sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Um beijo e uma lágrima

Meu momento de maior, e eterna beleza, único.
Foi quando te disse te amo...e vi uma lágrima alegre
Deslizar em teu rosto, chegar em teus lábios,
E me convidar para sentir neles, o gosto de um desejo
Maior que todos os que senti...minha maior verdade,
Melhor que todos os sonhos por mim já sonhados.
A eternidade fez esse momento de infinita doação
Mais que uma história, mais que uma poesia,
Fez dele o mais perfeito momento de toda minha vida.
Nada dissemos, palavras eram poucas, pequenas,
O tremor de nossos lábios, o suar de nossas mãos,
O frêmito de nossos corpos, o pulsar alegre e forte
De nossos corações como se gritassem nossos anseios,
Nossas almas abraçadas se juntando a nós dois...
Tudo isso fazia as palavras perderem o sentido,
Perderem a necessidade de serem ditas,
Hoje a saudade desse instante me faz ficar vivo,
Povoa ardentemente meus sonhos, ficaram sempre
Dento de mim, como ficaram em meus lábios
O gosto daquele beijo, e daquela lágrima...
Daquele beijo, até hoje, minha alma sente o perfume
E eu...o gosto.


José João
26/09/2.014

A eternidade não cabe em um verso.

Na tua saudade, é onde me deito comodamente
Para chorar tua ausência, e nela, na saudade,
Como artesão do pensamento, teço histórias
Contadas em poesias sem rimas, poesias tristes,
Cheias de mim, cheias de ti. Repletas de nós.
Nas entrelinhas conto nossos segredos, nos versos,
Todas as verdades, até os fingimentos que a alma,
(as vezes, fingir engana o pranto...verdade)
Quando sorri, engana a tantos, só não a mim...
(são com meus olhos que ela chora)
Me perco nas poesias perdidas que não escrevo,
Nas poesias incompletas cheias de lágrimas,
Que fazem delas  poesias para serem acabadas 
Quando me faltar o pranto, são poesias infinitas,
Que o tempo guarda nas recordações e nos sonhos
Como se assim se fizessem, para a alma, eternas
Em uma tentativa de imitar, em vão, o que sinto.
Como se na poesia coubesse versos
Do tamanho da eternidade.


José João
25/09/2.014


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Anjos existem

Agora  sei que os anjos existem, estão entre nós,
Nos carregam quando nossas pernas pesam,
Ajudam a amenizar a dor e vão buscar sorrisos
Quando a tristeza grita para a alma sua presença.
Anjos existem, nos falam baixinho de amor,
Cantam canções com a voz dos santos...ah! Os anjos?
Nos ensinam a amar, a abrir o coração sem reservas.
Fazem nossos momentos eternos, cheios de luz,
Que parece brotar de seus olhos quando nos olham,
Um dia um anjo me abriu os braços, me abraçou,
Se sentou por algum tempo ao meu lado, ficamos juntos
Na infinitude de uma entrega que se fez para sempre.
Abri o coração como se fosse um ninho, e ele entrou
Cheio de ternura pra nós dois, me ensinou sorrir,
Cantar, viver, amar. Me ensinou  buscar os sonhos
Mais belos, com cheiro de primavera e gosto de amor,
Desse amor que toma conta da gente, nos faz cativo...
Fica dentro da gente que nem as maiores distâncias
Nos faz esquecer e nem deixar de vivê-lo.
Anjos existem. Desses anjos que quando se vão
Deixam nossa alma perfumada, um mundo diferente,
E uma saudade que não é triste, como se não fosse
Saudade, ou como se fosse uma saudade
Que palavras não explicam. 


José João
25/09/2.014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O que tem além do amar?

O que tem além do amar? Não esse de apenas palavras,
Mas desse amar onde a razão é tão ridícula,
Que  até as perguntas se escondem tímidas
Porque as respostas seriam gritadas com a alma
Em um silêncio tão eloquente que só ela mesma
Poderia ouvir e entender. Falo desse amar
Que vai além de todas as vontades, vai além de nós,
Faz que o outro viva dentro da gente sem distância,
Sem ontens nem amanhãs como se tudo fosse sempre.
Desse amar que apenas uma imagem povoa os sonhos,
Onde um sorriso se faz único, infinto e belo,
Onde a saudade dos momentos faz sorrir em lágrimas,
Numa mistura em que as palavras se fazem tão poucas
Que não explicam o sentimento que chega até na alma,
Cheio de coloridos e emoções que se fazem vivas
No pulsar de um coração que só pulsa um nome.
O que tem além do amar? Pra mim, lágrimas...
Que brincam em meus olhos com a saudade que ficou,
E uma dúvida atroz: Será que outra vez se pode ser feliz?


José João
24/09/2.014



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Solidão ou tristeza...não sei

Só, entre a solidão e a tristeza, a ir buscar-me
Entre meus restos que ficaram dentro dos sonhos
Que se fizeram em pedaços, assim como me fiz.
Os momentos perdidos, fragmentos moribundos,
Que perambulam pelo pensamento já quase demente
Buscam, na saudade, lembranças quase mortas.
Uma voz, que não sei de onde vem, talvez até mesmo
Do silêncio, cala a minha e grita para a alma coisas
Que não queria ouvir. Ombros curvos, fronte pendida,
Olhos que apenas choram, como se só para isso tivessem
Sido feitos, se derramam aos prantos, viçosos, regados
Pela dor de um adeus, que faz tua ausência se tornar 
Cheia de um vazio mórbido, cheio de mim mesmo,
Como se eu fosse um nada, que sem saber escolher 
Entre a solidão e a tristeza, se entrega às duas,
E dentro delas sinto o tempo se contorcer, quase parar,
Talvez para fazer maior essa dor que tua falta me faz.


