quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sonhos que nunca passarão de sonhos

Se um dia, como se por descuido dos deuses,
Um amor risonho, desses que se vê apenas nos devaneios,
Aquele amor com o rostinho rosado de um anjo,
Olhos vivos, alegres, buliçosos, com um doce sorriso
Inocentemente marteiro nos lábios , chegasse 
Dentro de minha alma e dissesse: Estou aqui...
O que eu faria? O que faria com essa saudade 
Descabida que me faz escrever versos? 
O que faria com esse medo, que até hoje 
Aquele adeus me faz sentir, chorar,
O que faria com essa vontade de ser feliz outra vez?
Ah! Esses meus temores! E se ele insistisse em ficar?
E fosse apagando sonhos antigos,  fosse apagando 
Os rastros nos caminhos percorridos agora com restos
De sonhos e pedaços de mim? O que eu faria?
O que faria com essas tantas lágrimas guardadas,
Que a saudade e solidão me fazem, nas noites 
Sem hora para terminar, derrama-las em silêncio?
...Mas que pensamento esse meu?! Até me faz parecer
Criança que o tempo esqueceu de cuidar.


José João
10/06/2.015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

As doloridas brincadeiras da vida

Nunca me olham nos olhos sem perguntarem:
Porque teus olhos são tristes? Não sei...
Dificilmente os vejo - respondo - sinto-os
Quando a tristeza faz a alma triste perder a voz,
Quando as lágrimas, cantando em prantos vivos,
Se fazem palavras mudas contando o que só sei chorar.
Talvez sejam lamentos pelo tanto amor que já vivi,
E que se foi... e como rastro deixou essa saudade
Desmedida, cheia de lembranças que ainda gritam
Vivas dentro de mim...como amei!! Amei tanto!!
Vivi um amor perfeito! Tão perfeito que se fez divino.
Amei, não como esse amor dito com palavras,
Esse amor que têm medo dos amanhãs...
Amei tanto que até os defeitos dela eram perfeitos,
Cheios de nós dois para vivê-los, entende-los,
Faze-los parte de nós. Amei assim...como hoje
Não sei mais amar. Talvez essa tristeza no olhar
Esteja muito além da saudade, da solidão, 
Talvez seja a dor de saber ser impossível ...
Amar assim outra vez... ou nem mesmo apenas amar.

José João
05/06/2.015







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Meus velhos guardados

Hoje, buscando velhos guardados dentro dos sonhos
Caducos, das recordações cansadas, das lembranças
Antigas, de cabelos brancos, encontrei algumas relíquias...
Um beijo que se arrastava lentamente pelos tantos anos,
Que apenas se fez vontade em mim, sem nunca ter sido dado,
Mas, coitado, já caduco, dizia ter sido o melhor beijo
Que troquei um dia. Encontrei também, dentro de um baú
Velho, surrado, escondido num pedaço de pensamento
Cheio da poeira do esquecimento, um eu te amo...
Reticente, tímido, quase sem nada ser mais, se fez
Palavras simples, até sem sentido, o que fez um sorriso,
Cheio de ironia, brincar com escarnio da quase tristeza 
Que as palavras cabisbaixas sentiam por mais nada serem.
Ah! Encontrei também um olhar! Cheio de mágoas
Por ter envelhecido sem nunca ter sido trocado com carinho,
Sem nunca ter tomado o lugar das palavras para dizer
De um sentimento que só ele sabia falar, dizer...gritar.
Encontrei até uma saudade que nem lembrava mais,
Estava de braços dados com um adeus...um adeus
Que insistiu em não se fazer relíquia, em ficar vivo,
Insistiu em se fazer de sempre, para que as lágrimas
Não envelhecessem, se fizessem jovens a cada dia... 
A cada chorar... a cada lembrar.

José João
01/06/2.015


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Ainda hoje estás...

Talvez tenha sido tu que tenha deixado em minha alma,
Mais marcas, mais feridas, que até hoje abertas,
Não  se fazem cicatrizes, é como se sempre estivessem 
Vivas, como se fossem lágrimas ou lamentos eternos
Que na alma se fizeram fonte de dores e angustias.
Talvez tenha sido tu, que me abriu, me rasgou
E se apossou de mim sem cerimônia, como dona,
E eu, cativo a esse amor tão intenso, como agora sei,
Tão insano, não me permiti me guardar, me entreguei
Como se fosse o mundo dos sonhos se fazendo vivo,
Se fazendo espaço, se fazendo meu próprio tempo.
Me fiz servo, tuas vontades se faziam  minhas razões,
Teus desejos, os meu desejos, e até teu sonhos
Eu sonhava como fossem meus, me vesti todo de ti,
Te fiz canção, te fiz versos, te fiz minha poesia,
Te escrevi, te senti na eternidade de cada pensamento,
Nunca fui além, nunca ousei  pensar além de ti,
Deixei que sorvesses minha alma para ser todo teu.
Hoje é essa falta de mim... me levaste contigo,
Até os sonhos foram contigo, não ficou nada de mim
A não ser esse vazio cheio de tua ausência...


