quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Para meu "amigo invisível", esse que só sei sentir

 Deus!! Nem sei se mereço que me ouças... mas...
Não posso calar, embora chorando, grito bem alto,
Te clamo! Ouve minha voz no pedido que te faço
Sei que estás vivo, ocupando todo e qualquer espaço

Senhor, estão indo ao teu encontro, como  disseste,
"Deixai vir a mim as criancinhas" e elas estão indo
Não como gostarias de recebê-las, disso sei bem
Mas os homens, Deus, só dão aquilo que eles têm

Estão te mandando, sem nenhum pudor, crianças...
Coitadas, mortas cruelmente, cortaram-lhes as cabeças
Sim, Deus, é monstruoso, foram, senhor, decapitadas
Bebês que tiveram suas vidas impiedosamente ceifadas.

Tantos a toas homens, desses que se dizem ser gente
Que negam tua existência, ironizam teus ensinamentos
Que sarcásticos, te chamam de "o amiguinho invisível"
São esses, senhor, que frios, perderam seus sentimentos

Com certeza, Senhor, podes dar outros faces aos bebês
Faze-os, desculpa a ousadia, tua imagem e semelhança
Dá a cada um deles um sorriso divino, um teu sorriso
Deixa-os ao teu lado, a sorrirem, brincarem como crianças

Ah! Deus, aproveito e peço que me dês força para falar
Coragem para gritar as atrocidades que aqui acontecem
Fé e força para gritar, louvar o teu nome onde eu estiver,
Sapiência  para falar dos teus ensinamentos a quem quiser

Bem, Deus! É isso, e muito obrigado por ainda me dar voz...
Obrigado por me permitir que ainda possa me revoltar,
Quem dera, Senhor, fosse mais forte e me fizesse ouvir!
Gritaria ao mundo, cuidem-se, vigiem, ELE vai voltar.

José João
11/10/2.023

terça-feira, 10 de outubro de 2023

A perfeição... quase existe

 As vezes me surpreendo perguntando o que é a perfeição.
Seria uma beleza verdadeira? Única? Viva no universo?
Um inquestionável encanto que não se pode contestar?
Dizem que a perfeição inexiste, mas nela se pode pensar.

Deve existir na criação divina, afinal, Deus não pode errar.
O perfume dos lírios, seu alvor etéreo alegrando a alma!
As orquídeas!! Majestosas! Fontes de desejos e sedução,
Será que não são perfeitas mostras do que é a perfeição?

Deus não pode errar, é perfeita a plenitude de sua criação
É como se tivesse criado a beleza sem um errinho sequer
Tanto que permite... a vida ser oferecida por uma mulher

Deus não erra nunca! Mas isso não impede que se pergunte
E pergunto, de forma ingênua ou como se louco eu fosse
Porque salgou a lágrima da mulher? Não era para ser doce?

José João
16/10/2.023

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Esperem... Deus está vendo.


               Os jardins estão sendo sufocados, flores morrendo
Até o arco-íris não enfeita mais o céu, se esconde
Os pássaros, parecem mais tristes, quase não cantam
Quase escondem o sol e ninguém a isso responde

Desde muito as primaveras não pintam mais as flores,
Ficaram tristes, com flores sem brilho, sem alegria
O por do sol se perde em cinzas que voam soltas
A brisa não volteia mais alegre, parece levando dores

Os homens nem percebem, tão ocupados que estão
Até a poesia se perde em corações vazios, frios, duros
Como se fosse agora apenas palavras soltas e sem alma
Os gritos se fazem ouvir, até o tempo perdeu a calma

Se veste de furacões, desses que sem pena vão indo
Amassando os lírios, as violetas, orquídeas e  jasmins
O mar se enfurece, como se precisasse lavar o mundo
E furioso vai, não respeita mais nem os pobres jardins

E os homens, alheios a tudo, só não às suas vontades
Vão enfurecendo mais e mais a natureza que se cala
Não por medo, apenas espera que o homem se faça gente
Que desperte, olhe o mundo, e não seja tão demente

Mas o homem!! Esse não se importa, é muita ambição
Alguns até com a pretensão de serem maior que Deus
Tão pretensiosos que ousam querer ditar os amanhãs
Como se os dias fossem meros brinquedos, todos seus

Pobres e à toas homens perdidos em suas toscas vaidades,
Inquilinos de um grão de areia que voa solto no espaço
E gritam que o universo é só deles, que está em suas mãos
Quando a ira de Deus lhes tomar a alma, nem areia serão.

José João
03/10/2.023

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

... no silêncio da noite...

