segunda-feira, 8 de julho de 2024

Jesus, os homens ficaram mais cruéis!


Jesus, regaste o chão com teu divino sangue
Para apagar os pecados dos tantos pecadores,
Mas estes, como ainda hoje, tão mesquinhos
Te puseram uma coroa de pontiagudos espinhos

Te puseram numa cruz, indiferentes à tua dor
Te cravaram pinos nas tuas mãos e nos pés
Como meros algozes desprovidos de razão
Assim como são, até hoje, os tantos infiéis

Mas Jesus, ainda hoje o mundo é frio, é ermo
Os corações sucumbiram pela falta de sentido
Te expulsaram, Jesus, e o homem ficou enfermo

Perderam o senso, a crueldade os tomou de assalto
Estão bem piores que aqueles que te profanaram
Hoje, te crucificariam e arrastariam teu corpo no asfalto

José João
08/07/2.024

domingo, 30 de junho de 2024

Artista? Louco ou sonhador??!!

 Eu!! EU SOU ARTISTA!! Faço lágrimas sorrirem...
Brinco comigo mesmo se estou triste, até chorando
Corro entre saudades, delas faço desenhos coloridos 
Finjo chorar minhas dores, a dos outros choro brincando

Conto minhas histórias em poesias rotas e sem rimas 
Costuro minhas saudades em folhas que o vento leva,
Os sonhos... alinhavo em nuvens que se vão ao tempo
E os deixo soltos, volteando leves, levados pelo vento

Sou deveras um artista, pulo cordas com linhas de tristeza,
Inventei outra maneira de brincar com bolhas  de sabão
Ponho dentro delas, das mais coloridas, pedaços de solidão

Que se vão como fossem plumas, lentamente sobem ao céu
Voam lentas, brilhando sob um sol que eu mesmo desenhei.
Para passar o tempo, faço esculturas de nuvens em folhas de papel

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 29/06/2.024

sábado, 29 de junho de 2024

Talvez minha saudade seja...

Hoje...apenas senti saudade... tanta saudade!!
Tanta, que percebi que não sei o que ela seja.
Se é dor, se é uma tentativa de fugir da solidão
Ou se é o ontem voltando no vazio de uma ilusão

As lágrimas se misturam com sorrisos sem cor,
Os olhos se perdem molhados, bordados de prantos
O silêncio grita, como fosse a alma chorando aflita
E apenas a saudade, melancólica, se faz encanto

O que seria a saudade? A dor de uma recordação?
A Busca do que se foi, mas continua dentro da gente?
A perda de um pedaço de nós que faz a alma carente?

Quem sabe minha saudade seja alguma coisa assim,
A doce lembrança que ficou dos infinitos momentos
E um triste sentimento que me faz ter pena de mim?

AMCL; Academia Mundial de Cultura e literatura
Acadêmico; J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 29/06/2.024

sábado, 1 de junho de 2024

Hoje queria ser criança.

            Hoje eu queria ser uma criança... sim, uma criança
Sorrir apenas por sorrir, apenas por ser inocente.
Fazer bolhinhas de sabão, em cada uma um beijo
E que fossem alegrar todos os corações carentes

Queria brincar nos jardins... nomeando as flores,
Dando nome às borboletas, fazendo versos infantis
Todos alegres, para fazer sorrir as crianças tristes
Para mostrar com a alma que a alegria ainda existe

Hoje queria ser criança...gritar alto para os adultos
Sem medo, com meu sorriso puro de ainda criança,
Que deixem que exista o amanhã e eu possa crescer

Hoje eu queria ser criança, alegre, brincando de viver
De fazer pedidos para a misteriosa estrela cadente
E, entre sorrisos, não ter medo de crescer e de ser gente

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono Antero de Quental
Postado em: 01/06/2.024

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Fotografias que a saudade guardou

Estou vendo fotografias antigas, até amareladas
De momentos registrados no filme da saudade,
Beijos não trocados, olhar marcado em prantos,
Acenos de adeus, tristezas, quase nenhum encanto

