quinta-feira, 6 de novembro de 2025

O amor não é inocente... como dizem

O amor não é tão inocente assim com dizem
Quem disse  nunca deve, um dia, ter amado
O amor é como espinho, fere quem beija a flor
Para se mostrar um amante que fere por amor.

Minhas cicatrizes, ainda abertas na alma, dizem
O que foi um dia ter amado, cicatrizes profundas
Por vasto e doloroso pranto agora são banhadas
Ainda assim, eu sei, nunca serão  cicatrizadas

Nos olhos úmidos, imagens nunca esquecidas
Se desenham em doloridas esculturas tristes
Como se cada lágrima fosse uma dor acontecida

O amor não é tão inocente assim como dizem
Se vai, as vezes até mesmo sem adeus, sem razão
E deixa apenas o vazio triste de tão doída solidão.

José João
06/11/2.025

Será que os poetas mentem?

- Você é poeta? Um dia me perguntaram isso na rua
- Eu?! Por ainda não me sentir tanto, tive que perguntar:
Porque pergunta, alguma coisa em mim me diz poeta?
- Você tem cara de quem inventa dores só para chorar

- Os poetas inventam dores?! E o que mais inventam?
- Inventam dores novas, é muito comum fazerem isso
Se não inventam, então fingem. O poeta finge realmente?
- Não sei, acho que o poeta chora apenas a dor que sente

- Poeta mente sim. As vezes, rindo, escreve poesias tristes
Na noite mais escura diz ver brilhar o sol do meio dia
Em plena madrugada chuvosa para o sol escreve poesia 

E ainda dizem, o poeta tem a magia de ver o invisível,
Diz guardar estrelas, diz ver tudo mais bonito, diferente
Pra mim, desculpem, mas acho que todo poeta mente.



José João
06/11/2.025

... de muito além.

 Minha dor, na verdade, não precisa mais de mim
As vezes vai sozinha ... e me espera no caminho
Se faz em ironia se tenho que senti-la e chorar
Sempre me sabe disponível indo sempre sozinho

Minha dor, não é aquela dor que se grita chorando
Nem a que se grita no meio da multidão em silêncio
É diferente, é uma dor que anda sozinha, sem pressa
Que sabe de mim e apenas espera me ver chegando

Onde for, lá está ela, calma, vazia, sentada no tempo
Enquanto houver tempo ela não precisa de lugar,
É dele que se faz de passageira para em mim chegar

Que dor é essa? Sinceramente! Eu não sei, só sinto.
Mas não é qualquer dor, até o pranto é diferente
Parece que vem de além do tempo, de além da gente.

José João
06/11/2.025



terça-feira, 4 de novembro de 2025

Tristeza, solidão e saudade são da mesma cor?

 Qual cor teriam a saudade, a tristeza e a solidão?
Com certeza não teriam a cor transparente do pranto.
Saudade e solidão, será que teriam a cor da tristeza?
Mas qual seria a cor da tristeza? Teria alguma beleza?

Nunca vi, nem mesmo nos olhos, a cor da saudade, 
Da solidão, também nunca vi, essa só se sabe sentir
Outro dia senti uma tristeza viva desenhada no rosto
Mas não pude ver, não havia espelhos, só desgosto

Até a poesia, que sabe tudo sobre tristeza e solidão,
Sobre pranto e saudade, não me soube responder
Qual a cor da saudade, da solidão, alguém sabe dizer?

Delas já fui amigo, em muitas noites me acalentaram
Mas não lhes via a cor, sempre chegam com o pranto
Que me encharcava os olhos e nada me deixava ver.

José João
04/11/2.025

sábado, 1 de novembro de 2025

Duas histórias no mesmo contexto

 Quantas vezes, não sei, mas não amei apenas uma vez
Se o fosse, o amar não seria infinito a cada instante
A vida seria amarga, triste, só lágrimas e saudade
A se fazerem uma única história por toda a eternidade

São muitas as saudades sentidas, os prazeres vividos
Amar só uma vez, faria a solidão se fazer sempre viva
O amor, por não ser egoísta, permite que se lembre
Dos ontens, junta aos amanhãs e lhes faz história cativa

Pode-se amar amanhã muito mais do que ontem se amou
Pode, ontem, ter sido um amar maior que hoje e amanhã
Importa é que a vida, entre um amor e outro, continuou

Sorrisos antigos são lembrados, os novos são bem vindos
Sonhos novos e antigos se escrevem num mesmo texto 
E ficam algumas verdades escritas num mesmo contexto

José João
01/10/2.025

Nunca esqueça ...Eu sou teu Deus.

