domingo, 28 de abril de 2024

Eu posso... eu sou poeta

Eu!!!? Eu posso mentir sem pecar
Posso ver a beleza do sol numa noite de luar,
Posso parar o voo de um pássaro de arribação,
Apenas com um ponto final no fim do verso.
Fazer amarílis gritar de ciúmes pelo lírio
Porque resolvi faze-lo amante de verbena.
Posso fazer o sol parar no meio do tempo
Fazê-lo voltar para enfeitar o nascer do dia
Ou fazê-lo correr por querer agora um por do sol.
Posso criar prantos à minha vontade...
Prantos alegres desses que os olhos gargalham
Ou um pranto triste chorando doídas saudades.
Ontem fiz nascer margaridas num pé de flamboyant,
Tirei do lago um lindo peixinho dourado
Para fazer dueto com um rouxinol.. foi lindo...
Todos se admiraram, o peixinho de fraque e gravata,
O rouxinol, com elegante smoking e cachecol
Posso tudo porque minha imaginação é completa
Não! Que absurdo! Que heresia, não sou nenhum deus
Mas posso fazer o que disse, afinal sou um... poeta

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 28/04/2.024

terça-feira, 23 de abril de 2024

Envelhecer ... é um merecimento.

Quando meus cabelos estiverem brancos
Como mensagem inconteste do tempo.
Quando minha voz estiver fraca, reticente...
Ainda assim estarei fazendo parte do presente

Com lembranças que o tempo não levou,
Com esperança de ver o que ainda não vi,
Olhando no espelho velhas rugas novas
A contarem a história do que tanto já vivi.

Mas quero ainda estar livre para pensar, 
Ter a liberdade de, acordado, ainda sonhar,
Correr atrás e buscar novos pensamentos. 
E que ainda me seja dado o direito de amar.

Não quero momentos tristes para lembrar,
Quero sentir o gosto dos beijos que troquei...
Que as mãos enrugadas passeiem no rosto
Relembrando as carícias que um dia ganhei.

Quero estar livre para apenas ser eu mesmo,
Sem compromissos para amanhã, viver assim,
Brincando de viver os dias que ainda restam
E correr, lento, entre as flores de um jardim

Não precisa que me lembrem que envelheci,
Sei me ver, até sei ainda lembrar de mim,
Mas agora, mais sábio, me basta me ver,
É o tempo dizendo que mereci envelhecer

Não sei se de exemplos algum dia servi,
Se o fizeram não foi por um meu querer
Nada demais eu quis, e o que quero agora?
Me divertir no que ainda tenho para viver

José João
23/04/2.024

Almas sozinhas

 
- O que nos separa não é a distância
E na verdade... nem os caminhos
O que nos ume ... não é a vida
É simplesmente sermos sozinhos

Minha busca é árdua. Onde estou?
Talvez tão longe e de mais ainda vim...
Entretanto, nada sob o céu tem fim
A esperança é eterna e existe em mim

Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre... de cantar risonho
E em belos versos em te me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes,
Se dela falas, me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes.

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar, não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor, jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda, até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
Haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! Chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar... falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto da vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita.

José João
Reedição: 14/08/2.011


segunda-feira, 15 de abril de 2024

Belo... é amar sem nunca pedir troca

A beleza da vida??! O que seria essa beleza?
Seria sentir, no por do sol, o carinho do universo?
Seria o sentir do perfume das flores no campo?
Ou seria a poesia "falando" da vida em versos?

Como se poderia contar as tantas belezas da vida?!
Fazer o outro feliz, amar sem nunca esperar troca?
Dar um sorriso... desses que alegram o coração
Ou amar intensamente? Amor puro nunca sufoca.

Seria a poesia, em sua humildade, a beleza da vida?
Indo no tempo contando histórias belas ou tristes?
Mesmo aquela que a alma chora sentindo saudade?
Mas ela sabe que chorar é preciso, a lágrima existe.