As cenas passam lentas, preguiçosas, se arrastam
No tempo, perderam cor e sentido, ficaram caducas,
Se alvoroçam no desespero de se fazerem vivas
E para a saudade, se entregam sempre e cativas

As vezes penso que são sonhos em preto e branco
Que perderam a cor nas tantas noites de insônia
Em que a alma apenas rezava orações e ladainhas

Na tentativa de esquecer toda e qualquer angustia
E se entregava tanto às orações que até inventava
Que até rezava com lágrimas que eram minhas

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 30/05/2.025

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Ansiedade


                                   Era pra ter chegado ontem,
                                 Já é hoje, já é quase amanhã 
E ainda não cheguei
.Medo e esperança se confundem,
Não sei qual o maior em mim...
Mas é hora de estar lá.
A esperança, na angustia se esconde
E o medo se faz maior
Quanto menor é o tempo de chegar...
E... aumenta muito mais, 
Até grita estridente ...
Sem querer ... vou indo.
Não é coragem que tenho...
Apenas preciso chegar

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
15/06/2.006
Reedição: 30/05/2.024


terça-feira, 21 de maio de 2024

A mentira ↓ a verdade ↑

Tudo passou, já não te quero mais  
 Já não sei fingir e te dizer 
 Ainda te amo... como disse um dia
Minha certeza é absoluta
Que nada foi perdido, mas
Sinto dentro da alma,
Você não é mais nada.
E não vou dizer nunca mais:
Ainda existe algum sentimento.
Acabou ...você passou.
Nunca mais falarei que
Você é tudo pra mim.
Lamento, mas não posso mais mentir
O tempo passou. 

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 27/05/2.024

(São duas leituras, ler de cima para baixo
e de baixo para cima)

segunda-feira, 20 de maio de 2024

As palavras eram poucas para...

Onde está tudo que senti, que vivi, onde está?
Se ficaram como lembranças, se foram no tempo
Não pude escrevê-las... faltaram palavras para tanto
Como encontrar palavras para falar sobre meus prantos?

Prantos que subiam aos céus como fossem orações
Que encharcavam nuvens, pintavam o céu cor de tristeza
De lá se atiravam, até molhavam ao vento e enchiam rios
Onde encontrar palavras para falar dessa cruel beleza?

Eram tão pequenas e poucas as palavras para contar de mim
Contar os detalhes das saudades, das lágrimas gritando adeus
Como se os martírios do mundo fossem todos e só meus

Onde encontraria palavras para tanto? E tanto se perdeu
No silêncio mudo do esquecer. Palavras não bastavam,
Não existiam para traduzir o que só a alma pode dizer

ACML: Academia Mundial de Cultura e Literatura 
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/05/2.024

Dois conjuntos infinitos

 Mas eu gosto de poesia, de escrever versos,
Assim como fossem orações saídas da alma.
Todos os versos coloridos cheios de vida e sentido.
Esse sentimento que não se sabe de onde vem
Mas... pensando bem... até números formam poesias
Amar é uma poesia que multiplica mas não sabe somar
Tanto que se juntarmos um mais um pode ser dois
Isso é a arte de amar, mágica que não se sabe explicar
Caso alguém pode sem a matemática somar?
A poesia faz... amor e ciências se beijar, se abraçar...

Assim se forma um conjunto de emoções
Muitas vezes, machuca o coração, faz chorar
O que se diz da ciência? Também não faz chorar?
Riem aqueles que com eles sabem brincar

Como? Com certeza vão surpresos perguntar
Ora! Vamos resumir a resposta...  ou complicar?
Natural pode se um número, como também é amar
Já sabemos que amar faz que se conte os dias
Uma vez contando os dias, alguns se põem a sonhar
Nunca se pode viver sem amar, sem os dias contar
Todos deviam saber que nesse universo tão bonito
O amor e números se confundem na eternidade
São, por lei universal, dois conjuntos INFINTOS 

AMCL: Academia Mundial de Cultura e |Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 20/05/2.024

O ontem e os amanhãs.

