domingo, 3 de novembro de 2024

Escrever poesia com os olhos... sinta uma saudade.

 Sempre quis escrever uma poesia com os olhos,
Via o nascer do sol, logo na beleza do alvor do dia,
As flores, num despertar sereno, se espreguiçavam,
Lhes balançava o caule, aquela brisa marota, vadia

O orvalho lhes lustrava as pétalas, doces caricias,
As borboletas coloridas lhes beijavam docemente
Se perdiam entre as tantas flores que se lustravam
Fazendo que o próprio tempo se fizesse carente

Eu, louco para escrever uma poesia com os olhos
Que não precisasse de palavras para ser entendida
Que apenas com os olhos escrevesse, só e mais nada

Para isso, fingia lágrimas, mentiras e até verdade
E não conseguia escrever uma poesia com os olhos
Até que um dia, aprendi, tamanha foi uma saudade

José João
03/11/2.024

São loucas... essas poesias!

 Hoje as poesias ficaram por aí fazendo festa
Corriam entre os jardins desde o alvor do dia,
Passavam pelas horas num brincar com o tempo,
Provocam passarinhos a fazer dueto com o vento

Estavam impossíveis hoje, num frenético buscar,
Entravam no pensamento, como se fossem elas
A escrever, vinham e não deixavam nem pensar
Ao poeta, verdade, não restava nenhum querer

Voavam nas asas das borboletas, buscavam rimas
Queriam ter o frescor, a cor e o perfume dos lírios
Até juravam que dálias e papoulas eram suas primas

Imaginem... queriam até imitar o canto do rouxinol!!
Foi aí que me olharam, me olharam bem nos olhos,
Pediram: escreve uma de nós com um lápis feito de sol.
(essas poesias são loucas!!)

José João
03/11/2.024





Há pranto mais belo que o da saudade?

Há pranto mais bonito que o chorado pela saudade
Até parecem lágrimas risonhas contando histórias
Das belezas vividas e que nunca serão esquecidas
Ficarão dentro da alma, relíquias da própria vida

Há sentimento mais terno que sentir uma saudade?
Que eterniza os sonhos, faz deles verdades eternas
Faz que se viva no agora o que há tanto foi vivido
E mesmo, depois de tanto tempo, ainda faz sentido

As lembranças ficam todas costuradas num só sentir
Cerzidas dentro da alma com o tempo que se cala,
Perdido, como se o que passou ainda estivesse ali

Assim é a saudade, dona do mais belo e terno pranto
Desenha em cada rosto momentos nunca esquecidos
E os imprime  na alma, como verdades e encantos

José João
03/11/2.024

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Quando a poesia escreve a si mesma.

 Algumas vezes, na poesia, quem se importa com rima?
As palavras vêm loucas, como se as dores fossem delas
E para se fazerem vivas se escrevem até faltando letras
Nem se importam de são completas, rimadas ou belas

A poesias se escrevem mas não se fazem em linha reta
As vezes contam os ontens, fazem curvas para o hoje
Correm em ziguezague entre os dias, vão no amanhã
Voltam trazendo sonhos para se sonhar, sem hora certa

Sobem no tempo sem escadas, buscam estrelas cadentes
Com elas vão bem pertinho do céu, inventam pedidos
Que se perdem na decepção daqueles que são carentes

As vezes se escrevem em qualquer papel, são humildes
Outras, se escrevem na alma, no coração de quem as lê
As vezes provocam lágrimas sem mesmo saber porquê.

José João
31/10/2.024

O que não podem esses poetas!?

