domingo, 21 de janeiro de 2018

Ainda hoje

Já caminhei por estradas vazias, perdido no nada,
Até mesmo perdido de mim, estradas sem margens,
Chão de pedras, cheio de solidão, suspiros tristes,
Passos reticentes, e a tristeza, como fosse poeira
A levantar-se soprada pela dor, sufocava a voz,
O grito, que a alma queria que a vida ouvisse.
Estradas frias, sem rastros, vazias de sentimentos
Onde os ontens sucumbiam num atroz esquecimento,
Os sonhos que foram sonhados se esvaziavam
Do pensamento e os sonhos novos não se criavam.
Caminhei por estradas assim, teimando na loucura
De sonhar que a vida era apenas um espaço meu, 
Levava comigo pedaços de saudades, de momentos,
De palavras soltas que as vezes ouvir doía tanto!
Mas tinha a estrada para seguir, mesmo sozinho...
Ainda hoje a estrada é a mesma mas a dor é bem maior,
O tempo já não é só meu, está ficando tão pesado!
O pranto ficou mas fácil, a solidão... morbidamente
Mais zelosa comigo...  a estrada continua a mesma,
Meus passos é que estão mais velhos, e a vida
Mais difícil de sonhar! Ainda mais quando se sonha
Sozinho.

José João
21/01/2.018

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

As duas faces da minha solidão

As vezes eu tenho medo da solidão e corro...
E chegando a lugar nenhum, lá está ela, braços abertos,
Alguma coisa de ternura em seu silêncio, e meu medo
Fica incoerente. Vou lá dentro de mim, ela permite,
Trago sonhos, viajo nas asas do tempo me levando
A momentos vividos, como se o passado fosse
Um lugar de onde vim trazendo saudades do que vivi,
E, o hoje, se faz um lugar cheio de dores e de medos.
Ela, a solidão, me ensinou a me ouvir, a me dizer
Verdades de mim mesmo sem medo de chorar...
E se choro, e se soluço minhas palavras mudas,
E se me entrego ao pranto, ela guarda segredo...
Não deixa que me achem ridículo e chora comigo.
Mas as vezes ela dói tanto! Chega a machucar
A alma da gente! tanto que os olhos se cansam
De chorar, se cansam de olhar, se cansam de gritar,
E a alma, que sem isso não é alma, se perde, e ...
Perdida, dentro da dor que sente, sem que os olhos
Por ela chorem... se entrega a dizer blasfêmias
Que não cabem nos versos que ela escreve sozinha.

José João
18/01/2.018

sábado, 13 de janeiro de 2018

Sonhando contigo

As vezes preciso ficar só, dentro da solidão,
Parece que no seu silêncio ouço o divino cantar
Dos anjos cantando canções com teu nome,
E no meu mais perfeito sentir, entre lágrimas,
Te dou meu pranto como confissão do que sinto.
Nesse momento não existe distância, nem tempo,
Estás dentro de minha alma, como se dela
Fosses dona, e num prazeroso quase dormir
Faço que seja vida esse sonhar que me permites.
Ah! Quanta saudade! Quantos desencontros!
Essa ilusão de estar perto, de que não te perdi,
De que apenas ainda não te encontrei. Estou aqui...
De olhos fechados, imaginando caminhos 
Que possam me levar a te ou te trazer a mim...
Nesses meus sonhos, colho flores para te dar
Quando chegares, fico escolhendo palavras
Bonitas... mas eu sei... quando te encontrar
Minha voz se perderá em soluços reticentes,
Mas verás meus olhos te dizerem: bem vinda
E meu coração pulsando alegre, gritando:
Te amo...sei que entenderás.

José João
13/01/2.018

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Saudade, minha companheira!.

Ora, saudade, porque calas? Diz o que queres!
Queres lágrimas? Diz. Agora, coitadas, tão poucas!
Ontem chorei todas elas fingindo escrever poemas
Gritando em silencioso soluço com palavras roucas

Refiz histórias, brinquei sozinho de escrever versos
Fui muito, muito além das lágrimas, chorei prantos
Que molharam poesias, molharam até o silêncio
Se fizeram nada, poesias rotas sem nenhum encanto

Agora me vens cobrando que chore! Me olha saudade,
O que vês? Tem nos meus olhos tristezas para chorar?
Trouxeste contigo algum rosto ou sonho para eu lembar?

Não?!! Porque então vieste? Vieste apenas me visitar!
Ora quem diria!!! Vieste sem trazer nada do que vivi?
- Sim, te gosto tanto que não sei mais viver sem ti

José João
12/01/2.018


À espera de um amanhã

Deixo que meus pensamentos te busquem
Por lugares onde nunca fui, invento sonhos
Pra sonhar contigo e, neles, me entrego todo
E pleno ao prazer de sonhar um momento 
Que nunca vivi... e vivo, nesse viver incoerente,
O prazer de me sentir teu... e corro e... grito...
E explodo o silêncio em pedaços como se fossem  
Palavras que minha alma deixa voar ao tempo,
Indo sem rumo, como se seguisse o cheiro
Do teu pensamento que, juro, pela minha carência,
Estar pensando em mim. Essa tua ausência
As vezes me faz brincar com Deus lhe contando
Histórias de nós dois e Ele ri, dizendo: Sei tudo,
Só não sei dessa história que estás contando...
Aproveito e digo, pois é... estou inventando
Para lhe dar uma ideia do que preciso.
Ele me olha nos olhos, segura minhas mãos
E diz: Espera,  - me dá uma palmadinha
Nas costas e vai sorrindo. Ah! Esse meu Deus!
Por isso sempre espero os amanhãs ansiosamente. 

