quarta-feira, 29 de abril de 2015

O caminho para onde estás.

A onda branca carinhosamente vinha até a areia
Buscando minhas lágrimas, que a muito ali estavam
Chorando tua ausência, e um caminho para o sol,
Que lá no horizonte, em colorida melancolia,
Pintava o céu cor de por do sol, cheio da saudade
Que tua ausência me fazia sentir. Pensamentos voavam,
Iam entre angustias e aflições, uma vontade de chorar
Me tomava a voz, e um sussurro, assim como um grito
Silencioso, que a alma grita só pra ela - e para o coração -
Chamava teu nome que se perdia dentro de mim,
Me tomava todo, e uma vontade descabida de sorrir
Insistia em vir cheia da alegria de teu olhar, aquele olhar
Que gritava te amo...num falar que só minha alma
Sabia entender. Uma brisa cheia de ti, do teu perfume,
Brincava de me fazer carícias, num inocente festejar, 
Como se ali estivesses e meu pranto não precisasse 
Mais chorar. Mas esse caminho que o sol deita no mar!
Que faz os amantes se fazerem dementes imaginando
Rotas impossíveis onde a saudade se faz tanto
Que a vontade de buscar é maior que a vontade de viver.

José João
29/04/2.015


terça-feira, 28 de abril de 2015

Meus trapos de sonhos

Meus sonhos ficaram pendurados no tempo,
Feito trapos balançando ao vento, nos varais perdidos
Da saudade com o cheiro da angustia triste que o vento
Insiste em trazer como se teu perfume se tivesse perdido.
Minhas lembranças, todas elas, dos olhares, dos beijos
Ficaram puídas, rotas, como retalhos de renda fina
Que se desmanchavam ao menor volteio de uma brisa leve
E se faziam pedaços incoerentes de uma vontade morta
Pela tanta solidão que vinha se enfeitando de primavera
Para me enganar a alma que chorava em silêncio, 
Ajoelhada, rezando sua própria dor que não passava nunca.
Minhas lágrimas pareciam bandeiras em meus olhos,
Tremulando vadias ao tempo, ao vento, alheias até mesmo
À minha vontade de chorar, elas soltas, se faziam vivas, 
E como loucas, corriam em meu rosto fazendo caminhos
Para a tristeza passar matando os sorrisos que, teimosos,
E mesmo tristes, teimavam em vir, na vã tentativa 
De enganar a alma, que já sem prantos, esforçava-se
Para chorar... como se assim a dor doesse menos.

José João
28/04/2.015






sábado, 25 de abril de 2015

Acho que não soube pedir

O que eu te pedi? Tu lembras? Não era tanto,
Na verdade era tão pouco! Pedido de uma alma
Que, não sei porque, já tinha medo da solidão...
Pedi apenas que me ensinasses a amar, 
Que me ensinasses a me entregar, sem medo...
Mas também sem lágrimas, que meus dias
Fossem cheios de histórias alegres, dessas
Que a gente diz que são histórias felizes.
Te pedi sonhos verdadeiros, sonhos cheios
De vida, poesias escritas por dois corações...
Lembra? Poesias repletas de nós dois, sim,
De nós dois, numa doação perfeita onde a vida
Se escrevia em um verso, infinito e eterno.
Não disse o nome dela, porque o nome...
O que importa um nome? Pedi apenas
Que fosse ela, a que me soubesse cativar...
A que eu me entregasse todo, pleno e sem medo,  
E o que me dás?! Um sonho impossível e...
Uma saudade triste.

José João
25/04/2.015




sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sou réu...confesso.

Existem verdades que ficam, marcam, se fazem dor,
Se fazem mais que saudade, pedaços vivos
Da gente que se perdem no tempo, mas dentro de nós...
Ficam guardados, bem dentro da alma... para sempre.
Essa minha verdade, vive dentro de mim 
Como se fosse um segredo que me consome,
Que me toma o tempo, o pensamento, 
Vai buscar momentos divinos que vivi, que senti,
Que gritam dentro de mim como uma oração
Que ora se faz dor, ora se faz saudade,
Se faz até desespero, por fazer me sentir
Tão pouco. Perdas, e confesso, minha a culpa.
Hoje sou o condenado e o próprio condenador.
Me perco dentro do remorso dos meus erros,
Mas não peço clemência pela dor que sinto,
Deixo que ela me tome toda e grite alto,
Dentro do silêncio que me toma, que mereço...
E que minha alma chore (é justo) as lágrimas
Que fiz chorar, sentindo a tristeza de que minha
Ausência talvez  nem esteja sendo sentida

José João
24/04/2.015





quinta-feira, 23 de abril de 2015

A dor de não ter feito

Quanta falta de ti! Quanta saudade! Saudade...
Saudade dos beijos que não trocamos,
Dos beijos que não te dei, que deixava para depois
Como se os amanhãs fossem meus, eu...dono do tempo.
Quantas palavras não ditas! quantos segredos calados!
Quanto silêncio quando deixei para dizer depois
O que tanto querias ouvir! Quanto deixei para depois!
Hoje sinto saudade de tudo que não fizemos...e tudo
Por minha culpa. Como dói o arrependimento
Do não ter feito! É muito mais que dor...é remorso...
É uma carência maior que todas, apenas sonhar 
Os momentos que poderia ter vivido, sentido...
Isso aumenta tua falta, inunda minha vida de vazios,
Como dói tua ausência nos abraços que não me deste
Porque deixava para depois. Sinto saudade
Dos carinhos e beijos que trocamos, mas os tantos
Que não nos demos fazem mais falta ainda...
Da maneira mais dolorosa aprendi que somos tão pouco...
Que o arrepender-se por não ter feito dói muito mais
E a saudade deixa de ser saudade para ser tristeza
Porque sempre vai ficar faltando alguma coisa em nós