José João
22/09/2.014




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Essa doce e dolorida saudade...

Nossos caminhos se separaram sem que se quiséssemos,
Se fizeram rotas diferentes, se fizeram outros horizontes,
Mas, por mais que aumente essa distância entre nós dois,
Mesmo que nossos rastros se façam opostos nos caminhos
Percorridos, ainda assim, estarás sempre dentro de mim,
Vou te guardar carinhosamente dentro de minha alma,
Como se fosses minha própria essência, ou até mesmo
O pedaço mais perfeito de mim, dando alento à minha alma.
Sempre, por maior que seja a distância, tu vais estar aqui,
Respirando o ar que respiro, vendo com meus olhos
Os horizontes que não podemos ver juntos, sentindo a brisa
Como se fosse tuas mãos a me acariciar o rosto,
Ouvindo o murmurio do vento como se fosse tua voz,
Meiga e terna a me dizer: Te amo. Vou te amar para sempre,
Mesmo que pareça loucura, mesmo que não faça
Mais nada a não ser te embalar nos meus sonhos, ilusões,
Devaneios, e nessa vontade de ser teu para sempre.
Vou te fazer eternamente minha poesia única e mais perfeita,
E viver, apenas por sentir essa doce e dolorida saudade de ti.


José João
19/09/2.014




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Minhas poesias... minhas!?

Nas noites, talvez até nas noites mais tristes,
Quando o frio da solidão é maior que qualquer frio,
Quando o silêncio emudece a voz do coração,
Que pede triste, num pulsar melancólico, que a alma
Cante uma oração com gosto de saudade... nessas noites,
A poesia me acalenta como se eu fosse criança,
Vem de mansinho, sem espantar o silêncio, flutua
Em volta de mim, como se fosse uma delicada brisa,
Se acomoda ao meu lado, me olha com ternura,
Deita minha cabeça em seu ombro, me afaga o rosto
E vai comigo buscar sonhos, ilusões e histórias...
Me traz momentos que até nem lembrava mais...
Traz  palavras que, se apenas faladas, seriam tão comuns,
Mas dentro dela se fazem pujantes, belas, embora tristes,
Ah! Minha poesia de todas as noites! Se faz divina,
Se faz mágica. Como se fosse um anjo fazendo milagres,
Junta num só verso, lembranças antigas, sonhos caducos,
Sonhos de esperança, junta tristeza, solidão, saudade,
Junta tudo num verso só...sem deixar de ser poesia...
Junta minhas lágrimas choradas na noite e com elas
Se escreve...e se deixa ficar como se fosse minha.


José João
16/09/2.014




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Demência

Nos olhos um angustiante grito de dor corria ao longe,
No caminho seco da angustia, onde as lágrimas caídas,
Eram sugadas pelo vazio árido de uma solidão sem tamanho,
Não adiantava plantar novos sonhos em mente tão infértil,
Afinal ,os sonhos antigos enraizaram de tal maneira na alma
Que não sobrou espaço pra sementes novas de sonhos verdes.
Lá longe, muito distante, onde haveria de ter um horizonte
Só o vazio amargo, o gosto do nada, e a incerteza do ir,
Do perder-se sobre os próprios passos desencontrados
A caminhar por sobre um chão sem rastros, sem sombras,
Cheio das sobras dos momentos que se perderam...
E perdidos, até a saudade se fazia ausente para a alma chorar 
Um pranto completo, e assim, chorava só mesmo por tristeza
Como se o passado não tivesse acontecido, existido...
Nada, nada levava a lugar nenhum, a solidão era tão densa
Que o ar se fazia cativo, o tempo parado se fazia inexistir
Como se todos os dias se fizessem apenas um, e esse...
Se fizesse sempre. Um desespero incontido saltava
Do peito como o pulsar de um coração incoerente que grita,
No silêncio tão peculiar dos sofredores, uma oração,
De um nome só, sussurrada para apenas o tempo ouvir.


José João
16/09/2.014




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ah! Se pudesses me ouvir!

Será que  consegues ouvir os gritos desesperados
Que minha alma chora? O pulsar do meu coração
Que só sabe dizer te amo, te amo, te amo, 
Como se fosse uma oração rezada com o fervor 
De um desespero que tua ausência me faz sentir?
Será que ouves minhas súplicas que se vão com a brisa
Por aí , entre jardins, entre sonhos, cheias de minha saudade?
Ainda hoje busco teu olhar nas estrelas, no brilho delas...
Te ouço na voz do vento vadio que vem cantando canções
Em melodias de notas desconhecidas para não ter palavras
Que traduzam o segredo que ele  vem me contar de ti.
Ah! Se dos meus sonhos eu pudesse fazer estradas...
Rotas cortando nuvens, passando por sobre o tempo,
Caminhando além do destino e escrevendo outra história!
Ah! Quem me dera eu pudesse! Acho que não consegues
Me ouvir, se pudesses...talvez até minha dor fosse 
Menos doída. Aí saberias o que minha alma sente...
Que não tenho mais sonhos pra sonhar, sonhos
Que me ajudem a, pelo menos, enganar a mim mesmo
Me fazendo fingir que tua ausência...é passageira.


