terça-feira, 20 de agosto de 2013

Me deixaram assim, apenas isso

 Meus desejos, segredos, sonhos foram atirados ao tempo
Todos se fizeram trapos perdidos, varridos, levados pelo vento.
Foram por entre as saudades, ouvindo os gritos  desesperados
Que a alma  gritava como louca entre os nadas que ficaram.
Até o eco dos gritos se fizeram tristes, se fizeram lágrimas,
E voavam como orações rezadas sem fé, indo a nenhum lugar
Onde  pudesse se fazer ouvido ou sentido como dor.
Minhas lembranças se fizeram pedaços amargos de vida,
Tão dolorosos que o esquecimento se recusa a leva-los
Para qualquer lugar distante onde o silêncio não tenha  voz
Para martirizar a alma agora tão sofrida e vazia dela mesma.
Me perdi, os caminhos se fizeram estreitas e insólitas veredas,
Onde os passos tropeçavam e os pensamentos se faziam bêbados.
Fiquei mendigo. Alma em trapos, coração em frangalhos,
Olhar perdido por não ter nada pra ver, braços estendidos,
Mãos abertas, frias, carentes, mendigando um pedacinho de calor
Fiquei vazio, sem nada pra dar. Nada. Estou tão vazio,
Que agora até os meus beijos têm apenas o gosto de beijo,
Não têm mais o sabor de minha alma.


José João
20/08/2.013









segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Levaram o melhor pedaço de mim

                    Uma pequena parte de mim sou eu, a procurar-me
Entre os fragmentos que ficaram dos tantos sonhos perdidos.
A outra parte de mim, a maior parte, não sei.
A parte mais importante de mim, onde guardava as lembranças,
A vontade de amar, os sonhos, os pedidos feitos em oração,
Aquela parte que insiste em ser sonhadora, a se entregar,
Em viver. Essa parte, se ainda existe, não é mais minha,
Ou não sou eu.. Sou agora um vazio que insiste em viver.
Fiquei pequeno, me confundo com a solidão que me ocupa todo,
Que me invade a alma, agora incompleta, que me toma
E me faz  resto de mim. Sou agora o que restou de um adeus
Que não queria, nem dizer, nem ouvir. Vida ou destino, não sei,
Mas me rompeu em pedaços, fiquei com minha menor parte,
Essa que não vale mais nada, porque desaprendeu a amar.
Minha parte mais importante, o maior pedaço de mim,
Aquele onde a alma ficava guardada... foi como louca...
Gritando ao tempo: Te amo...te amo...te amo...te...


José João
19/08/2.013






sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Nunca te sintas só

Talvez um dia alguém te diga da dor que em mim deixaste.
Quem sabe um dia, quando a solidão te cortejar a alma,
Te espremer o peito com um dolorido e sufocante ardor 
Desses que faz da morte protetora, até  fazer-se  favor...
- assim como eu senti -

Talvez um dia o silêncio te pese nos ombros, te faça calar,
Te  faça  ouvir o pulsar do coração pedindo um carinho
E entre soluços, tua voz se perder num triste sussurrar
E tua alma aflita pedindo pelo menos um sonho pra sonhar...
- como foi comigo -

Quando numa noite qualquer, ouvires teus soluços gritando
Dentro do peito, e tua alma em confusão perdida no tempo
E tu, como companhia  tendo lá fora apenas a voz do vento
- como tantas noites eu tive -

Quando te sentires assim, sem caminhos e sem onde chegar
Quando o adeus que disseste se fizer dor e te fizer chorar
Não te sintas só, minha alma está contigo, nunca deixei de te amar
- assim como não fazes comigo -


José João
16/08/2.013






quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O que meu coração quer te dizer

Meu coração, quando  te vê, dispara acelerado,
Pula dentro do peito como se quisesse cair em tuas  mãos,
Grita teu nome num pulsar frenético, descompassado...
Nem percebes, mas ele não desiste. E meus olhos...
Amigos que são do coração,  te olham  atônitos, admirados,
Também como se gritassem: Olha o que queremos dizer.
Meus olhos... te veem, meu coração te sente,
Meus lábios balbuciam teu nome loucos  de desejo,
E minha alma, se entrega toda em sonhar contigo.
Não foi culpa minha, nem tua também, talvez tenha sido
Dos teus olhos com essa cor de inocência, ou do teu sorriso,
Brincando de encantar, dos teus lábios com  gosto de querer,
Quem sabe teus cabelos brincando soltos ao vento!
Moldurando teu rosto de anjo, de sonho e de mulher.
Ah! Quando esses meus olhos te veem!
Quando esse meu tão louco e carente coração te sente!
Se um dia me fosse dado o milagre de meus olhos
 (janelas de minha alma) olharem bem dentro dos teus...
De meu coração pulsar bem pertinho,  juntinho do teu,
Eles te diriam bem baixinho o que tanto te querem dizer.


José João
15/08/2.013






Minha alma é livre para te procurar

Minha alma é livre. Voa por campos, por sonhos.
Voa por entre o tempo, passeia brincando pelos ontens,
Do hoje se faz passageira para o amanhã, que há muito,
Foi escrito. Minha alma, ousada e carente, sóbria e louca
Caminha por caminhos sem chão, sem rumo, apenas vai,
Como se a liberdade fosse um caminho para seguir 
Onde qualquer direção leva a algum lugar, não importa.
Faz rota nas estrelas, brinca com o luar,  
Que caminha na noite, incansável,  fabricando sonhos.
Voa com a brisa, vai além mar nos rastros da lua,
Cavalga nas ondas - minha alma é poeta - pára o vento
Para ouvir o canto melodioso do silêncio, que baixinho
Diz para o mar que a lua está apaixonada. Minha alma ouve.
Minha alma é livre...livre para ir nos horizontes, qualquer um.
Ela é livre, como são livres minhas poesias,
Que loucamente procuram os rastros que não deixaste.
Alma e poesia são livres para irem em qualquer lugar.
Desde que sempre estejam a procura de ti.
Que não sei onde está.