José João
23/04/2.015




terça-feira, 21 de abril de 2015

Apenas mais um...vazio

   Hoje, lá na distância do tempo vejo meus sonhos,
Agora tão distantes e tão impossíveis, tão longe
E tão vagos como se fossem pedaços mortos
De momentos que tão intensamente vivi.
Muito, muito distante vou buscar, como fossem sombras,
Fragmentos de nós dois, restos perdidos de mim,
Lembranças que agora talvez nem interessem mais.
Não me encontro mais nos momentos que foram nossos,
Só encontro meu próprio fantasma e de tudo que fomos.
Mas ainda meus olhos suspiram entre alegres e tristes
Nas lágrimas que choram por nós dois, ou talvez
Apenas por mim, no lamentar do que agora sou.
Nem tento mais me procurar, seria em vão...
Os sorrisos se perderam, a alegria se foi há muito,
Se encheu de tristeza, se misturou com angustias,
Se perdeu entre as minhas tantas perdas e se foi
Como mais uma, cabisbaixa, em sussurros inaudíveis, 
Lamentosos, deixando só mais um vazio entre tantos.


José João
21/04/2.015









sábado, 18 de abril de 2015

Histórias ou poesias?

Não sei escrever poesias, apenas conto histórias,
Histórias que se acomodem nos corações carentes,
Que se tornem melodias nas almas tristes,
Que se façam grito e eco ao mesmo tempo
Para que nunca passem despercebidas, perdidas,
Entre os amantes que, como eu, talvez chorem,
Sozinhos, suas dores. Minhas histórias ou verdades,
São contadas em versos sem rima, sem métrica,
De palavras soltas, livres, sem medo do começo
Ou do fim do verso, onde a alma esvoaça liberta,
Gritando suas vontades, prazeres e até angustias.
Ah! Essas minhas histórias! Algumas inacabadas
Ficam como rascunhos que nunca serão terminados,
Porque a história não tem fim, apenas se fez saudade.
Não sei sonhar poesias, sei apenas contar histórias,
Algumas sentidas em outros corações, choradas
Com lágrimas que não são minhas, gritadas
Pelo desespero de outras almas. Minha histórias...
Algumas verdadeiras verdades fingidas, outras...
São mentiras mentirosas que a solidão escreveu,
Fosse eu um poeta, saberia fingir a dor...essa dor
Que talvez... até nem seja minha, ou será?

José João
18/04/2.015




Perdi

Não sei como, nem onde, só sei que perdi. Perdi.
Procurei com o desespero da dor da perda
Dentro de mim, sufocando lembranças e sonhos.
Procurando entre velhos guardados...encontrei retratos,
Alguns amarelados, outros roídos como se o tempo
Estivesse, de proposito, querendo apagar rastros
Deixados entre os tantos olhares mortos e sorrisos...
Sorrisos antigos, já sem razão, sem sentido...
Aqueles que os donos já nem existiam mais.
Procurava na gaveta, gaveta mágica dos poetas,
Onde eles guardam recordações, versos inacabados,
Sorrisos tristes. Guardam beijos, olhares perdidos,
Há quem diga que a gaveta mágica do poeta
Não existe. Existe sim, mas só o ele sabe abri-la,
Mas não estava ali o que tanto procurava (lágrimas).
A dor aumentava, sangrava a alma, espremia o peito,
A voz era apenas um sussurro, e nem eu mesmo sabia
Se eram rezas ou blasfêmias. As horas pareciam
Correr como se quisessem passar na frente dos dias...
E eu...com uma demência quase louca..procurava
O que talvez nem encontre mais.

José João
18/04/2.015






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Porque acham a saudade apenas triste?

Ah! Essa minha tão bela saudade triste! Cheia de ti.
Dos teus sonhos...dos nossos momentos, anseios...
Ah! Essa tão bela saudade de ti! Me deixa os olhos
Brilhantes, vivos, úmidos, molhados, chorados,
Encharcados com tua imagem a falar de nós dois,
E eles gritam silenciosamente teu nome e brincam,
De cada lágrima fazem uma carícia como se tuas mãos
Deslizassem em meu rosto dizendo te amo...afinal
Pra que palavras para dizer de nós, de nossas almas?
Sempre estavam disponíveis pra nós. Ah! Saudade!
Me toma nos braços, me invade sem que eu peça,
Vai até lá dentro de minha alma, se acomoda... 
E, sem cerimônia, de lá te traz toda, me deixa repleto de  ti...
Como se nenhum adeus tivesse acontecido. Ah! Saudade!
Que me deixa vivo, que diz que tenho história...
Que me faz viver todos os momentos que me deste.
Não sei porque acham a saudade apenas triste!
E não bela. Não sei porque dizem que a saudade dói...
A mim, ela faz chegar como sonhos os momentos que vivi,
E até me abraça com o carinho que um dia senti.

