quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Que o pranto escreva a poesia

Ao longe, notas musicais, como fossem lágrimas
Dançam com a brisa e se fazem apenas melancolia
E vão, as duas  juntas, abraçadas, contando histórias
Como fossem ladainhas, mas são só pecados e heresias

E a poesia, distante e fria, ouve os acordes tão tristes
Que se recusa ser poesia... pede que os olhos escrevam,
Mesmo vazios e distantes, escrevam com o próprio pranto
Até saudades que já foram belas, agora sem nenhum encanto

As palavras envelheceram, como velhos e perdidos trapos
Os versos ficaram angustiados como se  tivessem vida. 
As rimas!! Essas se fizeram cicatrizes na alma perdida

Assim ficaram, alma, saudade e tristeza, na mesma poesia
Que mais parecia um cantar solto indo a lugar nenhum
Um canto sussurrado, reticente... sem nenhuma harmonia

José João
09/08/2.023

O sorriso e o pranto

De repente, de um sorriso nasceu o pranto
Os olhos brilharam sem nenhum encanto,
Os lábios, que antes alegres cantavam eu amo,
Calaram, Não havia mais motivos para o canto

O pranto, a quem o sorriso não permitia falar,
Gritou um grito estridente de dentro da alma,
Um grito que saiu dos olhos e foi  ao tempo,
Livre, solto, sem cancelas, levado pelo vento

E o sorriso, cabisbaixo, talvez até por vergonha,
Aos lábios, que se contorciam, pediu desculpas
Alegando até não ter sido dele, essa toda culpa

E as mãos!!! Que se contorciam frenéticas
Se levantavam ao alto, clamando em direção do céu
Que o grito do pranto lá não chegasse, ficasse ao léu.

José João
09/08/2.023

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Finalmente entendi o que é chorar.

Engraçado! Até ontem achava que chorar era tão ridículo!
Que lágrimas ou prantos fossem apenas uma encenação,
Que chorar era tão... sem sentido! O que poderia ser chorar?
Um fingir? Um apenas enfeitar os olhos? Fazê-los brilhar?

Porque chorar? Pra mim não havia respostas! Tão sem razão!
Os dias passam como sempre, a noite, como sempre, vem,
As pessoas são as mesmas, é o mesmo céu de todos os dias,
Nada disso faz chorar, talvez, seja da alma, uma fantasia

Um dia, sem que esperasse, dessas coisas que acontecem
Alguém me olhou nos olhos, tão ternamente que tremi
O tempo não apagou esse olhar e nunca mais o esqueci

Nunca mais também o vi, parece apenas querer mostrar,
Me fazer sentir que a beleza doce de uma saudade existe!
Foi quando entendi a ternura das lágrimas num chorar.

José João
04/08/2.023

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Outra forma de continuar amando

Quantas tardes encharcadas por tantas lágrimas
Disfarçadas com risos falsos, sem cor e fingidos
Quantos por do sol embaçados por tristes prantos
E mesmo lindas, as tardes já não tinham encantos

Quantas rastros ficaram deitados na areia da praia!
Em idas ou vindas com as marcas no chão perdidas
Rumos indecisos na direção de nenhum horizonte
E as lágrimas, encharcando a tarde por dores sentidas

Quantos sonhos perdidos! Feitos de ilusões vazias!
Quantos soluços ouvi da alma como orações rezadas
Que se perdiam no tempo sem levar ou trazer nada!

E lá longe, o sol se deitando sonolento sobre do mar
Com um olhar preguiçoso... num quase dormir
Diz baixinho: Isso é saudade, é outra maneira de amar.

José João
28/07/2.023


quinta-feira, 27 de julho de 2023

... e ainda não creem em Deus!!!!

 Meus olhos se deslumbram por tanto encantamento,
Como posso, apenas com palavras, falar desse encanto
Se meu olhar se extasia com essa tanta beleza divina?
Só me resta desenhar esse momento com meu pranto

Afinal, ele a voz da minha alma, e assim conto o belo
Um infinito pedaço do céu que traz saudades distantes
Que busca lembranças vividas e ainda não esquecidas
E traz uma emoção única, ainda em mim desconhecida

Caminho, lentamente, como se ali pudesse tocar o céu
Beijar aquele horizonte divino que me convida a sonhar,
Dentro de mim, sinto a sensação de uma vida plena
Como se aquele momento estivesse me ensinando amar

Minha sombra se deita atrás de mim, se alonga toda
Como se quisesse ficar do tamanho daquele instante
Como quisesse fazer parte do infinito que está bem ali
Parece, tão perto, ao alcance das mãos, ah se fosse assim!!

