quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Coisas do pôr do sol

 O sol, em confidência para o mar, escrevia em linhas retas,
Com uma tinta prateada, desde o horizonte até a areia,
O mar sussurrando um canto, deixa suas águas bailando
Como se fosse música o que o sol, ao mar, estava falando

O prateado da água mais parecia um caminho, uma estrada
Que juntava passos impossíveis, pensamentos perdidos,
Sonhos que nunca foram sonhados, até vontade de voar
E assim o pensamento, com infinitas asas, ia até além mar

Perdido por tanto espaço, não sabia que saudade buscar
Os olhos, coitados, se perdiam no horizonte do tempo
Sem saber se era hora de lágrimas de risos ou de pranto

Mas sabia que era hora de, entre tantas lembranças, chorar
Mas não com qualquer um chorar, o momento era divino
O pranto, para os olhos, é oração, é o mais sublime canto

José João
16/10/2.024 

O Ipê, o flamboyant e ...

 Queria escrever uma poesia diferente, com gosto de gente
Sentei na raiz de um flamboyant que conversava com o Ipê,
Fiquei ouvindo o que diziam, o flamboyant, todo vermelho,
Dizia para o Ipê amarelo... que bom conversar com você

As pessoas, dizia o flamboyant, são tão vaidosas, convencidas...
É, e não sei porque, disse o pé de Ipê balançado, não têm raiz,
Não são firmes, não se sustentam na menor ventania, coitados!
Continuou o Ipê, e o pior, cada um fala e não sabe o que diz

O pé de flamboyant balançando as folhas, com uma leve brisa,
Disse: não se enfeitam nem sabem o que é viver uma primavera
Não sabem o prazer de enfeitar o mundo com sua própria flor
Sentir a leveza dos pássaros, que deles têm verdadeiro horror

Não sei porque são tão vaidosos, disse o pé de Ipê... são maus,
Prendem pássaros por mero prazer, até se matam a si mesmos
Secam os rios, queimam a nós por apenas estarmos no caminho
Não sabem o que seja uma brisa, essa que só sabe fazer carinho

Balançar nossas folhas para que eles mesmos sintam conforto,
Continuou o pé de Ipê, matam as borboletas, dizem ser coleção
Arrancam as flores e logo as atiram no chão, sem compaixão
Depois, sem pudor, dizem ser nós que não temos coração.

Queria escrever uma poesia diferente, uma com gosto de gente
Dessas  que saem da alma, que gritam hinos, um hino sagrado
Mas calei no meu silêncio ao ouvir os amigos Ipê e Flamboyant
Saí cabisbaixo, que não me vissem, por tão envergonhado

José João
16/10/2.024

Prantos!!? São só para os que amam

 Pouco importa que zombem das minhas lágrimas,
Que riam dos prantos que contam minhas saudades
Não importa que riam das minhas perdidas súplicas
Ainda é minha história, ainda são minhas verdades

Dessas que ficam no tempo, na alma, no pensamento
Desenham poesias como se fossem lágrimas escritas
Sentidas no rosto como triste afago de mãos divinas
Como fosse, por tanta pena, uma doce carícia do vento

Não me importam os risos, o desprezo, que zombem... 
 O que fazer se minhas lágrimas são como palavras
Que meus olhos gritam alto sem medo e sem travas

O que me consola é que a dor é só e apenas minha
Parida de sentimentos vivos que em mim ficaram
Pena dos que zombam! Coitados... nunca amaram

José João
16/10/2.024

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Eu e os versos que... escrevo??!!

 Escrevo versos que as vezes nem sei o que dizem
Não me preocupam as rimas... são palavras apenas
Umas contam amores, outras prantos. se contradizem
Mas se é a alma quem escreve usa palavras amenas

Os versos trocam o sentido, se fazem donos de si
Alguns se encharcam de lágrimas chorando cantos
Um outro, fingindo ser um sorriso ri as gargalhadas
Outro, para se fazer verso completo se faz encanto

Em mim os versos brincam de se fazerem saudades
As vezes se fazem apenas de lembranças antigas
Também se fazem lágrimas, verdadeiras ou fingidas

Não sei se escrevo ou eles, os versos, se escrevem
Não sei se saem de  mim ou se em mim chegam
Talvez, não sei, sejam dores por outra alma sentida

