domingo, 12 de abril de 2026

Por que dez palavras?

Dez palavras por verso, até poderia, mas não acho justo
Há dores que nem se precisa de tanto, outras, são tão poucas?
Saudade! Quem decide o tamanho da saudade para os versos?
Qual o tamanho das palavras? Sílabas por cada lágrima solta?

Serão necessárias dez palavras para contar o que finjo?
Se fingir uma verdade verdadeira de uma mentira fingida?
Estratosférico amor que, infelizmente, imprescindível, se foi
Mas sem lágrimas para chorar, a alma ficou perdida

Meus versos são como as pessoas, magras, altas baixas, gordas
A métrica é do tamanho do que a alma quer dizer,
Versos compridos que, por vezes, ainda ficam incompletos
Outros, curtos, dizem tudo o que queria acontecer

Elegância no poema está no que a poesia diz,
Prender a alma ao que numa linha se escreve
Como se o verso tivesse padrão feito em máquinas frias!
Então, que tristeza! Assim para que a poesia serve? 

José João
12/04/2.026

Só posso pagar com prantos...

 
Diz-me, quanto de saudade tua alma suporta?
Quanto de pranto podes chorar por uma vida?
Quem poderia dizer, mesmo que a alma saiba?
Isso não me importa, nem qualquer dor sentida.

Que chore, aos cântaros, todo esse meu pranto,
Que de saudades, transborde a alma por tantas
A mim, importa amar, sem nenhum entretanto
Que chore, por amor, as lágrimas serão santas

Assim, me entrego ao que acho um doce viver,
Amar, como se amar fosse um divinal acontecer
Chorar ao dizer, ou ao ouvir um terno: "eu te amo"
É como se fosse, para a vida, o mais belo renascer

Amo, amo, e amo. A mim o que importa a saudade?
Lágrimas servem é para isso, para chorar o adeus,
Se for pecado esse tanto amar e eu tiver que pagar
Pago em prantos, o que mais sei nessa vida é chorar

José João
12/04/2.026

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Meus versos... bem... as vezes...

 
Ah! Se eu tivesse aprendido fazer poesias...
Dessas que as palavras gritam alegres,
Trocam de sentido no que querem dizer,
Ficam eufóricas, nem parecem palavras
Parecem sentimentos ávidos por viver

Mas não aprendi a sentir o viver assim
Comigo elas não gritam, ficam paradas
Não que fiquem mudas mas, apenas gemem
Como se estivessem por tristezas marcadas
Nem com a emoção dos versos elas tremem

Queria ser poeta de fazer o verso cantar,
Dizer coisas que todos querem ouvir
Provocar sentimento gostoso de sentir
Desses que fazem a alma de gozo chorar
E gritar aos céus: eu quero apenas amar

Meus versos se escrevem em curtas linhas
Em rimas perdidas como fossem indo embora
Como sendo mudas novas que no sol definha,
Parecem escritos fora do tempo, fora de hora
Que se arrasta no vazio e na alma não caminha.

José João
10/04/2.026

Minha curiosidade de amanhã

 
Vou indo sem pressa... não preciso mais correr,
Já senti todas as saudades que a vida me fez sentir,
Ouvi e disse todos os adeus que tinha para dizer
Até os amores, que sorrindo ou chorando ... vivi

Vou devagar, não tenho pressa, sei onde chegar
Prantos... não os tenho mais, chorei todos eles
Talvez uma saudade aqui, uma outra por ali
Uma lembrança antiga que o tempo não quis levar.

Sonhos, já os sonhei, outros estão perto de mim,
Não preciso correr para sonha-los, estão bem aí
No dobrar do tempo, bem aí, no primeiro amanhã,
Não tenho pressa para sentir o que a muito já senti

Sorrisos, tenho alguns e os que tenho me bastam 
Mas ainda tenho uma curiosidade de todos os dias
Muito importante para mim, longe de ser coisa vã...
É saber qual marca nova, meu rosto trará amanhã

José João
10/04/2.026

Ah! Esse amor eterno!

                                                                                                                       
Quando o amor se faz de forte ventania
Como fosse tempestade mas... sem maresia
A tomar toda a alma, inunda-la de fantasia,
O coração, em êxtase, pula louco de alegria
E reza orações que até outro dia... não sabia

No tempo, feito nau vadia, navega solto
Sob um céu de brigadeiro, um tal de amor
Por milagre, com prantos, ri e sente o calor
De beijos que ainda virão, ainda nem trocou
Mas a alma eufórica jura que já sente o sabor

E um mundo, inocente, se abre como leque,
Pintado de primavera, com flores de verão
Aí as confissões se fazem de divinas rezas
Como se fosse de anjos essa doce criação
Aí, Chega a loucura, um verdadeiro furacão

Os "nãos" são desprezados, perdem a razão
Saem acanhados, sem saber nem onde ficar
Sussurram injúrias, mas qual alma vai ouvir?
O amor juntou as duas e toda atenção lhes dá,
Que mais importa a não ser esse... louco sentir?

Assim, juntas, almas e corações até se esquecem
Desse tal de amanhã, afinal, o amor não é eterno?
Na eternidade é onde se escondem todos os amantes
Nela sempre cabe mais um, é um coração materno
E quem eternizou o amor nunca mais será como antes

José João
10/04/2.026

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Amar... é nunca morrer.