 
Chorar, já chorei muito, chorei tanto que os prantos
Se faziam rios, inundando jardins, afogando flores
No alvor do dia, prantos e orvalho se confundiam
E as folhas ainda sonolentas de iguais lhes faziam

O orvalho, nas pétalas, pareciam lágrimas choradas
O pranto que também nelas caiam eram dores gritadas
Mas o orvalho, por ternura divina, é um pranto doce
E as lágrimas chorando dores se fazem todas salgadas

Com certeza as flores não sabem do gosto do pranto
Do orvalho o que sabem é que lhes dão mais encanto
Sendo assim, os dois às fores. se fazem de acalanto

É o que consola a quem tem saudades para sentir
Fabrica orvalho com os olhos no seu penoso chorar
E se falta pranto, chora orvalho, tão bem sabe fingir

José João
31/10/2.024

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

As vezes a beleza está na moldura

 Sentimentos, lágrimas, saudades, até mesmo o pranto
Se fizeram sombras, como se senti-los fosse vê-los
Por traz de uma nuvem que a luz insistia em não passar
Como se nada,  mas nada mesmo, tivesse algum encanto
 
O sentimento fugia como se quisesse não ser sentido
As lágrimas escorriam pelos olhos em doloroso silêncio
A saudade... a se fazer pedaços de tempo quase perdidos
E tanto era o pranto que parecia parido das lágrimas no cio

Só a tristeza, em estardalhaços, se fazia ouvir...gritava...
Como se o tempo lhe fosse pouco ou ela se fizesse tanto
Como se seus gritos, tresloucados, se tornassem canto

E assim, sentimentos, lágrimas, saudades e até os prantos
Se fizeram rotina, como se para o vazio se fizessem cura
São os quadros da vida em que a beleza está na moldura 

José João
30/10/2.024

sábado, 26 de outubro de 2024

Porque tantas interrogações?


O ra! Porque me atormentar? Já passou.
Não vai voltar, vai ficar sempre ali
T razer problemas de lá, pra que?
E , verdade, alguns insistem em vir
M as... é melhor não lembra-los
(já foi vivido)

H aja vida para se viver, coisas para fazer
O s sonhos!! Melhor fazê-los verdadeiros
J á estão desde muito só no sonhar
E agora é hora fazer valer, vive-los
(que bom estar aqui)

A h! Aonde vou? Que fazer?? Como?
M as, talvez, não sei. Alguém sabe?
A ssim se vai indo. Certezas??? Quais??
N a verdade, não seria melhor fazer hoje?
H averá alguma certeza no: depois eu faço?
A ssim são os amanhãs, só interrogações
(?????????????)

José João
26/10/2.024


sexta-feira, 25 de outubro de 2024

A saudade sempre sabe nos encontrar

 Gosto quando a saudade fica batendo desesperada
Na porta do tempo, Parece louca... desvairada
Gritando nomes, misturando risos com prantos
Misturando histórias que nem têm tantos encantos

Ela não diz a hora de chegar, apenas chega e pronto
Se instala confortável dentro da gente, traz lágrimas,
Risos, depende muito da história que quer contar
Mas quase sempre vem pronta para fazer chorar

Como a saudade tem tantas desculpas para chegar!!
Um olhar, daqueles que ainda hoje se vê ternura,
Uma caricia, um sussurro, um jeitinho de olhar,

Um beijo, um simples e mágico toque de mãos
O lembrar daquele grito dos olhos dizendo te amo
São muitas as maneiras da saudade nos encontrar

José João
25/10/2.024

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Não se consegue enganar a alma

 Esses versos que contam saudades e histórias tristes,
Que me vêm sem esperar a hora de me ver chorar
Apenas se escrevem como fossem suas as minhas dores
Chegam... como se a mim viessem como favores

Assim, as vezes, até me perco na procura de palavras
Quando preciso delas tristes... elas vêm cheias de risos
Alheias ao que sinto se perdem no meio dos versos
Aí busco, lá dentro de mim, sentimentos já perdidos

As vezes minto, deixo os olhos falarem o que sinto,
Deixo a voz calada no embargo de qualquer silêncio
Aí escrevo versos rasgados, de sentimentos fingidos

Sim, sei fingir saudades antigas em versos de agora
Bom fingidor, finjo que choro e o verso bate palma
Mas triste, percebo... não consigo enganar a alma

José João
24/10/2.024

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

As lágrimas ... sempre com a mesma cor!

