domingo, 30 de setembro de 2012
Porque não nasci poeta?
Ah! Pudesse eu ser assim como as flores, todas elas
Que mesmo no dia mais triste conseguem nascer alegres.
Ser como os pássaros que voam alto, lá perto do além
Mesmo chorando, cantam, não contam tristeza pra ninguém
Mas eu? Eu grito minhas dores, até grito em clamores
Rezo orações, faço louvores, faço promessas, até choro
Grito ao mundo, ao tempo, grito todas meus dissabores
E de joelhos rezando ao tempo, me humilho e até imploro
Imploro por um sorriso, um abraço, um carinho, um olhar
Imploro por um: Eu te amo. Mesmo que não queiram dar
Na verdade, imploro até por um adeus, motivo para chorar
Mas nada, por mais que peça, ninguém me dá, nem me diz
Que vida! Viver pedindo migalhas! Uma vida que nunca quis
Porque não nasci poeta? Que mesmo triste ainda é feliz.
José João
30/09/2.012
Viver? Não é apenas estar vivo
Meus gritos voam no espaço como notas musicais perdidas
Meus sonhos se vão ao tempo como poesias inacabadas
Sonhos de momentos perdidos, gritos de dores vividas.
Quem dera se fizessem doce canção gritando a vida!
Que mesmo em prantos por tantas saudades sentidas
Que mesmo chorando uma solidão sempre tão doída
Que mesmo sendo triste por tantos adeus e partidas
Que mesmo regada a prantos vale a pena ser vivida
Nela estão todos os meus sorrisos, até sorrisos tristes
Todas as emoções que me permitiram serem sentidas
As lágrimas que muitas vezes em mim se fazem incontidas
Sorrisos e prantos, dores e cantos, coração batendo forte
Gritando amores, gritando dores de histórias acontecidas
Todas essas emoções que sem vida... nunca seriam sentidas
José João
30/09/2.012
Um dia essa dor passa
Noite. A cama maior e mais fria do que sempre
Não fosse o frio, até diria um pequeno deserto
A engolir-me todo, até os sonhos que não sonhei
E a solidão buscando prantos, me faz desperto
A casa vazia... as sombras gritando em silêncio
Gritos que só a alma escuta, e eu como fantasma
Andando a esmo pelos cantos com minhas dores
Sem saber buscar o que passe esses dissabores
As vezes um soluço que nem sei de onde vem...
Talvez de dentro da alma ou de dentro de mim
Quebra o triste silencio da noite e me diz assim:
Chora, deixa que tudo se faça agora de prantos,
Chora essa dor que te rasga o corpo e a alma.
Chora, que outro dia virá e tudo se fará encantos
José João
30/09/2.012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Nem sonhos restaram
Nossos sonhos foram se perdendo pelos caminhos
Que percorremos juntos, uns ficaram para traz,
Se fizeram realidade, talvez antes do tempo.
Outros correram em nossa frente, talvez fugindo
Do nosso medo de vive-los. E nós fomos nos perdendo.
Deixamos, quem sabe pela nossa juventude,
Muitas coisas para fazer depois, sonhar sonhos
Que queriam ser sonhados, viver momentos
Que queriam ser vividos logo e intensamente,
Mas sempre achamos que tínhamos tempo, muito tempo
Sem saber que ele não era nosso.
Nunca nos apercebemos que do tempo somos passageiros
Assim os sonhos foram se perdendo pelos caminhos
Foram fazendo nossos passos mais apressados
Para o fim de uma estrada que pensamos infinita.
Nossas palavras iam se perdendo no vazio de nós,
Nossos passos pouca a pouco iam se desencontrando,
Nossas mãos já não faziam as mesmas carícias,
Nossos olhos não se encontravam mais, fugiam.
Nossos olhares se perdiam em paisagens diferentes
E já não tínhamos mais apenas um horizonte.
Nossos sonhos foram se perdendo pelos tantos caminhos
Que juntos um dia passamos, deixamos nossas marcas,
De pés correndo alegres, de sorrisos atirados pelo tempo,
E por último, de lágrimas, fecundando a tristeza
Que já se fazia de nossos rastros. Nossos sonhos!
Se fizeram nuvens levadas pelo vento, sem rumo.
Nossos caminhos se dividiram em veredas perdidas...
E nós... não sei. Só sei que não restaram mais sonhos.
José João
28/09/2.012
Minha vida
Minha vida! Feita de tantos momentos inesquecíveis,
Momentos alegres, tristes, felizes. Foram tantos...
Que a vida se fez completa, se fez sem vazios.
Os momentos inesquecíveis ficaram guardados,
Carinhosamente guardados dentro da alma.
Momentos de lágrimas, de saudades, até de dor.
Dores,. saudades, prantos, até a dor de um adeus
Pode se fazer inesquecível. Há quem pense
Que só os momentos felizes devem ser inesquecíveis.
Se fosse assim a vida era cheia de vazios,
Não se faria completa, não se faria história.
Minha vida! Nela andei por tantos horizontes!
Estreitas veredas, largos caminhos, caminhei tanto!
Caminhei até por sonhos perdidos, não sonhados.
Algumas vezes me fiz passageiro do tempo,
Quase sempre indo sem paradas, mas cheio...
De recordações, algumas alegres, outras tristes...
Mas nunca vazio. Até a saudade de momentos
Que desejei ter vivido me acompanhavam, iam comigo
Enchendo a alma de esperanças, mesmo vãs,
Mas ficavam a aquece-la, e ela, ora sorrindo
Ora chorando, mesmo copiosos prantos, se sentia
Orgulhosa por ver-se sem nenhum vazio.Plena.
Em toda sua exuberante história. Isto é, minha vida.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
As lágrimas não dariam conta
Meus olhos se debruçam vazios sobre teus retratos
Que ficaram naquele álbum antigo que esqueceste
Teu sorriso, de tantos anos, ainda parece o mesmo
E aquele papel. Uma poesia inacabada que não leste
Na outra página, outros retratos, e um sonho antigo
Escondido nas páginas desbotadas, atrás da saudade
Que insiste em se mostrar viçosa como flor de ontem
A buscar prantos que me chegam agora sem vaidade
Há velho álbum! Tantas lembranças assim guardadas!
Tantos sorrisos, segredos, quantos desejos calados!
