segunda-feira, 26 de junho de 2023

Minhas loucuras... embelezar o belo!!!

 Escrevi notas musicais e as calquei nas nuvens
Queria deixa-las divinas, únicas, para o anjos
Mas o vento as roubou de mim e se foi ao tempo
Depois as ouvi numa fonte, a cachoeira e o vento

Esculpi flores, pintei jardins, gorjeei com pássaros
Brinquei de desenhar a solidão com longos cabelos
Maquiei a saudade, lhe pus longos e belos cílios
Para as lágrimas ficarem transparentes como lírios

Até ao pranto dei nova forma, lhe fiz como uma fonte
Em que a água brilha cristalina, correndo lentamente
Como se não tivesse pressa, como se fosse sem ir
Brincado de cantar, de bailar, de sonhar e de sorrir

Depois juntei tudo em uma poesia com versos rimados
Cheios de mim, cheios da inocência da poesia pura
Me fiz parte da primavera, me vesti todo de natureza
E cantei ao mundo o que achava ser, dele, a beleza.

José João
235/05/2.023

domingo, 25 de junho de 2023

Minhas verdades e mentiras são... verdadeiras... juro.

Rio, às gargalhadas de uma alegria triste, triste!!
E das tristezas alegres, dessas rio despudoramente
Aí me perguntam quem sou, rsrs quem sou!!?
Um pedaço de mim é poeta, outro pedaço é gente.

Invento ladainhas que nunca nem foram oração
Conto histórias fingidas que podem ser verdadeiras
E minhas mentiras! Verdadeiras verdades que minto
Prantos e dor... esses, sempre finjo que não sinto

Gosto de rir do tempo, da vida, até mesmo de mim
Aprendi a ser o que sou, um pedaço da poesia completa,
Um pedaço da poesia que ainda não fiz, ainda sem versos
Me faço até, tanto da mentira quanta da verdade, o inverso

Sou a alegria esfuziante da primavera que ainda não veio
Sou o cantar alegre de um pássaro que voa livre ao tempo
Sou a canção que a cachoeira canta num tom maior
Sou quem canta em dueto, em qualquer nota, com o vento

Sou a maior mentira, juro, que ninguém nunca escreveu
Sou uma verdade tão verdadeira que nunca ninguém viu
Sou um pedaço do tempo cheio de histórias esquecidas
Sou quem declama poemas fingidos que nunca ninguém ouviu

José João
25/06/2.023

Como é difícil...

Como é difícil caminhar num caminho sozinho.
Como é difícil caminhar num caminho
Como é difícil um caminhar sozinho
Como é difícil... ser sozinho.
Como é triste caminhar um caminho sozinho
Como é triste caminhar num caminho
Como é triste caminhar sozinho
Como é triste... ser sozinho
Como dói caminhar um caminho sozinho
Como dói caminhar num caminho
Como dói um caminhar sozinho
Somo dói ...ser sozinho
Como é difícil viver a vida sozinho
Como é difícil viver a vida
Como é difícil viver
Como é difícil ... ser sozinho
Viver sozinho... é o mesmo que não viver
Viver sozinho... é o mesmo que morrer
É estar vivo... sem saber o que é viver.
Como é difícil... ser sozinho.

José João
25/06/2.023


Hoje... um poeta sem poesia.

Hoje não tem poesia, não tive tempo pra elas.
Tive que catalogar as saudades... são tantas!!
Conferir as lágrimas que ainda não chorei,
As que já chorei, não sei, nem lembro quantas.

Tive que pensar uma outra roupa para solidão,
Alguma coisa que não a faça tão fria, tão sombria,
Nem sempre ela é assim, às vezes ela é amiga
Nos ouve calada, até mesmo com uma sutil alegria

Ainda tem as tristezas, e  elas não são poucas,
Estão atiradas no tempo, tenho que junta-las,
Pelos momentos, dar um nome a cada uma delas
Cada tristeza, cada momento. Como lembra-las?

E os sorrisos!  Alegres e tristes, juntos num canto
É uma algazarra! São gritos e gemidos misturados
Os sorrisos alegres gritam em desmedida euforia
Os sorrisos tristes, coitados, se fazem de gemidos

Ainda tenho que encontrar um pranto que esqueci,
Se recusou chorar uma tristeza que achou pequena
Disse que merecia uma tristeza, das que doem na alma
Tive, com um outro pranto, fingir que era uma dor amena

Hoje, não tenho tempo para poesia, nem saberia começar!
Ainda tenho que cerzir alguns pensamentos que estão rotos,
Estão perdidos entre os ontens, o hoje e alguns amanhãs,
Tenho que buscar esses pedaços de vida, não posso deixa-los soltos...