José João
29/05/2.015




Quando não há mais o que fazer

Sentado em frente ao por-do-sol, do mais triste,
Cansado pelo peso da angustia, sentado na tarde,
Buscando sonhos que já morreram, ou se perderam,
Entre os caminhos sem volta que o tempo deixa
Quando a ausência se faz dor, e os momentos,
Se perdem nas lembranças agora tão distantes.
Quando o peso da solidão se faz maior que a saudade,
E os olhos, por desejo da alma, se umedecem
Num brotar de lágrimas como tímida fonte a fazer-se
Nascer no lacrimejar inocente de um puro chorar,
Que em silêncio, se faz desesperada oração...
Quando tudo isso acontece...não há de se pedir
Piedade, nem clemência...não há de se pedir perdão,
Há de se deixar chegar a loucura da vontade de ir,
Sem rumo, para qualquer lugar, em vã tentativa
De fazer passar essa dor que nunca passa,
Ou ficar, como se nenhum lugar existisse mais...
E ser apenas cativo de um caprichoso destino.


José João
29/05/2.015




quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os amanhãs começaram ontem

Ah! Que saudade de passear pelos caminhos floridos
Por onde nunca passamos. Dos olhares que não demos.
Saudade das palavras que nunca nos dissemos...
Da relva, da grama onde nunca deitamos para sonhar.
Hoje essa saudade dói como fosse um remorso...
(e há quem tenha tempo para tudo isso e não faz)
Saudade das tardes ensolaradas, do por-do-sol
Que nunca tivemos o prazer de ver...de sentir.
Meus dias são assim, tristes, cheios de momentos
Que pude viver e não vivi, cheio de recordações
De coisas que não fiz...dói, dói até na alma.
Hoje, as palavras que não disse, gritam no silêncio
Da tua ausência, fazem eco nos caminhos, 
Agora percorridos com toda essa tanta solidão 
Que me acompanha, que se faz viva em mim
Cobrando o que não fiz. Me pensei dono do tempo,
Dono dos amanhãs, deixava sempre para depois...
Os momentos que poderiam ser vividos cheios de nós.
Apenas agora, sentindo essa dor da saudade, percebi....
Que os momentos de hoje também povoam os amanhãs.


José João
28/05/2.015






quinta-feira, 21 de maio de 2015

Um lugar para ficar

Aquele adeus, que quase o silêncio não me deixou ouvir,
Que foi dito baixinho, em sussurros, em palavras
Quase mudas...ah! Quanto te foste, que a solidão
Se fez meu espaço...aquele adeus se fez grito...
Tão estridente, que o eco voou entre os sonhos,
Preencheu tua ausência e saiu me levando ao tempo,
Sem chão para pisar, sem ar para respirar,
E quase sem vida para viver. Me vi perdido
Entre os nadas, dentro dos vazios mórbidos
Que só a dor, por uma perda infinda, se faz viva.
Perdi os passos, tropecei na ansiedade de ir
Para qualquer horizonte, sem que tua saudade
Fosse comigo, sem que tua ausência me seguisse,
Me tomasse, me invadisse como pedaço de mim.
Meu caminho se povoou de angustias, a tristeza
Me tomou pelas mãos, pela alma e se fez prantos,
Que como luzidias pétalas caiam ao chão,
Brincando de fazerem rastros para que a solidão
Não se perdesse de mim. Assim, o único lugar
Que encontrei para ficar, foi dentro da ausência
Que me deixaste.

José João
21/05/2.015






terça-feira, 19 de maio de 2015

Coisas de poetas

Um dia, espantaram meu silêncio e a mim perguntaram:
"Solidão...saudades e lágrimas...que seria dos poetas sem elas?"
Seriam os mesmos poetas, se fariam pedaços vivos
Da mais bela natureza, do mar, das escuras tempestades,
Se vestiria com pedaços delas e ninguém o encontraria,
Sentiria então o gosto da infinitude de ser dono do nada,
E, sozinho, seria levado a portos distantes sem ser
Esperado por  ninguém, e sem abraços de chegada.
Alguém um dia então diria: Isto é solidão.
Se faria brisa a voar sempre, levando sementes
Como se fossem poesias, perfumes de flores
Como se fossem histórias, sairia contando ao mundo,
Em terno esvoaçar, as carícias que fez, beijos que deu,
Mas sempre indo sem voltar nunca, (como é a brisa)
E um dia lembraria de uma flor a quem deu
Um afago mais carinhoso, mais terno, se sentira estranho
E um dia chamariam isso de ...saudade.
Vontade de chorar.. mas onde estariam as lágrimas
Para chorar essa falta? Essa dor que nem sempre é dor?
Faria-se chuva a elevar-se ao espaço,  em pintar-se
De arco-íris, molhando as flores que a brisa deixou,
Regaria carinhosamente as sementes, e flores.
E cairia em outros jardins, beijaria outras pétalas,
Contaria suas recordações e histórias, e outra vez
Se faria chuva (como fossem prantos) do poeta.

José João
c/ participação especial de:
Goretti Freire.
19/05/2.015








segunda-feira, 18 de maio de 2015

Essa minha vida...tão comum!

Solidão, saudade, lágrimas, são tão comuns em mim,
Sonhos perdidos no tempo, lembranças mortas,
Ausências, os vazios que elas deixam na alma
Se fazem angustiantes companhias, ficam comigo,
Se fazem vivas a cada momento, sufocam gritos
De desesperos, deixam o silêncio povoar o tempo,
Tudo fica parado, como se as horas ficassem dementes,
Sem nenhuma pressa de passar para a dor se fazer
Mais dor. Me perco em devaneios tristes, chorosos,
As palavras se escondem, os versos morrem
Já no inicio do pensar, antes mesmo de serem versos,
Os prantos molham a poesia e neles ela se sufoca,
Agoniza, suspira em ais que se fazem apenas dor.
Os sentimentos são tomados por uma agonia mórbida
Que faz coração pulsar em gemidos lentos,
Como se rezasse uma oração desconhecida.
Me acostumei a chorar, muitas vezes o chorar
Vem em sorrisos falsos, vadios, cheios do fingir,
Que aprendi quando uma dor, maior que todas,
Uma ausência maior que tudo, se fez tanta dor
Que para enganar alma aprendi a chorar sorrindo

