quinta-feira, 25 de maio de 2023

A luz dos teus olhos

Quanta beleza agora vejo! Até o tempo tem cor!
Como se os dias fossem pétalas de flor coloridas,
Cada uma (um dia) contando histórias alegres
Que alegram e brincam de enfeitar a própria vida

O mundo se abriu em festa, se fez uma quermesse 
Onde os ontens, o hoje e os amanhãs são crianças
Brincado de inventar histórias cheias de alegria
Pintadas cor do céu, do amor e de esperanças

Que tudo isso se faça vivo no tempo e na vida
Agora sei, beleza existe até mesmo nos abrolhos
Quando os vejo refletidos na doce luz dos teus olhos

Assim ficaram os dias, todo dia uma nova cor
Na verdade, até a brisa se perfumou se coloriu
Essa luz dos teu olhos!! Que belo mundo me abriu!!!!!!

José João
25/05/2.023

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Será que as flores são almas disfarçadas?

Em quantas primaveras brinquei  entre jardins!
Quantas vezes, entre flores, perguntei a mim mesmo,
Como pode existir a beleza de tantas flores e suas cores...
Tão diferentes da tinta que o homem usa e... seus perfumes!
Acho que são anjos que as desenham, pintam e perfumam.
Como serão esses anjos? Com pincéis e cinzéis mágicos
Pintando, esculpindo e um anjo alquimista borrifando perfumes
Que devem ser fabricados em frascos divinos e invisíveis.
Quantas primaveras!! Sempre tão coloridas e inocentes!!
Quem será que lustra as pétalas das flores? Algum anjo?
As folhas se fazem súditas, os espinhos, em algumas,
Se fazem impávidos soldados a defendê-las com galhardia...
Mas beija flores e borboletas, eternamente apaixonados
Pousam em suas pétalas, acariciam, dão demorados beijos...
E se vão... na inocente promiscuidade, a beijar todas
Num insaciável desejo de a todas agradar. As vezes pergunto,
Se são as flores que mais enfeitam e perfumam o tempo...
Não pecam, sempre tão inocentes, de nada reclamam...
Enfeitam casas, quintais, templos, sempre humildes...
Porquê elas não têm alma? Ou elas são almas disfarçadas?

José João
13/04/2.023

quinta-feira, 23 de março de 2023

Minha ousadia...

Sei que não mereço, não estou à altura... mas...
Se num momento de perda de lucidez eu quisesse...
Quisesse falar com Deus? Quisesse ouvi-lo...
Ouvir sua voz, sua resposta para tantas perguntas?
Quisesse tocar seu rosto, abraça-lo como velho amigo!
Será que teria de usar o melhor sabonete, melhor perfume,
Usar a melhor roupa, calçar sapatos lustrosos? Será!!
Como será que Ele me veria? será que essa roupa
Encobriria meus erros e pecados e enganaria Deus?
Ou será que iria com minha roupa de todo dia...
Antes, me posto de joelhos no chão olhando o céu
E perguntando, Senhor estou a altura de lhe ver?
Mereço que me ouças? Estou aqui, Deus, 
Como sempre fui e sou... cheio de pecados, muitos...
E deles me envergonho, mas estou aqui, é o que sou.
Como será que ele me veria? Como um homem...
Como criança, como alguém que só tem defeitos...
Ou será que em mim ele veria alguma virtude?
Ah! Se eu pudesse falar com Deus?! Se eu pudesse...
Mas sou tão pequeno que me satisfaz falar-lhe
Com o prazer de pensar que sou ouvido. Obrigado...
Obrigado Deus por me permitir pensar assim

José João
23/03/2.023

terça-feira, 21 de março de 2023

Como foste ontem?

