quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Eu
Eu? Sou aquele andarilho triste que passa despercebido
Ou sou aquela folha que rola sozinha por já ter vivido
Talvez seja aquela sombra que chora sozinha sem sol
Deitada no chão, num canto, mesmo sem ter morrido
Talvez eu seja minha própria dor chorando uma saudade
Que fica dentro da alma preenchendo o vazio de mim
Ou uma flor pendida na estrada que ninguém quer juntar
E ela cabisbaixa e muda se faz de viva pra poder chorar
Talvez eu seja aquela estrela que chega antes da noite
Andando sozinha esperando que alguém possa olhar
Mas de repente uma nuvem a esconde até a noite chegar
Quando chegam as outras e ela de tímida se esconde
Entre as tantas que brilham brincando da noite enfeitar
E coitada, num brilho triste acena sem ninguém lhe notar
José João
16/08/2.012
A dor da ausência
Quando deixei de chorar teu adeus, percebi tua ausência
Dolorosa, sofrida, dentro de mim e de minha alma triste
Que em prantos se desmancha em tantas orações perdidas
Como se fosse criança chorando todas as dores sentidas
Os prantos gritam, dos olhos ao tempo, um grito de dor
E o eco desses gritos se perdem nas pedras de solidão
Que se fazem margem de uma estrada cheia de tristeza
Em que os sonhos se perdem sem brilho caídos no chão
Os pensamentos se perderam em um passado distante
Vivido antes do adeus, antes mesmo de qualquer saudade
Antes dessa ausência que se faz de eterna a cada instante
Ah!. Ausência que não sei dizer, só sei sentir e chorar
Essa ausência que me faz ficar dentro do vazio de mim
Me dizendo que um amor eterno também chega ao fim.
José João
16/08/2.012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
O amor e minha história
Quero escrever sobre o amor,
Por que com minhas próprias lágrimas
O amor escreveu minha história.
Contou ao mundo os meus segredos,
Minhas vontades, desejos escondidos,
Em poesias que nunca escrevi
Em guardados que a alma deixava
Adormecidos dentro do tempo,
Em passados distantes, quase perdidos.
Mas o amor, esse amor
Que também faz chorar, foi busca-los
E entre dores e saudades me fazem
Buscar prantos que pensei já ter chorado.
Faz como se fosse um sentimento
Eternamente infinito enquanto existir essa dor
Lá dentro de mim, me tomando, me chamando
Para chorar outra vez. Não posso parar.
Preciso, mesmo chorando, falar desse amor
Que conta minha história em todos os momentos,
De alegrias, de solidão, de saudade ou mesmo dor,
Escrevo poesias que se perdem em corações,
Que se perdem sem serem lidas, nem sentidas
Que se perdem nas despedidas tristes
Nos olhares fugidios das despedidas dos amantes
Que se perdem nas lágrimas caídas no chão
Escorrendo por rostos lívidos pela tristeza
Que se perdem nos porquês sem respostas.
Escrevo, com minhas lágrimas, o amor,
Esse que se perde bem aí... num adeus
Que não precisava ser dito.
José João
13/08/2.012
domingo, 12 de agosto de 2012
Um dia... outra vez
Imagens, luzes, cores, nascem do nada
Na mágica e lúdica criação de uma alma
Que sonha com fadas, anjos e querubins
Com horizontes pintados cor de marfins
Sonha com beijos perdidos deixados no tempo
Com palavras não ouvidas levadas pelo vento
Sonha em um dia sorrir entre abraços, sem medo
Gritando o amor sem precisar de tantos segredos
Agora se encerra em palavras a beleza de ontem
Dos momentos que de história em nós se guardou
Como fogo que em nossos corações nunca apagou
Há quanto tempo, outra vez, esse desejo incontido
Que agora dentro de nós se faz mais que sentido
Será pela vida ou pelo tempo outra vez permitido?
José João
12/08/2.012
Guardados e perdidos
Guardo na alma todos os sonhos que sonhei,
Palavras que não disse, talvez até por medo.