 Nunca consegui colorir minhas lágrimas...
As vezes elas vinham com o nascer do sol
Quando a noite me acordava para não sonhar
E suas fanáticas sombras se faziam de lençol

Outras vezes vinham correndo ao pôr do sol
Que, colorido, sombreava o mar em veludo
Mas sempre eram sem cor, parecia a tristeza
Descolorida, parada no tempo em silêncio  mudo

Nunca consegui dar matiz às minhas lágrimas
Nem ao se fazerem um caudaloso rio de prantos
Eram sempre sem cor, frias sem nenhum encanto

Por mais colorida que fosse a saudade chorada
Mesmo buscando os momentos mais coloridos
Elas choravam, sem cor, os meus ais doloridos 

José João
22/10/2.024 

sábado, 19 de outubro de 2024

Ser amado... é apenas um detalhe

 Ah! O amor! Mas o que é mesmo o amor?
Apenas um sentimento? Não seria muito mais?
Não seria entregar-se sem pensar em volta?
Sentir a distância do silêncio e ainda assim amar?
Será que o amor é feito de palavras bonitas,
Dessas que não deixam rastros, se apagam
Por serem apenas palavras, mesmo bonitas? 
Não são orações rezadas e ditas de dentro alma?
A alma quando diz: te amo é uma oração...
Uma oração verdadeira cheia de sentimentos,
Como é complicado falar de amor, desse amor
Em que até as lágrimas desenham no rosto
Uma saudade e chamam, baixinho, um nome,
Um momento, uma história, uma saudade...
Amar!!! É continuar se entregando sempre
Ainda que só mesmo em pensamentos...
Amar é saber que valeu a pena e gritar bem alto
Amei e ainda amo... aí perguntam: e ser amado?
Ser amado?  hahahaha Isso é apenas um detalhe!

José João
19/10/2.024

O sabiá e a voz do pranto

Sabiá que canta triste
Vê se tu tem pena d'eu
Como tu, também sou triste
Mas não tenho esse cantar
Que engana a dor da gente
E fica mais fácil de chorar

Me ensina esse teu canto
Esse tão belo gorjear
Pois que meu canto é mudo
Ninguém a mim pode escutar
Ensina a chorar como tu choras
Pra minha alma eu enganar

Meu canto é mudo, sem harmonia
Não tem nenhuma beleza na voz
Mas sabiá que canta triste...
Não sei se é mesmo um canto,
Mas o que me sai de dentro d'alma
 É meu triste cantar na voz do pranto

José João
19/10/2.024

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

As vezes... nem é solidão

 As vezes não me deixam ouvir minha alma
O silêncio fica distante, espantam o lembrar,
Fazem que os momentos se percam de mim
Espantam até as palavras que custam chegar

Os versos se perdem na dificuldade de sonhar,
De buscar as saudades que ficaram distantes
As vezes não me deixam ouvir minha alma
E as rimas me vêm como se fossem carentes

Se a falta de silêncio emudece o pensamento
Não há como buscar as lembranças passadas
O vazio toma o tempo, deixa as horas paradas

Nem sempre é solidão o silêncio que nos toma
Por vezes... é a própria alma querendo se ouvir
Buscar algum momento que ela gostou de sentir

José João
18/10/2.024

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

... desde que os ontens não existiram mais

Havia uma musica que a brisa cantava se estava triste
Não tinha palavras, apenas o sentido e eu entendia...
Os acordes eram pedaços do tempo, cheios de mim,
Das minhas verdades, saudades, do tudo que sentia

Havia uma estrofe que parecia ser escrita pela solidão
Dizia do silêncio com que a tristeza sempre chegava
Falava da falta de sentido quando a razão se perdia
Dizia do não dizer nada quando a palavra faltava

Havia também um jardim cheio de beijos não dados
De palavras não ditas, de olhares perdidos, de sonhos
Esse jardim só existe agora nos momentos guardados