Hoje, vou por aí entre horizontes e sempre só,
Quero gritar meu canto mas não tenho voz...
Minhas poesias se perdem no tempo, então choro
Alguém pode me ouvir? A isso agora imploro.

Quero contar dos amores que vivi, que senti,
Dos abraços que dei, mas que também recebi.
Quero fazer poesias contar o belo que já vivi,
Estou vivo, ando por aí, amo, ainda não morri

Quem melhor que eu para contar a beleza da vida?
Quem já amou tanto quanto eu amei, me entreguei?
Quem melhor que eu pode falar do que seja amar
Dizer: te amo de verdade, com lágrimas no olhar?

Dizer te amo, não com essas palavras bobas, tolas,
Dizer te amo é deixar a alma gritar, num silêncio
Que só os amantes ouvem, é um todo se entregar
Sorrindo, tremendo, chorando sem nada trocar.

Eu, ando por aí, amo quando encontro um coração
Até sei fazer versos, faço poesias, me entrego todo
Sem reservas, nem segredos, fazer que amar seja viver,
Fazer que amar, como é o amor, é nunca morrer.

José João
08/04/2.026

O aprendiz.

    
 Talvez devesse calar a voz... esconder-me entre sonhos...
Ou gritar minhas verdades? Para quê? O mundo está surdo,
Quem sabe dizer agora: Que o amor seja sempre eterno?
Que a saudade é um presente divino, dado a tantos mudos?

Quem chora uma saudade com a alma em divino pranto?
O amor se fez uma brincadeira tão comum, tão sem sentido.
As palavras são tão poucas, tão sem razão... tão pequenas,
Ao amor, dele fizeram apenas um brincar sem mais encanto

Dou-me a ser do mundo, um simples contador de versos
Que fala da inocência das flores, da beleza que é a saudade, 
Que faz versos para o luar, para o alvor do dia quando vem,
Com os pássaros confessando às amadas um amor de verdade

Sou quem se banha com a pureza do orvalho da madrugada,
Que brinca de escrever versos como fosse oração à sua amada
Não sei ser poeta, escrevo o que a vida manda, o que a vida diz
Quem, como eu, sabe o que é ser do mundo, um aprendiz?

José João
08/04/2.026

Revendo velhos guardados... chorei

 Ontem estive revendo, dentro da alma, velhos guardados,
Encontrei sonhos antigos, saudades que nem sei porque senti,
Histórias de amores mal resolvidos, sonhos já esquecidos,
Restos de dores e de prantos chorados, agora tão descabidos!

Também encontrei o que eternamente ficará dentro da alma
Como se fosse preciso estar ali, para sempre estarem vivos,
Revi sorrisos verdadeiros, até vi prantos um dia chorados
E ainda diziam que foi a alma quem os manteve guardados

Revi um olhar que disse adeus como se os olhos gritassem,
Senti o adeus mais doloroso que ninguém nunca ouviu
Tanto, que chorei, e até me pareceu com o mesmo pranto,
As cicatrizes que pareciam saradas se abriram por encanto

Foi um adeus que a alma não queria, não precisava ser dito,
E essa ausência faz que ela até hoje vague por aí incompleta,
Perdida, indo entre vazios, procurando um lugar para ficar
Mas onde vá, com ela vai a tristeza e o pranto para chorar

José João
08?04/2.026

Alma minha... diz-me o que sentes.

 Oh! Alma minha! Agora que estamos a sós, diz-me:
O que tanto te aflige que emudeces e calas a voz?
Diz-me o porquê desse silêncio, o que te atormenta?
Por acaso, alma minha, não sabes quem somos nós?

Tu, minha essência de vida, que de imortal me fazes
Eu, teu templo, nos fazemos um, sentes dor, eu choro,
Sou, como bem sabes, teu único provedor de lágrimas,
É o meu pranto, a tua voz. Alma minha diz, te imploro.

Diz-me, preciso saber, por que estás assim tão aflita?!
Dou-me a te fazer que sejas de mim, a outra metade,
Se te entristece um qualquer sentir, me dou ao pranto,
O que quer que sintas, em mim, também será verdade.

Pobre alma minha! Cabisbaixa, até parece tão carente!
Diz-me agora, que estamos a sós, diz-me o que sentes.
- Para ti não tenho segredos, choro com o teu chorar,
Então, chora comigo essa saudade que insiste em ficar.

José João
07/03/2.026

Os amanhãs são... tão imprevisíveis!

Onde estão meus sonhos? Porque perguntas?
Por acaso não sabes que se foram quando foste?!
Que os levaste contigo e em mim deixaste o pranto!?
Tudo se foi, como passe de mágica, como por encanto!

Em mim, bem sabes que deixaste apenas saudade,
Uma saudade triste, dessas que deixa a alma ferida,
Perdida no tempo, apenas a solidão como companhia
E uma história que mesmo triste, nunca será esquecida

Ainda assim dou-me a te rezar com inocente oração
A adorar-te e, sem orgulho, ser teu cervo mais fiel
Que a mim me digam: coitado quanta humilhação!
Que seja dito, mas a mim, é como perecer no céu

Mas, o que sinto agora é, por destino, o que mereço
Entretanto, não te iludas, o mundo dá muitas voltas
E quem sabe um dia, todos os sonhos por te sonhados,
Em desespero e em prantos, por te serão procurados?

