já se foram hoje são lembranças esquecidas.

Sou como sou, feito de pedaços incompletos de mim
Detalhes que se juntam apesar das tantas desigualdades
E me fazem como nem eu sei, só sei que sou assim

José João
12/12/2.021

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

... viva uma história nova de amor

 Viver, é o que mundo ensina, as tantas lágrimas, dores,
Sorrisos e saudades que se misturam... se fazem vida,
Caminham no tempo levando a gente como passageiro
O segredo é fazer de tudo isso uma imagem colorida

Aprendi a fazer de qualquer dor, encantadoras cicatrizes
Verdadeiras tatuagens multicoloridas desenhadas na alma
Na aridez de meus pensamentos vazios criei ternas fontes
E desenhei estradas floridas indo até além dos horizontes

Sim, além dos horizontes,  não desses bem aí perto dos olhos,
Os meus vão muito além, onde só se chega em pensamento
Se souber se deixar levar pela doce magia do encantamento

Inventar, sem medo, novas histórias para as velhas cicatrizes, 
Refazer a pintura das tatuagens... pinta-las de outra cor
Ou então escrever na alma uma outra história de um novo amor

José João
24/11/2.021

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Amar... é beijar a alma de quem se ama

 Amar! Como é difícil! Muito fácil dizer: "te amo"
Todos dizem, riem ao dizer, até olham nos olhos, 
Mas, pra mim, sempre foi difícil... apenas falar!!!
Com quantas outras palavras diria a mesma coisa?
Quantos beijos são trocados durante um: "eu te amo"?
Mas beijar para afirmar o que se disse... é tão pouco!
Amar é tão difícil! Tanto quanto mostrar que se ama.
Beijos, até mesmo inocentes, efusivos abraços...
Mas onde neles estão as declarações verdadeiras
De um amor incondicional? Sem olhares ou palavras?
Ah! Essas tantas maneiras tão comuns de falar...
Mostram mais aos outros... e não interessa os outros,
Mas por quem o coração dispara, as mãos tremem...
A voz fica reticente e os sonhos se atropelam...
É fácil dizer te amo com um beijo no rosto...difícil...
É encontrar a alma e, em silêncio, beija-la com ternura
E... faze-la sentir...  e fazer desse momento... eterno.

José João
19/11/2.021

terça-feira, 16 de novembro de 2021

A noite

A noite... seus mistérios, seus silêncios e encantos...
Uma beleza misteriosa, uma mudez que se escuta...
Que se escuta com a alma que mostra, sem medo,
Todos o seus pecados, chega a gritar seus desejos...
E a noite calma, plácida e terna lhe ouve silenciosa.
E continua  solene, cheia de graça, a ser apenas ... noite.
Entre os galhos das árvores, como fossem  braços 
Erguidos clamando aos céus o que só eles sabem...
O luar se espraia, os galhos não lhe tocam e eles
Correm soltos na grama, no tempo na paz e na alma.
Tudo é tão silêncio que nem a brisa ousa se fazer ouvir...
Lá, no meio da noite, como se esta fosse um infinito templo,
Imagina-se palácios, rios correndo sem paradas
O murmúrio da água mansamente cantando amores,
Beijando as flores das margens, talvez levando lágrimas
Que a própria noite faz chorar por despertar saudades.
Ah! As noites! Silenciosas provocando buscas no tempo
Que só ela mesma sabe provocar e... fazer vivo.

José João
16/11/2.021


segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A flor (orgulhosa) e o beija flor


Um beija flor... que brinca entre as tantas flores
Voa irrequieto, rápido, coração batendo forte
Cada flor que beija seria um de seus amores?
Quem lhe dera fosse tanto essa tanta sorte

De repente pousa quieto... ao longe uma flor
Que pena não ter voz para cantar coisas da alma
Quem sabe a flor lhe ouvisse falando de amor
Num gorjear sublime cheio de paz e divina calma?

Arvora-se num voar irrequieto, em busca da flor
Que em pétalas luzidias espairece ao sol da manhã
Vaidosa, orgulhosa por tanta beleza a seu favor
Sente-se única, espreguiça-se como bela castelã

E chega o beija flor beijando-lhe a pétala luzidia
E a flor, com um olhar de tédio, se encrespa arredia
E a ele diz: Quem és tu para me dar assim bom dia?
Eu, a mais bela flor do jardim não te dou essa ousadia

O beija flor, coitado, lhe bateu mais de pressa o coração
Pasmo, timidamente perguntou: Porquê me falas assim?
Sou o beija flor, beijo as flores como se fosse uma oração
Sei que és a flor mais bela e mais viçosa desse jardim...

Se sabes disso, disse a flor, porquê te aproximas de mim?
Desculpa, bela flor, desculpa, admito... foi um engano
Tua beleza me inebriou mas agora me veio a lume
És apenas bela mas, coitada, desprovida de perfume

Vaidosa flor, a beleza se vai ao tempo... ela passa
Que pena se te orgulhas do dom da formosura!
Ao perderes a beleza, te restará apenas o queixume
Imortal na flor não é a beleza... é o doce perfume.

José João
15/11/2.021