José João
25/06/2.023

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Só o tempo ensina a ouvir com o coração.

 Hoje sou apenas minha sombra, olhos cansados,
Ombros curvos, voz reticente, passos trôpegos
Vagando no tempo levando as tantas recordações
De momentos que guardo como fossem orações

As vezes rio com sorrisos cansados e até caducos,
Sorrisos que havia esquecido de sorrir... coitados,
Ficaram velhos, cabelos brancos como os meus,
Até lágrimas antigas de momentos nunca chorados

Se perderam dentro do tempo, ficaram esquecidas,
Hoje, velhas, já não sabem o caminho dos olhos
Se escondem num cantinho da alma e lá ficam
Tristes e por um motivo para chorar... mendigam.

O canto dos pássaros perdeu a nitidez, a beleza,
As flores me parecem sem perfume, talvez a idade
Até a primavera não é a mesma, parece mais triste
Talvez porque  o belo eu via com olhos da saudade

Mas não reclamo, a vida é feita pelos tantos momentos,
E tem-se que louvar o que nos faz o passar do tempo
Aprende-se a escutar o silêncio, a ouvir pelo coração
E aquilo que dói se aprende a mandar embora, até a ilusão.

José João
22/06/2.023

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Poesia, saudade, solidão e pranto

 Vem, conversa comigo. Se queres choro contigo.
Te faço que seja uma oração cada lágrima que choras
De que vale teu silêncio? Como calar poderias?
Deixa que te console, deita em meu colo, eu sou a Poesia

Se vais contar ao mundo a dor que a poesia recita
Como farás sem mim? Que farás sem minha verdade?
Sou eu quem te trás do  tempo até os detalhes vividos
Não podes falar da tua vida sem mim, eu... a Saudade

Está bem, já que estão juntas a saudade e a poesia
Não estaria tua história completa sem mim, Não e não
Se queres que a poesia te recite versos feitos de vida
Tenho que estar presente, sou a tua amiga Solidão

Sendo assim, também me proponho estar nos versos
Eu, que me faço fonte a correr nos olhos como encanto
Sou quem dá brilho no olhar vazio que busca o horizonte
Como falar em poesia, solidão e saudade, sem mim? O Pranto!!

José João
18/06/2.023


segunda-feira, 12 de junho de 2023

Eu e a folha branca de papel

Uma folha de papel, branca, de um branco divino
Se deita em minha frente, entre dadivosa e carente,
Como, se ansiosa, esperasse que lhe beijasse a  face
Com doçura, como fazem os amantes... ternamente

Mas como, macular tão precioso e inocente rosto
Sem causar nenhum dano, deixa-la mais pura ainda?
Ah! Se eu fosse um poeta! Desses que brincam de pecar!!
Desses que parecem anjos, acomodam o céu dentro do mar.

Ah! Eu fosse um poeta assim!! Na inocente folha branca
Escreveria um poema com o doce perfume de um lírio,
Com a beleza inocente da mais pura de todas as saudades,
Um poema etéreo, sem tempo, sem corpo e sem idade

Mas sou apenas um escrevedor de versos parido ao tempo
Desses, que os versos saem tortos, sem a métrica completa
Não teria a ousadia de macular tão inocente dádiva divina
Portanto, que essa folha seja beijada por verdadeiros poetas.