Quanta beleza tem nos olhos gritando em prantos
Quando as lágrimas, brilhantes... no rosto caem
Como se fossem as contas de um rosário divino
Por onde as dores da alma, como milagre, se esvaem

Quem me dera fosse um poeta pelos anjos inspirado
Para contar, em versos, a beleza que cada alma sente.
Juntar a harmonia do universo com a beleza da vida?!
Seria um milagre que nem a poesia poderia ter criado

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem oficial: 15/04/2.024
(09/03/2.024)

terça-feira, 9 de abril de 2024

A magia do amanhecer

 Madrugada... o dia boceja acordando lentamente
As estrelas... correndo a se esconderem do dia
Se escondem atrás do sol ocupado em lustrar-se
E a brisa, bafejando ternura, canta uma melodia

As flores, banhadas pelo orvalho, espreguiçam-se
Dão bom dia às leves borboletas ávidas a beija-las
Acariciam as pétalas com suas belas e frágeis asas
Como fossem anjos vadios a docemente cativa-las

Os pássaros, ainda sonolentos, ajeitam a plumagem
Brincam como equilibristas nos galhos, nas folhas
Se fazem personagens de uma doce e linda paisagem

Depois, sem nenhum maestro, começam a sinfonia.
O perfeito desencontro se faz verdadeiro encanto
As vezes até parecem a doce harmonia de um pranto

AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem: 09/04/2.024

domingo, 28 de janeiro de 2024

No rosto... uma ruga diferente

As rugas do meu rosto são minhas verdadeiras histórias
Contam de mim, do que fui, do que vivi, das saudades
Algumas são de momentos que franzi o rosto para sorrir,
Ficaram desenhadas como das poucas alegrias que senti

Outras, são muitas, foram tristezas que a alma chorou,
Marcadas em fartas linhas, histórias que nunca contei
No rosto, a vida escreve o tempo sem nenhum pudor
Até hoje quando traz tristezas que ainda não chorei

Quando o espelho mostra meu rosto, leio o que vivi
Estão as saudades, adeus ditos em doloridos silêncios
Quantas palavras ditas em prantos que fingi não ouvir?!

Hoje, todas as minhas rugas me lembram do que fui
Mas tem uma diferente, não lembro porque ali está
Será alguma verdade que fingi e ela não quer mostrar?

JJ. Cruz Filho
Acadêmico da: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 28/01/2.024

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Solidão é a ausência de saudade

Coitado dos que choram pela falta de uma saudade!
Dos que não têm histórias para lembrar ou contar
Qualquer uma, mesmo aquela contada em prantos
Mesmo doendo na alma... que só a fizesse chorar

Que triste!! A saudade... sempre espanta a solidão
Até o silêncio fica atento, ouvindo o que ela diz
O tempo se faz lento, como não quisesse passar
As mãos tremem, em uma muda maneira de falar

Como é triste nunca ter dito: te amo, nem ouvido
Não ter sentido a tristeza de  ter ouvido um adeus
Daquele que emudece a voz e faz perder o sentido

Se faz lágrima, depois saudade, depois lembrança,
Sempre será uma história a ser lembrada pela alma,
Momento único, que só quem amou pode ter vivido

JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em; 23/01/2.024



sábado, 20 de janeiro de 2024

A canção do tempo

De muito, muito longe... me chega uma canção
Como se viesse a mim trazida num cantar de anjos
Que talvez tenham encontrado, solto, meu pranto
A derramar-se no tempo e dele fizeram um canto.

Fala de saudades antigas, perdidas, até já caducas,
De lágrimas que, pelo tempo, para adoçar a alma
Jogaram fora o sal, se deram um sutil dulcificado
Como assim tirassem de mim meus tantos pecados

Me perdi dentro de um silêncio que só eu ouvia,
A canção dos anjos não era ouvida pelos ouvidos
Mais parecia o afinado declamar de uma poesia

Nomes que o esquecimento havia guardado pra si
Foram lembrados, cantados em tristes sinfonias
Vagamente fui lembrando, foram momentos que vivi

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/01/2.024

sábado, 13 de janeiro de 2024

Cansei de ser poeta...

Cansei de ser poeta, buscar palavras, encontrar rimas
Falar de saudade, de solidão, vestir os olhos de pranto!
Contar minhas dores, fingir sorriso alegre nas poesias
É como inventar orações vazias enganando com heresias

Cansei de ser poeta, desenhando lágrimas nos versos
Desenhando no rosto, rugas que se fazem de história
Algumas alegres (poucas) outras tristes (essas muitas)
Fazendo do pranto, para a alma, uma rude dedicatória

Cansei de ser poeta. Vou ser agora fervoroso sonhador,
Sonhar com saudades novas, aprender a colorir o pranto
Fabricar lágrimas que aos olhos se façam de encanto

Vou ser um sonhador. Pintar a tristeza da cor do lírio
Fazer da solidão uma companheira alegre e falante
Fazer amantes alma e sorriso viverem em eterno cio

JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 12/01/2.024
Postagem oficial