Minha voz se cala por tristeza e, mudo, me ponho a pensar
Em um poema que, sob a luz da lua, eu pudesse declamar
Que falasse de amor, de saudade,  dessas que até a alma grita
Mas  a voz se perde como se o silêncio por mim quisesse falar

Sento no chão, olhar perdido no tempo, o cheiro doce da brisa
Uma lembrança adormecida desperta e traz consigo o pranto
Fico ouvindo, no silêncio da noite, o coração chorando triste
Como se estivesse cantando uma canção que nem sei se existe

As estrelas, brilhando, como fossem pequenas contas de prata,
Paradas na noite, parecem pedras soltas de um rosário infinito
A não ser uma, que louca, se vai como se voar fosse seu grito

Pirilampos, parecendo lágrimas douradas choradas pela noite,
Em algazarra de luz, se faziam pequenas estrelas reluzentes,
Então horei, com os olhos, com a alma, as dores pendentes

José João
02/10/2.023

sábado, 30 de setembro de 2023

Apenas finjo ouvir o que a tristeza diz.

Aprendi a ri-me da tristeza, embora possa senti-la,
Riso discreto para que ela sempre me venha assim,
Toda convencida que a alma se encharcará de pranto
E os  olhos... parecerão tristes sem nenhum encanto

Ela, as vezes, vem sutil por entre as angustias que ficam,
Se esconde entre vazios de solidão e por vezes até grita
Tentando que a alma, ao ouvi-la, se derrame em lágrimas,
Se perca dentro do nada, como se estivesse louca ou aflita

Mas eu... deixo os olhos vadiarem alegres no horizonte
Que se percam na beleza que o próprio tempo aplaude
Quando vem, cheia de detalhes, a mais terna saudade

Eu... rio-me quando a tristeza chega com estardalhaço,
Gritando que eu chore, fala até de coisas que nunca fiz
E eu, rindo por dentro, apenas finjo ouvir o que ela me diz

José João
30/09/2.023

terça-feira, 26 de setembro de 2023

A vida em bordados

 Aprendi a dizer com os olhos o que não sei falar
Faço do pranto, palavras a serem gritadas no olhar,
Nas rugas do rosto, mostro as histórias que já vivi
E no silêncio, me entrego todo a apenas me ouvir

Me conto histórias que o  tempo permitiu ficar,
Detalhes de momentos que se fizeram de saudades
Palavras que a voz disse em quase mudos sussurros
Como se dizer o que sente a alma não fosse verdade

Assim me entrego ao tempo e vou costurando versos,
Alinhavando pedaços de mim em poesias incompletas
Cerzindo partes da solidão em fragmentos de tristezas
Tentando de pedaço em pedaço fazer a vida completa

Vou buscando entre os soluços antigos, suas histórias
Assim vou lembrar por quais delas fui obrigado chorar
Se ficaram perdidas no tempo ou apenas esquecidas 
Para que, nas poesias, eu possa pedaços de vida, bordar

José João
26/09/2.023

sábado, 23 de setembro de 2023

Silêncio é: ouvir o que a voz não diz

 Como falar dos meus silêncios sem usar palavras?
De que silêncio falaria se as palavras não dissessem?
Com o silêncio as poesias seriam mudas, sem sentido
E não contaria ao mundo esse tanto silêncio incontido

Mas o que é mesmo o silêncio? Difícil saber dizer,
As vezes ele grita , estridente, bem dentro da gente
As vezes não se escuta o que a voz, lá de fora, diz
Outras, brinca de escrever na alma a palavra carente

Dizem que as vezes o silêncio é solidão, será mesmo?
Ou o silêncio é um querer dizer o que não se sabe falar?
Ou um falar silencioso da gente com a gente a conversar?

Quantas vezes escutamos o que não falamos! Silêncio...
Outras vezes é  um falar mudo como fosse uma procura!
Eu... eu escuto meu grito no silêncio... será que é loucura?

José João
23/09/2.023

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Solidão e saudade...será que são irmãs?

Que dúvida me tomou agora no silêncio da noite!!
Qual voz mais melodiosa, da solidão ou da saudade?
Ouço as duas a me falarem dos momento vividos
Vozes aveludadas, cheias de detalhes e de verdades

As vezes me confundo ao ouvi-las, são tão parecidas!!
Não importa onde esteja, existe solidão na multidão
A saudade não espera hora, também ali pode estar,
Por vezes a solidão é tão passiva, nos faz até sonhar!!

