sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Para ouvir as estrelas... basta apenas saber amar,

Ora... a mim dizes que o silêncio me faz mudo,
Que sou louco ao contentar-me em ver estrelas,
Que passo a noite a ouvi-las contar-me seus segredos
Mas afirmo-te, não é loucura, é só o prazer de vê-las 

Dou-me a sentir, lá do infinito, prazer muito maior
De ouvi-las a falar-me do que aqui nunca ouviria
Se o silêncio aqui, quando muito, é só um murmurar
Comigo elas gritam fazem até minha alma despertar

Ao ouvir-me assim falar me chamarás de pobre louco
E eu a contentar-me ouvi-las nas noites... tão serenas
Que te digo, ouvi-las por toda vida, a mim ainda é pouco
 
Ainda assim perguntas: como posso a isso me entregar?
Noites em claro, olhando estrelas e como poder ouvi-las?
Caro amigo, para ouvir as estrelas, só basta saber amar

José João
26/09/2.025

terça-feira, 23 de setembro de 2025

O grito estridente da solidão

 Que triste! Esse grito estridente da solidão!
Se faz tanto, não para, e chega como pesadelo
Marcando a alma que quase como louca
Tenta se esconder num silêncio que não existe.
Uma nuvem densa chega como viesse do nada,
Como fosse poeira levantada por um vento forte,
Que fica colorindo o tempo em cores tristes, e...
O som estridente, como se um instrumento de aço
 Cantasse uma música sem ritmo nem melodia.
Tudo fica tão estranho, tão sem razão de ser 
Que até o mundo se faz mudo, sem voz, para ouvir,
Sem entender, o estridente, quase raivoso... grito
Da solidão que, sem nenhum pudor, se faz uma voz,
Solida, dura e fria até quando? Talvez até mais tarde
Quando sua voz se fizer apenas um eco distante.

José João
23/09/2.025

domingo, 21 de setembro de 2025

Lágrimas sem sentimento... não são lágrimas

 Sentimentos! Tentei esquecer os meus, todos eles,
Porque sentir, por toda vida, o que só faz chorar?
Ir em qualquer lugar e lá está ele... o sentimento
Sem pedir licença para ir, nem pedir para chegar

É uma tristeza nos olhos, uma vontade de gritar,
De ir sem ter aonde, de ficar sem nada para esperar
Sentimentos fazem chorar prantos que não se tem
Até a solidão.. chega com seu silêncio e desdém

Mas quem diria?! Foi pior fugir do sentimento
Com ele, os prantos vinham cheios de motivos
E os olhos, mesmo triste, a ele ficavam cativos

E eu! Não tinha a alma assim cheia de vazios,
As lágrimas tinham razão para serem choradas
Sem ele não passam de água sem sal, as coitadas

José João
21/09/2.025

sábado, 20 de setembro de 2025

Quase sempre os sonhos mentem

Não deveria ter sonhado, mas sonhei
Talvez tivesse sido melhor olhar a vida
Saber-me desperto, são muitos os riscos
Ah! Se marcassem sonhos  com asteriscos!!

Uns dizendo: cuidado é perigoso sonhar!
Outros dizendo; os sonhos podem enganar!
Mas eles chegam falantes, sempre prontos
Com fossem histórias, como fossem contos

As vezes o sonho engana e ainda insiste
Em se fazer verdade mas só até amanhã
Quando se perde na outra noite que chega

Um outro despertar mostra a cruel certeza
De sonhos que se sonha apenas por desejos
Que vieram mentirosos sem que se perceba.

José João
20/09/2.025

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Quando a alma insiste, eu...

 Não permito mais que minha alma chore de tristeza.
Nem que meus olhos lhe seja provedor de prantos
Cansei e disse a ela, chega. Perdas.. só no outono
Então, grita o pranto: eu a tua alma somos teu dono

Me revolto, como posso chorar sem que eu queira
Como pode o pranto vir aos olhos sem minha vontade?
Como não me permitem um sorriso alegre e solto?!
E me veem com um pranto amargo, em soluço roto!