 Quantas vezes, ironizei o tempo enganando a mim mesmo!!
E o pior, ele bem o sabia e calava, como quem diz: deixa está.
Não tinha pressa, os amanhãs, todos eles eram só meus...
Brincava de zombar das horas, de correr entre os dias,
De viver histórias passageiras, de vulgarizar sentimentos,
De inventar momentos e fingir que eram verdadeiros...
Buscava, entre a multidão, olhares que nem eram pra mim,
Costurava sonhos com verdades e depois os esquecia...
Os dias!! Os dias eram apenas um pequeno espaço de prazer...
E eram muitos os espaços, o viver intenso para preenche-los
Não me dava tempo ver o que seria mais importante, viver
Não esse viver trivial que todo mundo acha que é viver...
Mas é exatamente o tempo que mostra a verdade da vida
Não sei se por vingança, mas ele, duramente impassível
Te curva os ombros, põe reticências na tua voz, te cansa
Os olhos e, aparentemente passivo, te olha nos olhos e...
Pergunta: Como foste quando jovem? Muitos se calam...
Antes que o tempo te pergunte, dá a te mesmo a resposta.

José João
21/03/2.023

Ah! Essas minhas verdades e mentiras!!!

Não vou mais me preocupar com as lágrimas
Elas, se quiserem, que se façam até de prantos,
Que caiam no rosto como fossem água de chuva
Não importa que se façam tristes ou encantos

As saudades que sinto não têm cor nem nome
As tantas tristezas são apenas histórias vividas
Angustias!! Essas se fazem pedaços do tempo
Que os olhos chorem mas são lágrimas perdidas

Tudo ficou muito atrás, desde os adeus não ditos
Não falados, mudos, gritado apenas com os olhos
Como gritam em desespero os corações aflitos

Não  importa se ainda tenho lágrimas pra chorar,
Não importa se ainda tenho saudades pra sentir
Me consola saber que foram momentos que vivi

José João
21/03/2.023

segunda-feira, 13 de março de 2023

Quando só o coração pode ouvir

Caminhei por estradas distantes, caminhos, veredas...
Pisei nas folhas de outono, caminhei nas primaveras,
Juntei flores, fiz versos, com a brisa musiquei poesias,
Como artesão fiz brincos de nuvens cor do sol poente.
Atravessei rios, com eles murmurando canções novas...
Ia sempre, mesmo indo só, por vezes, mesmo na multidão,
Gritava minhas angustias, tristezas, mas ninguém ouvia!
Fazia versos coloridos, triste, alegres e... ninguém ouvia.
Cantei em ladainhas verdadeiras histórias de amor...
Inventei poesias gorjeadas pelos pássaros... não era ouvido.
Um dia, resolvi calar, não contei, nem cantei mais nada...
Aí, sentado sozinho num canto de um tempo distante...
Me perguntaram se eu era mudo... calei... nada disse...
Deixei que pensassem... foi quando o vento, em rodeios,
Me trouxe aos pés uma pétala de uma flor caída no jardim...
E ela me falou tão comovida de como a flor era bela...
Ouvi... e minha alma em silêncio, calmamente disse:
Como querias que te ouvissem? Ninguém mais...
Tem coração para ouvir.

José João
13/03/2.023

As poesias são assim...

Ah! A poesia! Com sua beleza inocente...
Com a inexplicável incoerência da vida,
Gritando loucuras tão cheias de razões
Que abalam até os mais frios dos corações

A inocente e indecifrável loucura das poesias
Dão perfume à saudade, esculpem histórias
Em rostos que a tristeza lhes tirou a expressão,
Fazem dos olhos igrejas e do pranto faz oração

A poesia se faz leve ao tempo, parece brisa
Indo suave, risonha brincando como criança
Entrando, sem pedir licença, nas almas carentes
E lhes contando histórias de amores ardentes,

De momentos vividos que se fizeram relíquias,
De adeus ditos sem palavras, só com os olhos,
De passos perdidos que levam a nenhum lugar
De sonhos que não se  tem palavras para contar

Ah! A poesia! Se veste toda e plena de liberdade
Conta, se quiser, às gargalhadas, histórias tristes
E nunca se sabe se são verdadeiras suas lágrimas
Ou... se são inocentes mentiras as suas verdades.