José João
18/05/2.015



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Isso sim, é que é chorar

Lá fora as plantas dançam uma valsa triste,
O vento se faz uma orquestra sem maestro,
Ora gritando forte, talvez possíveis mágoas,
Outras ameno, quase suave, como se pedisse
Desculpas as flores que quase perdiam as pétalas,
E temerosas, pareciam segurar-se aflitas nos galhos
Que passíveis se arrastavam submissos pelo chão.
A chuva, como fosse um chorar violento do mundo,
Se desmancha em prantos, em sussurros inaudíveis,
Reticentes, rompe o silêncio com apenas um falar.
Tudo se fazia triste, via-se até o medo das árvores,
A dobrarem-se em violentas contorções, seu galhos
A arrancarem-se em nefastas amputações pareciam
Chorar uma dor que ninguém sabe entender.
As ruas desertas pareciam caminhos de fantasmas,
Os trovões, aos brados, mostravam sua força,
Brincavam de fazer tremer da terra, até alma,
E os relâmpagos riscavam o céu em desenhos
Sem forma, em belos caminhos sem rumo,
Aí me senti tão ridículo!! Que com vergonha de mim!
Parei de chorar, até sorri. O que são minhas lágrimas?!


José João
1505/2.015






segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu era apenas um pingo d'água

Meus erros. Ah! Meus erros! Foram tantos!
Amei sempre mais do que deveria amar...
Amei como se amar fosse viver na eternidade
De sonho perfeitos, na entrega infinita dos sentidos
Sempre cheios de amanhãs coloridos...sorridentes,
Como se não existissem lágrimas, como se os prantos
Fossem impossíveis, assim como se não existissem,
(pelo menos para os meus olhos) Me fiz grande,
Por saber meu sentimento maior que o mundo,
Me pensei assim também, ridiculamente assim...
(as vezes nos fazemos muito maiores do que 
realmente somos) culpa dessa vaidade criada
Por um amor desmedido num descabido sonhar.
Só maior que esse amor louco que vivi foi...
A dor da perda, num adeus incoerente, doloroso,
Cheio de silêncios, de suspiros pela falta do que dizer,
As palavras...se faziam apenas mudas reticências.
Ah! Esses meus erros! Fui me sentir um oceano
Repleto de mim, com tanto para dar, sem saber
Que na verdade era apena um pingo d'água...
E os pingos d'água só são grandes e belos
Se caírem sobre a flor. Eu!? Caí dentro 
De um rio, frio, que não tinha nenhum mar para ir.


José João
04/05/2.015




domingo, 3 de maio de 2015

Quase mataram minhas poesias

Invadiram meu sono com nefastos pesadelos,
Me tomaram de mim, expulsaram os sonhos
E minhas verdades começaram a desaparecer,
Iam entre os vazios, agora repletos de medo,
Do temor, até mórbido, de perder meus momentos
Escritos em histórias com gosto de poesias...
Me perdi nos pesadelos, nos fantasmas amorfos,
Que como doença, invadiam minha vida, 
Sacrificavam tudo que minha alma sentiu e contava
Na ansiedade de se fazer, mesmo triste, viva.
Na noite, tudo ficou tão forte, que até a solidão
Deu lugar ao desespero. Os adeus escritos em poemas,
Agora gritavam para os versos, para os sentimentos,
Para as palavras que um dia foram escritas.
Com os dedos compridos da saudade.
O coração batia mais forte, em descompasso,
Num gritar pulsante com o medo de ser preciso 
Recomeçar o que não haveria mais recomeço.
Mas de repente tudo ficou límpido outra vez
E o adeus que ia dar para os meus versos,
Como mágica divina, se fez poesia.


José João
03/05/2.015










sexta-feira, 1 de maio de 2015

Um vasto deserto triste.

Quantas vezes acordei com os olhos gritando de alegria,
Uma alegria que as palavras jamais diriam.
Com o coração batendo inocentemente descompassado
Pela tanta emoção, que seu pulsar se fazia voz,
Contando para a alma o milagre de amar...amar.
Quantas vezes acordei com um gosto de paixão na boca,
Com o gosto de primavera, por ser muito pouco
O gosto de apenas uma flor. Ah! Minhas noites!
Eram vividas em verdades como se fossem sonhos,
Os mais belos sonhos que se pode sonhar ou...viver.
Não existia insônia e nem vontade de dormir...
A razão se perdia na incoerência de uma entrega
Onde os corpos se faziam pequenos pedaços da alma
Numa entrega divina, sem pecados, sem medos...
Cheios de uma ternura que nem a vida sabia explicar.
As manhãs, cobertas de sol, despertavam  alegres,
E um doce gargalhar da brisa, nas folhas úmidas,
Dava um sorridente bom dia...pra nós dois
(silêncio, olhar demente perdido no tempo,
algumas lágrimas teimosas)
.........................................................................
...hoje meu coração é um deserto, sem nenhuma 
Planta pra nascer


José João
01/05/2.015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Hoje não sei escrever poesia