José João
11/09/2.014


Nunca estive só

Nunca estive só. Nem nos momento em que um adeus
Era dito, com palavras, com os olhos ou apenas com o silêncio,
Qualquer que fosse o adeus, cheio de ausência (todo adeus...
é repleto de ausência), mais ainda assim nunca estive só.
Nas noites, quando o vazio era maior que as lembranças,
Quando os sonhos ficavam perdidos dentro do esquecimento
E não chegavam, ou se perdiam dentro da noite e, como fantasmas,
Perambulavam no pensamento em uma mente demente,
Cheia de medos e apenas os olhos falavam, sorriam tristes,
Sem servir para  ver, sem querer olhar, se faziam fontes
Derramando lágrimas e me chamando para gritar 
Meu próprio nome, em uma louca tentativa de me fazer vivo,
Ainda assim, nunca estive só. Quantas vezes me perguntei,
Quem está aí...dentro de mim? E ouvia uma resposta 
Em silencioso sussurrar, como se não quisesse se fazer ouvir.
Um silêncio longo, como se fosse o tempo meditando,
Como se estivesse pensando o que dizer, talvez por temor
De machucar minha alma tão carente, cheia de angustias,
Mas timidamente a voz dizia, entre sussurros e reticências...
Sou eu. - Eu quem? - Perguntava sem precisar falar,
Eu...tua ... solidão.


José João
11/09/2.014



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Agora posso amar sem medo.

Tantas já foram as noites em que, sozinho, chorava
Minhas dores. Noites frias, cheias do vazio dolorido
Que deixa a alma caída em silêncio, sussurrando orações
Perdidas, paridas pelo desespero da angustia.
Quantas noites contando lágrimas como fossem estrelas
Caindo dos meus olhos buscando abrigo, como se pudessem
Se esconder da dor que as faziam derramar-se aos prantos!
Hoje, talvez por milagre das orações  rezadas, minhas noites
Já não são pedaços solitários de minha vida, de minha alma,
Hoje tenho companhia, falo sem medo de não ser ouvido,
Passamos a noite em três. Eu, a tristeza e a solidão...
Como são pacientes! Como são amigas! E como aprendi!
Aprendi que ninguém entende mais de adeus que a tristeza,
E ninguém entende mais de ausência que a solidão...
E elas...as duas, se dizem pacientes e carinhosas comigo 
Porque sei entende-las e senti-las sem medo de chorar,
- Dizem - A tristeza se propõe a me fazer companhia
A cada adeus que venha a ouvir. A solidão, por sua vez,
Me diz que estará comigo a cada ausência que vir.
Assim posso amar sem medo, em cada adeus
Ou em cada ausência vou ter companhia para chorar,


José João
10/09/2.014





segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Hoje, minha tristeza foi mais triste.

Hoje, minhas lágrimas foram mais tristes, 
Como se apenas hoje chorassem todas as tristezas 
Já sentidas, chorassem a dor de todas as perdas,
Dos adeus, das saudades dos momentos vividos.
Hoje, minhas lágrimas, se fizeram em meu rosto,
Longos caminhos, deixaram marcas molhadas
Da angustia viva que sem cerimônia me fez da voz
Soluços perdidos que só falavam dessa dor de agora.
Hoje, não sei porque, a dor foi mais doída,
Meus sonhos se perderam em recordações distantes,
As ilusões me chegaram como histórias verdadeiras,
Como se a tristeza quisesse enganar minha alma,
Deixa-la perdida sem saber chorar a dor que sente.
Minhas lágrimas se fizeram mais que prantos,
Brincaram em meus olhos, cheias de vontade 
De se fazerem mais, me deixei ficar a mercê delas,
Deixei que gritassem como se rezassem, desesperadas,
Orações que, com palavras, não rezaria nunca.
Hoje, não sei porque, minha tristeza se fez mais triste.


José João
08/09/2.014





sábado, 6 de setembro de 2014

Uma lágrima...e a alma diz ser carinho.

Um dia me perguntaram o quanto te amei...
Fiquei calado, sem resposta... o quanto eu te amei!!
Não sei... ainda te amo, muito além de mim,
Do tempo, da saudade, da distância...ainda te amo,
Como se todo o agora fosse desde ontem até sempre.
Te amo nos sonhos que ainda sonho contigo...
Estás em todos eles, nos meus momentos, fico repleto de ti,
Sem nenhum outro sonho ou pensamento que não seja teu
E ainda com a alma te querendo sempre mais.
Tempo e distância se fizeram tão pequenos, tão poucos,
Não fizeram diferença, nada mudou, deito contigo,
Sinto teu perfume doce e inebriante no travesseiro,
Ainda sussurro baixinho teu nome cheio de desejo de ti,
Mesmo sendo ilusão de que ainda sejas... minha
E a alma se apega tanto a essa divina loucura
Que jura ser verdade, quando uma lágrima 
Chega em meus lábios e ela diz que é um beijo teu...
Coitada, tão carente de ti que até uma lágrima...
Ela diz ser carinho.


José João
05/09/2.014



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sorrir... as vezes é chorar

Saudade é uma dor que se sente não se sabe onde
E só o olhos sabem gritar, mesmo em silêncio,
Com a eloquência da alma, essa tanta dor...
Só os olhos sabem falar, com as lágrimas,
O que é saudade, quando não cabe mais no coração,
Divide com a alma que empresta os olhos para o pranto,
Gritar em desespero, toda a angustia do vazio da gente
Que parece sufocar, tomar as palavras, fazer o soluço
Ser a voz muda da vontade que a alma tem de gritar.
Ah! Saudade, saudade, deixa a gente demente,
Sem lugar para ficar, ou para ir, para se esconder
Da dor que sempre vai estar onde se estiver...
Faz as lágrimas se misturarem com sorrisos...sorrisos
Que parecem mais um soluço querendo fingir alegria
Quando nos vem a lembrança de um momento 
De ternura rasgando as entranhas da tristeza e chegando
Dentro da gente como uma vontade de voltar no tempo,
Para aquele instante, que a saudade, mesmo doendo,
Nos faz sorrir, embora um sorriso triste, como se fosse
Um tipo de lágrima que os lábios choram.


José João
04/09/2.014




Eu, sempre ridículo.