José João
14/06/2.013


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Como deixaste minha alma!

Minha alma, te lembras como a entreguei pra ti.
Cheia de risos, sonhos coloridos e por colorir
Sonhos, até de criança, tão inocente que era
Tudo a ti entregou,  seduzida por um teu sorrir

Chegaste de mansinho, fizeste dela tua morada
Te acomodou, como mãe ao filho acomoda
E se entregou  toda, sem medo, doce e serena
Que contigo a vida seria completa, toda e plena

Viveu teus sonhos como se dela eles fossem,
Se vestiu de ti para se fazer de um só coração
Chamava teu nome como se reza uma oração

Vês como a deixaste!? Resto no chão caído
Demente, rezando orações sem nenhum sentido
Inerte, coitada, morta sem ainda ter morrido


José João
14/08/2.013


Ontem jurei te esquecer

Jurei, ontem, para minha alma, que te esqueceria,
Que não deixaria mais meus pensamentos, como loucos,
Voarem sem rumo, com o vento, a procura de ti
Chorando por qualquer resto que tenhas deixado ficar,
Talvez até por pena de mim. Jurei. Não te procuraria mais.
Prometi a minha alma que sonharia sonhos novos,
Inventaria, se fosse preciso, histórias novas, outros momentos,
Que até poderia fingir vive-los. Criar, assim como fazem os poetas,
Sorrisos que se fazem verdadeiros por enganar quem os vê.
Inventei estradas que nunca vi, nas que andamos juntos
Reinventei meus passos apaguei os teus e segui sozinho, 
Dei outras cores para as flores, apaguei os mal-me-queres,
Plantei os bem-me-queres e olhei para trás esperando alguém.
Depois de tudo isso, depois de jurar para alma que te esqueceria,
Depois de refazer rotas, caminhos, replantar flores,
Quando quase refiz  os sonhos, me volta o vento, lá de não sei onde,
Dizendo que vu um pedaço de teu olhar buscando no tempo,
O que ele também não sabe, mas foi tanto para minha alma,
Que como penitência se ajoelhou sobre pedras, 
Pedindo perdão por mim, dizendo que jurar é pecado.


José João
14/08/2.013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A saudade me ajuda viver

Meus olhos correm aflitos buscando teus rastros,
Minha alma se ajoelha chorando a distância entre nós dois
O eco do silêncio se faz mórbido gritando gargalhadas indecentes,
Voando entre as angustias que ficaram marcando o tempo.
Um sonho e uma lágrima fogem do passado e correm desesperados,
Se escondem dentro de uma saudade que vou sentir só amanhã,
Não cabem na saudade que sinto hoje, a de amanhã será bem maior.
Um soluço, vindo lento, lá de dentro da alma, custa a  chegar,
Vem reticente como se buscasse na lembrança um nome,
 Ou uma imagem que meus olhos teimosos buscam no tempo
Mas uma nuvem de solidão, ou lágrimas, não lhes permitem ver.
Pedaços de sonhos, fragmentos, se fazem relíquias para a alma,
Que paciente, junta-os, costura-os como se fosse uma artesã,
Tentando alinhavar, entre pontos perdidos, pedaços de vida,
Mas os pedaços mais completos, a alma não encontrava,
E nem podia, se foram contigo. Comigo ficou só a saudade de ti,
Com que me vesti...para lembrar que ainda vivo.


José João
13/08/2.013

sábado, 10 de agosto de 2013

Qualquer carinho me serve

As vezes sou poesia, em outras sou um verso
As vezes sou uma rima que não tem com que rimar
Pois como verso inacabado, sem história pra contar
Me faço de um poema que ninguém quer escutar

As vezes sou saudade, em outras sou solidão
Cantando no fim da tarde uma canção sem melodia
Espero a inspiração nas estrelas que vão chegar
Mas chega a madrugada e a poesia é um chorar

As vezes sou um jardim que o jardineiro podou
Também as vezes sou galho  que o jardineiro cortou
Fico no chão caído, galho seco, sem ter flor
Aos poucos vai se quebrando por tão seco que ficou

Até  folha também já fui, um dia verde robusta e bela
Mas com o tempo passando, fiquei fraca e amarela
Um dia um vento do norte, do galho me arrancou
Entre leves volteios teimosos no chão ele me atirou

Já fui pedra que na estrada, entre flores já morou
Sentindo o perfume delas que em mim não se pegou
Cruel sina a de uma pedra, que todos julgam sem vida
Mas com certeza um dia uma pedra também chorou

Já fui um raio de luar, muito elegante, majestoso e belo
Que com a estrela mais brilhante brincava de namorar
E a estrela, bela e vaidosa, se enfeitava para brilhar
Numa tentativa de, eu por ela, uma noite me apaixonar

Hoje, coitado sou um pedaço, o menor pedaço de mim
Andando pelas estradas, por veredas sem ter onde chegar
Procurando por migalhas, tão difíceis de encontrar
O pedaço de um sorriso, quem  perdeu para eu achar?

Ou até mesmo um abraço, mesmo velho e já vencido
Um beijo! Não peço tanto, este nem mesmo sonhando
Um resto de olhar perdido que esqueceram de dar
Qualquer carinho me serve...até um ombro pra  chorar.


