domingo, 26 de junho de 2022

Quem dera eu fosse a voz da humanidade!!

Brinco de pintar o horizonte com cores que só eu sei,
De esculpir flores em nuvens, enfeitar a saudade com beijos,
De brincar com as palavras em versos cheios de verdades
Ou de fingidas histórias que insisto em fazer verdadeiras.
Eu!!! Alinhavo pedaços de sorrisos em qualquer papel...
Faço que a palavra tenha outro sentido, brinco de fazer isso.
Até já fiz a brisa cantar ladainhas em volteios inocentes.
Converso com as flores, lustro suas pétalas macias...
Guardo seu perfume em caixinhas de musicas coloridas...
Posso fazer tudo isso. Lustro estrelas, até as mais distantes.
Prendo as estrelas cadentes em folhas de papel, só pra mim.
Posso esculpir uma lágrima no rosto alegre do palhaço,
Ou um sorriso se o rosto precisar fingir que está risonho.
Eu! Posso fazer o impossível, posso parar uma águia no ar
No fim de um verso e, no outro, falar da beleza da primavera,
Do flamboyant florido, do Lírio apaixonado pela Azaleia.
Posso tudo. Sabem que sou eu? Não? EU SOU A ARTE
E VOCÊS... OS ARTISTAS QUE USO PARA FICAR VIVA.

José João
26/06/2.022

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Aprendi a sorrir com os olhos

A tristeza me ensinou sorrir... sorrisos diferentes,
Sorrir chorando não é fingir, é mesmo chorar,
É como gritar com os olhos, quando as lágrimas
Correm no rosto, é como fossem palavras silenciosas
Que só a alma sabe dizer... num copioso silêncio.
Sorrir com os olhos! Ah! Quantas vezes já fiz isso!!
As vezes a saudade vinha lentamente com o pôr do sol,
As lembranças fervilhavam na alma carente... sozinha...
Aí os olhos, solidários, sorriem brilhantes num olhar vago
A se deixar ir lá longe, de carona com o pensamento
Indo buscar até mesmo detalhes que ficaram perdidos.
Até gargalhar meus olhos sabem, se perdem no tempo...
Gargalham como fosse o gorjear de um pássaro alegre...
Riem tanto que choram, as lágrimas deslizam no rosto,
Umas se perdem ao vento, outras se fazem caminhos...
Algumas se dão ao luxo de salgar a alma com beijos.
Mas triste mesmo, é um sofrido soluço de uma saudade
Que os olhos, espantados, se derramam em pratos...
Mas tantos que nem fingir sabem... choram mesmo.

José João
20/06/2.022

É assim que te amo

Te amo tanto, que tua falta me sufoca a alma, que grita
Dentro de mim tua ausência, que me faz as lágrimas
Escreverem teu nome em meu rosto como carícias,
Essa vontade que me invade, que te traz pra mim,
Apenas me diz o quanto te amo. Tudo em volta,
Tem teu perfume, parece que o tempo me sorri
Com teu sorriso, que a brisa tem a sutileza suave
De tuas mãos brincando de desenhar em meu rosto
Palavras gritadas em silêncio que só a alma ouve.
Te amo com a certeza de nós dois, te amo
Dentro dos sonhos que me fazes sonhar, te amo...
Te amo no silêncio que me permito para te sentir mais,
Para ouvir teu ofegar quando nós dois, numa entrega
Sem pecados, nos damos um ao outro na imensidão
Do que nos fizemos ser. Te amo e, a cada amanhã,
Te amo mais, muito mais e, se há de o céu
Querer proteger esse meu querer, um dia ele terá
Que crescer para poder cobri-lo.

José João
20/06/2.022

Retalhos de versos e... de mim

Qual pássaro no chão caído
Gorjeando prantos doloridos
Se fez minha pobre alma aflita.
Dentro de mim a solidão aplaude os versos
Que a tristeza recita, a angustia pede bis,
Mas tristeza diz um sonoro não,
Quer os versos chorando dores novas,
Chorando prantos tristes, ainda que belos...
É com eles que a alma canta a saudade que sente,
Aí então, escrevo versos loucos, de rimas soltas,
Escrevo versos tristes de prantos frios,
Escrevo versos amargos com palavras rotas
Mas ainda assim trazem  o doce perfume
Que me afaga o corpo, que abraça minha alma
E me veste com o sabor de amor eterno,
Meus beijos ficam na imagem que tenho 
E nos versos... minha alma carente busca,
No íntimo de mim, bem dentro dos meus segredos
O que nem sabia mais lembrar.