José João
13/03/2.022

quinta-feira, 9 de março de 2023

A última palavra é do tempo

Ontem... não tinha medo, brincava com o tempo.
Ah! Os meus sonhos mágicos da juventude...
Um amanhã não era futuro era apenas mais um dia.
Sonhava os mais mirabolantes sonhos e... ria do mundo.
Brincava de inventar histórias que só a juventude sabe.
Os dias pareciam parados... meu rosto sempre o mesmo...
Com sorrisos entre alegre e irônico, desdenhava do tempo.
Quantos momentos de prazer! Fazia da vida uma loja...
Dessas de vender brinquedos que amanhã não se  quer mais.
Um dia, quando tropecei num adeus, foi que despertei...
O tempo havia passado, os amanhãs se faziam incertos...
Os sonhos se faziam saudades, e sempre muito doída...
O rosto que era sempre o mesmo todos os dias... surpreso
Vi que mudavam, uma ruga aqui, outra ali, todos os dias
Havia uma me mostrando o tempo. O sorriso irônico
Foi se desfazendo, foi se tornando um sorriso triste,
A vida não vendia mais prazeres, passou a servir prantos...
E assim... me vejo como estou, cabelos brancos,
Saudades, sussurros de lamento e sonhos que não sei
Mais sonhar... A loja de brinquedos... não existe mais.

José João
09/03/2.023

Hoje, quero apenas sonhar.

Hoje, não quero fazer nada... apenas sonhar...
Sentar no meio de um primavera... a mais florida,
(Os poetas fazem quantas primaveras quiserem)
Num canto do tempo, onde a beleza floresce...
Sonhar com o que ainda hei de viver... de sentir...
Conversar com as flores, ouvir suas vozes no perfume
(as flores falam através do perfume e da beleza)
Aí perguntarão: e as que não têm perfume nem beleza?
Falam com o silêncio e apenas o coração pode ouvi-las...
Depende da pureza dos corações e da inocência da alma.
Mas hoje não quero fazer nada... quero apenas sonhar.
Ouvindo a história de Amarilis a brilhar como seu nome,
Ouvir a Azaléia que conta da aridez de sua nascença
Até se tornar a exuberante e invejável flor que é.
Ouvir as flores e sonhar no meio da primavera
Num canto do tempo com o encanto do por do sol
Ouvindo a sinfonia mágica dos pássaros e da brisa
Que sem maestro compõem cantos divinais e únicos.
Hoje, não quero fazer nada, quero apenas sonhar.

José João
09/03/2.023


sábado, 4 de março de 2023

Quando a saudade diz: estou aqui

 Há noites em que a saudade chega de repente
Cantando musicas de ninar cheias de sentimentos,
Trazendo verdades distantes como fossem sonhos
E com elas me vêm antigos e prazerosos momentos

Nem preciso buscar no tempo o que tanto senti
A saudade me trás com um sorridente... estou aqui
E a alma misturando alegria e lágrimas se faz viva
Jurando ser de agora toda a alegria que um dia vivi

A noite se faz confidente ouvindo histórias antigas
E esconde as tantas lágrimas que choro em silêncio
Me ouve calada, me abraça como velha e doce amiga

A insônia vem como se quisesse meus olhos abertos 
Para vê-los em pranto chorando uma dor tão sentida
Por saber, não sei porque, que é dor de toda uma vida

José João
04/03/2.023

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Voltaram com o bezerro de ouro

Deus, desculpa! Não sei como pedir perdão!
Não sei como te mostrar o que fizeram com tua criação!
Com a humanidade. Ousaram pintar teu filho
De loiro, olhos azuis, atleta,  um verdadeiro pop star.
Outros o arrastam no chão como se fosse um vencido,
Estão zombando do teu nome, profanando tua imagem,
Mostrando um satanás  bem maior que os homens,
Esses a quem fizeste tua imagem e semelhança.
Deus, os homens se perderam na frieza de cada um,
Desesperador ver como estão se perdendo ...
Depois que te mataram em seus corações patéticos e frios.
Pisam nos teus ensinamentos, profanam tua existência,
Brincam com o calvário do teu filho Jesus Cristo...
Estão perdidos, estão ouvindo os próprios homens,
Criaram um deus que a tudo permite, na verdade...
Te mataram em seus corações e se fazem deus...
Mas Sr. ainda bem que mostras quem és ao tempo
E ao homem mas... muitos insistem em não ver,
Estão cegos... Deus, esperamos teu Filho...
E que seja feito a tua vontade.