Que se fazem agora tristes momentos no chão jogados
Se as histórias, aí escritas, um dia fossem contadas
Como histórias vivas, de coração, de almas apaixonadas
Quantas lágrimas, meu Deus, teriam que ser choradas?
José João
27/09/2.012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Silêncio da alma
Esse barulho infernal do silêncio
Me deixa como se estivesse surdo
Sem nada ouvir, como se o mundo
Estivesse louco, ou estivesse mudo
Meu grito, que também não é ouvido
Nem cria eco, se perde entre noites
Mal dormidas, consumidas por sonhos
Que agora já nem fazem mais sentido
O barulho infernal do silêncio continua
Faz companhia para a devassa noite nua
Que namora despudorada um raio da lua
Que me olha cínico, irônico, em zombaria
Dizendo que pela lua, sem medo, ele jura
Que minha alma é triste por ser ainda pura
José João
26/09/2.012
Voa meu grito
Voa meu grito. Voa.
Que o silêncio se fez de mudo.
Fecunda as pedras que elas vão parir teu eco,
Estupra o vento, se for preciso, mas vai.
Voa meu grito, que o espaço é todo teu
E está aberto, são tantos os caminhos, e tu,
Meu grito, antes de longe estiveste perto
Até te vi quando do meu peito saíste.
Vai, meu grito, como o pranto que te fiz ser,
Como a dor que me faz chorar. Não pára.
Vai, até ao infinito se for preciso.
Vai, meu grito, gritando a angustia
Que se faz verdade dentro de mim e da alma,
Como se as tantas perdas estivessem vencendo
A vontade de não chorar, mas os olhos...
Em límpidos clarões reluzentes
Se enchem de um brilho demente, carente
E as lágrimas já tanto choradas
Neles se fazem presentes, como presentes da dor
Desse dor que faz o meu peito gritar,
Se prendendo na alma e querendo ficar,
Como se fosse parte de mim.
Não sei se tenho outro grito para gritar,
Talvez o silêncio desperte e só me faça chorar
Buscando lembranças ou sonhos distantes
Que o tempo, por displicência, esqueceu de apagar.
Vai, meu grito, que o espaço é infinito
E o tempo é eterno, talvez um dia possas chegar
Até onde, sinceramente... não sei.
José João
26/09/2.012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Por amor
Meu olhos muitas vezes perguntavam chorosos
Para onde iam aqueles rastros perdidos na areia
Minha saudade corria na frente querendo chegar
E o eco de um soluço triste sufocava um gritar
Que ficava preso no peito como um murmurio
Que não sabe se deve crescer, ser um grito e gritar
Aquela dor que um adeus insiste em deixar ficar
Ou ser só mesmo um soluço, um quase chorar
Mas os olhos insistem em mirar os rastros perdidos
Plantados na areia qual planta sem poder florescer
Ou como semente que na areia não pode crescer
A alma, para os rastros, de tapete alegre se fazia
E a si se dizia: Quem dera pudesse eu ser uma selva!
Se não posso ser, mas por amor, feliz, serei tua relva.
José João
24/09/2.012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Sempre estarás perto
Ontem não esqueci de sonhar contigo
Apenas fizeste com que não pudesse dormir
Me fizeste passar, de saudade, toda a noite
Em claro, como se sonhar fosse pouco para ti
Acordado fiquei comparando com as estrelas
O brilho de teu olhar, que tantas vezes senti,
Sem surpresa, percebi que não existe nas estrelas
O brilho que nos teus olhos, de anjo, um dia eu vi
Se sonhar contigo todas as noites ainda é pouco
Não dormir, não importa, desde que estejas aqui
Em meus pensamentos, com os momentos que vivi
Como se todos se fizessem de sempre, de eternos
No sonhar, no viver, nessa vida, a toda te sentir
Desde que não te oponhas a existir no meu existir
José João
21/09/2.012
Apenas amei!
Oh! Doce e querida musa de olhar ardente
Que faz de flagelo esta tão pobre alma
Que a mim, me faz de enfermo, de doente
Que rouba minha paz e até me rouba a calma
Que queres que te faça, que a mim não deixas
Nem um pensar que pra ti, amor, não seja?
Que deixa em minha alma eternas queixas...
Se me abrem os olhos é apenas pra que te veja!
Porque dos meus dias, deles me tomas todo
E só a ti, disponível, deixas o meu pensar?
Assim me deixas essa tristeza como soldo
E como saldo, me deixas esse meu chorar.
Porque me fazes, amor, tanto bem e tanto mal?
Com se em mim te fizesses meu mel e meu fel
Me untas de mel a um lírio me deixas tão igual
De fel me cobres como se fosse escuro véu.
Em mim conflitam: alma, sonhos e coração,
Sutil, sugas de mim todos os pensamentos
Me roubas minha já quase nenhuma emoção
E me atiras em profundo mar de tantos sofrimentos.
Oh! Doce musa de minha poesia assim tão triste
Que de lágrimas frias pensa em enfeitar o tempo
Porque em mim, assim, em ficar, insistes tanto?
Porque deixas em minha alma todos esses tormentos?
Que te fiz? Te amei, te adorei, até te fiz rainha
Todos os meus sonhos, minha vida, todos te dei
Até o pranto, dele ao te chorar fiz ladainha
E jamais, como por ti, por ninguém eu já chorei
Por tanto, sem pretensão, acho que não mereço
Tão cruel punição que à alma tanto maltrata
Devia tua saudade me tratar em outro apreço
Não achas essa dor um muito elevado preço?
José João
21/09/2.012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
A primavera começa amanhã
A primavera começa amanhã,
Mas o perfume das flores já chegou nos jardins,
Vieram carinhosamente carregados pela brisa da aurora.
As flores? Estas vêm pela estrada da beleza
Feita pela fada dos Sonhos-Lindos.
Tudo se prepara para a chegada da primavera,
Que chega amanhã.
Os passarinhos estão ensaiando novos trinados
No Jardim dos Mistérios. Dizem até que
A orquestra sinfônica dos Querubins
Vai acompanha-los nessa primavera.
Beija-flores, borboletas com coraçãozinhos agitados
Nos jardins, ouvi um murmurinho, que até os anjos
Virão para fazer coro aos pássaros tenores.
Essa primavera deve ser linda.