José João
08/04/2.026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Um amor profano

 Trazia no peito o gosto de um louco amor insano,
Com ele a dor de um adeus que nunca mais se foi,
Uma saudade, dessas que a alma grita em prantos.
Como pode doer tanto a dor de um amor profano!?

Um amor que nem deveria ter um dia acontecido
Tão pecadores, aqueles que a ele se entregaram
Que pecado incoerente de um dia terem amado!!
Agora, no adeus, perceberam o tanto que pecaram

Se foram as juras, os segredos, agora só saudade
De quem, por tanta culpa, nem merece ser lembrado
Nunca é divino, mesmo belo, viver-se um pecado? 

Agora é um adeus, um vazio, um vago lembrar,
Quem, por justa razão, vai primeiro esquecer?
Dá-se a um amar profano, o castigo é... viver.

José João
07/04/2.026

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Os poetas... fingem na hora certa.

 A quanto tempo!! Quantos outonos! Folhas caídas...
A quanto tempo!! Quantas primaveras! Flores nascem,
Se abrem ao mundo, enfeitam e perfumam o tempo
Mas a saudade continua... das horas amenas vividas

Faz tanto tempo! Quantos verões e invernos passados!!
Quantas noites acordado num impossível contar estrelas.
Ouvindo do vento, vindo de longe, com um terno canto!
Trazendo recordações de momentos e com ela o pranto!

Sentado na beira do tempo, a ouvir meu próprio silêncio
Contar histórias de mim e me confessar inocente pecador,
Sentir na alma, o prazer da saudade e a dor de um adeus
Então, inventar orações, gritar heresias sem nenhum pudor

Há quanto tempo! Desde muito me pus a criar fantasias,
Fabricar ilusões com gosto de verdade, num falso fingir
E assim enganar a mim mesmo, como fazem os poetas
Fica tão verdadeiro o fingir por fingirem nas horas certas 

José João
06/04/2.026

domingo, 5 de abril de 2026

Quando o amor chegar

 Quando o amor chegar
Vou me lavar com o orvalho da madrugada
Me perfumar com o perfume do campo
Vestir roupa nova, começar nova jornada

Vou cantar canções, que ainda nem fiz
Cantigas alegres de alegrar corações
Pintar o mundo com tinta de cor verniz
E ouvir o que voz do amor me diz

Quando o amor chegar
Vou recomeçar no sentido norte
Me vestir de primavera
Me vestir de flores e ficar mais forte. 

Quando o amor chegar
Vou me fazer de jardineiro,
De estrelas plantar um canteiro
Para no brilho delas...sentir teu olhar

Mas... quando o amor se for
Vou pintar o tempo cor de saudade
Vou ir sem pressa, indo devagar
Esperando outro abril chegar

José João
05/04/2.026

sábado, 4 de abril de 2026

Ainda existe... apenas não vemos mais

 Agora dizem, antes, a vida tinha pausa e momentos únicos,
Para mim, a vida continua tendo pausas e seus momentos 
Os meus, são os mesmos, não mudaram, ficaram em mim
Ainda sinto a ternura do primeiro beijo, foi num jardim

Ainda vejo a primavera, sempre florida, com novas flores
De cada uma, ainda lembro o sabor doce de seus perfumes
A algazarra dos pássaros no alvor do dia, cantando hinos
A alegria das borboletas e beija-flores, ainda é costume

Nas noites, os vagalumes, como nossas estrelas luminosas, 
Iluminavam, cintilantes, o campo numa orgia de luzes.
O rio, cantando uma canção que ninguém sabia, só ouvia
Lua e estrelas refletidas no rio era outro céu, a gente via

Agora dizem, antes a vida tinha pausa e momentos únicos,
Se tudo isso era uma pausa que vida dava para vivermos
É de lamentar, não mudou, essa pausa ela continua dando 
Nós é que nos perdemos, a tudo isso não estamos olhando

Aí dizem, o tempo fica mais lento, se se vive coisas novas.
Coisas novas, para quê? Não se ama mais como antigamente
Quem ainda sabe dizer: eu te amo, com a alma em risos?
Quem, hoje sabe dizer: que nosso amor viva eternamente?

Aquele lugar, esse lugar que agora chamam de antigamente,
Que bom! Ah! Quem dera pudesse voltar! Lá eu era gente,
Trouxe muito de lá, aprendi que o tempo conta os momentos
E cada momento que se vive, com certeza, é um novo presente.