José João
20/06/2.022

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Para amar ... basta amar

Não precisa que se faça nada para amar... para amar
Basta amar. O amor chega, toma na alma o melhor lugar,
Fica sem razão porque para o amor razão não existe
O coração rompe em gritos e os olhos se danam a brilhar

As vezes se ama quem nem se conhece, foi apenas um olhar
Cada um com suas aflições, com suas dores, seu chorar
Mas de repente tudo fica como se fosse um pedaço de luz
As aflições se perdem, ri-se das dores e tudo parece passar

O amor é um pedaço consciente de uma loucura qualquer
É um fazer-se brasa com um frio nas mãos e silêncio na voz
É um gritar na alma, é uma descoberta da existência do nós

O amor! É a loucura de gargalhar sozinho dentro da multidão
Sentar na calçada, numa doce solidão, e esperar como criança
Que o mais belo sonho seja verdade, não apenas uma esperança

José João
26/05/2.022

terça-feira, 24 de maio de 2022

Eu! O louco

Eu?!! Eu sou louco, assim como são todos os loucos...
Não sei me escrever ... só sei me declamar... sou louco...
Quem dera eu pudesse gargalhar nos versos, neles...
Só sei chorar mas... sou louco, assim como louca 
É uma flor, dessas que nascem lindas, entre espinhos... 
Como a lua... que brilha quando todos estão dormindo
 (gargalhada) Sou tão louco que pintei o tempo,
Sim, pintei o tempo, pintei a saudade... eu fiz isso,
Afinal de contas (gargalhada) sou louco... sou louco
Pintei o tempo com a cor das lágrimas... ficou bonito!
Pintei a saudade cor da tristeza, com cerdas de nuvem,
Todos vocês sabem a cor da tristeza, não precisa dizer.
Inventei sonhos, muitos, coloridos, em preto e branco
Com matizes sem cor e traços pontilhados de incertezas.
Tracei a rota do eco de um grito meu... e ele foi hahaha
Batendo de pedra em pedra, como estivesse bêbado...
De repente parou, ficou em silêncio, ficou sem dizer
Mais nada. Como disse, sou louco, saí voando, sim ...
Voando com um pássaro que passava, ele com as asas
Eu... com pensamentos e chegamos juntos no horizonte.
Como disse sou louco hahahaha tão louco que ...
Dizem que sou poeta. hahahahaha.



segunda-feira, 23 de maio de 2022

Monólogo da saudade

Lembro ainda de algumas primaveras, das flores,
Do perfume do campo...das tardes coloridas, 
Por do sol melancólico falando de saudades,
Pintando o céu com cores que não se vê... 
A não ser no pôr do sol. As vezes penso ouvir
O cantar suave da brisa murmurando a Ave Maria
Com o coro dos pássaros em trinados curtos,
Longos, em perfeita sinfonia, mesmo sem maestros.
E as esculturas nas nuvens!!! De sublime perfeição...
Pareciam desenhadas, depois esculpidas por magia...
Talvez com um cinzel divino nas mãos de um anjo.
Lembro ainda! Há quantos anos não vejo o mesmo céu...
E não o verei nunca mais, ficou no meu mundo de criança...
Perdido no tempo mas... vivo na memória... como relíquia.
Ainda lembro da arribação... garças, guarás, em fila,
As garças com o alvor dos lírios iam lentas, inocentes
Como fossem pétalas indo ao vento... os guarás...
Vaidosos em suas plumagens de deslumbrante colorido
Brincavam de fazer do pôr do sol molduras para seus voos.
Ah! Quanta beleza! E eu... louco, falando com o tempo
Num macambuzio e sonolento lembrar, falando sozinho
Num monólogo em que saudade substitui as palavras,
Se faz um dicionário completo.

José João
23/05/2.022

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Histórias que me contaram ou... sonhei?

Eu era criança quando e me contaram,,, jurando verdade
Que uma lágrima criança, que nem sabia o que é o pranto
Foi embora de um olhar, buscando horizontes distantes
Sonhando, que um olhar um dia, dela fizesse um canto

E se foi a pequena lágrima, deixando um rastro de saudade
Lágrimas sentem saudade, sim. Um dia então, na madrugada,
No alvorecer do dia, foi confundida com um pingo de orvalho
Que beijava uma flor triste, já sem perfume, bastante cansada

Eu, uma lágrima! Confundida com um pingo de orvalho!!?
Como pode um pingo de orvalho a mim ser comparado?
Dizia a pequena lágrima furiosa, será apenas isso que valho?
Ah! Não devia ter partido, devia com as outras ter ficado

E o pingo de orvalho acariciando a velha flor triste e cansada
Disse: Sou o orvalho de todos dias desde quando ela desabrochou
Mas não sei chorar, faça o que não sei, chore um pouco por ela
A lágrima, envergonhada, abraçou o orvalho e pela flor chorou

Não sei se é verdade essa história mas um dia me contaram.
Dizem que a pequena lágrima até formou com outras um pranto
E que nas madrugadas, quando a saudade dói nas almas sozinhas
Se juntam orvalhos e prantos num dueto de choro e canto.