José João
15/04/2.015


A história do vazio de mim

As vezes uma vontade de chorar, copiosa e descabida
Me chega sem avisar, sem razão, sem que eu queira,
Chega apenas por chegar, e choro...mesmo
Sem querer chorar. Outras vezes é uma tristeza...
Mais triste que qualquer tristeza, dessas que faz
Até minha carência, talvez por pena de mim, pedir
Para a saudade me abraçar, me trazer sonhos
Que possam me fazer lembrar momentos que já vivi.
As vezes é tão grande a vontade de querer voltar
Que me ponho a fazer rota entre as estrelas...
Imaginando caminhos que talvez nem levem a lugar
Nenhum, buscando horizontes sem estradas pra chegar.
Ah! Quantas vezes a solidão se fez maior, muito maior
Do que eu podia suportar! Quantas vezes cai em prantos,
Em lágrimas vivas, sem mais te-las pra chorar...
Quantas vezes meus olhos secaram vazios, vagos,
Sem nada para olhar, sem nem sonhos pra sonhar!
Apenas contando tristes a história do vazio de mim.


José João
15/04/2.015



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eu... tudo que sobrou de mim

Sou eu a incoerência de mim mesmo e dos momentos,
Dos desencontros e angustias que me tomam e me seguem,
Sou eu a incoerência viva na vontade de querer ir
E não ter lugar pra chegar, de querer ficar e não ter
Onde estar. Sou eu quem em desespero corre por caminhos
Perdidos, sem horizontes, para fugir dos adeus que deixaram
Dolorosas saudades, mas por onde vá elas vão comigo.
Sou quem se fechou num mundo feito apenas de mim (loucura)
Na vã tentativa de me fazer completo, guardado das coisas
Lá de fora, onde apenas solidão e tristeza se faziam vivas,
Mas fui eu a quem elas, mais cruéis ainda, encontraram.
Fui quem se fez pranto nas tantas  tardes de primavera,
Molhando com minhas lágrimas as flores sorridentes
Que os outros achavam inocentes e belas...e eu... triste.
Sou eu, aquele homem de voz reticente, olhar vago...
Passos lentos, como se o tempo lhe pesasse nos ombros,
E os sonhos, que ficaram como resto da vida que um dia viveu,
Se fizessem  pesados fardos que a alma carrega só.
Sou quem estende um olhar molhado de dor para a vida
Pedindo uma migalha que seja, um resto de qualquer 
Esperança que a alma carente tanto implora.


José João
13/04/2.015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Saudade... a maneira perfeita de ti amar

Que a ausência me negue tua presença...
Que a solidão me tome todo nas noites mal dormidas,
Que a tristeza me invada, desde a alma até os olhos,
Chorando lágrimas como fossem palavras sussurradas
Cheias de ti, te buscando nos velhos e caducos sonhos
Que ainda me fazes sonhar, quase perdidos no tempo,
Mas em cada fragmento uma doce lembrança tua.
Que angustias me façam chorar em copioso pranto
Essa falta que me sufoca dentro do vazio de mim,
Ainda embriagado pela ilusão de te sentir perto.
Que me aconteça tudo isso, mas nunca vou deixar
Tua saudade ir de dentro de mim, vou deixa-la aqui,
Que se faça repleta dentro minha alma só tua.
Nunca permitirei que o tempo entre nós se faça distância,
Vou te guardar carinhosamente dentro de mim,
Obedecendo as ordens de um coração carente de ti,
De uma alma que te fez sua própria eternidade,
E assim fazem da saudade de te uma outra história
De amor, dessas que só a perfeição sabe cuidar.

José João
09/04/2.015



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Já nem sei se é mesmo dor.

Ah! Essa minha dor! Maior que qualquer dor,
A minha não é dor alheia, aquela que dói menos,
Essa é só minha, maior que todas, é essa que destrói
A própria vida, que estingue até os raros fragmentos
De sonhos que se faziam pedaços de momento risonhos,
De momento vividos entre alegrias e risos, entre esperanças
E desejos. Ah! Essa minha dor que sentem medo de sentir!
Tanto sentem que não amam. Dizem que chorar a perda
De um amor maior que qualquer amor, é sentir uma dor
Maior que qualquer dor. A minha é infinita mas, menor,
Infinitamente menor que o amor que senti. Por isso
Vale a pena. O destino faz a troca justa, a cada segundo
Que se vive um amor intenso como vivi, chora-se por anos
Mas...se não o vivesse, fosse talvez maior minha tristeza,
Meu vazio, sem nada para contar, sem nenhuma saudade
Para sentir, e o silêncio cheio de vazios por não ter
Uma história que ao meno me fizesse lágrimas ao lembrar.
Na verdade essa dor que sinto é diferente, cuida de mim,
Nunca vem sozinha, traz a saudade que me põe no colo,
Me fecha os olhos e me faz ir lá, bem distante, no tempo
...viver outra vez...mesmo estando aqui, de frente
Para a solidão, para a tristeza, e essa dolorosa ausência


José João
08/04/2.015


terça-feira, 7 de abril de 2015

Será que essa dor é só minha?!!