José João
14/10/2.024



quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Grita: vou ser feliz

 Sorri! Deixa os momentos tristes irem embora,
Busca dentro de te as tantas alegrias guardadas,
Com certeza tens, apenas as escondeste dentro de te.
Tens sorrisos guardados, alegrias sentidas, lembranças,
Como aquela quando te disseram sorrindo: te amo!
Não mergulha nos momentos tristes.. existiram...
Mas agora, vê, não faz mais sentido lembra-los,
Podes buscar os momentos alegres que aconteceram.
Não faz como tantos que, inutilmente, procuram
lugares para serem felizes, como se a felicidade
Escolhesse um lugar para existir e espera-los...
Sorri para vida, te olha e sonha novos sonhos... 
Coloridos como bem quiseres colorir, inventa
Sabor de beijos, inventa uma história alegre
Em que você é a principal e verdadeira personagem.
Pensa bem, a tristeza é tua e está dentro de tua alma,
Logo, em que lugar podes ir que ela não vá contigo?
Grita teu melhor sonho, grita tua melhor verdade,
Grita; eu quero ser feliz, grita para tua alma:
Não te quero mais triste...Ninguém melhor
Para expulsar tua tristeza,,, que você mesmo;

José João
10/10/2.024

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Quando a alma escreve a poesia

    A brisa passava suave em volteios sobre o tempo
 O dia começava a despedir-se, num lento ir-se
Como se quisesse deixar saudades para amanhã.
O por do sol cantava uma canção melancólica,
Num silêncio colorido, desde o distante horizonte
Até minha alma carente que se perdia em prantos
Como fossem pingos de luz a iluminar meu rosto.
Muito longe, dentro de um pensamento quase perdido,
Uma lembrança, que caminhava para o esquecimento,
Despertou, se fez viva e se entregou sem reservas
A aquele momento que, agora, parecia santificado.
Os olhos se perderam ansiosos na busca de um olhar
Mágico que criasse uma figura esculpida na mente
Que a saudade ali deixou ficar como doce relíquia.
Assim se passou a tarde, as estrelas, como vagalumes
Do céu, apareceram brilhantes, despertando sonhos...
Sonhos que... jurava terem sido verdade.

AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 07/10/2.024

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Uma lágrima alegre para chorar uma saudade

 Uma única lágrima para chorar uma saudade
É apenas saudade... essa tanta dor que sinto.
As outras saudades sentidas foram tão choradas!!
Apenas uma saudade restou e, para ela...
Não tenho mais lágrimas... queria apenas uma... 
Uma lágrima para chorar essa uma saudade
Que se fez tão única que se perpetuou em mim,
Essa única lágrima teria que ser pura, límpida, casta
Para que repouse em meu rosto como oração,
Mostre o resplendor divino de uma saudade santificada,
Dessas que a alma, em pranto alegre, se mostra viva.
Vou guardar numa caixinha de musicas divinas 
Essa única saudade e esperar essa única lágrima
Para poder chorar com olhos alegres... essa história

José João
27/09/2.024

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Lembranças não têm idade.

 

Sempre haverão sonhos a serem sonhados,
Sempre haverão lágrimas a serem choradas,
Pensamentos perdidos, lá atrás, nos ontens
E momentos perdidos a serem lembrados

Arrependimentos se farão soltos no tempo,
Momentos que não deviam ter acontecido
Aconteceram, se fizeram marcas doloridas
Outros se fizeram dúvidas nunca vencidas

O "como será que seria" fica sem resposta
Assim, uma angustia se faz presença viva
Como se fosse da alma uma figura cativa

Viver um amor verdadeiro deixa marcas!
Sorrisos alegres, tristes, prantos, saudades
Para sempre. Lembranças não têm idade

José João
26/09/2.024

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Deus sempre ouve a quem reza

Talvez eu devesse rezar em silêncio, eu e Deus, 
Mas será que Ele ouviria? Será que mais vozes,
Mais almas, mais sentimentos, mais arrependimentos,
Mais agradecimentos, não lhe faria melhor ouvinte?
E se estivesse entre nós, aquele a quem Deus ouviria?
Através dele eu seria ouvido, mas.. sempre rezo sozinho!
Não queria rezar aos gritos, Deus não é surdo...
Não queria rezar como fosse um artista encenando...
Queria ser discreto, as orações não incomodam...
O que incomoda são os gritos, o chamar a atenção
Como se apenas orar não bastasse, não fosse orar.
E se eu orasse por tantos e tantos? Seria ouvido?
Será que Deus me ouviria chamando seus nomes?
E se Ele ouvisse e soubesse de todos eles e não o meu?
Ainda assim ficaria alegre e... porque ficaria?
Porque minhas orações aproximaram alguém de Deus,
E se continuar... um dia serei merecedor de ser ouvido.