- Senhor. Sei que devo confiar em Ti, mas... sinto medo.
Estou vendo coisas absurdas, fatos que fazem tremer e,
Aos menos crentes até faz duvidar de Tua existência.
- O que vês que te assusta tanto? Não foste avisado?
Não foste alertado? Não ouviste quando Eu disse:
"Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que
Realizarão grandes sinais e maravilhas, para,
Se possível, enganar até os eleitos" Então...
- Não pensei que chegassem a tanto, é assustador!
Perderam a razão, até parece que enlouqueceram!
- Não, não é propriamente uma loucura, é mais.
Lembram-se de como lhes fiz nascer? Esqueceram.
Mas lhes fiz Minha Imagem e semelhança, 
O que fizeram? Distorceram minha imagem, como?
A quem adoram agora? É a mim? Sempre ensinei
Que  "não habito em templos feitos por mão humana!
COMO PODERIA SE SOU INFINITO E ETERNO?
Lembram-se o que fiz no Paraíso. Um homem e uma mulher,
COMO OUSAM MODIFICAR MINHA CRIAÇÃO?!
- Por isso tenho medo. Estou aqui, vejo as iniquidades
E, sem querer faço parte dela, me assusta sua vinda.
O que será de nós no meio de tantas anomalias?!
- Não temas, porque eu estou contigo, não te assombres,
- Sim Deus, eu sei mas... desculpa, apesar de saber 
De toda sua bondade e justiça, devo fazer minha parte
Mas estou perdido e, sinceramente, não sei o que fazer.
- Simples, muito simples, Ama o próximo com a te mesmo 
E... nunca esqueça  QUE EU SOU O TEU DEUS.


José João
01/10/2.025

Uma rima impossível...

 Na minha loucura gosto de fazer rimas impossíveis
Rimar amor com adeus, com saudade, com pranto
Rimar verdades com as mentiras alegres e fingidas
Rimar lágrimas choradas com dores ainda não sentidas

Um dia, rimei saudade com uma história sem adeus
Faço rimas impossíveis, nem sempre no fim do verso
No meio da verso a tristeza, rimando com a certeza
De uma alegria sentida, no chorar da despedida

Brinco de rimar costurando pedaços de hoje e ontem
Fazendo chegar a saudade de adeus ainda não dito
Como se o tempo soubesse o que ainda vai ser escrito

Minhas rimas são tudo aquilo que a razão não diz  
Na verdade, são loucuras que me fazem acreditar
Que amor, coração e razão nunca poderão rimar

José João
01/11/2.025

Só o pranto para chorar uma presença...ausente

 Não guardei apenas lágrimas, guardei muito mais
Guardei lágrimas, prantos, são bem mais que lágrimas
Bem mais eloquentes, são gritos desesperados da alma
Se fazem rios, nenhuma dor para o pranto é demais.

Porque guardei tanto? Um dia haveria de sentir saudade
E como se  chora uma saudade sem um rio de pranto?
Como chorar a dor insuportável de uma presença ausente?
Da ausência de quem está bem ali,  bem na nossa frente?

As vezes a presença é tão forte que perfuma o tempo
Até parece que toma a voz do silêncio e fala baixinho
Outras vezes é a brisa, traz o dizer na voz do vento

Não pode haver ausência do que está dentro da gente?
Os olhos não veem, não importa... é a alma que sente  
Só o pranto chora a ausência do que a saudade faz presente

José João
01/11/2.025


O que mesmo é a saudade?

 As ilusões perdidas, continuariam perdidas no tempo.
Não fosse a saudade, ficariam guardadas no esquecimento
Nem os sonhos, que também são ilusões, se fariam vivos
Aí não haveriam dores, lamentos, nem arrependimento.

Não haveria o pranto para ser chorado pelo que passou,
Chorando dolorido adeus com as ilusões que se foram,
Não haveria a perda de lágrimas enganando a alma
A fazê-la crer que haveria volta, que a ilusão... voltou

Não fosse a saudade trazer de volta o que um dia se foi,
Não fosse ela pensar que isso seria fazer viver outra vez
As ilusões continuariam perdidas, nem haveria um talvez.

Não sei o que é a saudade, se é uma outra face da ilusão
Se é uma doce e inocente senhora tentando alegrar vidas
Trazendo o que já passou e ela pensa que alegra o coração.

