segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Vivo tua saudade

Eis-me aqui, prostrado aos pés do teu silêncio
A fazer-me mudo gritando com a pobre alma
Essa tanta dor que não vês, por ser tão minha
E que dentro de mim cruelmente ela caminha.

Com os restos de teu olhar me banho todo
Com as migalhas de teu sorriso me consolo
Oh! Amor! Louco e febril a fazer-me demente
A esquecer-me sem orgulho se ainda sou gente

Atiro-me ao pensar, ao sonhar em vago tédio,
Mas te busco como fosses vida e não me nego
A ver-te como fosses da morte o meu remédio

Nessa loucura, em toda ela, existe uma verdade
Que não calo e grito no mais íntimo de mim
Que vivo ainda estou...  por viver tua saudade

José João
31/08/2.015








domingo, 30 de agosto de 2015

As orações que rezei

As Ave-Maria que rezei, acho que se perderam...
Se foram ao vento, se foram com as nuvens...
Se foram com a minha desesperança, por entre caminhos
Perdidos, rotas sem rumo, se perderam talvez,
Até mesmo dentro da minha pouca fé, acontecida
Depois de tantas perdas, tantos adeus, tantos sonhos mortos!
As orações, as antigas, foram rezadas em perene contrição,
As orações novas foram ditas, como ladainhas
Que se canta quase que num murmurio, rezei...
Até orações inventadas, pela tanta angustia de vazios
Deixados por ausências que até agora se fazem vivas.
Rezei recitando nomes que até hoje marcam a alma...
Rezei com olhares perdidos em pensamentos idos
Por horizontes que se fizeram apenas lembranças...
Rezei com gritos que se faziam eco entre minhas dores...
Rezei, no silêncio de mim, entre convulsivos soluços,
Por saudades sentidas na alma, marcando o tempo,
Contando histórias que nunca foram contadas
Com palavras, foram apenas sentidas e caladas
Como se assim enganasse a dor para não doer tanto.


José João
29/08/2.015


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A dona de mim

                             A casa está tão deserta! Não fosse essa saudade
Estaria vazia...tua ausência se acomoda nela toda,
Se faz sombra, entra nos quartos, no jardim,
(agora sem flores) Brinca com a solidão,
Atiça o silêncio a calar-se ainda mais, e mudo
Fica até o pensamento, como se estivesse demente,
Sem uma lembrança para trazer, um fragmento
Que não se tenha ainda perdido no esquecimento,
Mas nada, apenas o vazio, uma vontade de chorar,
Como se apenas isso, nesse momento, fosse preciso
Para viver. As lágrimas, atrevidas, se atiram no chão...
Parecem loucas, como se quisessem voar,
Gritar, marcar meu rosto em caminhos molhados
Como se assim despertassem os sonhos que...
Coitados, se perderam dentro dessa ausência
Que se faz tão viva, tão grande, como se apenas ela
Pudesse habitar em mim, como dona, ou senhora.


José João
28/08/2.015


Loucura? Talvez

Te amei, com ternura em doce anseio,
Te dividi em minha vida, meio a meio
Metade de mim és tu, a outra metade...
A outra metade é essa toda tua saudade

Te vejo nas luzes de estrelas distantes
Como fossem lembranças que nunca perdi
E essas dores agora bem mais constantes
Me deixam ainda... bem mais perto de ti

As vezes, em sonhos, te vejo voltando
Numa estrada de nuvens, vindo brincado
Tudo é tão verdadeiro... acordo chorando

Converso com a noite, com tua saudade
Já, no alvor da aurora, ainda sonho contigo
E na minha loucura...te vejo comigo


José João
28/08/2.015










sábado, 22 de agosto de 2015

Nunca estive só...sem uma saudade


Ah! Como  vivi! Como amei! Como gritei te amo,
Sem medo dos amanhãs, nem das lágrimas...
Amei muito e intensamente, sem medo de ouvir adeus,
De me perder em estradas vazias quando tivesse
Que caminhar sozinho, quando o eco do meu próprio
Silêncio me acompanhasse e o tempo dizendo baixinho
Que, outra vez, estava só. Caminhei meus passos...
Fiz marcas nas estradas, as vezes de mãos dadas
Colhendo as flores das margens, olhando o tempo
Nos olhos de quem amava. Outras vezes sozinho...
Com medos e incertezas mas flutuando nos meus sonhos
De amanhã ser um outro dia... mas amei...amei tanto
Que o amor me fez assim, como se fosse uma poesia,
Que nem alegre, nem triste...apenas uma poesia
Que voava ao tempo por vezes entrando em corações
Vazios, outras vezes como um mero pensar...
Mas sempre amei, intensamente, sem deixar vazios,
E quando sentia-os perto vinha a saudade...
As vezes, chorando com minhas lágrimas 
Outras fingindo sorrir com meus sorrisos...mas
Nunca fiquei só, sempre havia alguém dentro... 
Da saudade, dessa saudade que é só minha 


José João
22/08/2.015

Ah! Como brinquei de viver!