José João
10/08/2.013







Insensatez

Vivi muitas histórias de amor, algumas minhas
Outras de quem nem conhecia mas fiz minhas,
Por serem completas, perfeitas, sem fim, para sempre.
Inventei histórias por que as minhas eram ontens perdidos.
Gritei versos ao vento, vivi amores fingidos, criei sonhos.
Aprendi até a mentir para minha pobre alma carente
E assim enganar meu coração. Sonho contigo nas noites
E digo que estás aqui, que sinto teu perfume, que ouço tua voz
Engano até a mim mesmo, finjo pra mim que nunca partiste.
Vou buscar a mais prazerosa saudade de ti,
Ainda assim meus olhos choram, minhas lágrimas te buscam
E minha voz, sem que eu peça ou queira, balbucia teu nome
Entre os soluços que também não queria chorar.
Reinventei histórias com teu nome. Sabe aquele meu olhar?
Aquele quando me disseste adeus? Te lembras?...Aquele
Que chorou um pranto dolorido entre sonhos e vazios?
Que te seguia entre estradas e caminhos sem teus rastros?
Fiz dele um outro olhar, reinventei um olhar perdido
No horizonte, mas cheio de esperanças. Vãs, eu sei. Insensatez
Mas mentir para minha alma ficou tão fácil!
Tua ausência a fragilizou tanto que qualquer sorriso fingido,
A faz alvoroçar-se toda se enfeitando pra ti.


José João
10/08/2.013








Eternidade e infinito?! Pedaços de minha dor

Meus olhos são tristes, minhas lágrimas abundantes,
Mas não caem no meu rosto, não se deixam aparecer,
A dor diz  que,  para ela, é mais divertido que chore com a alma,
Assim ela dói bem mais e se faz mais verdadeira.
Então meus olhos choram para dentro de mim, aflitos,
E se confundem ao se verem vazios chorando tanta dor,
Opacos, sem o brilho das lágrimas a que se acostumaram tanto.
A solidão, surpresa, olha dentro deles e não vê pranto,
Se faz mais forte, mais densa, se faz tanto, e tão intensa
Que me faz até sentir teu perfume entre meus desejos.
As lágrimas  se fazem mais, a alma se encolhe, se faz menor,
Como se a dor não lhe doesse tanto por estar tão pequena,
Mas esta se faz do tamanho da saudade, que até ontem,
Era apenas do tamanho do infinito,  hoje,  infinito...
É só a fração de um pedaço do momento da dor que sinto,
A eternidade se faz até bem ali onde meus olhos,
Mesmo chorando ao gosto da alma, ainda te procuram 
Eternidade e infinito são apenas pedaços da dor que sinto


José João
09/08/2.013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O labirinto que tua ausência teceu

Quantas noites acordado entre lágrimas e solidão,
Buscando caminhos entre estrelas para sonhos que não sonhei.
Quantas noites de frio se fizeram estradas para angustia,
Para o sono ir-se e deixar bem claro para alma, os momentos
Vividos dentro das dores deixadas pelos lamentos do adeus.
Quantas noites vazias de sonhos, a vida gritava aflita
Heresias como orações rezadas pelo desespero da alma
Que se ajoelhava em prantos, mendigando um pedaço de olhar,
Um pedaço de sorriso, uma migalha de qualquer  querer.
Ah! Dor,  tenaz, calcinante, como afiadas arestas de pedras
Calcinando e ferindo, feito punhal, corações carentes,
Solitários a se fazerem andarilhos sem horizontes para chegar,
Levando no peito apenas mágoas, e nos olhos perdidos,
Somente lágrimas para gritar chorando a falta de sonhos 
Ah! Essas noites vazias em que sinto saudade de mim,
E vou, em vão, buscar-me num passado que se perdeu,
E na volta, me perco nos labirintos que tua ausência teceu.


José João
08/08/2.013


As palavras são tão poucas

O desespero toma conta de mim, me deixa perdido
Procurando  palavras, que se fazem tão poucas,
Quando quero dizer de todo meu sentimento.
De que adiantaria dizer te amo? 
Por mais que minha alma gritasse...seria tão pouco.
Se eu dissesse: Não vivo sem você. Que adiantaria?
São palavras tão comuns que se fazem pequenas
Para o tamanho do que minha alma sente e grita,
Foste muito mais do que um dia pedi, muito mais,
Mais que todos os sonhos que me permitiram sonhar
Te fizeste, em mim, tão maior que tudo 
Que para viver minha vida tinha que viver primeiro a tua.
Que palavras poderiam dizer esse tanto sentimento?
As palavras, todas elas. Todas. Não podem dizer
O que minha alma sente. A vida te fez mais que tudo,
Talvez, se todas as palavras tivessem nascido de dentro 
De minha alma, talvez assim, elas dissessem um pouquinho
Do que sinto, do que quero te dizer e não posso.
As palavras, coitadas,  são realmente muito poucas para tanto.


José João
08/08/2.013



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Vai, voa minha poesia

Que minha poesia voe como voa o pensamento,
Voe como pássaros na direção do infinito distante,
Ou como canção viajante nas asas da solidão.
Que leve minha voz sussurrante nos versos, nas  rimas
Nascidos das lágrimas que choram  meu coração.
Que faça caminhos nas ensolaradas manhãs
Até chegar no horizonte colorido de sonhos
Onde o sol começa, preguiçoso, a dormir. Vai.
Vai minha poesia, por qualquer lado, qualquer caminho
Qualquer direção, sempre há, lá na frente, um horizonte.
Vai, minha poesia, e mostra minhas lágrimas e saudades
Àqueles que, como eu, choram também suas dores,
Ah! Minha poesia! Voa. Vai entre caminhos perdidos,
Entre cercas, entre quintais e corações. Leva minha voz
Por jardins floridos, amores esquecidos, sonhos perdidos.
Deve haver, minha poesia, um coração vazio, chorando.
Talvez, como o meu, esse que a solidão inspira tanto.
Vai minha poesia. Vai por onde nem eu mesmo sei.
Vai e fala para o mundo essa falta que dói tanto,
Essa falta que não sei dizer....só sei chorar.