José João
12/01/2.018


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Meu circo, minha vida

Pendurado num tênue fio de esperança solto
No tempo, como se fosse um trapézio seguro
No nada, dou cambalhotas sobre as angustias,
Pulo em saltos mortais para fugir da solidão,
Até faço malabares com lágrimas! Dos sorrisos,
Faço como bolhas de sabão, lindas e frágeis
Que qualquer tristeza faz que se percam.
Caminho sobre as mais altas montanhas
Feitas com o medo dos amanhãs, em cordas
Soltas, bambas, feitas de saudades, segurando
Sonhos que se balançam e quase caem
Das alturas dentro do vazio que me fiz.
As vezes sou palhaço, sorrio as gargalhadas
Imitando alguém que realmente chora,
Até finjo serem minhas as lágrimas choradas!
E até talvez fossem, não fosse eu um fingidor!
Assim, como trapezista, malabarista e palhaço
Vou fazendo da vida um eterno brincar,
Contando minhas verdades e mentiras
Mentirosas em poesias que ninguém lê,
São escritas com lágrimas que nem mesmo 
Eu sei escrever.

José João
11/01/2.018


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Quando a chuva chora comigo

Chove, e tanto! Como se a chuva, como se o tempo,
Soubessem o tamanho da minha dor e chorassem
Essa dor tão doída e só minha. Meus olhos também
Choram, lágrimas tristes e frias por tanta carência,
Minha alma grita a dor que sente, e uma saudade
Dentro de mim, com uma angustia maior que o mundo
Me toma, me invade, mata o sonhos,  eu uma vontade
De gritar, te amo, vem de dentro da alma, mas um soluço 
Me cala a voz, emudece meu desejo e... tua ausência
Me toma de mim, me deixa dentro desse vazio
Triste, sem sonhos, fingindo com sorrisos falsos
Que no meu mundo existem ainda histórias de amor.
Rezo orações que invento, em todas elas, teu nome
É a Ave Maria que sei rezar, no fim de cada oração
É só teu nome que sei dizer, escrever em meu rosto
Com as lágrimas que choro... chorando com a chuva
Que chora lá fora.

José João
10/01/2.017

sábado, 6 de janeiro de 2018

Preciso de um sonho

Preciso de um sonho. Todos os meus se foram,
Foram embora por caminhos que não sei,
Buscando quem nunca vi e nem sei se existe.
Com eles só não foram os soluços e lágrimas, 
Porque não sabem voar, mas até tentaram...
Os soluços, como arremedo de voz, coitados
Não se fizeram eco para ir ao vento gritando
Minhas angustias. As lágrimas, como loucas
Suicidas, saltavam dos olhos como desesperados
Gritos da alma que morriam sufocados
No silêncio denso do tempo que insistia
Em não passar. Preciso de um sonho, desses
Que ficam dentro da gente como se fossem
Acontecer a qualquer hora, desses sonhos
Que parecem com esperança, que se espera
Para amanhã, para logo mas...nunca vem


José João
06/01/2.017

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Perdas, ausências e vazios

As vezes fico parado no tempo olhando o nada
E sem nada fazer, fico a esmo, perdido no vazio,
Até me veem versos, mas não os escrevo,
Seriam tão tristes que não haveriam lágrimas
Que os chorassem. Ouço dizerem: eu sofro.
Me calo no meu silêncio mais mudo. Sofrer...
Sabem o que é isso? Sentir a dor da perda
Dentro da gente? Forte, queimando até a alma?
Uma dor tão doída, mas tanto, que faz viver
Ser mais difícil que morrer, faz chorar ser
Tão puco! Faz que o pranto se faça ridículo
Por não traduzir o que verdadeiramente
Se chora. Os versos se comprimem dentro
Da poesia como se esta também não tivesse
Espaço, nem razão, nem sentido de existir.
Os pensamentos voam perdidos, os sonhos
Se esvaziam e a ausência, vaidosamente cruel,
Faz que o silêncio, insista em mostrar o que é
Realmente, perda, saudade, solidão e dor

José João
02/01/2.018

domingo, 31 de dezembro de 2017

Como ave de arribação

Não sei onde estou, se perdido dentro de mim,
Ou de uma tristeza que não sei de onde vem,
Ouvindo o silêncio sussurrar uma canção
Que só eu escuto, que só eu sei sentir e chorar.
Deixo o pensamento solto buscar momentos
Que nem lembro mais, buscar sorrisos, palavras
Que esqueci de dizer, e uma ansiedade me toma,
Me faz querer ir, mesmo sem saber pra onde
Pois em qualquer lugar estarei comigo mesmo,
Com a mesma saudade, as mesmas lágrimas,
Os mesmos sonhos caducos, perdidos no tempo.
As lembranças povoam meus pensamentos
Como aves de arribação, voam pra bem longe,
Para além de horizontes desconhecidos e vão
Num triste e cansado valsar, esperando chegar
Em algum lugar onde ser feliz seja possível.