José João
01/11/2.025

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O milagre das notas musicais.

 DÓ... nas cordas do vilão faço assim a poesia
Dois versos para sentir dó de mim mesmo
Ré, choro mas não encontro passos para voltar
Dois versos para cada dor, e um mesmo chorar

MI... MInha voz cala, sem conversar comigo
Estando a meio tom quase não se consegue ouvir
FÀ... poderia grita-la nas cordas de um violão?
Não ela me vem rouca, como fala a solidão

SOL, confere-se com os dedos da mão
No piano, esta mão não é a do lado do coração
LA , vai desde a afinação do quem vem da alma
Um acorde mágico, canta até mesmo uma benção

SI Outro acorde mágico que se faz até poesia
São poemas musicais que podem ser até divinos
Sempre se fazem tristes quando se diz um adeus
Será que Guido D' Arezzo conversava com Deus?

José João
30/10/2.025

terça-feira, 28 de outubro de 2025

A chuva chorando com a noite.

A noite chora lá fora... a chuva lhe cede o pranto
Que cai como fosse um canto de uma nota só,
Apenas uma melodia repetindo o que a tristeza diz
E o vento sussurra a dor que a noite grita em triste dó

Nas noites de chuva o silêncio se esconde calado
Como se a voz do tempo fosse uma chorosa oração
E tudo se faz apenas um canto triste, cheio de vazios
Em que o escuro da noite se desenha no meio solidão

Aqui, entre as paredes iluminadas por um lampião
Pedaços de histórias se costuram em saudades vivas
Que na alma, pelo tempo, se fizeram todas cativas

Para anoite, a chuva se entrega todo em triste pranto
Canta, suave, canções desconhecidas que só ela sabe
Se for preciso, toda a chuva chorada, na noite, não cabe

José João
28/10/2.025

Amar... é mais que viver.

 Aprendi que não importa não ter sido amado,
Aprendi que a importância maior de viver
É amar, não esse amar fácil, dito em palavras
Mas um amar por apenas amar, fazer acontecer

As vezes me sinto estranho quando chega em mim
A sensação que amar é muito mais que viver
E a esse pensar me entrego todo e sem reservas
E penso que amar e viver são apenas um... ser

Não importa se sou amado, ter o amor aos pés
Se, pra mim, amar é mais importante que viver,
Quero apenas te amar, te amar sem saber quem és

Ama-me a mim como amo a ti, sempre ouço dizer.
Que me ames como a ti eu amo, não, nem precisa...
Afinal sou eu quem diz que amar é mais que viver

José João
28/10/2.025

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Para novos sonhos... basta apenas estar desperto

 Enquanto meus sonhos ainda estiverem vivos,
Pertos de mim, como se o agora fosse logo ali,
No amanhã mais próximo, farei de cada um deles
A eternidade de um momento que ainda não vivi

Quando senti-los como respostas vindas da alma
Trazendo histórias ainda não escritas pela vida,
Quando cada um deles contar o que ainda não sei
Farei de mim uma nova página pronta para ser lida

Tracei planos, corri entre os sentimentos e ser eu,
Corri no tempo, sonhei sonhos que não eram meus
Assim os meus se foram e em mim tudo se perdeu

Mas ainda sinto meus sonhos bem ali, bem perto
Parece passarem lentos para que possa alcança-los
A mim, para sonha-los, basta apenas estar desperto.

José João
26/10/2.025

sábado, 25 de outubro de 2025

No meu tempo... o futuro era mais bonito

 Quantas vezes brinquei de sonhar saudades antigas,
Daquelas saudades que o tempo esqueceu de esquecer.
Dessas saudades que eram mais belas, e mais puras
Porque se faziam histórias do mais divino acontecer

No passado, lá bem distante, o futuro era mais belo
Os dias eram escritos em versos ditados pela alma
O amor teimava em ser verdade nas palavras ditas
Os poemas não se faziam em tantas palavras aflitas

Hoje, o futuro do passado, que nem ainda aconteceu
É vazio,  o adeus é frio, não tem mais gosto de adeus
Sem lágrimas só um aceno mudo do que se perdeu

Parece que a saudade morreu, já não existe mais
O passado se fez  um pedaço de tempo sem cor
Escritos em versos mudos, agora sem nenhum valor

José João
25/10/2,025

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

É perigoso sonhar mas... é preciso.