José João
06/08/2.013



domingo, 4 de agosto de 2013

Quando meu coração chora teu nome

Gosto de estar sozinho ouvindo o silêncio da solidão,
Assim ouço meu coração dizendo baixinho, letra por letra,
Teu nome. Aí os olhos, a cada letra, choram uma lágrima,
A cada lágrima, uma saudade e a cada saudade uma dor.
Quando todo teu nome é dito, quase me faltam lágrimas,
A saudade me tomou todo, se fez um mundo dentro de mim
Que até a própria solidão enternecida consola minha alma
Dizendo que se contente com o prazer de ouvir teu nome,
Que com ele vou buscar momentos e sonhos que foram vividos,
Sentidos, e pior seria não te-los, agora que já não estás.
Não me zango quando o silêncio da solidão
Me faz ouvir meu coração chamando teu nome, as vezes  parece
Que entre soluços, num respirar mais profundo, te chama querida
Num se arrastar triste, num pulsar cuidadoso para não errar letras,
Ele diz que se isso acontecesse não se perdoaria, pois teu nome
É como se fosse uma oração que se precisa rezar para viver,
É um infinito que  faz de cada lembrança uma eternidade.
Me faço ouvinte do silêncio, inquilino da solidão, passageiro da saudade
E vou, deixando cair aos meus pés cada letra de teu nome 
Acomodada dentro de cada lágrima que meus olhos tristes e teimosos
Insistem em chorar e deixar como rastros perdidos no tempo.


José João
04/08/2.013




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O artesão de minhas memórias

Amei, amei como talvez nunca ninguém amou,
Amei com toda  loucura de uma alma inocente
Que se perde encantada entre sonhos que ninguém sonhou.
Me entreguei aos tantos amores que vivi, todo e pleno,
Pensando que o adeus que tantos choravam aflitos,
Eu não precisaria chorar, fazia de cada um deles
Apenas uma lembrança perdida entre os tantos que disse.
Corria entre meus sonhos gritando nomes que de cor eu sabia
Sabia o nome de beijos, conhecia cada olhar que me envolvia
E sabia até o que cada um dizia. Amei sonhos, momentos,
Me envolviam ternos braços que me cariciavam serenos,
Doces beijos trocados com um forte sabor de desejo.
Amei como se amar fosse rezar a oração que se precisa
Para viver,  para fazer do amanhã uma nova poesia.
Amei como nunca mais, eu sei, vou amar outra vez.
Depois que me perdi de mim, me encontrei entre os vazios
Que ficaram, me descobri  forjando sonhos que não sonhei,
Hoje sou um artesão de minhas próprias memórias
Alinhavando-as como trapos rotos, caídos, perdidos,
Tentando costurar em vão os pedaços, os restos,
Que a alma, chorando, deixou cair com os prantos.


José João
01/08/2.013




terça-feira, 30 de julho de 2013

Agora não estou mais sozinho

   
Querido,  quero te fazer feliz - me disse ela sorrindo,
e continuou - Quero preencher teus dias, até te ser submissa,
Para muitas isso é tão ridículo, mas pra mim, ficar perto de ti
É tanto. Talvez eu não seja a única em teus pensamentos,
Mas não importa. Não vou me importar que busques
Os sonhos que sonhaste em outros braços. Te juro.
Não vou me importar que me contes de outros amores,
Dos beijos que trocaste, dos que não deste...
Até dos momentos mais íntimos que te marcaram tanto,
Se quiseres que ouça...não me importo, conta..
Quero que fiques repleto de mim, me desculpa 
Se te sufocar, mas é que sou assim, intensa, 
Quero ser tua a todo momento, em todas as horas
Quero estar contigo nas noites, deitar contigo
Prometo ficar em silêncio se quiseres, sei ser tua.
Na vou nem respirar para não espantar teu sonho
E se não conseguires dormir, fico acordada contigo,
Se chorares enxugo tuas lágrimas, se o quarto ficar pequeno,
Quiseres sair no jardim, contar estrelas conversar com a noite,
Vou contigo o que não posso é te deixar sozinho
 Com essa saudade tão difícil de sentir, afinal estou aqui
Sou tua, toda tua, plena, passiva, e se quiseres... nua.
Querido vou te buscar tudo e por aos teus pés
Vou buscar os adeus, os sonhos que o tempo levou
E vou te dar, tirando de dentro de mim, outra ilusão
A final querido, o que mais poderia te dar? Eu, a solidão.


José João
30/07/2.013

domingo, 28 de julho de 2013

Amor impossível... uma saudade eterna

Queria te buscar lá de dentro dos meus sonhos impossíveis,
Te trazer para dentro de minha alma, te deixar ficar como oração
A ser rezada em todos os meus momentos, te trazer ao alcance
Desse coração já tão carente de ti, embora nada tenhas dito.
Ti fazer a essência viva que pulsa dentro de mim me dando vida
Me fazendo sonhar em divinos delírios e te guardar dentro de mim
Com toda a liberdade que duas almas possam sentir se se amam.
Queria gritar para o mundo que me fizeste ser amante cativo
E me por dentro de teus desejos e vontades como criança,
Ou como homem, como me queiras ou como me queiras fazer.
Passar por cima de vaidades, orgulhos e me fazer cativo de ti
Me desnudar, me banhar com teu olhar inocente e terno,
Imacular até meus pensamentos  para caber dentro de tua alma
E te fazer única dona de todos os meus mais doces sentimentos.
Te fazer a minha mais perfeita poesia, escrita com sorrisos,
Com nossos olhares a se beijarem ainda dentro de nossos olhos
Brilhantes, úmidos de paixão, essa paixão avassaladora
Que nos permite loucuras inocentes, puras e repletas de amor.
A! se pudesse  te tirar de dentro dos meus sonhos impossíveis
E te fazer verdadeira dentro de minha alma que, coitada,
Cabisbaixa, murmura teu nome para consolar meu coração.