A alma brinca de fabricar saudades, e ainda diz
Sou tua alma, que sente o que pensas que sentes
E mais, é em mim que fica, do adeus, a cicatriz

Assim me ponho a fazer de mim... apenas um eu
Aquele que chora quando a alma se sente triste
Que fabrica prantos se a alma em chorar insiste

José João
15/09/2.025





quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A saudade é uma estrada para quem fica... ou vai

Fiquei aqui com meus momentos guardados dentro de mim,
Guardando todos os detalhes, Lembro aquele olhar sorridente
De quando te dei aquela flor e te disse, baixinho: te amo...
Lembras? Tanta emoção que os sorrisos choraram de alegria,
Teus olhos brilharam como se fossem pétalas orvalhadas...
Ainda tenho guardada a poesia que te fiz e que rimei
Teu nome com o infinito eternizando cada instante nosso?
E a flor que fizemos? Suas pétalas só davam bem-me-quer...
Ah! Quantas lembranças ainda vivas dentro da minha alma!
Choro quando penso em nós... lembro o adeus silencioso,
A distância, o vazio das horas, desde ali o tempo se fez lento.
Lembro de nós como crianças inocentes por tão puro amor...
Agora estou chorando, vens na minha imaginação como anjo.
Fiquei aqui mas sempre vou contigo, não sabes, mas eu vou
As vezes te vejo tão perto que... até sinto teu perfume
Quem me dera que um dia me encontres na saudade,
(ela é uma estrada para os que se disseram adeus)
Ou no teu pensamento, as vezes ele volta no tempo...
Aí me dá um sorriso...um beijo que minha alma vai sentir.

José João
03/09/2.025

sábado, 30 de agosto de 2025

Palavras de outono

 Qual folhas secas de outono arrastadas pelo vento
Que se vão inertes açoitadas até lugar nenhum
Assim, vão minhas palavras, levadas pelo tempo.
Sem serem ouvidas, açoitada pela frieza de cada um

Palavras, como folhas de outono se vão sozinhas
Contando histórias que ninguém quer mais ouvir
Como se a frieza do outono lhes tirassem o calor
Como se não fosse mais preciso falar sobre o amor

Assim ficam as poesias, como um outono, sem cor
Porque se foram, como folhas, as palavras tristes
Não ouvidas, não sentidas, sem nenhum valor

Tomara, na primavera,  as palavras se façam flores
Perfumem poesias,  perfumem corações e o tempo 
Que cada uma encontre na alma aconchego e alento

José João
30/08/2.025

O adeus e a saudade.

  As vezes ouço, baixinho, o chorar da alma,
Triste murmúrio que o silêncio quase esconde
Então os olhos, solidários, se fazem em prantos
A se derramarem e vão para onde a brisa aponte

Quais saudades são choradas pela alma aflita?
Tantas quantas com um adeus foram começadas
Se não existisse o adeus, não existiria saudade
Sem saudade como as lágrimas seriam choradas?

As noites seriam vazias, sem nada para lembrar
As horas se fariam desertas sem nada para pensar
Não se teria a saudade como razão para chorar

O adeus e a saudade, juntos, modificam o tempo
Um é o agora, é a dor do momento em que é dito
A outra eterniza o encanto que na alma ficou escrito

José João
30/08/2,025


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Nas poesias que escrevo, os erros... sou eu.

 Não. Não corrijo as poesias que faço, para que mentir?
Se elas sou eu! Com todos os erros e os poucos acertos!
Ditos mal colocados, pensamentos perdidos, incertos
Palavras trocadas, indevidas e versos cheios de defeitos

A poesia só é perfeita quando ainda não é poesia, é sonho
O sonho, é a poesia perfeita, ainda o poeta não a corrompeu
Ainda está lá dentro, inocente, pura, imaculada e toda bela
Aí o poeta, com todos os defeitos diz: quem escreveu foi eu

A poesia perfeita ninguém a escreveu e nem vai escrever
Eu escrevo pedaços de versos, palavras perdidas, sem nexo
Pedaços completos de mim que nem mesmo eu sei dizer

Portanto, os erros mostrados na poesia, acreditem, sou eu
Se as corrigisse, o que será que pensaria de mim mesmo?
A parte mais certa da poesia não fui eu quem escreveu!!

José João
29/08/2.025

Assim vive o poeta!

 Assim vive o poeta! Inventando histórias e por elas chorando!
Criando outras maneiras de chorar quando lhes secam os olhos,
Faz que as gargalhadas se façam rios correntes de lágrimas,
Até então só lágrimas, mas vem o pranto, esperando ansioso,
(é mais que lágrimas) que as gargalhadas lhe chore também,
E mostre a dor verdadeira da alma num fingindo gargalhar.
São coisas do poeta: mentir sem pecar, ver o invisível, bem ali...
Fazer horizontes, no pôr-do-sol, com o alegre sol do meio dia.
Cerzir pedaços de sonhos e saudades, fazer cócegas na solidão,
Faze-la ir ao tempo, rindo como fosse uma criança inocente!
Assim, é o poeta! Reza Ave Maria em Rosários de estrelas,
Inventa ladainhas que os anjos querem aprender e rezar...
Acalentam fadas, cantando inocentes canções de ninar!
Inventam tudo! Até outras tantas maneiras de chorar.