...Já brinquei de viver, trocando carinhos com o tempo,
Brincando de ser criança, depois brincando de ser amante...
Brinquei de viver, vivendo entre tantos amores, 
Sem medo dos dias, sem medo de ser, de ir ou de vir.
Brinquei de fazer esperanças, fazer promessas...
De jurar momentos ou sentimentos que nunca senti.
Ah! Como brinquei!! Hoje vejo o tempo passando
Sem pena de mim, meus olhos buscando sem ter onde ir,
Voz reticente sem saber dizer as palavras que um dia,
Talvez por vaidade,  não sei, nunca quis falar.
Hoje é esse medo de mim...esse medo dos amanhãs...
Desse vazio que deixei ficar, que me cerca, sufoca,
Que grita em silêncio o que perdi, o que deixei para traz.
Os caminhos que percorri envelheceram, se perderam
No meu próprio esquecimento, ficaram sem rastros...
Que se apagaram na memória, se foram como vento...
Agora perdido, sem palavras para ouvir ou dizer,
Sem  mesmo saber para onde ir, que horizonte seguir,
Me perco nas recordações  do que tive e...perdi.

José João
22/08/2.015





sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Hoje as palavras fugiram de mim

Não sei o que está acontecendo comigo, com as palavras,
Chegam saudades, chegam lágrimas, o vazio se faz infindo
Dentro de mim, se faz maior que eu, os momentos 
Se arrastam preguiçosos, histórias vividas, hoje perdidas
Me chegam em tantos fragmentos que misturo lembranças,
Troco nomes, choro dores que já não eram para ser choradas,
E as palavras...essas se perdem no tempo, fogem de mim,
Se escondem da minha vontade de escrever versos...
Contar essa angustia que sinto agora, gritar na poesia
Essa tristeza que preciso esconder para, pelo menos, fingir,
Mentir pra mim mesmo que isso não é dor...é só saudade.
Meus pensamentos se perdem na confusão do tempo,
Me perco nas datas, nos dias, e as angustias sentidas
Se fazem de sempre... a alma chora qualquer dor...
Como se importante não fosse chorar a dor que sente
Mas apenas chorar, como se assim, no meus rosto,
As lágrimas escrevessem em silêncio, as poesias
Que as palavras se recusam  escrever


José João
21/08/2.015


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Que esse hoje...seja apenas hoje

Hoje, não sei porque... meu olhar está cor de tristeza,
Meu sorriso com gosto de lágrimas, os pensamentos
Perdidos no vazio de mim...na demência de uma saudade,
Uma saudade que grita, que sufoca, que silencia
Até os soluços que choro. Uma ausência do tamanho
Do mundo me tomou o tempo, invadiu minha alma,
E lembranças de um adeus dito sem palavras,  
Apenas com um olhar cheio de nãos, cheio de nunca mais,
Gritavam eloquentes um adeus que não podia ouvir...
Só sentir. E uma dor, maior que qualquer dor...
Dessas que não se sabe dizer, que não tem  palavras
Para explicar, brincava de fazer doer até a vontade
De viver. Silêncio e solidão se faziam donos do tempo,
Num cruel brincar de fazer os lábios se contorcerem
Num arremedo de riso que mais parecia um chorar,
Um clamar, um pedir em desespero, até em orações
Perdidas, orações que não se sabe nem rezar,
Que o hoje, fosse apenas hoje, não se fizesse de sempre.

José João
17/08/2.015









quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Para amar...basta estar vivo


Na noite silenciosa, a solidão, acostumada com a escuridão,
Caminha calmamente sem medo de se perder de mim.
Como se para me proteger, a saudade corre a buscar sonhos,
Buscar pensamentos povoados agora por pequenos pedaços,
Fragmentos que ainda não se perderam no tempo...
E me chegam como restos de primavera onde as flores
Se despedem tristes, se vão ao vento e só o perfume
Sutil, suave e frágil fica perfumando o prado, 
Assim como essa saudade que fica na alma, coitada,
Suave, frágil e sutil querendo espantar a solidão.
E uma dor que chega... e nem sei se é mesmo dor 
Traz uma ausência que me faz ser ninguém, me faz ausente
De mim mesmo em um pensar demente de não querer ser eu.
Mas em um suave vagar, como fosse uma bruma 
Leve e silenciosa, me chega aos poucos uma imagem...
Vem vindo lentamente enchendo a noite, tomando forma,
Alegrando a alma, me fazendo escrever versos
Com lágrimas, me fazendo o silêncio gritar um nome...
E o coração recitar poesias que nunca escrevi
Num pulsar eloquente como fosse um grito de dentro
De mim dizendo: Ainda estou vivo...ainda amo.

José João
13/08/2.015






sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ah! Essas palavras!!!

Te perdi entre meus medos, descabidos e ilusórios,
Te perdi por razões que nem sei se existiram...
Te vi ir sem nenhum adeus, sem nenhum olhar...
Na verdade nem te vi ir...apenas senti te perder...
Não ficaram caminhos...nem passos, só marcas...
De profundo pesar e pesada tristeza na alma,
Que viveu dias de pesadelo intenso e dor sem fim...
Te perdi quando eram mais perfeitos os sonhos,
Quando a necessidade de ser feliz se fez mais forte...
Não entendi as palavras que eu mesmo disse...
Não entendi as insensatas razões, hoje sei, loucura.
Hoje os dias ainda são cheios de tua presença...
Já não dói tanto a tua ausência, mas tua saudade!
Continua trazendo dias, momentos, e que momentos!
Não os deixei ir, embora não os viva mais...
Algumas vezes, é bem verdade, se fazem lágrimas, 
Outras vezes ouço palavras que penso tuas...
Tudo, hoje vejo, foi tão divino que só uma saudade
Como essa que as vezes sinto, poderia ser
O fim de uma história que ainda hoje, em mim,
Continua viva, cheia do que ainda não passou.