José João
28/07/2.013


sábado, 27 de julho de 2013

Tão distante e tão dentro de mim.

Lá vem a noite, chorosa, cruel e triste, trazendo saudades,
Vem como um lamento pintado no rosto do tempo,
Se arrastando nas horas para mais lenta passar,
Vem com seus passos bêbados, cheia de fantasmas
Que se fizeram vivos dentro da dor de cada amante
Que choram suas perdas e as ilusões que morreram
Quando as lágrimas ouviram os adeus que não queriam chorar,
Eu? Não tenho fantasmas, mas tenho minha dor para chorar,
Tenho minha saudade que ela traz  como lembrança viva
Dos momentos que a vida era muito mais que tudo,
Muito mais que qualquer sonho, uma verdade divina
Que era vivida entre entregas de corpo, alma e coração.
Com a noite me chegam  os pensamentos mais distantes,
E se confundem com os de agora, por que tudo fala de você,
Parece magia,  mas a noite me traz teu meigo perfume
A vestir-me de ternura, a vestir-me de ti, a me fazer,
Entre suspiros e lágrimas, chamar em vão o teu nome,
Me iludir que estás perto, bem aqui, em minha frente,
Mas vem a verdade dizer que estás muito longe,
Muito além, embora estejas ainda dentro de mim
São esses milagres da vida, da saudade e do amor
Tão distante e ainda tão dentro de mim!!


José João
27/07/2.013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Até a solidão sentiu pena de mim

Hoje, meus pensamentos foram  todos teus, só teus,
Vieste forte por sobre o tempo, sobre distâncias 
E veio contigo a saudade, uma saudade diferente,
Dessas saudades que os olhos não resistem, choram,
Se entregam ao pranto como se fossem poetas,
Escrevendo com lágrimas histórias que testemunharam...
De sonhos em que eles, os olhos, não se fechavam
Sonhavam acordados tanto era a beleza dos sonhos.
Tudo hoje foi só você, até a brisa em leves volteios
Parecia murmurar teu nome, baixinho, te chamando
Querendo que viesses, talvez até por pena de mim,
Ela sempre escutava meu pesamento te gritando
Angustiado, triste, como se estivesse demente,
Perdido entre a ausência e a carência de ti,
Estiveste hoje em mim como se nunca tivesses partido
Até o silêncio se fazia voz gritando lá dentro da alma
O que nem sabia pedir, mas reclamava  essa falta de ti.
Hoje não foi a saudade como a dos outros dias
Que qualquer lágrima rolava em minha face e ela ia
Hoje foi tanta, que até a solidão pedia em pranto:
Que essa saudade não me doesse tanto.


José joão
25/07/2.013





quarta-feira, 24 de julho de 2013

A dor que me dói na alma

Diz-me ó dor perene que tanto me dói na alma,
Diz-me que queres, se já aos poucos me matas
Que hei de fazer se a mim tanto diz não querer
Mas por que então tanto me sufocas e maltratas?

Oh! Dor cruel, calcinante, a queimar-me a vida
Desde o adeus que dentro de minha alma ficou
Desde tudo que está a me fazer servo do sentir
Até do perfume dela que a própria noite guardou!

Lá fora, chorando a brisa no alvor do amanhecer
Com o orvalho da fria noite às flores emudecer
Como fez com minha voz que em soluço converteu
Ao trazer esta saudade que nunca em mim morreu

Oh! Dor! Cruel carícia que sufoca qualquer querer
Que se faz algoz, verdugo, que se faz por se fazer
Dentro da gente e somente, para a alma machucar
Como se sentisse  prazer em vê-la triste  chorar

De toda aquela  ternura, amor ardente, amor loucura
Mãos trêmulas a tatear nossos rostos, nossos corpos
De todos esses meus sonhos, apenas isso me restou
Essa dor tão desvairada, que desde que foste, ficou.


José João
24/07/2.013








segunda-feira, 22 de julho de 2013

Nasci para amar

Nasci para amar, para me entregar, para viver o amor
Já nasci sabendo amar e amo tanto que até a saudade
Me abraça, trocamos juras de um amor mais que pleno
Amo, até minhas lágrimas, num chorar doce e sereno

Hei de amar muito mais e para sempre, viver de amar
Amo o amor, amo amar, a ele me entrego sem medo
Minhas lágrimas, é minha alma se confessando ao amor
E por amar vale até mesmo chorar por qualquer dor

Minhas veias pulsam impulsionadas por  tanto amor
Que minha alma se agita e grita e ferve de emoção
E se está só, aprendeu a amar até mesmo a solidão

Amo como se apenas amar fosse preciso pra viver
E quando um dia a vida não puder mais em mim ficar
O coração em silêncio ainda dirá: Amar, amar, amar...