José João
19/05/2.022

As vezes a dor é um recomeço

Sempre haverá um outro recomeço... quando? Onde?
Não se sabe... mas haverá, a vida é cheia de recomeços,
As vezes um olhar, um sonho, uma estrada, um silêncio,
Até mesmo uma dor, quantas vezes não é ela um recomeço?
Mas é preciso estar atento, não ter pressa, saber esperar.
É preciso saber acalmar a alma, fazê-la passiva ao tempo,
Aprender colorir os pensamentos, os sonhos e sonhar sempre.
Vai... vai entre a calma e a pressa e esquece a ansiedade,
Não sabes se o que buscas está no fim desse caminho, 
Se estiver, indo entre o vagar e a pressa não custarás chegar,
Se não, terás ainda as marcas dos pés para te fazer voltar.
Haverá de ter sempre um recomeço, não te desespere...
Não te aflijas, nenhuma dor é para sempre, olha a tempestade...
Mas depois dela um outro dia recomeça, alegre, sorrindo.
Espera que teu dia risonho vai chegar um dia, te acalma...
Mas te atenta para que tenhas certeza que é mesmo o teu dia...
Por vezes, a pressa é tanta que confundimos, nem era aquele,
Outas vezes, por não acreditar em nós, chega nosso dia risonho,
Olhamos sem certeza, sem fé e ele se vai, quando percebemos...
Tem-se que esperar um outro recomeço... mas sempre haverá um.
Sorria.. quem sabe ele esteja bem aí... na tua frente!

José João
19/05/2.022

quarta-feira, 18 de maio de 2022

E se forem verdades as minhas mentiras?

Rio-me tanto quando me chamam de poeta!! Eu?!! Poeta?!!
Sou apenas um desses que escreve versos, todos fingidos
Ri das lágrimas e sorri falsos sorrisos se sente uma saudade
Escreve coisas de criança, fingidor, finge até mesmo a idade

Lágrimas!! O que é isso. Alguma coisa dos olhos? Da alma?
Não sei, sei que os olhos são os límpidos espelhos do fingidor
Que corre entre espinhos, conversa com pedras, bebe prantos
E sai cantado modinhas ... ainda fazendo doces versos de amor

Não sei ser poeta, apenas sei escrever a dor que os outros sentem
Por exemplo, a saudade que os outros choram ... eu sei contar
Preparo os prantos e entrego as lágrimas que quiserem derramar
Sou tão fingidor que com cada um dos olhos uma dor posso chorar

Se dizem que a saudade é minha, numa poesia que escrevi, rio-me...
As vezes é uma saudade antiga, já caduca, que alguém um dia contou
Finjo ser minha porque minha alma triste até em versos ela se vira
E quem poderá dizer que não são verdades minhas inocentes mentiras?

José João
18/05/2.022

Pra viver... não precisa ser feliz

Quando criança, brincava de pintar os dias
Sem me preocupar com o que a vida sempre diz
Queria apenas brincar, sabendo que os amanhãs
Todos eles estariam risonhos e eu... sempre feliz.

Mas o tempo! Esse senhor que não para nunca
Foi passando, fui crescendo, criando sonhos,
Sem medo, daria tempo de fazer o que não fiz
Já não sonhava ia em busca de ainda ser feliz

E o tempo que antes se arrastava deixando rastros
Aumentou o passo, como se da vida fosse a matriz
Agora, em mim, só a esperança de um dia ser  feliz

Hoje, cabelos brancos, ombros curvos e voz pausada,
Mãos trêmulas, rugas no rosto sem brilho e sem verniz
Ouço o que a vida diz: pra viver não precisa ser feliz

José João
18/05/2.022

terça-feira, 17 de maio de 2022

Esperando minha poesia

Ah! Quantas poesias soltas por aí!! E eu... sem nenhuma!
Poesias brincando de esconder com as estrelas cadentes,
Cantadas em gorjeios, em trinados alegres, soltos, livres
Desenhadas nas pétalas das flores luzidias e brilhantes

Poesias pintando o céu da madrugada em inocentes cores 
Brincando de reger os pássaros em sinfonias desencontradas
Despertando lírios, açucenas, jasmins, borboletas e beija-flores
E eu...sem nenhuma poesia mesmo chorando tantas dores