José João
29/08/2.025

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Amor... uma perfeita companhia

 O amor é a mais perfeita companhia, nunca se vai
Por menos tempo que exista, pra toda vida é verdade
Se foi de ontem e só até amanhã, já é assim infinito
Apenas troca de nome  passa a ser chamado saudade

Aí se torna eterno e já não se sabe mais andar sozinho
Porque não existe mais ausência e onde se for ele está
Eterno amor que mudou de nome sempre será lembrado
Porque é na alma que é sentido e nela sempre guardado

O amor que trocou de nome também trocou de amigos
A alegria, por exemplo, de braços dados com ele andava
Sonhos coloridos, qualquer hora sempre o amor sonhava

Depois quando mudou de nome vieram os novos amigos
E quando virou saudade, um novo amigo foi o pranto
O amor é a perfeita companhia, é um verdadeiro encanto

José João
28/08/2.025

Sou o que Ele me faz ser

Eis-me aqui Senhor! A ser o que Tu me fizeste ser,
Artesão. Juntando palavras, costurando sonhos e vidas
Brincando com veros, com estrelas, inventando saudades
De tudo que sinto ou que finjo. Só Tu, Senhor é a Verdade

Se chorei amores perdidos, carinhos não sentidos, 
Se chorei perdas, dessas que fazem se rezar heresias
Perdoa! Sou gente... um pobre escrevedor de versos
Que escreve vidas, saudades e sonhos e pensa ser poesia

Mas em todos os sonhos que me deste, neles já me vi
Como se fossem histórias os tantos momentos que vivi
Muitos chorei, quem sabe, por ter me afastado de Ti!

Mas eis-me aqui, Senhor, a costurar versos no rosto do tempo,
A mentir sem pecar, porque na poesia, mentir não é pecado
É ver o que permites só aos poetas... este é o nosso legado

José João
27/08/2.025

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Entre uma lágrima e outra um ...

Entre uma lágrima e outra, um sorriso fingidor
Um artifício da alma para esconder tanta dor,
A cada lágrima um sorriso é desenhado no rosto
Mas é do sal do pranto que a alma sente o gosto

Fica salgado o sorriso, o mesmo gosto do pranto
Fica a alma a sentir-se na duvida de como chorar
Se chora e engana a dor com um sorriso fingido
Ou se entrega toda ao pranto pelo sal agora ungido

E assim, fica a alma, coitada, em fecunda incerteza
Que a cada instante a deixa mais só e mais perdida 
Sem saber como chora essa tanta dor tão descabida

Se deixa que o sal, nos olhos, lhe salgue o pranto
Ou que o sorriso fingido, pelo pranto, seja salgado
Mas para alma, com certeza, o alento é ter chorado

José João
27/08/2.025

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Cacos de sonhos jogados ao tempo!

 Ontem, rompi o canto do silêncio que me embalava os sonhos
E a estes, feito quadros sem moldura, quebrei-os, sem remorso
Para que não mais mostrassem lágrimas que chorei por nada
E nem pintassem mais saudades, num rosto triste, estampadas.

Rasguei velhos trapos de sonhos em véus cerzidos pela vida,
Rasguei histórias que escrevia sem nenhuma outra razão
A não ser... apenas contar verdades e, todas elas... fingidas
Por ser resultado do cio entre dor e pranto e por elas  paridas

Desde quando, nas noites, os sonhos se faziam velhos retratos
Mostrando o que nunca acontecia como se fossem fantasias
Que na madrugada fugiam e ficava a tristeza das horas vazias

Resolvi, rompi o canto do silêncio que me embalava os sonhos
Quebrei a todos, sem remorso, e os cacos joguei-os pelo tempo
Eram tantos cacos de sonhos! Pareciam palavras indo ao vento!

José João
26/08/2.025

A dor da solidão.