Caminharia sobre o caminho que o sol desenha na água
E, sempre indo, chegaria até o infinito do meu pensamento
Lá onde está o sol e, com a voz da alma, a ele perguntaria:
Como Deus cria o belo e o deixa a todos? O homem venderia.

José João
23/07/2.023

Um amor sem ornamentos

Meu amor é simples, apenas o amor, sem ornamento
Daqueles que enfeitam, gritam e não dizem mais nada,
Meu amor é como fosse uma criança, riso cativante
E quando sente uma dor, senta no tempo e chora calada

Meu amor é como se fosse um pássaro voando solto
Dentro da alma, gorjeando cantos cheios de desejos,
Se parece com uma borboleta indo doce na brisa.
É um amor ingênuo, desses que até um beijo diviniza 

Sem adereços... alinhavo meu amor no pensamento
Vou com ele dentro de mim cantarolando modinhas
Por não ter tantos enfeites, até acham que não existe

Esse amor que sinto conta o tempo como fosse estrelas
Faz, de cada dia, uma poesia nova, alegre e completa
Um amor tão amor que faz até a tristeza não ser triste.

José João
                                                                        27/07/2.023

As cores que pintam minha poesia

 Não pintem meus versos, nem de branco, nem de preto
Meus versos tem todas as cores que pintam uma poesia
Cor da saudade, cor dos prantos, cor da própria alegria
Cor da solidão, com essas cores pinto verdades e fantasias

As cores da poesia não são vistas pelos olhos, impossível
Alguém viu a cor da saudade? Só se vê com o coração.
Alguém viu a cor da alegria? Mas todos a acham colorida
Perdoar tem uma cor divina, alguém já viu a cor do perdão?

Se não soubesse pintar meus versos com cores invisíveis,
Vistas apenas com a alma, juro, eu os faria transparentes
Sem palavras, apenas com a magia do perfume da poesia.
Como fossem belas flores perfumadas, doces e irreverentes

Nunca pintem meus versos, nem de preto nem de branco
Pintem com a cor de sua alma, a poesia é inocente, não é vilã
Imagine-se colorindo de natureza os versos que você lê! 
Sentado na porta do tempo lendo poesias cor do flamboyant.

José João
27/07/2.023

sábado, 22 de julho de 2023

Não me convidem mais...

Não me convidem mais pra falar de poesia
Se forem feitas de palavras vãs, sem encanto,
Com versos rasgados e em gírias gritados
Versos secos, áridos, sem rimas e sem pranto

Não me convidem mais pra falar de poesia
Se em nenhum verso se falar de saudade
Se negar Deus como se Ele, Deus não fosse.
De tentar excluir de minha alma essa verdade


Não me convidem mais pra falar de poesia
Se não houver lágrimas nos versos declamados,
Se não houver histórias de sonhos perdidos
Se não houver sorrisos, mesmo sendo fingidos

Não me convidem mais pra falar de poesia
Se deixam num canto, atirada, a pobre tristeza
Se deixam a solidão cantando sozinha sua dor
Se não falam da plenitude do que seja o amor

Não me convidem mais pra falar de poesia
Com versos alinhavados em palavras rotas
Com a beleza da poesia perdida no silêncio
E a estrofe chorando por tantas palavras soltas

José João
21/07/2.023

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Plantei flores no deserto de mim

Plantava muitas flores no deserto de mim
Mas o tempo faziam-nas, tristes, murchar
A aridez de mim mesmo era meu deserto
Sem se quer uma sombra para descansar

Um dia, não sei porque, lembrei um olhar
Que a muito se havia perdido no tempo
Mas... uma angustia, um não sei o quê
Tomou conta de mim e... me fez chorar

Plantei outra vez flores no deserto de mim
E, com surpresa, vi que ficaram belas, cálidas,
Flores luzidias com fossem límpidas lágrimas

Nunca mais murcharam no deserto de mim
Fiz dele um pedaço feito de doce encanto
Pois as flores... agora as rego com meu pranto.

José João
21/07/2.023

domingo, 16 de julho de 2023

Como não invejar um poeta??!!