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

A festa das flores do meu jardim

Ontem, no meu jardim, as flores me fizeram uma festa,
Pareciam soltas de seus caules, que mais pareciam braços
Que, ao som da brisa, se contorciam suave e lentamente
Em ternos movimentos, como fossem inocentes abraços

Soltas, se olhavam, sorriam! Lindos o Cravo e a Rosa
A se abraçarem, se olhando nas pétalas carinhosamente
Como faziam o Girassol com a Tulipa, esta bem rubra
Olhava seu par, meio sem jeito, até mesmo timidamente

Efusiva estava Margarida, majestosa, vestida de vermelho
Abraçando Narciso, todo de branco como um príncipe
Amigo de Hibisco que esperava Orquídea a se maquiar
Essa, vestindo lilás, sempre orgulhosa, se fazia esperar

Num canto mais afastado do jardim, estava o Álisso,
Não por timidez, queria chamar a atenção de Amarílis
A mirar-se na água transparente do lago do jardim
A pensar-se a mais bela, vestida de branco e carmim

Meu jardim! Sempre está em festa! Sempre é alegre
Todas as flores dançando livres, soltas ao vento leve
São tantas que não cabem na poesia... sendo assim
As que não citei, vão estar loucas com raiva de mim

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 12/01/2024

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Um rosário de encantos

  Quando os ontens estiverem perto do esquecimento,
Quando os prantos estiverem caducos para chora-los
Tomara que ainda exista um saudade, uma que seja
Viva, dentro da alma, para lembrar esses momentos

Quer tenham sido alegres ou tristes, de risos ou prantos
Mas que tenham sido, pela alma, vividos e sentidos 
Pois as lágrimas, na vida, também tem seus encantos
Mas só pela alma esses tantos encantos são percebidos

Tenho um rosário feito de risos, outro feito de prantos
Neles rezo ladainhas inventadas, orações em poesias
Sempre o pranto é verdadeiro e os risos... são fantasias

Que ficaram enfeitando as minhas horas mais tristes
Num contar histórias risonhas... quase sempre fingidas
Só com o rosário de prantos minhas orações são ouvidas

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Publicado em: 11/01/2.024

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

A voz dos meus olhos

Meus olhos gritavam, faziam do pranto palavras
Que molhavam o rosto, a alma, encharcavam a poesia
Corriam por entre o tempo, entre saudades perdidas
Pela angustia faziam orações profanas e até heresia

O silêncio... se fazia ouvir nas lágrimas choradas
Que caiam dos olhos tristes como pétalas orvalhadas,
Brilhantes, feito gotas de sol perdidas nas manhãs
Ou pedaços do alvorecer deixados na  madrugada

A única voz era o cantar do alvorecer nas folhas 
Se faziam uma sinfonia perfeita, doce divino canto
A embalarem o dia em dueto com meu pranto

A brisa, chegando de mansinho, parecia um sussurro
Passando, sutil, por entre a madrugada e o amanhecer
Levou minhas lágrimas, se foi, sem nada me dizer

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postada em: 11/01/2.024

sábado, 6 de janeiro de 2024

O pranto me deixa sorrir... fingindo

Desde muito, desde quando, sozinho, aprendi,
Que o grito desesperado da alma... é o pranto,
Que vai dos olhos ao tempo, contando histórias.
Fiz dele voz, para me contar em triste  canto

Com ele lavo o rosto nas minhas noites de insônia,
Me turva os olhos para eu não ver, para apenas sentir
A saudade me tomando, me fazendo chorar mais
E ele enfeitando os olhos sem qualquer cerimônia

Com o pranto aprendi chorar no silêncio, sem alarde
Não constranger a alma, gritando dores na multidão
Nem fazer de voz, o pulsar triste de um pobre coração

Com a alma gritando  dentro do silêncio do pranto
 Me dou ao luxo de, na rua, caminhar sorrindo
Enquanto os olhos gritam os lábios sorriem... fingindo

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 06/01/2.024

Quem diz: "minha poesia é negra"... qual a cor de sua alma?

Que cor teriam saudade, lágrima, solidão se cor tivessem?
Que cor tem o sorriso? Alguns dizem: meu sorriso é negro
Outros gritam: minha poesia é negra! Qual a cor da poesia?!!
Se escrevessem com a alma, com certeza, nenhum cor ela teria.