José João
12/06/2.023

VOLTE AMANHÃ

 
- Quem é? 
- Sou eu. Sua vizinha da direita.
- O que você quer? Estou ocupado.  
- Queria pedir uma coisa.
- O que você quer pedir? - 
- Queria lhe pedir uma poesia.
- Estou ocupado. Não tenho tempo de escrever poesias
  Aliás, muito ocupado. Estou arrumando minha gaveta,
  Está uma desordem.
- Posso arrumar para você enquanto faz minha poesia.
- kkkkkkkkkkk(gargalhada irônica) você? !!
 arrumar minha gaveta! kkkkkkk
- Eu, já não consigo! Eu que sei onde coloco tudo.
  Aqui, nesse canto da gaveta estavam meus versos,
  Inacabados, mas estavam aqui. Nesse lado, juro,
  Estavam as saudades, dede as antigas até as de ontem.
  Aqui, no meio, estavam as lágrimas, antigas, novas,
  Inclusive tinha umas de ontem que ainda iria chorar.
  Tinham rimas de amor, de solidão, de lágrimas.
  Onde estão minhas coisas?!! Minhas estrelas cadentes!?
  Onde estão? As flores!! Orquídeas, jasmins, lírios ...
  Mas ninguém abre essa gaveta! Só eu. SÓ EU!
- Sr. poeta! O Sr, ainda está aí?
- Claro que estou! E você ainda não foi embora?
- Estou esperando minha poesia.
- NÃO VOU ESCREVER POESIA! JÁ DISSE.
  Ontem que tinha lágrimas na minha gaveta,
  Saudades, tristezas, rimas soltas, flores, lírios, orquídeas
  Momentos de solidão! Tudo isso estava aqui guardado
 Você não veio aqui pedir poesia... agora que tudo se foi,
 Acho até que se foram nas tantas poesias que já escrevi,
 Você vem me pedir poesia!! Volte amanhã, quem sabe
 Esta noite minha alma me traga algumas dessas ...
Necessidades de um... poeta.

José João
07/06/2.023

Como ave de arribação

Há uma tristeza nos olhos e o olhar se perde ao longe,
Talvez, nem sei, mas acho que é de chorar que preciso.
Pergunto à alma porque tanta dor... mas ela não responde
Calo, pensamento perdido no nada, como pássaro indeciso

Que se perdeu do ninho, canta triste por não saber voltar
Perdeu a rota, sumiram as flores que povoavam o caminho
Tristonho, olhando sem nada ver, não se permite mais voar
Então, canta o gorjeio mais doído por estar assim tão sozinho

No céu azul, nuvens como algodão, se vão brincando ao vento
Que sussurra uma canção como fosse um lamentoso pranto
E o pássaro, com lágrimas nos olhos, faz dueto com seu canto

Que mais resta a quem perdeu a rota e caminha sem horizonte?
A quem o pranto lhe toma a voz e o mundo se faz plena solidão?
A quem restou só lágrimas e os sorrisos se fizeram aves de arribação?

José João
12/06/2.022


quinta-feira, 8 de junho de 2023

Ontem, hoje e amanhã.

Comecei essa poesia ontem, parei aos prantos,
Fiz um verso com lágrimas outro fiz com cantos
Aí parei... chorei... cantei... chorei... então parei
De chorar? Não. De escrever o que já não sei

Hoje recomecei, até que o pranto veio mais leve
Chorei uma lágrima aqui, outra ali, depois o pranto
Não cantei, apenas sonhei que chorava loucamente
Acordei, já é quase amanhã. Que triste desencanto!!

Quase amanhã??!! A ele vou me entregar todo e tanto
Que se lágrimas me vierem aos olhos como farta fonte
Não vou parar, vou deixar cair meu prazeroso pranto

Depois, por tanto chorar, vou me ater a um doce encanto
Vou parar, descansar, e depois de amanhã, já repousado
Vou fabricar lágrimas, inventar fontes e chorar meu pranto.

José João
07/06/2.023

As vezes o sorriso é um pranto

Quem disse que se chora apenas e sempre por tristeza?
Ou que sorrir seria sempre por alegria? Quem disse?
As vezes choro por uma alegria que não sei de onde vem
Outras, sorrio por uma tristeza que em mim não se contém

As vezes se chora por  uma tristeza que nem é tristeza
É uma saudade, dessas saudades tão gostosas de sentir
Que chegam com risos, com lágrimas, em terna euforia
Apenas risos, ou apenas lágrimas para tanto não bastaria

Quando é de se chorar apenas e somente por tristeza
Dessas que doem, que secam as lágrimas, mas ficam
Paro, descanso e choro outra vez, isso com certeza.

É que para a tristeza, os risos e as lágrimas são iguais
Rir por estar triste ou sorrir com lágrimas nos olhos
O que é mais triste ainda, mas... são coisas tão naturais!

José João
07/06/2.023

terça-feira, 6 de junho de 2023

Sentir... ou a doce arte de fingir?

 Ah! Não fosse a poesia... o que seria de mim?
Com ela, desde muito, aprendi a adoçar a tristeza,
Aprendi a matar a sede da alma com lágrimas
Aprendi a viver com a solidão as tantas incertezas.