Havia flor perfumando desde o ontem, até os amanhãs
No hoje eram perfumes vivos, alegres, de flores reais
Agora se foram desde que os ontens não existiram mais

José João
16/10/2.024

Coisas do pôr do sol

 O sol, em confidência para o mar, escrevia em linhas retas,
Com uma tinta prateada, desde o horizonte até a areia,
O mar sussurrando um canto, deixa suas águas bailando
Como se fosse música o que o sol, ao mar, estava falando

O prateado da água mais parecia um caminho, uma estrada
Que juntava passos impossíveis, pensamentos perdidos,
Sonhos que nunca foram sonhados, até vontade de voar
E assim o pensamento, com infinitas asas, ia até além mar

Perdido por tanto espaço, não sabia que saudade buscar
Os olhos, coitados, se perdiam no horizonte do tempo
Sem saber se era hora de lágrimas de risos ou de pranto

Mas sabia que era hora de, entre tantas lembranças, chorar
Mas não com qualquer um chorar, o momento era divino
O pranto, para os olhos, é oração, é o mais sublime canto

José João
16/10/2.024 

O Ipê, o flamboyant e ...

 Queria escrever uma poesia diferente, com gosto de gente
Sentei na raiz de um flamboyant que conversava com o Ipê,
Fiquei ouvindo o que diziam, o flamboyant, todo vermelho,
Dizia para o Ipê amarelo... que bom conversar com você

As pessoas, dizia o flamboyant, são tão vaidosas, convencidas...
É, e não sei porque, disse o pé de Ipê balançado, não têm raiz,
Não são firmes, não se sustentam na menor ventania, coitados!
Continuou o Ipê, e o pior, cada um fala e não sabe o que diz

O pé de flamboyant balançando as folhas, com uma leve brisa,
Disse: não se enfeitam nem sabem o que é viver uma primavera
Não sabem o prazer de enfeitar o mundo com sua própria flor
Sentir a leveza dos pássaros, que deles têm verdadeiro horror

Não sei porque são tão vaidosos, disse o pé de Ipê... são maus,
Prendem pássaros por mero prazer, até se matam a si mesmos
Secam os rios, queimam a nós por apenas estarmos no caminho
Não sabem o que seja uma brisa, essa que só sabe fazer carinho

Balançar nossas folhas para que eles mesmos sintam conforto,
Continuou o pé de Ipê, matam as borboletas, dizem ser coleção
Arrancam as flores e logo as atiram no chão, sem compaixão
Depois, sem pudor, dizem ser nós que não temos coração.

Queria escrever uma poesia diferente, uma com gosto de gente
Dessas  que saem da alma, que gritam hinos, um hino sagrado
Mas calei no meu silêncio ao ouvir os amigos Ipê e Flamboyant
Saí cabisbaixo, que não me vissem, por tão envergonhado

José João
16/10/2.024

Prantos!!? São só para os que amam

 Pouco importa que zombem das minhas lágrimas,
Que riam dos prantos que contam minhas saudades
Não importa que riam das minhas perdidas súplicas
Ainda é minha história, ainda são minhas verdades

Dessas que ficam no tempo, na alma, no pensamento
Desenham poesias como se fossem lágrimas escritas
Sentidas no rosto como triste afago de mãos divinas
Como fosse, por tanta pena, uma doce carícia do vento

Não me importam os risos, o desprezo, que zombem... 
 O que fazer se minhas lágrimas são como palavras
Que meus olhos gritam alto sem medo e sem travas

O que me consola é que a dor é só e apenas minha
Parida de sentimentos vivos que em mim ficaram
Pena dos que zombam! Coitados... nunca amaram

José João
16/10/2.024

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Eu e os versos que... escrevo??!!