Se poesia e sorriso tivessem cor não seriam poesia e sorriso
Seriam apenas palavras e expressões sem valor e sem alma
O sorriso não tem cor, o que se vê, é se ele é alegre ou triste
A poesia, também não tem cor, cor pra poesia?! Não existe

E eis que chaga da alma um sorriso alegre, cheio de beleza,
Com ele uma poesia dessas que declamar é o mesmo que orar
Vestem-se cor da inocência.!! Uma cor que ninguém nunca viu
Se inocência tivesse cor!!! Não e nem pode, ninguém a pariu

Se da alma, viesse aos lábios, mesmo lento, um sorriso triste,
Se com ele viesse uma poesia chorando e carregando o pranto
Alma e pranto se abraçariam, chorariam sem nenhum pudor
Se olhariam sentindo a mesma dor... mas sem qualquer cor

Quem diz: minha poesia é negra, quanto rancor no coração!!!
Nunca sentiu saudade, nuca viu o brilho mágico do pranto,
Não sabe da magia, da beleza da alma ajoelhada em oração 
E um sorriso alegre de cor divina, sorrindo em plena contrição

Minhas lágrimas... não sei a cor que são, nem a cor da saudade
A solidão!! Claro que existe mas quem sabe a cor da solidão?
A quem diz: minha poesia é negra e negro é meu sorriso
Pergunto : Que cor tem sua alma e seu ... coitado, coração?

JJ. Cruz
Academia Mundial da cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental.
Publicado em; 06/01/2.024

sábado, 30 de dezembro de 2023

Coisas que o tempo faz

Para sempre, foi o que disseram teus olhos
Brilhantes e meigos como raios de luar
Pareciam gritar alegres como em festa
A me fazer crer que tudo isso era amar

Passa o tempo e tudo parece tão diferente,
A voz emudece num inaudível murmurar
Os olhos, cabisbaixos, já não sabem brilhar
E um silêncio triste faz até a alma calar

A beleza do olhar em festa perdeu a alegria
Taciturno, agora se faz sem cor, sem brilho
A lacrimar um pranto tão doloroso quanto frio

Já vêm vindo, caminhando entre as horas,
De braços dados, a solidão e a saudade
Rindo da dor sem mostrar qualquer piedade

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 30/12/2.023

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Prateando o pranto

 As vezes me procuro onde nem sei se estou
Vou lá dentro de onde estive um dia... distante
Me encontro dentro de uma saudade dolorida,
Que sufoca e veste a alma num frio cortante

Vou lentamente por entre os momentos vividos
Buscando sorrisos que um dia o tempo deixou
Não os encontro, se perderam, foram esquecidos
Só ficaram sinais que a tristeza no rosto marcou

Não existem mais aquelas saudades tão risonhas
Que se desenhavam nos olhos com doce encanto
E iam, com o olhar, vagando por sobre o tempo
Mesmo que os olhos se prateassem com o pranto

Não caminhei como devia, entre o vagar e a pressa
Fui, com a vontade de apenas querer ir, querer chegar
Os passos rápidos não deixaram marcas fortes no chão
Aí não encontrei mais os rastros da ida para poder voltar

Por isso, hoje, dentro de mm, os sonhos se fazem festa,
É só o que tenho, sonhos que nem sei se ainda vou sonhar,
Existem, não sei se vou sonha-los dormindo ou acordado
Não sei se trarão saudades ardentes para aos olhos pratear

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 25/12/2.023

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Uma gota de orvalho ou... de poesia?


As vezes vou buscar no tempo palavras soltas,
Buscar no gorjeio dos pássaros algumas rimas...
Quase sempre, da alma, vou buscar lágrimas
Que me chegam como verdadeiras obras primas

Enfeitando os olhos num brilhar terno, cristalino
Como fossem gostas de orvalho deitadas na flor
A confessar seus pecados num fervoroso pranto
Ou a fazer da pétala um leito a lhe aliviar a dor

Quem sabe seja eu essa frágil gota de orvalho 
Caída da madrugada, vindo num luar prateado
Para chorar com prantos ainda não chorados?

Ou talvez uma pequena gota de poesia perdida
Vinda, de onde não sei, por alguma porta aberta
A me fazer entre prantos e saudades... ser poeta.

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 22/12/2.023

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Tributo ao poeta dos sabiás.

Quando o luar se deita sobre o chão da minha terra
Prateando rios, flores, prateando matas e jardins
Parece um sonho que um anjo, aqui veio desenhar
Pintura especial da natureza que só Deus pode criar

Na minha terra, o luar de prata prateia até a solidão
Se estende pelo campo como se o silêncio fosse canção
Leva o pensamento a inventar histórias não acontecidas
A se buscar na alma, saudades que  nunca foram vividas

O luar na minha terra, a espairecer aquela toda vastidão,
Faz-me lembrar o poeta, ouvindo nas palmeiras o sabiá
Com a alma a implorar, com lágrimas nos olhos tristes
A pedir: "Não permita Deus que morra sem que volte para lá"

Quando a lua, a esgueirar-se, desenhando-se no horizonte
A crescer, iluminando a mata e no prateado a se banhar
Se ouve ao longe, vindo lento, um assobio na voz do vento
Até parece um canto saudando o poeta, um canto do sabiá.