José João
22/07/2.013


domingo, 21 de julho de 2013

Um adeus é para sempre

Sinto saudade do que talvez nem mais exista,
Mas sou poeta...paro o tempo e trago os momentos,
Vou buscar, lá atrás, bem dentro das recordações 
As histórias vividas com gosto de amor, de paixão,
E  como paciente artesão, refaço as cores e os traços
Do passado, dou outro tom  nas matizes descoloridas,
Reinvento a história em outros versos com outras rimas.
Por exemplo, sonhos novos não sonhei mais, mas invento...
Invento que sou feliz, faço verdadeiras magias. Faço no papel
Estrelas cadentes, horizontes coloridos, faço o mar beijar o céu.
Até te beijo, te carrego no colo entre jardins perfumados de ti.
Te beijo a fronte, ouço dizeres que me amas, me afagas
O rosto com a sutileza da brisa. Vês? Sei inventar sonhos.
Refiz aquele horizonte, testemunho do nosso primeiro beijo,
Até aquele grãozinho de areia que caiu em meus olhos...Lembras?
Foste tirar e...pronto... o horizonte testemunhou.
Vou buscar todos esses momentos, tenho-os todos comigo.
Só não pude e reinventar aquele adeus...até hoje dói...
Até nas orações, quando a dor é forte e se pede clemência...
Ele se faz presente. Ah.  Deus! Um adeus é para sempre.

José João
21/07/2.012




sábado, 20 de julho de 2013

Sou a minha mais triste invenção


Hoje me finjo de mim, me faço a mentira do que não sou mais,
Daquele homem que dos teus braços fazia um infinito de prazer,
Um mundo cheio de sonhos coloridos a se fazerem verdades.
Hoje sou apenas uma sombra, mas sou artista, sou poeta
E encontro no tempo, que dentro de mim insiste em passar,
A máscara de uma felicidade que juram seja completa.
Sou minha cópia fingida, com sorrisos falsos, palavras não ditas,
Apenas repetidas, palavras que ficaram de quando eu ainda era eu.
Grito todas elas e acreditam verdadeiras, se grito eu amo. Acreditam
Se grito sou feliz,  me dão parabéns. Se choro e digo que é de felicidade...
Aplaudem. Sou minha multiplicidade, sou um para cada um, mas triste...
Percebo que não sou eu, me vejo apenas uma cópia desbotada do que fui.
Não quero chorar, embora a saudade de mim, a saudade de nós
Se faça tão forte dentro da alma, que muitas vezes, num tremor lívido,
Me sinto tomado de tamanha angustia que choro gritando teu nome.
Não te culpo por agora ser o que  sou. Não te culpo se me vesti de ti,
Se te fiz todos os meus momentos, se te fiz minha própria essência,
Não te culpo se fiz dos teus sonhos os meus sonhos, se me despi de mim
Para me entregar como se tudo, até a vida fosse você.
Não te culpo por nada, afinal fui eu que me entreguei sem reservas.
Hoje sou uma sombra a esgueirar-se entes os vazios que deixaste,
Sou a história que ninguém conhece, mas tenho o mais belo sorriso falso
Que ninguém jamais viu. Hoje sou a minha mais triste invenção de mim.


José João
20/07/2.013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Minhas poesias também choram

Hoje te encontrei entre meus guardados,
Dentro daquela saudade que nem sabia mais,
Ah! Quando te encontrei! Os versos fizeram festa,
Esconderam até as rimas para a poesia ficar mais livre
E as lágrimas saírem soltas sem medo do fim dos versos..
O adeus, gritava louco, teu nome por toda a casa,
Os gritos se faziam tão alto dentro da alma
Que até o silêncio, por pena de mim, tentava se fazer ouvir.
Abri todas as janelas, portas, mas o adeus apenas ironizava
Meu desespero de  senti-lo, se fez tão forte e pleno
Que não se fez apenas ouvir, mas também se fez  sentir,
Como se a vida estivesse presa no momento que o disseste.
Tentei, dentro do pensamento, guardar os meus guardados,
Abrir uma gaveta mágica e colocar dentro dela,
Desde o adeus que disseste até a saudade de nós dois,
Mas não consegui, tudo ficou mais forte que minha vontade.
Recordações, lembranças, lágrimas, essas então...
Já se faziam prantos convulsivos molhando a poesia,
Que também chorava em seus versos a minha mesma dor


José João
18/07/2.013


terça-feira, 16 de julho de 2013

Vou te guardar para sempre

Não vou te esconder dos meus pensamentos,
Nem permitir que o esquecimento te tome de mim,
Vou te guardar como minha alma te faz ser: Única.
Vou te deixar desperta e contigo os momentos que vivemos,
Quero que a distância, por maior que agora  seja,
Que o tempo, por mais que tenha passado,
Se façam, em mim, recordações recentes, como de ontem.
Não sei onde estás, mas sei quais eram os teus sonhos,
Vou faze-los vivos, vou sonha-los todos, outra vez,
Deixa-los dentro de mim como se estivesses aqui
E dentro de cada um deles te deixar plena e viva.
Sei que não adianta te procurar mas imagino onde estejas
Foste por estradas sem chão, espaço sem rastros,
Embora seja tão grande a saudade, tão infinitamente
Maior que tudo, ainda assim, não me leva onde estás,
Só me leva até nossos ontens, repletos de nós.
Vou te deixar dentro de mim nas imagens que ficaram,
Nos beijos que deixamos pra depois e nunca trocamos,
Na ternura do teu olhar, em silêncio me dizendo: Te amo
Vou te deixar guardada no espaço mais confortável 
De minha alma. Vou deixar que a saudade de ti
Me tome todo, me preencha como se fosse tua presença,
E  te acomodar dentro de mim...para sempre.