José João
31/12/2.017

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Tua saudade me beija a vida.

As lágrimas sempre calam minha voz
Quando quero gritar teu nome, te chamar no tempo,
Te trazer em sonhos, de dentro da alma, de mim
Para minha saudade, que como vida, se faz tua,
Toda e plena, na existência única de tua presença
Como se o tempo tivesse parado pra nós dois.
Um silêncio santificado toma todo o espaço
Num divino respeito aos nossos sentimentos
Que se eternizaram dentro de mim, ficaram
Como pedaços essenciais da própria vida.
Canto, em silêncio, canções com teu nome,
E sorrisos se espalham entre as lembranças
Que veem com as lágrimas brincando de amar,
Sim, de amar outra vez as mesmas coisas,
Os detalhes, que se fizeram histórias completas,
A rotina dos beijos que ainda dormiam nos lábios
Nas manhãs quando o bom dia se fazia luz.
As lágrimas sempre calam minha voz quando
Tua saudade me beija a vida.


José João
29/12/2.017


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Assim é mais fácil viver.

... e lá vou eu, indo a lugar nenhum, mas indo...
Levando comigo a saudade que deixaste...
A angustia de tua ausência no vazio de mim...
Levando sonhos mortos que não vale mais
Serem sonhados. Levo poesias que ainda não
Escrevi, algumas inacabadas e nunca mais
Serão poesias completas, só pedaços de mim
Escritos no tempo, que levo cuidadosamente
Como relíquias do que nem a esperança
Me permite mais ser, ou até mesmo sonhar.
E tu, não sei com vais, quais caminhos...
Quais marcas eu tenha deixado, se as deixei.
Em mim ocupas minha alma toda e plena,
Eu em ti, não sei, se me fiz teu vazio, tua falta,
É triste não saber o que se deixou no outro...
Se somos sonhos que ainda querem sonhar,
Se somos um tanto faz, um... já passou...
Por isso me preocupo em apenas amar...
Assim é mais fácil... dizer te amo,
Sem me preocupar que ouças, é melhor,
É viver sem a pretensão de viver.

José João
28/12/2.017

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Minha doce loucura

Que tua saudade seja infinda prece a ser rezada
E cada lágrima, uma pedra do rosário, uma oração,
Me darei todo, a alma ajoelhada a contemplar-te
Como se fosse divina minha loucura de amar-te

Me farei pecado, ser for preciso, para louvar-te,
Rezarei ladainhas que inventei com o teu nome
Até salmos criei, como pecador eu sei que errei
Deus há de perdoar-me sabendo o quanto amei

Me fiz devoto, servo... e só a te hei de entregar
Todos os sonhos, até os que ainda vou sonhar
E se for ainda pouco essa minha tanta devoção
Escrevo teu nome em cada lágrima que chorar

Te levarei carregada no colo do pensamento
Como fosses frágil flor inocente, adormecida
Mas que teu perfume, divino a envolver-me,
Faz que me seja perfumada a própria vida.

José João
25/12/2.017

domingo, 24 de dezembro de 2017

Sempre tenho o que esperar no Natal.

Ah! É Natal! Os corações batem forte, tudo é festa,
Os olhos sorriem, contam as alegrias que a alma sente,
O mundo de cada um se ilumina com sua própria luz,
Os sentimentos pulam, gritam, na algazarra do sentir
A alegria do ser, do amar, do se entregar, de ser Natal.
Alguns se entregam na mais perfeita e alegre solidão,
Aquela que é sentida a dois, entre sorrisos, suspiros
E promessas da eternidade dos momentos vividos.
(A solidão é divinamente bela quando é sentida a dois)
As estrelas fazem festa, a estrela cadente voa livre
Como flecha de luz a perder-se na imaginação 
De cada um. Quem está sozinho, em triste solidão,
Olha para o céu, vê a estrela cadente a ir-se longe,
Não se sabe pra onde, jura que seja um trenó
E chora em pedidos, quer sejam para a estrela
Quer sejam para aquele velhinho que, para alguns,
Só dá mesmo a esperança como presente.
Sento na beira do Natal, olho o céu, olho o tempo
E já espero o outro natal com o mesmo pedido.
Assim, sempre tenho alguma coisa para esperar.

José João
25/12/2.017


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Vida...é essa saudade de ti.