Com o prateado do luar, num céu que tem bem mais estrelas
Elas todas atentas, como se lá ouvissem o clamor do poeta,
A triste súplica para ouvir nas palmeiras o canto do sabiá
Pedia: "Não permita Deus que morra sem que volte para lá"

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Pulicado em: 18/12/2.023

Quando a alma desperta triste

Quando minha alma desperta deveras triste,
Chama para os olhos o coração, para juntos,
Chorarem sua dor, enquanto o coração pulsa
Num triste sussurrar, os olhos se dão ao pranto
A se derramarem por sobre a alma, que se banha
No pranto caudaloso, o de uma límpida fonte
Que como nascente tem o coração, como leito,
Os olhos, como cachoeira o rosto e como delta
A própria alma. Aí então o tempo se faz lento,
Para dar a si mesmo tempo de ficar triste.
Quando realmente minha alma assim desperta,
Sentindo saudades doídas, tanto que apenas
Um chorar não basta, ela mesma se faz dona
Das palavras, toma toda, para si, a poesia,
A estende-la eternamente enquanto durar a dor
Que sente, que lhe machuca, que lhe faz lágrima.
Quase sempre minha alma desperta assim...
Desde muito não lhe vejo um sorrir.

JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 18/12/2.023

domingo, 17 de dezembro de 2023

O canto da primavera

Ouço a canção colorida que a primavera canta
Como fosse uma doce e silenciosa oração rezada
Pela alma das flores... as flores também choram
As vezes, quando muito tristes, murmuram cansadas

Cantos tristes que não são ouvidos pelos pecadores.
As canções que a primavera canta são inocentes,
Ternas como crianças cantando uma canção divina
Ou de anjos querendo alegrar corações carentes

Como é bela a primavera!! E um tanto misteriosa!
Pintadas por anjos, se fazem mágicas aquarelas
Com corres que só e mesmo eles saberiam pintar
E só eles, com a alma das flores, sabem cantar

As flores, na primavera, cantam, riem, choram.
Falam de amor, sem palavras, só com o perfume
Declamam versos sem se preocuparem com rimas
Mostram seu momento, de alegria ou de queixume

As flores ensinam calar, ouvir, sentir, até a viver
Tão gentis, tão dadivosas a se darem ao amar!
Se entregam toda e plena sem se importarem a quem
Até faz se sentir forte a quem se acha um ninguém

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 48
Patrono: Antero de Quental
17/12/2.023

sábado, 16 de dezembro de 2023

Feliz Natal

AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Evento temático; Sonho de Natal
Autor: JJ. Cruz
15/12/2.023
 
Por favor... tenham um FELIZ NATAL

Sonhos de Natal? Como serão esses sonhos?
Como cada um sonhará seus sonhos de Natal?
Tomara sejam coloridos, cheios de divina luz
Que o mundo se enfeite com as coisas de Jesus.

Que o Natal se faça uma festa, cheia de amor
Que cada um busque sua criança dentro de si
E saiba sorrir, brincar, falar das coisas de Deus
Amar o próximo como se fosse um parente seu

Despir todo e qualquer rancor, deixar-se livre,
Banhar-se na humildade que ELE nos ensinou
Que busquemos dentro de nós, amor e ternura
A mesma ternura que ELE paciente nos deixou

Como queria ver um sorriso alegre em cada rosto!
Desses sorrisos de luz que aos anjos é tão natural
Como se os olhos, traduzindo o que a alma diz
Gritassem: Por favor, tenham um FELIZ NATAL