As estrelas estão sendo lustradas pra brilharem mais,
Dizem para servir de espelho para as flores
Retocarem a beleza à noite, e nas manhãs
Acordarem ainda mais belas.
O orvalho da noite será especial, terá um pó mágico
E divino para aumentar o perfume delas.
O sol se fez mais risonho, preparou raios especiais,
Mais brilhantes, para refletirem em suas pétalas.
Até eu me preparei para a primavera!!
Coloquei minha tristeza em baixo do tapete
Que fica no terraço, em frente ao jardim,
E sobre ele coloquei um jarro, todo florido
E um pé de Corda-de-Viola para alegra-la.
Ainda assim sei que vou chorar...mas de alegria,
E com as lágrimas alegres, como crianças traquinas,
Vou regar o jardim para que as flores bebês,
Os botõezinhos, possam brincar de fazer travessuras
E crescerem felizes.
Tomara que essa primavera, que chega amanhã,
... Toque o coração dos homens.
José João
18/09/2.012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Noite, sonhos e vazios
Por que a noite se faz tão longa com a solidão por perto?
Lentamente me vêm de longe os sonhos inesquecíveis
Que, por serem inesquecíveis, se fazem como de ontem
E me chegam galopando a saudade por caminhos invisíveis
Sonhos! Despertam a alma na noite triste a faze-la chorar
Com novos prantos as mesmas dores já tanto choradas
E ela, a noite, se deixa ficar mais noite, alongando as horas
Se fazendo mais lenta para que não chegue a madrugada
O silêncio grita dentro de mim como afiada lâmina viva
E o eco de outros gritos ou gemidos me chegam também
Como se todos quisessem dizer que não sou mais ninguém
Sento no vazio denso de mais uma noite em claro pensar
Nos momentos de ternura que um dia vivi e eternos pensei
Mas logo percebo, eles se foram no tempo e... sozinho fiquei
José João
17/09/2.012
domingo, 16 de setembro de 2012
As estrelas nos enganam?
O sol, timidamente, começa a nascer no horizonte
Aquele horizonte que deitado sob o mar se faz tão perto,
As estrelas correm procurando outra noite em algum lugar
E lá vão elas correndo antes de mesmo da lua chegar
Se fazem caminhos de luz correndo, brincando na noite
Umas caindo como pedaços de esperança se fazem pedidos
E se deixam que pensem serem estrelas-fadas-madrinhas
Como se pudessem trazer amores há muito tempo vividos
Essas estrelas meninas, mocinhas, há tanto tempo nascidas
Tanto que falam todas as línguas, entendem os momentos
E com tantos pedidos talvez até chorem os nossos tormentos
Doce angustia, chorar a dor da alma pensando ser ouvido
Por uma estrela distante, que como amiga no universo caminha
Consolando alma que sentiria dor maior se se soubesse sozinha.
José João
16/09/2.012
sábado, 15 de setembro de 2012
Você... A poesia perfeita
Que fosse bonita, só pra você.
Uma poesia que juntasse todas as belezas,
Que juntasse todas as palavras belas,
Que juntasse todas as flores, estrelas,
Enfim, que mostrasse um pôr-do-sol único.
Ontem quis fazer uma poesia assim,
Que se declamasse com a voz do vento,
Que se ouvisse com a inocência da criança
Que se cantassem fosse com a beleza
E ternura do gorjeio mais perfeito.
Ontem quis fazer uma poesia
Que fosse bonita, só pra você.
Uma poesia perfeita, que até tivesse perfume.
Com o perfume do lírio, do jasmim da camélia,
Na verdade com o perfume das flores
De um jardim divino, celestial...
Tentei, querida, juro que tentei
Até pedi inspiração aos anjos, mas...
Mas quando chegaste que te vi...
Amor... Qual poesia mais bela pode existir
Que essa poesia que é você?!
José João
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
A poesia e o poeta
A poesia voa na liberdade dos sonhos do poeta
Voa em horizontes distantes coloridos de saudade
Traz o gosto de beijos que ficaram guardados na alma
Pedaços de versos que falavam de amor, de eternidade
Os sonhos do poeta se fazem caminhos para a poesia
Ir buscar em qualquer pedacinho do céu uma história
Que nunca foi contada ou escrita, que ninguém sabe
Mas tão bonita que só no coração do poeta ela cabe
Lágrimas, prantos, solidão, angustia tudo se faz verso,
Na liberdade dos sonhos o poeta inventa uma poesia
Verdadeira, cheia de fingimentos mentirosos e heresias
As poesias se fazem caminhos para os sonhos do poeta
Se fazem de rastros, se fazem de vida, de rimas corretas
As poesias, para os poetas, dobram curvas em linhas retas.
José João
14/09/2.012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Há sempre uma troca
Choro dias, noites, como se para viver fosse preciso,
Escrevo minha história com prantos, com soluços e ais
Não importa o que pensem ou digam, são minhas lágrimas...
Nas horas vagas deixo que se criem para chorar ainda mais
Digo injúrias por tantas dores sentidas. Deixo a alma nua
Gritar no frio da solidão, todas as angustias que pode sentir
Deixo a tristeza como cruel açoite, cortar minha carne crua
Deixando cicatrizes no corpo e na alma por tudo que já sofri
Mas há uma troca, vida ou destino não se permitem existir
Sem que se façam em trocas, idas e vindas, chorar ou sorrir
Cantar, pensar, sonhar, viver as escolhas de ficar ou partir
Me acham triste? Acham essa dor maior do que posso sentir?
É uma dor tão dolorida! Como é grande a dor que sinto agora!
Não reclamo, maior que ela, foi a felicidade que senti outrora.
José João
11/09/2.012
Para contar minha história...
O mundo se faz silêncio em minha volta, escuto o vazio
Que de dentro de mim conta histórias já esquecidas,
Escritas em pedaços de papel como poesias inacabadas
Ou como fragmentos soltos voando em folhas perdidas
Dentro de um sonho antigo, um pedaço de pensamento
Insiste em ficar lembrando palavras que dissemos um dia
E de todas elas um adeus ainda grita alto parado no tempo
Como um eco atrevido que vai ao nada e volta com o vento
O silêncio me faz mudo, me faz surdo, a dor me faz demente
Os sonhos se fazem filmes vencidos que a alma não quer assistir
Perdida nas lágrimas que contam momentos do que já vivi
Dores me chegam, até a saudade faz que esqueça um canto
Que teimoso insistia em se fazer de consolo, se fazer acalanto
Mas para cantar minha história, a alma só precisa de prantos.