José João
20/09/2.024




segunda-feira, 2 de setembro de 2024

O tempo

 Ah! O tempo!! Insistente e inveterado professor
Sempre ensinando tudo, ensinando até a viver
Insiste ensinar até a quem não quer aprender
Paciente, soletra a vida, ensina com dor ou amor

Ensina chorar, sorrir, cantar, ensina até a amar
Ensina a alma escrever histórias, alegres ou tristes
Faz que essas histórias, para a alma, sejam verdades
Passando lentamente em páginas chamadas... saudade

Algumas vezes não distingue lágrimas de prantos
Outras vezes faz que as lágrimas sejam palavras
Gritadas pelos olhos como fossem divinos cantos

Ah! O tempo! Ensina fingir para enganar até a dor
Quando esta é maior e faz das lágrimas um pranto
O tempo encharca os olhos de brilhoso encanto
   
AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem oficial: 02/08/2.024


terça-feira, 27 de agosto de 2024

O sabiá gorjeando a dor da saudade

Seis horas... até o sol parece orar
O sino da igrejinha grita uma oração
No meio da praça a palmeira solitária
Parece erguer-se ao céu para rezar

Em sua verde palma, um triste sabiá 
Como se ajoelhado em frente a capela 
Em trinado, parecia contar uma saudade
Que só ele mesmo sabe sentir e chorar

Porque estaria sentindo dor tão doída?
Que fazia seu gorjeio parecer um pranto?
Olhando o vazio a lhe chamar para voar
Preferia estar ali chorando com seu canto

No silêncio das seis horas, um trinado triste
Só o sabiá, na frente da igreja, parecia rezar
No sutil balanço da folha dançando ao vento
Chorava sua dor em prantos num saudoso gorjear

José João
27/08/2.024

O rouxinol triste

 Um rouxinol sempre cantava na minha janela
Todo irrequieto, buscava o gorjeio mais suave
As vezes me olhava nos olhos, olhar tão triste!
Até difícil de acreditar que olhar assim existe

Toda manhã, ainda o orvalho a se fazer carícia
Sua plumagem se assentava no corpo pequeno
Dava trinados como fossem soluços doloridos
Mas sempre a mostrar-se, embora triste, sereno

Depois, nunca mais vi meu pequeno rouxinol
Foi, como se ali não lhe coubesse mais chorar
Senti saudade ... mas ele me ensinou a cantar

Não com seus trinados, com seu doce gorjear
Mas a cantar na poesia, com palavras soltas,
Com rimas mudas, que só a alma sabe falar

José João
27/08/2.024


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Um nome escrito em lágrimas

Quando o sol começa a sorrir, vindo de mansinho,
O alvor do dia a espreguiçar-se, lento, na madrugada
Fazendo a noite se esconder do lado de lá do mundo
Meus sonhos voam em perdidas rotas, sem caminho

Sento na borda da noite, olhar perdido na penumbra,
Tentando varar o véu de orvalho que cai nas flores
Faço desse momento, a beleza da mais pura verdade
Cerro os olhos, desperto a mente, para vir uma saudade

Deixo que a mansidão do amanhecer me tome todo
E um bocejo, como se fosse uma confissão da alma,
Grita em silêncio, como se da tristeza fosse o soldo

Calado, me ponho a rezar, o silêncio me faz dueto,
Olho ainda as estrelas, perdendo a luz... pálidas
Aí me vêm nos olhos um nome escrito em lágrimas 


AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Publicação: 01/082.024

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Eu plagio... saudades... prantos....

