E minha saudade a mesma, até o mesmo pranto.
As lembranças, quase nem pareciam lembranças
Se faziam como de ontem, um verdadeiro ritual
Assim, de repente, meus cabelos embranqueceram,
Meus olhos já não olhavam com nitidez o horizonte
O mesmo horizonte que as cores eu já sabia de cor.
Nem era mais alegre, o antes doce, murmurar da fonte
Desaprendi brincar de mal me quer com margaridas,
De ver o luar arrastar-se na relva em silenciosa poesia,
De fazer pedidos para estrelas cadentes, não ouviam
Desaprendi tudo, tudo, que em outros natais eu fazia
Mas aprendi, pacientemente, esperar o que nem sei,
Caminhar sem pressa, sem nem saber aonde chegar
Aprendi olhar com as mãos, pensam que são carinhos
Enfim, aprendi muito, hoje, sei até conversar sozinho
José João
11/02/2.026
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