 A solidão, a verdadeira solidão, aquela que dói na alma,
Ninguém sabe chorar, só sabe sentir, mas a alma, coitada,
E só ela, sabe chorar, essa tanta dor que sufoca até a vida
Que para o tempo e faz das horas, sutis pedaços de nada

São lágrimas pesadas, sem gosto, sem sal, apenas lágrimas,
Tão doída é a dor da solidão que até o pranto se perde
Se faz sem cor, sem brilho, sem luz como não fosse pranto
Fosse apenas gotas orvalhadas, caídas, sem nenhum encanto  

Chorar a dor da solidão sem ter a alma disponível para tanto,
É impossível. Só a alma sabe chorar essa dor insuportável
Que chega sem pedir e se instala ao seu prazer e confortável

Assim se faz dona do tempo, toma para si cada momento
Faz que seja pouco, por maior que seja a dor que se sente
E só mesmo a alma para chorar essa dor tão incoerente

José João
25/08/2.025


A vida e a fantasia.

Quando o amor se abre todo em um doar-se pleno,
Num sentimento perfeito de incoerente razão, 
Quando as mãos tremem e o coração se faz criança
Num pulsar forte com se brincasse de esperança

Aí a perfeição se veste de sublime e doce encanto,
A beleza dança valsas abraçando os dois amantes
Que se entregam ao sonhar os sonhos dos amanhãs
Como se cada dia não passasse de alguns instantes

O tempo faz que os dias sejam todos belos e coloridos
Faz que os sonhos  sejam sempre mais perfeitos 
Ah! Quando o amor se abre no coração dos eleitos!!

Sonhar fica tão comum que viver custa a acontecer,
Os sorrisos se fazem versos de divinais poesias
E assim segue a vida, toda vestida de... fantasias

José João
25/08/2.025


O perfume das lágrimas!

 As vezes lembro, distantes lembranças, do porquê chorei
Aí me vem doce saudade,  em que me perco e já nem sei
Se chorei prantos ou orvalhadas lágrimas nos olhos tristes
Ou foi a alma por mim chorando os pecados que pequei

Não. É de saudade os prantos que agora minha alma chora
O perfume inebriante das lágrimas só é sentido pela alma
Quando são lágrimas que choram as saudades nela cativa
Se desprendem em doce aroma mostrando que ela está viva

Ah!  Saudade! Perfumada pelas lágrimas que a alma chora
E se perfuma toda, por toda  noite, até o alvor da aurora
E a mim, me basta a doce fragrância que me invade todo
Que, com o eco que grita ao longe, leva a tristeza embora

Assim, não me importa que por toda a noite a saudade fique,
O perfume das lágrimas, que a alma chora, é divina essência
E o alvor do dia perfumado por lágrimas e tantos prantos 
Me faz que a saudade, pela alma chorada, se faça encanto 

José João
25/08/2.025

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Tem dia que não se vê beleza para contar

 As vezes não entendo a poesia e... nem eu mesmo.
Ou a poesia se faz muda ou eu me faço ... um o quê?
Que não vê a beleza aonde só o poeta sabe ver
E a poesia esconde sua magia e não deixa acontecer

As vezes, vejo o poeta apaixonado namorando a lua
Lhe fazendo versos olhando-a na poça d'água, na rua
Tão apaixonado que se faz passivo e aparvalhado
Diz nos versos... minha musa está linda, toda nua

Outras vezes é apenas sua sombra refletida na lama
Se pula por sobre elas, a poça e a lua e...apenas se vai
Como se fosse comum a lua na lama deitada no chão
Sem que haja versos, nem ladainhas, nem mesmo oração

Nem sempre vejo as flores viçosas, ternas e tão belas,
Nem sempre acho, do lírio, seu perfume doce e divino
Mas que perfume forte, as vezes digo mas ...e a poesia
Com certeza não sei aonde ficou... não está comigo

Outras vezes, as flores me parecem anjos perfumados,
Os lírios, alvos como nuvens de santificado  perfume
Que inebria, perfuma o tempo e até acaricia a alma 
Até faz esquecer dores e manda embora os queixumes

Há dias que minha alma e a poesia se perdem por aí,
Há dias que desperto sem nenhum encanto no olhar
"Olho pedra e vejo pedra mesmo"  como diz a poeta,
Existem dias que não se encontra belezas para contar

José João
18/08/2.025

As vezes, a poesia é só uma...

 Talvez eu devesse... devesse o quê? Dizer... chorar?
Declamar poesias que ainda não fiz, falar de mim...
Mas as palavras se fizeram distantes, esquecidas
Do que posso falar? Não sei, e a poesia fica assim

Perdida... como se não fosse preciso dizer nada
Como se apenas o silêncio pudesse ser ouvido
Ah! Se pudesse escrever poesias com reticências
Do começo ao fim do verso, será que teria sentido?