José João
16/07/2.012






domingo, 14 de julho de 2013

Ama-me... por favor

...Cantei cantos divinos vivendo momentos infinitos, 
Fui abraçado com ternura como se eu fosse único
Beijei lábios sedosos, ávidos, sedentos dos meus,
Me entreguei como se tudo fosse só aquilo que eu vivia,
Vivia meus sonhos como se verdadeiros, reais, vivos
Repletos das mais belas e mais doces palavras e promessas.
Mas quantas vezes enganei,  e até enganei a mim mesmo, 
Falando palavras vazias, com olhares vagos e fingidos!
Brinquei, muitas vezes, ao dizer: Te amo.
Me fiz escravo da vaidade de me sentir amado, 
E aprendi a falar coisas que o tempo, fácil, apagaria.
Esse mesmo tempo, que antes calado, agora grita,
Grita dentro de mim com um silêncio tão eloquente 
Que me deixa perdido no tempo com dolorosas lembranças
Do que fui. E agora, agora sou apenas um nada,
Quando muito um pequeno poeta triste que escreve
Nos versos sem rimas suas tristezas e seus remorsos.
Todas as dores que fiz sentir, hoje, sem clemência,
O destino, a vida , não sei, faz  que cheguem e fiquem
Dentro de mim. Agora não sou mais eu que brinco,
Acho que meu passado me fez hoje um simples pedinte,
De migalhas, de restos de olhares que não dizem nada.
Hoje, triste, aprendi a pedir com a alma, a quem nem sei o nome
Olhos fitos no chão, talvez pela tanta vergonha do pedir.
Mas peço: Amam-me...por favor. Recebo um olhar de piedade...
E me lembro dos olhares fingidos que dei. Doeram na alma
Agora eu sei.


José João
14/07/2.013


sexta-feira, 12 de julho de 2013

As marcas da solidão

A casa está aí. Vazia, cheia de nada, apenas sombras do passado
Que se prenderam nas paredes frias como se fossem gritos do silêncio.
Desse silêncio que insiste em ficar dentro do nada, do vazio que existe.
Procuro, em vão, os sonhos que pensei estarem nos travesseiros, fronhas...
Pensamento louco de uma alma carente vagando entre saudades e solidão.
Os pensamentos se perderam na distância do tempo, ficaram esquecidos,
Tão velhos, tão perdidos, que lembrar é como se fosse ir no infinito
Da alma, lá dentro do mais escondido pedaço sem caminhos pra chegar.
Procuro rastros no chão como se o peso da saudade nele fizesse marcas,
Mas também por ele, passou o tempo, se ficaram marcas foram apagadas,
Não ficou nada, a não ser  saudade,  solidão e a angustia fria e teimosa
A se fazerem donas do espaço, do tempo e de mim. Sou meu fantasma
A correr entre paredes sem cor, entre meus medos e minhas lembranças
Que se fizeram fragmentos perdidos, sem começo, meio ou fim.
O hoje se faz tão confuso! Como se as horas fossem de ontem,
E as dores... as mesmas, se eternizando a cada momento dentro de mim,
E os amanhãs? Como virão? Talvez com a mesma dor de sempre,
Com as mesmas saudades, a mesma solidão e a mesma angustia...
Novas, só mesmo a lágrimas que se farão minha voz...
Pedindo clemência, em orações que só elas sabem rezar.


José João
12/07/2.013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um beijo da saudade

Nunca estou só, sempre há quem me ouça, me acalente,
Fico entre meus sonhos, pensamentos que me chegam...
Trazidos por doces carinhos de quem sempre está perto.
Agora mesmo sinto os afagos da saudade, seus sussurros,
Ela está bem aqui, ao meu lado, cabeça deitada em meu ombro
Com suas mãos macias segura as minhas, me fala baixinho,
Me manda fechar os olhos e buscar momentos que vivi,
Está tão perto que até sinto seu perfume, leve e doce.
Seus cabelos esvoaçam em mim como se fossem carícias,
Seus dedos finos percorrem meu rosto carinhosamente
Como se procurassem rastros de lágrimas caídas um dia,
Me olha nos olhos, com um olhar entre terno e triste,
Esboça um leve sorriso nos lábios finos, ternamente divinos
Encosta-os vagarosamente em meu rosto, como se fosse um beijo.
Um beijo da saudade, meu corpo treme, minha alma se entrega
Naquele marasmo de ir lá atrás no tempo buscar o que ficou
Perdido depois dos tantos adeus que, sem querer, ouvi.
Mais na frente, encostada na porta, está a solidão,
Com um olhar sarcástico, irônico, como se zombando
De mim e da saudade. Me aponta o dedo, de unhas longas,
Cortantes, e com um certo ar de crueldade me diz,
Que não adianta os carinhos da saudade, que ela, a solidão,
É mais forte, e com uma voz sibilante, como se fosse um sílvio,
Entre um gargalhar e um esganar, vaticina: Eu sempre estarei contigo.
A saudade me olha nos olhos e com uma voz  como se fosse
Uma doce canção,  me diz: Eu também.


José João
11/07/2.013





quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ainda há quem diga que sou poeta!!


A brisa docemente me caricia o rosto, com carinho de mãe
Que sente a dor do filho, de sua alma, e chora com ele.
E me deixo ficar como criança carente, silenciosa e triste.
No jardim, bem em minha frente, perfumado, colorido,
Onde o movimento da vida se faz completo e perfeito, 
Os rouxinóis, os bem-te-vis, em infantil algazarra, voam,
Se beijam, batem alegremente as asas saudando o dia,
Cantam alegremente uma desencontrada mas perfeita sinfonia,
As notas musicais se perdem alegres e soltas, sem palavras
Que possam traduzir a beleza do canto, e a alegria do momento,
Só não um sabiá, que sozinho, escondido num roseiral,
Canta triste, destoando de tudo que se ouve ou vê 
 - menos de mim -  Um gorjeio triste, cheio de lágrimas,
Em cada pausa do canto, talvez um doloroso soluço,
Quem sabe esteja chorando uma perda, uma saudade!
Lá, bem longe, num colorido e melancólico horizonte,
Lá onde os olhares sonhadores dos amantes se perdem,
Em sonhos, em desejos, até em saudades de amores distantes,
Onde o silêncio se faz canção gritando dentro da alma,
Orações que não fazem milagres, só deixam  esperanças vazias
Como ilusões que a vida finge serem verdades.
E eu tão triste, como o sabiá do roseiral, só pude chorar,
E não soube nem fazer desse pranto uma poesia.
Ainda tem quem diga que sou poeta!!!!