Outro dia tinha um por do sol desenhando estradas no horizonte,
Corri, pequei lápis, papel, algumas lágrimas mas... decepção
Era de uma outra poesia, de alguém ao tempo pedindo perdão

Desisti de escrever uma poesia. Tantas e eu sem nenhuma!!
Sentei na porta do tempo, olhando vagamente o imenso vazio
Ouvi uma voz: espera, tuas poesias estão com a saudade no cio

José João
17/05/2.022

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Versos podados

 
As vezes meus sentimentos cabem nos versos,
As vezes meus versos curtos cabem na poesia 
Mas nem sempre as poesias cabem nas páginas
Assim ficam as tristezas e... se vão as alegrias

Serão maiores que as páginas a tristeza da gente?
Tanto que seja preciso amputar versos carentes?
Serão maiores que os versos aquilo que se sente?
Para deixar na poesia tantas lágrimas ausentes?

Quantas páginas perdidas em livros dourados!!
Com páginas rotas em tristes versos sem rima
Porque o pensamento nelas foram todos podados!!

Fiz versos curtos, em poesias quase incompletas
Que quase nada dizem, mas cabem numa página
Embora com versos rasgados e rimas obsoletas

José João
16/05/2.022

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Ontem

  Ontem tive sonhos que não queria sonhar,
Não brinquei de fazer sorrisos, nem de lembrar
Momentos alegres, ontem brinquei de chorar
Peguei saudade, prantos, dores e  fiz rimar

Loucura, rimar riso com dor, sorriso com tristeza
Lágrimas e prantos com alegrias no mesmo verso
Mas o que tem rimar no mesmo verso o in-verso?
Há de haver, em tudo que se sente, uma certeza

A mim causaria estranheza, não rimar com beleza
Um pranto que nasceu com um outro que já morreu
Com um outro pranto que nem sequer ainda viveu

Se disser que rimei saudades que ainda nem senti
Com saudade que um dia, até mesmo chorando vivi
Com o mesmo pranto que por toda vida escondi?

José João
09/05/2.022

Saiba viver... para sempre

Não abracem apenas os pretos, nem apenas os brancos,
Nem só os ricos, nem apenas os pobres, é bom saber que
Somos todos gente, somos uma raça só, somos todo humanos.
Todos temos defeitos e virtudes, todos somos da mesma matéria,
Apenas alguns têm mais informações mas, ainda mesmo assim,
Somos todos úteis. A vida, o mudo, são labirintos desconhecidos
Onde todos temos importância vital para a existência da raça.
Ah! Nós... os humanos, tão orgulhosos, tão cheios de vaidade!!
Sem nem saber o que realmente somos, nossa complexa existência
De alma e corpo, de consciência e de forma, da mesma matéria...
Que um dia apodrecerá, e a beleza, como apenas escultura 
Sucumbirá porque ela é um forma, a subjetividade da vida.
Tão ridículos a vaidade e o orgulho! Como nascemos? Frágeis,
Indefesos, nus, ridicularmente nus, precisando dos outros...
Para tudo, até para nos vestirmos e nossa higiene!! rsrsrs
Depois, já grandes, nos damos imbecilmente como auto suficientes,
Somos "donos" de nós... Aí os pobres são escadas para o sucesso
E sempre mais, e sempre mais... aí o tempo!! Inexorável,
Embranquece os cabelos, curva os ombros, reticencias na voz
Passos curtos e incertos e...como disse, inexorável... a morte.
Tão ridículo a vaidade e orgulho! Como morremos? Frágeis,
Indefesos, nus, ridicularmente nus, precisando dos outros
Para tudo, até para se vestir ... e a complexa existência ...
Agora é um enigma, a forma desaparece com a matéria
E o que resta? Aí, nesse momento, é que a verdade mostra
Quem você foi? Você foi o que plantou no coração daqueles
A quem um dia te fizeste útil. Você não leva nada
E deixa apenas isso... o que você foi. Saiba viver... para sempre...

José João
09/05/2.022

domingo, 1 de maio de 2022

Zelo

Te guardo dentro de mim, com tanto carinho
Que por vezes te percebo comodamente dormindo,
... nem respiro para não despertar teu sono,
Até te faço belos sonhos, te canto hinos
Que os anjos me ensinaram para poder te ninar.
Te guardo como flor... imaculada, frágil e bela,
Tanto que nem permito, embora precises, talvez,
Que borboletas de pousem nas pétalas,
Suguem tem néctar com a te beijar,
Meu amor egoísta grita: esse néctar é meu.
Trancei, paciente, cordas de nuvens,
Depois tingi cor do ocaso, sol poente,
Assim fiz uma rede, tão delicada e tão fina
Que a mais leve brisa te embala sorrindo,
Sussurrando canções que ensinei o vento cantar.
Te guardo dentro de mim, com tanto carinho,
Que até pedi para meu coração bater de mansinho
Caso queiras, deitada em meu peito, dormir e sonhar.
E a noite... quando velo teu sono!! Dormes sorrindo...
E um raio de luar mais ousado pela janela entrando
Te cubro depressa... esse corpo só eu posso olhar.
Ah! Como te guardo dentro de mim!
É tanto meu zelo, que deitei o mais singelo arco íris
Por onde passas... para que não sujes os pés,
Mas... sinceramente ... tudo isso ainda é pouco