Solidão e saudade! Como se parecem! As vezes penso
Que são irmãs.  tem momentos que a saudade faz chorar
A solidão, por vezes, desperta a alma e a faz cantar

A voz da saudade parece o cantar melodioso do tempo,
A voz da solidão parece o cantar harmonioso do vento,
Mas quando vão, sempre deixam lágrimas e lamentos.

José João
22/09/2.023

terça-feira, 19 de setembro de 2023

As cinco maravilhas do tempo.

Já ouviram o lamento do tempo? Até mesmo seu grito?
Como se o mundo precisasse ser lavado, ser purificado?
E por graça divina em lágrimas choradas em forte pranto
Faz a noite longa, taciturna, fria, quase sem qualquer encanto

Já ouviram o canto da primavera? É um canto divino!
Alguns dizem que a primavera é muda, só tem beleza,
Que as flores se fazem vaidosas e se miram em silêncio
Mas... eu ouço o canto da primavera em toda sua pureza.

Já sentiram o calor ardente, aquele que até invade a alma?
Que faz a solidão menor pelo milagre das noites mais curtas
Fazendo que o dia, abraçado ao sol, mão queira mais passar
Que os lamentos e saudades se façam chuva se faça um chorar?

Já ouviram o chorar das folhas caindo e indo a lugar nenhum? 
Como se fosse preciso folhas novas para enfeitar o tempo?
Nunca ouviram seu canto triste embalado pela solidária brisa?
Que se juntam solenes em espirais, mãos dadas indo ao vento?

Ainda não viram??! Abram a alma, sintam o gosto da vida
Deitem-se sobre as folhas, sintam o doce orvalho madrugar,
Façam-se parte da beleza do existir, façam-se de flores
E assim, como fosse um sonho, sentirão a beleza de amar.

José João
19/09/2.023

O reencontro comigo mesmo.

Havia me perdido por entre caminhos desconhecidos,
Nas margens não haviam flores nem o canto dos passarinhos
As pedras doíam nos pés, as heresias eram faladas, gritadas
Os suspiros eram ouvidos e as orações não eram mais rezadas

Havia me perdido num caminho sem rumo e sem horizontes 
ó se ouvia o eco do grito silencioso e aflito da saudade
Que se perdia no  tempo chorando, esquecida de si mesmo
E, sentada  no tempo, a solidão não escondia a ansiedade

Distante, uma musica como fosse uma sinfonia sem maestro
Voava lenta como se não quisesse ser ouvida por tão triste
E a alma chorava um pranto que só agora soube que existe

Havia me perdido quando, de repente um grito, como luz
Me fez ouvir com os olhos que já se faziam brilhar em pranto
Aí, a saudade sorriu e entregou-se a mim com todo seu encanto

José João
18/09/2.023

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Os olhos dela

Ontem a noite brincava de conferir estrelas,
Ah! Como foi divertido? Até uma estrela cadente
Passou como uma flecha de luz, como fosse um raio
Dessas que se faz um pedido e ela engana a gente

Recomecei a contagem... e outra vez me divertia...
Quando de repente, a chuva,  parecia a noite em prantos
Não vi mais estrelas, perdi outra vez a conta... parei
Me veio uma saudade...que com a noite também chorei

Já, no alvor do dia, quando as nuvens se fizeram claras,
Quando as flores se espreguiçam no caule timidamente
Quando os passarinhos começam uma sinfonia divina
Sobrou uma estrela, sozinha, como se estivesse demente

Quando olhei bem, quando olhei o lume daquela estrela...
Perdi o tempo, perdi a voz, parecia um sonho em aquarela
Aquele brilho celeste, como fosse um pequeno sol a brilhar,
Um olhar que nunca mais havia visto,  era dela aquele  olhar.

José João
17/09/2.023

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

São Luís... ainda és minha oração

 Ah! Que é de a tua beleza de outrora? Onde está?
Te vejo triste, macambuzia, pelos cantos do tempo
Chorando teu passado perdido que se foi ao vento,
De te ouço agora um canto cheio de tantos lamentos

Onde estão as palmeira e os sabiás de saudoso canto?
Onde estão teus poetas que gritavam em belas poesias
A beleza indígena dos tupis, dos guaranis, dos aimorés
Que bravos diziam: choraste diante da morte meu filho não és

Hoje, já não ouço, morto que está, um grito heroico a dizer:
"A vida é combate que  os fracos abate, que os fortes...
Os bravos, só faz exaltar" Onde está a força do teu canto?
Nos versos de agora só ouço lamentos e chorados prantos

Gritando aflito, pergunto: onde estás Atenas do Brasil?
Será que te perdeste das palavras e muda ficaste?
Já não és mais o mais belo som da Última Flor do Lácio?
Doce encanto eterno do falar a que tanto te entregaste?