José João
12/09/2.012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Que importa o lugar!
Meus olhos se perdem buscando um horizonte sem cor
Meu peito se enche de solidão e saudade, e um grito
Que quer sair, desesperado, se faz um suspiro triste.
Sento no chão, vou dentro do vazio de mim, nada existe
Tua ausência toma conta do mundo, onde quer que vá
Ela está. Me sufoca, choro em silêncio, grito em silêncio
Sofro sem que ninguém veja, deixo o pensamento voar à toa
Ou talvez te buscando sem te buscar, mas minha alma voa
Aflita, ao léu, sem rumo, vai por caminhos desconhecidos
Onde até os rastros da tristeza se perderam dos prantos
E são os ecos distorcidos do passado que se fazem cantos
Sigo na noite entre sombras e saudades mas indo sempre
Na direção de qualquer estrela que se faça luz ou estrada
Que se faça caminho para quem um horizonte já não é nada
José João
10/09/2.012
Será que minha alma é...
Minha alma é poeta, escreve saudades, dores e cantos
Escreve com lágrimas a beleza da primavera sorridente.
Brincando de criança, escreve a inocência das estrelas
Acreditem, chorando tristes prantos, se faz até de contente!
Minha alma é artista, pinta o tempo. Sem tinta pinta o vento,
Pinta dores e saudades em belos quadros sem moldura
Pinta corações sangrados, chorando, gritando as amarguras.
Minha alma eterniza uma lágrima na mais perfeita escultura
Minha alma é artista, as vezes é palhaço outras é malabarista
Faz malabares com a tristeza, com a solidão, com a angustia
Mas entre dor e saudade, um vazio no meio ela se faz trapezista
Minha alma é artista, pinta sorrisos e até sonho que já morreu
Escreve versos inacabados, escreve poemas que ninguém leu
Será que essa minha alma é louca... ou é triste como eu?
José João
10/09/2.012
De repente...
Fez flores se abrirem e me fez ver o sol sorrir contente
Me fez ouvir a brisa cantar hinos dantes nunca ouvidos
Até os pássaros, mais alegres, cantavam comovidos
Cantavam canções novas como se estivessem apaixonados
Eu? Sonhava sonhos que se faziam verdades e encantos
Brincava de contar estrelas, de trocar olhares e beijos
De sentir no corpo o fulgor de tantos e tantos desejos
Um dia quando o amor chegou contando lindas histórias
Entre risos e cantos, histórias coloridas de ternura
Dessas que a vida deixa sempre guardada na memória
Me senti dormindo, sono solto. num perfeito paraíso
Entre nuvens, na boca, o gosto do beijo que troquei
De repente... a solidão grita. Era um sonho. Acordei
José João
10/09/2.012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Um desconhecido
Deixa... Deixa teu adeus cravado em meu peito
Como pontiagudo espinho a sangrar-me
O coração moribundo pelo vicio de te amar,
Pelo vício de tanto te querer sem nunca ter.
Deixa que se apaguem dos meus olhos
O brilho refletido do horizonte,
De qualquer horizonte que minha alma ingenua
Tenha ido te procurar, sem te encontrar.
Deixa que meu grito seja sufocado
Pelos soluços que a dor me faz chorar
Fazendo do silêncio minha oração mais rezada.
Me deixa aqui, deitado sobre tua saudade
Com os olhos a chorar meus prantos,
E a alma a ir buscar sonhos, que também levaste
Ou nunca me deixastes sonhar.
Vai, deixa que o tempo apague teus rastros
Para que não saibas um dia voltar, não precisa.
Vou até mudar meu nome, para qualquer nome
Um que ninguém saiba, que ninguém ouça nem diga
Assim vou mentir para mim, dizendo: Não me conheço!
Não vai passar minha dor, isso eu sei
Mas ninguém vai saber que chorei tanto...
E um dia na lápide fria, estará apenas:
Aqui jaz um desconhecido, sem nome e sem história.
José João
07/09/2.012
Nem só o céu é infinto.
Deus, Deus. Onde estás? Não ouviste minhas orações?
Te rezei com ladainhas, com prantos e orações novas,
Com orações antigas que pensava esquecidas. Mas ouviste?
Te rezando, senhor, minha pobre e triste alma ainda insiste
Olhaste minhas noites de agonia? Quando ela se fazia sonhos?
Viste, senhor, minha angustia, que desde sempre está comigo?
Ouviste quando meu primeiro chorar foi gritando o nome dela?
Desde o começo, tu sabes, tudo, até viver, eu fiz por ela
Deus, Tu vistes quantos jardins reguei com minhas lágrimas!
Viste que desde o começo, busco pelos tantos horizontes
Encontra-la, gritando feito louco por planícies e por montes
Deus. Tu vês toda essa minha angustia! Essa solidão infinda!
Que dizes, Deus, dessa alma triste e desse pobre coração aflito?
- Desculpa, filho, desculpa. Pensei ter feito apenas o céu infinito
José João
07/09/2.012
O frio do corpo e da alma
Noite, chuva, vento forte, frio que dilacera o corpo
Como navalha afiada marcando a carne em finos cortes
E a solidão vindo com o vento, querendo chegar primeiro,
E como guilhotina, fazer-se verdugo da alma em cativeiro
A angustia corre entre as horas, olhar fito apenas na dor
Que chega com o frio, com o vento, expulsando um sonho
Que apesar de tanto ainda restou para fazer-se de saudade,
Querendo, talvez, acalentar a alma por toda essa maldade
Lá fora, como canção de uma só nota, a chuva cantava triste
O vento, não se sabia, se era melodia, ou um uivo atrevido
Daqueles que na noite traz fantasmas, até os já esquecidos
O corpo cortado pelo frio da chuva e do vento, sem abrigo,
A alma a render-se ao frio da solidão, fazendo-a tão carente,
E eu, como louco gritando ao mundo, instindo que sou gente
José João
07/09/2.012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Um dia a gente desperta e...