Hoje bateram em minha porta, alguém pedindo poesia.
- Mas que dia para pedir poesia!!?? - Volte amanhã...
(Gritei) sem levantar de onde estava.( Estava sentado
Na porta da tarde lembrando palavras que não disse).
Ontem ela se fez repleta em mim, perfume, olhares, beijos,
Senti tudo isso como se ela estivesse bem perto.
Até a brisa insistia em lhe tomar a voz e sussurrar baixinho
Coisas que só eu sabia ouvir, sentir e por tanto chorar...
E ninguém veio me pedir poesia!
Ontem rezei a oração mais bela que aprendi rezar,
Cada conta do rosário era uma letra do seu nome
As palavras faziam festa na poesia que escrevia pra ela,
Saiam aos borbotões as vezes até mesmo atropelando
Minha vontade de em silêncio buscar sua imagem divina.
Tudo era tão ela que até esqueci as horas, o tempo
E ninguém veio me pedir poesia!
Hoje essa tanta dor da ausência, essa carência 
Que me sufoca, que me toma sem me deixar pensar,
Em que cada palavra é uma blasfêmia por essa
Tanta angustia que me faz prisioneiro de mim mesmo
Preso nessa tristeza mais triste qualquer tristeza
Vêm me pedir poesia! VOLTA AMANHÃ ...
Hoje não estou para escrever poesias...


José João
29/04/2.015

Poesia... a mulher dos meus sonhos

A poesia me domina, é como fosse a mulher
Dos meus sonhos. A quem devo o milagre
De minha própria existência. Ah! Essa poesia!
Essa mulher inocentemente promiscua e sempre fiel,
Que me toma nos braços, escreve meus anseios,
Minhas saudades e angustias, que nas noites frias
Se debruça sobre qualquer papel a me ouvir, serena,
Calma, cheia de palavras e sonhos, tristes (as vezes)
Mas sempre puros, repletos de sentimentos,
Quase todos gritados pela alma e sempre verdadeiros.
Essa minha companheira que não consegue me ver
Chorar sozinho e, quase sempre em desespero,
Se faz mensageira dos meus desejos e vontades
E vai ao mundo procurando outros corações,
Para que eu, através dela, (da poesia) os habite.
Conhece todos os meus anseios, dores e carências,
Sabe dos meus momentos tristes, de solidão...
Escreve como ninguém minhas saudades...
Sabe de todos os adeus que disse ou que ouvi,
Sabe todos os meus segredos e comigo, se choro,
Chora com minhas próprias lágrimas.

José João
29/04/2.015

O caminho para onde estás.

A onda branca carinhosamente vinha até a areia
Buscando minhas lágrimas, que a muito ali estavam
Chorando tua ausência, e um caminho para o sol,
Que lá no horizonte, em colorida melancolia,
Pintava o céu cor de por do sol, cheio da saudade
Que tua ausência me fazia sentir. Pensamentos voavam,
Iam entre angustias e aflições, uma vontade de chorar
Me tomava a voz, e um sussurro, assim como um grito
Silencioso, que a alma grita só pra ela - e para o coração -
Chamava teu nome que se perdia dentro de mim,
Me tomava todo, e uma vontade descabida de sorrir
Insistia em vir cheia da alegria de teu olhar, aquele olhar
Que gritava te amo...num falar que só minha alma
Sabia entender. Uma brisa cheia de ti, do teu perfume,
Brincava de me fazer carícias, num inocente festejar, 
Como se ali estivesses e meu pranto não precisasse 
Mais chorar. Mas esse caminho que o sol deita no mar!
Que faz os amantes se fazerem dementes imaginando
Rotas impossíveis onde a saudade se faz tanto
Que a vontade de buscar é maior que a vontade de viver.

José João
29/04/2.015


terça-feira, 28 de abril de 2015

Meus trapos de sonhos

Meus sonhos ficaram pendurados no tempo,
Feito trapos balançando ao vento, nos varais perdidos
Da saudade com o cheiro da angustia triste que o vento
Insiste em trazer como se teu perfume se tivesse perdido.
Minhas lembranças, todas elas, dos olhares, dos beijos
Ficaram puídas, rotas, como retalhos de renda fina
Que se desmanchavam ao menor volteio de uma brisa leve
E se faziam pedaços incoerentes de uma vontade morta
Pela tanta solidão que vinha se enfeitando de primavera
Para me enganar a alma que chorava em silêncio, 
Ajoelhada, rezando sua própria dor que não passava nunca.
Minhas lágrimas pareciam bandeiras em meus olhos,
Tremulando vadias ao tempo, ao vento, alheias até mesmo
À minha vontade de chorar, elas soltas, se faziam vivas, 
E como loucas, corriam em meu rosto fazendo caminhos
Para a tristeza passar matando os sorrisos que, teimosos,
E mesmo tristes, teimavam em vir, na vã tentativa 
De enganar a alma, que já sem prantos, esforçava-se
Para chorar... como se assim a dor doesse menos.

José João
28/04/2.015






sábado, 25 de abril de 2015

Acho que não soube pedir

O que eu te pedi? Tu lembras? Não era tanto,
Na verdade era tão pouco! Pedido de uma alma
Que, não sei porque, já tinha medo da solidão...
Pedi apenas que me ensinasses a amar, 
Que me ensinasses a me entregar, sem medo...
Mas também sem lágrimas, que meus dias
Fossem cheios de histórias alegres, dessas
Que a gente diz que são histórias felizes.
Te pedi sonhos verdadeiros, sonhos cheios
De vida, poesias escritas por dois corações...
Lembra? Poesias repletas de nós dois, sim,
De nós dois, numa doação perfeita onde a vida
Se escrevia em um verso, infinito e eterno.
Não disse o nome dela, porque o nome...
O que importa um nome? Pedi apenas
Que fosse ela, a que me soubesse cativar...
A que eu me entregasse todo, pleno e sem medo,  
E o que me dás?! Um sonho impossível e...
Uma saudade triste.