Um dia, num fim de tarde, quando o sol começa bocejar
Quando faz, sobre o mar, uma estrada brilhante de luz
Como se estivesse chamando todos sonhos e saudades
Como se estivesse convidando os olhos para chorar

Numa tarde assim, quando a brisa beija, suave, o rosto
E a areia fina e leve se faz um fino véu fugindo das ondas
Como fossem plumas esvoaçantes brincando ao vento
Correm soltos os momentos trazidos pelo pensamento

Aí, então, sussurros e saudades se misturam com o pranto,
O olhar se perde lá longe, no horizonte, sem nada buscar
Indo até ali porque só o pensamento pode ir mais além

E vai... voa no tempo num vagar entre ontens e amanhãs
Nos ontens ficaram dores e saudades... nos amanhãs
Incertezas, contra quem a alma luta para não se fazer refém

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/05/2.024




Soneto da dúvida.

 Como saber o que é viver sem nunca ter sentido uma dor?
Como saber o valor de um sorriso sem nunca ter sofrido?
Não são os fundamentos de uma vida mas... são lições
Elas existem, são momentos que fazem a vida ter sentido.

Como sentir o gosto da saudade sem nunca ter amado?
Como sentir uma saudade sem nunca ter ouvido um adeus?
Como sentir a angustia de um adeus sem nunca ter chorado?
Como sentir o gosto da esperança sem nunca ter sonhado?

O que seria a vida, sem lágrimas, sem aflições e incertezas?
Seria um viver sem viver, um sorrir sem motivo, um nada ser
Seria o mesmo que ir sempre, mas sem nunca saber viver

Assim é a vida, cheia de verdades, de incertezas, surpresas
Mas há também o que não se pode mudar e não reclamo
Isso: como pode alguém viver sem nunca ter dito: te amo?

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/05/2.024

Apenas hoje terminei aquela poesia!

 Comecei uma poesia a muito tempo, nem lembro o dia,
Poesia que falava de beijos, olhares ternos, sorrisos...
De carícias suaves, mais ousadas, de dias iluminados
Ah! Que poesia! Falava de desejos, que vinham sem avisos

Palavras ditas com o pulsar do coração, sem precisar de voz
Com confissões feitas pelo encantador silêncio da alma...
Na perfeição de um olhar risonho, cumplice e cheio de luz
Que só ele fala, grita, sorrir, só ele sabe o que diz e traduz
                                 
A quanto tempo comecei essa poesia!! Difícil lembrar o dia.
E dizem que ao se interromper, ela se vai, se perde no tempo
Vou busca-la, não acredito que ela tenha se dissipado no vento

Lembro que comecei com mãos trêmulas, voz sussurrante,
Era a alma que dizia o que sentia, no fervor da maior verdade 
Hoje, depois de tanto tempo, vou completa-la; Ah! Que saudade!!

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 20/05/2.024


Se escrever hoje uma poesia...

 Hoje, se fosse escrever, só escreveria lágrimas,
A poesia ficaria encharcada delas, e os olhos...
Vermelhos, como se a dor fosse cor de sangue
E a alma carente, não merecesse qualquer zelo.

As palavras sairiam borradas, quase apagadas...
Os versos, vazios, desenhando sorrisos tristes
As rimas sairiam rotas, alinhavadas nos versos
Também nos soluços que em chorar a alma insiste

Ainda bem que hoje a poesia fugiu de mim
Saiu correndo,... ou voando, para onde não sei
E no silêncio vazio, nada escrevi e nada falei

Se a poesia ficasse para ser sentida e escrita
Não seria uma poesia, seria apenas pranto
Escrito em rascunhos, ranhuras e sem encanto

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em; 19/05/2.024


Foi quando aprendi a...

 Nasci sem saber nada... mas já vim cheio de lições,
Para não dizer assim um... nada, só sabia chorar,
Tive que aprender a falar, primeiro as tantas letras
Mas ainda não sabia direito o que era mesmo pensar

Com algum esforço, comecei a formar as palavras...
Eram tantas que até me assustei e formei uma frase
Ah! Quanta alegria! Mas ainda havia muito caminho
Mas o tempo me ensinou... a vida é vivida em fases

Fui aprendendo a falar mais palavras, a entender
Sim. Entender o que diziam... isso foi complicado
Ainda tinha palavras muito difíceis de aprender

Mas um dia... milagre, aprendi a sentir o que falava
O tempo se abriu em festa... me fez ficar humano
Foi quando aprendi a dizer, com a alma: eu te amo.