Sou um plagiador! Reconheço isso. Eu plagio
Plagio saudades alheias, digo até que são minhas.
Plagio tristezas, lágrimas, até olhares vazios
Plagio dores, dessas que conto nas entrelinhas

Um dia plagiei uma saudade que jurava ser minha
E por ela, chorei, sim, chorei copiosos prantos
Até escrevi poesias, e ela, a saudade se fez tanta
Que com a tristeza se fizeram verdadeiros encantos

Sou bom plagiador, quer que plagie suas lágrimas?
Apenas me diga a cor que elas têm, o gosto eu sei
Todas são salgadas. Posso plagia-las como ninguém

Sei plagiar sorrisos tristes, sei até fingir que são meus.
De quem plagiar saudades, prantos e tristezas, dou cortesia
Escrevo todas elas com teu pranto, como fosse sua a poesia

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antro de Quental
Poesia de: 18/07/2,024

Solidão é...

 Haverá sempre quem pergunte o que seja a solidão.
E quantas respostas serão dadas? Serão ouvidas?
Mas o que é mesmo a solidão? Apenas estar sozinho?
Porque, então, entre tantos alguém se sente só e chora?
Entre multidões sempre haverá quem se sinta só,
Que não veja os sorrisos, não ouça o alarido do dia.
Será que sentado no tempo vendo um por do sol,
Ouvindo o murmurar das ondas e o silêncio de vozes,
É solidão? Será que a mudez do tempo, a quietude,
O buscar de momentos distantes cheios de saudade,
É solidão? Será que não ter quem lhe diga, estou aqui,
Que lhe segure as mãos, lhe olhe nos olhos e diga, vamos...
Será isso solidão? Será que a falta de alguém é solidão?
É tão difícil de senti-la, é desesperador, porque ela,
A solidão, só existe quando nos perdemos de nós,
Quando não nos encontramos dentro de nós mesmos.
Solidão, pra mim, é quando gritamos em desespero
E a alma não escuta nem o eco de nossa voz.
Solidão... é a falta que você sente de você mesmo.

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 18/07/2.024

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Enquanto eu puder sonhar...

 Os anos passam,.. os cabelos embranquecem,
Os ombros se curvam pelos passar do tempo,
A voz fica reticente como se as palavras pesassem
Passos lentos, andar incerto, olhar desatento...

São tantas as saudades! Chegam sem se esperar
Algumas trazem sorrisos misturado com lágrimas
Outras embargam a voz... trazem apenas prantos
E fica difícil encontrar o que um dia foi encanto


Eu! Fico sentado, olhando fixo a porta do tempo,
Que me leva a tantos momentos antigos e passados,
Que me deixam olhar os amanhãs, pelo menos tento

Mas ao tempo, mesmo com sua essência assim, imutável
Digo bem alto, com a força que a alma pode gritar:
Ainda tenho muito a fazer enquanto tiver o que sonhar

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 16/07/2.024 

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Flores, cálice e lágrimas.

Havia um pequeno jarro sobre a mesa
Um jarro sem cor, cheio de lágrimas
Eram as lágrimas tristes, choradas, 
Eu acho, que por muita saudade,
Na verdade, mais parecia
Um pequeno cálice
ou uma taça?
um copo!
Em um 
jarro
teria
rosas
lírios
zinia
cravo
dália
lótus
Mas lágrimas! Num jarro
Quem choraria tanto assim?

José João
08/07/2.024

Jesus, os homens ficaram mais cruéis!


Jesus, regaste o chão com teu divino sangue
Para apagar os pecados dos tantos pecadores,
Mas estes, como ainda hoje, tão mesquinhos
Te puseram uma coroa de pontiagudos espinhos

Te puseram numa cruz, indiferentes à tua dor
Te cravaram pinos nas tuas mãos e nos pés
Como meros algozes desprovidos de razão
Assim como são, até hoje, os tantos infiéis

Mas Jesus, ainda hoje o mundo é frio, é ermo
Os corações sucumbiram pela falta de sentido
Te expulsaram, Jesus, e o homem ficou enfermo

Perderam o senso, a crueldade os tomou de assalto
Estão bem piores que aqueles que te profanaram
Hoje, te crucificariam e arrastariam teu corpo no asfalto

José João
08/07/2.024

domingo, 30 de junho de 2024

Artista? Louco ou sonhador??!!