Não só os sonhos se fizeram restos. Eu também...
Me fiz resto de mim quando esperanças e ilusões
Se perderam entre os dias, se fizeram vazias,
Indo a lugar nenhum porque os sonhos estavam mortos.
Me fiz silêncio, perdido nos acordes de uma canção
Que a alma balbuciava sem ter voz para cantar,
Os sorrisos se perderam na dureza de tristezas vivas,
As lágrimas se faziam farpas, expulsas pelos olhos
Ora como queixumes, ora como blasfêmias
Que as palavras não ousavam ou não podiam dizer
Para que a alma não pecasse ainda mais, e inocente,
Pudesse em solenes orações rezadas, pedir clemência
Pela tanta dor que uma eterna carência lhe fazia chorar.
As perdas se fizeram fantasmas, os tantos adeus
Se fizeram rosários de perdidas contas, sem conferir
Os ais que cada saudade deixou, e cada lágrima
Caída, correndo no rosto, era um reza nova,
Que em desespero meus olhos choravam 
Como se dissessem para a alma: Estou gritando
...espera... talvez um dia ouçam nossa prece.

José João
07/04/2.015



quinta-feira, 2 de abril de 2015

O vazio que tua ausência faz

Chove lá fora, a chuva parece cantar um choro triste,
O vento  se desmancha em lamentos, voando solto
Sem nenhum lugar pra ficar, perdido, feito andarilho
Que não sabe em que horizonte chegar.
Nas portas e janelas a saudade pede para entrar,
Dizendo trazer histórias que não posso esquecer,
Mas a casa está cheia, não tem mais lugar,
A solidão se fez dona dela, trouxe a tristeza,
A angustia, até a desilusão, que quase nunca chega,
Está comodamente sentada na soleira,
Sem permitir nem a entrada da esperança, que lá fora,
Aos gritos, diz que minha alma precisa muito dela.
Uma ausência densa, cheia de martírio e muitos ais,
Desses ais doloridos que a alma, pela dor da perda,
Grita desesperada em lágrimas, prantos e blasfêmias,
Acorda o silêncio que, preguiçoso, dormia entre as horas,
E estas para não acorda-lo  se arrastavam lentamente,
Vagarosamente como se não fosse preciso passar
Para chegar um outro amanhã...que talvez nem precisasse vir,
Porque essa dor, parece não ser  de ontens nem  de  amanhãs,
É a dor de sempre, dessas que se orgulha de ser eterna


José João
02/04/2.015



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Saudade é um amar diferente


Chega  a ser mórbida essa tristeza que sinto,
Que me invade, que me toma,. que me suga da alma
Esperanças, sonhos e até a vontade de fazer-me vivo.
Quando a saudade  se faz mais dor que mesmo saudade,
Quando as lágrimas escondem os horizontes que meus olhos
Insistem, em neles, ir buscar tua imagem que a alma diz
Divina. Quando paro, caído no desespero da angustia,
Só teu nome sei rezar como oração, ou como vida.
Não sei onde te buscar, te encontrar...não sei
Mas te deixo dentro de mim como se fosses para sempre
Minha verdadeira história, a única que vivi plenamente.
Vivo no rastro dos teus passos que se perderam de mim,
Na ansiedade da eterna busca de te buscar nos sonhos
Que sonhei ou que ainda vou sonhar. Nas lembranças
Perdidas que não sei onde deixei, ou onde perdi...
E assim vou...indo por estradas cheias de solidão,
De desejos perdidos, de esperanças mortas...
E do silêncio que tua ausência deixou como castigo,
Para uma alma que o crime foi apenas amar tanto.

José João
01/04/2.015

sexta-feira, 27 de março de 2015

Essa estranha saudade de ti.

...Me lembro, nas noites, da suavidade do teu respirar,
Parecia cantando canções de ninar, outras vezes,
Parecia contando histórias de amor, ficava horas,
Vendo teu rosto, como se fosses criança inocente
Brincado de dormir e sonhar. Quantas vezes
Meus olhos se encheram de lágrimas (felizes)
Por poder estar perto, velar teu sono, adivinhar teus sonhos,
E, baixinho, dizer para apenas minha alma ouvir: Te amo.
Hoje choro tua ausência nas noites frias cheias de solidão,
De silêncio, de amargura e da falta de ti. O vazio...denso,
A saudade,  minha quase loucura gritando com a alma,
Com os olhos, em desespero e num angustiante sufocar.
Um soluço me toma a voz e um sussurro como oração
Silenciosa, ou como um chorar demente diz teu nome
Lentamente como se fosse uma reza pedindo piedade
Pela tanta dor de uma saudade mais triste que qualquer
Tristeza que já se tenha sabido. Uma vontade estranha
Toma conta de mim, vontade de correr, sem ter onde ir,
De chorar, de fazer-me todo teu outra vez...
Como se pudesse te buscar no tempo...ou onde estejas.

José João
27/03/2.015

terça-feira, 24 de março de 2015

Acho que é essa falta de ti.

Eu sou feito de saudades, distâncias e sonhos,
Sou feito de poesias tristes que choram lágrimas
Em cada verso como fossem palavras não ditas
Porque solidão e silêncio não permitiram sair a voz
Que, tímida, se escondeu entre os vazios que ficaram
Vivos depois de um adeus que se eternizou na alma,
Se fez história, se fez de sempre, de prantos e dores.
Sinto falta dos momentos que não vivi, todos eles,
Que nem sei por onde hoje estão, falta dos beijos 
Que não dei, dos olhares que esqueci, das palavras
Que nem lembro mais. Ah! Quanta falta de mim!
Também sou feito de silêncio, desse silêncio
Que chora sozinho, se esconde num canto da alma
Como se fosse para lembrar o que precisa dizer
Mas se perde já no desejo de se fazer voz.
Sou feito de pedaços, de ontens quase esquecidos,
De amanhãs que não sei o que trazem, de saudades
Que choro, de saudades  que ainda vou sentir...
Mas acho que sou feito dessa falta de ti.