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 19/05/2.024


segunda-feira, 13 de maio de 2024

Milagres do amô

Nnm tenho o dom dos velso, nem iscrevê
Mas isso num importa, o amor é mais maior,
Conto as lágrima nos velsos qui a alma iscreve
A sordade conto em pranto, é pra isso que ele serve

Não me importo se achem os erro nas palavra,
Não me importo se zombare dos meu escrever
É como sei dizer das minha magoa, meus encanto,
É como sei contar, nos velsos, esse meu viver 

Os dotô que me adesculpe, cuma eles num ser letrado
Mai num importa saber das letra prá se falar de amô
Afiná ele é de todo mundo, o amô num tem sinhô

Mais pur falar em puisia, letramento, academia e dotô
Fico, a pensá cum meus butão, e não me leve a mal
Se a puisia vem da alma, então eu e o dotô somo igual.

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J. J. Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem oficial: 13/05/2.024

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Só sei pintar palavras... nos versos

 Não sou quem sabe pintar flores e jardins,
Não sou quem sabe pintar lua e por do sol
Sei pintar apenas dores, cruéis verdades
Todas pintadas com lágrimas e saudades

Sei pintar a tristeza dos rostos na poesia
A aflição da cada alma a cada adeus dito
Pinto com palavras, com lápis, sem cinzel
Cada pranto que os olhos choram contritos

Nunca pintei uma tela, seria até heresia
Não sei das cores, dos traços, das matizes
Só sei pintar com letras as minhas poesias

Louco, talvez me chamem, ou com certeza.
Afinal colorir versos... quanta loucura!
Mas com palavras pinto, basta ter ternura.

José João
06/05/2.024

domingo, 5 de maio de 2024

Sou convicto... tenho um anjo poeta

Sempre brinco de buscar versos no tempo
Na verdade, não sei de onde vêm os versos que faço
Mas eles chegam completos, suaves e ternos
Quem sabe seja de um anjo poeta solto no espaço?

Me diz que os pirilampos são fadas iluminadas
Que, nas noites, brincam com os raios do luar,
Inventa palavras para eu colocar nos versos
Me fazendo crer que sou eu que estou a pensar

Esse anjo poeta volteando solto aí pelo espaço
Mostra estrelas cadentes indo a nenhum lugar
Me faz passar noites acordado e ainda assim sonhar

Outro dia me trouxe uma flor de um lugar distante
Trouxe um pedaço de nuvem, parecia um coração
E para eu não ficar triste, diz que é minha inspiração

José João
05/05/2.024

sábado, 4 de maio de 2024

Soneto das lembranças

Ontem brinquei apenas de lembrar...de chorar,
De fazer fitinhas de papel nomeando as lágrimas,
Em cada uma delas, uma lágrima e uma saudade
As vezes um beijo, uns fingidos outros verdades

Passeei em pensamentos distantes, quase perdidos
Fui buscar histórias, lembranças, sonhos antigos
Revivi caricias que marcaram o tempo e meu rosto
Senti beijos antigos, que até já havia perdido o gosto

Ontem, foi um dia de ir buscar tudo que já vivi
Trazer de volta o que esqueci... para dentro de mim
 E costurar na alma, os versos que no tempo, escrevi

Uma sensação quase estranha, os olhos umedeceram,
Os lábios sussurraram nomes que nem lembrava mais
Um dia diferente... até as palavras emudeceram

José João
04/05/2.024


Todo amanhã, um dia... será um ontem

 Sonhos e ilusões que não se acabam nunca
Costurados na saudade que em mim ficou
Misturam-se entre os ontens e os amanhãs
Nas lembranças que o tempo em mim deixou

De ontem os prantos que ao rosto marcou
Contando histórias das coisas que já vivi
Mas hoje sonhos e ilusões insistem em vir
Inventando histórias novas que nunca ouvi