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Isso aconteceu ontem

Ontem, por não ter nada para fazer, a não ser sonhar...
Como sempre faço, Sentei na raiz de um flamboyant
Escutando o silêncio como se fosse meu melhor amigo
De repente, chegou um passarinho, não sentiu medo de mim,
Pousou em minha frente e perguntou se poderia cantar...
Cantar um gorjeio. Surpreendi. Como posso entender
Um passarinho!!? Curioso, disse, está bem canta, mas...
Porquê queres cantar esse gorjeio pra mim? É porque...
Fiz as notas musicais desse gorjeio hoje. É diferente
Nunca tinha inventado um gorjeio assim, mas eu fiz.
Será que você pode ouvir esse gorjeio pra mim?
Disse, posso, canta.. mas ele gorjeou tão bonito!!!
Nesse momento, até pensei que passarinhos tivessem alma
E acho que têm, porque ele cantava com a alma
Aquele gorjeio que estava cantando, foi lindo... lindo
Foi o gorjeio mais bonito que já ouvi, foi impressionante.
Ele cantava e eu vi duas pequeninas lágrimas...
Em seus olhinhos tão tristes... então parou de cantar, 
Deu um suspiro... me olhou nos olhos e... perguntou
O que você achou? Sinceramente me emocionei
Quase chorei e disse: é o gorjeio mais bonito que já ouvi
Parece que cantaste sentindo alguma coisa. Ele me disse...
Tu entendes o que é amar, por isso vim cantar pra te
Esse gorjeio é um gorjeio triste, por uma saudade
Que nunca mais vou deixar de sentir, disse entre soluços
Preguntei o porquê dessa tão doída saudade...
É porque não sei onde encontrar minha companheira,
Alguém muito mau prendeu-a num laço, pôs na gaiola
E levou-a embora, por isso eu choro, choro por nós dois,
Depois, voou para um galho do pé de flamboyant
E ficou chorando no seu gorjeio

JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 25
Patrono: Antero de Quental
08/12/2.03

Quem me dera... fosse tão poeta!

 Eu!! Quem me dera ... fosse tão poeta! 
Sou só um sonhador que sonha um dia
Escrever versos com a rima mais correta
E iluminar o mudo com a  minha poesia

Entrar, docemente, no mais duro coração
Brincar de ser simples criança traquina
Brincar de roda, inventando uma oração
Com o cantar da fonte de água cristalina

Eu!! Quem me dera... fosse tão poeta!!
Fazer da poesia um eterno ponto de luz
Com se do infinito fosse uma porta aberta

Sonho, sentado no tempo ou... na calçada
Quanto mais sonho... e mais alto eles vão
São só sonhos, apenas sonhos e mais nada!!

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira.  25
Patrono: Antero de Quental
08/12/2.023

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Aprenda viver... desde cedo.

 Ontem, lembro bem, era um jovem que brincava, sorria
Corria entre verdades, ironizava o mundo, ria dos amanhãs 
Deixava coisas para depois, como fosse o dono do tempo, 
Assim queria e fazia de meu todo e qualquer  momento

Não tinha tempo de ficar admirando flores, nem jardins,
Eram tão comuns, sempre existiriam em qualquer lugar
Mas meu rosto!! Esse era belo, sem marcas, esse era eu
A enfeitar um mundo, que jurava, ser todo e apenas meu

Mas o tempo! Passa lento, sem alarde e sem fazer festa
Quando, de repente me vi, meu rosto já não era o mesmo
Nem meu sorriso, nem meu olhar... aqueles sulcos na testa!!
Me faziam crer que tudo que agora fizesse fosse a esmo

Não me permitem mais ironizar o mundo nem os amanhãs
A vida agora me apressa a fazer,  a correr como o vento
E ainda assim, me pergunto... será que ainda dá tempo?
Correr entre as horas, buscar sorrisos, são tentativas vãs.

Procuro jardins, procuro flores que  possam alegrar a alma
Quando encontro, me sento cabisbaixo, com algum remorso
E, de dentro de mim, vem chorosa, como fosse um queixume
Uma voz: Não aprendeste nem sentir, das flores, o perfume!!!

E continua, que fizeste da vida? Onde estão teus momentos?
Onde está tua pressa, onde estão os afagos que não destes?
Onde está teu rosto que vaidosamente fazias a principal cena?
Agora, sem saber a beleza de viver, tua vaidade... valeu a pena?

JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 25
Patrono; Antero de Quental
05/12/2.023

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Minha alma e eu

Por vezes, minha alma em desespero grita dentro de mim,
Gritos eloquentes trazidos por um pensamento silencioso
Que chega sutil, contando, como fosse segredo o que ela diz,
Ouço calado, nada digo, mesmo o coração pulsando ansioso

As vezes me manda sentir a saudade que ela gosta de sentir,
Se for uma saudade triste, já manda para os olhos, o pranto
Mas nem sempre é assim, existem algumas saudades alegres
Se são essas, dá luz ao olhar e o faz de verdadeiro encanto

Mas nem sempre é assim, ela também chora nossas dores
Tem suas próprias lágrimas, até mais tristes que as minhas
Assim choramos juntos, eu nos versos e ela nas entrelinhas