Quando chegas dentro de mim, meu coração grita,
Pula dentro do peito, alucinado, sorri para o tempo,
Fica criança outra vez. E eu!? Escrevo palavras
Que nem conheço, Escrevo sons que nunca ouvi...
Quando vens, meus olhos brilham e ... então choro,
Mas não é um chorar triste. É para que possa pintar, 
Com lágrimas, as cores que invento para deixar 
Tua saudade alegre, e ela fica risonha cheia de ti,
E, dentro da alma, se aconchega tão carinhosa,
Que sento na beira do tempo passivo para fazê-la
Dormir e nunca mais ir. Ah! Quando me chegas!
Em desespero, correm ao tempo, as tristezas, 
As angustias, até a solidão, parecendo louca,
Corre com os braços levantados, cabelo esvoaçado,
Tropeçando no tempo levando o silêncio nas costas,
Indo pra-não-sei-onde. Como é bom se estás aqui!
Com essa saudade alegre, colorida com cores
Que as lágrimas me permitiram inventar.
Te deixo dentro de mim, nessa tua saudade,
Que bem poderia ser chamada de ... vida.

José João
22/12/2.017

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Soneto de uma noite triste

É noite, os sonhos correm em louca agonia
E escondem-se na sua pecaminosa nudez 
Ela, toda nua, se entrega promiscua ao tempo
Que a faz amante e lhe acaricia passando lento

A solidão, por ciúme ou despeito, quem sabe?
Se prende no nada, sufocando, gritando calada
Que a noite é sua, e se espalha num vasto querer
E estar nessa noite é o mesmo que não viver

A lua, aparvalhada, olhando sem dizer nada
Se põe desenhando imagens no chão da rua
E eu, sentado, grito as dores dessa vida crua

Essa vida em que amar, é não viver, é chorar,
É o mesmo que ir sem ter lugar para chegar
Ou ficar e nunca mais ter pra onde poder voltar

José João
18/12/2.017

domingo, 17 de dezembro de 2017

Hoje

Hoje estou tão triste! Num desses dias
Que se precisa ajoelhar, chorar e falar com Deus.
A dor é tanta e não sei porque, é uma saudade!
De quem não sei, mas é uma saudade tão doída,
Mais que qualquer outra saudade já sentida.
Um nada ser! Um vazio que espanta os sonhos,
Que nem os pensamentos encontram caminhos,
Se perderam como fossem fumaça levada 
Pela brisa e esvaindo-se, sumindo no tempo
Antes de chegar em qualquer lugar. Lamentos,
São os gritos da alma que chora em silêncio.
Hoje é um dos dias que precisava falar com Deus,
Deitar em seu ombro amigo, senti-lo enxugar
Os prantos, contar os pecados que são segredos.
Contar dos adeus que ouvi e até hoje doem,
(E hoje mais que sempre). Ah! Que dia!!
Caminhei comigo mesmo, me dizendo coisas
Que só sei dizer se a solidão estiver comigo,
Inventei cantos, inventei sonhos, inventei beijos,
Inventei até um, eu te amo, sem ter a quem dizer,
Só não conseguir inventar um sorriso...
Pra mentir pra mim mesmo,

José João
17/12/2.017


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

... te procurando

Sou este que aqui veio apenas te buscar
Corri entre vidas tentando te encontrar
Cruzei estradas entre mares e sozinho
Vim e não te encontro em meu caminho

Caminhei pelo tempo, entre horizontes,
Percorri tardes do tamanho de uma vida,
Cruzei imensos desertos de solidão
Até caminhos que não tinham chão

Percorri rotas por entre estrelas perdidas
Chorava teu nome em versos que fazia
Nas noites tristes, caladas por tão vazias

Sou quem no mundo te busca sem se cansar
Que vai sem medo sonhando te encontrar.
Quem sabe me diga a vida onde tu possas estar!


José João
14/12/2.017

Eu, sem saber de mim.

  Já me escrevi como mentiras, como verdades,
Como histórias de dores que senti e chorei,
Já me escrevi em versos de angustias fingidas, 
De sonhos que não sonhei. Já fingi até ser eu mesmo!
Brinquei de sorrir bebendo prantos, gargalhei
Ironizando a tristeza que tanto doía em mim...
Povoei a solidão com imagens que inventei,
Enganei o silêncio fazendo que ele me falasse
Coisas que só a alma podia ouvir, e ele, o silêncio,
Se quebrava em ecos pelo tempo, jurando que era
Minha a voz com que ele contava meus segredos.
Já perfumei versos com o cheiro de lágrimas...
Brinquei de artesão com a saudade e lhe esculpi
Em forma de poesia, sem métrica, sem rimas,
Cheia da inocência transparente dela mesma.
Ah! Já me fiz tanto... que hoje nem sei de mim!
Se sou uma dessas histórias que ninguém acredita,
Se sou uma dessas mentiras verdadeiras, irônicas,
Que a vida insiste em contar pra fazer rir...
Quem me dera eu fosse o sonho de alguém...
Que me busque, quem sabe até em desespero...
E que por mim tenha algum zelo!?

José João
14/12/2.017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Somos dois... dentro da mesma solidão.