José João
24/03/2.014






terça-feira, 17 de março de 2015

A teimosia de um sentimento

E tu?! O que ainda fazes dentro de mim?
Não te basta fazer-me escravo da saudade?
Deixar-me entre meus vazios, louco assim!
Como se me fosses o começo do meu fim?

Que ainda queres de mim? Já não roubaste tudo!?
Rompeste minha alma e lhe tiraste os sonhos,
Sangraste meus pensamentos e me fizeste mudo
Dos meus dias fizeste pedaços tristes e bisonhos

Não te basta que o silêncio me grite tormentos?
Que o adeus que até agora escuto me cale a voz?
Essa voz que me sai sem força, tristes lamentos
Chorando em prantos essa dor cruel, tenaz e atroz?

Que queres de mim? A não ser deixar-me louco
Pedindo migalhas, restos de desejos perdidos!
Será que essa tanta solidão perene achas pouco?
Achas pouco esse pranto que choro incontido? 

Está bem. Te confesso, te esquecer eu tentei
Busquei horizontes perdidos em mares bravios,
Fui por mares de sonhos até neles, te juro, nadei
Mas deixaste tantas lembranças que até me afoguei

Foram beijos que se fizeram de ontem, não esqueci
Olhares perdidos em doces encantos feliz eu senti
Vivi teus momentos eternos e ternos, como vivi!
Que hoje percebo, embora não queira, vivo por ti.


José João
17/03/2.015







domingo, 15 de março de 2015

Hoje não foi dia de poesia

Hoje os versos quiseram se deitar no silêncio 
Do meu pensamento e dormir no colo da saudade,
Ficaram dementes, sem palavras e sem vontade
De se fazerem poesia. Ficaram ao léu no vazio de mim,
 No vazio das horas que nem sei se passavam...
Ou brincavam de me fazer buscar sonhos distantes,
Como se o tempo tivesse parado e a história triste,
De tanto tempo, se fizesse de ontem, com a mesma dor.
As palavras se atropelavam, os pensamentos se perdiam,
Se confundiam e a alma perdida por tanta tristeza
Fazia os olhos chorarem com lágrimas novas, dores antigas,
Que já havia chorado tantas vezes entre orações e blasfêmias.
Os adeus ditos se confundiam, trocavam de nome,
De histórias, algumas que nem precisava chorar, chorei,
Porque troquei o nome da dona da saudade.
Hoje não foi dia de fazer versos, nem escrever poesias,
Não foi dia de sonhar, nem de buscar palavras,
Foi apenas um dia de juntar pedaços perdidos
Espalhados entre meus tantos desesperos, medos
E carências...foi um dia triste, sem versos nem poesias.

José João
14/03/2.015


quarta-feira, 4 de março de 2015

Histórias que a solidão me conta

Solidão e saudade todas as noites me contam histórias,
Tristes, de adeus, de ausências, de perdas.
Histórias que nem sei se por mim foram vividas,
Mas doem tanto que até acho que quem as viveu fui eu.
Escuto calado, num silêncio que até a noite cala,
E calada, ouve atenta o que dizem solidão e saudade.
Os sonhos se perdem no vazio da insonia 
Que me enche a noite, me abre os olhos, 
Deixa a tristeza ávida de mim a esgueirar-se entre as horas
Como se apenas fosse uma questão de tempo
Ter-me nos braços brincando com minhas lágrimas
Como pedaços de histórias que choro e não sei contar.
Tudo em mim se faz de muito e de sempre...
Prantos...que até parece nasceram comigo.
Angustias...que deixam a alma mais triste que carente.
Medo...de que seja essa falta de tudo, até falta de mim
Que me deixei ficar dentro da dor daquele adeus
Que parece não querer passar nunca.

José João
04/03/2.015

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Hoje nem pude escrever uma poesia

Hoje me faltaram as palavras, a poesia se foi,
Tudo porque minha dor ficou maior que a saudade,
Está do tamanho da tristeza,  daquela tristeza 
Que faz até as  lágrimas se fazerem poucas,
Que faz o mundo ficar pequeno, sem ar e sem cor,
Que por mais que sejam os prantos chorados
A alma não se contenta e quer chorar muito mais.
Hoje, meu pensamento ficou num opaco silêncio,
Minha voz se perdeu na imensidão de tanta mudez
Que nem em murmúrios pude rezar o nome dela,
Tanto que nem os sonhos puderam ser buscados
Para aplacar a tanta solidão que me envolvia, mórbida,
Como se minha carência estivesse em pleno cio.
A poesia passou furtiva por entre as saudades,
(há quem diga que só existe uma saudade),
Livida e trêmula, como se estivesse com medo,
Esgueirou-se para que a solidão não a visse...
E se foi, me deixando se nenhum verso...
E o papel?! Está lá sobre a mesa...vazio de palavras,
Mas cheio, repleto, todo molhado de...lágrimas.

