quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O exilio, o mar e a eternidade.

Deixar-te! Oh! Minha terra não é do meu querer,
Mas tenho que ir, é preciso, ainda quero viver,
Te levo comigo nas palmeiras, no canto do sabiá
Porque sei que tal beleza jamais encontrarei por lá

Hei de um dia voltar, para mim não há outro lugar
Indo por precisar, em outras terras ter que morar
Vou como a um exilio, chorando em triste pranto,
Voltarei, não há como viver longe de tanto encanto

Eu, tal pálida sombra, vagando em vazias várzeas,
Dos primores que aqui ouço, um é o meu chorar
Os bosques que lá, cheios de vida, cheios de flores
Cantavam minha alegria, aqui cantam minhas dores 

Nesse céu daqui, não sei o que dizem as estrelas,
Quase choro, em cismar sozinho em triste noite
Buscando os primores, que não encontro por cá
Deus, não permita que morra sem que volte para lá

Sem que aviste as palmeiras, os bosques, os jardins
O sabiá, no verdejar dos campos, o alvor dos jasmins
Sem que ainda escreva versos que a alma conte sorrindo
A beleza das lindas flores, nas várzeas, ao sol se abrindo

Não devo mais por muito, creio, aqui ainda ficar,
Quero ver minhas palmeiras onde canta o sabiá
Desfrutar dos prazeres que nunca encontrei por cá
Não permita Deus que morra sem que volte para lá

Amanhã navegarei, ainda verei as estrelas do meu céu,
Mar profundo minha rota, meu longo caminho de volta...
Me sinto fraco, versos? Ai de mim, não os escrevo mais
Mas ainda hei de ouvir os sabiás cantando nos palmeirais

Oh! Ali estão as palmeiras! Que doce alegria! Minha terra!
Ali está! Minha terra das palmeiras onde canta o sabiá
Deus, pedi, senhor que não morra sem que volte para lá
Deus, ali estão minhas várzeas mais prazer encontro eu cá

Mas estou tão fraco! Até acho que estou ... sonhando, será?
As palmeiras parece... estão sumindo! Não posso levantar,
As flores flutuando... a mesma  dificuldade de respirar
Quase não vejo mais as palmeiras onde canta o sabiá...

Assim se fez a história. O mar se fez mausoléu de honra
Na volta do poeta só ele lhe ouviu os últimos gemidos
E diz a lenda, que o sabor salgado do mar naquele recanto
Foi o poeta quem o salgou com o sal do seu último pranto

Cruz Filho
27/08/2.026

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