Não estou mais só, agora somos dois
Dentro da mesma solidão. Eu, entre meus vazios
Te esperando, tu, dentro dos meus sonhos
Que vão te buscar nem sei onde, onde nunca vi
Mas sei que estás. Talvez até penses em mim
Como se eu fosse quem precisas. É a mesma, a solidão
Onde povoamos nossas ilusões, a vontade de nós...
Quem sabe estejas a beira mar! Olhar distante,
Perdido no horizonte tentando me ver chegar!
Eu, aqui também espero, as vezes numa nuvem
Que passa lenta como se olhando pra mim, 
Outras vezes num rastro que o sol deixa
Como estrada por sobre o mar. Por vezes, te juro,
Parece que a brisa passa sussurrando teu nome...
Será que também sentes assim? Essa nossa solidão!!
Cheia de nós dois, de nossos pensamentos...
Sei que estás aí, como sabes que aqui estou...
Assim não estou mais só, agora somos dois...
Dentro da mesma solidão.

José João
10/12/2.017


sábado, 9 de dezembro de 2017

Como te cuido ainda!

Cuido de te, dentro de mim, como se fosses
Minha própria alma, como se fosses a vida que vivo,
Te cuido, dentro da minha saudade, com tanto carinho
Que sempre choro quando vens, quando te sinto
Toda e plena como se fosses a verdade  dos sonhos
Que ainda sonho contigo. Te guardo dentro de mim,
Te faço de minha única e mais perfeita história.
Grito, dentro do meu silêncio, em confissões mudas,
Toda essa minha ânsia de te. essa vontade demente
De ser eternamente teu, sem tempo, sem distâncias,
Sem medo dos amanhãs, pois sempre serás eterna
Em cada um deles, para que sempre sejas mais.
Ontem te rezei orações, hoje te senti na saudade
Para amanhã, te faço desde agora, sonhos perfeitos.
Sempre foi assim e, ainda hoje, nesse vício de ti,
Nunca fui além de ser apenas teu, num entregar-me
Sublime de fazer infinito e eterno esse sentir. Te amar
Agora é tão divino, que percebi...o quão foi pouco 
O que te amei.

José João
09/12/2.017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Deus, a dor e o poeta

Por mim, meus olhos choram frias lágrimas
E recitam versos que só a dor faz escrever
Calo no silêncio que a solidão em mim produz
E chamo a saudade,  doce amante que me seduz

Escrevo versos que nem sei de onde vêm.
Nos prantos, que a alma chora com meus olhos,
Escondo sorrisos que um dia, juro, já sorri
E nas entrelinhas dos versos conto o que vivi

Chorei dores, tantas, que nem sei como contar
Mil poemas escrevesse seriam poucos pra dizer
Essa angustia tão doída e dores assim tão sentidas,
Chorando orava aos céus em orações não ouvidas

Me sentei ao pé do tempo imaginando o porque,
Porque o amar sem tino traz assim tanto sofrer?
Porque será, Meu Deus? Diz-me a mim, agora peço
Porque disseste um dia que é o amor que faz viver?

Não quero contradizer ao que no mundo ensinaste
Mas me ver assim aos prantos, somente porque amei
Me vem,  e até te peço perdão, pelo que eu falei,
Foram blasfêmias que disse, como orações que rezei.

Mas que queres? Olha-me e à minha pobre alma!
Correndo entre vazios para se esconder da tristeza,
As vezes uma palavra que ela, a alma, pensa ouvir
Fica atenta, muda, imóvel, mas cheia de incertezas

Porque há muito tempo quando sonhos a povoavam
Sonhos coloridos pintados com as cores da natureza
Ela, aos pulos, gritava ao tempo, gritava ao mundo
Sua euforia, sem nunca pensar da vida tanta crueza

Por isso te pergunto, oh Deus! O que a mim fizeste?
- Ora, porque perguntas, filho? Não percebestes ainda?
Te fiz que saibas amar e sofrer, em poesias completas,
Que Deus Eu seria se não deixasse a dor para os poetas?


José João
07/12/2.017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O silêncio que mais me dói.

Hoje não preciso ouvir nem dizer nada... nada,
Precisava apenas sonhar, mas não tenho mais sonhos,
Meus sonhos se foram por aí perdidos, loucos,
Procurando nem eu sei o quê. Se foram como sonhos
Bêbados, tropeçando no tempo que se arrasta lento
Trazendo coisas que nem lembrava mais, até nomes
Que estavam lá dentro, bem no fundo do esquecimento.
Hoje me sentei na beira do tempo, ouvindo o silêncio
Passar aos berros gritando que ia buscar a solidão,
Sorri um sorriso triste, desses sorrisos que não
Se quer sorrir, mas o que importava? Tanto fazia,
Sorrir, chorar, só não queria ouvir nada, pra quê?
Pra me lembrar que a culpa de estar só, é minha?
Disso eu sei... me fazer sentir remorsos por todos
Os adeus que não devia ter dito? Também sei...
De não ter mandado as cartas que escrevi?
Disso também eu sei. Pra que ouvir outra vez?
Mas de tudo que não queria mesmo ouvir
Era aquele silêncio que até hoje dói mais que todos...
Foi quando minha alma gritava te amo e...
Deixei o silêncio tomar conta de mim...
Foste embora, esse é o silêncio que mais me dói.

José João
05/12/2.017



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Sem lágrimas também se chora.