José João
26/02/2,023

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Hoje, me fiz dono do mundo

Hoje me senti dono do mundo...
Desenhei teu rosto com estrelas,
Mandei que o vento cantasse  teu nome
Que os anjos te dissessem amém em prece...
Hoje me senti dono do mundo...
Separei todos os sonhos que sonhei contigo
Deles fiz histórias divinas como fossem orações.
Colhi flores em jardins santificados e em cada uma
Escrevia teu nome que ia como perfume ao mundo
Levando a leveza de uma alma cheia de amor...
Fiz laços de nuvens para enfeitar meus sonhos...
Com pedaços de luar fiz a moldura para teu rosto
Pintado com as cores do horizonte ao por do sol...
Fiz do sol um teu abraço a me aquecer e... sonhei...
Te vi sorrindo entre nuvens e... chorei... 
Chorei tua saudade... não com com qualquer pranto
Mas com as águas de uma fonte mágica
Que te faz viva sempre que te busco na alma

José João
24/02/2.023

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Minhas rugas... um livro em meu rosto

Esse é o meu mais novo rosto, o rosto de hoje,
Com algumas jovens e vaidosas rugas de ontem
Que ouvem as tantas histórias das mais antigas
Que se fizeram confidentes mudas por tão amigas.

Os olhos... hoje já cansados, se espantam ao vê-las
E me dizem, olhando o tempo, ser testemunhas delas
Quando se desenham como histórias em meu rosto
Numa escrita indecifrável que escrevem a seu gosto

Quantas vezes foram acariciadas por tristes prantos
Que vinham desde a alma chorando doídas perdas...
Minhas velhas rugas com os olhos também choravam
E piedosas, meu rosto triste, ternamente acariciavam

Criadas outro dia... nem as tinha, nem delas precisava
Pra quê? Escrevia minha  história de vida ao meu prazer.
Criava sonhos, brincava de parar o tempo. Parar o tempo!!!
Hoje, não fossem minhas rugas o rosto não teria o que dizer  

Cada uma delas é uma história, as vezes até uma saudade...
No espelho, elas me lembram coisas que não esqueci,
Meus olhos, mesmo cansados, brincam de passear por elas, 
Rimos, a nostalgia toma conta de mim ao contarem o que vivi.

José João
20/02/2.023

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Entre os silêncios só se ouve o coração.

Sonhos, desses sonhos que se sonha acordado,
Assim como fossem apenas desejos ou pensamentos,
Desses que se perderam lá atrás no passado
Indo entre o tempo e a vontade. Mais que sonhos
Ao se fazerem uma tênue verdade a ser vivida.
Entre tantos horizontes distantes, de diferentes coloridos,
Uma voz, ao som do vento, se faz ouvir entre os silêncios
Como fosse uma canção a ser cantada entre os sonhos,
Indiferente à distâncias, ao tempo, apenas se fazendo ouvir
Abrindo corações e neles se aninhando inocente.
Pequena se faz a distância quando a voz não cala,
Amantes se fazem de novos sonhos que nascem e ficam
Carentes nos dois corações que a uma só voz
Gritam entre os tantos nãos se buscando sem medo
Dos desencontros, mesmo por estradas desconhecidas.
O mundo se fez pequeno nessa página do destino.

José João
19/02/2.023


sábado, 18 de fevereiro de 2023

Minhas três Marias

Veem aquelas três estrelas? Sempre juntas?
Eu as nomeei de amor, saudade e solidão
Elas sempre me lembram o que fui um dia
A alegria da vida, do quanto eu alegre, sorria

Vivia o amor a cada momento, tudo era luz
Corria entre jardins, mãos dadas, sorriso solto
Promessas eternas como se o tempo parasse
Assim, o amor, a cada momento se eternizasse 

De repente, a saudade, contando histórias vividas
Pedaços de momentos tão difíceis de esquecer,
Essa saudade que faz chorar sem a gente querer
Por algum tempo me acalentou, vinha me aquecer

Mas logo... até ela se foi! Então veio a solidão
Trazendo vazios, pedaços rotos de pensamentos
Como se tudo tivesse se perdido dentro do nada
Minhas três estrelas contam minha história caladas

José João
18/02/2.023

Essa saudade que te traz sempre

Ontem te vivi na saudade que deixaste
Até brinquei de te beijar o rosto, a fronte
Deixei que minha alma se enchesse de te
E assim, te fiz em mim, dourada fonte

Nomeei flores e pelo perfume dei teu nome
O perfume é para sempre, eternamente divino
Enquanto a beleza é passageira, desvanece
Assim ficas no tempo como fosses uma prece

Rezada entre as Ave Marias no sol poente
Gritada pela alma em coro com os anjos
Numa entrega singela, com fervor ardente

Ontem te busquei no tempo, te fiz tão real
Que te ouvi na voz da brisa sussurrando cantos
E meus olhos te louvaram chorando em prantos.