 Escrevo versos que as vezes nem sei o que dizem
Não me preocupam as rimas... são palavras apenas
Umas contam amores, outras prantos. se contradizem
Mas se é a alma quem escreve usa palavras amenas

Os versos trocam o sentido, se fazem donos de si
Alguns se encharcam de lágrimas chorando cantos
Um outro, fingindo ser um sorriso ri as gargalhadas
Outro, para se fazer verso completo se faz encanto

Em mim os versos brincam de se fazerem saudades
As vezes se fazem apenas de lembranças antigas
Também se fazem lágrimas, verdadeiras ou fingidas

Não sei se escrevo ou eles, os versos, se escrevem
Não sei se saem de  mim ou se em mim chegam
Talvez, não sei, sejam dores por outra alma sentida

José João
14/10/2.024



quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Grita: vou ser feliz

 Sorri! Deixa os momentos tristes irem embora,
Busca dentro de te as tantas alegrias guardadas,
Com certeza tens, apenas as escondeste dentro de te.
Tens sorrisos guardados, alegrias sentidas, lembranças,
Como aquela quando te disseram sorrindo: te amo!
Não mergulha nos momentos tristes.. existiram...
Mas agora, vê, não faz mais sentido lembra-los,
Podes buscar os momentos alegres que aconteceram.
Não faz como tantos que, inutilmente, procuram
lugares para serem felizes, como se a felicidade
Escolhesse um lugar para existir e espera-los...
Sorri para vida, te olha e sonha novos sonhos... 
Coloridos como bem quiseres colorir, inventa
Sabor de beijos, inventa uma história alegre
Em que você é a principal e verdadeira personagem.
Pensa bem, a tristeza é tua e está dentro de tua alma,
Logo, em que lugar podes ir que ela não vá contigo?
Grita teu melhor sonho, grita tua melhor verdade,
Grita; eu quero ser feliz, grita para tua alma:
Não te quero mais triste...Ninguém melhor
Para expulsar tua tristeza,,, que você mesmo;

José João
10/10/2.024

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Quando a alma escreve a poesia

    A brisa passava suave em volteios sobre o tempo
 O dia começava a despedir-se, num lento ir-se
Como se quisesse deixar saudades para amanhã.
O por do sol cantava uma canção melancólica,
Num silêncio colorido, desde o distante horizonte
Até minha alma carente que se perdia em prantos
Como fossem pingos de luz a iluminar meu rosto.
Muito longe, dentro de um pensamento quase perdido,
Uma lembrança, que caminhava para o esquecimento,
Despertou, se fez viva e se entregou sem reservas
A aquele momento que, agora, parecia santificado.
Os olhos se perderam ansiosos na busca de um olhar
Mágico que criasse uma figura esculpida na mente
Que a saudade ali deixou ficar como doce relíquia.
Assim se passou a tarde, as estrelas, como vagalumes
Do céu, apareceram brilhantes, despertando sonhos...
Sonhos que... jurava terem sido verdade.

AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 07/10/2.024

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Uma lágrima alegre para chorar uma saudade

 Uma única lágrima para chorar uma saudade
É apenas saudade... essa tanta dor que sinto.
As outras saudades sentidas foram tão choradas!!
Apenas uma saudade restou e, para ela...
Não tenho mais lágrimas... queria apenas uma... 
Uma lágrima para chorar essa uma saudade
Que se fez tão única que se perpetuou em mim,
Essa única lágrima teria que ser pura, límpida, casta
Para que repouse em meu rosto como oração,
Mostre o resplendor divino de uma saudade santificada,
Dessas que a alma, em pranto alegre, se mostra viva.
Vou guardar numa caixinha de musicas divinas 
Essa única saudade e esperar essa única lágrima
Para poder chorar com olhos alegres... essa história

José João
27/09/2.024

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Lembranças não têm idade.