 Deixei, em uma janela que dá para a rua dos sonhos,
Pedaços de solidão riscados em versos mudos,
Uns dizendo: cuidado é perigoso sonhar...
Outros diziam: cuidado, os sonhos podem enganar

Assim, me ponho a fazer de mim apenas eu,
Juntando palavras, costurando sonhos e vidas
Ouvindo o canto do silêncio dobrando o tempo
Indo, inocente, levado com carinho pelo vento

Que me venham as lágrimas, alegres ou tristes
Que venham os sonhos que me possam enganar
Mas não posso, ainda assim, deixar de sonhar

Quando é muito a dor que o tempo me faz sentir
Corro a buscar sonhos, desses que nunca sonhei
Cuidado é perigoso sonhar, mas é preciso, isso eu sei

José João
20/10/2.025

domingo, 19 de outubro de 2025

Meu anjo poeta brincando comigo.

Havia separado catorze versos, todos completos
Muitas rimas, dessas que fazem a poesia plena
Guardei vírgulas, pontos... os mais diversos
Tudo pronto para, na poesia, entrarem em cena

Guardei numa caixa mágica, só eu tenho a tranca
É invisível e só guarda coisas também invisíveis
Deixei numa janela que dá para a rua dos sonhos
Ah! Sim, para os poetas essas coisas são possíveis

 Quando o pôr do sol, de joelhos, cantava a Ave Maria
Busquei a caixa mágica, fiquei surpreso com o que vi
Três versos desapareceram, o poema ficou só até aqui

Só eu tenho a tranca da minha caixa mágica invisível!
Obrigado a improvisar, escrevi até coisas sem sentido
É aquele anjo poeta! Ele sempre apronta assim comigo

José João
18/10/2.025

O desencanto e o sal do pranto

 Ignavo desencanto! Porque me roubaste o sal do pranto?
Mas te direi, salgarei as palavras e as chorarei como lágrimas
Assim, cobrirão meu rosto e nelas porei a doçura de um canto
E cada palavra, salgarei a gosto, sem ser pouco, nem ser tanto

Farei que a mim seja dado, por dom divino e a mim permitido
Tirar da tristeza o sal que com ela vem quando chega aos olhos
Com ele temperar saudades distantes ainda vivas na memória
E a te, desencanto, farei um mero ontem sem nenhuma história

Ignavo desencanto! Ousaste roubar de mim o sabor do pranto!?
Pensavas que só as lágrimas podem ter nelas o gosto de sal?!
A tristeza salga as palavras e nos lábios o gosto é muito igual.

Como são belas as palavras choradas e com sal temperadas!
Saindo ao tempo feito lágrimas que choram um triste chorar
Mas... que seriam lágrima e pranto sem o sal para lhes salgar?

José João
19/10/2.025

sábado, 18 de outubro de 2025

Apenas um rimar... discreto

 Acordes distantes de uma canção acordam a noite
O silêncio se dobra, as notas musicais se fazem canto,
Embalam sonhos, buscam momentos quase esquecidos,
O pensamento voa  entre detalhes ainda não vencidos

Um raio de luar se deita no chão prateando as flores
E sombras se fazem, e dançam abraçadas com o vento
Que carinhosamente lhes levam em delicados passos 
A rodopiarem leves... envolvidos num terno abraço

Um quadro perfeito para a poesia se sentir toda e plena
Brinca de fazer da solidão um vazio cheio de saudades
Não deixa que a tristeza se desfaça toda em prantos
E vestida de risos faz que a alma tenha toda liberdade

De valsar, de brincar, de sentir a beleza dela mesma
E aí... me lembro de mim, como um verso incompleto,
Destoando de todo o cenário, sem fazer parte do poema
Apenas uma pequena ponta solta num rimar... discreto

José João
18/10/2.025

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Eu apenas empresto as lágrimas.

 O vento canta uma canção que me convida a sonhar
Mas um terno pôr do sol me convida a sentir saudade
E o quebrar das ondas sobre a areia lembra o pranto
Dentro da alma um adeus que se faz dolorida verdade

A brisa, o pôr do sol, a saudade, se fazem desafios
Como se provocassem a alma a sentir e não chorar
Como se as lágrimas não fossem gritos de angustia
Que a tristeza de uma saudade  foi no tempo buscar

Um dueto melancólico, o canto do vento e do mar
Cantando melodias cheias de notas desconhecidas 
Que só uma alma em tristonho vazio sabe escutar

Eu... apenas me calo e me ponho a mercê do tempo
Deixo que me cheguem e até mesmo como favor
As lágrimas, delas, para a alma, sou só o provedor

José João
16/10/2.025

... E o que não pode o poeta?