As vezes, mesmo sem lágrimas, chorar é preciso,
Quando a alma não aguenta mais tanta dor,
Quando a saudade não supre mais a ausência,
Quando a solidão não permite mais sonhar
E nenhum sonho vem para aliviar a angustia.
Os soluços que se vão ao tempo, levando
Nomes, histórias, brincando de fazer eco
Na tristeza mórbida que toma conta da gente.
Por vezes, os olhos tão secos por tão vazios,
Nem têm mais lágrimas para chorar, perdidos,
Se põem a tentar ver horizontes que nem existem,
Pensamentos chegam avulsos sem nada dizer,
Silenciosos como se pensar fosse pecado.
Dói para sempre um adeus dito em silêncio,
Sem acenos, sem lágrimas pela tanta dor.
Não sei qual de nós partiu ou ficou, só sei
Que o sentir é como se a vida se recusasse
A ser vivida, como se a tristeza fizesse viver
Sem se viver. Nessa horas é preciso chorar...
Mesmo sem lágrimas

José João
04/12/2.017

domingo, 3 de dezembro de 2017

Teu adeus me ensinou amar.

Agora que te perdi tenho todo o tempo do mundo
Para sentir tua saudade, chorar tua ausência...
Me perder em pensamentos vazios, tenho tempo agora,
A solidão me dá todo o tempo do mundo, as horas
Passam lentas, se arrastam com se quisessem
Deixar toda a tristeza aqui comigo, só pra mim.
Agora que te perdi é que te encontro dentro de mim,
Nessa loucura descabida de preencher esse vazio
Com essa tanta e tão doída saudade que deixaste.
Se há de haver eternidade num sentir tão intenso
Que seja a saudade a faze-lo infinito e eterno.
Agora que te perdi, não tenho mais medo de te amar,
Tudo, apesar da dor que sinto, ficou mais simples,
Não tenho mais medo de te perder, posso te amar
Como se minha alma fosse toda e apenas tua...
Só preciso aprender falar  baixinho comigo mesmo, 
Sem que ninguém perceba sem que ninguém escute,
Sem até que eu mesmo me escute... basta apenas
Que sinta... para sempre sem nunca me permitir
Que um dia não seja mais teu. Teu adeus
Me ensinou amar sem o egoísmo dos amantes... 
Amar sem pedir, sem querer nada de volta.

José João
03/12/2.017

sábado, 2 de dezembro de 2017

Meu risonho e fingido sorriso

Num deserto de solidão, cheio de sonhos mortos,
Passo os dias brincando, fingindo de fingir viver.
Reticentes suspiros misturados em tantos prantos
Se fazem orações que só eu e a alma sabemos dizer

Nossos gritos se perdem na imensidão do silêncio
Se calam, emudecem, como se a voz tivesse medo
De contar para o tempo essa dor que a alma sente,
Esse mostrar-se frágil, ausente, triste por tão carente

As vezes penso em fugir, vagar no tempo, apenas ir
Mas comigo irão, e bem sei, angustias e saudades
Porque são elas agora as minhas únicas verdades

Por vezes vem um sorriso e logo os olhos reclamam
Porque ris? Perguntam. Agora também vais cantar?
Deixem-me, diz o sorriso, é só assim que sei chorar


José João
02/12/2.017

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Eu, você e minhas noites

Como as noites ficaram longas, tristes e vazias!
Como as horas se arrastam, quase param, ficam,
Não passam mais, se espreguiçam manhosas
Deitadas dentro da solidão que, em silêncio, faz
A noite muda, cheia de nada, brincando triste
Com os sonhos que a tristeza traz, sem remorso,
Sorrindo até chegar o alvor do dia que quase
Não vem. Me deixo ficar dentro dessa demência...
Fecho os olhos pra te buscar, pra te encontrar
E... te encontro, mesmo dentro da noite,
Em cada horizonte que minha loucura cria,
As vezes te encontro dentro de mim... sorrindo,
Outras, te encontro brincando  com minha alma,
Fazendo uma saudade que não sei dizer...
Só sei sentir e chorar. E quando me vens sutil,
Parecida com pranto, acariciando meu rosto! 
... Me beijando com gosto de lágrimas!
Minhas noites são assim, te trazem nos sonhos
Que nenhum dormir me permite sonhar.

José João
01/12/2.017

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Como se ainda estivesses aqui

Vesti-me com tua saudade e me fiz completo,
Me entreguei a viver apenas por nós dois
Fiz que minha alma aprendesse ser a tua
E tudo fosse sempre sem existir um depois

Fiz da solidão um mundo e nele só cabe nós
Não é esse mundo triste, de solidão vazia
Mas povoado de te... repleto do que fomos
Onde nossas almas se fazem de terna poesia

Beijos em suspensão brincam como criança
Até hoje nos procuram nesse mundo só nosso
Mundo de solidão alegre cheio de esperança

Com sonhos brinco de enlouquecer o tempo,
Eles trazem saudades que parecem de ontem
Até como se estivesses aqui nesse momento

José João
27/11/2.017

domingo, 26 de novembro de 2017

Ainda lembro de nós

Confesso, choro em silêncio tua ausência
Talvez nem saibas! O que de mim te importa?
Nem sabes que esse vazio, essa tanta carência,
Para a tristeza invadir a alma se fazem portas
 
Algumas vezes tento ler as cartas que ficaram,
Tão antigas, tão frágeis, até com letras perdidas
Parece que o tempo e saudade lhes bordaram
Ou foram as lágrimas por tantas dores paridas?