José João
25/04/2.015




sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sou réu...confesso.

Existem verdades que ficam, marcam, se fazem dor,
Se fazem mais que saudade, pedaços vivos
Da gente que se perdem no tempo, mas dentro de nós...
Ficam guardados, bem dentro da alma... para sempre.
Essa minha verdade, vive dentro de mim 
Como se fosse um segredo que me consome,
Que me toma o tempo, o pensamento, 
Vai buscar momentos divinos que vivi, que senti,
Que gritam dentro de mim como uma oração
Que ora se faz dor, ora se faz saudade,
Se faz até desespero, por fazer me sentir
Tão pouco. Perdas, e confesso, minha a culpa.
Hoje sou o condenado e o próprio condenador.
Me perco dentro do remorso dos meus erros,
Mas não peço clemência pela dor que sinto,
Deixo que ela me tome toda e grite alto,
Dentro do silêncio que me toma, que mereço...
E que minha alma chore (é justo) as lágrimas
Que fiz chorar, sentindo a tristeza de que minha
Ausência talvez  nem esteja sendo sentida

José João
24/04/2.015





quinta-feira, 23 de abril de 2015

A dor de não ter feito

Quanta falta de ti! Quanta saudade! Saudade...
Saudade dos beijos que não trocamos,
Dos beijos que não te dei, que deixava para depois
Como se os amanhãs fossem meus, eu...dono do tempo.
Quantas palavras não ditas! quantos segredos calados!
Quanto silêncio quando deixei para dizer depois
O que tanto querias ouvir! Quanto deixei para depois!
Hoje sinto saudade de tudo que não fizemos...e tudo
Por minha culpa. Como dói o arrependimento
Do não ter feito! É muito mais que dor...é remorso...
É uma carência maior que todas, apenas sonhar 
Os momentos que poderia ter vivido, sentido...
Isso aumenta tua falta, inunda minha vida de vazios,
Como dói tua ausência nos abraços que não me deste
Porque deixava para depois. Sinto saudade
Dos carinhos e beijos que trocamos, mas os tantos
Que não nos demos fazem mais falta ainda...
Da maneira mais dolorosa aprendi que somos tão pouco...
Que o arrepender-se por não ter feito dói muito mais
E a saudade deixa de ser saudade para ser tristeza
Porque sempre vai ficar faltando alguma coisa em nós


José João
23/04/2.015




terça-feira, 21 de abril de 2015

Apenas mais um...vazio

   Hoje, lá na distância do tempo vejo meus sonhos,
Agora tão distantes e tão impossíveis, tão longe
E tão vagos como se fossem pedaços mortos
De momentos que tão intensamente vivi.
Muito, muito distante vou buscar, como fossem sombras,
Fragmentos de nós dois, restos perdidos de mim,
Lembranças que agora talvez nem interessem mais.
Não me encontro mais nos momentos que foram nossos,
Só encontro meu próprio fantasma e de tudo que fomos.
Mas ainda meus olhos suspiram entre alegres e tristes
Nas lágrimas que choram por nós dois, ou talvez
Apenas por mim, no lamentar do que agora sou.
Nem tento mais me procurar, seria em vão...
Os sorrisos se perderam, a alegria se foi há muito,
Se encheu de tristeza, se misturou com angustias,
Se perdeu entre as minhas tantas perdas e se foi
Como mais uma, cabisbaixa, em sussurros inaudíveis, 
Lamentosos, deixando só mais um vazio entre tantos.


José João
21/04/2.015









sábado, 18 de abril de 2015

Histórias ou poesias?

Não sei escrever poesias, apenas conto histórias,
Histórias que se acomodem nos corações carentes,
Que se tornem melodias nas almas tristes,
Que se façam grito e eco ao mesmo tempo
Para que nunca passem despercebidas, perdidas,
Entre os amantes que, como eu, talvez chorem,
Sozinhos, suas dores. Minhas histórias ou verdades,
São contadas em versos sem rima, sem métrica,
De palavras soltas, livres, sem medo do começo
Ou do fim do verso, onde a alma esvoaça liberta,
Gritando suas vontades, prazeres e até angustias.
Ah! Essas minhas histórias! Algumas inacabadas
Ficam como rascunhos que nunca serão terminados,
Porque a história não tem fim, apenas se fez saudade.
Não sei sonhar poesias, sei apenas contar histórias,
Algumas sentidas em outros corações, choradas
Com lágrimas que não são minhas, gritadas
Pelo desespero de outras almas. Minha histórias...
Algumas verdadeiras verdades fingidas, outras...
São mentiras mentirosas que a solidão escreveu,
Fosse eu um poeta, saberia fingir a dor...essa dor
Que talvez... até nem seja minha, ou será?

José João
18/04/2.015




Perdi

Não sei como, nem onde, só sei que perdi. Perdi.
Procurei com o desespero da dor da perda
Dentro de mim, sufocando lembranças e sonhos.
Procurando entre velhos guardados...encontrei retratos,
Alguns amarelados, outros roídos como se o tempo
Estivesse, de proposito, querendo apagar rastros
Deixados entre os tantos olhares mortos e sorrisos...
Sorrisos antigos, já sem razão, sem sentido...
Aqueles que os donos já nem existiam mais.
Procurava na gaveta, gaveta mágica dos poetas,
Onde eles guardam recordações, versos inacabados,
Sorrisos tristes. Guardam beijos, olhares perdidos,
Há quem diga que a gaveta mágica do poeta
Não existe. Existe sim, mas só o ele sabe abri-la,
Mas não estava ali o que tanto procurava (lágrimas).
A dor aumentava, sangrava a alma, espremia o peito,
A voz era apenas um sussurro, e nem eu mesmo sabia
Se eram rezas ou blasfêmias. As horas pareciam
Correr como se quisessem passar na frente dos dias...
E eu...com uma demência quase louca..procurava
O que talvez nem encontre mais.