Não! Não sou tão puro assim, sou cheio de pecados.
Por exemplo, a inveja. Sou invejoso sim, e muito.
Não sei como podem ter nos versos a métrica correta
E em tão poucas linhas falar de uma vida completa!

Como podem criar flores com letras deitadas no papel?
Parar estrelas cadentes, fazer um pedido e deixa-las ir
Fazendo-as perder o rumo, ir ter com outras estrelas
Porque se virou para olhar se o poeta ainda estava ali?

Deles sinto inveja! Emprestam lágrimas para a chuva
Desenham a saudade no tempo e ainda lhe dão perfume!!
Costuram seus versos na aba do vento e lá vai sua poesia!
Isso aos poetas é tão comum, tanto que já lhe é um costume

Brincam de fingir, tão perfeito, que fingem o que não sentem
Alinhavam sorrisos no pensamento, isso para cada momento
Se choram, vão buscsar sorrisos alegres, lá onde os guardou
Põem as lágrimas nos olhos, o sorriso nos lábios, um finge-dor

O poeta faz poesias mudas, dessas que só os olhos declamam
Brinca de brincar com a noite para, memso acordado, sonhar
E se chegam saudades e tristezas juntas sem escolha do sentir
Com cada olhar chora uma, para as duas, prazeroso, agradar

Assim penso os poetas! Escultores mágicos, pintores de versos 
Escrevem com o lapís e esculpem o que vem da alma com cizel
Na proporção mais sublime, na plenitude da criação mais completa!
Como então, estar vivo, amar, sonhar e não invejar o poeta?

José João
16/07/2.023

segunda-feira, 10 de julho de 2023

O que escrevo... muito pouco tem a ver comigo.

O que escrevo... escrevo!!!? Muito pouco tem a ver comigo
Na verdade, apenas conto o que minha alma manda dizer,
O que sussurra sem que ninguém ouça, o que só ela sente
A mim, cabe apenas tomar o lápis e, simplesmente, escrever

Nem escolher palavras ela não me permite, posso apenas,
Se ela achar devido, com algumas lágrimas molhar os versos
Escolhidas por ela, não é com qualquer lágrima que choro
As vezes chorar com minhas próprias lágrimas eu imploro

Mas ela pergunta: quem sente as dores, angustias e saudades?
Quem sabe com que pranto chorar cada adeus um dia dito?
Caberia em teu pobre peito soluços sufocantes por tão aflitos?

O que escrevo... escrevo!!!? Muito pouco tem a ver comigo
Apenas me sento no tempo escutando o que a alma me fala
E ela diz: que seria de mim se não pudesse chorar contigo?

José João
10/07/2.023

domingo, 9 de julho de 2023

Como rimar... eu, comigo mesmo?


Hoje, sem nada para sonhar, vou brincar de fazer rimas,
Vou rimar tristezas com sorrisos, solidão com alegria
Fazer rimas incoerentes, rimar até versos incompletos
Rimar um olhar que nada vê com a imensidão do deserto

Fazer rima com a saudade, dessas que se chora ao sentir,
Com a mais livre expressão da alma, a beleza de um pranto
Fazer os olhos gritarem, luzidios, luminosos num chorar
Rimando com o mais divino canto de um coração a pulsar

Rimar primavera, flores e lágrimas com silêncio e solidão
Fazer rimas completas no fim dos versos que ainda não fiz
Tentar fazer outras rimas da vida com se fosse um aprendiz

Inventar rimas novas, dessas rimas que nenhum poeta fez
Escrevo no tempo palavras ditas ao vento, indo a esmo
Tentando e ainda não consegui, rimar eu... comigo mesmo

José João
09/07/2.023

quinta-feira, 6 de julho de 2023

As poesias que "escrevo"

Ouço, com a alma, o sussurrar choroso de cada palavra
Que se deita nos versos que escrevo, fortes e silenciosas, 
As vezes se fazem perdidas ao tomarem outro sentido
Mas sempre se mostram ao tempo, ternas e dadivosas

Quase sempre cada palavra é uma lágrima que choro
Por outras, são pedaços incompletos de sorrisos alegres
Completos mesmo são só os sorrisos tristes, são tantos
Que, por vezes, os versos se tornam copiosos prantos

As rimas são diversas, muitas sem nenhum encanto,
Rimo saudade com solidão, rimo silêncio com tristeza
As vezes falo verdades fingidas jurando serem certeza

Mas, nos versos que me chegam, e não sei de onde vêm
Talvez de dentro de mim escondidos num canto da alma
Contam vidas que talvez agora sejam poesias no além.