Não me preocupo mais em esconder o pranto
Choro em qualquer lugar, não sei mais fingir
Quando faltam lágrimas choro com meu canto

As vezes me lembro dos tantos versos que fiz
Todos eles sorridentes como criança aprendiz
Que não sabe porque ri e nem sabe o que diz.


José João
27/11/2.017


As vezes... nem sei de mim

Há dias que penso não querer mais ninguém,
Quando sinto que a saudade me basta, me toma
Os sentidos, me completa quando vem contigo.
Há dias que acho que a solidão é companheira,
Chega toda e plena e em silêncio me faz passageiro
Do tempo para te buscar lá dentro da alma.
As vezes penso,  quando estamos juntos, sozinhos,
Dentro da saudade que te faz ficar dentro de mim,
Passando por sobre o tempo, distâncias e ausência,
Que somos uma poesia inacabada de versos infinitos,
Que contam nossa história nas lágrimas que marcam
Meu rosto e fazem caminhos dos olhos até além
Dessa tanta falta de te, até onde estás, até onde não sei.
As vezes murmuro teu nome como se cada letra
Fosse um pedaço de saudade, um pedaço dos sonhos
Que até hoje insistem em enganar meus olhos, coitados,
Loucos sem mais saber o que vêm, até dizem
Que a solidão tem a cor do vazio e a saudade
Da cor das lágrimas.... as que choro. Mas as vezes,
Desculpa ...me sinto tão sozinho!

José João
26/11/2.017

sábado, 25 de novembro de 2017

Não tenho saudades novas

Nunca aprendi dizer adeus, aprendi ouvir,
Ficava dentro do meu silêncio, mudo, sem voz,
Aprendi a chorar os adeus que tanto ouvia...
A senti-los na alma, a fazer-me sombra de mim,
A fazer que  ela chorasse em prantos doloridos,
Em soluços e murmúrios reticentes a se fazerem
Meus silenciosos gritos de angustia e carência.
Nunca aprendi dizer adeus, nuca tive voz 
Para tanto. Meus olhos fugiam em olhares
Distantes, covardes, buscando horizontes
Que nem existiam. Mas quantos adeus eu ouvi!
Alguns até hoje doem, machucam, ficaram
Como cicatrizes mal saradas que a alma tenta
Esconder dentro de saudades que me veem
Marcando o tempo, fazendo lágrimas novas,
Trazendo sonhos impossíveis de serem verdades.
Ainda sei chorar as saudades antigas, distantes,
Que me dizem de amores que vivi, de sonhos
Que sonhei. Dói muito, mas dor bem pior,
É saber que não tenho mais o que me faça
Sentir saudades assim...

José João
25/11/2.017

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Preciso de você

Preciso de você, muito mais do que precisei
Ontem, bem menos do que vou precisar amanhã.
Não importa a distância, eu apenas preciso...
Tanto... que te faço minha maior saudade
Para que possas estar sempre dentro de mim.
Engano a alma rezando baixinho teu nome,
Mergulho nos momentos que foram vividos
E assim, faço de cada um deles, um pedaço...
Completo de nós dois... preciso ficar atento
Quando o tempo te traz, lento, sem alarde,
No silêncio de um sentimento tão presente
Que o esquecimento não se atreveu a fazer
Esquecer. Te ponho dentro de todos os meus
Amanhãs. A saudade, minha amiga que é,
Não permite tua ausência, e como magia,
Quando ela vem, vem trazendo teu perfume
E rio, e choro, e grito teu nome ao tempo...
Preciso de você dentro dessa saudade
Para que não me faltes em nenhum amanhã.
Afinal... preciso viver.


José João

24/11/2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Os braços de minha saudade

Nunca escondi as tantas dores que sinto,
As lágrimas que choro por ausências
Que me encheram de vazios e angustias,
Sempre escrevi versos, alguns molhados
De lágrimas, outros encharcados de prantos,
As vezes um sorriso fingido, uma palavra
Que, nas entrelinhas, fingia-se verdadeira.
Nunca escondi essa saudade que sinto...
Que me vem desde a alma e me toma todo,
Tanto, que até os olhos gritam em silêncio
Nas lágrimas que choro. Minha saudade!
Tão bonita que criou braços coloridos,
Cheios de flores, apontando para o céu
Como se para ele rezassem uma oração.
Os braços de minha saudade parecem
Querer toca-lo, acho que em vã tentativa
De mostrar a Deus que existo, que choro,
Que sinto e que o clamor de minha alma,
São por eles levados ao tempo, no caminho
Do infinito, na beleza colorida das flores que, 
Inocentes, até alegram  a tristeza que choro.