Lembrei, a poesia gosta de falar de adeus e saudades,
Gosta de contar versos com lembranças e lágrimas
Então posso, sem medo, fingir que escrevi verdades

Talvez eu devesse... devesse o quê? Não escrever nada
Ficar apenas assim... pensando no que poderia escrever
E amanhã, quem sabe? Talvez tivesse mil coisas pra dizer

José João
18/08/2.025


domingo, 10 de agosto de 2025

A noite e seus mistérios!

 De onde vem os tantos mistérios que a noite traz
Mesmo a lua pintando o tempo em matiz de prata?
Mesmo o vento fazendo sombras dançarem nuas
Ainda, continua o medo, o mistério não se desfaz 

No subir da noite, escuras nuvens se fazem véu
Aí, os vagalumes, fadas ou anjos, se entregam todos
A se fazerem, por ordem divina, pedaços de luz
Como fossem estrelas cadentes que vieram do céu

E a lua, bela, inocente e toda nua se faz musa,
Se enfeita ainda mais, se torna pura e completa
Mandando que a noite lhes chame todos os poetas

E mais misteriosa ainda fica, como se fosse preciso
Como se os poetas não a vissem plena na sua nudez
Criando poesias novas quando ela chega outra vez

José João
10/08/2.025

Mistério e mistérios ...

 Que amor seria aquele que ao ir-se me levou com ele?
Levou sonhos, pensamentos, desejos, até mesmo o tempo
Levou tudo que alma é... então fui, apenas ficou o corpo
Em que um coração vazio não se apressa, pulsa, lento

Na verdade, nem sei quem foi que me arrastou consigo
Tão de repente se fez tudo, nem a alma se apercebeu,
Um olhar, um sorriso, um tremer de mãos e...  a saudade
Quando me apercebi, com ela tinha ido e ficado apenas eu

Como explicar mistérios que a vida brinca de acontecer?
Um momento pode ser eterno, pode até tudo se perder
Um sonho, toda uma história de vida, tão difícil de esquecer

Quem seria ela? Um sonho? Agora tão difícil de saber
Só sei que me levou até mesmo o que nem pensei
Mistério misterioso é que com ela fui mas... aqui fiquei.

José João
10/08/2.025

sábado, 9 de agosto de 2025

O tempo e a poesia não têm fim.

 Aonde você pensa chegar com essas poesias?
Um dia perguntaram, apenas disse baixinho:
Não sei! Não sou eu quem vai... elas vão
Por entre bandeiras, quintais, almas e coração

Deixe-me aqui, só, sentado na beira da tarde 
Ouvindo o canto do silêncio dobrando o tempo, 
Imaginando poesias que um dia se farão sonhos
Indo inocentes, levadas com carinho pelo vento

Aonde posso chegar com essas tantas poesias?!
Não me importo em percorrer caminhos, estradas,
Mas, para poesias, não existe chão, não existe tempo
Existem apenas os corações carentes e a elas atentos

Eu! Vou por aí, carregando um alforje cheio de sonhos. 
No peito, uma vontade de gritar e ouvir o eco do grito
Em que cada palavra é um pedaço verdadeiro de mim.
Aonde vou chegar? Não sei. Tempo e poesia não têm fim.

José João
09/08/2.025

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Fazer de todo dia um novo acontecer

Ah! Quantas dores se fazem vivas em pleno ocaso!
Quantos sonhos se perdem nos tão poucos amanhãs!
Os ontens, que se pensou viver, agora são sombras
A mostrar que tudo não passava de um mero caso

Igual promessas que fazem com os dedos cruzados
Mas a olhar nos olhos, com olhar demente, fingido,
A enganar inocente alma que se deixava a mercê
Do que pensava ser verdade aquilo que era ouvido.

Como é cruel acordar com os tantos sonhos sonhados
A se fazerem, agora, pesadelos carregados de pranto!
Transformados em palavras vãs, vazias, sem sentido,
A se fazerem fantasmas por tantas mentiras paridos

Assim vai, aquele que ao saber dos ontens perdeu a fé,
Que agora reza ladainhas perdidas, orações inventadas
Como se novas súplicas lhe fizesse esquecer os ontens
Então não haveria essa dor como dardo na alma cravada

Mas, pelos tantos amanhãs que restam, eu me proponho,
A cada dia, um novo recomeço, um novo acontecer,
Inventar histórias de amor, nelas eternizar cada momento
E ir em frente, que só mesmo viver, me sirva de alento.