 Ainda tenho sonhos para sonhar, tenho canções...
Doces canções para cantar, caminhos para seguir.
Tenho estradas, belas estradas cheias de flores 
E um terno silêncio cheio de eco contando amores

Tenho raios de luar prateados, deitados no chão
Sobre lírios, orquídeas e perfumados jasmins
Tenho o alvorecer desperto em trinados matinais
Tenho um jardim encantado cuidado por querubins

Tenho o pôr do sol diferente, até dois no mesmo dia
Esculpidos por mão divina, sem precisar de cinzel
São artesanatos costurados com pedacinhos do céu

Sempre me perguntam com posso ter tanto assim?
Como encontro o que quero e tudo na medida certa?
Eu apenas pergunto: e o que não pode o poeta?

José João
16/10/2.025

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

O gosto salgado do pranto

Não sei mais dos quantos adeus já ouvi.
Alguns gritados, outros com um aceno
Adeus sem palavras, apenas o silêncio
Deles, juro, não lembro a dor que senti

Ah! Mas teve um adeus e, somente um
Que os olhos gritaram tanto que o pranto
Juntou-se ao tempo e choraram juntos
Aí se fizeram chuva por serem tanto

Mas nomes? Não me aponho a lembrar
De todos eles, apenas um não esqueci
E foi só esse ...esse que me fez chorar

Desse pude sentir o gosto das lágrimas
Beijei o pranto que lhe caiu no rosto 
E foi dele o sal que me deixou o gosto

José João
15/10/2.025

Eu... ontem e hoje

Sentado na beira do tempo conversando comigo,
Senti saudade de mim, dos sonhos que sonhei,
Das histórias de amores passageiros que vivi
Dos carinhos que dei... dos carinhos que recebi.

Os dias passando lentos, sem nenhuma pressa!
Ah! Como lembro! Podia deixar para amanhã
Coisas que, no amanhã, já nem importavam mais
Havia nascido outro sonho, uma outra promessa

Havia tempo para tudo até para esperar acontecer.
A juventude não precisa de pressa, o tempo espera
E, a ele, eu parava quando os sonhos se coloriam
Se faziam verdades em histórias que aconteciam.

Hoje, só a saudade de mim! Os cabelos brancos,
O tempo indo rápido, bem mais rápido que eu,
Os amanhãs chegam de pressa! O tempo a correr
Não dá mais para esperar, tem que fazer acontecer

São lembranças antigas que se guardaram na alma,
Palavras que não foram ditas, agora gritam em silêncio,
Os jovens risos se fizeram pobres e cansados prantos
Num rosto em que a marca de tantos anos tirou o encanto

Tudo ficou tão longe! Tão incoerente e sem razão!
Que quando converso comigo esqueço de lembrar
Qualquer coisa de lá, lá daquele jovem que fui
Agora, sem sonhos para sonhar, só me resta... chorar 

José João
15/10/2.025

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

É pouco a dor do adeus?!

A mim, agora a vida pergunta o que é dor
Não essa dor de chorar, mas a dor de sofrer,
Esse sofrer, tão sofrer, que faz de uma só vez
Viver sem se estar vivo e morto sem morrer

E assim os sonhos se escondem na insônia
A saudade se perde em recordações tristes
As madrugadas se fazem apenas contornos
De um quadro em que a alegria não existe

A sofrer verdadeiro nem pode ser contado
Só pode se fazer vivo e todo apenas no sentir
Quando a solidão toma o tempo emprestado
Nele faz confortável morada e... como louca,
Grita num tenebroso silêncio sutil e mudo
Que a dor por adeus é sempre muito pouca

José João
13/10/2.025

Eu e meus sonhos

Desde muito vou caminhando pelos horizontes
Cruzei rios, mares, tempestades, sempre indo
Andei sozinho nas madrugadas, sobre montes
Vendo o luar prateando flores ainda se abrindo

Caminhei com vaga-lumes como fossem anjos
Iluminando estradas nas noites mais escuras
Quantas vezes acordei flores com meu pranto
E no alvor do dia, dos pássaros imitava o canto

Ah! Como já caminhei! Só eu e meus sonhos!
As vezes uma saudade doída abrindo vazios
Que escondiam horizontes, jardins e caminhos

Mas sempre levava algumas palavras soltas,
Pedaços de solidão riscados em versos mudos
Balbuciando poesias em rimas pobres e rotas

José João
13/10/2.025

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Uma estrada sem rastros.