 

Sempre haverão sonhos a serem sonhados,
Sempre haverão lágrimas a serem choradas,
Pensamentos perdidos, lá atrás, nos ontens
E momentos perdidos a serem lembrados

Arrependimentos se farão soltos no tempo,
Momentos que não deviam ter acontecido
Aconteceram, se fizeram marcas doloridas
Outros se fizeram dúvidas nunca vencidas

O "como será que seria" fica sem resposta
Assim, uma angustia se faz presença viva
Como se fosse da alma uma figura cativa

Viver um amor verdadeiro deixa marcas!
Sorrisos alegres, tristes, prantos, saudades
Para sempre. Lembranças não têm idade

José João
26/09/2.024

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Deus sempre ouve a quem reza

Talvez eu devesse rezar em silêncio, eu e Deus, 
Mas será que Ele ouviria? Será que mais vozes,
Mais almas, mais sentimentos, mais arrependimentos,
Mais agradecimentos, não lhe faria melhor ouvinte?
E se estivesse entre nós, aquele a quem Deus ouviria?
Através dele eu seria ouvido, mas.. sempre rezo sozinho!
Não queria rezar aos gritos, Deus não é surdo...
Não queria rezar como fosse um artista encenando...
Queria ser discreto, as orações não incomodam...
O que incomoda são os gritos, o chamar a atenção
Como se apenas orar não bastasse, não fosse orar.
E se eu orasse por tantos e tantos? Seria ouvido?
Será que Deus me ouviria chamando seus nomes?
E se Ele ouvisse e soubesse de todos eles e não o meu?
Ainda assim ficaria alegre e... porque ficaria?
Porque minhas orações aproximaram alguém de Deus,
E se continuar... um dia serei merecedor de ser ouvido.


José João
20/09/2.024




segunda-feira, 2 de setembro de 2024

O tempo

 Ah! O tempo!! Insistente e inveterado professor
Sempre ensinando tudo, ensinando até a viver
Insiste ensinar até a quem não quer aprender
Paciente, soletra a vida, ensina com dor ou amor

Ensina chorar, sorrir, cantar, ensina até a amar
Ensina a alma escrever histórias, alegres ou tristes
Faz que essas histórias, para a alma, sejam verdades
Passando lentamente em páginas chamadas... saudade

Algumas vezes não distingue lágrimas de prantos
Outras vezes faz que as lágrimas sejam palavras
Gritadas pelos olhos como fossem divinos cantos

Ah! O tempo! Ensina fingir para enganar até a dor
Quando esta é maior e faz das lágrimas um pranto
O tempo encharca os olhos de brilhoso encanto
   
AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem oficial: 02/08/2.024


terça-feira, 27 de agosto de 2024

O sabiá gorjeando a dor da saudade

Seis horas... até o sol parece orar
O sino da igrejinha grita uma oração
No meio da praça a palmeira solitária
Parece erguer-se ao céu para rezar

Em sua verde palma, um triste sabiá 
Como se ajoelhado em frente a capela 
Em trinado, parecia contar uma saudade
Que só ele mesmo sabe sentir e chorar

Porque estaria sentindo dor tão doída?
Que fazia seu gorjeio parecer um pranto?
Olhando o vazio a lhe chamar para voar
Preferia estar ali chorando com seu canto

No silêncio das seis horas, um trinado triste
Só o sabiá, na frente da igreja, parecia rezar
No sutil balanço da folha dançando ao vento
Chorava sua dor em prantos num saudoso gorjear

José João
27/08/2.024

O rouxinol triste

 Um rouxinol sempre cantava na minha janela
Todo irrequieto, buscava o gorjeio mais suave
As vezes me olhava nos olhos, olhar tão triste!
Até difícil de acreditar que olhar assim existe

Toda manhã, ainda o orvalho a se fazer carícia
Sua plumagem se assentava no corpo pequeno
Dava trinados como fossem soluços doloridos
Mas sempre a mostrar-se, embora triste, sereno

Depois, nunca mais vi meu pequeno rouxinol
Foi, como se ali não lhe coubesse mais chorar
Senti saudade ... mas ele me ensinou a cantar

Não com seus trinados, com seu doce gorjear
Mas a cantar na poesia, com palavras soltas,
Com rimas mudas, que só a alma sabe falar

José João
27/08/2.024


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Um nome escrito em lágrimas

Quando o sol começa a sorrir, vindo de mansinho,
O alvor do dia a espreguiçar-se, lento, na madrugada
Fazendo a noite se esconder do lado de lá do mundo
Meus sonhos voam em perdidas rotas, sem caminho