José João
06/07/2.023


As vezes o tempo é injusto

 Dentro do silêncio que toma conta de onde estou
Cai, com estardalhaço, um pedaço de tempo...
O silêncio se espanta, corre entre as tristezas
E um vazio se faz denso, cheio de incertezas

A alma acorda alvoroçada perguntando o que foi
O pedaço de tempo caído chega cheio de saudades
A solidão, escondida no nada, lenta e sutilmente
Começa a se aproximar, com um vazio diferente

Ao longe, o silêncio, coitado, ainda pálido pelo susto
Se esgueira entre alguns sonhos velhos e caducos
Murmurando trêmulo que aquilo lhe foi muito injusto

E se pergunta, como o tempo pode me tratar assim?
Eu, que deixo todos a vontade no seu próprio pensar?
Que permito à alma, no próprio tempo, dormir e sonhar?

José João
06/07/2.023

sábado, 1 de julho de 2023

O que o tempo leva mesmo de nós?

O tempo vai passado, sem marcas, sem paradas
Vai, mas nada leva da gente, ficam dores, saudades
Ficam as lembranças, todas, até as mais doloridas
Até os menores detalhes se fazem duras verdades

As angustias, as lágrimas se escondem a gosto
Ficaram onde estavam, escondidas dentro da alma
Se fazem presentes, chegam quando menos se espera
Afinal, o tempo passa apenas no corpo e no rosto

O tempo nos deixa os passos lentos, arrastados, trôpegos,
Nos deixa a voz pausada, reticente, quase sussurrante,
Deixa os cabelos brancos, olhares turvos e distantes

Enfim, o tempo leva apenas o arroubo da juventude
Mas nunca leva as saudades, essas ficam guardadas
E, no menor pensar, lá estão elas em nós acordadas.

José João
01/07/2.023

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Minhas loucuras... embelezar o belo!!!

 Escrevi notas musicais e as calquei nas nuvens
Queria deixa-las divinas, únicas, para o anjos
Mas o vento as roubou de mim e se foi ao tempo
Depois as ouvi numa fonte, a cachoeira e o vento

Esculpi flores, pintei jardins, gorjeei com pássaros
Brinquei de desenhar a solidão com longos cabelos
Maquiei a saudade, lhe pus longos e belos cílios
Para as lágrimas ficarem transparentes como lírios

Até ao pranto dei nova forma, lhe fiz como uma fonte
Em que a água brilha cristalina, correndo lentamente
Como se não tivesse pressa, como se fosse sem ir
Brincado de cantar, de bailar, de sonhar e de sorrir

Depois juntei tudo em uma poesia com versos rimados
Cheios de mim, cheios da inocência da poesia pura
Me fiz parte da primavera, me vesti todo de natureza
E cantei ao mundo o que achava ser, dele, a beleza.

José João
235/05/2.023

domingo, 25 de junho de 2023

Minhas verdades e mentiras são... verdadeiras... juro.

Rio, às gargalhadas de uma alegria triste, triste!!
E das tristezas alegres, dessas rio despudoramente
Aí me perguntam quem sou, rsrs quem sou!!?
Um pedaço de mim é poeta, outro pedaço é gente.

Invento ladainhas que nunca nem foram oração
Conto histórias fingidas que podem ser verdadeiras
E minhas mentiras! Verdadeiras verdades que minto
Prantos e dor... esses, sempre finjo que não sinto

Gosto de rir do tempo, da vida, até mesmo de mim
Aprendi a ser o que sou, um pedaço da poesia completa,
Um pedaço da poesia que ainda não fiz, ainda sem versos
Me faço até, tanto da mentira quanta da verdade, o inverso

Sou a alegria esfuziante da primavera que ainda não veio
Sou o cantar alegre de um pássaro que voa livre ao tempo
Sou a canção que a cachoeira canta num tom maior
Sou quem canta em dueto, em qualquer nota, com o vento

Sou a maior mentira, juro, que ninguém nunca escreveu
Sou uma verdade tão verdadeira que nunca ninguém viu
Sou um pedaço do tempo cheio de histórias esquecidas
Sou quem declama poemas fingidos que nunca ninguém ouviu

José João
25/06/2.023

Como é difícil...