José João
01/05/2.005



quinta-feira, 21 de abril de 2022

Soneto do encanto de amar

Deixa-me que te guarde dentro do meu pensar
Que te faça afagos como fosse a brisa a cariciar-te
Deixa que entre, em nostálgica alegria, na tua alma
E dentro dela acomodar-me com única forma de amar-te

Deixa que meus suspiros rezem teu nome em clamor
Que meu silêncio se faça divino como oração a ser rezada
E se houver o que falar que minha voz se faça doce canto
Em te louvar, te fazer de terna poesia, verdadeiro encanto

Deixa, que pra te seja festa, o gorjeio alegre do alvorecer
Como fossem anjos cantando hinos alegrando teu despertar
E o sol, vindo de mansinho, para um beijo teu ele roubar

Deixa que agrade tua alma com carícias de divinal prazer
Que me permita te enfeitar com estrelas e pedaços de luar
Para que se possa mostrar ao mundo o que realmente é amar

José João
21/04/2.022

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Ah! Se pudesse voltar a ser criança


Vou brincar um pouquinho de ser outra vez criança!
Brincar de ser feliz como todas as crianças brincam.
De colorir o amanhã sem medo, cheio de sorrisos
De pintar os dias com todas as cores da esperança

Vou brincar de ser criança, me lambuzar de beijos
Beijos inocentes, abraçar por abraçar, sem carência
Sorrir apenas por sorrir, brincar de correr no tempo
Soltar pipa bem pertinho do céu levada pelo vento

Por ela mandar um recado pra Deus, recado de criança
Desses recados inocentes que só mesmo Deus entende
Esses recados de criança que  Ele, sempre sorrindo atende

Mas... não deixei marcas no tempo que me façam voltar
Nem as pedrinhas no chão marcando o caminho de volta
Me perdi num lugar estranho onde só brincam de chorar

José João
20/04/2.022

Será que a tarde é triste ou... triste sou eu?

Outro dia, sentado na janela do tempo sem nada pra fazer,
Via a tarde, colorida, passar lentamente por precisar ir..
Indo como se estivesse carregada, talvez de sorriso e lágrimas,
De quantos olhares tristes que nem repararam sua beleza!
E ia a tarde, caminhando no tempo, talvez levando saudades,
Levando histórias que terminaram num triste aceno de adeus
Em que os olhos teimavam em ficar sem lágrimas, silenciosos,
Como se essas fossem o grito que a alma insistia em gritar.
Eu, brincando de nada sentir, de ver apenas a tarde ir-se,
E enfeitar outro horizonte qualquer, saí do marasmo e perguntei...
A mim mesmo, Porque será que as tardes se parecem tristes,
Mesmo lindas, quando o sol começa a entrar na noite?
Parece que se vai nostálgica, como se estivesse com saudade
E o amanhã custasse a chegar, pra ela outra vez se fazer bela!?
Não entendo o que as tardes sentem! Ou será que sou eu?
Sentado na porta da tempo, costurando retalhos de sonhos
Que se rasgaram e que, agora rotos, são apenas restos...?
Mas... será mesmo que a tarde é nostálgica e triste ou...
Triste sou eu?

José João
20/04/2.022



Eu... o Palhaço Sorriso.

Eu!!? Eu sou o dono do riso. Espanto tristezas e lágrimas,
Canto ao tempo a beleza de sorrir, está triste? Então venha...
Olha eu aqui! O Palhaço Sorriso, só o que sei é fazer sorrir
Não há tristeza, que eu, o Palhaço Sorriso, não afaste de te.

Também sou mágico, da lapela tiro belas flores perfumadas
Brinco de dar cambalhotas no tempo, transformo lágrimas
Em sorrisos que os olhos gargalham alegres e brilhantes
Sou alegria pura, sou a alma que brinca com os amantes

Quer sorrir? Venha! Brinco de bem me quer com as flores
Brinco de cantar, brinco de enfeitar o mundo com alegrias
Não deixo que perto de mim ninguém chore suas dores

Porque sei o que é sentir dor... meus sorrisos... são lagrimas
Minha alegria está tão distante, pinto o rosto para enganar
Na verdade, dentro de mim ... o que sei mesmo é chorar.