José João
18/02/2.023

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Não sei

Não sei se ainda estão guardados os olhares,
Os beijos, todas as carícias que nunca dei.
Não sei se minha alma guardou como relíquia...
Talvez tenham se perdido no tempo mas... não sei.

Vou buscar os momentos, até os mais distantes,
Detalhes que ficaram na alma e não sei se guardei,
Saudades... tantas que até hoje por algumas choro
E os prantos! Porque os guardei? Até hoje...  não sei

Porque me perguntam de lágrimas que tanto chorei?
Porque meus olhos insistem em gritar com prantos?
Me ponho a pensar dentro da solidão, mas... não sei.

Não sei se me deito no tempo vendo o que já sonhei
Não sei se grito a angustia que minha alma sente
Talvez os amanhãs me mostrem o que ainda... não sei

José João
12/02/2.023

domingo, 15 de janeiro de 2023

A doce saudade de ti

 Desculpa se minha alma te falou tão baixinho
Quando disse te amo. Não ouviste, e só agora sei.
Assim, quando mais andamos mais nos afastamos
Me perdi, tantos foram os caminhos em que caminhei.

Não me encontrei, andei em vão por estradas vazias
Cantei versos com teu nome e a alma, coitada, já aflita
Te buscava no tempo, nos sonhos, nos meus momentos
Mas só os detalhes ficaram como histórias eternas e infinitas 

Hoje, ainda te vejo nessa saudade infinda que deixaste
Sinto tua presença dentro de mim, ouço tua voz na brisa
Nela também sinto teu perfume, perfume que nuca levaste

Quase sempre, quando a solidão  vem conversar comigo
Falamos de nós, do que fomos, do que perdi, do que sou
Mas vem a doce saudade de ti e ela... sempre vem contigo.

José João
15/01/2.022

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Entre a estrada e o tempo

Talvez tenha me perdido entre a estrada e o tempo...
Parece loucura, mas a razão as vezes é incoerente,
Os passos se perdem na estrada, apagados pelo vento
E a razão! Essa se perde sempre num pensar demente

Não sei quando me perdi, talvez... quando parei 
Por medo de seguir, o horizonte era tão distante!
Ou quando corri... a solidão sempre a me perseguir
Então, levava a saudade como um pobre retirante

Tudo ficou pra trás, ainda levava solidão e prantos
E um sussurrar amargo que insistia se fazer canto
Cada um tem seu deserto e em cada um seu encanto

O encanto do meu deserto era o silêncio, ouvia tudo,
Ouvia até a alma chamando as lágrimas mais antigas
E os olhos gritavam com elas, como se eu fosse mudo

José João
11/01/2.023

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

As coisas que não se sabe mais dizer

Olha aí o mundo! Cheio de beijos murchos,
De olhares vazios, tristes e perdidos no nada
Palavras gritadas onde o silêncio diria mais
Pobre mundo triste, onde a paz sofre calada!

Perderam-se nos corações a alegria de amar
Os olhos marejados de lágrimas de emoção
Se fazem apenas saudade, velhos sonhos...
Não existe mais quem chore por uma paixão

Fizeram do amar um mero sentimento sem cor
Velho, e até ridículo se alguém disser,...te amo
Os corações congelaram mataram a inocência
E todos gritamos essa tanta e triste carência

Os jardins já não são vistos, ninguém os vê
Quem ainda se lembra dos nomes das flores?
Será que ainda param para ver um por do sol?
Todos estão sem tempo chorando suas dores.

Quem ainda deita na relva para contar estrelas?
Quem entende o grito do silêncio de um olhar?
Quem zela para fazer o outro dormir e sonhar
E diz baixinho, com doçura: vivo pra te amar?