José João
18/04/2.015






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Porque acham a saudade apenas triste?

Ah! Essa minha tão bela saudade triste! Cheia de ti.
Dos teus sonhos...dos nossos momentos, anseios...
Ah! Essa tão bela saudade de ti! Me deixa os olhos
Brilhantes, vivos, úmidos, molhados, chorados,
Encharcados com tua imagem a falar de nós dois,
E eles gritam silenciosamente teu nome e brincam,
De cada lágrima fazem uma carícia como se tuas mãos
Deslizassem em meu rosto dizendo te amo...afinal
Pra que palavras para dizer de nós, de nossas almas?
Sempre estavam disponíveis pra nós. Ah! Saudade!
Me toma nos braços, me invade sem que eu peça,
Vai até lá dentro de minha alma, se acomoda... 
E, sem cerimônia, de lá te traz toda, me deixa repleto de  ti...
Como se nenhum adeus tivesse acontecido. Ah! Saudade!
Que me deixa vivo, que diz que tenho história...
Que me faz viver todos os momentos que me deste.
Não sei porque acham a saudade apenas triste!
E não bela. Não sei porque dizem que a saudade dói...
A mim, ela faz chegar como sonhos os momentos que vivi,
E até me abraça com o carinho que um dia senti.

José João
15/04/2.015


A história do vazio de mim

As vezes uma vontade de chorar, copiosa e descabida
Me chega sem avisar, sem razão, sem que eu queira,
Chega apenas por chegar, e choro...mesmo
Sem querer chorar. Outras vezes é uma tristeza...
Mais triste que qualquer tristeza, dessas que faz
Até minha carência, talvez por pena de mim, pedir
Para a saudade me abraçar, me trazer sonhos
Que possam me fazer lembrar momentos que já vivi.
As vezes é tão grande a vontade de querer voltar
Que me ponho a fazer rota entre as estrelas...
Imaginando caminhos que talvez nem levem a lugar
Nenhum, buscando horizontes sem estradas pra chegar.
Ah! Quantas vezes a solidão se fez maior, muito maior
Do que eu podia suportar! Quantas vezes cai em prantos,
Em lágrimas vivas, sem mais te-las pra chorar...
Quantas vezes meus olhos secaram vazios, vagos,
Sem nada para olhar, sem nem sonhos pra sonhar!
Apenas contando tristes a história do vazio de mim.


José João
15/04/2.015



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eu... tudo que sobrou de mim

Sou eu a incoerência de mim mesmo e dos momentos,
Dos desencontros e angustias que me tomam e me seguem,
Sou eu a incoerência viva na vontade de querer ir
E não ter lugar pra chegar, de querer ficar e não ter
Onde estar. Sou eu quem em desespero corre por caminhos
Perdidos, sem horizontes, para fugir dos adeus que deixaram
Dolorosas saudades, mas por onde vá elas vão comigo.
Sou quem se fechou num mundo feito apenas de mim (loucura)
Na vã tentativa de me fazer completo, guardado das coisas
Lá de fora, onde apenas solidão e tristeza se faziam vivas,
Mas fui eu a quem elas, mais cruéis ainda, encontraram.
Fui quem se fez pranto nas tantas  tardes de primavera,
Molhando com minhas lágrimas as flores sorridentes
Que os outros achavam inocentes e belas...e eu... triste.
Sou eu, aquele homem de voz reticente, olhar vago...
Passos lentos, como se o tempo lhe pesasse nos ombros,
E os sonhos, que ficaram como resto da vida que um dia viveu,
Se fizessem  pesados fardos que a alma carrega só.
Sou quem estende um olhar molhado de dor para a vida
Pedindo uma migalha que seja, um resto de qualquer 
Esperança que a alma carente tanto implora.


José João
13/04/2.015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Saudade... a maneira perfeita de ti amar

Que a ausência me negue tua presença...
Que a solidão me tome todo nas noites mal dormidas,
Que a tristeza me invada, desde a alma até os olhos,
Chorando lágrimas como fossem palavras sussurradas
Cheias de ti, te buscando nos velhos e caducos sonhos
Que ainda me fazes sonhar, quase perdidos no tempo,
Mas em cada fragmento uma doce lembrança tua.
Que angustias me façam chorar em copioso pranto
Essa falta que me sufoca dentro do vazio de mim,
Ainda embriagado pela ilusão de te sentir perto.
Que me aconteça tudo isso, mas nunca vou deixar
Tua saudade ir de dentro de mim, vou deixa-la aqui,
Que se faça repleta dentro minha alma só tua.
Nunca permitirei que o tempo entre nós se faça distância,
Vou te guardar carinhosamente dentro de mim,
Obedecendo as ordens de um coração carente de ti,
De uma alma que te fez sua própria eternidade,
E assim fazem da saudade de te uma outra história
De amor, dessas que só a perfeição sabe cuidar.

José João
09/04/2.015



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Já nem sei se é mesmo dor.