Juntos, fazemos nossas poesias, ela dita os versos, as rimas
Traz saudades, tristezas, traz até momentos por nós vividos
Aí nos fazemos apenas um, sentindo os mesmos sentidos

Autor: JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
28/11/2.023 

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Salteando as linhas vejo a razão

 Mais que um simples dizer... ou um simples ser,
Salteando os versos para ver nas entrelinhas
Essa tanta forma de se fazer viva no sentimento.
Nunca se sabe o que somos e ao que aqui viemos
Raro quem saiba e se entregue ao que veio,
Assim se faz a vida, o viver, o ser, o existir.
Como se pode ver em nós o que realmente somos? 
Talvez, aos outros, seja dada a permissão de ver...
E sentir, nos dias, nos anos, aquilo que somos
Nas coisas que não são vistas, são apenas sentidas
Dar-se ao mundo é fácil, mas quem sabe a razão do estar?
Quem sabe dos sentimentos, da maneira de servir?
Esta é a pergunta que não se sabe como responder
Os humanos! Nós que vaidosamente nos achamos tanto
Será que sabemos ver o que os outros vêm em nós.

Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
27/11/2.023


sábado, 25 de novembro de 2023

Amar... do começo ao fim da poesia

 Assim é viver, mesmo entre os  sorrisos e as lágrimas
Melodia que chega na alma sem precisar de orquestra,
A musica é o pulsar do coração embalado, embevecido
Rindo do tanto prazer de gritar te amo... e ser ouvido

Ah! Quanto tempo dura um sentimento vindo da alma?
Marcando o tempo, conferindo os dias, sem saber contar,
Apenas lembrando os ontens, vivendo o hoje sem temor
Revendo o amanhã sabendo que será um outro belo sonhar

A vida!! Que seria se não houvessem sorrisos e prantos?
Mostrando que viver é arte, que chorar tem seus encantos
Ao se ver que as lágrimas nem sempre são assim tão tristes
Rolando pela face algumas até mostram que alegria existe

Nada fala melhor de prantos e saudade que uma doce poesiA
Quando, na alma, um sentimento lhe toma, todos se calaM
Parece um anjo divino, com doce voz, que ao mundo cantA
A poesia, como se fosse um gorjeio conjugando o verbo amaR

JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
25/10/2.023

A poesia, o amar e o (re)começar

Busco poesias lá dentro da alma... de dentro de mim
Como fossem pedaços de mim, do tempo e de vida.
Nelas, trago saudades que senti, prantos que já chorei
Tristezas antigas quase esquecidas mas ainda sentidas

A poesia é como um farol, ilumina desde o passado
Vai no mais íntimo e encontra o que se havia guardado,
Busca os segredos, desses que não se quer revelados
Daqueles que, por medo, não se deixa serem sonhados

A poesia é a verdade do poeta, até quando é fingida
Quando chora as lágrimas por tantas tristezas vividas,
E vão em busca de beleza, até dos olhos em prantos
E diz que a alma chorando é o mais belo dos encantos

Se entrega toda nos versos até em rimas desencontradas
Rima tristezas e cantos com ladainhas nunca antes rezadas
Rima em estrofes incompletas até nomes já esquecidos
Diz que a rima não é nos versos mas naquilo que é sentido

Ainda se faz toda rogada, no escrever, nas entrelinhas
Mistérios que só ela sabe, só ela sabe dizer ao certo
Assim escreve-se, a si mesma, num perfeito alinhavar
Rindo diz  que a beleza da vida é sempre (re)começar.

J J Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
22/11/2.023

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Minhas amantes... as estrelas.

 A mim não importa o movimento das estrelas,
Me basta apenas vê-las... aquele brilho tênue
Como fossem vagalumes enfeitando o céu!
O cintilar de prata, como me emociona vê-las!!

Com elas conversando comigo, invento sonhos,
Histórias, ladainhas, traço rotas entre todas elas
Só não consigo conversar com a estrela cadente
Passa rápido, tal como um flecha incandescente

Ah! As estrelas!! me levam a devaneios distantes!!
Trazem saudades, por vezes... vindas com prantos
Outras vezes lembram algumas promessas perdidas
As vezes vêm num raio de luar despertando encantos!

As estrelas, são minhas mais confiantes confidentes
Passam noites em claro a me ouvir, sempre caladas,
Choram comigo, escondem as lágrimas entre as nuvens
Se o pranto é como o meu, fingem que estão apagadas

Somos tão íntimos! Elas me chamam pelo meu nome,
Tentei dar nome a cada uma delas, mas disseram não,
Até a Estrela D'alva... aquela de todas as madrugadas
Disseram: somos tuas amantes, vivemos em teu coração.