A vida é cheia delas, os amanhãs cheios de dúvidas
As vezes são como se fossem lindas primaveras
Outras parecem outono com folhas no chão caídas
Outras são como inverno chorando lágrimas perdidas

Ah! Não fosse a poesia! Como fingir uma alegria?
Essa em que o gargalhar não passa de uma lágrima
Que cai dos olhos enquanto ele triste e mudo sorri

Essas minhas loucas poesias que me ensinam mentir
Mentir contando as verdades que a alma diz sentir
Entre risos e lágrimas na doce arte de saber fingir

José João
06/06/2.023

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Hoje não tem poesia.

Parecia loucura! As poesias indo, correndo de mim
Como se eu as tivesse ofendido, não as quisesse comigo.
Se foram, olhando para trás como se tivessem medo 
Fiquei parado, não as segui... fico eu com meu segredo.

Não sei porque hoje as tantas poesias se fizeram assim!!
Distantes, arredias, fugindo de entre meus pensamentos 
Indo ao vento, sem nem ao menos se fazerem rascunhos
Não quiseram e não sei porque contarem meus momentos

Há de haver uma razão! Mas qual? Juro que ainda não sei
Tinha ao meu dispor, o lápis, o papel e algumas lágrimas
Tinha até algumas saudade que por elas ainda não chorei

Mas se foram, me abandonaram, ficaram perdidas no dia
E eu!! Juntei palavras, versos, alguns até mesmo inacabados, 
Guardei-os numa gaveta mágica e... hoje, não tem poesia.

José João
05/06/2.023


sábado, 3 de junho de 2023

Apenas uma noite. Noite!!??

O lápis caído sobre a mesa... como se estivesse cansado,
O papel em branco, deitado inerte, esperando um carinho
Que o lápis como se dormindo preguiçoso nega-se a fazer
E o poeta, perdido dentro de si mesmo, nada sabe escrever

Busca histórias, olhando triste, a luz trêmula do candeeiro, 
Lá fora, a chuva sobre a palha, parece cantar uma canção
Não se sabe se de saudade, mas parecem lágrimas perdidas
E o poeta aguçando a alma... jura que isso é coisa da solidão

A noite, a chuva, uma casa de palha, um candeeiro, silêncio,
Dentro da casa ouve-se apenas um som: um coração chorando.
O poeta desperta. Alma, lápis e papel parece que estão cantando

Sem pontos, sem acentos, sem métricas, vem chegando a poesia
Se deita confortável na folha de papel, como fosse uma oração.
Ao poeta, parece que é tão simples... escrever com o coração.

José João
03/06/2.023

quinta-feira, 25 de maio de 2023

A luz dos teus olhos

Quanta beleza agora vejo! Até o tempo tem cor!
Como se os dias fossem pétalas de flor coloridas,
Cada uma (um dia) contando histórias alegres
Que alegram e brincam de enfeitar a própria vida

O mundo se abriu em festa, se fez uma quermesse 
Onde os ontens, o hoje e os amanhãs são crianças
Brincado de inventar histórias cheias de alegria
Pintadas cor do céu, do amor e de esperanças

Que tudo isso se faça vivo no tempo e na vida
Agora sei, beleza existe até mesmo nos abrolhos
Quando os vejo refletidos na doce luz dos teus olhos

Assim ficaram os dias, todo dia uma nova cor
Na verdade, até a brisa se perfumou se coloriu
Essa luz dos teu olhos!! Que belo mundo me abriu!!!!!!

José João
25/05/2.023

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Será que as flores são almas disfarçadas?

Em quantas primaveras brinquei  entre jardins!
Quantas vezes, entre flores, perguntei a mim mesmo,
Como pode existir a beleza de tantas flores e suas cores...
Tão diferentes da tinta que o homem usa e... seus perfumes!
Acho que são anjos que as desenham, pintam e perfumam.
Como serão esses anjos? Com pincéis e cinzéis mágicos
Pintando, esculpindo e um anjo alquimista borrifando perfumes
Que devem ser fabricados em frascos divinos e invisíveis.
Quantas primaveras!! Sempre tão coloridas e inocentes!!
Quem será que lustra as pétalas das flores? Algum anjo?
As folhas se fazem súditas, os espinhos, em algumas,
Se fazem impávidos soldados a defendê-las com galhardia...
Mas beija flores e borboletas, eternamente apaixonados
Pousam em suas pétalas, acariciam, dão demorados beijos...
E se vão... na inocente promiscuidade, a beijar todas
Num insaciável desejo de a todas agradar. As vezes pergunto,
Se são as flores que mais enfeitam e perfumam o tempo...
Não pecam, sempre tão inocentes, de nada reclamam...
Enfeitam casas, quintais, templos, sempre humildes...
Porquê elas não têm alma? Ou elas são almas disfarçadas?