José João
03/07/2.013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dor e saudade... livres em mim

Amar. Como amei! Me entreguei loucamente, sem medo,
Minha alma perdeu o pudor e renasceu, do cio pleno
Entre a paixão e a infinita vontade de ser feliz.
Me entreguei, me fiz servo passivo e fiel do amor,
Corri entre sonhos que não eram meus, mas amar...
É viver também os sonhos de quem se ama,
Deixei meus sonhos escondidos,  perdidos dentro de mim.
E um a um dos sonhos de quem amei, vivi intensamente.
Corri entre pensamentos e vontades que não eram minhas,
Mas fazia que fossem, o importante era ser feliz, pensava.
Passa o tempo e os amores se vão, porque não sei,
Mas foram, e cada um deixando uma dor diferente,
E as lágrimas começava a se fazer constantes
Pelas tantas saudades deixadas pelos adeus que ouvi.
Fiquei só, como andarilho, que vaga sem ter onde ir,
Que caminha por qualquer estrada sem saber onde vai,
E diz, pra si mesmo em silêncio. Que importa onde chegar?
Se a dor,  e a saudade serão sempre as mesmas...
Novas, só as lágrimas que se renovam a cada instante,
Quando as lembranças chegam sem pedir licença.
Vou indo, sem sonhos, em direção a qualquer horizonte
Assim, em mim, deixei a dor livre para doer...
E a saudade...livre para me fazer chorar


José João
01/07/2.013





sábado, 29 de junho de 2013

A voz que os sonhos trazem

Não sei se foi um sonho, ao ouvir a doce voz que na distância
Se fazia murmurio, como se fosse um doce cantar da primavera
Não sei se foi o vento... se foi a brisa... brincando de enganar
Talvez, quem sabe, tenha sido um anjo ensinando o que é amar

Lá, muito longe, de um horizonte que nunca vi. que nem sei a cor,
Cruzando o espaço por sobre jardins, por sobre estradas sem chão,
A voz se veste de beleza, meiga, singela e pura e ...voa ao tempo
E vai como se fosse nuvem se deixando levar, meiga pelo vento

Não sei por quais caminhos, se é que para a voz existe algum,
Possa o eco fazer-se passageiro, correr entre muros e pedras, e...
Fazer-se ouvir dentro dos sonhos que nem sonhados foram ainda

Mas vão, voz, e eco, a correrem, a voarem entre os desejos
Passeiam pelas tardes  cheias de saudades, se fazem de alegria
Ainda que por virem de tão longe tragam alguma melancolia


José João
28/06/2.013








quinta-feira, 27 de junho de 2013

Estou te esperando, vem logo

Não importa. Teu nome? Pode ser qualquer um...
Francisca, Maria, Antônia, que importa um nome?
A mim importa que sinto saudade dos beijos que não te dei,
De todos os ternos e doces beijos que não recebi.
Sinto saudade da ternura do teu olhar que nunca fitei,
Não importa de onde sejas. Que importam  lugar...idioma.
O amor. Ah! O amor, traduz palavras, até pensamentos.
Onde estás ainda não sei, mas te conheço com a alma,
Brinco contigo de esconde-esconde entre o sonhos,
Na verdade és o meu sonho mais... mais bonito e...
Tão verdadeiro que até te vejo chegando, linda, sorrindo.
Corremos um ao encontro do outro, nos olhamos,
Nem nos beijamos, deixamos que nossas lágrimas gritem
Nosso nome com a força do pulsar de nossos corações,
Nossas mãos, tremulas, se procuram, se encontram, suam
No desejo incontido de cariciarem nossos rostos.
Não sei onde estás, não sei teu nome e nem vou te dar um,
Vou apenas te esperar, sentado na porta do tempo...
Olhando lá longe, no horizonte, esperando te ver chegar.
Não sei como vens, mas sei que vens, mas não custa.
Estou guardando todos os meus beijos carinhosamente,
Mas eles estão ficando ansiosos, já estão bem nos lábios.
Não custa que minha alma aflita grita em orações um nome
Um nome desconhecido mas que jura ser o teu. 
A mim não importa teu nome, de onde vens, a mim importa
Que te amo desde quando minha alma te viu. Onde? Não sei.
Mas não custa, estou ansioso a tua espera. Até logo...


José João
27/06/2.013

Um lugar além do além.

Quem sabe um dia a morte - remédio de todos os males -
Deixe a alma divertir-se sobre as dores vencidas,
E saudades esquecidas, que no tempo ficaram,
Como lembranças vãs de momentos mortos
E assim cante canções sem nome e sem histórias,
Sem recordar os impossíveis sonhos que se fizeram dor,
Que trouxeram aos olhos lágrimas chorosas e dementes
Como se a dor fosse um pedaço completo do amor,
Qualquer amor que além do corpo a alma tenha vivido,
Se entregado toda, sem medo de amanhã se entregar ao pranto.
Quem sabe um outro horizonte, ou um outro céu
Onde não exista adeus e a eternidade não seja apenas de tempo
Mas de todos os sentimentos que se façam  pulsantes e vivos.
Quem sabe um lugar onde o infinto se junte aos olhares,
Aos beijos ternos, puros, sem troca de segredos ou medos.
Um lugar onde dizer: Eu te amo, é viver perene felicidade.
Quem sabe um lugar onde amar é ser feliz eternamente,
E os amanhãs não sejam futuro, sejam apenas...sempre
Quem sabe...exista um lugar para se ser feliz...


José João
27/06/2.013