José João
22/04/2.022

Prantos e cantos se confundem em mim

Talvez, nem eu sei, ainda tenha me restado um sonho 
Mas que sonho esquecido haveria de ainda me restar?
Pelas tantas angustias vividas, são tantos os receios
Que, por medo, não me permito mais nem poder sonhar

Em vazio espaço, tão vazio que nem saudade tem para sentir
Sigo rastros quase apagados que a vida, por pena, me deixou
Se por destino, infinda busca, a vida exigir a sozinho procurar
Levo prantos para chorar e aliviar essa minha tão insana dor

Quantos sonhos sonhei para um dia dentro deles poder estar!
E devaneios?! Tantos quantos foram os sonhos por mim sonhados
Mas talvez, por punição, cruel pena a mim me impuseram
Deixa-los mortos, pelo simples "crime" de um dia ter amado

Assim, meus passos por perdidas rotas se fizeram escombros
Sem rumo, buscam horizontes que nem sei se ainda existem
Fazendo que nem precise de outra dor para chorar meu pranto
Porque  soluços tristes e os "ais" me enganam e se fazem canto

José João
20/04/2.022


terça-feira, 19 de abril de 2022

Então... vou inventar sonhos

Ei! Você. Você tem algumas lágrimas para emprestar?
Não!! Nem uma saudade? Nem um pedacinho de saudade?
Quero escrever uma poesia e estou sem prantos e sem saudade...
Ninguém aí tem um pouquinho de tristeza para eu chorar?

Não que não tenha prantos ou lágrimas, já os tive, e muito.
Ah! Quantas saudades! Também já as tive, e foram tantas!!
Envelheceram, ficaram caducas, não sabem mais porque choram
Agora se dizem beatas e, por tanto, em silêncio apenas oram.

Outro dia vi alguém chorando mas, egoísta, nem me ouviu
E olha que pedi como pede um pássaro gorjeando tristezas
Ela disse que o pranto era só dela, porque a dor foi ela que sentiu

Que fazer se ninguém tem uma saudade, uma lágrima, um pranto!?
Nem você tem?! Está bem, então vou por aí inventando sonhos,
Costurando letras, sussurrando palavras e a alma imitando um canto

José João
19/04/2.022

Minha alma e eu

Minha alma triste chora os prantos que não chorei,
 Dor tão forte tão cuidadosa amiga preferiu senti-la
E eu aflito, por minha tanta culpa e covarde medo
Apenas deixei em mim toda essa dor como um segredo

Minha alma triste me põe no colo e me diz baixinho
Não te aflijas se choro a dor de tão grande amigo
E depois, a mim tu não enganas, te conheço tanto
Que esse pranto que choro agora... choras comigo

E assim, nós dois no tempo, vamos buscando histórias
Até sonhos de mim perdidos, vencidos ou esquecidos
Sonhos deixados dentro das perdas que já tivemos
Ou até fragmentos das tantas dores que já vivemos

Minha alma amigo quase em sussurro balbucia um canto
Dizendo que sempre, para qualquer dor, há um depois
E se por castigo o destino a nós imposto é estarmos só
Que seja, pois para chorar, prantos é o que temos os dois

José João
19/04/2.022

sábado, 16 de abril de 2022

Essa doce e terna loucura de amar.

 Loucura, loucura, loucura, gritou minha alma!
Como pude entregar-me assim? Fui além de mim...
Muito além de mim, me vesti toda com teu sorriso,
Me perfumei com teu perfume, cantei teu nome
Em poesias que até a brisa invejou e imitou.
Com teu nome inventei orações falando de amor
Parei o tempo nos versos para neles te eternizar!
Loucura, loucura, até a razão ficou em silêncio
Dentro de mim, como se a loucura de te amar
Fosse maior que viver, e viver fosse apenas te amar.
Mandei todas as lágrimas embora, mas a saudade...
Essa deixei ficar, se não o fizesse o que sentiria
Cada segundo que não estás aqui, dentro de mim?
Ah! Esse amor! Tão terno, tão belo, tão divino!
Quem diria que a loucura se faz santificada 
Quando a razão se perde dentro dela e o amor
Explode como se fosse um grito de prazer da alma!
Loucura... doce e terna loucura! A liberdade
De prazerosamente me prender no teu sentir.