José João
30/11/2.022

Quando digo: te amo

Quando eu digo que amo... grito para o mundo
E meu grito vai desde a alma até pertinho do céu
Vai entre os quintais, jardins, vai até o horizonte
Vai fazendo eco nos corações de cada amante

As vezes sussurro baixinho, num silêncio divino
Mas ainda assim o coração explode num cantar
Que faz de cada oração ou ladainha um belo hino
Indo com a brisa leve num doce e inocente valsar

Quando digo que amo... o coração grita num pulsar
Tão forte que esconde a voz e então os olhos gritam,
Brilhantes, como se as lágrimas fossem pedaços de luz
A se fazerem palavras num terno e inocente confessar

Meus prantos alegres! Eufóricos por serem de amor
Contam poesias sem rimas com versos molhados
Pelo pranto delirante e risonho a que nem chamo
Mas ele vem ao me ouvir quando digo... Te amo.

José João
30/11/2.022

sábado, 19 de novembro de 2022

Seja aquela voz!

O mundo, que pena, perdeu-se nos seus próprios pecados!
As vozes gritam impropérios por tantos homens bonecos
Não existe mais verdade nos corações, duros por tão frios
E a poesia, coitada, moribunda, neles não faz mais eco

Não há mais amor... os sonhos se perderam entre sombras
O canto de paz foi trocado por gritos tristes de quase pavor,
Orações deixaram de ser rezadas e heresias se fizeram lei,
Talvez agora, só na voz dos anjos se ouça a palavra amor.

Os olhares deixaram de admirar os campos, ficaram vazios,
Perdidos num árido deserto povoado por uma inerte multidão
Que vai gritando, vai perdida, como se não tivesse direção

De repente uma voz grita bem alto: Deus onde é que estou?
Todos riem, zombam... falam de Deus com bravo rancor
E se enfurecem... quando a voz diz: Deus, dá-me teu amor.

José João
19/10/2.022

Minhas sombras e eu

As sombras que me seguem, são todos do que um dia fui
Me seguem como fossem pedaços de mim que existiram,
Mas continuam sendo eu e vão comigo por onde eu for,
Algumas, presas nos meus passos, outras presas na alma,
Na noite elas estão ali como se pensando com meu pensar
Se desenhando na saudade, na solidão, em risos tristes...
Algumas, em contraste, me espantam em sonoras gargalhadas, 
Me perco ao saber-me assim, um rio de tantas contradições!
Elas, minhas sombras, por vezes me acusam do que sentem,
Uma diz que a dor que ela sente é toda por culpa minha,
Outra, que perdeu um sorriso alegre também por minha culpa,
Uma outra diz que brinquei de amar e ela não sente saudade.
A outra, com fúria nos olhos, me olha e me culpa da tristeza
Dizendo que pra ela deixei a saudade mais doída que existe
E me culpa pelo pranto que minha alma as vezes chora...
Apenas uma sombra minha sorri e pra compensar, gargalha...
Fala mais alto que as outras, numa tentativa de me dizer
Que valeu a pena, que afinal, viver é isso e diz séria;
Um sorriso, apenas um sorriso, espanta qualquer dor.

José João
19/11/2.022

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Viver sozinho não é viver

Percorri muitas estradas, algumas cheias de pedras
Sem margens para descansar, os espinhos era tantos!
Pedras pontiagudas, machucavam e cortavam os pés
Estradas perdidas, sem cor, tristes, cheias de desencantos

Andei muito pelo tempo, em longos e áridos desertos 
Caminhei com multidões por tantos caminhos baldios
Perdidas do mundo, indo sem rumo com passos incertos
Sonâmbulos, como se alma e coração estivessem vazios

Como dói a solidão no deserto! O silêncio que se faz!
Olhar vago procurando dentro do nada o que não existe
Mas na multidão a dor da solidão dói ainda muito mais

Aprendi que devo ser de mim, minha melhor companhia
Saber-me desperto para o que meio mudo está dormindo
Mas não ser só, viver sozinho é apenas viver uma fantasia

José João
15/10/2.022

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Faça da vida um sonho... ame

 Amei como amam os poetas, amar por apenas amar
Buscar dentro da alma sua melhor parte e ... doar...
Entregar sem pedir nada e se um dia houver prantos
Que sejam os mais belos, como se fossem um canto