Como é difícil caminhar num caminho sozinho.
Como é difícil caminhar num caminho
Como é difícil um caminhar sozinho
Como é difícil... ser sozinho.
Como é triste caminhar um caminho sozinho
Como é triste caminhar num caminho
Como é triste caminhar sozinho
Como é triste... ser sozinho
Como dói caminhar um caminho sozinho
Como dói caminhar num caminho
Como dói um caminhar sozinho
Somo dói ...ser sozinho
Como é difícil viver a vida sozinho
Como é difícil viver a vida
Como é difícil viver
Como é difícil ... ser sozinho
Viver sozinho... é o mesmo que não viver
Viver sozinho... é o mesmo que morrer
É estar vivo... sem saber o que é viver.
Como é difícil... ser sozinho.

José João
25/06/2.023


Hoje... um poeta sem poesia.

Hoje não tem poesia, não tive tempo pra elas.
Tive que catalogar as saudades... são tantas!!
Conferir as lágrimas que ainda não chorei,
As que já chorei, não sei, nem lembro quantas.

Tive que pensar uma outra roupa para solidão,
Alguma coisa que não a faça tão fria, tão sombria,
Nem sempre ela é assim, às vezes ela é amiga
Nos ouve calada, até mesmo com uma sutil alegria

Ainda tem as tristezas, e  elas não são poucas,
Estão atiradas no tempo, tenho que junta-las,
Pelos momentos, dar um nome a cada uma delas
Cada tristeza, cada momento. Como lembra-las?

E os sorrisos!  Alegres e tristes, juntos num canto
É uma algazarra! São gritos e gemidos misturados
Os sorrisos alegres gritam em desmedida euforia
Os sorrisos tristes, coitados, se fazem de gemidos

Ainda tenho que encontrar um pranto que esqueci,
Se recusou chorar uma tristeza que achou pequena
Disse que merecia uma tristeza, das que doem na alma
Tive, com um outro pranto, fingir que era uma dor amena

Hoje, não tenho tempo para poesia, nem saberia começar!
Ainda tenho que cerzir alguns pensamentos que estão rotos,
Estão perdidos entre os ontens, o hoje e alguns amanhãs,
Tenho que buscar esses pedaços de vida, não posso deixa-los soltos...

José João
25/06/2.023

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Só o tempo ensina a ouvir com o coração.

 Hoje sou apenas minha sombra, olhos cansados,
Ombros curvos, voz reticente, passos trôpegos
Vagando no tempo levando as tantas recordações
De momentos que guardo como fossem orações

As vezes rio com sorrisos cansados e até caducos,
Sorrisos que havia esquecido de sorrir... coitados,
Ficaram velhos, cabelos brancos como os meus,
Até lágrimas antigas de momentos nunca chorados

Se perderam dentro do tempo, ficaram esquecidas,
Hoje, velhas, já não sabem o caminho dos olhos
Se escondem num cantinho da alma e lá ficam
Tristes e por um motivo para chorar... mendigam.

O canto dos pássaros perdeu a nitidez, a beleza,
As flores me parecem sem perfume, talvez a idade
Até a primavera não é a mesma, parece mais triste
Talvez porque  o belo eu via com olhos da saudade

Mas não reclamo, a vida é feita pelos tantos momentos,
E tem-se que louvar o que nos faz o passar do tempo
Aprende-se a escutar o silêncio, a ouvir pelo coração
E aquilo que dói se aprende a mandar embora, até a ilusão.

José João
22/06/2.023

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Poesia, saudade, solidão e pranto

 Vem, conversa comigo. Se queres choro contigo.
Te faço que seja uma oração cada lágrima que choras
De que vale teu silêncio? Como calar poderias?
Deixa que te console, deita em meu colo, eu sou a Poesia

Se vais contar ao mundo a dor que a poesia recita
Como farás sem mim? Que farás sem minha verdade?
Sou eu quem te trás do  tempo até os detalhes vividos
Não podes falar da tua vida sem mim, eu... a Saudade

Está bem, já que estão juntas a saudade e a poesia
Não estaria tua história completa sem mim, Não e não
Se queres que a poesia te recite versos feitos de vida
Tenho que estar presente, sou a tua amiga Solidão

Sendo assim, também me proponho estar nos versos
Eu, que me faço fonte a correr nos olhos como encanto
Sou quem dá brilho no olhar vazio que busca o horizonte
Como falar em poesia, solidão e saudade, sem mim? O Pranto!!