Sei que já me esqueceste, mas não resisti em te escrever (eu, sempre ridículo escrevendo cartas!!).Sei que sou passado, como diria a Maria Bethânia, "já não vales nada, és carta marcada, descartada do meu folhetim" dirias. Mas ainda assim, teimoso, te escrevo. Mas fique tranquila, não é para pedir pra voltar. Sei, já passou o meu tempo, e por falar em tempo, tinhas razão, estou mesmo deslocado nesse comportamento social de agora (esse momento reflete isso, te mandando uma carta, rsrs). Nesses tempos tão modernos, tão cheio de pressa, como poderias ter tempo pra mim? Passear comigo de mãos dadas na beira da praia vendo o por dos sol? Brincar de ouvir o vento, de deixar as ondas beijarem nossos pés? Beber uma água de coco (apenas um coco e dois canudinhos, para nossas mãos se tocarem) olhando nos olhos com toda a ternura que se pode sentir? Como? Tinhas coisas mais importantes pra fazer, como por exemplo ir nas boates com as amigas e dançar aquelas musicas modernas, fáceis de dançar, musicas de uma nota só. Agora te entendo e me sinto ainda mais ridículo, eu ainda dançando aqueles desgastados dois pra lá, dois pra cá, juntinho, rosto colado, sussurrando no ouvido palavras de amor, de carinho. Mas que bobagem! Pedindo para a orquestra tocar La barca, Al Di La, Besame mucho, Chão de estrelas, meu Deus que vergonha. Agora, eu juro, te entendo.
Esses tempos modernos! Como fiquei parado no próprio tempo! Ainda hoje me lembro da bobagem, a minha, é claro, de te levar em um restaurante, pedir a mesa mais reservada para ter a tranquilidade de admirar teu rosto, te ajudar a ler o menu e rir de alguns nomes de comida. Que bobagem! Hoje é bem mais prático, como diz teu novo amigo, um bom hamburger com um refrigerante e pronto. Ele tem razão, é assim essa maneira prática de viver. Coitado de mim descolocado no tempo. Hoje teu namorado sai com um chinelo, uma bermuda e uma camiseta, e pra época, sei que tu achas também, ele está bem vestido. Eu...que vergonha sinto agora. Procurava minha melhor camisa, a que eu achava que gostavas mais, era uma procura gostosa, o perfume que sempre elogiavas, lembra? Queria estar  elegante para você, te mostrar o quanto eras importante pra mim, queria que te orgulhasses de mim. Outra grande bobagem minha. Ah! Agora lembro, eu ficava tão ansioso para estar com você! E sempre estava, onde íamos nos encontrar, bem antes da hora marcada, até te esperar era prazeroso. Fazer você me esperar? Nunca. Que falta de cavalheirismo! Hoje você espera por ele, sei que fica chateada, mas espera, é essa igualdade tão propalada de agora, e ele, como todo homem moderno, não se preocupa com essa da garota esperar ou não. Eu sempre deslocado no tempo, meu Deus!
Bem, mas não foi pra recordar essas coisas que estou te escrevendo. É que hoje é um dia especial, lembra?Ele, como todo homem moderno, muito ocupado,  esqueceu essa data, mas acredite, ela continua muita importante. Afinal, é o seu aniversário.Achei que enviar um gmail seria muito frio para um dia tão especial, então, mesmo me achando ridículo para tanta modernidade, preferi te mandar essa carta e...ah! Sim. O rapaz deve estar chegando aí com aquelas orquídeas que gostavas tanto e as rosas também, sei que adoras. Junto estão indo aqueles doces de chocolate caramelado, ainda lembro do que gostas. Bem, escrevi só para desejar muitas felicidades. Desculpa por te incomodar. Um forte abraço e muitos anos de vida...ah! Por favor, quando amanhã ele lembrar do seu aniversário e te levar para algum lugar...desculpa-o ele é um homem moderno, ocupado, não é um matuto ridículo como eu. Parabéns...tchau

José João
04/09/2.014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A dor da saudade que sinto

Ainda hoje guardo nossos segredos, todos eles,
Vou busca-los lá dentro da alma, quando a saudade
Chega mais forte me convidando pra chorar...
Aí, meu pensamento vai correndo busca-los...
E eles vêm como se fossem orações que se reza
Em silêncio, sem que ninguém ouça, como murmurio
Da alma que se deita aos prantos, como se cada
Lágrima fosse um reza, uma ladainha, pedindo
Clemência por ser tanta a dor da solidão e angustia.
Nossos segredos se fazem pedaços de mim, da vida,
Preenchem meus sonhos, sonhos que agora impossíveis
Só são sonhados como esperança para acalentar
Minha pobre e carente alma, que solitária, assim como eu,
Se senta no vazio do tempo chorando uma saudade
Que não passa e te trás sempre entre meus dias tristes,
Cheios da vontade de ti, e a dor por esse desejo
Impossível se faz tanta, que nos olhos, as lágrimas
Secaram. E por não verem pensam que estou vazio...
Ah! Se vissem os olhos de minha alma, coitada,
Tão vermelhos que parecem um por-do-sol chorando
Por mim a dor da saudade que sinto.