Um dia a gente desperta, olha pra os lados e ... vê
A solidão te abraçando, um sorriso chorando triste,
Um horizonte perdido, uma sombra entre as lágrimas,
Um sorriso que há muito nem se sabe se ainda existe
Um dia, a gente desperta sem nada dentro da gente...
Um vazio que se faz na alma, um soluço de carente,
Até um sonho que tanto se guardava perde o sentido
E a gente, por ser tão pouco, do mundo se sente ausente
Tudo se vai ao tempo, como fosse levado pelo vento
Ficaram, talvez por alento, alguns sonhos não sonhados
Mas logo se fizeram rotos trapos tristemente remendados
Com pedaços completos de saudades rasgados da alma,
Pedaços de sorrisos, de olhares que se fizeram súplicas,
E, o mais dolorido, o nefasto remorso por tantas culpas
José João
05/09/2.012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Talvez seja apenas solidão
As vezes, como estive ontem, na madrugada,
Não estou em lugar nenhum.
Talvez estivesse num espaço distante,
No tempo do nada, ou talvez...
Não me pusesse nem dentro
Dos meus próprios pensamentos
Que insistem em pensar apenas em saudade.
Não estou só, apenas meu lugar era único para mim.
Sorria, como se meu sorriso espantasse
A dor, mas uma dor que eu não sentia,
Que não doía, que talvez, não fosse nem mesmo dor.
As vezes estou assim, sozinho dentro de mim
Como seu eu fosse minha própria angustia...
Ou... como se esta fosse eu mesmo
Por não ser pensamento de ninguém.
As vezes me sinto assim. Vazio, vagando no silêncio
Profundo dos meus pensamentos que não sei
Nem o que pensam, como se fossem fora de mim,
Ou talvez tão dentro de mim...
Desse meu eu desconhecido, que até penso ser dor
O que não sei definir, ou apenas uma ilusão
Se é momento de sorrir, isto por não saber
Quando é o momento de chorar,
E assim, essa dor, que não sei se realmente é dor,
Me diz, que na verdade, entre tantos talvez...
O que sinto seja apenas solidão.
José João
04/09/2.012
Amante do amor
Que amante a vida, por destino, me fez ser!
Amo tudo, até os momentos quaisquer que já vivi
E me entrego todo e pleno à vontade do meu ser
Que por tanto amante amo o amor que já senti
Se não me resta dela o corpo, nem a alma para rezar
Dela amo a saudade, que em mim, ficou em seu lugar
Até o adeus que me foi dito, dele, juro, nunca esqueci
Amante desperto ao amor. Um utópico sonhador
As caricias que em meu corpo o tempo não apaga
Por mãos tão frágeis que ardentes me marcaram
Me fizeram venerar esses meus pedaços marcados
E se por tanto assim pequei, amo até os meus pecados
Sou eterno amante, mesmo só como agora estou
E ao amante não importa que tanto lhe dêem amor
A mim, me contento simplesmente, querida, a amar-te
Tanto que, sem que saibas, vivo nos sonhos a beijar-te
Sou amante, eterno amante, e por amar não me nego
Os prantos, que por amor, a eles até me entrego
Se é por destino que tão só um amante viva...
Vivo. Se sou ou não sou triste, minha alma que o diga
José João
04/09/2.012
Mais que só
Mais que saudade, bem mais que tristeza...
Mais ainda que solidão,
Estou só, sem mim e sem vontade.
Na verdade só o vazio
Que de dentro de mim explode
Me cerca e me consome lentamente.
Se por acaso sentisse saudade...
Se sentisse, pelo menos, tristeza!
Espantaria o vazio que sinto
Por recordar o que tive ou que fui,
Entretanto me sinto nada,
Tomara seja apenas a letargia de um momento
E que passe logo.
Não consigo pensar, nem mesmo sonhar
No que ainda poderia ter ou ser.
Estou preso... dentro do quê? Não sei.
A solidão antes não me assustava,
Até brincava comigo, tão inconstante era,
Agora, constante e cruel, como se dona de mim.
Quem me dera saber cantar uma canção...
Ou... escrever uma poesia.
Talvez se o fizesse, quem sabe,
O vazio iria embora, mas por não saber
Continuo assim, mais que triste,
Mais que apenas só. Simplesmente vazio.
José João
04/09/2.012
O amor nunca cansa
Que sonhos haverei ainda de sonhar!
Se os perdi quando de mim me perdi
Ficaram comigo naquele que fui
Num passado distante que um dia vivi
Perdidos os sonhos e a alma tão triste
Cantando um canto que nem sei se existe
Devaneios, coitados, perdidos no tempo
Em profundos abismos de dor e tormento
Espaço perdido em dores e prantos
Trazidos, que foram, por meus desencantos
Na vida vazia em que os dias se perdem
Que nem as lembranças em vir se atrevem
Seguindo sozinha em tristonhos caminhos
Segue minha alma em prantos e ais
Que até parece com a triste amante
Esperando seu sonho na beira do cais
Sentada na areia em prantos molhada
Se enganando na espera que nunca é demais
E os olhos perdidos nas ondas distantes
E o tempo dizendo que ela não volta mais
Que haverei de fazer se a alma insiste
Na louca espera de vã esperança?
Me diz sussurrando que ainda ela volta
Que paciente... o amor não se cansa
José João
04/09/2.012
domingo, 2 de setembro de 2012
...A alma? Em viver insiste
No silêncio da noite, a solidão atrevida gargalha alegre,
Irônica, se deita no vazio em que a alma toda se tomou
E a saudade com acordes tristes, uma canção balbucia
Em solene tristeza dentro da angustia que a vida se tornou
A noite, se pinta toda em cores frias, e de pintura se faz
Um quadro frio, sem brilho, guardando dolorosos prantos
E os gemidos e ais que a alma triste soluçando grita
São orações não ouvidas que a deixam bem mais aflita
O eu te amo que acendiam as vontades e as madrugadas
Se foram ao tempo, se fizeram distantes, se fizeram nada
Agora só o silêncio faz sentido, faz até a noite ficar calada
Cantigas se perdem na voz do vento que com a aurora vem
O dia nasce, o sol se acende e a alma? A alma em viver insiste
Ainda sabendo que noite ou dia, na vida, será sempre triste.