José João
31/07/2.015


Estranho...esse estranho amor

Louco amor esse, me desperta na madrugada
Me ensinando poesias que nem sei escrever
Me faz que seja dor o que tanto choro e minto
Me faz que seja riso, chorar essa dor que sinto

Estranho amor que me marca a vida e a alma
Me faz ser sonhos que nunca ninguém sonhou
Me toma todo de mim em perdidos devaneios
Que  fazem sombrios, os medos e meus anseios

Em perdidas razões que se fizeram descabidas
Como se tudo fosse nada mais que nada ser
Como se só a alma visse o que não se pode ver

Estanho amor que insiste em não ser adeus
Que  perdido no tempo nem sabe se aconteceu
E entre tantos esquecidos o mais perdido sou eu


José João
31/07/2.015






quinta-feira, 30 de julho de 2015

Uma história que não sei

Te amo, tanto que não sei como dizer
Te preciso, tanto que não sei como viver
Se porventura houvesse tempo a conferir
Não  lembraria, desde sempre te conheci

A que tempo e de onde o que importa?
És uma oração, a Ave Maria que aprendi
Se te vi? Em sonhos...não sei, não lembro
Mas me sinto todo, completo e repleto de ti

Se sofro por tanta falta, diz-me o que resta?
É a Ti, ó Deus, respeitoso... mas pergunto
Se escreves todos os destinos, que fizeste?
Nos separaste, não nos deixaste ficar juntos!

É justo sofrer assim? Pelo tanto que eu amo?
Beber as próprias lágrimas, juro, não reclamo
Mas fazer-me amante, órfão do próprio amor
Sem que escutes meu desesperado clamor!

Assim fazes que me seja dado a rebeldia
De ousar, a Ti, levantar a voz aos gritos
Não por falta de respeito e bem sabes
Mas pelo desespero, desespero dos aflitos

Me fazes chorar dolorido e queixoso  pranto
Como fosse um pássaro perdido de seu ninho
Que é só queixume a beleza de seu canto
Chora a dor de agora cantar e ser sozinho

Não me poupes se é sofrer o que me resta
Mas não me prives de sentir essa saudade
Viver esse sonho que nem sei se eu sonhei
Ou essa história que se um dia vivi...não sei

José João
30/07/2.015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Amor e poesia.

Amar...já amei tanto, até sei quando o amor acontece.
O amor acontece quando duas almas são a mesma poesia,
Quando escrevem seus sonhos num mesmo verso...
Quando nas entrelinhas da poesia vivida, os olhos...
Dizem, em suave silêncio, o que as palavras 
São poucas para dizer, ou falar não faz nenhum sentido.
Amar é quando o coração escreve cartas silenciosas,
Quando os olhos sorriem em alegres lágrimas,
Quando as lembranças de qualquer momento vivido
Povoam o pensamento. É sentir as mão tremerem,
O pulsar mais forte, a ansiedade se fazer sede
Quando a hora do encontro se aproxima sem o tempo
Querer passar. Amar é sentir a vontade de estar perto,
É sentir as quatro, saudade do que aconteceu as três.
Ah! Quanto amei!! Até inventei sorrisos de felicidade,
Os meus, para os tantos momentos, se fizeram poucos.
Amar é nunca estar só, é sempre estar perto...
Ou em sonhos, ou em pensamentos, mas nunca só,
É afugentar a solidão com um único pensamento...
Espantar a tristeza com um único sorriso...
Amar ...é cultivar carinhosamente um saudade,
Para amanhã ter do que lembrar, e mesmo triste...
Sorrir.


José João
27/07/2.015





sexta-feira, 24 de julho de 2015

Brincando de ser eu

Hoje não quero escrever versos, nem poesias,
Não quero buscar rimas, nem sonhos, nem saudades,
Quero apenas ver o tempo, mesmo sem nada ver,
Porque os olhos choram e o olhar não vai além de mim,
E o pensar... se fez vazio em loucura demente.
Os versos ficariam perdidos em poesias inacabadas,
Que não diriam nada, apenas se fariam lamentos
Como se as palavras fossem os prantos que choro,
As rimas se perderiam no som opaco do silêncio,
Cheio de tristezas onde nem as lágrimas brilhariam,
Nem diriam nada, pois a alma muda, só sabe chorar.
Hoje não quero escrever versos, quero ficar aqui...
Dentro de mim, sentado na esquina do tempo
Sem direção, sem sentido, sem rumo...sem ir.
Quero ouvir a brisa suave cantando uma sinfonia
Que não sei, brincar de imaginar o que as nuvens
Desenham no céu, fazer rabiscos no chão
Que nada querem dizer, sem sentido, sem razão,
Só mesmo para ter o que fazer sem nada fazer.
Hoje não quero escrever poesias, só quero brincar...
Brincar de ser...eu.