José João
04/04/2.026

terça-feira, 31 de março de 2026

A doçura de uma saudade

A doçura de uma saudade alegre lhe prateava os olhos
E os lábios, tremendo, balbuciavam um nome querido
Como fosse uma oração a ser rezada em solene contrição,
O momento se fazia de um lugar em que ele havia vivido

Sorria para o horizonte como se nele estivesse guardado
Sua preciosa relíquia que um dia, um triste adeus a levou,
Mas continuava murmurando o nome que a alma santificou,
O brilhar do olhos desenhava a imagem que sempre guardou

Entre sorrir e chorar, entre quase alegre e triste, se perde
Dentro de um pensamento tão forte que sentiu o perfume
Nunca esquecido, sempre ali, como se lhe fosse parte de si,
Inventava orações, cantava hinos, entre risos e queixumes

E assim, corria pelo tempo, entre os anos, meses e dias
Até os detalhes lhes vinham como pedaços de si mesmo
E faziam-se completos como se até eles estivessem vivos
Como se a ele, tivesse o tempo lhes deixado cativos.

José João
31/03/2.026

segunda-feira, 30 de março de 2026

Esse meu jovem rosto de hoje!!

 Meu jovem rosto de hoje, no espelho, sorri lembrando
Que há algum tempo não lhe via as novidades de agora,
Ontem era aceso, riso fácil, inconsequente e muito alegre
Hoje, mais jovem que ontem, e novas marcas chegando

Amanhã, esse rosto, com certeza terá novas expressões
Lábios contornados por sinais do tempo, a seu gosto
Na fronte, os cabelos mais grisalhos, olhos mais caídos,
A testa mais franzida, este será, amanhã, meu novo rosto

Todos os dias meu rosto se renova se fazendo diferente
Não é aquela mesmice de todos os dias ser o mesmo rosto
Tenho a curiosidade de vê-lo amanhã, com novas marcas
Sorrindo por prazer de sorrir, sem saber o que é ser carente

Até a maneira de fazer barba é diferente, é mais cuidadosa,
Os detalhes de agora fazem que os gestos sejam delicados
Nos vemos olhando nossos olhos é uma hora prazerosa
No espelho vemos o jovem rosto de hoje com mais cuidado

José João
30/03/2.026

domingo, 29 de março de 2026

Poesia... uma oração santificada

 ... Se sou poeta, ainda não sei, a poesia é santificada,
Eu sou pecador, profano a poesia com palavras soltas
Nas entrelinhas escrevo ideias perdidas, sem sentido
A poesia é oração, então como orar com palavras rotas?

... Se sou poeta, não sei. Não sei eternizar a poesia,
Apenas escrevo o que sinto, sem bem saber o sentir,
Escrevo prantos e saudades misturadas com alegria
Assim, as vezes finjo. Não sei se o poeta sabe fingir.

Conto minhas dores, dores alheias em versos avulso
Por vezes me perco em rimas que não sei por onde vão
Não raro, chorando prantos e sorrindo, fico confuso
Não sei se assim a poesia está dizendo sim ou  não

Se escrevo sobre flores, não falo da beleza do perfume
Só das pétalas, como se o perfume não tivesse beleza,
Ser poeta e dizer que da flor o perfume é só queixume
Não é bem ser poeta, não é ter na alma a medida certa

Mas vou aprender, dos pássaros, já traduzo o gorjeio,
Já converso com as estrelas no silêncio da madrugada,
Aprendi cantar com a brisa para esconder meus anseios
Mas, pelo menos, sei que a poesia uma oração consagrada

José João
29/03/2.026

Será que é medo de sonhar outra vez?

 Vai-se, e há muito tempo, meu primeiro sonho desperto
Sonho que sonhei bem antes de saber o que era um adeus,
Até hoje lembro, e até me assusto, de ainda estar tão vivo
Não sei se foi o único ou o derradeiro mas sinto ainda perto

Sei, e a mim não nego, que esse sonho me fez diferente
Desde que o tive outro sonho não sonhei, porque, não sei
Mas se chegava de mansinho um motivo de outro sonhar
Lá me vem ele correndo gritando: você não está carente

Mas...  até hoje pergunto, como posso ainda estar sonhando
O mesmo sonho? Como pode se fazer de último o primeiro?
O que não fiz, ou fiz, para o primeiro se fazer de derradeiro?

Sonhos são para serem sonhados, mas só sonhei o primeiro?
Nem mais outro sonho sonhei, ainda que, por favor, pedindo
Será que com medo de sonhar outro sonho... estou fingindo?

José João
29/03/2.026

sábado, 28 de março de 2026

Solidão e saudade juntas

 Dá-me tua mão e vamos por aí caminhar juntos,
Cantando aleluias, contando história e sorrindo
Andando pelo tempo como fosse uma só estrada
E por horizontes coloridos seguir sempre sorrindo

Pintar flores, perfumar o tempo, cantar modinhas
Costurar poesias em pedaços completos de nós
Pular porteiras como crianças alegres e traquinas
E ouvir dos pássaros o canto como fosse ladainhas

E nós, com toda liberdade que só nós sabemos ter,
Deitar na relva olhando estrelas até o amanhecer
Então o orvalhar da aurora se faz precioso véu
Que fará parecer que estamos bem pertinho céu

Assim  se fará o momento de nos dizer quem somos
Eu sou a saudade, indo sem pressa a nenhum lugar
E você? - Eu sou a solidão em busca de companhia
- Saudade e solidão! É o que é preciso para se chorar

José João
228/03/2.026


... E assim Deus criou a mulher


                             Como definir o que vai muito além de apenas ser,
Deus disse: essa é minha criação especial, e ainda:
Dentro de si fará a vida ser mais que apenas nascer
E, com minha luz, fará o mundo também crescer

Vou lhe permitir sapiência, humildade e habilidade
Que lhe seja dado a caminhar ao lado de seu parceiro
Sendo um forte amparo pela sabedoria e bondade
E se fará sua coroa a fazê-lo ver o amor verdadeiro.