José João
16/04/2.022

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Amar, loucura de um começo certo e... fim incerto

Amar é bom, da vida amar é a essênciA
Mesmo quando se está só, amar é boM
Ando sempre, em estrada ou veredA
Ruas, ou jardins, procurando um amoR

É assim o amor, faz da gente o que se É

Louco fica o tempo, até se pinta de azuL
O amor por tanta perfeição se faz afetO
Uma dádiva divina como nunca se viU
Carinho, que como começo tem um C
Um  C que faz o mundo gritar ... valeU
Rompendo a frieza da alma e fazendo-a riR
Ah! Como é bom amar!! Entregar-se... amA

José João
15/04/2,022


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Me fiz amante da poesia.

Gosto de escrever versos... longos, curtos, incompletos.
Os versos, as poesias, as saudades, sempre me fascinaram
Sem elas como seria o mundo? Sem beleza, surdo e mudo
Tanto que não se teria como contar a beleza das flores...
O belo gorjear dos pássaros, sua doce e desencontrada sinfonia 

Dar cores para a saudade, para o pranto, só a poesia faz isso
E ainda, como só a poesia sabe, embalar corações carentes

Sou um escrevedor de versos e, com eles, colorir o pranto
E até mesmo adoçar as lágrimas que a tristeza salgou
Reunir dor e saudade nos sorrisos tristes que ninguém sabe rir

Amo quando as palavras se atropelam para se fazerem versos,
Misturam-se entre as linhas e entrelinhas, carentes do poeta,
Atiram-se feito loucas nos versos como fossem lágrimas
Nos olhos que só sabem chorar, perderam o prazer de sorrir,
Tudo se transforma na poesia, ela para até o tempo no fim do verso
E no outro verso faz que corra para o amanhã não se fazer hoje

De onde vem a beleza da poesia? Uma dama sempre elegante...
Adora vestir-se em rimas e de fazer-se bela num final feliz!

Pura, como fosse inocente, mas promiscua por natureza
Ousa fazer-se ingênua, divina, no coração de quem lhe acolhe
E, sem pedir licença, entra e nele habita cômoda e livremente,
Se faz chorar, se faz sorrir, se fala de saudade de pranto, tanto faz,
Isso não importa, ela é livre para o que lhe fizeram, ela é poesia
Assim, eu,  um escrevedor de versos, me fiz também seu amante.

José João
13/04/2.022




 

Até dos detalhes faço histórias... isso é amar

Assim é a vida... cheia de sorrisos e lágrimas...
Mas... que se há de fazer? Chorar ou sorrir, é viver.
E se os sorrisos se fizerem mais que os prantos?
Isso é viver ... ainda que os prantos sejam mais

E quando a lágrima enfeitar os olhos... se for por amar...

Vou sempre amar, sentir saudade é viver uma história
Ou seria melhor viver sem ter uma história pra sentir?
Uma que você possa lembrar e sorrir ou até mesmo chorar...

A quem importa o prazer ou a dor que a vida me faz sentir?
Mesmo estando na multidão a quem interessa meu pranto?
Ah! se eu gritar por tanto amar? Vão dizer que é loucura...
Razão para amar!!? Não precisa, basta que a alma queira


Sempre é bom uma saudade para a alma, mesmo triste, sorrir 
E se entregar ao prazer das lembranças, dos detalhes vividos
Mesmo porque os detalhes se fazem história quando se ama
Por isso, nunca deixei de amar, de me entregar sem medo  e inteiro,
Recortar meus momentos como pedaços completos de mim
E nunca estar só, sempre tem um sorriso ou uma lágrima comigo

José João
13/04/2.022

 

Saudade, do começo ao fim da poesia

Sou o que ninguém sabe, as vezes nem eu...
Ando, vou... apenas porque ir é melhor que ficar,
Uma vez, por isso, percorri caminhos perdidos
Dando em horizontes sem cor, horizontes mudos
Assim com se fosse o vazio do pior silêncio.
Dei voltas e volteios perdi meus passos no chão
E quase não voltava, o pranto não me permitia ver

Dei-me ao tempo, enxuguei as lágrimas, tentei sorrir
E o sorriso não se fez completo, ainda tinha pranto na alma

Mas ... que fazer? Deixar a angustia tomar conta de mim?
Isso seria pior, talvez nunca mais me encontrasse
Melhor chorar e... sentir saudade... de mim mesmo.

José João 
13/04/2.022


Não me permito parar

Tenho muito o que fazer... tenho muito aonde ir,
Por vezes mergulho dentro do silêncio do tempo 
Outras vezes vou correndo para dentro de ilusões
Até percorro saudades em volteios do pensamento

Voo como leve brisa os mais distantes horizontes
Ando sobre o caminho que o sol deixa sobre a água
Quando o pôr do sol convida a alma para sonhar
Volto caminhando no tempo quando preciso chorar

Sigo por estradas que acho... foi a vida que traçou
Ouço ecos de gritos tristes que talvez eu mesmo gritei
Quantos deles foram gritados em lágrimas perdidas
Mas quantos gritados em prantos que sei porque chorei!!