José João
24/07/2.015





sexta-feira, 17 de julho de 2015

Desde e...para sempre

Todos os sonhos que sonhei eram teus...todos teus.
Todos os caminhos me levavam a ti... todos eles
Te fiz o melhor pedaço de mim, o mais completo,
Como se fosses minha luz, meu mais perfeito sol.
Brinquei de fazer poesias...sorridentes, cheias de ti, 
Alegres como teu sorriso, ternas como teu olhar...
Me fiz poeta para contar nossa história repleta de nós,
Inventei palavras, desenhei momentos, perdi medos,
Me reinventei para ser todo e completamente teu,
Não havia distâncias, a saudade era apenas a de ontem
Que já hoje  não era mais saudade...eramos nós,
Cheios de nossas vontades, desejos, verdades...
Todos os ontens eram deixados para trás, esquecidos
Por serem muito menos que hoje, que já nascia
Sabendo que  amanhã os sorrisos eram mais...
Os olhares, a vontade de nós dois, seriam sempre mais
Porque todos os amanhãs seriam mais perfeitos,
Mais completos, mais bonitos, mais...muito mais tudo...
Te fiz minha mais doce canção, poesia de perfeitas rimas,
Me vesti de ti, desde sempre... até nessa saudade de agora

José João
16/07/2.015







quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uma história sem fim

Se um dia me contassem minha própria história...
Sentiria pena de mim, não senti por não ter tempo, 
Estava muito ocupado com os prantos, com as dores,
Com a tristeza quase mórbida que povoava meus dias,
Ocupado com as angustias, constantes companheiras,
Com a solidão parida por um adeus que gritou alto
Dentro de minha alma. Não tinha tempo de sentir
Pena de mim...viver o momento não me permitia...
Viajei por noites...engolindo prantos, soluços...
Em tanto silêncio que respirar era um grito dolorido,
Percorri caminhos cheios de vazios e perguntas...
Povoando o pensamento com temores, revoltas,
Pedaços de dias onde esperança e lágrimas
Se misturavam e se buscavam dentro de mim.
Perdi...perdi pedaços completos  que ainda hoje
Se fazem mais que dor, que pesadelo, que ausência,
Se fazem pedaços perdidos de minha alma...
Fazendo a saudade ser igual a dor que não passa.
Ainda hoje se me contassem minha história
Sentiria pena de mim, só não sinto porque 
Ainda a estou vivendo... apesar do tempo.


José João
14/07/2.015



terça-feira, 14 de julho de 2015

Só na poesia a saudade é bela.

Ah! E se não houvesse  saudade!? Que linda ela é!
Há quem diga que ela é um pedaço de nós que se foi,
Mas  por incoerência divina, ficou dentro da gente
Como se fosse uma magia que ninguém pode explicar,
Outros dizem que a saudade é uma verdade que mostra
Que valeu a pena viver os momentos que nos marcam...
Que nos fazem rir ou chorar quando lembrados...
Dizem também que é a saudade o único sentimento
Que pára o tempo, que traz de volta os sonhos,
Que nos faz sentir o prazer de termos sido felizes...
Ah! Essa saudade que nos toma, nos deixa dementes,
Com o olhar perdido no nada, olhos em lágrimas
Buscando imagens sorridentes que só nos fazem chorar,
Que nos deixa entre os vazios da perda e da carência.
Mas se a saudade não existisse de que serviriam
As lágrimas? Com que palavras se faria a poesia?
Como os prantos seriam contados? Teriam história?
Saudade...ah! saudade! Linda, contada nas poesias,
Rimando versos, se fazendo poemas...mas a saudade...
É linda apenas na poesia...na verdade ela é atroz,
Arde no peito, sufoca, espreme o coração,
Cala a voz e faz alma chorar os mais doloridos ais

José João
13/07/2.015



Até que uma saudade...

Nosso mundo...eramos só nós dois e o tempo,
A beleza, nossas verdades, eternas a cada momento.
Nossos sonhos já nasciam coloridos, cheios nós...
Onde nada além de nós dois fazia sentido...
Os olhares que nos diziam tudo no mais perfeito silêncio,
As palavras que se calavam por serem tão poucas...
Nossa voz vinha da alma, num falar doce, mágico...
Sem palavras, nossas mãos, em doces carícias,
Escreviam poesias completas em nossos rostos
Que se iluminavam com o brilho de um amor...
Tão perfeito que só na eternidade podia caber...
E foi assim....Tudo de repente ficou vazio, sem razão,
O silêncio foi quebrado por soluços, a voz da alma,
Antes doce magia, se fez rouca, em gritos e ecos
Gritados no desespero de dores agora infindas,
Os sonhos se contorciam em espasmos perdidos,
Sem cor, como fossem pesadelos que, nas noites
Cheias de vazio, se faziam fragmentos mórbidos
De uma tristeza sem tamanho...por não ter fim
Até que um dia, talvez por pena de mim,
Uma saudade...