Desses que os olhos brilham e se perdem ao tempo
Esperando chegar a saudade para contar sua história
Amei sem medo e do amor fiz uma oração perfeita
Entregue a alma como fosse uma festiva dedicatória

Amar! O doce prazer de viver entre tantas incertezas
O doce cantar do pensamento declamando sonhos
Seguir sorrindo até desdenhando de qualquer tristeza

Amar é sempre ouvir uma canção divina de ninar
É costurar o tempo para que os dias não passem
É viver a vida como se viver fosse um belo sonhar

José João
11/11/2.022


quinta-feira, 10 de novembro de 2022

O jovem, a criança e eu

Não deixo a juventude se perder nas rugas do meu rosto,
Nem a criança que habita em mim envelhecer comigo,
Que vivam a liberdade de serem jovens, alegres e francos
Até permito brincarem zombando meus cabelos brancos
 
E vamos os três, a criança me faz sonhar os amanhãs,
Brinca de criar a cada dia uma esperança toda colorida
A juventude corre comigo em busca de novos horizontes
Me fazem esquecer rotas que no tempo foram perdidas

Para a criança conto histórias que até parecem minhas,
Ao jovem conto histórias de amor que ele ainda não viveu
Assim vamos indo, a criança o jovem, eles que ... sou eu

E vou vivendo com a impulsividade da criança, alegre e solta,
Com a ansiedade do jovem que faz da vida um eterno sonhar
E me diz, lá de dentro da alma, que sempre é tempo de amar

José João
10/11/2.022

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Minha história contada pelo tempo

Meus cabelos brancos, ombros curvos, voz  reticente...
Minhas lembranças antigas guardadas como relíquias!
Saudades que ainda gritam na alma, e os tantos sonhos!?
Desde quando os cabelos ainda não tinham o alvor do tempo
Eram sonhados como fossem desenhos coloridos de mim.
Hoje, os pensamentos se confundem, até trocam de nome...
As palavras se embaralham, as lágrimas se perdem no rosto
Saem avulsas chorando dores que não eram pra ser choradas,
Chorando saudades que não são minhas... foram contadas...
Mas ... ah esses cabelos brancos e pensamentos caducos!! 
Detalhes que se romperam em pedaços e se perderam...
As lágrimas que chorei de alegria não sei onde as coloquei...
Nem os sorrisos, outro dia até os procurei... mas o rosto...
O rosto não os guardava mais, eram outras as marcas
Pareciam vincos, traços esculpidos por mãos trêmulas
Que pareciam inseguras ao desenhar no rosto minha história


José João
01/11/2.022


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Minha liberdade de ser livre

As vezes me perco voando no tempo em idas e vindas
Buscando saudades antigas ... ou do que não vivi ainda...
As vezes, lá de detrás do tempo, trago beijos esquecidos
Ou, de amanhãs distantes, momentos que não foram vividos

Me perco em volteios entre os mais distantes horizontes
Onde chego voando fazendo do pensamento um pássaro
Livre, alegre e solto, voando por sobre as tantas ribanceiras 
Que surgem de repente como se a vida fosse uma feiticeira

Vou por estradas mágicas, sem chão mas... margens floridas
Com o eco do pensamento despertando flores adormecidas 
E com elas converso, falo da vida como velhas conhecidas

Outras vezes, sento na beira do rio, converso com as estrelas
As que se banham na água como se fosse um pedaço do céu
Parecem tão perto nem preciso levantar os olhos par vê-las.

José João
27/10/2.022

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

A loucura dos sonhos que faço

Ah! Meus sonhos! Sonhos que faço, que crio e conto
Se parecem loucuras, não importa, são todas minhas
Essas delirantes loucuras mágicas que sonho na poesia
Com olhos abertos, fechados desenho minhas fantasias

Tenho um pé de flamboyant no meio do meu jardim
Todo florido, com lírios, açucenas, antúrios, jasmins,
Lindo, cheio de cores e... os mais diversos perfumes
Parece que foi plantado por um excêntrico querubim

Os sonhos loucos que faço vão muito além de mim
Faço sonhos em que converso horas com as flores
Teço cestos em fios de nuvens douradas do por do sol
Colo com lágrimas alegres de uma alegria sem fim