São tantos os lugares percorridos e ainda a percorrer
Tenho ainda prantos presos que ainda não pude chorar
Tenho saudades distantes para sentir e dentro delas viver
Tenho até pensamentos escondidos, muitos ainda por pensar

José João
13/04/2.022

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Acho que é o perfume do amor

Ah! Que perfume! Como fosse o perfume de um sonho,
Desses sonhos com cheiro de flores que se abrem na primavera
Beijadas com o orvalho do alvor do dia, da madrugada colorida
Em que as rosas, antúrios, lírios e jasmins se abrem cheios de vida.

Talvez sejam o antúrios perfumando o tempo para serem vistos!!
Ou as rosas, sempre vaidosas, se espreguiçando no alvorecer
E se for o lírio!? Belo, arrogante com seu perfume requintado
Querendo se mostrar para a violeta com seu aroma amadeirado?

Mas que doce e divina fragrância vem vindo do meu jardim!!
É um cheiro de poesia, de uma saudade gostosa de sentir..
É o gosto de um beijo que faz sonhar sem se dormir

Até o vento perfumado dá voltas e volteios e não quer ir
Fica fingido ser uma brisa brincando no meu jardim
Mas acho que é o amor... só ele pode ser perfumado assim

José João
10/04/2.022

domingo, 10 de abril de 2022

Meus anjos poetas

 Hoje... parece que as poesias se esconderam no tempo,
Mas meus anjos poetas estão por aí... de plantão
Procurando poesias perdidas no espaço, palavras soltas,
Versos inacabados, histórias não lidas ainda não escritas, 
Histórias passadas que esqueceram de contar.
Meus anjos poetas devem estar entre jardins, em raios de luar,
Volteando com a brisa que acabou de passar, brincando com o mar, 
Provocando as ondas que beijam e se deitam na areia...
Procurando saudades que ainda não foram sentidas,
Beijos que ainda nem foram trocados...ah esses meus anjos!!
Meus anjos poetas!! Estão por aí de plantão buscando poesias...
Que sejam alegres, que sejam tristes, até mesmo inacabadas,
Que sejam poesias sem rimas mas  ainda não escritas.
Cada poeta tem um anjo que lhe trás poesias,
As poesias escolhem seus poetas e dizem ao anjo poeta
Que estão prontas e se entregam mansas e dadivosas
Como fossem a amante mais pura, o canto mais inocente,
A amante mais doce, a mais fiel... até mesmo angelical.
Meus anjos poetas estão por aí de plantão
Buscando a poesia que ainda não me encontrou, mas ela vem...
Meus anjos poetas sempre me trazem poesias... desde muito.

José João
10/04/2.022

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Insistir é nunca desistir, é ...

Se te sangraram a alma e te cortaram a carne
Se te puseram em lágrimas, grita mas INSISTE
Olha em volta, olha o tempo, busca um sorriso
Não deixe que nada te derrube, NÃO DESISTE

Se te insultam, te ironizam, se riem de te, grita
Mas...vamos, olha pra frente, não para, INSISTE
Olha as árvores no outono... todas desfolhadas
Faz como elas espera a primavera só NÃO DESISTE

Quantas lágrimas derramaste, quanto pranto choraste!
Quantos 'nãos'  já ouviste! Mas e daí? Vai, INSISTE
Com certeza haverá muitos "sims" te esperando no tempo
Não para, vai, estão te esperando, mas... NÃO DESISTE

Se tropeçares e caíres, se a dor ao levantar é muita
Espera, tem paciência, levanta devagar mas... INSISTE
Não te deixa abater por qualquer dor, mesmo chorando
Uma hora ela passa, mas para isso, luta, NÃO DESISTE

Se virem fraquezas em te... sorri contigo mesmo e vai
Só você sabe a força tem, você é forte, portanto, INSISTE
Não deixa que ninguém te tire nem a força nem o brilho,
Seja humilde e mostre quem você é... só NÃO DESISTE

Vai entre o vagar e a pressa, dá voltas se preciso for
Mas nunca desanime, quem sabe do amanhã? INSISTE
E se amanhã a felicidade vier de mansinho bater na porta?
Se não vier, não desespera vai atrás dela, só NÃO DESISTE

Amanhã quando tiveres vencido todos os obstáculos
Se orgulha de te, grita alto, cantando: EU INSISTI
E os fracos te perguntarão: como você está assim?
E você dirá com orgulho: EU VENCI...NUNCA DESISTI.

José João
06/04/2.022