 Eu!! EU SOU ARTISTA!! Faço lágrimas sorrirem...
Brinco comigo mesmo se estou triste, até chorando
Corro entre saudades, delas faço desenhos coloridos 
Finjo chorar minhas dores, a dos outros choro brincando

Conto minhas histórias em poesias rotas e sem rimas 
Costuro minhas saudades em folhas que o vento leva,
Os sonhos... alinhavo em nuvens que se vão ao tempo
E os deixo soltos, volteando leves, levados pelo vento

Sou deveras um artista, pulo cordas com linhas de tristeza,
Inventei outra maneira de brincar com bolhas  de sabão
Ponho dentro delas, das mais coloridas, pedaços de solidão

Que se vão como fossem plumas, lentamente sobem ao céu
Voam lentas, brilhando sob um sol que eu mesmo desenhei.
Para passar o tempo, faço esculturas de nuvens em folhas de papel

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 29/06/2.024

sábado, 29 de junho de 2024

Talvez minha saudade seja...

Hoje...apenas senti saudade... tanta saudade!!
Tanta, que percebi que não sei o que ela seja.
Se é dor, se é uma tentativa de fugir da solidão
Ou se é o ontem voltando no vazio de uma ilusão

As lágrimas se misturam com sorrisos sem cor,
Os olhos se perdem molhados, bordados de prantos
O silêncio grita, como fosse a alma chorando aflita
E apenas a saudade, melancólica, se faz encanto

O que seria a saudade? A dor de uma recordação?
A Busca do que se foi, mas continua dentro da gente?
A perda de um pedaço de nós que faz a alma carente?

Quem sabe minha saudade seja alguma coisa assim,
A doce lembrança que ficou dos infinitos momentos
E um triste sentimento que me faz ter pena de mim?

AMCL; Academia Mundial de Cultura e literatura
Acadêmico; J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 29/06/2.024

sábado, 1 de junho de 2024

Hoje queria ser criança.

            Hoje eu queria ser uma criança... sim, uma criança
Sorrir apenas por sorrir, apenas por ser inocente.
Fazer bolhinhas de sabão, em cada uma um beijo
E que fossem alegrar todos os corações carentes

Queria brincar nos jardins... nomeando as flores,
Dando nome às borboletas, fazendo versos infantis
Todos alegres, para fazer sorrir as crianças tristes
Para mostrar com a alma que a alegria ainda existe

Hoje queria ser criança...gritar alto para os adultos
Sem medo, com meu sorriso puro de ainda criança,
Que deixem que exista o amanhã e eu possa crescer

Hoje eu queria ser criança, alegre, brincando de viver
De fazer pedidos para a misteriosa estrela cadente
E, entre sorrisos, não ter medo de crescer e de ser gente

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono Antero de Quental
Postado em: 01/06/2.024

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Fotografias que a saudade guardou

Estou vendo fotografias antigas, até amareladas
De momentos registrados no filme da saudade,
Beijos não trocados, olhar marcado em prantos,
Acenos de adeus, tristezas, quase nenhum encanto

As cenas passam lentas, preguiçosas, se arrastam
No tempo, perderam cor e sentido, ficaram caducas,
Se alvoroçam no desespero de se fazerem vivas
E para a saudade, se entregam sempre e cativas

As vezes penso que são sonhos em preto e branco
Que perderam a cor nas tantas noites de insônia
Em que a alma apenas rezava orações e ladainhas

Na tentativa de esquecer toda e qualquer angustia
E se entregava tanto às orações que até inventava
Que até rezava com lágrimas que eram minhas

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 30/05/2.025

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Ansiedade


                                   Era pra ter chegado ontem,
                                 Já é hoje, já é quase amanhã 
E ainda não cheguei
.Medo e esperança se confundem,
Não sei qual o maior em mim...
Mas é hora de estar lá.
A esperança, na angustia se esconde
E o medo se faz maior
Quanto menor é o tempo de chegar...
E... aumenta muito mais, 
Até grita estridente ...
Sem querer ... vou indo.
Não é coragem que tenho...
Apenas preciso chegar

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
15/06/2.006
Reedição: 30/05/2.024


terça-feira, 21 de maio de 2024

A mentira ↓ a verdade ↑

Tudo passou, já não te quero mais  
 Já não sei fingir e te dizer 
 Ainda te amo... como disse um dia
Minha certeza é absoluta
Que nada foi perdido, mas
Sinto dentro da alma,
Você não é mais nada.
E não vou dizer nunca mais:
Ainda existe algum sentimento.
Acabou ...você passou.
Nunca mais falarei que
Você é tudo pra mim.
Lamento, mas não posso mais mentir
O tempo passou. 