José João
13/07/2.015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Agora lembro...já te esqueci

Tanto te dei, que tanto perdi e tanto chorei
Até meu sonhar, agora sei, pra ti foi tão pouco
Minha saudade, ais e suspiros, todos te dei
Pobre de mim ao te ouvir me chamar de louco

Louco por tanto, louco por tudo, louco eu sou
Se pisas minha alma, se ris do meu canto
Se zombas do canto que minha alma cantou
Não Importa! Todos sabem que louco eu sou

Se a porta se abre, o mundo se fecha, onde entrar?
Com teu sorriso, que porta, que mundo se pode abrir?
Se é sorrir por sorrir, se é chorar, onde ficar?
Se parado, ou se sobre o tempo poder caminhar

Caminhos perdidos, por sonhos vencidos, e vividos
Em loucuras doentes, vontades dormentes, dementes
Que fazem voltar, e no espaço perdido fazem chorar,
Que importa se louco! Agora preciso e só quero gritar.

Queres que grite? Um nome? Grito, não vou te chamar
Fantasma tristonho seria teu nome, seria lembrar
De beijos molhados, corpos suados, teu sussurrar
Ou mesmo gritando em prazer incontido: Quero te amar!

Que louco eu fui, se estou, ou se louco ainda  sou
Marcando teu corpo de beijo de gosto sem nenhum sabor
Na fronha uma flor perdida sem cor, o tempo apagou
Marcando a vontade do corpo desnudo que a vida marcou

Caminhos perdidos num corpo marcado por tanto prazer,
Se pisas minha alma, se ris do meu pranto, agora eu vi
Em loucuras doentes, vontades dormentes, dementes
Que agora me lembro...esqueci de dizer que já te esqueci


José João
(a pedido) 
publicado em 2.011



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Nem sempre fui triste

Ora mais! A mim me chamam de triste
Como se sempre tivesse sido assim
Rio-me tanto...por algumas vezes
Eu? Sempre triste!!...teria sido meu fim

É... sou triste, isto... até sei que sou
Mas não foi sempre que minha alma nua
Sangrou em lágrimas. Não foi, acreditem
Não foi a vida toda que minha alma chorou

Foi de algum tempo atrás, um adeus
Que me fez hoje ser como dizem que sou
Foram os lindos sonhos que um dia vivi.
Como não ser triste se nunca os esqueci?

Sonhos agora perdidos, sonhos mortos
Momentos que foram e não podem voltar
Nem posso vive-los como me fizeram viver
Fui feliz, sou triste por não saber esquecer.

Essa tristeza que dizem ver em meu rosto
Essa tanta vontade descabida de chorar,
Como dizem sempre sem nada me perguntar
São lembranças do quanto já pude amar.

José João
07/07/2.015







terça-feira, 7 de julho de 2015

Lágrimas também são poesias

 Lágrimas...lágrimas e lágrimas, são versos mudos
Que contam, no silêncio do tempo, a história 
De uma alma. São segredos gritados no rosto,
Sem que ninguém entenda, outras vezes são orações
Que se reza sem palavras, no angustiante desespero
De uma solidão que se faz tão perversa quanto viva.
Lágrimas também são belas poesias declamadas
Ou escritas num rosto triste, cheio de saudades
Que brincam de fazer os lábios se contorcerem
No rascunho de um sorriso que não passa 
De um soluço fingido, num morder de lábios
Que mostra  sutilmente a dor que se sente.
Lágrimas, poesias vivas, declamadas, gritadas,
Na eloquência de um silêncio onde só a alma
Pode ouvir e entender, é a tentativa de fazer-se
Sentida. As lágrimas são versos vivos...
As poesias são histórias verdadeiras que ninguém
Acredita que aconteceram...mas se escritas 
Com lágrimas, a dor mostrada pelos olhos dizem 
A  verdade da dor vinda da alma que a poesia...
...Conta... com lágrimas


José João
07/07/2.015





segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um pedacinho de poesia que...

Guardei um pedacinho de poesia, um pedacinho só,
Mas estava cheio de mim... não sei onde guardei...
Eram  dois versos completos...o começo da poesia.
Sei que coloquei dentro de uma saudade, mas...
Não sei mais qual saudade...se dos beijos...
Beijos que nunca dei por isso a tanta saudade,
Do olhar cheio de ternura que nunca troquei,
Por isso essa tão angustiante saudade...não sei...
Não sei se guardei dentro de um sonho
Que nunca sonhei, mas fica vivo dentro de mim.
Perdi meu pedacinho de poesia, dois versos inteiros...
Faz um falta! É como se tivesse perdido
Um pedaço de minha história, fica um vazio!
Busquei dentro de todas aquelas saudades...
E de mais outras mas...não encontro...me dói.
Esses pedacinhos de poesia vieram a mim
No por do sol de ontem, chegaram mansamente
E ficaram gritando em meu pensamento...
Guardei tão bem guardado, dentro de uma saudade,
Que não sei qual. Assim, hoje não escrevo
Minha poesia...vou ver se lembro os pedacinhos 
Que perdi, cheios de mim.

José João
06/07/2.015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

As tantas metades de mim

Metade de mim é ...risos
A outra metade é...pranto
A metade riso nada mais é
Que tristeza fingindo encanto

Metade de mim é saudade
A outra metade ainda não sei
Se é os sonhos já sonhados
Ou é sonhos que não sonhei

Uma parte de mim é silêncio
Protegendo meus tantos segredos
Das vontades perdidas e mortas

Sou uma mistura inconstante
Escondendo as metades de mim
Como fosse o que não mais importa.