Sentado na beira do tempo, na janela da tarde
Ouvindo o silêncio me contando o amanhã
Calo, só escuto, já não sei o que é verdade

Ontem eram saudades, duvidas e prantos
Hoje, sonhos e ilusões e até me alegram
A vida, em qualquer tempo, tem seus encantos

José João
04/05/2.024

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Amor que não compensa e a cura da solidão

 Ah! Essa coisa que se chama solidão
As vezes vem depois que a saudade vai
Quando um adeus é dito com ou sem razão
Quando dos olhos da alma uma lágrima cai

As vezes, finge e diz que nem é solidão
Quando alguém diz: ei, agora estou aqui!
Ora mas, que alma tão distante, o que fazer?
Ter por apenas ter... não alegra o viver

Solidão, as vezes nem é mesmo solidão   
É apenas outro modo de estar, de existir,
Uma escolha de ser só e se encontrar
Com a própria alma num mudo conversar

Mas se for mesmo solidão, a alma sente
É uma dor misteriosa, difícil de suportar
Algumas vezes um outro coração ajuda
Mas sempre é você que tem que se curar

José João
03/05/2.024

domingo, 28 de abril de 2024

Eu posso... eu sou poeta

Eu!!!? Eu posso mentir sem pecar
Posso ver a beleza do sol numa noite de luar,
Posso parar o voo de um pássaro de arribação,
Apenas com um ponto final no fim do verso.
Fazer amarílis gritar de ciúmes pelo lírio
Porque resolvi faze-lo amante de verbena.
Posso fazer o sol parar no meio do tempo
Fazê-lo voltar para enfeitar o nascer do dia
Ou fazê-lo correr por querer agora um por do sol.
Posso criar prantos à minha vontade...
Prantos alegres desses que os olhos gargalham
Ou um pranto triste chorando doídas saudades.
Ontem fiz nascer margaridas num pé de flamboyant,
Tirei do lago um lindo peixinho dourado
Para fazer dueto com um rouxinol.. foi lindo...
Todos se admiraram, o peixinho de fraque e gravata,
O rouxinol, com elegante smoking e cachecol
Posso tudo porque minha imaginação é completa
Não! Que absurdo! Que heresia, não sou nenhum deus
Mas posso fazer o que disse, afinal sou um... poeta

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: JJ Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 28/04/2.024

terça-feira, 23 de abril de 2024

Envelhecer ... é um merecimento.

Quando meus cabelos estiverem brancos
Como mensagem inconteste do tempo.
Quando minha voz estiver fraca, reticente...
Ainda assim estarei fazendo parte do presente

Com lembranças que o tempo não levou,
Com esperança de ver o que ainda não vi,
Olhando no espelho velhas rugas novas
A contarem a história do que tanto já vivi.

Mas quero ainda estar livre para pensar, 
Ter a liberdade de, acordado, ainda sonhar,
Correr atrás e buscar novos pensamentos. 
E que ainda me seja dado o direito de amar.

Não quero momentos tristes para lembrar,
Quero sentir o gosto dos beijos que troquei...
Que as mãos enrugadas passeiem no rosto
Relembrando as carícias que um dia ganhei.

Quero estar livre para apenas ser eu mesmo,
Sem compromissos para amanhã, viver assim,
Brincando de viver os dias que ainda restam
E correr, lento, entre as flores de um jardim

Não precisa que me lembrem que envelheci,
Sei me ver, até sei ainda lembrar de mim,
Mas agora, mais sábio, me basta me ver,
É o tempo dizendo que mereci envelhecer

Não sei se de exemplos algum dia servi,
Se o fizeram não foi por um meu querer
Nada demais eu quis, e o que quero agora?
Me divertir no que ainda tenho para viver

José João
23/04/2.024

Almas sozinhas

 
- O que nos separa não é a distância
E na verdade... nem os caminhos
O que nos ume ... não é a vida
É simplesmente sermos sozinhos

Minha busca é árdua. Onde estou?
Talvez tão longe e de mais ainda vim...
Entretanto, nada sob o céu tem fim
A esperança é eterna e existe em mim

Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre... de cantar risonho
E em belos versos em te me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes,
Se dela falas, me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes.