José João
13/04/2.023

quinta-feira, 23 de março de 2023

Minha ousadia...

Sei que não mereço, não estou à altura... mas...
Se num momento de perda de lucidez eu quisesse...
Quisesse falar com Deus? Quisesse ouvi-lo...
Ouvir sua voz, sua resposta para tantas perguntas?
Quisesse tocar seu rosto, abraça-lo como velho amigo!
Será que teria de usar o melhor sabonete, melhor perfume,
Usar a melhor roupa, calçar sapatos lustrosos? Será!!
Como será que Ele me veria? será que essa roupa
Encobriria meus erros e pecados e enganaria Deus?
Ou será que iria com minha roupa de todo dia...
Antes, me posto de joelhos no chão olhando o céu
E perguntando, Senhor estou a altura de lhe ver?
Mereço que me ouças? Estou aqui, Deus, 
Como sempre fui e sou... cheio de pecados, muitos...
E deles me envergonho, mas estou aqui, é o que sou.
Como será que ele me veria? Como um homem...
Como criança, como alguém que só tem defeitos...
Ou será que em mim ele veria alguma virtude?
Ah! Se eu pudesse falar com Deus?! Se eu pudesse...
Mas sou tão pequeno que me satisfaz falar-lhe
Com o prazer de pensar que sou ouvido. Obrigado...
Obrigado Deus por me permitir pensar assim

José João
23/03/2.023

terça-feira, 21 de março de 2023

Como foste ontem?

 Quantas vezes, ironizei o tempo enganando a mim mesmo!!
E o pior, ele bem o sabia e calava, como quem diz: deixa está.
Não tinha pressa, os amanhãs, todos eles eram só meus...
Brincava de zombar das horas, de correr entre os dias,
De viver histórias passageiras, de vulgarizar sentimentos,
De inventar momentos e fingir que eram verdadeiros...
Buscava, entre a multidão, olhares que nem eram pra mim,
Costurava sonhos com verdades e depois os esquecia...
Os dias!! Os dias eram apenas um pequeno espaço de prazer...
E eram muitos os espaços, o viver intenso para preenche-los
Não me dava tempo ver o que seria mais importante, viver
Não esse viver trivial que todo mundo acha que é viver...
Mas é exatamente o tempo que mostra a verdade da vida
Não sei se por vingança, mas ele, duramente impassível
Te curva os ombros, põe reticências na tua voz, te cansa
Os olhos e, aparentemente passivo, te olha nos olhos e...
Pergunta: Como foste quando jovem? Muitos se calam...
Antes que o tempo te pergunte, dá a te mesmo a resposta.

José João
21/03/2.023

Ah! Essas minhas verdades e mentiras!!!

Não vou mais me preocupar com as lágrimas
Elas, se quiserem, que se façam até de prantos,
Que caiam no rosto como fossem água de chuva
Não importa que se façam tristes ou encantos

As saudades que sinto não têm cor nem nome
As tantas tristezas são apenas histórias vividas
Angustias!! Essas se fazem pedaços do tempo
Que os olhos chorem mas são lágrimas perdidas

Tudo ficou muito atrás, desde os adeus não ditos
Não falados, mudos, gritado apenas com os olhos
Como gritam em desespero os corações aflitos

Não  importa se ainda tenho lágrimas pra chorar,
Não importa se ainda tenho saudades pra sentir
Me consola saber que foram momentos que vivi