José João
03/07/2.015


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Almas sozinhas

- O que nos separa não é a distância
   E na verdade, nem os caminhos
  O que nos une não é a vida...
   É simplesmente sermos sozinhos

   Minha busca é árdua...onde estou?
  Talvez tão longe e de mais ainda vim
  Entretanto nada sob o céu tem fim
  A esperança é eterna e existe em mim

  Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre, de cantar risonho
E em belos versos em ti me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes
Se dela falas...me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda é até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
E haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! E chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar, falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto de vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita


José João
publicada em
14/08/2.011
(reedição, a pedido)


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Era uma vez...

Era uma vez um amor...um amor que parava o tempo,
Que brilhava como se fosse as estrelas, 
Servia de inspiração aos pássaros que inventavam
Acordes em gorjeios divinos para fazê-lo inesquecível,
Um amor tão grande que o próprio silêncio gritava
E atirava-se sorridente ao  mundo dizendo: O amor existe!
E o eco repetia incontáveis vezes: O amor existe...
O amor existeeee...! Os sonhos se faziam verdadeiros,
Se faziam caminhos  entre as almas e os corações
Levando recados cheios de ternura, e eles...
Corações se almas, se faziam de apenas um...
Se abraçavam tão ternamente que se faziam um só corpo
Como nada mais fosse preciso. Existiu um amor assim...
Tão forte que, por vezes, o próprio amor se confundia...
Não sabia se ele era o amor, ou se era os amantes.
Um amor que por ser tão único...tão grande
Tão maior que tudo, até mesmo que a vida, 
Só podia começar assim: Era um vez um amor
Que juntou dois corações, deles fez apenas um,
Entrou, fez morada, e ficou para sempre até que...
Um dia...entre os humanos a única perfeição 
Que a eternidade permite é a...saudade. 


José João
29/06/2.015



domingo, 28 de junho de 2015

Um estranho dentro de mim

As vezes me sinto um estranho dentro de mim
Tão pequeno e tão pouco, tão cheio de nada,
Tão cheio de silêncios, de vazios que me tomam,
Me fazem perder-me de mim mesmo, como fosse
A loucura de não saber-me quem sou ou de onde vim.
Me sinto perdido entre perguntas e carências...
Entre sonhos e verdades fingidas...entre caminhos
Que nunca vi, mas sei que existem, vão para algum lugar.
Onde? Não sei. As vezes me perco em devaneios
Descabidos, incoerentes, falando palavras soltas,
Buscando sonhos que se haviam feito mero esquecer,
Mas de repente, e estranhamente, me vêm lúcidos,
Sempre cheios de restos de mim...ou de quem sou.
Não sei esse estranho que habita em mim...
Que chora sem ter vergonha de chorar, que ama...
Sem medo dos amanhãs, que chora copiosos
Prantos se tristeza ou saudade permitem, sem medo
De ser ridículo...mas as vezes...me sinto um estranho
Dentro de mim ...quando um eu grita: Chega
Dessa desvairada utopia de querer se feliz...
As vezes sou um estranho dentro de mim.

José João
28/06/2.015






quinta-feira, 25 de junho de 2015

Onde vou me (te) encontrar?

...Me fiz andarilho a procura de mim mesmo,
Corri entre meus sonhos, me busquei no tempo...
Voei (em pensamentos) por entre coloridos horizontes,
Fiz rota por entre estrelas...perfeito andarilho...
Sem rumo, indo por qualquer estrada, vereda...
Qualquer caminho que me levasse ainda que fosse
A lugar nenhum. Ia desafiando meus medos,
Meus anseios, sussurrando canções sem sentido,
Gritando para ouvir o eco de minha própria voz
Para que o silêncio não se fizesse senhor de mim.
Quantas vezes sentei para conversar com a noite,
Ouvir seu silêncio e lhe contar minhas histórias...
Que calada, assim como ela é, me ouvia paciente,
Até quando o alvor da madrugada começava
A esconder as estrelas, a acordar os jardins...
E lá ia eu a procura de mim...passos lentos,
Sem pressa, sentindo sem ver o amanhecer
A esticar-se ao tempo a levantar-se da noite
E tomar conta da vida. Só me importava caminhar...
Ir a procura de mim...mas sei que só te encontrando
Me encontro...onde será que estou?


José João
25/06/2.015






quarta-feira, 24 de junho de 2015

Para onde será que vão os anjos?!!!