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar, não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor, jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda, até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
Haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! Chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar... falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto da vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita.

José João
Reedição: 14/08/2.011


segunda-feira, 15 de abril de 2024

Belo... é amar sem nunca pedir troca

A beleza da vida??! O que seria essa beleza?
Seria sentir, no por do sol, o carinho do universo?
Seria o sentir do perfume das flores no campo?
Ou seria a poesia "falando" da vida em versos?

Como se poderia contar as tantas belezas da vida?!
Fazer o outro feliz, amar sem nunca esperar troca?
Dar um sorriso... desses que alegram o coração
Ou amar intensamente? Amor puro nunca sufoca.

Seria a poesia, em sua humildade, a beleza da vida?
Indo no tempo contando histórias belas ou tristes?
Mesmo aquela que a alma chora sentindo saudade?
Mas ela sabe que chorar é preciso, a lágrima existe.

Quanta beleza tem nos olhos gritando em prantos
Quando as lágrimas, brilhantes... no rosto caem
Como se fossem as contas de um rosário divino
Por onde as dores da alma, como milagre, se esvaem

Quem me dera fosse um poeta pelos anjos inspirado
Para contar, em versos, a beleza que cada alma sente.
Juntar a harmonia do universo com a beleza da vida?!
Seria um milagre que nem a poesia poderia ter criado

AMCL: Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem oficial: 15/04/2.024
(09/03/2.024)

terça-feira, 9 de abril de 2024

A magia do amanhecer

 Madrugada... o dia boceja acordando lentamente
As estrelas... correndo a se esconderem do dia
Se escondem atrás do sol ocupado em lustrar-se
E a brisa, bafejando ternura, canta uma melodia

As flores, banhadas pelo orvalho, espreguiçam-se
Dão bom dia às leves borboletas ávidas a beija-las
Acariciam as pétalas com suas belas e frágeis asas
Como fossem anjos vadios a docemente cativa-las

Os pássaros, ainda sonolentos, ajeitam a plumagem
Brincam como equilibristas nos galhos, nas folhas
Se fazem personagens de uma doce e linda paisagem

Depois, sem nenhum maestro, começam a sinfonia.
O perfeito desencontro se faz verdadeiro encanto
As vezes até parecem a doce harmonia de um pranto

AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura
Acadêmico: J J Cruz
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem: 09/04/2.024

domingo, 28 de janeiro de 2024

No rosto... uma ruga diferente

As rugas do meu rosto são minhas verdadeiras histórias
Contam de mim, do que fui, do que vivi, das saudades
Algumas são de momentos que franzi o rosto para sorrir,
Ficaram desenhadas como das poucas alegrias que senti

Outras, são muitas, foram tristezas que a alma chorou,
Marcadas em fartas linhas, histórias que nunca contei
No rosto, a vida escreve o tempo sem nenhum pudor
Até hoje quando traz tristezas que ainda não chorei

Quando o espelho mostra meu rosto, leio o que vivi
Estão as saudades, adeus ditos em doloridos silêncios
Quantas palavras ditas em prantos que fingi não ouvir?!

Hoje, todas as minhas rugas me lembram do que fui
Mas tem uma diferente, não lembro porque ali está
Será alguma verdade que fingi e ela não quer mostrar?

JJ. Cruz Filho
Acadêmico da: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 28/01/2.024

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Solidão é a ausência de saudade

Coitado dos que choram pela falta de uma saudade!
Dos que não têm histórias para lembrar ou contar
Qualquer uma, mesmo aquela contada em prantos
Mesmo doendo na alma... que só a fizesse chorar

Que triste!! A saudade... sempre espanta a solidão
Até o silêncio fica atento, ouvindo o que ela diz
O tempo se faz lento, como não quisesse passar
As mãos tremem, em uma muda maneira de falar

Como é triste nunca ter dito: te amo, nem ouvido
Não ter sentido a tristeza de  ter ouvido um adeus
Daquele que emudece a voz e faz perder o sentido

Se faz lágrima, depois saudade, depois lembrança,
Sempre será uma história a ser lembrada pela alma,
Momento único, que só quem amou pode ter vivido

JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em; 23/01/2.024



sábado, 20 de janeiro de 2024

A canção do tempo

De muito, muito longe... me chega uma canção
Como se viesse a mim trazida num cantar de anjos
Que talvez tenham encontrado, solto, meu pranto
A derramar-se no tempo e dele fizeram um canto.