José João
02/09/2.012
Hoje... prefiro essa saudade
Amei, como se apenas amar fosse preciso para viver
Entreguei a alma, os sonhos, a vida, todo me entreguei
Sem reservas, fiz de duas vidas apenas uma história
E amei... tanto e só a ela, como nunca a ninguém amei
Nossos olhos falavam por nós em carinhos eloquentes,
Nossos corações sorrindo, brincavam de pulsar juntos
Numa terna conversa que só quem ama pode entender
Na certeza infinita de quem nunca... nunca vai se perder
Um dia, não sei, por simples desejo ou inveja do destino
Tudo se fez triste, ela se foi, não deixou rastros... sumiu
Talvez com um raio de luar perdido na noite ela partiu
Não deixou nada que me desse uma luz a procura-la
Até o perfume terno e embriagador se perdeu de mim
Hoje, até prefiro essa saudade que mesmo encontra-la.
José João
02/09/2.012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Sonhar... é do que preciso
Não tenho medo de sentir as dores que ainda vou sentir,
Não tenho medo de chorar as lágrimas que ainda vou chorar
Quero viver todas as emoções que o sentimento me permitir
Meu único medo, é um dia não ter mais sonhos para sonhar
Que minhas lágrimas sejam por saudades novas ou antigas
Pelos amores que vivi, que perdi, ou ainda vou conseguir
Que meus prantos se façam ao mundo um grito de amor
Amor que se procura tanto, e só com a alma se pode sentir
Quero sentir o coração bater mais forte no prazer de esperar.
Chorei dores que me fizeram até me perder de mim mesmo
Mas quero, não posso deixar de sonhar, de viver ... de amar
Se tiver que chorar outra vez por amores perdidos...choro
Faço até lágrimas para uma saudade nova sentir e chorar
Só não quero um passado vazio, sem história para contar
José João
30/08/2.012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
O mar...meu pranto e...
O mar vai chorando com minhas lágrimas indo triste,
Vai na direção do horizonte, colorido e tão distante...
E o vento... toma todos os meus ais e faz uma canção
E vai com o mar, sem rumo, sem sentido... sem direção
Tua imagem se deita em meus sonhos quase esquecidos
Em transparente aparecer entre prantos, solidão e saudade
Nesse instante o coração grita alucinado, a alma desperta
Num torpor de vazios, vagas lembranças, doídas verdades
Com o mar, com a brisa, vão meus pensamentos chorando
Meu olhar se perde sem nada ver numa estrada sem fim
E eu... eu fico como sombra que vem do nada voltando
Tudo se perde, o mundo fica sem luz, sem cor, sem razão
O mar perde a beleza, o por-do-sol se deita sem perfume
E meu canto, que inocente se deu ao pranto, se faz queixume
José João
28/08/2.012
Meu divino encanto
Choro sobre mim mesmo como se agora fosse resto
Grito a saudade de teu beijo que um dia foi contigo
Rezo orações antigas, orações novas que aprendi
Tentando em desespero que me tirem esse castigo
Minhas lágrimas caem como soluços da alma triste
Que caída sobre o nada se faz viajante sem caminho
Feito pássaro que não voa, não por não poder voar
Mas por não ter um horizonte onde possa repousar
Choro saudades antigas como de ontem elas fossem
Grito dores atrevidas. De onde elas vêm? Eu não sei...
Talvez de caminhos perdidos que por caminha-los errei
Choro os beijos que não dei, o adeus que um dia disse
Choro todas essas perdas, não me escondo, choro tanto
Que faço do próprio pranto o meu mais divino encanto
José João
28/08/2.012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Chuva de verão
Ei! Você, sim você, por favor não vá,. me ouça.
Você algum dia já foi triste? Não! Nunca chorou?
Então, por favor, me dê suas lágrimas, todas elas
Já chorei todas as minhas e nenhuma me restou.
Por favor, tanta é a minha dor, minha saudade
Essa densa solidão que me acompanha nas noites
Que meus prantos esvaíram-se de mim, se foram
Esvaziaram os olhos e para alma se fizeram açoites
Se me deres tuas lágrimas um trato eu te proponho
Choro com elas minhas dores, todas as minhas dores
Se for preciso, um dia chorar as tuas, não me oponho
Chorando minhas dores com as lágrimas que me dás
As minhas renascerão mais novas, mais efusivas serão
Aí poderei fazer de minhas lágrimas doce chuva de verão.
José João
27/08/2.012
domingo, 26 de agosto de 2012
Lágrimas criança
Hoje a saudade me faz caricias na alma triste
Brinca de lágrimas, de prantos a serem vistos
Como palavras gritadas pelos olhos carentes
Rezando orações por tantos sonhos dementes
Sonhos caducos que há muito pensava perdidos
Que se fizeram de mortos nas horas, no tempo
Lembranças de momentos há muito esquecidos
Agora em soluços me vêm. Dolorosos gemidos
Que quer o tempo, o destino, ou a vida a trazer
Dores que nunca mais pensei chorar outra vez
Com lágrima antiga, perdida, que de agora se fez
Não sei porque essas dores antigas agora me vêm?
Se as lágrimas que choram são todas lágrimas criança
Nascidas ontem quando em mim morreu a esperança.
José João
26/08/2.012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Viajante sem caminho
Mar, caminho mágico que se faz estrada infinda
Onde o sol se deita e se faz passarela em luz
Levando sonhos a horizontes que se fazem ficar
Por onde só o pensamento pode livre caminhar
Vai a alma com o vento, voando triste a ir buscar
Velhos sonhos que perdidos se foram pra não voltar
E naquele caminho que o sol ao se por deitou no mar
Só mesmo a alma pode por ele correr, voar, passar
Saudade, dor, angustia, se fazem voz a nos dizer
Da solidão que chega forte, gritando em nosso viver
Que aquele caminho no mar não se pode percorrer
E lá se vão alma, vontades, suspiros e pensamentos,
Passageiros de um olhar cheio de prantos a lamentar
Se fazer do mar viajante sem nenhum lugar pra chegar
José João
24/08/2012
Esse imprevisível amor!