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 27/05/2.024

(São duas leituras, ler de cima para baixo
e de baixo para cima)

segunda-feira, 20 de maio de 2024

As palavras eram poucas para...

Onde está tudo que senti, que vivi, onde está?
Se ficaram como lembranças, se foram no tempo
Não pude escrevê-las... faltaram palavras para tanto
Como encontrar palavras para falar sobre meus prantos?

Prantos que subiam aos céus como fossem orações
Que encharcavam nuvens, pintavam o céu cor de tristeza
De lá se atiravam, até molhavam ao vento e enchiam rios
Onde encontrar palavras para falar dessa cruel beleza?

Eram tão pequenas e poucas as palavras para contar de mim
Contar os detalhes das saudades, das lágrimas gritando adeus
Como se os martírios do mundo fossem todos e só meus

Onde encontraria palavras para tanto? E tanto se perdeu
No silêncio mudo do esquecer. Palavras não bastavam,
Não existiam para traduzir o que só a alma pode dizer

ACML: Academia Mundial de Cultura e Literatura 
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/05/2.024

Dois conjuntos infinitos

 Mas eu gosto de poesia, de escrever versos,
Assim como fossem orações saídas da alma.
Todos os versos coloridos cheios de vida e sentido.
Esse sentimento que não se sabe de onde vem
Mas... pensando bem... até números formam poesias
Amar é uma poesia que multiplica mas não sabe somar
Tanto que se juntarmos um mais um pode ser dois
Isso é a arte de amar, mágica que não se sabe explicar
Caso alguém pode sem a matemática somar?
A poesia faz... amor e ciências se beijar, se abraçar...

Assim se forma um conjunto de emoções
Muitas vezes, machuca o coração, faz chorar
O que se diz da ciência? Também não faz chorar?
Riem aqueles que com eles sabem brincar

Como? Com certeza vão surpresos perguntar
Ora! Vamos resumir a resposta...  ou complicar?
Natural pode se um número, como também é amar
Já sabemos que amar faz que se conte os dias
Uma vez contando os dias, alguns se põem a sonhar
Nunca se pode viver sem amar, sem os dias contar
Todos deviam saber que nesse universo tão bonito
O amor e números se confundem na eternidade
São, por lei universal, dois conjuntos INFINTOS 

AMCL: Academia Mundial de Cultura e |Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 20/05/2.024

O ontem e os amanhãs.

Um dia, num fim de tarde, quando o sol começa bocejar
Quando faz, sobre o mar, uma estrada brilhante de luz
Como se estivesse chamando todos sonhos e saudades
Como se estivesse convidando os olhos para chorar

Numa tarde assim, quando a brisa beija, suave, o rosto
E a areia fina e leve se faz um fino véu fugindo das ondas
Como fossem plumas esvoaçantes brincando ao vento
Correm soltos os momentos trazidos pelo pensamento

Aí, então, sussurros e saudades se misturam com o pranto,
O olhar se perde lá longe, no horizonte, sem nada buscar
Indo até ali porque só o pensamento pode ir mais além

E vai... voa no tempo num vagar entre ontens e amanhãs
Nos ontens ficaram dores e saudades... nos amanhãs
Incertezas, contra quem a alma luta para não se fazer refém

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/05/2.024




Soneto da dúvida.

 Como saber o que é viver sem nunca ter sentido uma dor?
Como saber o valor de um sorriso sem nunca ter sofrido?
Não são os fundamentos de uma vida mas... são lições
Elas existem, são momentos que fazem a vida ter sentido.

Como sentir o gosto da saudade sem nunca ter amado?
Como sentir uma saudade sem nunca ter ouvido um adeus?
Como sentir a angustia de um adeus sem nunca ter chorado?
Como sentir o gosto da esperança sem nunca ter sonhado?

O que seria a vida, sem lágrimas, sem aflições e incertezas?
Seria um viver sem viver, um sorrir sem motivo, um nada ser
Seria o mesmo que ir sempre, mas sem nunca saber viver

Assim é a vida, cheia de verdades, de incertezas, surpresas
Mas há também o que não se pode mudar e não reclamo
Isso: como pode alguém viver sem nunca ter dito: te amo?

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/05/2.024

Apenas hoje terminei aquela poesia!