Será generosa mas forte, dela farei minha semelhança,
Darei, a meu agrado, o perfume e a beleza de uma flor,
A delicadeza da brisa, uma voz suave que faça sonhar
Ela será, dentre as minhas criações, a de mais valor  

No fazer nascer será a única que entre sorrir e chorar
Fará que a vida seja festa e se fará a mãe que quiser
E entre lágrimas e risos faz de único esse momento
Assim Deus  criou sua melhor semelhança: a mulher .

José João
28/03/2.025

quinta-feira, 26 de março de 2026

Desculpe dona verdade... chamá-la de mentirosa.

 Dou-me, e por muitas vezes, a duvidar da verdade
Por vezes a acho tão tola e mais ainda prepotente
Como se ela fosse a dona do dizer e de todo saber.
Quando me entrego a ouvi-la já sei o que vai dizer

Me deixa, e muita duvida, essa tanta sua vaidade
De fazer-se dona até do que diz a alma silenciosa 
Grita o que pensa que sabe e disso não faz segredo
Discutimos muito, ela tem o dela e eu, o meu enredo

Se choro, ela diz ser de tristeza, o porquê? Eu não sei 
Mas comigo ela se engana muito, essa quase demente.
Quantas vezes choro prantos por uma saudade alegre
Ela vem toda imponente, jurando que sou carente

Rio-me dela muitas vezes, até de coitada a chamo,
Se estou só, ela diz: coitado, que vida tão desditosa!
Ela nem sabe o que penso e o que minha alma sente. 
 Desculpe D.. verdade, chamá-la de mentirosa.

José João
21/04/2.026

terça-feira, 24 de março de 2026

Preencher vazios... ninguém merece.

 
Meus vazios!! Não quero ninguém a preenche-los,
Se alguém a mim vier será em só um seu o espaço
Preencher vazios, quem o merece? É minha a culpa
Então, por justiça, que lhe dê um outro cômodo pedaço

Perdi tempo, perdi saudades e o vazio em mim chegou
Que agora eu me permita de fazê-lo ir-se, desaparecer
Para, no mais confortável de mim, habite quem me queira
Que eu, pleno, sem mágoas, possa me entregar e receber

Se já não quero, sozinho, ir por aí chorando velhas dores
Que me banhe, ainda que seja nas lágrimas que já chorei,
Mas que fique repleto de mim, sem vazios e sem favores

Assim, haverei de ver-me a encontrar espaço na alma
Acolher ternamente, em doce afago, quem em mim chegar
E entregar-me todo, sem nem lembranças para lembrar. 

 José João
24/03/2.026

Essa distância que nos une tanto!

 Te amo... mesmo assim, estando tão distante.
Não tenho o compromisso da pressa de chegar
Te sonho hoje, amanhã, depois, por toda hora
Ah! Essa distância! Que só em te me faz sonhar!

Te amo sem nenhuma pressa, te amo, por te amar
Não corro para te encontrar, visto que já estás aqui
Não tenho hora para ir, nem tu tens hora para vir
Assim, agradeço a distância que só a te me faz sentir

Minha alma está contigo como se estivesses comigo,
Aqui gora. Te sinto como fossemos nós em mim,
É a distância que nos une como fosse nosso abrigo

Te amo, mesmo estando aqui, a ver-te em sonhos
Por ele te envio flores e nelas sinta meu perfume
Que o teu, vem dentro da saudade que a te me une.

José João
24/03/2.026

Quem é você? Um dia me perguntaram.

  Quem é você? Um dia me perguntaram...eu sou...
Não sei... sou tantos, sou um escravo que fugiu
Sou um poeta que em sonhos fez infinitas poesias
Sou quem chora a dor alheia apenas por cortesia

Um pedaço do universo que não sabe de onde veio
Que nasceu homem cheio de infinitas fantasias
Sou o ego que me diz ser rei e diz que nunca errei
Até diz que eu não peco, mesmo rezando heresias.

Sou o que dizem que sou, embora não saiba ser,
Sou o que não sou, mas dizem que sou, eu não sei
Não sei se já fui mendigo pedindo amor por aí
Como castigo pelo tanto ter e não dar... paguei

Quem sou finalmente? O que querem que eu seja?
Me veja como quiser, mas eu sou o que não sei.
Me conheci mais pelo espelho, nele vi minha orelha
Raspei a cabeça para contar os fios de cabelo, falhei.

