Qui vê o mundo mais mió qui eu, caboco matuto.
Nossos mundo é diferente, cada um uma beleza
Verdade que pra contar as sua o dotô tem atributo
Mas eu, um caboco matuto, sem escrita e sem saber
Falo de minha terra. Ah! dotô vocè precisava de ver
São as coisa que os livro num tem alma prá contá
É tanta beleza! Que se vendo dá vuntade de chorá
Quando a lua vem de mansinho irriba do pé de serra
Pratiando a vastidão, as arve fazendo sombra
Dançando deitada no chão. Dotô, é difice nun chorá
Os óio reluz de tanta beleza que Deu deu prá se oiá.
De manhanzinha quando vem o sol gritando em luz
Os passarinho se arvoroça num rezar em cantoria
Açum preto, sabiá, pintassilgo, acauã, uma retreta
Numa sinfonia de gorjeio recebendo o novo dia
No sertão, Seu dotô, a vida é cuma Deus criou
É um viver inocente, é o que diz a voz do coração
Nossas mão, dotô, veja, os calo são uma benção
É nossa maneira de agradecer a Deus em oração
Na Ave Maria, o sol indo por detrás do outro monte
Pur riba do rio do pé da serra, soluçando numa prece,
Os vagalume, brilhando feito estrela que caiu do céu,
O cantar dos grilo feito reza de nada mais nós se carece
Dotô, no sertão se diz bom dia, e cuma vai vosmicê
Num tem zuada de carro, nem precisa de se corrê
Os menino pede abença, coisa bonita de se vê,
Dessas coisa os livro num fala nós qui tem qui dizê
Cruz Filho
12/08/2.026
Nenhum comentário:
Postar um comentário