Fala de saudades antigas, perdidas, até já caducas,
De lágrimas que, pelo tempo, para adoçar a alma
Jogaram fora o sal, se deram um sutil dulcificado
Como assim tirassem de mim meus tantos pecados

Me perdi dentro de um silêncio que só eu ouvia,
A canção dos anjos não era ouvida pelos ouvidos
Mais parecia o afinado declamar de uma poesia

Nomes que o esquecimento havia guardado pra si
Foram lembrados, cantados em tristes sinfonias
Vagamente fui lembrando, foram momentos que vivi

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 20/01/2.024

sábado, 13 de janeiro de 2024

Cansei de ser poeta...

Cansei de ser poeta, buscar palavras, encontrar rimas
Falar de saudade, de solidão, vestir os olhos de pranto!
Contar minhas dores, fingir sorriso alegre nas poesias
É como inventar orações vazias enganando com heresias

Cansei de ser poeta, desenhando lágrimas nos versos
Desenhando no rosto, rugas que se fazem de história
Algumas alegres (poucas) outras tristes (essas muitas)
Fazendo do pranto, para a alma, uma rude dedicatória

Cansei de ser poeta. Vou ser agora fervoroso sonhador,
Sonhar com saudades novas, aprender a colorir o pranto
Fabricar lágrimas que aos olhos se façam de encanto

Vou ser um sonhador. Pintar a tristeza da cor do lírio
Fazer da solidão uma companheira alegre e falante
Fazer amantes alma e sorriso viverem em eterno cio

JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 12/01/2.024
Postagem oficial

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

A festa das flores do meu jardim

Ontem, no meu jardim, as flores me fizeram uma festa,
Pareciam soltas de seus caules, que mais pareciam braços
Que, ao som da brisa, se contorciam suave e lentamente
Em ternos movimentos, como fossem inocentes abraços

Soltas, se olhavam, sorriam! Lindos o Cravo e a Rosa
A se abraçarem, se olhando nas pétalas carinhosamente
Como faziam o Girassol com a Tulipa, esta bem rubra
Olhava seu par, meio sem jeito, até mesmo timidamente

Efusiva estava Margarida, majestosa, vestida de vermelho
Abraçando Narciso, todo de branco como um príncipe
Amigo de Hibisco que esperava Orquídea a se maquiar
Essa, vestindo lilás, sempre orgulhosa, se fazia esperar

Num canto mais afastado do jardim, estava o Álisso,
Não por timidez, queria chamar a atenção de Amarílis
A mirar-se na água transparente do lago do jardim
A pensar-se a mais bela, vestida de branco e carmim

Meu jardim! Sempre está em festa! Sempre é alegre
Todas as flores dançando livres, soltas ao vento leve
São tantas que não cabem na poesia... sendo assim
As que não citei, vão estar loucas com raiva de mim

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia: AMCL
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postagem de: 12/01/2024

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Um rosário de encantos

  Quando os ontens estiverem perto do esquecimento,
Quando os prantos estiverem caducos para chora-los
Tomara que ainda exista um saudade, uma que seja
Viva, dentro da alma, para lembrar esses momentos

Quer tenham sido alegres ou tristes, de risos ou prantos
Mas que tenham sido, pela alma, vividos e sentidos 
Pois as lágrimas, na vida, também tem seus encantos
Mas só pela alma esses tantos encantos são percebidos

Tenho um rosário feito de risos, outro feito de prantos
Neles rezo ladainhas inventadas, orações em poesias
Sempre o pranto é verdadeiro e os risos... são fantasias