O que dizem de mim, as vezes, é só invenção, mentira
O que não dizem de mim, isso talvez fosse verdade
Se finjo para não chorar ou se choro para não sorrir
Qualquer que seja a verdade, todos dirão que menti

José João
24/03/2.026

segunda-feira, 23 de março de 2026

Agora vou escrever poesias só com lágrimas

 Não vou mais escrever poesias com palavras,
Elas são tão comuns, vou escrever poesias com lágrimas.
São mais eloquentes, são límpidas, são transparentes,
Parecem pedaços de diamantes lapidados na alma,
Falam mais alto, gritam mais verdades. As palavras...
São tão comuns... se fazem tão poucas. As lágrimas,
Elas não, elas gritam alto... despertam o querer sentir,
E dizem tudo o que a alma gostaria de dizer.
Vou escrever minhas poesias agora só com lágrimas,
Elas parecem flores perfumando o tempo... correndo,
Gritando as coisas que sentem, a poesia fica mais terna.
Até a saudade fica mais bonita se escrita em lágrimas.

José João
23/03/2.026

Te amo... sem te conhecer

 Amar-te é, de mim, fazer-me teu sem que nem saibas
E que importa que não saibas se é o meu amor a doar-se,
Sem nada pedir, seria amar por somente amar, apenas isso
Então te amo e a mm não importa que não saibas disso

Te amo por apenas te amar, se  te conheço? Não importa!
Mas sinto essa vontade na alma e assim me entrego todo
Te faço de sonhos completos, repletos e plenos de nós dois
Embora nem saibas que existo mas, juro, tenho-te a rogo.

Amar por amar, é uma oração que apenas os amantes rezam,
Não esses amantes que, de mãos dadas, dizem: te amo
Mas aqueles que não precisam conhecer e assim se entregam

Sou desses que o tempo se faz de transporte, e sem rumo vai,
Que ama por apenas amar, afinal, amar é o mesmo que viver
Por isso amar pra mim é fácil, te amo, mesmo sem te conhecer

José João
23/03/2.026

sábado, 21 de março de 2026

"A última flor do Lácio, inculta e bela"

Um dia, um poeta, num livre expressar-se, disse:
"A última flor do Lácio, inculta e bela". E a flor!
Se fez forte, se fez altiva e, talvez ... a mais bela,
Do vulgar passou a ser, do saber, uma larga janela 

Caminha pelo mundo brincando de fazer história,
De fazer-se quase sem tradução, tão rica lhe fizeram!
E se faz bouquet de palavras, única nessa condição
Que brinca nos dicionários por não lhe haver tradução

E a flor do Lácio, mesmo inculta mas sonora e bela
É a única que diz ao mundo o sentir de uma verdade
Que no mundo, toda alma sente, mas apenas ela
Tem a palavra única de dizer que isso é... saudade

Agora chegam, da luz da ignorância, pobres parvos,
Que, por natureza, são ignavos e indolentes seres 
Se vestem de trapos literários de uma estupidez gritante
De quem, por doutrinação, que matar uma língua pujante

Que se há de fazer ante tão grande e pesado fardo
Que tanto pesa nos ombros dos verdadeiros literatos?
Estarão em estertores aqueles que tanto nos ensinaram
E que honrosamente esse belo legado a nós deixaram?

Que a última flor do Lácio, inculta e bela, permaneça
Como luz a fazer-se em belas, ternas e doces poesias 
Que os incultos se dobrem à vontade dessa gigante
E que sucumbam os disparates desses tantos ignorantes.

José João
21/04/2.026

De abrir os olhos... ainda há tempo

 Ah! Doce morada essa minha!
Que me abriga dia e noite,
Que me aquece até a alma
E me tira o medo dos açoites

Mas eu, que bem abrigado estou
Habito, cômodo, a casa do Senhor
Alguns, nela, apenas moram
Que pena! Perdidos do amor

Haverá um dia e, disso eu sei.
Que ouvirão ranger de dentes
Gritarão seu Nome a implorar
Aí verão o que é morar e habitar.

De abrir os olhos ainda há tempo
Mas os olhos límpidos da alma
Esses que se fazem de consciência
E se limpam em santas penitências

José João
21/03/2.026

Consola, gritar em versos minha dor

 Mesmo chorando por dores que afligem a alma
Dou-me ainda, a ser dos tristes o menos triste
E ainda enfeito o pranto que choro com sorrisos,
Daqueles que quase não são sorrisos, mas acalma.

Entrego-me, como o menos triste, a fazer sonhos
Pois de mim, me permito ser uma sombra colorida,
Choro minhas dores mesmo a alma gritando aflita
Ou rezando orações inventadas, por tanta desdita

Sinto por quem chora e do pranto não faz voz,
E se entrega a um vazio sem palavras para falar
Que pena! Que dor mais miserável! Dor atroz!

Não é tanto assim minha tortura por ser triste
Mesmo em copioso pranto ainda sei quem sou,
Consola-me, nos versos, gritar essa tanta dor.