José João
03/09/2.014



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Um beijo e uma lágrima



 Ah! Essas minhas palavras! Tão pequenas e tão poucas!
Não servem nem para dizer o que minha alma sente,
Vivesse eu mil anos, e juntasse todas as palavras...todas,
Elas jamais diriam o que apenas uma lágrima minha, diz.
Palavras, palavras, até a palavra saudade seria pequena...
Pois a minha vai de um a outro horizonte do infinito,
Vai desde o agora até o sempre e uma palavra não diz tanto.
Como com palavras falar da eternidade dos momentos
Que vivi? De um sentimento maior que tudo, brincando 
Com os amanhãs de se fazer sempre maior e mais bonito?
Para dizer tanto, toda essa verdade que minha alma
Com palavras não diz. Pedi que a primavera me emprestasse
A voz. E ela se fez até mais bela, mais sorridente, 
Aumentou o número de pétalas das flores, lhes aumentou
O brilho e a beleza, tirou o espinhos e me permitiu que onde
Houvesse primavera, em cada pétala de uma flor, eu pusesse
Um beijo e uma lágrima. O beijo gritando desesperado:
Eu te amo, e a lágrima falando baixinho: Estou com saudade.
Só assim consegui dizer o que minha alma queria falar,
E tomara, cada uma delas chegue onde estás.


José João
02/09/2.014












sábado, 30 de agosto de 2014

Só o tempo entre duas lágrimas

As vezes minha solidão, sem nenhum pudor, me sorri,
Divertindo-se com minha dor no meio da multidão,
Se faz forte, se faz viva, se faz presente, sem se importar,
Com os tantos rostos que passam por mim, alguns sorrindo,
Outros fingindo, alguns sem nenhuma expressão, e vão...
Indo não sei pra onde, mas a solidão fica ali comigo,
No meio da rua, onde ela se faz bem mais dolorida.
Outras vezes ela é discreta, se faz passar despercebida,
Me permite até gargalhar, contar histórias divertidas...
Mas de repente ela me envolve, sem que ninguém perceba,
Sorrateira se escondendo entre minhas lembranças e sonhos,
Espera paciente que a noite chegue e se faz dona de mim.
Nunca fico só, nem entre a multidão, ou no silêncio do quarto.
Ela sempre está ali, junto, perto, até sinto seu gosto,
É um gosto de lágrimas tristes, de soluços, acho...é isso.
As vezes ela fica comigo até a madrugada chegar...
Quando, talvez cansada de me acalentar, me deixa
Dormir um pouco. Um sono rápido, porque ela diz
Ser impossível que possamos viver separados
Por um tempo maior que a distância entre duas lágrimas.


José João
30/08/2.014

O que não aprendi como você

Você me ensinou tanto! Coisas que nunca esqueci,
Que até hoje trago comigo como velhos guardados
Que me acompanham como se fossem minhas relíquias.
Me ensinaste a  brincar com os meus medos,
A faze-los parte insignificante de mim, perdidos no nada.
Correr entre caminhos de sonhos, de mãos dadas,
Escrever histórias de nós dois cheias de poesias.
Ah! Como aprendi! Me ensinaste que cada dia
Era um novo começo pra nós dois, e todos eles,
Poderiam ser coloridos, só dependia de nós
E pintávamos os dias, cor de ternura, cor de alegria...
Me ensinaste a amar, amar com a alma, sem palavras,
Mas repletos de nós dois. Dizíamos: Te amo
Com a eloquência de nossos olhares que brilhavam
Como se o brilho fosse um grito divino do amor.
Contigo aprendi a caminhar sem tropeçar nas angustias,
Sem medo dos amanhãs, cheio da certeza de viver.
Me ensinaste tudo de belo...mas hoje o que sei bem,
Não foste tu que me ensinou...foi tua ausência...
Viver nessa solidão e fabricar...lágrimas tristes.

José João
30/08/2.014

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Loucura!

Hei de um dia ver-te, assim eu sonho,
A chorar alegre entre meus braços...
Não com lágrimas atiradas pela dor
Mas por ouvir o grito insano do amor

Sim, todo amor é louco, até sem razão
Explicar! O quê?  Se todo amor é louco!
Ainda tuas lágrimas molharão meu peito
Como se para o amor fosse o único jeito

Perguntariam a mim então. Jeito de quê?
Ora bolas, de perpetuar duas existências
Uma é essa que tantos já nem mais falam
Amar. Quem ainda se lembra? Ah! Calam!

A outra, é dar vida ao ridículo, porque não?
Perpetua-lo como prova nobre da existência
De um sentimento. Chorar, não dizem, é ridículo!
Que perpetuemos esse  (pra mim) encantamento

Mas ainda hei de ver-te soluçar no meu peito
Não esses soluços cheios de nada e tristes
Mas soluços gritados ao mundo e sem medos
Que agora, depois de tanto, ainda existes.

Aí me chamam de louco, que posso fazer?
Hei de ainda ver minha loucura sorrindo
Quando te ver alegre chorar em meu peito
Mesmo sabendo que é um sonho mentindo

José João
28/08/2.014




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Apenas um soluço

A poesia chora silenciosa, em lágrimas carentes,
A tua falta. Rima teu nome com saudade,
Não põe ponto no fim dos versos para que não tenham fim,
Fiquem sempre versos inacabados, na esperança vã
De um final feliz. As palavras se perdem na desordem
De pensamentos feito aos pedaços, em fragmentos,
Pedaços soltos fugindo das dores e dos medos sentidos,
E vividos, desde quando um adeus se fez dor de sempre
E nem  era pra ser poesia, não fosse a insistência
Da solidão em  fazer de cada verso um pedaço de mim.
O silêncio ensinou palavra por palavra a falar
Apenas para a alma, sem se importarem com os gritos
Que o desespero tentava dar para faze-las mais tristes,
Os versos se faziam passivos, silenciosos, chorosos,
Como se a poesia não precisasse ficar poesia,
Ou não tivesse pressa de ser poesia, ficasse apenas
Como um soluço chamando teu nome.