Sento na borda da noite, olhar perdido na penumbra,
Tentando varar o véu de orvalho que cai nas flores
Faço desse momento, a beleza da mais pura verdade
Cerro os olhos, desperto a mente, para vir uma saudade

Deixo que a mansidão do amanhecer me tome todo
E um bocejo, como se fosse uma confissão da alma,
Grita em silêncio, como se da tristeza fosse o soldo

Calado, me ponho a rezar, o silêncio me faz dueto,
Olho ainda as estrelas, perdendo a luz... pálidas
Aí me vêm nos olhos um nome escrito em lágrimas 


AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Publicação: 01/082.024

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Eu plagio... saudades... prantos....

Sou um plagiador! Reconheço isso. Eu plagio
Plagio saudades alheias, digo até que são minhas.
Plagio tristezas, lágrimas, até olhares vazios
Plagio dores, dessas que conto nas entrelinhas

Um dia plagiei uma saudade que jurava ser minha
E por ela, chorei, sim, chorei copiosos prantos
Até escrevi poesias, e ela, a saudade se fez tanta
Que com a tristeza se fizeram verdadeiros encantos

Sou bom plagiador, quer que plagie suas lágrimas?
Apenas me diga a cor que elas têm, o gosto eu sei
Todas são salgadas. Posso plagia-las como ninguém

Sei plagiar sorrisos tristes, sei até fingir que são meus.
De quem plagiar saudades, prantos e tristezas, dou cortesia
Escrevo todas elas com teu pranto, como fosse sua a poesia

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antro de Quental
Poesia de: 18/07/2,024

Solidão é...

 Haverá sempre quem pergunte o que seja a solidão.
E quantas respostas serão dadas? Serão ouvidas?
Mas o que é mesmo a solidão? Apenas estar sozinho?
Porque, então, entre tantos alguém se sente só e chora?
Entre multidões sempre haverá quem se sinta só,
Que não veja os sorrisos, não ouça o alarido do dia.
Será que sentado no tempo vendo um por do sol,
Ouvindo o murmurar das ondas e o silêncio de vozes,
É solidão? Será que a mudez do tempo, a quietude,
O buscar de momentos distantes cheios de saudade,
É solidão? Será que não ter quem lhe diga, estou aqui,
Que lhe segure as mãos, lhe olhe nos olhos e diga, vamos...
Será isso solidão? Será que a falta de alguém é solidão?
É tão difícil de senti-la, é desesperador, porque ela,
A solidão, só existe quando nos perdemos de nós,
Quando não nos encontramos dentro de nós mesmos.
Solidão, pra mim, é quando gritamos em desespero
E a alma não escuta nem o eco de nossa voz.
Solidão... é a falta que você sente de você mesmo.

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 18/07/2.024

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Enquanto eu puder sonhar...

 Os anos passam,.. os cabelos embranquecem,
Os ombros se curvam pelos passar do tempo,
A voz fica reticente como se as palavras pesassem
Passos lentos, andar incerto, olhar desatento...

São tantas as saudades! Chegam sem se esperar
Algumas trazem sorrisos misturado com lágrimas
Outras embargam a voz... trazem apenas prantos
E fica difícil encontrar o que um dia foi encanto


Eu! Fico sentado, olhando fixo a porta do tempo,
Que me leva a tantos momentos antigos e passados,
Que me deixam olhar os amanhãs, pelo menos tento

Mas ao tempo, mesmo com sua essência assim, imutável
Digo bem alto, com a força que a alma pode gritar:
Ainda tenho muito a fazer enquanto tiver o que sonhar

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 16/07/2.024 

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Flores, cálice e lágrimas.