Onde estão teus rios, tuas fontes, e os teus bosques...?!
As noites, "quando a lua nasce por detrás da verde mata
Parecendo um sol de prata prateando a solidão..."
Por isso, mesmo em lágrimas,  ainda te faço minha oração.

José João
08/09/2.023

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

A solidão da noite dói menos

Lentamente, se arrastando pela tarde, vem a noite
Olhos e cabelos negros, longos, do tamanho do tempo
Se abre como um véu e, sutilmente, acorda o silêncio
Que vem sorrateiro, malicioso, com seu passo lento

E logo atrás, como sombra do silêncio, mesmo sem luz
Vem a solidão... olha dentro da noite e, imóvel, espreita
Buscando almas tristes, corações vazios, angustiados
E, sem que se espere, ela entra e confortável, se deita

E os olhos tristes, perdidos na noite, buscam em prantos
Espantar a solidão, o silêncio, com o doce alvor do dia
Com voz embargada, um sussurro apenas, a alma chora,
Em orações perdidas, pedem para as estrelas irem embora

Assim também a noite se vai, o silêncio se perde em sons,
As flores se abrindo nos jardins, pessoas indo e vindo
A alma, com um sorriso triste, se pensa livre da solidão
Sem saber que ela dói muito mais no meio da multidão

José João
24/08/2.023

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Ei! O pranto é belo, mas o sorriso tem mais encanto

 Que a poesia se faça bela como o alvor do dia,
Pintada por tantas e belas matizes coloridas
Com versos perfumados de flores se abrindo
Com a harmonia misteriosa de pássaros sorrindo

Que os versos se façam sorrisos de alegria
E as rimas... as rimas que se façam de canto
Que possas ouvir em silêncio, coração batendo
E trazendo de dentro de te... teu tanto encanto

Depois de ouvir esses versos, fecha o olhos...
Vai lá dentro de tua alma e sem medo, vai te buscar,
Ti traz de volta, sorrindo com teu mais belo sorriso
E deixa teu coração livre, solto, alegre, sorrir e cantar

Te dá as mãos, com certeza, és tua melhor amiga
E vai... vai... mas não tenha tanta pressa de chegar
As vezes, a ansiedade nos faz errar os caminhos
Devagar ainda tem-se as marcas dos pés para fazer voltar

Se queres chorar, chora, mas não tanto, o sorriso...
Ah! O sorriso está bem a teu lado, louco para sorrir
Louco para encontrar teus lábios...e o pranto?! 
Que se vá... sorrir tem mais prazer... mais encanto.

José João
23/08/2.023

A vida é feita de muitos sabores

 A vida... acreditem, é feita de muitos sabores!
Alguns, conhecemos, outros apenas imaginamos.
O beijo que demos com a alma, que sabor divino!
Mas que gosto terá aquele beijo que nuca trocamos?

Os beijos que deixamos passar! Que nunca demos!!
Poderiam ter o gosto de ontem, de hoje, de sempre
Hoje, poderiam ter o doce sabor de uma saudade...
E nos viriam da alma como fossem uma novidade

A vida... acreditem, é feita de muitos sabores
O sabor das lágrimas, quer sejam alegres ou tristes
Com os olhos sorrindo ou em súplicas derramadas
Têm sempre o mesmo sabor, sempre serão salgadas

Das lágrimas, não sei porque, conhecemos o sabor!
O sabor do amor, apenas a alma se dá o prazer de sentir
Ah! Que paladar tão pobre é esse de tão pobre corpo!!
Que sem a alma, coitado, nem sente e nem pode existir

Mas.. e o sabor da vida?! Cheio de sorrisos e prantos?
Fica difícil de sentir, por vezes, não raro, se misturam 
Aí é preciso buscar, no próprio pranto, qualquer encanto
E sorrir, fazer do sorriso um divino e milagroso manto

A vida... acreditem, é feita de muitos sabores!
Não acreditam?! Ela tem até o sabor da primavera,
Faz que os olhos orvalhem para regar as flores
Faz o sorriso brincar de ter infinitos sabores ...e cores

José João
23/08/2.023

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

O tempo.

Para! Gritei ao tempo com voz rouca, amarga...
E ele, o tempo, riu-se às gargalhadas, irônico
Me olhou de cima abaixo e me mandou calar
Ainda disse: Sou o tempo! Mando e sei esperar

Quem mais que eu para saber dessa tua vida?
Sei até quantas vezes tu, escondido, choraste,
Sei os nomes que gritavas em desesperado silêncio
Sei até as orações que, em agonia muda, tu rezaste

Como ousas a mim, mandar parar? Afronta-me?
Bem sabes que eu também te enxugava o pranto
Sou eu que ainda põe em tua alma algum encanto.