José João
27/08/2.014



terça-feira, 26 de agosto de 2014

É maior essa dor de agora

Estavas tão dentro dos meus sonhos que os pensei
Possíveis. Te acomodaste dentro de mim. Toda,
Ocupando todos os espaços que minha alma permitiu,
Sem te perguntar se querias ocupa-los. Me fiz teu,
Sem te pedir, sem nada te dizer, apenas me fiz teu.
Te fiz morar em todos os meus pensamentos,
E engraçado, todos eles eram segredo pra ti,
Mas me entreguei como se fosse preciso para viver.
Te lia nas histórias que minha alma escrevia,
O carinho de teu olhar, o sabor de teus beijos...
Ela escrevia páginas de vida na minha doce ilusão,
No meu tão infinito desejo, na minha loucura
De ser teu. Como te fiz meus mais doces versos!...
Minhas mais ternas poesias! Meu mais eterno sentir!
Te amei assim, sem que precisasses saber...
Eras o segredo mais intenso e verdadeiro
Que minha alma guardava...só nós dois, eu e ela,
Hoje choramos juntos tua ausência...e dói muito mais
Que te amar sem que soubesses.


José João
26/08/2.014



Era uma vez um sonho...

É um sonho que não termino nunca de sonhar,
Um sonho de tantos recomeços...sem nunca ter um fim,
Parece uma sinfonia inacabada, uma melodia infinita,
Cheia de acordes que nunca ninguém criou,
Assim é o meu sonho, cheio de um rosto que nunca vi,
De um perfume que nunca senti, de palavras que nunca ouvi,
Mas de sensações vivas cheias da vontade de ser feliz.
Nas noites, qualquer que seja a noite, estou ali sonhando.
Entre a multidão, entre os rostos desconhecidos,
Na pressa de cada um, procuro um rosto que não sei,
Mas que está em meus sonhos, mesmo sem nunca ter visto.
Parado no tempo, como se tudo fosse igual ao que passou,
Quando o ontem e o hoje se confundem por ser a mesma
História...me vem o sonho, trazendo um rosto que não
Conheço, mas sei que existe, que está em algum lugar.
Assim, em qualquer lugar, começo meu sonho...
Todo dia é um novo recomeço do mesmo sonho...
Mas sempre fica em pedaços, incompleto, inacabado...
Como se fosse uma história que começa assim...
Era uma vez um sonho que...nunca se fez verdade.


José João
26/08/2.014



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Uma saudade diferente

As vezes, uma saudade do tamanho de minha alma
Me toma todo, me invade, se faz dona de mim,
Me leva pra não-sei-onde, me diz não-sei-o-quê,
Me deixa demente, como se o mundo fosse um sonho
Que não se sabe onde começa e até onde vai.
Uma saudade que não sei dizer... como se a vida
Me escondesse alguma coisa, ou apenas quisesse
Me martirizar como se tentasse me fazer esquecer
O que nunca me aconteceu. Vou me buscar nos sonhos,
Sonhos antigos que sonhei desde criança, mas me vêm
Imagens de sonhos que nunca sonhei, pedaços de vida
Que nunca vivi. Mas é tanta a saudade que sinto
Que meus olhos se umedecem em lágrimas silenciosas,
Como se não soubessem porque choram.
Meus pensamentos se perdem na distância de um tempo
Que não é o meu, ou pelo menos penso que não seja,
Mas imagens vagas, que não se vê com os olhos,
Se agitam como se estivessem brincando entre dois mundos,
Um, cheio dessa saudade que não sei dizer... o outro
Cheio da carência que essa saudade me traz.


José João
21/08/2.014

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Deixem-me pelo menos ...

Há quem diga que não é minha alma quem escreve
Meus versos. Que são apenas fantasias de palavras
A enfeitarem ilusões, coisas que nunca foram verdades.
Dizem que minhas poesias não são minhas lágrimas,
São apenas versos bordados em pedaços de poemas
Que não falam minha dor... nem minhas angustias, 
Calo, deixo a alma render-se aos prantos que chora,
Não por se sentir triste com o que dizem...mas por se ver só
Entre tantos e áridos desertos, secas paragens vazias...
Onde nem ao menos uma  saudade floresceu.
Se choro as ausências, as saudades, as carências,
Se choro ainda dores de distantes adeus que ouvi...
Mesmo os ditos no silêncio de um olhar triste...
É porque os sinto até agora e a alma não permite 
Que se façam esquecidos, são pedaços de minha vida,
Estes sim, bordados carinhosamente com lágrimas,
As vezes até em ponto cruz, como se fossem
Orações rezadas, como se a alma de braços abertos
Em ladainha muda, nos versos que escreve, dissesse:
Se não me amam...deixem-me pelo menos ...
chorar em paz.

José João
19/08/2.014






segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Loucura... essa minha carência!

Loucura?! Talvez. Mas por vezes as lembranças
Me vêm tão vivas, que parecem de ontem,
Coisas que nunca fiz. Nem sequer sonhei...
Musicas que nunca ouvi, acordes desconhecidos
De melodias cantadas pela brisa, em momentos,
Que, eu sei, nunca vivi. Não sei como me chegam...
Talvez trazidas por uma carência que se faz tanto
Como se fosse a vida me convidando pra viver,
E ela mesma me traz, de saudades que nunca senti,
Fragmentos de momentos que ainda podem acontecer.
Lembranças perdidas desde quando nunca as tive...
Porque os momentos não existiram... mas quem sabe,
Talvez seja minha alma em louco desejo de ser...
Poeta e poesia, se escrever em versos e ser poema
Amar como poeta e ser amada como poesia...
Dizer: Te amo... e ouvir... também te amo...
Coisa que ela faz tanto, grita em desespero, mas...
Nunca mais ouviu...

José João
18/08/2.014

sábado, 16 de agosto de 2014

Minhas mil lágrimas.