As vezes, nos sonhos, voo com gaivotas sobre o mar
Brincando de conferir as ondas, banhando com o sol
Refletido na água que canta uma canção com o vento
Num dueto celeste como se ao mundo fosse um alento

Na loucura dos meus sonhos faço aviãozinho de papel
Todo colorido, cor de orquídeas, begônias e camélias
Peço que a meiga brisa o leve para bem pertinho do céu
E ele vai em delicados volteios como se fosse ao léu

Dentro dele vão ladainhas, orações, rezas que inventei
São meus sonhos malucos, sonhos que eu mesmo faço
E nele vão só saudades alegres, saudades que não chorei
E vai ele, leve, pelas estrelas no roteiro mágico que tracei

Esses meus sonhos loucos! Malucos! Mas sem tristezas...
Sonhos mágicos desses que somente palavras não contaria
E na loucura da fantasia que desperta meus loucos sonhos
Nada seria dito não fosse a magia, o milagre divino da poesia

José João
20/10/2.022

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Sonhar a dois é ir muito além do... "nós"

Como são tristes os sonhos que se sonha sozinho!!
Parecem pedaços de angustias alinhavados no tempo,
Se fazem pesadelos calcando na alma uma dor infinda
Como se cavalgasse sonhos que nem se sonhou ainda

Sonhar sozinho! É ver estrelas sem ver a beleza da noite
É como plantar lírios sem o prazer de sentir seu perfume,
Não ter horizontes, não ter estradas para ir...não se sentir
É ser uma primavera sem flores chorando em queixumes

Sonhar a dois é brincar de fazer do sol sua luz perene
É pegar o tempo, nele costurar sorrisos e deixa-lo ir
Volteando com a brisa num esvoaçar sutil de ir e vir

Sonhar a dois é fazer da vida um mar que toca o céu
É, de mãos dadas e corações gritando em uma só voz,
Uma canção divina que vai muito, muito além do "nós"

José João
18/10/2.022

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

O sabor salgado do pranto...

Ontem, noite enluarada, sentados  na beira do tempo,
A solidão e eu conversamos coisas que só eu sabia
Ela perguntou sobre saudades, histórias acontecidas,
Sobre lágrimas, as vezes calava, minha voz emudecia

Na noite, a solidão parece que grita dentro da gente,
Provoca prantos... prantos que  nem se queria chorar,
Traz coisas descabidas que nem cabem no momento
Como instantes alegres que agora se fazem tormentos

As vezes as lágrimas vêm tão devagar, tão lentamente
Que parecem horas a sair dos olhos e chegar aos lábios
Como se quisessem calcar no rosto a dor que se sente.

A dor fica com gosto de dor no sabor salgado do pranto
Mas se era para consolar... porque o pranto não é doce?
Aí enganaria a dor e seria, talvez, menor o desencanto

José João
17/10/2.022

domingo, 9 de outubro de 2022

Tu és a página... eu! As entrelinhas

Estás como deves estar. És o centro das atenções,
São teus os aplausos. Lá atrás, escondido, rio discreto,
Fico orgulhoso de ti, e só eu sei. És aquela que vai
Lá dentro dos corações, sem pedir licença,
Faz que pulsem ao som da melodia embalados por tua voz,
Serena, diria... divina. Eu? Eu sou aquele anônimo que ouve,
Sonha e vai lentamente, caminhando nas ruas de pedras,
Buscando, sofregamente, beber da ternura de teu canto.
Tu és a que leva a sonoridade entre olhares e corações,
A que faz desabrochar entre os amantes a força da paixão,
Tua voz se faz ouvir pelas almas apaixonadas que, alegres,
Se entregam ao doce prazer de amar. Eu? Eu sou aquele
Que vai andando entre tantos sem ser percebido...diria até,
Mais um entre a multidão que se deleita com teu canto,
Eu sou aquele que a alma suspira entre cada nota musical
Que cantas, na ilusão de que cada uma seja pra ela.
Eu? Eu sou aquele que ninguém percebe, sou o leitor,
Tu és a notícia, eu sou as entrelinhas, tu és a página.
Tu és a atenção de todos, és a poesia completa 
Eu? Eu sou o anônimo...o sonhador, como é todo poeta.
Aquele a quem emprestas a voz para dizer
O que sua alma sente.

José João
09/10/2.022