 Ah! Essa minha alma! De tão cega pela tristeza
Se entrega a descabido pranto sem nenhum pudor
De joelhos, aos gritos, reza orações desconhecidas
As vezes reza heresias por tão grande lhe ser a dor.

Calar-me assim, emudecido, em triste mudez atroz
Que ao silêncio deixa no mais confortável vazio 
Que até a brisa cala como se o mundo perdesse a voz 
Como se solidão e tristeza se produzam em fecundo cio

E eu a contentar-me em gritar com um vasto pranto
Que vai ao tempo silencioso murmurando os ais
Que por mais que tente calar-me e fazê-los mudos
Eles, dor e pranto em indecente coito se fazem mais

Assim, vou a lugar nenhum, e sem saber de mim...
Perdido em estradas que nem rastros deixa ficar
Mesmo indo entre o vagar e a pressa não os tenho
Se apagaram para que, por eles, não possa mais voltar

José João
09/10/2.025

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Eu... aprendi voar.

 
Por vós calarei a alma e ela por vós calada,
Far-se-á, coitada,  pobre pássaro a calar-se mudo
E vós, a mim dirá, com toscas palavras cruas
Como ousas olhar-me, com esse olhar imundo? 

O que vos direi? A fidalguia de vosso sangue
A correr azul, em vossas veias, far-me-á calar
E a voz, em rouco pranto, decerto nada dirá
E a alma, desesperada, a vós quereis confessar

Mas, ai desse pobre eu, olhando hirto para o chão
A calar-se ante vós em doloroso e cruel sacrifício
A contentar-se sonhar com doce voz a me falar...
Assim, sonhando, escondo esse tão doloroso suplício

Por vós calei a alma, me fiz pássaro a voar sem rumo
Por vós perdi o passo, caminhei a ermo indo ao léu
Entretanto, a vós  agora digo, perdi o medo de vos falar
Vosso orgulho, aqui no chão vos deixa, eu aprendi voar.

José João
08/10/2,925

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Me empresta uma lágrima!!!

 Ei! Você. Tem algumas lágrimas disponíveis?
Sim! Lágrimas que você não queira chorar...
Lágrimas que você esqueceu, não quer mais
Qualquer uma que não precise mais guardar

Estou precisando, ontem chorei tanto um adeus
Meus olhos, até pensei, terem se feito um rio
Antes eles pareciam um rio, desses, temporário
Agora um rio perene, como orações de um rosário

Por favor, não me negue uma lágrima.. não tem?
Que pena! Não tem uma lágrima para emprestar?!
Você não pode, nem ao menos, me ajudar chorar!?

Então, me engana com um sorriso, mesmo fingido
Desses que nos retratos enganam num falso sorrir
Aí aprendo chorar na alegria mentirosa de um fingir.

José João
06/10/2.025

domingo, 5 de outubro de 2025

Alegrias alegres... posso enviá-las?

 Vendo sim. Tudo que possam imaginar! Tudo!
Tenho, vejam, até um pedido de alegrias alegres
Dessas alegrias tão difíceis... quase não existem
Mas com o pregoeiro dos sonhos não apostem

As alegrias alegres que vendo são risos de anjos
Desses que alegram os corações das crianças
Eles cavalgam estrelas cadentes até no infinito
Delas, trazem alegrias alegres feitas de esperança

Na verdade, tenho dúzias e dúzias para vender
Mas, imaginem, juntar todas elas e entregar!
As alegrias alegres são tão agitadas, inquietas
Sempre em qualquer rosto elas querem estar

Não existe papel que se possa embrulha-las
Elas veem num saco mágico feito de sonhos
Costurado com um laço lindo... cor de luar 
Cada uma com um brilho especial para seu olhar

Mas, como disse , entrega-las é muito difícil
Para que as receba é... preciso saber perdoar
É preciso abrir o coração, entregar-se... amar
E só posso entrega-las quando sua alma mandar

José João
05/10/2.025







sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Eu! O caixeiro-viajante

 Olha o caixeiro-viajante!! Vendo o que imaginar,
Preços módicos, dê o preço do que quer comprar.
O importante é a satisfação de vê-lo sorrir alegre,
De ver um riso aberto e solto perfumando seu olhar