Havia um pequeno jarro sobre a mesa
Um jarro sem cor, cheio de lágrimas
Eram as lágrimas tristes, choradas, 
Eu acho, que por muita saudade,
Na verdade, mais parecia
Um pequeno cálice
ou uma taça?
um copo!
Em um 
jarro
teria
rosas
lírios
zinia
cravo
dália
lótus
Mas lágrimas! Num jarro
Quem choraria tanto assim?

José João
08/07/2.024

Jesus, os homens ficaram mais cruéis!


Jesus, regaste o chão com teu divino sangue
Para apagar os pecados dos tantos pecadores,
Mas estes, como ainda hoje, tão mesquinhos
Te puseram uma coroa de pontiagudos espinhos

Te puseram numa cruz, indiferentes à tua dor
Te cravaram pinos nas tuas mãos e nos pés
Como meros algozes desprovidos de razão
Assim como são, até hoje, os tantos infiéis

Mas Jesus, ainda hoje o mundo é frio, é ermo
Os corações sucumbiram pela falta de sentido
Te expulsaram, Jesus, e o homem ficou enfermo

Perderam o senso, a crueldade os tomou de assalto
Estão bem piores que aqueles que te profanaram
Hoje, te crucificariam e arrastariam teu corpo no asfalto

José João
08/07/2.024

domingo, 30 de junho de 2024

Artista? Louco ou sonhador??!!

 Eu!! EU SOU ARTISTA!! Faço lágrimas sorrirem...
Brinco comigo mesmo se estou triste, até chorando
Corro entre saudades, delas faço desenhos coloridos 
Finjo chorar minhas dores, a dos outros choro brincando

Conto minhas histórias em poesias rotas e sem rimas 
Costuro minhas saudades em folhas que o vento leva,
Os sonhos... alinhavo em nuvens que se vão ao tempo
E os deixo soltos, volteando leves, levados pelo vento

Sou deveras um artista, pulo cordas com linhas de tristeza,
Inventei outra maneira de brincar com bolhas  de sabão
Ponho dentro delas, das mais coloridas, pedaços de solidão

Que se vão como fossem plumas, lentamente sobem ao céu
Voam lentas, brilhando sob um sol que eu mesmo desenhei.
Para passar o tempo, faço esculturas de nuvens em folhas de papel

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 29/06/2.024

sábado, 29 de junho de 2024

Talvez minha saudade seja...

Hoje...apenas senti saudade... tanta saudade!!
Tanta, que percebi que não sei o que ela seja.
Se é dor, se é uma tentativa de fugir da solidão
Ou se é o ontem voltando no vazio de uma ilusão

As lágrimas se misturam com sorrisos sem cor,
Os olhos se perdem molhados, bordados de prantos
O silêncio grita, como fosse a alma chorando aflita
E apenas a saudade, melancólica, se faz encanto

O que seria a saudade? A dor de uma recordação?
A Busca do que se foi, mas continua dentro da gente?
A perda de um pedaço de nós que faz a alma carente?

Quem sabe minha saudade seja alguma coisa assim,
A doce lembrança que ficou dos infinitos momentos
E um triste sentimento que me faz ter pena de mim?

AMCL; Academia Mundial de Cultura e literatura
Acadêmico; J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 29/06/2.024

sábado, 1 de junho de 2024

Hoje queria ser criança.

            Hoje eu queria ser uma criança... sim, uma criança
Sorrir apenas por sorrir, apenas por ser inocente.
Fazer bolhinhas de sabão, em cada uma um beijo
E que fossem alegrar todos os corações carentes

Queria brincar nos jardins... nomeando as flores,
Dando nome às borboletas, fazendo versos infantis
Todos alegres, para fazer sorrir as crianças tristes
Para mostrar com a alma que a alegria ainda existe

Hoje queria ser criança...gritar alto para os adultos
Sem medo, com meu sorriso puro de ainda criança,
Que deixem que exista o amanhã e eu possa crescer

Hoje eu queria ser criança, alegre, brincando de viver
De fazer pedidos para a misteriosa estrela cadente
E, entre sorrisos, não ter medo de crescer e de ser gente

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono Antero de Quental
Postado em: 01/06/2.024