Ah! Essa minha dor! Maior que qualquer dor,
A minha não é dor alheia, aquela que dói menos,
Essa é só minha, maior que todas, é essa que destrói
A própria vida, que estingue até os raros fragmentos
De sonhos que se faziam pedaços de momento risonhos,
De momento vividos entre alegrias e risos, entre esperanças
E desejos. Ah! Essa minha dor que sentem medo de sentir!
Tanto sentem que não amam. Dizem que chorar a perda
De um amor maior que qualquer amor, é sentir uma dor
Maior que qualquer dor. A minha é infinita mas, menor,
Infinitamente menor que o amor que senti. Por isso
Vale a pena. O destino faz a troca justa, a cada segundo
Que se vive um amor intenso como vivi, chora-se por anos
Mas...se não o vivesse, fosse talvez maior minha tristeza,
Meu vazio, sem nada para contar, sem nenhuma saudade
Para sentir, e o silêncio cheio de vazios por não ter
Uma história que ao meno me fizesse lágrimas ao lembrar.
Na verdade essa dor que sinto é diferente, cuida de mim,
Nunca vem sozinha, traz a saudade que me põe no colo,
Me fecha os olhos e me faz ir lá, bem distante, no tempo
...viver outra vez...mesmo estando aqui, de frente
Para a solidão, para a tristeza, e essa dolorosa ausência


José João
08/04/2.015


terça-feira, 7 de abril de 2015

Será que essa dor é só minha?!!

Não só os sonhos se fizeram restos. Eu também...
Me fiz resto de mim quando esperanças e ilusões
Se perderam entre os dias, se fizeram vazias,
Indo a lugar nenhum porque os sonhos estavam mortos.
Me fiz silêncio, perdido nos acordes de uma canção
Que a alma balbuciava sem ter voz para cantar,
Os sorrisos se perderam na dureza de tristezas vivas,
As lágrimas se faziam farpas, expulsas pelos olhos
Ora como queixumes, ora como blasfêmias
Que as palavras não ousavam ou não podiam dizer
Para que a alma não pecasse ainda mais, e inocente,
Pudesse em solenes orações rezadas, pedir clemência
Pela tanta dor que uma eterna carência lhe fazia chorar.
As perdas se fizeram fantasmas, os tantos adeus
Se fizeram rosários de perdidas contas, sem conferir
Os ais que cada saudade deixou, e cada lágrima
Caída, correndo no rosto, era um reza nova,
Que em desespero meus olhos choravam 
Como se dissessem para a alma: Estou gritando
...espera... talvez um dia ouçam nossa prece.

José João
07/04/2.015



quinta-feira, 2 de abril de 2015

O vazio que tua ausência faz

Chove lá fora, a chuva parece cantar um choro triste,
O vento  se desmancha em lamentos, voando solto
Sem nenhum lugar pra ficar, perdido, feito andarilho
Que não sabe em que horizonte chegar.
Nas portas e janelas a saudade pede para entrar,
Dizendo trazer histórias que não posso esquecer,
Mas a casa está cheia, não tem mais lugar,
A solidão se fez dona dela, trouxe a tristeza,
A angustia, até a desilusão, que quase nunca chega,
Está comodamente sentada na soleira,
Sem permitir nem a entrada da esperança, que lá fora,
Aos gritos, diz que minha alma precisa muito dela.
Uma ausência densa, cheia de martírio e muitos ais,
Desses ais doloridos que a alma, pela dor da perda,
Grita desesperada em lágrimas, prantos e blasfêmias,
Acorda o silêncio que, preguiçoso, dormia entre as horas,
E estas para não acorda-lo  se arrastavam lentamente,
Vagarosamente como se não fosse preciso passar
Para chegar um outro amanhã...que talvez nem precisasse vir,
Porque essa dor, parece não ser  de ontens nem  de  amanhãs,
É a dor de sempre, dessas que se orgulha de ser eterna


José João
02/04/2.015



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Saudade é um amar diferente


Chega  a ser mórbida essa tristeza que sinto,
Que me invade, que me toma,. que me suga da alma
Esperanças, sonhos e até a vontade de fazer-me vivo.
Quando a saudade  se faz mais dor que mesmo saudade,
Quando as lágrimas escondem os horizontes que meus olhos
Insistem, em neles, ir buscar tua imagem que a alma diz
Divina. Quando paro, caído no desespero da angustia,
Só teu nome sei rezar como oração, ou como vida.
Não sei onde te buscar, te encontrar...não sei
Mas te deixo dentro de mim como se fosses para sempre
Minha verdadeira história, a única que vivi plenamente.
Vivo no rastro dos teus passos que se perderam de mim,
Na ansiedade da eterna busca de te buscar nos sonhos
Que sonhei ou que ainda vou sonhar. Nas lembranças
Perdidas que não sei onde deixei, ou onde perdi...
E assim vou...indo por estradas cheias de solidão,
De desejos perdidos, de esperanças mortas...
E do silêncio que tua ausência deixou como castigo,
Para uma alma que o crime foi apenas amar tanto.

José João
01/04/2.015

sexta-feira, 27 de março de 2015

Essa estranha saudade de ti.