Esse tal amor. Mistura mágica de sentimentos tantos
Um dia, entrou em meu coração e se fez história
Assim, pensei então, ser a vida um eterno encanto
Viver sonhos alegres. Mas o amor também é pranto
Quando se faz adeus, se faz distância. Tanta saudade
Que a alma, em tristes lágrimas, se derrama toda
Vai ao mundo em passos bêbados caminhando lenta
Que até de um olhar, de um sorriso, se faz sedenta
Esse amor que em nós se deita sem pedir licença
Nos toma todo, se faz de sonhos, se faz de vida
Em colorido mundo nos faz buscar coisas perdidas
Assim como dores que há muito se foram ao tempo
Dores choradas que alma tinha como esquecida
Por qualquer motivo, vem a saudade e lhe dá vida
José João
24/08/2.012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
A eternidade de uma hora.
Quebrou-se a ampulheta, a areia espalhou-se, rápida
O tempo correu depressa, mas sobre a mesa parou
Quando a areia se acomodou e o tempo se fez nada
O pranto ficou parado no rosto sem ter hora marcada
Tudo ficou em silêncio, mudo, apenas um grão de areia,
Pendurado num pedaço de vidro da ampulheta quebrada,
Pedia para marcar o tempo, dizia até se fazer de eterno,
E o sonho se fazia estrada correndo na noite acordada
E perdida, uma alma também em silêncio, sozinha rezava
E o grão de areia marcava o tempo, como um relógio parado
Em que apenas aquela hora, é sempre em todas as horas
Quando o tempo em qualquer hora se faz eterno pela dor
Que dura sempre, sem que se queira, mas que nunca vai
A solidão se faz saudade nos olhos em que o pranto cai
José João
23/08/2.012
E a história se fez
Um dia, muito distante, colori o mundo com meus sonhos
E o mundo ficou alegre, cor de beijos, de olhares apaixonados,
Cor de infinitas promessas de amor, cor do nascer do dia.
A alma brincou de sorrir, e o mundo fez de versos, melodias
Um dia fiz da saudade e do pranto uma história sem começo,
Por ser uma história desconhecida, dessas que ninguém sabe
Afinal meus sonhos coloriam o mundo em matizes cor de amor
Que outra cor ficaria? Num mundo em que a tristeza não cabe?
Um dia meus sonhos foram ficando velhos, e nunca aconteciam
As cores foram desbotando, foram ficando frias, quase sem tom
As melodias que o mundo cantava alegre foram perdendo o som
Os sonhos foram indo sem rumo, ao tempo, em desencantos
A saudade se viu nos espelhos em que meus olhos se fizeram
E a história se fez infinita e eterna nesses meus dias em prantos
José João
23/08/2.012
domingo, 19 de agosto de 2012
Volte amanhã
Tarde, quase noite, tímidas as estrelas vêm, uma a uma
Como se estivessem se preparando para um baile.
De minha janela, vejo o rito das estrelas todas as noites.
De repente batem em minha porta, me irrito um pouco
Vou ver. Era alguém me pedindo uma poesia.
Não posso, hoje não posso escrever poesias - gritei -
Volte amanhã.
Agora que estou vendo em cada estrela o seu olhar,
Que sinto no perfume da tarde seu gosto de mulher
Agora que estou ouvindo no gorjear dos pássaros
Sua voz divina cantando um canto que só eu posso ouvir
Agora que me enchi de saudades dos beijos e desejos
Tantas vezes sentidos em nossos corpos e coração.
Agora que as lágrimas fazem festa em meus olhos
Pelas tão doces recordações de momentos
Que tão intensamente sentimos e vivemos
Agora que estou sentindo tudo isso...
Você vem pedir poesia?! Volte amanhã.
Porquê não veio ontem?
Ontem que os prantos eram de solidão e magoas,
Que as lembranças gritavam até blasfêmias desconhecidas
E a dor, as tantas injúrias para serem ditas como orações,
Que o mundo se cobriu de cinza, sem cores e sem sons
Que nem as estrela saíram para dar boa noite
Àqueles, que como eu, choravam seus sonhos perdidos
Ontem que até as flores se esconderam de mim
Por tanta pena e por vergonha por não terem lágrimas
Para chorarem comigo, quando até os pássaros emudeceram
Respeitando minha tristeza, ontem quando em mim,
Até os pensamentos emudeceram...ontem...ontem
Você não veio pedir poesia...volte amanhã
José João
19/08/2.012
sábado, 18 de agosto de 2012
Sublime loucura
Como todos os ontens e amanhãs, mais um dia triste
Desses dias que a tristeza se agasalha dentro da alma,
Que os olhos se dividem entre buscar o vazio e chorar
Lembrando sonhos perdidos que insistem em voltar.
A tristeza como se fizesse do tempo apenas um dia
Se faz de sempre, faz todas as horas infinitas e iguais
Passando lentamente entre noites, solidão e dores
Trazendo da alma, as lágrimas, sombras e temores
Medo do pranto faltar, medo de esquecer um sonhar,
No vazio da solidão um sonho é uma doce companhia
Uma lembrança quando vem, mesmo que vindo tardia
Ah! Esses meus tantos dias, tão longos quanto tristes
Essa angustia, que na noite se deita e se abraça comigo
Essa minha sublime doçura que para tantos seria loucura
José João
18/08/2.012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Deixa pelo menos...
Deixa teu perfume no quarto,
Teu retrato na sala de estar.
Deixa teu sorriso atrás da porta
Para quando a tristeza chegar
Deixa um sonho sob o travesseiro
Deixa teu calor no lençol, na cama
Deixa o adeus pendurado lá fora
Pra que o vento o leve embora
Deixa em meus olhos tua imagem
Do corpo, da nudez e do desejo
Deixa em minha alma a saudade
E nos lábios o sabor de um teu beijo
Leva tudo que queiras ou que possas
Mas deixa pelo menos a fantasia
A mentir-me que logos estarás de volta
Para que tua ausência se faça poesia.