José João
18/06/2.023


segunda-feira, 12 de junho de 2023

Eu e a folha branca de papel

Uma folha de papel, branca, de um branco divino
Se deita em minha frente, entre dadivosa e carente,
Como, se ansiosa, esperasse que lhe beijasse a  face
Com doçura, como fazem os amantes... ternamente

Mas como, macular tão precioso e inocente rosto
Sem causar nenhum dano, deixa-la mais pura ainda?
Ah! Se eu fosse um poeta! Desses que brincam de pecar!!
Desses que parecem anjos, acomodam o céu dentro do mar.

Ah! Eu fosse um poeta assim!! Na inocente folha branca
Escreveria um poema com o doce perfume de um lírio,
Com a beleza inocente da mais pura de todas as saudades,
Um poema etéreo, sem tempo, sem corpo e sem idade

Mas sou apenas um escrevedor de versos parido ao tempo
Desses, que os versos saem tortos, sem a métrica completa
Não teria a ousadia de macular tão inocente dádiva divina
Portanto, que essa folha seja beijada por verdadeiros poetas.

José João
12/06/2.023

VOLTE AMANHÃ

 
- Quem é? 
- Sou eu. Sua vizinha da direita.
- O que você quer? Estou ocupado.  
- Queria pedir uma coisa.
- O que você quer pedir? - 
- Queria lhe pedir uma poesia.
- Estou ocupado. Não tenho tempo de escrever poesias
  Aliás, muito ocupado. Estou arrumando minha gaveta,
  Está uma desordem.
- Posso arrumar para você enquanto faz minha poesia.
- kkkkkkkkkkk(gargalhada irônica) você? !!
 arrumar minha gaveta! kkkkkkk
- Eu, já não consigo! Eu que sei onde coloco tudo.
  Aqui, nesse canto da gaveta estavam meus versos,
  Inacabados, mas estavam aqui. Nesse lado, juro,
  Estavam as saudades, dede as antigas até as de ontem.
  Aqui, no meio, estavam as lágrimas, antigas, novas,
  Inclusive tinha umas de ontem que ainda iria chorar.
  Tinham rimas de amor, de solidão, de lágrimas.
  Onde estão minhas coisas?!! Minhas estrelas cadentes!?
  Onde estão? As flores!! Orquídeas, jasmins, lírios ...
  Mas ninguém abre essa gaveta! Só eu. SÓ EU!
- Sr. poeta! O Sr, ainda está aí?
- Claro que estou! E você ainda não foi embora?
- Estou esperando minha poesia.
- NÃO VOU ESCREVER POESIA! JÁ DISSE.
  Ontem que tinha lágrimas na minha gaveta,
  Saudades, tristezas, rimas soltas, flores, lírios, orquídeas
  Momentos de solidão! Tudo isso estava aqui guardado
 Você não veio aqui pedir poesia... agora que tudo se foi,
 Acho até que se foram nas tantas poesias que já escrevi,
 Você vem me pedir poesia!! Volte amanhã, quem sabe
 Esta noite minha alma me traga algumas dessas ...
Necessidades de um... poeta.

José João
07/06/2.023

Como ave de arribação

Há uma tristeza nos olhos e o olhar se perde ao longe,
Talvez, nem sei, mas acho que é de chorar que preciso.
Pergunto à alma porque tanta dor... mas ela não responde
Calo, pensamento perdido no nada, como pássaro indeciso

Que se perdeu do ninho, canta triste por não saber voltar
Perdeu a rota, sumiram as flores que povoavam o caminho
Tristonho, olhando sem nada ver, não se permite mais voar
Então, canta o gorjeio mais doído por estar assim tão sozinho

No céu azul, nuvens como algodão, se vão brincando ao vento
Que sussurra uma canção como fosse um lamentoso pranto
E o pássaro, com lágrimas nos olhos, faz dueto com seu canto

Que mais resta a quem perdeu a rota e caminha sem horizonte?
A quem o pranto lhe toma a voz e o mundo se faz plena solidão?
A quem restou só lágrimas e os sorrisos se fizeram aves de arribação?

José João
12/06/2.022


quinta-feira, 8 de junho de 2023

Ontem, hoje e amanhã.

Comecei essa poesia ontem, parei aos prantos,
Fiz um verso com lágrimas outro fiz com cantos
Aí parei... chorei... cantei... chorei... então parei
De chorar? Não. De escrever o que já não sei

Hoje recomecei, até que o pranto veio mais leve
Chorei uma lágrima aqui, outra ali, depois o pranto
Não cantei, apenas sonhei que chorava loucamente
Acordei, já é quase amanhã. Que triste desencanto!!