Talvez eu esteja louco, não sei. Mas eu acredito...
Eu acredito em anjos...desses anjos que talvez 
Nem sejam divinos...sem asas, com inocentes
Pecados, mas com um olhar cheio de ternura...
Que fazem as palavras serem poucas e pequenas,
Que  perfumam as horas,  encantam os dias...
Fazem os momentos eternos, vivos para sempre.
Eu acredito em anjos, que têm a voz da brisa...
A doçura infinita de um sentimento cheio de beleza,
Desses anjos que deixam a alma repleta de paz,
Que não se fazem nem muito, nem pouco... 
Se fazem apenas a medida certa nos momentos...
Sabem falar e o que dizer se precisamos ouvir
Sabem nos envolver no silêncio se for preciso calar,
Se não podem  sentir a dor que se sente...tristes
Choram com a gente, nos põem no colo
Afagam nossa alma, buscam sorrisos, encantos...
Mas são anjos, nos ensinam a amar e se vão...
Não deixam rastros, se fazem sonhos...
Se fazem saudade...eternamente
(foi assim que minhas poesias ficaram tristes)


José João
24/06/2.015


Ainda hoje somos...eu

Nas noites, quando a voz do silêncio me fala de solidão,
Quando lágrimas silenciosas teimam em mostrar o sofrer
De uma alma carente, cheia de histórias e segredos...
(Segredos que nem o tempo sabe contar...)
Quando tudo se faz mais triste que qualquer tristeza...
E os suspiros e ais se fazem orações rezadas sem fé,
Que se vão sem rumo sem terem onde chegar...
Tudo parece tão pouco, tão sem sentido, sem razão...
Não fosse essa tua saudade que seria meu viver?
Com ela (a saudade) vens risonha, cheia de tanto 
Bem querer que me atento a te ouvir, a te sentir
Dentro de mim, de onde, é bem verdade, nunca saíste.
Meus olhos, no espelho, refletem minha alma...
Cheia, repleta de ti, onde até meu sorriso é o teu
A enganar-me o rosto e a te fazer-me eu.
Me tomaste de mim, te apossaste sem licença,
Descobriste meus tantos segredos, meus desejos
Tanto que não sei se foste minha, se fui teu
Ou se ainda hoje somos ...eu.

José João
23/06/2.015




As marcas na minha mão...são...

Quem nunca disse um adeus? Quem nunca sentiu
O peito contorcer-se em espasmos doloridos
Como se o respirar fosse um sacrifício e não chorar
Fosse impossível? Quem nunca sentiu um adeus
Doer na carne e o silêncio, num mórbido existir,
Gritar para que os olhos  falem pela alma?
E as lágrimas, tal palavras eloquentes mas  mudas, 
Blasfemem a dor que só quem ama e perdeu 
Sabe sentir e chorar.  Quem calou um ai
Quando a carência da perda se fez tristeza
E a solidão, senhora dos amantes de amores
Perdidos, se fez dona do tempo e dos pensamentos?
Matou os sonhos, encheu a vida de lembranças
Que, quando buscadas, só fazem chegar o pranto?
Quem nunca descansou a fronte entre mãos trêmulas
Cabisbaixo, olhar fixo no chão sem nada ver
Porque os olhos só sabiam fazer lágrimas?
Quem nunca cravou as unhas na palma da mão
Como fosse um desesperado e silencioso grito
Da alma dizendo: Não é preciso ser feliz
Para viver.Quem nunca fez isso...não sei...
Mas minhas mãos têm essa marca

José João
23/06/2.015


terça-feira, 23 de junho de 2015

Meus versos

Ora! A mim dizes que meus versos te tomam a alma,
Te invadem o ser, te fazem sonhos que não sonhavas
A mim  dizes que minhas palavras são pedaços de mim
Que se vão em tua alma como poesia que não tem fim.

Ora! Mas...como saber-me tanto na prosa dos versos?
Que por vezes incompletos, dizem muito mais de mim
Que completas poesias escritas com um começo qualquer
Como fossem linhas corridas dizendo o que não se quer.

A  mim me dizes que de minha alma jorram poesias
Que de mim saem com a liberdade de um doce voar
Mas como sabes? Vai ver dentro de mim...se puderes
Verias que os versos...ah! É minha maneira de chorar

Ah! Quantos sonhos meus versos te faz alegre sonhar?
Quantas vezes, diz-me,  minha poesia já te fez cantar?
A gritar em suspiros, sentimentos que nem eu sei sentir
Cheia de tristes versos risonhos por tanto saber-me fingir

Mas se dizes que as poesias, esses rascunhos que faço
Te invadem toda, te tomam e chegam a beijar tua alma
Se até dizes que te deitas esquecida de qualquer cansaço
Que eles se façam,  nas noites, um terno e divino abraço


José João
22/06/2.014

sábado, 20 de junho de 2015

...é a saudade sorrindo pra mim

Nas noites, em todas aquelas em que a dor da perda
Faz a carência ser maior que a tristeza e solidão juntas,
Quando o eco de um silêncio cortante grita para a alma, 
Já em prantos, as histórias que fazem agora essa dor...
Como se fosse de um sonho, uma voz  me chama
Num suave murmurar, baixinho me sussurra o nome,
Procuro entre minhas lembranças e ... não sei...
Mas ela continua... contando ternamente coisas  
Que ninguém (a não ser eu) sabia, me debruço
Sobre o tempo (irritantemente lento) e paciente,
Ouço o que mais me parecem carinhosas palavras 
De alento na tentativa de fazer a noite menos longa,
De fazer a dor menos doída, de me fazer vivo.
Me atento ao que me é dito e parece de ontem
A história contada...sorrir e chorar se confundem
Não me parece mais que estou sozinho...na noite...
Corro no tempo, la atrás, e de lá trago pedaços
De momentos vividos, cheios  ainda de mim.
E a voz se fazendo ainda mais suave, mais terna...
Me diz: Agora dorme...vou ficar contigo...
Olho atento para dentro da noite e vejo...é a saudade
Sorrindo pra mim.