José João
21/03/2.026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Meus cinco pontos cardeais

... e se foi, por além mar, rumo a desconhecidos horizontes,
Consigo, levava apenas flores, sonhos e um punhado de amor
Que, desde muito havia guardado na alma, para que um dia...
Talvez, até por milagre, pudesse ancorar-se em perdido porto
Sentir o que depois de tantos prantos, na alma nãos mais sentia

Atravessando mares bravios de turbulentas e desditosas ondas,
Enfrentando ventos fortes num barco a vela que chamou de Vida,
Ia ele enfrentando noites que as ondas não lhe permitiam dormir
Mas sempre, a si mesmo dizendo: não importa... vou conseguir
Rezava, buscava os sonhos como orações nas rotas pretendidas

Há de haver um porto, dizia ele, em que a corrente seja amena
E que meu barco Vida um dia possa ancorar em terra fértil, 
Que minhas flores cresçam, que meus sonhos se façam verdades,
Que esse punhado de amor se faça tanto enfeite a mim e ao tempo,
E se faça caminho a quem um dia como eu vive buscando saudades

A vai ele além mar, num frágil barco a vela que ele chama... Vida
Inventando horizontes se a noite é de chuva ou se faz de mais escura.
Inventou mais um ponto cardeal, para ele são cinco, fica mais fácil,
Como fossem os cinco versos de cada estrofe da poesia que cria
E ainda vai, como navegante antigo, tendo só as estrelas como guia.

José João
20/03/2.026

quinta-feira, 19 de março de 2026

A eternidade do poema e da poesia.

 Como limitar por rimas e métricas o que é infinito?
A mim, não me importam os poemas, mas a poesia.
Um poema é fácil fazer, junte palavras bonitas e você.
Já a poesia! É infinita e bela na sua plenitude de ser

Não sei conferir versos, nem palavras, nem sílabas
Só sei juntar as letras que dizem o que a alma quer.
Que fazem rir ou chorar, com prantos alegres ou tristes
Não sei se são poemas ou poesias quando falam de amar

Meus versos falam de gente, assim os faço, como elas são,
Compridos, pequenos, gordos, magros, só não têm cor
Mas se cor tivessem, com certeza, teriam a cor de lágrimas
Pois todas elas, em qualquer um, tem a mesma cor e sabor

Por isso não me ocupo tanto com rimas, como rimar gente?
Nem também com métrica, como medir o que já foi vivido?
Como seria eterna a poesia de um poema não fosse ele eterno?
Poemas e poesias, um diz as palavras, a outra dá o sentido.

José João
19/03/2.026

Deixei de escrever poesias.

Deixei de escrever poesias, a solidão se afastou de mim,
As saudades, não sei para onde, mas foram embora
As lembranças foram esquecidas, apenas algumas restam,
Mas não valem mais a pena serem lembradas agora

Assim, deixei de escrever  as poesias que a alma sentia
Mas ainda escrevo poemas, pedaços de imagens soltas
Que não despertam mais o pranto, só se fazem versos
Costurados em retalhos de rimas quase perdidas e rotas

As palavras estão por aí, voando ao tempo, sem rumo
Os sentimentos se perderam nos vazios que ficaram
Depois que a solidão se foi como se não fosse preciso
Nem saudades, nem sonhos nunca mais me chegaram

Talvez existam algumas lágrimas escondidas na alma,
Mas tão poucas e menos ainda motivos para chora-las
Assim se foram as poesias, ficaram uns poucos poemas
Cheios dos sofreres da vida, por isso, sem palavras amenas

José João
19/03/2.026

segunda-feira, 16 de março de 2026

Eu! Sei onde quero chegar

Disseste-me que tua alma ao insurgir-se contra a solidão
Da minha faria eterna companheira até se fazerem uma só.
Que o tempo seria um detalhe apenas, a fazer-se estrada
E a vida se tornaria belos sonhos vivos em cada um coração


Ouço-me agora, triste, em rezar alto orações inventadas
Pois que, a mesma solidão que dizias chorando, te afligir
Agora, em mim habita ainda mais doida. Em te acreditei
Até juraste em lágrimas, me vi em teus dias mas... errei

Dou-me a fazer de mim triste poesia muda que nada diz,
Com versos perdidos, palavras soltas, cheia de vazios
A se fazerem depósitos de partes de mim e da alma
Perdida em prantos como se as lágrimas estivessem no cio

Mas não lamento, nem me oponho a agora viver assim
Consola-me saber-te livre a ir sozinha a nenhum lugar
Caminhando entre solidão por caminhos sem horizontes
Eu! Vou indo com meus sonhos mas sabendo onde chegar

José João
16/03/2.026

Minhas compras.


Vou ao mercado mágico, preciso fazer algumas compras,
Comprar alguns metros de esperança, isso é para logo,
Alguns quilos de amor, mas de um amor doce e sublime,
De carinhos e beijos, lágrimas não, nelas eu me afogo

Sonhos! Uns trezentos e sessenta e cinco, por enquanto,
Alegrias! Essas estão em falta, estão bem mais caras,
Vou comprar dois sacos grandes, uso um e guardo o outro
Quem sabe dos amanhãs? Também uma caixa de encantos.

De solidão, embora pareça incoerente, mas ela é preciso
Vou comprar só dez quilos, as vezes ela se faz uma prisão.
Vou comprar também vinte quilos de boas e belas saudades
Como chorar minhas saudades sozinho sem estar em solidão?