José João
21/03/2.023

segunda-feira, 13 de março de 2023

Quando só o coração pode ouvir

Caminhei por estradas distantes, caminhos, veredas...
Pisei nas folhas de outono, caminhei nas primaveras,
Juntei flores, fiz versos, com a brisa musiquei poesias,
Como artesão fiz brincos de nuvens cor do sol poente.
Atravessei rios, com eles murmurando canções novas...
Ia sempre, mesmo indo só, por vezes, mesmo na multidão,
Gritava minhas angustias, tristezas, mas ninguém ouvia!
Fazia versos coloridos, triste, alegres e... ninguém ouvia.
Cantei em ladainhas verdadeiras histórias de amor...
Inventei poesias gorjeadas pelos pássaros... não era ouvido.
Um dia, resolvi calar, não contei, nem cantei mais nada...
Aí, sentado sozinho num canto de um tempo distante...
Me perguntaram se eu era mudo... calei... nada disse...
Deixei que pensassem... foi quando o vento, em rodeios,
Me trouxe aos pés uma pétala de uma flor caída no jardim...
E ela me falou tão comovida de como a flor era bela...
Ouvi... e minha alma em silêncio, calmamente disse:
Como querias que te ouvissem? Ninguém mais...
Tem coração para ouvir.

José João
13/03/2.023

As poesias são assim...

Ah! A poesia! Com sua beleza inocente...
Com a inexplicável incoerência da vida,
Gritando loucuras tão cheias de razões
Que abalam até os mais frios dos corações

A inocente e indecifrável loucura das poesias
Dão perfume à saudade, esculpem histórias
Em rostos que a tristeza lhes tirou a expressão,
Fazem dos olhos igrejas e do pranto faz oração

A poesia se faz leve ao tempo, parece brisa
Indo suave, risonha brincando como criança
Entrando, sem pedir licença, nas almas carentes
E lhes contando histórias de amores ardentes,

De momentos vividos que se fizeram relíquias,
De adeus ditos sem palavras, só com os olhos,
De passos perdidos que levam a nenhum lugar
De sonhos que não se  tem palavras para contar

Ah! A poesia! Se veste toda e plena de liberdade
Conta, se quiser, às gargalhadas, histórias tristes
E nunca se sabe se são verdadeiras suas lágrimas
Ou... se são inocentes mentiras as suas verdades.

José João
13/03/2.022

quinta-feira, 9 de março de 2023

A última palavra é do tempo

Ontem... não tinha medo, brincava com o tempo.
Ah! Os meus sonhos mágicos da juventude...
Um amanhã não era futuro era apenas mais um dia.
Sonhava os mais mirabolantes sonhos e... ria do mundo.
Brincava de inventar histórias que só a juventude sabe.
Os dias pareciam parados... meu rosto sempre o mesmo...
Com sorrisos entre alegre e irônico, desdenhava do tempo.
Quantos momentos de prazer! Fazia da vida uma loja...
Dessas de vender brinquedos que amanhã não se  quer mais.
Um dia, quando tropecei num adeus, foi que despertei...
O tempo havia passado, os amanhãs se faziam incertos...
Os sonhos se faziam saudades, e sempre muito doída...
O rosto que era sempre o mesmo todos os dias... surpreso
Vi que mudavam, uma ruga aqui, outra ali, todos os dias
Havia uma me mostrando o tempo. O sorriso irônico
Foi se desfazendo, foi se tornando um sorriso triste,
A vida não vendia mais prazeres, passou a servir prantos...
E assim... me vejo como estou, cabelos brancos,
Saudades, sussurros de lamento e sonhos que não sei
Mais sonhar... A loja de brinquedos... não existe mais.

José João
09/03/2.023

Hoje, quero apenas sonhar.

Hoje, não quero fazer nada... apenas sonhar...
Sentar no meio de um primavera... a mais florida,
(Os poetas fazem quantas primaveras quiserem)
Num canto do tempo, onde a beleza floresce...
Sonhar com o que ainda hei de viver... de sentir...
Conversar com as flores, ouvir suas vozes no perfume
(as flores falam através do perfume e da beleza)
Aí perguntarão: e as que não têm perfume nem beleza?
Falam com o silêncio e apenas o coração pode ouvi-las...
Depende da pureza dos corações e da inocência da alma.
Mas hoje não quero fazer nada... quero apenas sonhar.
Ouvindo a história de Amarilis a brilhar como seu nome,
Ouvir a Azaléia que conta da aridez de sua nascença
Até se tornar a exuberante e invejável flor que é.
Ouvir as flores e sonhar no meio da primavera
Num canto do tempo com o encanto do por do sol
Ouvindo a sinfonia mágica dos pássaros e da brisa
Que sem maestro compõem cantos divinais e únicos.
Hoje, não quero fazer nada, quero apenas sonhar.