José João
17/08/2.012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Eu
Eu? Sou aquele andarilho triste que passa despercebido
Ou sou aquela folha que rola sozinha por já ter vivido
Talvez seja aquela sombra que chora sozinha sem sol
Deitada no chão, num canto, mesmo sem ter morrido
Talvez eu seja minha própria dor chorando uma saudade
Que fica dentro da alma preenchendo o vazio de mim
Ou uma flor pendida na estrada que ninguém quer juntar
E ela cabisbaixa e muda se faz de viva pra poder chorar
Talvez eu seja aquela estrela que chega antes da noite
Andando sozinha esperando que alguém possa olhar
Mas de repente uma nuvem a esconde até a noite chegar
Quando chegam as outras e ela de tímida se esconde
Entre as tantas que brilham brincando da noite enfeitar
E coitada, num brilho triste acena sem ninguém lhe notar
José João
16/08/2.012
A dor da ausência
Quando deixei de chorar teu adeus, percebi tua ausência
Dolorosa, sofrida, dentro de mim e de minha alma triste
Que em prantos se desmancha em tantas orações perdidas
Como se fosse criança chorando todas as dores sentidas
Os prantos gritam, dos olhos ao tempo, um grito de dor
E o eco desses gritos se perdem nas pedras de solidão
Que se fazem margem de uma estrada cheia de tristeza
Em que os sonhos se perdem sem brilho caídos no chão
Os pensamentos se perderam em um passado distante
Vivido antes do adeus, antes mesmo de qualquer saudade
Antes dessa ausência que se faz de eterna a cada instante
Ah!. Ausência que não sei dizer, só sei sentir e chorar
Essa ausência que me faz ficar dentro do vazio de mim
Me dizendo que um amor eterno também chega ao fim.
José João
16/08/2.012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
O amor e minha história
Quero escrever sobre o amor,
Por que com minhas próprias lágrimas
O amor escreveu minha história.
Contou ao mundo os meus segredos,
Minhas vontades, desejos escondidos,
Em poesias que nunca escrevi
Em guardados que a alma deixava
Adormecidos dentro do tempo,
Em passados distantes, quase perdidos.
Mas o amor, esse amor
Que também faz chorar, foi busca-los
E entre dores e saudades me fazem
Buscar prantos que pensei já ter chorado.
Faz como se fosse um sentimento
Eternamente infinito enquanto existir essa dor
Lá dentro de mim, me tomando, me chamando
Para chorar outra vez. Não posso parar.
Preciso, mesmo chorando, falar desse amor
Que conta minha história em todos os momentos,
De alegrias, de solidão, de saudade ou mesmo dor,
Escrevo poesias que se perdem em corações,
Que se perdem sem serem lidas, nem sentidas
Que se perdem nas despedidas tristes
Nos olhares fugidios das despedidas dos amantes
Que se perdem nas lágrimas caídas no chão
Escorrendo por rostos lívidos pela tristeza
Que se perdem nos porquês sem respostas.
Escrevo, com minhas lágrimas, o amor,
Esse que se perde bem aí... num adeus
Que não precisava ser dito.
José João
13/08/2.012
domingo, 12 de agosto de 2012
Um dia... outra vez
Imagens, luzes, cores, nascem do nada
Na mágica e lúdica criação de uma alma
Que sonha com fadas, anjos e querubins
Com horizontes pintados cor de marfins
Sonha com beijos perdidos deixados no tempo
Com palavras não ouvidas levadas pelo vento
Sonha em um dia sorrir entre abraços, sem medo
Gritando o amor sem precisar de tantos segredos
Agora se encerra em palavras a beleza de ontem
Dos momentos que de história em nós se guardou
Como fogo que em nossos corações nunca apagou
Há quanto tempo, outra vez, esse desejo incontido
Que agora dentro de nós se faz mais que sentido
Será pela vida ou pelo tempo outra vez permitido?
José João
12/08/2.012
Guardados e perdidos
Guardo na alma todos os sonhos que sonhei,
Palavras que não disse, talvez até por medo.
Guardo a vontade dos beijos que não dei
Todos se fazem segredos que nunca contei
Guardo imagens perdidas de rostos na multidão,
Cantos que escondi dentro de tantas saudades
Escondo as cicatrizes deixadas em meu coração
Pelas mentiras que se fizeram mais que verdades
Guardo lá dentro do nada perdidos encantos
Que se foram no tempo, para os tantos vazios
Que em mim ficaram preenchidos por prantos
Canto em notas tristes que nem sei de onde vêm
Canções que se fizeram apenas notas perdidas
Em que um louco maestro canta as dores vividas
José João
12/08/2.012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Sonhos que enganam a alma
Os sonhos se fazem verdade para a alma triste
Os pensamentos voam como se fosse o vento
Indo em volteios perdidos buscando no tempo
Histórias perdidas. Sonho que nem mais existe
Beijos, abraços, se fazem de lembranças antigas
Essas que a saudade vai buscar com lágrimas
Que os olhos choram como se fosse um doce canto
Saindo perdida no tempo em cada pingo de pranto
Passado distante escondido no silêncio da alma
Que sentada no vazio busca o eco da própria voz
Para se ouvir e não sentir toda essa solidão atroz
Mas tudo se perde no vazio denso de vil angustia
Que se faz viva, forte, morando nas tantas dores
Que até os ecos do grito da alma são de clamores.
José João
19/11/2.012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Minha vida... um pot-pourri...
Minha vida é um verdadeiro pot-pourri de versos tristes
Me surpreende a sutileza com que o coração os declama
As vezes são ladainhas, outras orações, ou perdidas preces
De momentos que a alma, chorando triste, nunca esquece
São versos feitos sem rima. Começo, sem meio e sem fim
Palavras choradas, atiradas no tempo... soltas, indo ao léu
Rodopiando em espirais que se fazem estradas, caminhos
Soltos no espaço fazendo que cheguem até perto do céu
Mas como balão de criança que sobe, que vai, que deixa
Os olhos cheios d'água, que se perde e não se sabe onde cai
É como o pot-pourri do meus versos, nunca sei até onde vai
Mas sai doído, de dentro da alma, qual eco de gritos perdidos
Como fossem soluços desde muito sempre chorados, sentidos
Contando minhas histórias por tantos momentos sofridos.
José João
01/08/2.012
Assinar:
Postagens (Atom)
-
Sim, sou louco! Amo como se amar fosse viver, Vivo meus sonhos como fossem todos verdade Não me importa o velho rosto e novas rugas Para ama...
-
O mundo, que pena, perdeu-se nos seus próprios pecados! As vozes gritam impropérios por tantos homens bonecos Não existe mais verdade nos co...
-
Estás como deves estar. És o centro das atenções, São teus os aplausos. Lá atrás, escondido, rio discreto, Fico orgulhoso de ti, e só eu sei...
























%5B1%5D.jpg)











.jpg)