José João
20/06/2.015








quinta-feira, 11 de junho de 2015

Assim como os poetas

Estranha essa minha louca mania de viver assim...
Sorrindo com sorrisos que não são meus, 
Chorando com minhas lágrimas dores alheias,
Escrevendo versos cheios de tantas tristezas,
Tristezas que nem são minhas, e nem sei de quem,
As minhas... escrevo sorrindo, fingido ser verdadeiro
O sorriso que nem sei sorrir. Faço poesias
Cheias de mim...ou de histórias que nem vivi,
Nessas, finjo com minhas lágrimas a dor que não sinto,
Naquelas, nas gargalhadas, finjo alegre, num sorriso aberto,
Uma alegria que nem existe. Brinco de escrever versos,
De contar nas poesias coisas que só ela sabe dizer.
Se são minhas ou não as dores que conto, que importa?
As lágrimas são as mesmas, por isso nunca sabem
Se choro minha dor ou a dor alheia. Fingir é magia,
É o rosto mais perfeito de qualquer poesia...
As vezes o poeta  engana até a si mesmo,
Diz que não é dele o pranto, que a poesia que escreveu
Chora, até jura... cruzando os dedos nas entrelinhas
(e sorrindo baixinho com os olhos cheios de lágrimas)


José João


11/06/2.015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sonhos que nunca passarão de sonhos

Se um dia, como se por descuido dos deuses,
Um amor risonho, desses que se vê apenas nos devaneios,
Aquele amor com o rostinho rosado de um anjo,
Olhos vivos, alegres, buliçosos, com um doce sorriso
Inocentemente marteiro nos lábios , chegasse 
Dentro de minha alma e dissesse: Estou aqui...
O que eu faria? O que faria com essa saudade 
Descabida que me faz escrever versos? 
O que faria com esse medo, que até hoje 
Aquele adeus me faz sentir, chorar,
O que faria com essa vontade de ser feliz outra vez?
Ah! Esses meus temores! E se ele insistisse em ficar?
E fosse apagando sonhos antigos,  fosse apagando 
Os rastros nos caminhos percorridos agora com restos
De sonhos e pedaços de mim? O que eu faria?
O que faria com essas tantas lágrimas guardadas,
Que a saudade e solidão me fazem, nas noites 
Sem hora para terminar, derrama-las em silêncio?
...Mas que pensamento esse meu?! Até me faz parecer
Criança que o tempo esqueceu de cuidar.


José João
10/06/2.015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

As doloridas brincadeiras da vida

Nunca me olham nos olhos sem perguntarem:
Porque teus olhos são tristes? Não sei...
Dificilmente os vejo - respondo - sinto-os
Quando a tristeza faz a alma triste perder a voz,
Quando as lágrimas, cantando em prantos vivos,
Se fazem palavras mudas contando o que só sei chorar.
Talvez sejam lamentos pelo tanto amor que já vivi,
E que se foi... e como rastro deixou essa saudade
Desmedida, cheia de lembranças que ainda gritam
Vivas dentro de mim...como amei!! Amei tanto!!
Vivi um amor perfeito! Tão perfeito que se fez divino.
Amei, não como esse amor dito com palavras,
Esse amor que têm medo dos amanhãs...
Amei tanto que até os defeitos dela eram perfeitos,
Cheios de nós dois para vivê-los, entende-los,
Faze-los parte de nós. Amei assim...como hoje
Não sei mais amar. Talvez essa tristeza no olhar
Esteja muito além da saudade, da solidão, 
Talvez seja a dor de saber ser impossível ...
Amar assim outra vez... ou nem mesmo apenas amar.

José João
05/06/2.015







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Meus velhos guardados

Hoje, buscando velhos guardados dentro dos sonhos
Caducos, das recordações cansadas, das lembranças
Antigas, de cabelos brancos, encontrei algumas relíquias...
Um beijo que se arrastava lentamente pelos tantos anos,
Que apenas se fez vontade em mim, sem nunca ter sido dado,
Mas, coitado, já caduco, dizia ter sido o melhor beijo
Que troquei um dia. Encontrei também, dentro de um baú
Velho, surrado, escondido num pedaço de pensamento
Cheio da poeira do esquecimento, um eu te amo...
Reticente, tímido, quase sem nada ser mais, se fez
Palavras simples, até sem sentido, o que fez um sorriso,
Cheio de ironia, brincar com escarnio da quase tristeza 
Que as palavras cabisbaixas sentiam por mais nada serem.
Ah! Encontrei também um olhar! Cheio de mágoas
Por ter envelhecido sem nunca ter sido trocado com carinho,
Sem nunca ter tomado o lugar das palavras para dizer
De um sentimento que só ele sabia falar, dizer...gritar.
Encontrei até uma saudade que nem lembrava mais,
Estava de braços dados com um adeus...um adeus
Que insistiu em não se fazer relíquia, em ficar vivo,
Insistiu em se fazer de sempre, para que as lágrimas
Não envelhecessem, se fizessem jovens a cada dia... 
A cada chorar... a cada lembrar.

José João
01/06/2.015