Te conheço desde muito e sempre estive atento
Te ensinei amar, sentir saudade, até mesmo viver
E lembra-te, passo em te como quiser, e nada podes fazer

José João
18/08/2.023

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Ontem... não tive tempo de ser triste

Ontem foi um dia diferente... quase sem nada pra fazer
Nem mesmo uma poesia... não tive tempo de ficar triste
Vieram saudades risonhas, lágrimas alegres, extravagantes
Até sonhos coloridos... contando história que nem existe

Ontem brinquei de malmequer com belas flores douradas,
Mas o bem-me-quer, feito criança, sempre ganhava sorrindo 
E na tarde cheia de nuvens coloridas, de um colorido sem fim,
Os passarinhos alegres gorjeavam com se fosse pra mim

Ontem não tive tempo de ficar triste, a brisa leve me abraçava,
Sussurrava uma sinfonia que despertava a mim e à alma
Que se debruçava sobre o tempo e, alegre, também cantava

Hoje, lembro de ontem, mas agora ouço a sinfonia do tempo
Som mais forte, acordes... por vezes, mais graves... roucos
Ontem não tive tempo de ser triste... hoje, hoje... ainda tento.

José João
17/08/2.023

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Sorrir... todos os sorrisos que ainda não sorri

Comecei outra vez... não um recomeço qualquer, 
Nem mesmo sei se é um recomeço ou um seguir,
Se é continuar até um outro e qualquer horizonte
Se é buscar desconhecidas estradas mas sempre ir.

Veredas, caminhos, sonhos, sempre haverão de existir
Mesmo se levando apenas angustias, dores e prantos
Caminhando lento, cantando, mesmo um triste cantar
Sem pressa, deixar marcas para, se preciso, saber voltar

Não sei até onde vou, muitas lágrimas deixei para trás,
Mas sei, ainda tenho tantas que me é muito fácil chorar
Se vou precisar delas, não sei... mas é melhor guardar

Talvez não dê os mesmos tantos passos que já andei
Talvez não chore os mesmos tantos prantos que chorei
Mas quero sorrir, muito, todos os sorrisos que nunca dei

José João
14/08/2.023

Uma poesia de palavras soltas

Nenhuma poesia pode retratar essa dor que sinto,
Nem dizer das lágrimas que caem avulso dos olhos,
As ladainhas que rezo não são mais orações rezadas
São apenas heresias ditas  pelas tantas dores choradas


Os versos são alinhavados com palavras sem sentido,
Nada dizem, se rompem em gemidos tristes e mudos
Como se falar fosse pecado então gritam em silêncio
Num esganar de sons... mas os ouvidos parecem surdos

Os versos se fazem em pedaços... com um fim incerto
Descrevendo incoerências, sem rimas e sem sentido
Como se vagando no tempo,  como se estivessem perdidos

Uma poesia feita de prantos, mas escrita em palavras tortas,
Uma poesia feita de versos, mas escrita de palavras soltas
Uma poesia  feita de vazios, com se as palavras estivessem rotas

José João
14/08/2.023

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Que o pranto escreva a poesia

Ao longe, notas musicais, como fossem lágrimas
Dançam com a brisa e se fazem apenas melancolia
E vão, as duas  juntas, abraçadas, contando histórias
Como fossem ladainhas, mas são só pecados e heresias

E a poesia, distante e fria, ouve os acordes tão tristes
Que se recusa ser poesia... pede que os olhos escrevam,
Mesmo vazios e distantes, escrevam com o próprio pranto
Até saudades que já foram belas, agora sem nenhum encanto

As palavras envelheceram, como velhos e perdidos trapos
Os versos ficaram angustiados como se  tivessem vida. 
As rimas!! Essas se fizeram cicatrizes na alma perdida

Assim ficaram, alma, saudade e tristeza, na mesma poesia
Que mais parecia um cantar solto indo a lugar nenhum
Um canto sussurrado, reticente... sem nenhuma harmonia

José João
09/08/2.023

O sorriso e o pranto

De repente, de um sorriso nasceu o pranto
Os olhos brilharam sem nenhum encanto,
Os lábios, que antes alegres cantavam eu amo,
Calaram, Não havia mais motivos para o canto

O pranto, a quem o sorriso não permitia falar,
Gritou um grito estridente de dentro da alma,
Um grito que saiu dos olhos e foi  ao tempo,
Livre, solto, sem cancelas, levado pelo vento

E o sorriso, cabisbaixo, talvez até por vergonha,
Aos lábios, que se contorciam, pediu desculpas
Alegando até não ter sido dele, essa toda culpa

E as mãos!!! Que se contorciam frenéticas
Se levantavam ao alto, clamando em direção do céu
Que o grito do pranto lá não chegasse, ficasse ao léu.