José João
08/08/2.025

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

As vezes... o canto é uma oração

Dois rouxinóis conversavam gorjeando alegre
Quando de repente lhes apareceu um enorme gavião
Foi tão grande o susto que os dois pararam de cantar
E o gavião, olhos caídos, disse: não vou lhes incomodar

Estou aqui de passagem estou indo para outro lugar,
Parou de falar e os rouxinóis perceberam um lágrima
Ora Sr. gavião... o Sr. é tão forte o que lhe faz chorar?
Não é choro, disse o gavião, é só uma tristeza no olhar
Mas que tanta tristeza é essa? Vamos lhe ajudar, ouça!
E cantaram o mais lindo gorjear que sabiam cantar
O gavião ouviu... olhou os rouxinóis e disse: obrigado
Nunca esperei que tão frágeis pudessem um dia me ajudar
Melhorei, parece que seus gorjeios de serviram de oração
É que um caçador, por prazer, matou minha companheira
E voei a esmo sem nem saber por onde, apenas queria voar
Voei além das nuvens, para ninguém me ver, triste, chorar
Mas é tão grande a tristeza, que onde se for lá está a dor
Obrigado por estarem aqui, por cantarem para me alegrar
Poderiam vocês me ensinarem a cantar para me distrair?
Claro, disseram os rouxinóis, te ensinamos, é fácil cantar
Vamos começar com sol, como és grande, com o sol maior
Aí o gavião estufou o peito, abriu o enorme bico e... nada
Depois saiu um grito que aos rouxinóis só fez mesmo assustar
Aí o gavião, ao rouxinóis, disse: é melhor mesmo lhes escutar.

José João
04/08/2.025

domingo, 3 de agosto de 2025

A pena do guará

 Um dia, na praia, perdi uma das minhas penas, 
Uma pena que acham linda. Vermelha, cor de paixão
Que provoca as mais fortes emoções e sentimentos
E faz, do pulsar do coração, uma doce e terna canção

Dizem que alguém a achou e guardou como relíquia
Dizem até que escreveu, com ela, poemas de amor
Talvez, quem sabe, nela ele tenha visto a história
De quem voa sobre os mares vivendo esse esplendor

Que beleza! Minha pena nas mãos de um sonhador!
Tomara ele veja nela o refletir de cada pôr-do-sol,
A beleza de cada começo do alvor de todos os dias
E que as seis horas ele escreva uma doce Ave Maria.

Eu... vou bordejando livre por sobre mares e rios 
Me fazendo parte de um quadro que Deus pintou
Mas, por justiça, ao poeta que com minha pena está
Lhe proponho: me ensina poesia que te ensino a voar.

José João
02/08/2.025

quinta-feira, 31 de julho de 2025

São as minhas verdades... alguém duvida?

Pasmem! Mas já caminhei entre estrelas, desde o sol,
Fui até onde ficam as estrelas cadentes, é muito bonito,
São tantas e tantos os pedidos, uns até já caducos
Mas sempre dizendo que um dia serão atendidos

Mas tenho uma casa, fica no pôr-do-sol mais bonito,
Um jardim com flores que aqui na terra não tem.
Á única, um pé de flamboyant que levei daqui
Até um querubim pediu uma muda, coisas do além.

Tenho uma rede tecida com nuvens de todas as cores
Não quis ponto de tricô, muito simples, são apenas dois
Fiz de crochê que só pontos básicos são cinco, imagine!
O artesão foi o tecelão-de-taveta, Foi uma obra perfeita.

Para conversar, levei alguns dos mais belos peixes
O mandarim, o palhaço, o leão, todos voando soltos 
 Aqui, tenho a fivela do cinturão de Orion, toda em ouro
E um laço de Carina, ficou bela com cabelos revoltos.

Tenho uma bela coleção. Tenho até um anel de Saturno
Por isso se vê seis e não são pedras de gelo são diamantes
Minha coleção é completa, tenho até pérolas de Alnilan
Se quiserem  posso lhes mostrar, mas só pode ser amanhã.

Como podem ver eu... DO QUE VOCÊ ME CHAMOU?
VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE É TUDO MENTIRA?
NÃO MINTO, MINHA VIDA SEMPRE FOI CORRETA
APENAS CONTO MINHAS VERDADES... SOU POETA


José João
31/07/2.025

A culpa é da poesia!