Acadêmico: JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
16/11/2.023

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Quando a saudade te traz

 Quantas vezes me veio o pranto por apenas pensar em ti!
As lágrimas se faziam, cada uma, uma letra do teu nome
E traçavam caminhos em meu rosto como fossem tatuagens
Desenhadas até na alma contando histórias do que já vivi

O peito arfando como se o coração quisesse gritar cantigas
Que falassem o que sentia por apenas sentir tua saudade
E assim, lágrimas, prantos e lembranças se faziam vivas
Como se desde muito, desde sempre fossem tão amigas

As recordações traziam emoções e os lábios... tremiam 
Só sabiam sussurrar teu nome como se reza uma oração
E os olhos, perdido no nada, confusos, choravam e riam

No conflito de contraste tão absurdo diziam suas verdades,
Choravam pela tristeza da carência, da falta que você faz
E sorriam por te verem viva...  quando a saudade te traz

Acadêmico: JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
15/11/2.023

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Como entender a poesia!!!?

 Essas poesias!! As vezes me pegam de surpresa!
Chegam sem dizer nada, se fazem até sem razão
Então corro desesperado, buscando lápis e papel
Aí lhes escrevo até em papel de embrulhar pão

E elas ... tão humildes... não se fazem de rogadas
Se deitam confortáveis como se deitadas em seda
Se criam em rimas como se vindas do coração
Se fazem belas, inocentes como fossem uma oração

Contam das lágrimas, sorrisos, de infindas saudades,
Contam tristezas, de prantos que até caducos ficaram
E ainda hoje, pensam que são de ontem, e a poesia...
Diz, carinhosa, que a alma e os olhos já os choraram

Um dia chegou uma... ofegante querendo ser escrita
Atropelava as palavras, gritava, engasgava os versos
E eu sem lápis, sem papel, nem mesmo onde sentar
Tomei um ramo, escrevi no chão e ela se pôs a cantar!

Não entendo as poesias... são tão doces, tão lindas
Mas não querem saber onde serão escritas, apenas vêm
Contando sonhos, histórias não acontecidas, fingidas
As vezes até contam prantos nunca chorados por ninguém.

Autor: JJ Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental.
Postagem oficial: 17/12/2.023

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Meus anjos poetas!!

 Quantas poesias ainda posso escrever? Não sei!
Não sei como estão meus anjos poetas no espaço
Se ainda me querem como alma cativa a servir-lhes
Se ainda me ditarão saudades para eu fazer o que faço.

Meus anjos poetas, em versos, me contam histórias
Brincam com o tempo pintam poesia em versos rimados
Algumas vezes, não sei porque, deixam versos incompletos
E se vão sem dizer nada com os versos todos inacabados

Meu anjos poetas, soltos no espaço, contam coisas de amor
Falam de saudades, até as mais distantes, como se de ontem
Falam de risos, de prantos, de alegria, falam até de tristezas
Fazendo de tudo uma verdade, dita com muita certeza

Não sei mais quantas poesias, não sei mais quanto pranto,
Não sei qual será o tema, a rima, não sei mais o que faço
Mas estão por aí passeando no tempo até inventando amores
Outras histórias. Ah! Meus anjos poetas soltos aí no espaço!!!

Autor: JJ Cruz
Academia: ACML
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental.

Choro, igual a minha, a dor dos outros

Que egoísta seria e nunca, eu juro, me perdoaria 
Fazer meus olhos chorarem apenas as minhas dores,
Chorarem saudades com se só eu as pudesse sentir
Clamar perdão como se só eu merecesse tais favores

Choro, como se fossem minhas, também dores alheias
Invento orações e rezas por dores que não são minhas
Até me faço provedor de lágrimas, empresto os olhos
Fabrico prantos como se o olhar rezasse uma ladainha

Por vezes pensam ser meu o sofrido pranto que choro
Não é fingir, as vezes quem sente a dor não sabe chorar
Soluça um pranto preso  na garganta, sufoca a alma
Então empresto minhas lágrimas apenas para ajudar

Minha alma, à dor dos outros, nunca foi indiferente
Até me impõe que os olhos estejam sempre despertos
Para que tenha prantos até para dores que não sente
Meu pranto, para minha ou dor outros não é diferente

Acadêmico: JJ. CRUZ
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Publicação oficial: 09/10/2.023