José João
09/08/2.023

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Finalmente entendi o que é chorar.

Engraçado! Até ontem achava que chorar era tão ridículo!
Que lágrimas ou prantos fossem apenas uma encenação,
Que chorar era tão... sem sentido! O que poderia ser chorar?
Um fingir? Um apenas enfeitar os olhos? Fazê-los brilhar?

Porque chorar? Pra mim não havia respostas! Tão sem razão!
Os dias passam como sempre, a noite, como sempre, vem,
As pessoas são as mesmas, é o mesmo céu de todos os dias,
Nada disso faz chorar, talvez, seja da alma, uma fantasia

Um dia, sem que esperasse, dessas coisas que acontecem
Alguém me olhou nos olhos, tão ternamente que tremi
O tempo não apagou esse olhar e nunca mais o esqueci

Nunca mais também o vi, parece apenas querer mostrar,
Me fazer sentir que a beleza doce de uma saudade existe!
Foi quando entendi a ternura das lágrimas num chorar.

José João
04/08/2.023

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Outra forma de continuar amando

Quantas tardes encharcadas por tantas lágrimas
Disfarçadas com risos falsos, sem cor e fingidos
Quantos por do sol embaçados por tristes prantos
E mesmo lindas, as tardes já não tinham encantos

Quantas rastros ficaram deitados na areia da praia!
Em idas ou vindas com as marcas no chão perdidas
Rumos indecisos na direção de nenhum horizonte
E as lágrimas, encharcando a tarde por dores sentidas

Quantos sonhos perdidos! Feitos de ilusões vazias!
Quantos soluços ouvi da alma como orações rezadas
Que se perdiam no tempo sem levar ou trazer nada!

E lá longe, o sol se deitando sonolento sobre do mar
Com um olhar preguiçoso... num quase dormir
Diz baixinho: Isso é saudade, é outra maneira de amar.

José João
28/07/2.023


quinta-feira, 27 de julho de 2023

... e ainda não creem em Deus!!!!

 Meus olhos se deslumbram por tanto encantamento,
Como posso, apenas com palavras, falar desse encanto
Se meu olhar se extasia com essa tanta beleza divina?
Só me resta desenhar esse momento com meu pranto

Afinal, ele a voz da minha alma, e assim conto o belo
Um infinito pedaço do céu que traz saudades distantes
Que busca lembranças vividas e ainda não esquecidas
E traz uma emoção única, ainda em mim desconhecida

Caminho, lentamente, como se ali pudesse tocar o céu
Beijar aquele horizonte divino que me convida a sonhar,
Dentro de mim, sinto a sensação de uma vida plena
Como se aquele momento estivesse me ensinando amar

Minha sombra se deita atrás de mim, se alonga toda
Como se quisesse ficar do tamanho daquele instante
Como quisesse fazer parte do infinito que está bem ali
Parece, tão perto, ao alcance das mãos, ah se fosse assim!!

Caminharia sobre o caminho que o sol desenha na água
E, sempre indo, chegaria até o infinito do meu pensamento
Lá onde está o sol e, com a voz da alma, a ele perguntaria:
Como Deus cria o belo e o deixa a todos? O homem venderia.

José João
23/07/2.023

Um amor sem ornamentos

Meu amor é simples, apenas o amor, sem ornamento
Daqueles que enfeitam, gritam e não dizem mais nada,
Meu amor é como fosse uma criança, riso cativante
E quando sente uma dor, senta no tempo e chora calada

Meu amor é como se fosse um pássaro voando solto
Dentro da alma, gorjeando cantos cheios de desejos,
Se parece com uma borboleta indo doce na brisa.
É um amor ingênuo, desses que até um beijo diviniza 

Sem adereços... alinhavo meu amor no pensamento
Vou com ele dentro de mim cantarolando modinhas
Por não ter tantos enfeites, até acham que não existe

Esse amor que sinto conta o tempo como fosse estrelas
Faz, de cada dia, uma poesia nova, alegre e completa
Um amor tão amor que faz até a tristeza não ser triste.