José João
25/02/2.015


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Meus sentimentos e eu

Sentimentos! Os meus são tantos, que nem sei mais,
Uns, sentidos com lágrimas, outros com sonhos,
Outros cheios de saudades risonhas, alguns repletos
De saudades tristes, cheio de prantos e ais,
Mas são meus sentimentos.As vezes blasfemo dizendo: 
Chega,Gritando em desesperada angustia palavras vazias,
Sem sentido, ainda assim não faço por onde esquece-los,
São meus, minha história, cheios de tantos momentos!
Beijos, lembranças, olhares, tudo que vivi, que lembro...
Está cheio de sentimentos. Nunca disse um:
Eu te amo, sem que minha alma não dissesse comigo,
Nunca senti um rosto em minhas mãos sem que elas
Não tremessem pela emoção de se fazerem carícias,
Era como se falassem baixinho e sem palavras...
Como se elas fossem tão poucas que se faziam inúteis
Na voz do toque transbordante de sentimentos puros,
Cheios da verdade da alma que plena se entrega toda
À vontade de se fazer doação dando sua própria
Essência. Nunca meus sentimento foram escondidos...
Deixo-os livres para que possam contar de mim.

José João
19/02/2.015





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Minha toda liberdade

Minha alma é livre, como livre é o vento a voltear
Sobre jardins, montes, a ir sem cercas, sem fronteiras,
A cariciar folhas, flores e beija-las nas primaveras.
Tenho a liberdade dos sonhos, de voar nas poesias,
De pintar horizontes que nunca ninguém viu...
Colorir o por do sol que nunca nenhum pintor
Encontrou tintas para colorir, eu o pinto com palavras,
Na magia dos poemas que por si só se fazem belos.
Minha liberdade me permite amar, sentir saudade,
Chorar a tristeza que se faz mais triste do que posso sentir.
Ah! Esses poetas! Que brincam de chorar a dor
Que sentem e choram de verdade a dor dos outros,
Fazem poesias com apenas um nome e eternizam
Cada momento sem um ponto final no fim do verso
Brincam de fazer do infinito um pedaço de pensamento
Quando vai em qualquer mundo buscar um sonho
E o traz preso no pensar de uma ilusão que ele cria.
Essa é minha liberdade, tanto que me entrego ao pranto,
(se preciso for) Onde até as lágrimas, minhas lágrimas...
Se quiserem ser alegres chorando uma saudade triste
Têm liberdade, afinal elas são livres, como eu.


José João
19/02/2.015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Recomeçar...

Não sei se ainda existem marcas no caminho
Que possam me fazer voltar. Não sei também
Se existem razões para meu coração bater mais forte,
Se assanhar com a alma e sonharem sonhos novos,
Não sei. Não sei se meus ais e suspiros mudaram o tom, 
Se se fizeram cantos de esperança a me sorrir nos lábios.
Já nem sei se minha alma, a tanto a toa no marasmo do nada,
Se propõe a abri-se, a se entregar sem medo de dizer que ama,
Se minhas mãos ainda se fazem versos sobre um rosto,
A escreve-lo e descreve-lo em linhas de doces caricias
Dizendo suavemente: Eu te amo, no tremor livido da emoção
Que lhe faz suar como se fossem lágrimas que ela chora feliz.
Se meus olhos se traduzem em olhares cheios de luz
Gritando entre prantos de esperança  um sentimento 
Vivo, intenso, cheio da vontade de ser feliz, de ser pleno
Na confissão da alma silenciosa que nem acredita mais.
Não sei...não sei se ainda sei sonhar, se ainda sei entregar
Meus momentos sem medo de adeus ou saudade,
De dor ou solidão. Não sei...mas se não recomeçar...
A dor do arrependimento de não ter feito...
...Será bem maior.


José João
16/02/2.015






sábado, 14 de fevereiro de 2015

Assim... igual a mim

Qual flor a desmanchar-se ao tempo porque murcharam
As pétalas. A deitar-se moribunda, levada ao vento,
Já sem beleza, e até o perfume lhe foi embora
Ou como folha que, murcha e seca, ao tempo, ao léu,
Vai a lugar nenhum. Assim se fizeram meus sonhos,
Gritos perdidos de ais sem eco, indo aos tropeços
Por silêncios mudos, em torpe angustia por não ser voz.
Ah! Meus sonhos! Pássaros presos no chão caídos,
Lhes cortaram as asas, e sem elas, só lhe resta olhar...
Olhar o céu, lá bem distante e sem poder voar...
Sonhar... mas sem sonhos de lá chegar.
Qual dolorido choro de criança órfã que em lágrimas reza
E não entende porque a vida lhe deixou tão só!
Igual a alma de um andarilho triste rezando rezas
Ao por do sol, caminhando sozinho em veredas finas,
De estreitas margens onde não pode nem descansar.
Igual a mim que em  poesias grito meu pranto 
Num canto, mudo, porque a dor que me tira a voz
Se faz solidão e engole tudo.