José João
21/11/2.017

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Meu baú de relíquias

Revendo velhos guardados, meu baú antigo,
Cheio de relíquias, retratos amarelados,
As pessoas sempre com o mesmo sorriso,
Desde muito tempo, poesias inacabadas,
Cartas não enviadas, me encheram de duvidas,
Como estaria hoje se as tivesse enviado?
Cartas recebidas que não faziam mais sentido,
Mas em algumas delas, encontrei pedaços
De mim, encontrei sonhos, momentos
Já esquecidos. Encontrei até lágrimas novas,
Sim, lágrimas novas que me vieram aos olhos
Trazidas pela nostalgia, pela saudade...
Percebi o tempo que perdi, tanto foi minha
Falta de tempo que agora ele me faz falta.
Revendo meus guardados, chorei, sim...chorei
Senti falta dos carinhos que me ofereceram
E eu não quis, senti saudade dos beijos
Que não dei, senti uma angustia tão doída!
Tinha uma carta que dizia: ainda te amo...
Eu li e não ouvi, agora me doeu tanto...
Como será que ela está? Amando, será?
Eu estou aqui, nessa solidão que procurei
Pra mim...nunca mais abro esse baú...
Dói tanto!


José João
20/11/2.017


domingo, 19 de novembro de 2017

Não sei fingir chorar.

Me perdi entre minhas mentiras e medos
Contava pra alma histórias inventadas.
Pra ela, escondia meus tantos segredos
Em poesias que ficavam sempre inacabadas

Mentia nos versos contando o que nunca senti
E sorria sorrisos falsos no mais fingido brincar
Lia até estrofes que, na verdade, nunca escrevi
E sorrisos!! Quantos deles brinquei de inventar!

Inventei sorrisos, histórias, versos e poemas
Invetei até palavras que eu nem sabia falar
Mas as lágrimas... essas nunca pude inventar

Quando me vinham juntas saudades e dores
Quando o vazio da ausência faz a alma gritar
Aí é verdadeiro o pranto e... todo esse chorar.


José João
19/11/2.017


Quando a tristeza me fez sorrir.

Sempre, quando o silêncio de tua ausência
Me afoga em lágrimas,  a saudade me vem,
Traz com ela pedaços de sonhos, de momentos, 
Que insistiram em ficar guardados na alma.
Algumas vezes me faz murmurar teu nome
Como oração, a mais completa que sei rezar,
Outras vezes, quando a dor é bem maior,
São gritos desesperados, blasfêmias ditas,
Gritadas ao tempo como se pecar fosse preciso.
Ontem mesmo ousei perguntar pra Deus,
Porque ninguém me diz da dor que sinto?
Porque esse silêncio que minha alma ouve
Sem nada mais ouvir? Porque a solidão
Grita comigo onde quer que eu esteja?
Sem respostas, mas aprazou-me sentir
Uma lágrima triste, que a tristeza, alegre 
Pintava no meu rosto, encontrar nos lábios
Um sorriso, ela, a tristeza foi-se como louca
Entre os vazios, sem saber que nos lábios
Era um soluço se fingindo se sorriso.
Até eu ri...

José João
19/11/2.017


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Meus sonetos

Escrevo sonetos quando minhas lágrimas
São poucas e cambem em versos curtos,
Quando a saudade declama versos mudos
Quando o tempo e meu sentir se fazem surdos

Escrevo sonetos quando a dor brinca comigo,
Quando finge que é  tristeza, mas é saudade,
Vem sozinha, cambaleando em passos bêbados,
Se fazendo dor de chorar, mas... é só um arremedo

Meus sonetos, alguns inacabados por falta de mim
Outros, por vezes, nas entrelinhas gritam tristes
Coisas que, nem sei porque, ainda em mim existe

Mas se são poucas lágrima ou se a dor é menor
Se cabem dentro de um soneto que se escreve
Ele que se faça assim, livre, solto e leve.

José João
15/11/2.017



Noite

À noite, sob os acordes de uma canção silenciosa
E triste que a saudade canta dentro do peito,
As lágrimas, tal pingos de luar, brilham no rosto
Como divinos versos que a alma declama 
Em plena solidão, como se esta fosse o palco,
A inspiração e a ouvinte. O luar se derrama,
Carinhoso, sobre a relva, o vento brinca
De fazer dueto com o farfalhar das folhas,
A saudade se faz maior, traz uma ausência
Que sufoca, apesar do carinho da noite
Em trazer sonhos antigos e fazer sonhar
Sonhos novos. Me perco num devanear
Choroso, as vezes cheio de saudade de mim,
Outras vezes em sorrisos tímidos lembrando
O que já vivi e senti. Um raio de luar,
Passando por entre as folhas das árvores
Se chega perto de mim, e fica em silêncio,
Deitado comodamente me convidando
Para contar estrelas, levanto os olhos
E... lá longe, lá no alto, uma estrela cadente
Passa risonha querendo levar meus pedidos,
Mas só lhe contei meus segredos. Ah! Noite!
Sempre se fazendo espaço para a solidão
De cada um

José João
15/11/2.017