José João
                                                                        27/07/2.023

As cores que pintam minha poesia

 Não pintem meus versos, nem de branco, nem de preto
Meus versos tem todas as cores que pintam uma poesia
Cor da saudade, cor dos prantos, cor da própria alegria
Cor da solidão, com essas cores pinto verdades e fantasias

As cores da poesia não são vistas pelos olhos, impossível
Alguém viu a cor da saudade? Só se vê com o coração.
Alguém viu a cor da alegria? Mas todos a acham colorida
Perdoar tem uma cor divina, alguém já viu a cor do perdão?

Se não soubesse pintar meus versos com cores invisíveis,
Vistas apenas com a alma, juro, eu os faria transparentes
Sem palavras, apenas com a magia do perfume da poesia.
Como fossem belas flores perfumadas, doces e irreverentes

Nunca pintem meus versos, nem de preto nem de branco
Pintem com a cor de sua alma, a poesia é inocente, não é vilã
Imagine-se colorindo de natureza os versos que você lê! 
Sentado na porta do tempo lendo poesias cor do flamboyant.

José João
27/07/2.023

sábado, 22 de julho de 2023

Não me convidem mais...

Não me convidem mais pra falar de poesia
Se forem feitas de palavras vãs, sem encanto,
Com versos rasgados e em gírias gritados
Versos secos, áridos, sem rimas e sem pranto

Não me convidem mais pra falar de poesia
Se em nenhum verso se falar de saudade
Se negar Deus como se Ele, Deus não fosse.
De tentar excluir de minha alma essa verdade


Não me convidem mais pra falar de poesia
Se não houver lágrimas nos versos declamados,
Se não houver histórias de sonhos perdidos
Se não houver sorrisos, mesmo sendo fingidos

Não me convidem mais pra falar de poesia
Se deixam num canto, atirada, a pobre tristeza
Se deixam a solidão cantando sozinha sua dor
Se não falam da plenitude do que seja o amor

Não me convidem mais pra falar de poesia
Com versos alinhavados em palavras rotas
Com a beleza da poesia perdida no silêncio
E a estrofe chorando por tantas palavras soltas

José João
21/07/2.023

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Plantei flores no deserto de mim

Plantava muitas flores no deserto de mim
Mas o tempo faziam-nas, tristes, murchar
A aridez de mim mesmo era meu deserto
Sem se quer uma sombra para descansar

Um dia, não sei porque, lembrei um olhar
Que a muito se havia perdido no tempo
Mas... uma angustia, um não sei o quê
Tomou conta de mim e... me fez chorar

Plantei outra vez flores no deserto de mim
E, com surpresa, vi que ficaram belas, cálidas,
Flores luzidias com fossem límpidas lágrimas

Nunca mais murcharam no deserto de mim
Fiz dele um pedaço feito de doce encanto
Pois as flores... agora as rego com meu pranto.

José João
21/07/2.023

domingo, 16 de julho de 2023

Como não invejar um poeta??!!

Não! Não sou tão puro assim, sou cheio de pecados.
Por exemplo, a inveja. Sou invejoso sim, e muito.
Não sei como podem ter nos versos a métrica correta
E em tão poucas linhas falar de uma vida completa!

Como podem criar flores com letras deitadas no papel?
Parar estrelas cadentes, fazer um pedido e deixa-las ir
Fazendo-as perder o rumo, ir ter com outras estrelas
Porque se virou para olhar se o poeta ainda estava ali?

Deles sinto inveja! Emprestam lágrimas para a chuva
Desenham a saudade no tempo e ainda lhe dão perfume!!
Costuram seus versos na aba do vento e lá vai sua poesia!
Isso aos poetas é tão comum, tanto que já lhe é um costume

Brincam de fingir, tão perfeito, que fingem o que não sentem
Alinhavam sorrisos no pensamento, isso para cada momento
Se choram, vão buscsar sorrisos alegres, lá onde os guardou
Põem as lágrimas nos olhos, o sorriso nos lábios, um finge-dor

O poeta faz poesias mudas, dessas que só os olhos declamam
Brinca de brincar com a noite para, memso acordado, sonhar
E se chegam saudades e tristezas juntas sem escolha do sentir
Com cada olhar chora uma, para as duas, prazeroso, agradar

Assim penso os poetas! Escultores mágicos, pintores de versos 
Escrevem com o lapís e esculpem o que vem da alma com cizel
Na proporção mais sublime, na plenitude da criação mais completa!
Como então, estar vivo, amar, sonhar e não invejar o poeta?

José João
16/07/2.023

segunda-feira, 10 de julho de 2023

O que escrevo... muito pouco tem a ver comigo.