Tenho estrelas, estrela da manhã, a estrela cadente
Essa é muito difícil de conseguir, tenho apenas duas,
Tenho raios de luar costurados em poesias completas,
Tenho lágrimas alegres, tristes, nas medidas certas

Tenho, para vender ou trocar, lágrimas, das especiais
Choradas por saudades nascidas de um mudo adeus.
Tenho sonhos (poucos) que nem foram ainda sonhados
Esses a preços módicos, podem também ser trocados

Se lhes forem poucas as lágrimas que queiram chorar
Tenho mais que lágrimas, tenho transparentes prantos,
Vindos direto de uma fonte que nasceu no horizonte
Mas com esses vão também os gemidos como cantos

Tenho também pedaços de silêncio perdidos do eco
Ah! Sim! Ninguém compra mas eu tenho, solidão
As pessoas sempre a confundem com estar tão só
Não sentem que é a alma conversando com o coração

Tenho tudo que imaginarem, poesias que fazem chorar,
Dessas que fazem os olhos enganarem num sorrir fingido
Falar em fingido, tenho teus prantos ainda não chorados 
Estão dentro da tua alma com teus tantos medos guardados

Olha o caixeiro-viajante! Que vende alegrias tristes,
Que troca, nos versos, tua tristeza por uma rima
Dessas que até os anjos declamam por tanto sentir
E querer ver, na beleza de teu rosto, um belo sorrir

José João
03/10/2.025

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Nunca é... apenas um jarro que quebrou

 Que triste! Estavam juntos o Álisso e a Rosa,
Abraçados, se faziam todos num doce perfume
Parecia até que conversavam bem baixinho
Riam felizes, no mesmo jarro, bem juntinho

Hoje, amanheceram tristes, pálidos, sem cor
A doce fragrância, verdadeiro milagre divino
Perdeu-se no ar, se foi ao tempo num triste ir
Os dois caídos, deitados, sem nenhum fulgir

Se olhavam sem nenhum brilho no olhar
Sua pétalas se juntavam num abraço triste
Como se um dissesse ao outro: não desiste

Tudo foi tão triste que até o tempo chorou
Os dois, no chão, ainda se faziam amantes
O jarro em que os dois estavam caiu e quebrou.

José João
30/09/2.025

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Do que vou falar? Digam.

 Do que vou falar? Digam o que querem que fale?
Querem que fale baixinho em calados sussurros?
Querem que grite prantos? São mais que lágrimas.
Ou querem que emudeça a alma e a ela... cale?

Digam o que querem para eu falar, para dizer...
Mas talvez eu não diga o querem de mim ouvir
Não sei como cada alma sente sua própria dor
Eu, por exemplo, delas não sei falar só sei sentir

As vezes a dor é tanta que palavras não traduzem
Então o que vou falar? Minha dor é diferente da sua
Algumas dores vem vestidas, a minha me chega nua

Algumas se vestem de solidão, outras só de saudade
Como saber, me diz, com qual cor tua dor se veste?
Diz, ao menos, para sentir tanta dor, o que fizeste?

José João
29/09/2.025

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Para ouvir as estrelas... basta apenas saber amar,

Ora... a mim dizes que o silêncio me faz mudo,
Que sou louco ao contentar-me em ver estrelas,
Que passo a noite a ouvi-las contar-me seus segredos
Mas afirmo-te, não é loucura, é só o prazer de vê-las 

Dou-me a sentir, lá do infinito, prazer muito maior
De ouvi-las a falar-me do que aqui nunca ouviria
Se o silêncio aqui, quando muito, é só um murmurar
Comigo elas gritam fazem até minha alma despertar

Ao ouvir-me assim falar me chamarás de pobre louco
E eu a contentar-me ouvi-las nas noites... tão serenas
Que te digo, ouvi-las por toda vida, a mim ainda é pouco
 
Ainda assim perguntas: como posso a isso me entregar?
Noites em claro, olhando estrelas e como poder ouvi-las?
Caro amigo, para ouvir as estrelas, só basta saber amar

José João
26/09/2.025

terça-feira, 23 de setembro de 2025

O grito estridente da solidão

 Que triste! Esse grito estridente da solidão!
Se faz tanto, não para, e chega como pesadelo
Marcando a alma que quase como louca
Tenta se esconder num silêncio que não existe.
Uma nuvem densa chega como viesse do nada,
Como fosse poeira levantada por um vento forte,
Que fica colorindo o tempo em cores tristes, e...
O som estridente, como se um instrumento de aço
 Cantasse uma música sem ritmo nem melodia.
Tudo fica tão estranho, tão sem razão de ser 
Que até o mundo se faz mudo, sem voz, para ouvir,
Sem entender, o estridente, quase raivoso... grito
Da solidão que, sem nenhum pudor, se faz uma voz,
Solida, dura e fria até quando? Talvez até mais tarde
Quando sua voz se fizer apenas um eco distante.