José João
14/02/2.015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Como se tivesse sido ontem

Sinto saudade, até hoje, como se tanto tempo
Passado tivesse sido ontem, lembro momentos, 
Palavras, gestos, até o sorriso brincando em  teus lábios,
Fazendo a alegria estampar-se feliz em teu rosto inocente 
Quase divino. Lembro, com saudade, até dos teus defeitos!
Como te faziam diferentes! Como me conquistavam!
Me faziam te amar mais, te querer mais...
Ainda hoje meus sonhos antigos te fazem viva
E os sonhos novos te criam outra vez...refazem histórias 
Que não passamos, recriam momentos que não vivemos...
Tanto ainda és pra mim que até nos amanhãs tu já estás.
O tempo, em mim, te grita todos o dias, te chama
Nas madrugadas, no por do sol, faz caminhos
Para meus pensamentos te buscarem...
Estás tão viva nos meus momentos, tão dentro
De minha alma que até o esquecimento, talvez por saber
Que é essa saudade tua que me faz estar vivo,
Não se permite fazer-me te esquecer 


José João
13/02/2.015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Amar...amar...sem medo de chorar

Não me importam os ontens tristes e chorosos,
Não me importam os adeus que ouvi em lágrimas,
Os soluços silenciosos chorados nas noites frias,
A solidão vazia, a ausência doentia e angustiante
De uma perda por um adeus que não queria dizer.
Não importam os passos reticentes dados no tempo,
Quando perdido de mim, lamentava tristonho,
Cheio de cicatrizes na alma, as dores sentidas
Por uma saudade deixada no coração e na alma.
A mim, nada disso importa, porque depois de tudo isso
Ainda estou vivo, coração batendo forte, sonhos...
Ainda a serem sonhados, alma repleta de desejos,
E a vontade de ser feliz, e essa vontade me toma
Do medo de procurar amar outra vez...e outra vez...
Preciso amar, preciso buscar esse momento de vida
Que se faz único a cada instante vivido...vou amar,
Sem medo, sem pensar, me entregar todo e pleno
A um amor que sei, ainda virá, e se chorar amanhã...
Paciência, tenho uma alma feliz em chorar por ter amado,
Melhor chorar pela dor de uma saudade que ser vazio, 
Sem nenhuma saudade pra chorar.

José João
12/02/2.015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Minha alma e eu

Não vou compor versos que a alma não aceite
Que dentro deles esteja o que nós dois sentimos,
Não vou fazer poemas em que ela não se sinta
Toda dona deles do que choramos e vivemos 

Não vou fazer versos que a alma diga que minto
Não seria justo, nós dois amamos e sofremos
Meus são os olhos, dela as lágrimas que choramos
Minha é a voz, dela a canção que nós cantamos

Sempre que disse amo, apenas a voz foi minha
Vem lá de dentro, vem todo de dentro dela
Que sofre mais que eu se o amor briga com ela

Nunca amei sem que ela comigo não amasse
Sempre me entreguei à sua toda e plena vontade
Amamos, choramos juntos, é ela minha verdade.

José João
11/02/2.014

O que sei de mim.

Não tenho mais como escrever sonhos,
Inventa-los para enganar a alma triste
As poesias ficaram pálidas e nelas ponho
Toda angustia que viver em mim insiste

Procuro, no tempo, cantos escuros, 
Que de mim mesmo me escondam,
Cruel ilusão nem por atrás de muros...
Solidão e saudade sempre me encontram

Corro a ir buscar antigas lembranças
Restos delas que em mim tenham ficado
Mas não me vêm nem restos de esperança

Perdi a voz na confusão de pensamentos
Que ora me deixam mudo, ora demente
Sabendo apenas o que é ser só, ser carente


José João
11/02/2.015









segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Apenas restos do que já fui!

Meus sonhos se recusaram em ser poesias,
Apenas minha saudade se fez versos, tristes
Diz-me a alma que os sonhos seriam heresias
Porque neles apenas angustia agora existe

Diz-me a vida em lacônico e cruel silêncio
Que nada deve ser dito do que um dia vivi
Que foram apenas ilusões essas dores no cio
Dores que a alma não viveu e eu, nunca senti

Não sei poque a vida insiste em mentir-me tanto
Se meus vazios são frutos de perdas vividas!
Tanto que meus olhos falam gritando em prantos
Angustias e tristezas pela própria vida paridas

Como calar-me a alma os tantos adeus ouvidos?
Se  ela a debruçar-se sobre os vazios de agora
Chora prantos que jamais um dia foram sentidos
Tantos que a razão, como louca, se foi embora!

A mim, só me resta essa loucura fria e demente
Que me faz ser apenas escombros do que já fui
E essa dor lancinante de uma alma triste e carente
Que  só me faz ser resto, do que um dia foi gente!!


José João
09/02/2.015




sábado, 7 de fevereiro de 2015

Quem sabe voltes um dia!



Deus! Deus! vê meus joelhos! Feridos, inchados...
Meus ombros curvos, voz reticente, sonhos mortos...
Os versos! Cheios de nada, apenas palavras soltas
Que a alma grita em preces perdidas, velhas e rotas

Como ficaram os pensamentos! Perdidos e dementes
Gritando em alardes dores que não querem passar
Angustia e solidão a colinear como fossem serpentes
Me tomam, e só blasfêmias me fazem, contrito, rezar

Me tomei nos tantos prantos que não queria chorar
Ergui aos céus, mãos postas, as suplicas dementes, 
Os olhares se perderam num muito tristonho vagar
Até os gritos como loucos choravam de tão carentes

Corri, em sonhos, caminhos que nem sei se pisaste
Pobre andarilho, procurava no tempo teu perfume 
Ouvi, do silêncio, canções que nem sei se cantaste 
Talvez fosse minha alma rezando os seus queixumes

Ao cansaço me entrego de tanto a esmo te procurar
Sento na beira da tarde, olhar perdido a te buscar
Quem sabe um dia voltes nas voltas que o mundo dá?
E talvez, surpresa me encontre, ainda a te esperar!