Eu agora já sou tão pouco, tão quase nada,
E nada seria, não fosse essas minhas mil lágrimas
Choradas em versos que alma me deixou chorar.
Tão menos seria ainda, se esses mesmos versos,
Declamados pela alma como lágrimas, não contassem,
Todos eles, histórias intensamente sentidas e vividas.
Ah! Essas minhas mil lágrimas! Algumas choraram
As mesmas dores, outras choraram apenas saudades,
Algumas choraram angustias, outras choraram mágoas,
Quantas foram por carência...não sei mas foram muitas,
Tantos adeus, ausências, o frio das madrugadas,
Os soluços silenciosos, quando a solidão me abraçava,
E tomava conta de minhas noites...são mil lágrimas...
Mas nenhuma igual a outra, embora todas reluzentes...
As vezes elas se faziam menos tristes, nunca alegres,
Apenas menos tristes, as vezes se faziam mágicas,
Como versos soltos procurando lugar para ficar,
Invadindo corações que nem sei de quem, mais iam só,
Não me levavam com elas, as vezes eram tantas
Que se faziam poesias...hoje, não fossem minhas
Mil lágrimas, nem história teria para contar.


José João
15/08/2.014





sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A perda de um verdadeiro amor

As perdas se fazem para sempre quando se ama,
O esquecimento se faz um mero não esquecer...
O coração se enche de tudo aquilo que a dor permite...
E nunca mais fica vazio, ao contrário, fica repleto
Do que sobra quando um amor verdadeiro se vai...
Ficam saudades, angustias, mágoas infindas...
E o que mais machuca...a carência que fica
Gritando dentro da alma a ausência dolorida, 
Matando os sonhos que um dia se fizeram esperança
De vida. Tudo fica triste como se nada mais
Fosse preciso...nem mesmo sonhar. Nada existe mais.
A alma grita em desespero a solidão que lhe toma...
O coração parece querer gritar dentro do peito,
Os olhos...se enchem de lágrimas como fossem
Pedaços da alma a saírem feito loucos ao tempo....
Mas sem lugar pra chegar e... nem lugar pra ficar...
Em qualquer lugar a dor é a mesma, só mudam as lágrimas,
Até o vazio se enche da mesma dor. Mas um nome
Fica nos lábios, como oração a ser rezada, sem fé,
Porque a alma está cheia de mágoas, e contrariando
O coração, os lábios dizem: Não te amo mais.


José João
14/08/2.014






segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Nunca vou desistir de você

Não desisti, não desisto e não vou desistir de ter você,
Que passe o tempo, que o mundo se perca em pecados,
Que as promessas se façam pedidos perdidos 
Aumentando as dores dos corações que vivem sozinhos.
Que o mar não desenhe mais em suas águas
Os caminhos dourados do por do sol, não cante mais
Com a brisa canções de notas desconhecidas e tristes.
Não importam os caminhos, o silêncio de tua voz,
Não importa que o tempo se faça mesquinho, e chame
O esquecimento para cobrir e esconder teu nome.
Não importa...não vou desistir nunca de ter você.
Que zombem de minhas lágrimas, que riam, 
Que me achem ridículo e me deixem recluso, só,
Em qualquer canto do mundo como um louco perdido,
Com um olhar vago olhando o que ninguém vê.
Não importa...não vou desistir de você...nunca.
Afinal... para quê existe a saudade? A não ser para
Se amar duas vezes... uma quando se está perto,
E  a outra, e mais intensamente, quando se etá longe,
Muito além de qualquer estar. Assim, querida...
Nunca vou desistir de você


José João
11/08/2.014







quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Eu. Um resto de homem

Eu? Eu sou um resto de homem, que cheira a noite
Deitado na calçada, fazendo versos vazios e sem rimas
Para os sapos e pirilampos brincarem de não ouvir.
Sou aquele que faz amor com a lua na lama da rua
Onde ela se deita misteriosa, despudorada e nua,
Ouvindo meus poemas de palavras rotas e cruas.
Sou o espectro de um raio de luar perdido na escuridão,
Fazendo sombras entre as folhas que o vento balança,
Cantando canções sem começo, meio ou fim.
Vim de longe, lá de onde um adeus faz a vida
Ficar tediosa e cheia de defeitos, faz os olhos
Chorarem aos gritos dores que a alma sente,
Faz as mãos tremerem lívidas, carentes,
A se esfregarem sofregamente como se fosse carinhos.
Faz as lágrimas se tornarem fontes e... prantos
Se tornarem rios...e o rosto? A se contorcer em careta demente
Como se tivesse vergonha de ser...o rosto da gente

José João
06/08/2.014



terça-feira, 5 de agosto de 2014

As lágrimas de um poeta

 Lágrimas, prantos, saudade, são guardados do poeta,
Por vezes ficam dentro da alma, carinhosamente...
Como pedaços de sua própria vida, verdades,
Sonhos que nem foram sonhados, sonhos já sonhados
E mortos, lembranças distantes, ou vontades
Que nunca aconteceram e jamais passarão de apenas
Vontades. Tudo isso o poeta guarda como relíquias,
Dores antigas, momentos que se pensava esquecidos,
Escondidos no tempo, sem caminhos de volta,
Mas o esquecimento, pregando peça ao poeta,
Traz tudo outra vez, até dores já caducas
Ficam parecendo dores de ontem ou nunca passadas.
Ah! O poeta! Se não fosse poeta como viveria?
Como viveria sem a dor de um adeus?
Sem uma saudade para chorar sorrindo, brincando
De brincar com a solidão, cativa de suas noites?
Mas ser poeta é bom, é dar vida aos sonhos 
E fazer de suas dores pedaços dele mesmo.
E o bom de ser poeta é poder chorar em qualquer lugar,
Na frente de qualquer um, sem nenhum pudor...
Só lhe basta um lápis e... qualquer pedaço de papel.