José João
09/03/2.023


sábado, 4 de março de 2023

Quando a saudade diz: estou aqui

 Há noites em que a saudade chega de repente
Cantando musicas de ninar cheias de sentimentos,
Trazendo verdades distantes como fossem sonhos
E com elas me vêm antigos e prazerosos momentos

Nem preciso buscar no tempo o que tanto senti
A saudade me trás com um sorridente... estou aqui
E a alma misturando alegria e lágrimas se faz viva
Jurando ser de agora toda a alegria que um dia vivi

A noite se faz confidente ouvindo histórias antigas
E esconde as tantas lágrimas que choro em silêncio
Me ouve calada, me abraça como velha e doce amiga

A insônia vem como se quisesse meus olhos abertos 
Para vê-los em pranto chorando uma dor tão sentida
Por saber, não sei porque, que é dor de toda uma vida

José João
04/03/2.023

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Voltaram com o bezerro de ouro

Deus, desculpa! Não sei como pedir perdão!
Não sei como te mostrar o que fizeram com tua criação!
Com a humanidade. Ousaram pintar teu filho
De loiro, olhos azuis, atleta,  um verdadeiro pop star.
Outros o arrastam no chão como se fosse um vencido,
Estão zombando do teu nome, profanando tua imagem,
Mostrando um satanás  bem maior que os homens,
Esses a quem fizeste tua imagem e semelhança.
Deus, os homens se perderam na frieza de cada um,
Desesperador ver como estão se perdendo ...
Depois que te mataram em seus corações patéticos e frios.
Pisam nos teus ensinamentos, profanam tua existência,
Brincam com o calvário do teu filho Jesus Cristo...
Estão perdidos, estão ouvindo os próprios homens,
Criaram um deus que a tudo permite, na verdade...
Te mataram em seus corações e se fazem deus...
Mas Sr. ainda bem que mostras quem és ao tempo
E ao homem mas... muitos insistem em não ver,
Estão cegos... Deus, esperamos teu Filho...
E que seja feito a tua vontade.

José João
26/02/2,023

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Hoje, me fiz dono do mundo

Hoje me senti dono do mundo...
Desenhei teu rosto com estrelas,
Mandei que o vento cantasse  teu nome
Que os anjos te dissessem amém em prece...
Hoje me senti dono do mundo...
Separei todos os sonhos que sonhei contigo
Deles fiz histórias divinas como fossem orações.
Colhi flores em jardins santificados e em cada uma
Escrevia teu nome que ia como perfume ao mundo
Levando a leveza de uma alma cheia de amor...
Fiz laços de nuvens para enfeitar meus sonhos...
Com pedaços de luar fiz a moldura para teu rosto
Pintado com as cores do horizonte ao por do sol...
Fiz do sol um teu abraço a me aquecer e... sonhei...
Te vi sorrindo entre nuvens e... chorei... 
Chorei tua saudade... não com com qualquer pranto
Mas com as águas de uma fonte mágica
Que te faz viva sempre que te busco na alma

José João
24/02/2.023

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Minhas rugas... um livro em meu rosto

Esse é o meu mais novo rosto, o rosto de hoje,
Com algumas jovens e vaidosas rugas de ontem
Que ouvem as tantas histórias das mais antigas
Que se fizeram confidentes mudas por tão amigas.

Os olhos... hoje já cansados, se espantam ao vê-las
E me dizem, olhando o tempo, ser testemunhas delas
Quando se desenham como histórias em meu rosto
Numa escrita indecifrável que escrevem a seu gosto

Quantas vezes foram acariciadas por tristes prantos
Que vinham desde a alma chorando doídas perdas...
Minhas velhas rugas com os olhos também choravam
E piedosas, meu rosto triste, ternamente acariciavam

Criadas outro dia... nem as tinha, nem delas precisava
Pra quê? Escrevia minha  história de vida ao meu prazer.
Criava sonhos, brincava de parar o tempo. Parar o tempo!!!
Hoje, não fossem minhas rugas o rosto não teria o que dizer  

Cada uma delas é uma história, as vezes até uma saudade...
No espelho, elas me lembram coisas que não esqueci,
Meus olhos, mesmo cansados, brincam de passear por elas, 
Rimos, a nostalgia toma conta de mim ao contarem o que vivi.

José João
20/02/2.023