José João
08/02/2.014





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Que a culpa seja minha

Diz-me que meu olhar é triste, cheio de mim
Como  fossem canção sem nenhuma melodia
Que parecem nuvens de chuva em tarde triste
Diz-me até que dentro de mim mais nada existe

Culpas-me desse vazio que agora me  habita
Mas não falas nada desse tão dolorido adeus
Quem dera essa minha dor fizesse que reflitas
Foram teus lábios que falaram... não os meus

Então deixa que o tempo de mim se faça dono
Nas saudades sentidas nas noites e eu sozinho
Em que tua lembrança de mim me tira o sono

Não me culpes, a culpar-me isso eu já me fiz
Deixa que a alma, a meu fingir, não sofra tanto
Que ela pense que o adeus foi eu quem quis


José João
08/02/2.014






Sei fingir a verdade de ser triste

Grito meus momentos, angustias, saudades, carências.
Minhas poesias, desesperadas, gritam nos versos tristes,
Dores que me doem na alma. Rezo ladainhas em poemas
Cheios de lágrimas que se derramam no rosto
Como fragmentos do tempo, das lembranças e sonhos,
Grito no meio da multidão indiferente, sem tempo,
Outras vezes deixo o silêncio falar por mim, 
Numa demência que me faz ainda mais despercebido...
Não sou ouvido. Minha tristeza, inquilina dos meus olhos
Perdidos em olhares vagos, vazios, sem cor se faz em mim
Uma história, um história que se faz de sempre.
Ah! Essas minha verdades que ninguém vê! Nem ouve!
Nem sente! Dizem até que minha dor não é dor...
E que a tristeza dos versos são fingimentos da alma...
Dizem que sou poeta e não choro minha dor...
Que nos versos que choro apenas poetizo a dor alheia,
E assim, sozinho, fingindo pra mim mesmo 
Que sou feliz, quase acredito, tão bom fingidor eu sou!!


José João
08/02/2.015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Preciso fazer alguém feliz

Não me interessam mais os sonhos deixados para traz,
Nem os que sonharia ainda, não interessam,
Nem os sorrisos perdidos no tempo, lembranças 
Caducas, como risos mortos em retratos amarelos.
Não me interessam mais. Caminhos para horizontes
Distantes, passos deixados na saudade que ficou,
Mas que também não importam mais.
Nada do que ficou para traz, importa mais. Nada.
Momentos, sorrisos, palavras que não queria ouvir,
Promessas que o tempo mostrou ridículas, descabidas,
Fingidas, cheias de nada, que apenas engaram a alma,
Deixando-a aos prantos, ajoelhada, em reza demente,
Cheia de cicatrizes abertas, como se fossem finos cortes
Deixados por lâminas afiadas de uma solidão doentia.
É só o que tenho, o que o passado me deu...
E o que a vida me permitiu viver...até aqui. Chega...
Chega desse resto de mim. Vou seguir caminhos
Que devem me levar a algum lugar, onde alguém
Goste de me ver chegar, de estar perto, me precisar.
 Preciso muito, mais que a mim, fazer alguém feliz...


José João
04/02/2.015



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Hoje só te fiz lágrimas

Hoje não consegui te fazer poesia,
Só consegui te fazer lágrimas,
Escrevi a saudade em versos incompletos,.
Teu nome escrevi nas entrelinhas,
Quando tristeza solidão se juntaram em rimas
Dementes, descabidas, mas me cabendo
Perfeitamente. Tu ausência se encheu
Com teu teu perfume, me tomou os sentidos...
Me embriagou de te num torpor sonolento, sublime,
Quase divino, Gritei teu nome dentro de mim
Com toda força que o silêncio permitiu...
Murmurei teu nome entre soluços
Senti o gosto de teu beijo na lágrima que chorei,
Fui buscar sonhos que sonhamos juntos,
Momentos que ficaram eternos...
Guardados carinhosamente dentro da alma,
Desenhei nuvens e dentro delas escrevi teu nome.
Te guardei dentro do que sobrou de mim...
Quase consigo te ver...tanta era a saudade
Que te trouxe para bem perto. Até fechei o olhos
...E senti tuas mãos no roçar da brisa caridosa
Que se enfeitou de ti... só não consegui
Te fazer poesia...te fiz só lágrimas.

José João
03/02/2.015


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Os beijos com gosto de amanhã

Vou correr pelo tempo, com minha loucura desvairada,
Procurando a mim mesmo. Vou me esconder dos sonhos,
De todos eles, dos momentos que pensei para sempre,
Vou me esconder deles por atrás do esquecimento
Que as saudades insistem em não deixar chegar.
Vou esquecer cor de olhos, sabor de beijos, tudo,
Até de nomes que rezei como oração, que gritei com a alma.
Vou deixar que a demência me tome conta do que um dia
Vivi,  na ilusão de que fosse sempre... fosse eterno
Em cada sonho, e se fizessem plenos nos amanhãs que viriam.
Vou fazer que o esquecimento se faça faminto e os engula,
Sem sentir medo do vazio que deve ficar, mas talvez melhor
Que essa dor tão descabida que insiste em estar em mim 
E que não devia mais sentir. Vou deixar que a loucura
Me tire a razão, me faça inocente num novo recomeçar,
Sentir saudades novas, fabricar jovens e curiosas lágrimas, 
Que deslizem até meus lábios para sentir...o gosto...o gosto
De teus beijos que... apesar de tudo insistiram em ficar
Como se tivessem sido dados a... partir de amanhã.


José João
02/02/2.015