Não pode faltar nas minhas coisas, uma bela e nobre ilusão
Vai que a verdade seja dessas muito doídas, que machucam
E que não suporte senti-la, como acalmar o pobre coração?
Cem quilos de ilusão e fantasias, acalmam qualquer aflição

Pronto. Acho que é só isso mesmo. mas como trazer tanto?!
Fácil. Tenho um bornal no peito, um bornal de fundo mágico
Sempre cabe mais, só não cabe o pranto, esse escorre sempre.
Agora a despensa da alma está completa, mas por enquanto!

José João
16/03/2.026

domingo, 15 de março de 2026

O que é a poesia? Será que ela é ...

 Um dia me perguntaram o que era uma poesia... e eu...
Foi aí que percebi que não sei o que é uma poesia!
É uma sensação estranha, as vezes se chora sorrindo
Uma dor que é dor mas não dói tanto e não é fantasia.

Outras vezes se chora uma dor que parece não ser dor
O coração bate mais forte, a alma também parece chorar
Mas a poesia diz que não é dor e se faz de palavras soltas
Como se apenas estivesse perdida entre ser, não ser e estar

As vezes é alegria que se sente e a vontade é de chorar,
Aí a poesia não se faz nem alegre e nem triste, só poesia
Sem falar nem de risos nem de lágrimas, só uma história
Que nem se sabe se se conta em versos, prosa ou é só falar

As vezes uma tristeza, dessas que é alegre, não sei como!
Por isso não sei o que seja uma poesia, se é o que se sente,
Se é o que se imagina e diz que sente sem nunca sentir
Se é aquela verdade que você jura mas é só um fingir.

Ora! Vejam! Dizem que poesia é aquilo que a alma sente,
A alma do poeta!? Mas eu acho que as vezes o poeta mente.
Mas o que é poesia se o que o poeta escreve não é poesia?
A poesia é de quem lê, até chora na poesia do poeta ausente

Não sei o que é poesia, se é uma doce e santificada mentira.
Se é uma verdade dita escondida em uma mentira fingida
Se a poesia está na alma de quem por apenas querer, escreveu
Ou se a poesia está dentro da alma de quem chorando... leu?

José João
15/03/2.026

Lágrimas e prantos... choram dores diferentes.

 Minhas lágrimas! Não sei se são a voz do pranto,
Ou quem sabe, a voz eloquente da alma chorando.
Só sei que no rosto, se fazem caminhos brilhantes
Inundando as marcas que, do tempo, são vigilantes

Caem dos olhos, inundam o rosto, chegam aos lábios,
Mudos, por falta de voz, das lágrimas fazem palavras
E num quase sorrir murmura uma prece desconhecida
Como se o pranto lhe fosse um sopro que lhe dá vida.

As lágrimas se fazem letras, o pranto se faz em verso
Se juntam num só sentir, num só chorar, chega a poesia,
Se a dor é pouca se faz de oração, se muita se faz heresia

Alma, lágrima e pranto se mãos tivessem estariam dadas
A alma chora em lágrimas quando a dor é dor de saudade
Mas é com o pranto que chora um adeus, dor de verdade.

José João
15/03/2.026

quinta-feira, 12 de março de 2026

Meu rio de prantos!!

 Ah! Meu rio de prantos! Que vai entre margens coloridas,
Pintadas de flores e saudades, de sonhos e douradas fantasias,
Que me leva a devaneios de ver paisagens que são só minhas
E me despertam para caminhar como se fosse divina romaria

Meu rio de prantos! Vai lento como se o tempo fosse um mar
As vezes com ondas ternas, cálidas, outras tempestuoso e bravo
Aí o rio de pranto se alvora, se faz turbulento, até a alma grita
Reza orações desconhecidas, heresias e fica assim, tão aflita

Meu rio de prantos, vai, corre pelos leitos áridos da solidão,
Segue por entre margens com pedras de tristezas, sempre indo
Pranto e lágrimas se misturam, choram dores de um só coração

Vão, sob horizontes coloridos, em profundos veios até o mar
Chegam, abraçam-se com lágrimas que há muito tempo chorei
O mar e meu rio de prantos juntam as lágrimas em um só chorar.

José João
12/003/2.026   

quinta-feira, 5 de março de 2026

Deus te fez luz... ILUMINA

   
   Um dia, creia, será a luz das tuas orações que brilharão,
O bem que aqui fizeste, que brilhará para que sejas visto.
Foste feito luz, então ilumina para que um dia possas brilhar
Não esse brilho bobo dos homens. Esse, não levam a Cristo

Ouve bem. Não te deixes levar por palavras ditas sem fé,
Segue os ensinamentos deixados pelo Senhor nosso Deus. 
Foi Ele quem te fez luz, Foi Ele quem te fez um dia nascer
Talvez seja difícil, talvez custe, mas tenta, a Ele obedecer

Não te preocupes com risos de escarnio, risos de ironia,
Deixa que o façam e pede por esses coitados em tuas orações
Um dia, todos a tremer, se ajoelharão e o medo lhes tomará
Não temas, brilharão como estrelas, tuas orações e boas ações

Entre uma multidão aflita tu serás visto, pecados perdoados...
Mas começa agora, ainda há tempo, pede a Deus sabedoria
Ele te dará mais do que imaginas, aprende a tê-lo contigo
Muitos gritam seu nome, poucos os que Lhe fazem de abrigo.

José João
05/03/2.026