Quase amanhã??!! A ele vou me entregar todo e tanto
Que se lágrimas me vierem aos olhos como farta fonte
Não vou parar, vou deixar cair meu prazeroso pranto

Depois, por tanto chorar, vou me ater a um doce encanto
Vou parar, descansar, e depois de amanhã, já repousado
Vou fabricar lágrimas, inventar fontes e chorar meu pranto.

José João
07/06/2.023

As vezes o sorriso é um pranto

Quem disse que se chora apenas e sempre por tristeza?
Ou que sorrir seria sempre por alegria? Quem disse?
As vezes choro por uma alegria que não sei de onde vem
Outras, sorrio por uma tristeza que em mim não se contém

As vezes se chora por  uma tristeza que nem é tristeza
É uma saudade, dessas saudades tão gostosas de sentir
Que chegam com risos, com lágrimas, em terna euforia
Apenas risos, ou apenas lágrimas para tanto não bastaria

Quando é de se chorar apenas e somente por tristeza
Dessas que doem, que secam as lágrimas, mas ficam
Paro, descanso e choro outra vez, isso com certeza.

É que para a tristeza, os risos e as lágrimas são iguais
Rir por estar triste ou sorrir com lágrimas nos olhos
O que é mais triste ainda, mas... são coisas tão naturais!

José João
07/06/2.023

terça-feira, 6 de junho de 2023

Sentir... ou a doce arte de fingir?

 Ah! Não fosse a poesia... o que seria de mim?
Com ela, desde muito, aprendi a adoçar a tristeza,
Aprendi a matar a sede da alma com lágrimas
Aprendi a viver com a solidão as tantas incertezas.

A vida é cheia delas, os amanhãs cheios de dúvidas
As vezes são como se fossem lindas primaveras
Outras parecem outono com folhas no chão caídas
Outras são como inverno chorando lágrimas perdidas

Ah! Não fosse a poesia! Como fingir uma alegria?
Essa em que o gargalhar não passa de uma lágrima
Que cai dos olhos enquanto ele triste e mudo sorri

Essas minhas loucas poesias que me ensinam mentir
Mentir contando as verdades que a alma diz sentir
Entre risos e lágrimas na doce arte de saber fingir

José João
06/06/2.023

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Hoje não tem poesia.

Parecia loucura! As poesias indo, correndo de mim
Como se eu as tivesse ofendido, não as quisesse comigo.
Se foram, olhando para trás como se tivessem medo 
Fiquei parado, não as segui... fico eu com meu segredo.

Não sei porque hoje as tantas poesias se fizeram assim!!
Distantes, arredias, fugindo de entre meus pensamentos 
Indo ao vento, sem nem ao menos se fazerem rascunhos
Não quiseram e não sei porque contarem meus momentos

Há de haver uma razão! Mas qual? Juro que ainda não sei
Tinha ao meu dispor, o lápis, o papel e algumas lágrimas
Tinha até algumas saudade que por elas ainda não chorei

Mas se foram, me abandonaram, ficaram perdidas no dia
E eu!! Juntei palavras, versos, alguns até mesmo inacabados, 
Guardei-os numa gaveta mágica e... hoje, não tem poesia.

José João
05/06/2.023


sábado, 3 de junho de 2023

Apenas uma noite. Noite!!??

O lápis caído sobre a mesa... como se estivesse cansado,
O papel em branco, deitado inerte, esperando um carinho
Que o lápis como se dormindo preguiçoso nega-se a fazer
E o poeta, perdido dentro de si mesmo, nada sabe escrever

Busca histórias, olhando triste, a luz trêmula do candeeiro, 
Lá fora, a chuva sobre a palha, parece cantar uma canção
Não se sabe se de saudade, mas parecem lágrimas perdidas
E o poeta aguçando a alma... jura que isso é coisa da solidão

A noite, a chuva, uma casa de palha, um candeeiro, silêncio,
Dentro da casa ouve-se apenas um som: um coração chorando.
O poeta desperta. Alma, lápis e papel parece que estão cantando

Sem pontos, sem acentos, sem métricas, vem chegando a poesia
Se deita confortável na folha de papel, como fosse uma oração.
Ao poeta, parece que é tão simples... escrever com o coração.

José João
03/06/2.023