 Comecei uma poesia a muito tempo, nem lembro o dia,
Poesia que falava de beijos, olhares ternos, sorrisos...
De carícias suaves, mais ousadas, de dias iluminados
Ah! Que poesia! Falava de desejos, que vinham sem avisos

Palavras ditas com o pulsar do coração, sem precisar de voz
Com confissões feitas pelo encantador silêncio da alma...
Na perfeição de um olhar risonho, cumplice e cheio de luz
Que só ele fala, grita, sorrir, só ele sabe o que diz e traduz
                                 
A quanto tempo comecei essa poesia!! Difícil lembrar o dia.
E dizem que ao se interromper, ela se vai, se perde no tempo
Vou busca-la, não acredito que ela tenha se dissipado no vento

Lembro que comecei com mãos trêmulas, voz sussurrante,
Era a alma que dizia o que sentia, no fervor da maior verdade 
Hoje, depois de tanto tempo, vou completa-la; Ah! Que saudade!!

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 20/05/2.024


Se escrever hoje uma poesia...

 Hoje, se fosse escrever, só escreveria lágrimas,
A poesia ficaria encharcada delas, e os olhos...
Vermelhos, como se a dor fosse cor de sangue
E a alma carente, não merecesse qualquer zelo.

As palavras sairiam borradas, quase apagadas...
Os versos, vazios, desenhando sorrisos tristes
As rimas sairiam rotas, alinhavadas nos versos
Também nos soluços que em chorar a alma insiste

Ainda bem que hoje a poesia fugiu de mim
Saiu correndo,... ou voando, para onde não sei
E no silêncio vazio, nada escrevi e nada falei

Se a poesia ficasse para ser sentida e escrita
Não seria uma poesia, seria apenas pranto
Escrito em rascunhos, ranhuras e sem encanto

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em; 19/05/2.024


Foi quando aprendi a...

 Nasci sem saber nada... mas já vim cheio de lições,
Para não dizer assim um... nada, só sabia chorar,
Tive que aprender a falar, primeiro as tantas letras
Mas ainda não sabia direito o que era mesmo pensar

Com algum esforço, comecei a formar as palavras...
Eram tantas que até me assustei e formei uma frase
Ah! Quanta alegria! Mas ainda havia muito caminho
Mas o tempo me ensinou... a vida é vivida em fases

Fui aprendendo a falar mais palavras, a entender
Sim. Entender o que diziam... isso foi complicado
Ainda tinha palavras muito difíceis de aprender

Mas um dia... milagre, aprendi a sentir o que falava
O tempo se abriu em festa... me fez ficar humano
Foi quando aprendi a dizer, com a alma: eu te amo.

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 19/05/2.024


segunda-feira, 13 de maio de 2024

Milagres do amô

Nnm tenho o dom dos velso, nem iscrevê
Mas isso num importa, o amor é mais maior,
Conto as lágrima nos velsos qui a alma iscreve
A sordade conto em pranto, é pra isso que ele serve

Não me importo se achem os erro nas palavra,
Não me importo se zombare dos meu escrever
É como sei dizer das minha magoa, meus encanto,
É como sei contar, nos velsos, esse meu viver 

Os dotô que me adesculpe, cuma eles num ser letrado
Mai num importa saber das letra prá se falar de amô
Afiná ele é de todo mundo, o amô num tem sinhô

Mais pur falar em puisia, letramento, academia e dotô
Fico, a pensá cum meus butão, e não me leve a mal
Se a puisia vem da alma, então eu e o dotô somo igual.

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J. J. Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem oficial: 13/05/2.024

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Só sei pintar palavras... nos versos

 Não sou quem sabe pintar flores e jardins,
Não sou quem sabe pintar lua e por do sol
Sei pintar apenas dores, cruéis verdades
Todas pintadas com lágrimas e saudades

Sei pintar a tristeza dos rostos na poesia
A aflição da cada alma a cada adeus dito
Pinto com palavras, com lápis, sem cinzel
Cada pranto que os olhos choram contritos

Nunca pintei uma tela, seria até heresia
Não sei das cores, dos traços, das matizes
Só sei pintar com letras as minhas poesias

Louco, talvez me chamem, ou com certeza.
Afinal colorir versos... quanta loucura!
Mas com palavras pinto, basta ter ternura.

José João
06/05/2.024