 Ao som de um silêncio onde ouço apenas a voz da alma,
Como fosse um chorar baixinho chorando um lamento
De uma dor que nem sei de quando. Sou tantos comigo
Que quando me chega o pranto nem sei a quem é o castigo

Quantos caminhos, que hoje nem sei, devo ter percorrido!!
Sonhos que não sonhei, misturados com sonhos esquecidos,
Momentos perdidos no tempo, agora como vagas lembranças,
Daí o lamento da alma, o não saber se por mim foram vividos

Como posso ter me perdido em tão pequeno espaço de mim?!
Em tão pequeno espaço de tempo?! Ainda sinto o ontem,
Dele, nem tive tempo ainda de sentir saudade, tão perto está.
Como é difícil para minha alma! Ter tanto do que lembrar!

Nem sei se todos os prantos que chorei foram prantos tristes,
Não sei se hoje... hoje... sou o mesmo eu dos outros dias
Sei apenas que brinco de fazer versos... gosto dessa fantasia
Brincar com as palavras, de mentir e dizer: a culpa  é dá poesia

José João
31/07/2.025

terça-feira, 29 de julho de 2025

Quando não existe culpa

 As vezes nem é dor...  a dor que a gente sente,
Mas fica a marca como tatuagem feita aa alma
Quantas vezes apenas palavras machucam tanto
E a dor é tanta que se chora sem derramar pranto

Um dizer tão difícil de ouvir, mas quando dito
Apagam sentimentos, desfazem o que se sonha
Se fazem dor que não se apaga com desculpas
Que não tiram das palavras o peso de toda culpa

Triste é o pensar de que o tempo a tudo apaga
Que o ontem se desfaz assim como faz o vento
Ledo engano! Fica a cicatriz como um lamento

Quanta dor doída quando a culpa não é da gente!
Aí se ouve em silêncio o veneno das palavras
Quanta angustia se faz! Só mesmo a alma sente

José João
29/07/2.025

O mar e meu pranto

...  fico em frente ao mar a buscar sonhos,
E nessa busca me vem da alma inocente pranto
A salgar-me os lábios, como dor que a alma chora
E o mar, também salgado, leva meu pranto embora

E vão os dois, minhas lágrimas e um brando mar
Talvez até conversem o porque do meu chorar
E quem diria! O mar levando minhas lágrimas!!
É como se levasse minha história para contar

Muito além, em qualquer porto, e quem sabe?
O meu pranto, cansado, não queira mais seguir
Mas foi ele que salgou o mar, agora vai ter que ir

É muito comum,, quando sento ao por do sol
Vem o mar, molha meus pés e se põe a lamentar
Me clamando pranto para suas águas ele salgar.

José João
29/07/2.025
 

Eu?! Sou o mundo que habita em mim

 A mim, já disseram que não sou nada, ouvi calado,
 Ninguém sabe os sonhos que em mim fecundo
Só eu sei de mim e de tudo que ainda posso ser
Ainda posso sonhar todos os sonhos do mundo

Eu! Eu sou os tantos que habitam uma só alma
Uma criança esperando colo, posso ser um louco
Que pode pintar o tempo... um pedaço de vento
Ser medida certa, nem ser muito nem ser pouco

Se não sou nada!! Ainda penso o que posso ser
Muitos me olham nos olhos sem nem me conhecer
Olham atentos mas não sabem, em mim, o que ver

As vezes, de mim, pensam até mesmo o que não sou
Mas sou uma multidão caminhando entre as multidões
Sou um mundo incompleto cheio de sonhos e ilusões.

José João
29/07/2.025

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Esquecimento!! O bom amigo.

 Eu! O que trago? Trago dentro de mim... saudade.
Quem dera me fosse permitido trazer o esquecimento
A mim, me chamam por um nome feito com letras
Poderia ser meu nome escrito com um sentimento

Esperança, por exemplo, esperando um amanhã!
Gratidão, um bom sentimento pelo que já recebi
Mas me vem alguma coisa, coisa tão fácil de sentir
Essa tal de Solidão, pois bem sei... com ela já vivi

Se meu nome fosse um sonho, chamado de Desejo?
Como seria a contento da alma ser chamado de Amor!!
Mas um nome que não quero é ser chamado de dor

Não me chamo Esperança, nem me chamo Gratidão
Se eu fosse um sorriso? Mas sorriso não é sentimento
Por isso me contento ser chamado de esquecimento

José João
28/07/2.025



domingo, 27 de julho de 2025

Me disseram: amar é... muito mais que viver.