O que escrevo... escrevo!!!? Muito pouco tem a ver comigo
Na verdade, apenas conto o que minha alma manda dizer,
O que sussurra sem que ninguém ouça, o que só ela sente
A mim, cabe apenas tomar o lápis e, simplesmente, escrever

Nem escolher palavras ela não me permite, posso apenas,
Se ela achar devido, com algumas lágrimas molhar os versos
Escolhidas por ela, não é com qualquer lágrima que choro
As vezes chorar com minhas próprias lágrimas eu imploro

Mas ela pergunta: quem sente as dores, angustias e saudades?
Quem sabe com que pranto chorar cada adeus um dia dito?
Caberia em teu pobre peito soluços sufocantes por tão aflitos?

O que escrevo... escrevo!!!? Muito pouco tem a ver comigo
Apenas me sento no tempo escutando o que a alma me fala
E ela diz: que seria de mim se não pudesse chorar contigo?

José João
10/07/2.023

domingo, 9 de julho de 2023

Como rimar... eu, comigo mesmo?


Hoje, sem nada para sonhar, vou brincar de fazer rimas,
Vou rimar tristezas com sorrisos, solidão com alegria
Fazer rimas incoerentes, rimar até versos incompletos
Rimar um olhar que nada vê com a imensidão do deserto

Fazer rima com a saudade, dessas que se chora ao sentir,
Com a mais livre expressão da alma, a beleza de um pranto
Fazer os olhos gritarem, luzidios, luminosos num chorar
Rimando com o mais divino canto de um coração a pulsar

Rimar primavera, flores e lágrimas com silêncio e solidão
Fazer rimas completas no fim dos versos que ainda não fiz
Tentar fazer outras rimas da vida com se fosse um aprendiz

Inventar rimas novas, dessas rimas que nenhum poeta fez
Escrevo no tempo palavras ditas ao vento, indo a esmo
Tentando e ainda não consegui, rimar eu... comigo mesmo

José João
09/07/2.023

quinta-feira, 6 de julho de 2023

As poesias que "escrevo"

Ouço, com a alma, o sussurrar choroso de cada palavra
Que se deita nos versos que escrevo, fortes e silenciosas, 
As vezes se fazem perdidas ao tomarem outro sentido
Mas sempre se mostram ao tempo, ternas e dadivosas

Quase sempre cada palavra é uma lágrima que choro
Por outras, são pedaços incompletos de sorrisos alegres
Completos mesmo são só os sorrisos tristes, são tantos
Que, por vezes, os versos se tornam copiosos prantos

As rimas são diversas, muitas sem nenhum encanto,
Rimo saudade com solidão, rimo silêncio com tristeza
As vezes falo verdades fingidas jurando serem certeza

Mas, nos versos que me chegam, e não sei de onde vêm
Talvez de dentro de mim escondidos num canto da alma
Contam vidas que talvez agora sejam poesias no além.

José João
06/07/2.023


As vezes o tempo é injusto

 Dentro do silêncio que toma conta de onde estou
Cai, com estardalhaço, um pedaço de tempo...
O silêncio se espanta, corre entre as tristezas
E um vazio se faz denso, cheio de incertezas

A alma acorda alvoroçada perguntando o que foi
O pedaço de tempo caído chega cheio de saudades
A solidão, escondida no nada, lenta e sutilmente
Começa a se aproximar, com um vazio diferente

Ao longe, o silêncio, coitado, ainda pálido pelo susto
Se esgueira entre alguns sonhos velhos e caducos
Murmurando trêmulo que aquilo lhe foi muito injusto

E se pergunta, como o tempo pode me tratar assim?
Eu, que deixo todos a vontade no seu próprio pensar?
Que permito à alma, no próprio tempo, dormir e sonhar?

José João
06/07/2.023

sábado, 1 de julho de 2023

O que o tempo leva mesmo de nós?

O tempo vai passado, sem marcas, sem paradas
Vai, mas nada leva da gente, ficam dores, saudades
Ficam as lembranças, todas, até as mais doloridas
Até os menores detalhes se fazem duras verdades

As angustias, as lágrimas se escondem a gosto
Ficaram onde estavam, escondidas dentro da alma
Se fazem presentes, chegam quando menos se espera
Afinal, o tempo passa apenas no corpo e no rosto

O tempo nos deixa os passos lentos, arrastados, trôpegos,
Nos deixa a voz pausada, reticente, quase sussurrante,
Deixa os cabelos brancos, olhares turvos e distantes

Enfim, o tempo leva apenas o arroubo da juventude
Mas nunca leva as saudades, essas ficam guardadas
E, no menor pensar, lá estão elas em nós acordadas.

José João
01/07/2.023