José João
05/08/2.014



Coisas de poeta.

A tristeza me ensinou  ser artista... pintor,
Pinto céu com estrelas brilhantes, raios de luar
Cor de saudades, pinto noites claras, sem escuro,
Na insonia que me faz ver a madrugada nascer
Dentro de um vazio sem cor, que me habita 
Desde um adeus que, sem palavras, foi dito
Com a eloquência de um olhar gritando dentro
Da alma,  ajoelhada, e muda, chorando em silêncio, 
A tristeza me ensinou ser artesão, de fino trato,
Faço colares de lágrimas, tão transparentes,
Que através delas, pode-se ver a dor que choro.
Sei bordar pedaços de sonhos, de cada sonho
Um pedaço, até formar um sonho que tive
Vontade de sonhar e nunca sonhei. Nunca vivi.
Também me ensinou ser poeta, escrevo versos
Em poesias que vão ao tempo, escritas em páginas
De angustias, decoradas com pedaços de solidão,
De soluços (antigos) de quando ainda não sabia
Que com sorrisos também se chora... coisa de poeta.
Quem, além do poeta, chora feliz a dor de uma saudade?


José João
05/08/2.014



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Em mim, uma criança é quem chora

Deixem que sinta essa dor que é só minha
Tenho o direito de senti-la, afinal, procurei
Fui eu que, sem perguntas, me entreguei...
Agora choro essa dor...dor que nunca chorei

Me deixem ser criança e chorar ao tempo,
Sentir o peso de um adeus que nunca disse
Culpa do destino, fez a vida em desalinho
Me perder nos passos e voltar a ser menino

Então, por um momento apenas, deixem
Que chore essa dor...dor de alma carente
Dor de saudade que chega assim de repente

Em mim, eu sei, sempre morou uma criança
Que se entregou a vida, como se fosse brincar
Para um dia, pelo homem, ela inocente, chorar


José João
01/08/2.014




Coitada da solidão!

Ah! Essa solidão! Quer sempre fazer a noite triste,
Me fazer chorar tua ausência, faz tudo para que me sinta
Sempre só. Pobre solidão...tão inocente, rio-me tanto
Quando ela chega e invade a noite, me olha nos olhos, 
Enche o vazio com sua presença, coitada...vai buscar
Dores que pensa que ainda sinto, tristezas que se foram,
Faz o silêncio ficar mais silêncio ainda, faz a noite muda,
E eu!? Olho tudo, deixo que ela se sinta realmente solidão.
Aí calmamente vou buscar meus sonhos... e eles vêm...
E neles não há nada que não possa fazer contigo...
Tua imagem vem, passa por cima dela, ilumina a noite,
Dança, alegre com minha alma, canções só nossas.
As estrelas brincam de brilhar, enfeitam meus olhos...
A brisa lá fora sussurra canções de amor... e o amanhã,
Já na madrugada, começa a se alegrar entre o jardins,
Onde as flores me lembram teu perfume...e a solidão?
Fica lá num cantinho, sem saber o que fazer...
Olhar perdido no chão, não me olha mais nos olhos...
Se olhasse, veria neles tua imagem rindo dela.


José João
01/08/2.014


Nossas almas já se conhecem tanto

Deve ser  meu destino, te buscar onde não sei,
Te procurar onde não estás...mas sonhar contigo.
Deve ser meu destino, saber que existes,
Não saber teu nome, mas sentir teu perfume ao vento,
Tua presença em tudo que me cerca, sentir teu olhar,
Mesmo nessa tua ausência que faria a vida vazia,
Não fosse ter aprendido o prazer de te esperar,
E a certeza de que estás em algum lugar...
Talvez até me esperando, como te espero agora,
E o destino brincando de esconde-esconde
Nos deixa assim, nossas almas tão intensamente juntas
E nossos corpos esperando por nós dois...
Será acho que o destino nos fez dizer adeus
Antes de nos encontrarmos? Ou está preparando
Nossos corações para um amor que nunca...nunca
Ninguém teve o prazer de sentir? Te espero desde muito,
Brinco de adivinhar teu nome, saber a cor dos teus olhos,
Brinco até de te esperar, sentado nas margens de caminhos
Floridos que meus pensamentos criam na ansiedade
De te ver chegar...sem precisar dizer mais nada...
Porque nossas almas nos dizem até nossos segredos.



José João
01/08/2.014



terça-feira, 29 de julho de 2014

Um dia de tristeza

As flores caídas no jardim pareciam lágrimas do tempo,
As folhas rolando ao vento pareciam sonhos indo embora,
Como se nada mais fossem, talvez apenas ...restos.
A tímida canção que a brisa cantava, parecia um lamento,
Um canto de saudade, cheio de notas soltas, desconhecidas,
Pareciam lamentos que o coração chorava baixinho.
Uma canção distante, triste, quase sem poder ser ouvida
Fazia o pensamento correr de pressa, buscando palavras
Para fazer versos, não precisava serem belos, nem rimados,
Bastava apenas que falassem o que, lá na alma, se fazia
Prantos, não esses chorados pelos olhos, esses são apenas
Prantos, mas os derramados pela alma, esses sim...
São dores que ela não consegue mais conter e...chora.
Os olhos, cheios de saudade, corriam no horizonte
Fazendo caminhos invisíveis, sem margens ...sem cor,
E o eco dos silenciosos passos do pensamento...
Ecoava na alma cabisbaixa sem saber mais o que ouvir,
Porque a dor lhe tomava os sentidos, e uma ausência
Se fez tão sentida que encheu todo o vazio de...solidão


José João
29/07/2.014