 Emoção estranha a fazer-me tremer o corpo
Como se a sensação de amar fosse maior que viver.
Toma-me uma tão grande letargia que a mim faz
Que o coração bata igual como se fosse gritando,
Dentro de mim, um amor que nunca senti.
Toma-me tanta emoção que fico a ver-me
Como se fosse eu que amasse tanto, mas a quem?
Se me perco na esperança de sentir aquilo que
Não sei sentir? Não me sinto como se fosse 
O amor eternamente, apenas sinto-me estranho,
Apenas sinto a sensação que amar é muito
Mais que viver e me tomo todo a esse pensar
Como se minha vida e o amor fossem apenas um.
Tomo a mim como se fosse eu mesmo aquele que ama
Tanto, que se perde na imensidão de oceanos
Onde a sensação de amar é como fosse num mar
A ficar vendo tudo que a vida te faz,  te fez...
E te quer. Ama-me a mim. como amo a ti
Sem saber nem quem és. Estranho mas, a mim...
Amar é.. muito mais que viver.

José João
27/07/2.025

sábado, 26 de julho de 2025

Saudade... é um momento que não quis ir embora

Já é tarde, já é mais que madrugada. o alvor do dia
Já começa a esconder as estrelas... vão se apagando...
Vão sumindo, talvez até levando sonhos não sonhados
Já é tarde, mas saudades e tristezas ainda estão acordados.

Caem as lágrimas dentro do silêncio de quem chora
O dia em estardalhaço não permite que se ouça o pranto
Quando era noite o pranto era ouvido como lamento
Agora, o dia engole o silêncio que se perde indo ao vento

Se perdeu num pensamento  distante, quase caduco
Que o velho esquecimento se esqueceu de esquecer
Aí chega a saudade, acordando para outra vez se viver

O que já estava a tanto guardado e já quase perdido
Se fazendo na alma uma sombra quase desaparecida
Que volta, não se sabe porque, se arrependeu de ter ido

José João
26/07/2.025

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Para alguns... é mesmo dor.

Bem se sabe que o poeta um dia disse:
"O amor é fogo que arde sem se ver" ...
E mais "É um contentamento descontente"
Que poeta! Como mostra o amor pra gente!!

A mim me basta olhar-me e saber-me inerte
Na definição do que seja esse tal de amor
Ao poeta, talvez lhe fosse de fácil sentir
Mas a mim, coitado, sentir dor é mesmo dor

É um ardor nos olhos, um chorar sem lágrimas
Um olhar turvo, como se esperasse o pranto,
Um mundo cinza que perdeu todo o encanto

"O amor é fogo que arde sem se ver"
Que queima a alma sem nem se perceber
Mas em mim, é dor que... desatina a doer.

José João
25/07/2.025

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Ah! Não fosse essa saudade!!!

 Ah! Não fosse a saudade...  como seria a vida?
Com ela posso sorrir, chorar,  até mesmo sonhar.
Deixo que ela vá além de mim, vá na minha alma
E de lá, traga tudo que me possa fazer lembrar

Caricias que recebi e o tempo... tentou apagar
Lágrimas alegres que chorei ao ouvir: eu te amo,
Verdades que pareciam sonhos, belos e coloridos
Nomes que não esqueci, até hoje lembro e chamo

Essa saudade! Faz viver os mesmos momentos!
Como se o tempo registrasse tudo aquilo que vivi
Só que agora, com uma outra maneira de sentir

Deixo que as tantas emoções me tomem todo
Que me venham as lágrimas alegres ou tristes, 
Que seja da vida, essa terna saudade, meu soldo.

José João
18/07/2.025



domingo, 6 de julho de 2025

Outra vez!!? ... NÃO

 Não sei se ainda tenho lágrimas para chorar
Foram tantas marcas, dores e tantas saudades
Não sei como outra dor a alma pode suportar
Dores cruas de doloridas e perversas verdades

Sentir o tremer da alma como fosse um frio
Desses que nem o céu serve mais de cobertor
Um sentir insano, cala o que não se sabe dizer
E chorar, talvez seja, o que resta à alma fazer

Ouvir, no silêncio do vazio, uma voz sem razão
Dizendo o que não se precisa nem se quer ouvir
Porque nada é maior que, naquele instante, sentir

Gritar, em desesperado clamor, qualquer oração
Que talvez nem reza seja, seja apenas um grito
Saindo como ladainha de um coração aflito.

José João
06/07/2.025