...Me lembro, nas noites, da suavidade do teu respirar,
Parecia cantando canções de ninar, outras vezes,
Parecia contando histórias de amor, ficava horas,
Vendo teu rosto, como se fosses criança inocente
Brincado de dormir e sonhar. Quantas vezes
Meus olhos se encheram de lágrimas (felizes)
Por poder estar perto, velar teu sono, adivinhar teus sonhos,
E, baixinho, dizer para apenas minha alma ouvir: Te amo.
Hoje choro tua ausência nas noites frias cheias de solidão,
De silêncio, de amargura e da falta de ti. O vazio...denso,
A saudade,  minha quase loucura gritando com a alma,
Com os olhos, em desespero e num angustiante sufocar.
Um soluço me toma a voz e um sussurro como oração
Silenciosa, ou como um chorar demente diz teu nome
Lentamente como se fosse uma reza pedindo piedade
Pela tanta dor de uma saudade mais triste que qualquer
Tristeza que já se tenha sabido. Uma vontade estranha
Toma conta de mim, vontade de correr, sem ter onde ir,
De chorar, de fazer-me todo teu outra vez...
Como se pudesse te buscar no tempo...ou onde estejas.

José João
27/03/2.015

terça-feira, 24 de março de 2015

Acho que é essa falta de ti.

Eu sou feito de saudades, distâncias e sonhos,
Sou feito de poesias tristes que choram lágrimas
Em cada verso como fossem palavras não ditas
Porque solidão e silêncio não permitiram sair a voz
Que, tímida, se escondeu entre os vazios que ficaram
Vivos depois de um adeus que se eternizou na alma,
Se fez história, se fez de sempre, de prantos e dores.
Sinto falta dos momentos que não vivi, todos eles,
Que nem sei por onde hoje estão, falta dos beijos 
Que não dei, dos olhares que esqueci, das palavras
Que nem lembro mais. Ah! Quanta falta de mim!
Também sou feito de silêncio, desse silêncio
Que chora sozinho, se esconde num canto da alma
Como se fosse para lembrar o que precisa dizer
Mas se perde já no desejo de se fazer voz.
Sou feito de pedaços, de ontens quase esquecidos,
De amanhãs que não sei o que trazem, de saudades
Que choro, de saudades  que ainda vou sentir...
Mas acho que sou feito dessa falta de ti.

José João
24/03/2.014






terça-feira, 17 de março de 2015

A teimosia de um sentimento

E tu?! O que ainda fazes dentro de mim?
Não te basta fazer-me escravo da saudade?
Deixar-me entre meus vazios, louco assim!
Como se me fosses o começo do meu fim?

Que ainda queres de mim? Já não roubaste tudo!?
Rompeste minha alma e lhe tiraste os sonhos,
Sangraste meus pensamentos e me fizeste mudo
Dos meus dias fizeste pedaços tristes e bisonhos

Não te basta que o silêncio me grite tormentos?
Que o adeus que até agora escuto me cale a voz?
Essa voz que me sai sem força, tristes lamentos
Chorando em prantos essa dor cruel, tenaz e atroz?

Que queres de mim? A não ser deixar-me louco
Pedindo migalhas, restos de desejos perdidos!
Será que essa tanta solidão perene achas pouco?
Achas pouco esse pranto que choro incontido? 

Está bem. Te confesso, te esquecer eu tentei
Busquei horizontes perdidos em mares bravios,
Fui por mares de sonhos até neles, te juro, nadei
Mas deixaste tantas lembranças que até me afoguei

Foram beijos que se fizeram de ontem, não esqueci
Olhares perdidos em doces encantos feliz eu senti
Vivi teus momentos eternos e ternos, como vivi!
Que hoje percebo, embora não queira, vivo por ti.


José João
17/03/2.015







domingo, 15 de março de 2015

Hoje não foi dia de poesia

Hoje os versos quiseram se deitar no silêncio 
Do meu pensamento e dormir no colo da saudade,
Ficaram dementes, sem palavras e sem vontade
De se fazerem poesia. Ficaram ao léu no vazio de mim,
 No vazio das horas que nem sei se passavam...
Ou brincavam de me fazer buscar sonhos distantes,
Como se o tempo tivesse parado e a história triste,
De tanto tempo, se fizesse de ontem, com a mesma dor.
As palavras se atropelavam, os pensamentos se perdiam,
Se confundiam e a alma perdida por tanta tristeza
Fazia os olhos chorarem com lágrimas novas, dores antigas,
Que já havia chorado tantas vezes entre orações e blasfêmias.
Os adeus ditos se confundiam, trocavam de nome,
De histórias, algumas que nem precisava chorar, chorei,
Porque troquei o nome da dona da saudade.
Hoje não foi dia de fazer versos, nem escrever poesias,
Não foi dia de sonhar, nem de buscar palavras,
Foi apenas um dia de juntar pedaços perdidos
Espalhados entre meus tantos desesperos, medos
E carências...foi um dia triste, sem versos nem poesias.

José João
14/03/2.015


quarta-feira, 4 de março de 2015

Histórias que a solidão me conta

Solidão e saudade todas as noites me contam histórias,
Tristes, de adeus, de ausências, de perdas.
Histórias que nem sei se por mim foram vividas,
Mas doem tanto que até acho que quem as viveu fui eu.
Escuto calado, num silêncio que até a noite cala,
E calada, ouve atenta o que dizem solidão e saudade.
Os sonhos se perdem no vazio da insonia 
Que me enche a noite, me abre os olhos, 
Deixa a tristeza ávida de mim a esgueirar-se entre as horas
Como se apenas fosse uma questão de tempo
Ter-me nos braços brincando com minhas lágrimas
Como pedaços de histórias que choro e não sei contar.
Tudo em mim se faz de muito e de sempre...
Prantos...que até parece nasceram comigo.
Angustias...que deixam a alma mais triste que carente.
Medo...de que seja essa falta de tudo, até falta de mim
Que me deixei ficar dentro da dor daquele adeus
Que parece não querer passar nunca.

José João
04/03/2.015