Que ficaram enfeitando as minhas horas mais tristes
Num contar histórias risonhas... quase sempre fingidas
Só com o rosário de prantos minhas orações são ouvidas

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Publicado em: 11/01/2.024

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

A voz dos meus olhos

Meus olhos gritavam, faziam do pranto palavras
Que molhavam o rosto, a alma, encharcavam a poesia
Corriam por entre o tempo, entre saudades perdidas
Pela angustia faziam orações profanas e até heresia

O silêncio... se fazia ouvir nas lágrimas choradas
Que caiam dos olhos tristes como pétalas orvalhadas,
Brilhantes, feito gotas de sol perdidas nas manhãs
Ou pedaços do alvorecer deixados na  madrugada

A única voz era o cantar do alvorecer nas folhas 
Se faziam uma sinfonia perfeita, doce divino canto
A embalarem o dia em dueto com meu pranto

A brisa, chegando de mansinho, parecia um sussurro
Passando, sutil, por entre a madrugada e o amanhecer
Levou minhas lágrimas, se foi, sem nada me dizer

Acadêmico: JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postada em: 11/01/2.024

sábado, 6 de janeiro de 2024

O pranto me deixa sorrir... fingindo

Desde muito, desde quando, sozinho, aprendi,
Que o grito desesperado da alma... é o pranto,
Que vai dos olhos ao tempo, contando histórias.
Fiz dele voz, para me contar em triste  canto

Com ele lavo o rosto nas minhas noites de insônia,
Me turva os olhos para eu não ver, para apenas sentir
A saudade me tomando, me fazendo chorar mais
E ele enfeitando os olhos sem qualquer cerimônia

Com o pranto aprendi chorar no silêncio, sem alarde
Não constranger a alma, gritando dores na multidão
Nem fazer de voz, o pulsar triste de um pobre coração

Com a alma gritando  dentro do silêncio do pranto
 Me dou ao luxo de, na rua, caminhar sorrindo
Enquanto os olhos gritam os lábios sorriem... fingindo

JJ. Cruz
Academia Mundial de Cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental
Postado em: 06/01/2.024

Quem diz: "minha poesia é negra"... qual a cor de sua alma?

Que cor teriam saudade, lágrima, solidão se cor tivessem?
Que cor tem o sorriso? Alguns dizem: meu sorriso é negro
Outros gritam: minha poesia é negra! Qual a cor da poesia?!!
Se escrevessem com a alma, com certeza, nenhum cor ela teria.

Se poesia e sorriso tivessem cor não seriam poesia e sorriso
Seriam apenas palavras e expressões sem valor e sem alma
O sorriso não tem cor, o que se vê, é se ele é alegre ou triste
A poesia, também não tem cor, cor pra poesia?! Não existe

E eis que chaga da alma um sorriso alegre, cheio de beleza,
Com ele uma poesia dessas que declamar é o mesmo que orar
Vestem-se cor da inocência.!! Uma cor que ninguém nunca viu
Se inocência tivesse cor!!! Não e nem pode, ninguém a pariu

Se da alma, viesse aos lábios, mesmo lento, um sorriso triste,
Se com ele viesse uma poesia chorando e carregando o pranto
Alma e pranto se abraçariam, chorariam sem nenhum pudor
Se olhariam sentindo a mesma dor... mas sem qualquer cor

Quem diz: minha poesia é negra, quanto rancor no coração!!!
Nunca sentiu saudade, nuca viu o brilho mágico do pranto,
Não sabe da magia, da beleza da alma ajoelhada em oração 
E um sorriso alegre de cor divina, sorrindo em plena contrição

Minhas lágrimas... não sei a cor que são, nem a cor da saudade
A solidão!! Claro que existe mas quem sabe a cor da solidão?
A quem diz: minha poesia é negra e negro é meu sorriso
Pergunto : Que cor tem sua alma e seu ... coitado, coração?

JJ. Cruz
Academia Mundial da cultura e Literatura
Cadeira: 28
Patrono: Antero de Quental.
Publicado em; 06/01/2.024