José João
23/09/2.025

domingo, 21 de setembro de 2025

Lágrimas sem sentimento... não são lágrimas

 Sentimentos! Tentei esquecer os meus, todos eles,
Porque sentir, por toda vida, o que só faz chorar?
Ir em qualquer lugar e lá está ele... o sentimento
Sem pedir licença para ir, nem pedir para chegar

É uma tristeza nos olhos, uma vontade de gritar,
De ir sem ter aonde, de ficar sem nada para esperar
Sentimentos fazem chorar prantos que não se tem
Até a solidão.. chega com seu silêncio e desdém

Mas quem diria?! Foi pior fugir do sentimento
Com ele, os prantos vinham cheios de motivos
E os olhos, mesmo triste, a ele ficavam cativos

E eu! Não tinha a alma assim cheia de vazios,
As lágrimas tinham razão para serem choradas
Sem ele não passam de água sem sal, as coitadas

José João
21/09/2.025

sábado, 20 de setembro de 2025

Quase sempre os sonhos mentem

Não deveria ter sonhado, mas sonhei
Talvez tivesse sido melhor olhar a vida
Saber-me desperto, são muitos os riscos
Ah! Se marcassem sonhos  com asteriscos!!

Uns dizendo: cuidado é perigoso sonhar!
Outros dizendo; os sonhos podem enganar!
Mas eles chegam falantes, sempre prontos
Com fossem histórias, como fossem contos

As vezes o sonho engana e ainda insiste
Em se fazer verdade mas só até amanhã
Quando se perde na outra noite que chega

Um outro despertar mostra a cruel certeza
De sonhos que se sonha apenas por desejos
Que vieram mentirosos sem que se perceba.

José João
20/09/2.025

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Quando a alma insiste, eu...

 Não permito mais que minha alma chore de tristeza.
Nem que meus olhos lhe seja provedor de prantos
Cansei e disse a ela, chega. Perdas.. só no outono
Então, grita o pranto: eu a tua alma somos teu dono

Me revolto, como posso chorar sem que eu queira
Como pode o pranto vir aos olhos sem minha vontade?
Como não me permitem um sorriso alegre e solto?!
E me veem com um pranto amargo, em soluço roto!

A alma brinca de fabricar saudades, e ainda diz
Sou tua alma, que sente o que pensas que sentes
E mais, é em mim que fica, do adeus, a cicatriz

Assim me ponho a fazer de mim... apenas um eu
Aquele que chora quando a alma se sente triste
Que fabrica prantos se a alma em chorar insiste

José João
15/09/2.025





quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A saudade é uma estrada para quem fica... ou vai

Fiquei aqui com meus momentos guardados dentro de mim,
Guardando todos os detalhes, Lembro aquele olhar sorridente
De quando te dei aquela flor e te disse, baixinho: te amo...
Lembras? Tanta emoção que os sorrisos choraram de alegria,
Teus olhos brilharam como se fossem pétalas orvalhadas...
Ainda tenho guardada a poesia que te fiz e que rimei
Teu nome com o infinito eternizando cada instante nosso?
E a flor que fizemos? Suas pétalas só davam bem-me-quer...
Ah! Quantas lembranças ainda vivas dentro da minha alma!
Choro quando penso em nós... lembro o adeus silencioso,
A distância, o vazio das horas, desde ali o tempo se fez lento.
Lembro de nós como crianças inocentes por tão puro amor...
Agora estou chorando, vens na minha imaginação como anjo.
Fiquei aqui mas sempre vou contigo, não sabes, mas eu vou
As vezes te vejo tão perto que... até sinto teu perfume
Quem me dera que um dia me encontres na saudade,
(ela é uma estrada para os que se disseram adeus)
Ou no teu pensamento, as vezes ele volta no tempo...
Aí me dá um sorriso...um beijo que minha alma vai sentir.

José João
03/09/2.025