Guardo a vontade dos beijos que não dei
Todos se fazem segredos que nunca contei
Guardo imagens perdidas de rostos na multidão,
Cantos que escondi dentro de tantas saudades
Escondo as cicatrizes deixadas em meu coração
Pelas mentiras que se fizeram mais que verdades
Guardo lá dentro do nada perdidos encantos
Que se foram no tempo, para os tantos vazios
Que em mim ficaram preenchidos por prantos
Canto em notas tristes que nem sei de onde vêm
Canções que se fizeram apenas notas perdidas
Em que um louco maestro canta as dores vividas
José João
12/08/2.012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Sonhos que enganam a alma
Os sonhos se fazem verdade para a alma triste
Os pensamentos voam como se fosse o vento
Indo em volteios perdidos buscando no tempo
Histórias perdidas. Sonho que nem mais existe
Beijos, abraços, se fazem de lembranças antigas
Essas que a saudade vai buscar com lágrimas
Que os olhos choram como se fosse um doce canto
Saindo perdida no tempo em cada pingo de pranto
Passado distante escondido no silêncio da alma
Que sentada no vazio busca o eco da própria voz
Para se ouvir e não sentir toda essa solidão atroz
Mas tudo se perde no vazio denso de vil angustia
Que se faz viva, forte, morando nas tantas dores
Que até os ecos do grito da alma são de clamores.
José João
19/11/2.012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Minha vida... um pot-pourri...
Minha vida é um verdadeiro pot-pourri de versos tristes
Me surpreende a sutileza com que o coração os declama
As vezes são ladainhas, outras orações, ou perdidas preces
De momentos que a alma, chorando triste, nunca esquece
São versos feitos sem rima. Começo, sem meio e sem fim
Palavras choradas, atiradas no tempo... soltas, indo ao léu
Rodopiando em espirais que se fazem estradas, caminhos
Soltos no espaço fazendo que cheguem até perto do céu
Mas como balão de criança que sobe, que vai, que deixa
Os olhos cheios d'água, que se perde e não se sabe onde cai
É como o pot-pourri do meus versos, nunca sei até onde vai
Mas sai doído, de dentro da alma, qual eco de gritos perdidos
Como fossem soluços desde muito sempre chorados, sentidos
Contando minhas histórias por tantos momentos sofridos.
José João
01/08/2.012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Pedaços de lamentos
Corri entre canteiros regando flores com pranto,
Brinquei entre jasmins fingindo cantar um canto
Que era como oração, como queixume ou prece
Que como nuvem ao céu enfeita e logo desaparece
Contei estrelas em noites frias, para passar o tempo
Que insistia em não ir, em ficar, em me deixar triste
Como se a noite fosse feita para chorar a dor da solidão,
Em silenciosos gritos desesperados da alma e do coração
Bebi minhas lágrimas vindas com doloridos soluços
Que me rasgavam desde o peito até o pensamento
Que se faziam, por tanto clamor, pedaços de lamentos
Que vinham lentos, aos poucos, para serem sempre,
Fazerem de eterno apenas momentos que se fizeram dor
Fazerem de frio, partindo a alma, o que um dia foi amor.
José João
27/07/2.012
terça-feira, 24 de julho de 2012
A saudade é você
Vem, vem com a saudade que sempre fica comigo
Deixa que nela, nas noites, me deite sonhando contigo
Busque nos momentos que um dia juntos vivemos
Sorrisos, lembranças, promessas que a nós nos fizemos.
Sozinho estaria não fosse meus pensamentos buscarem
Em passados distantes, olhares, caricias um dia sentidas
Trocadas, em noites que nos fazíamos de apenas um
Onde nossas almas se faziam a essência de nossas vidas
Te busco no tempo, como meu mais completo pedaço
Parte vital de mim, que sem ela de apenas resto me faço
Como eco de um grito triste chorando a esmo no espaço
Vem, que seja em velhos sonhos, em desejos perdidos
Vem no silêncio da noite, na chuva que chora lá fora
Que ainda estando sozinho sinto a solidão indo embora
José João
24/07/2.012
Pranto, tristeza e canto
Desde sempre tentei secar meu pranto
Chorando dores há muito sentidas,
Chorando saudades no tempo perdidas
Ou carências, dessas que entristecem vida
Meus tantos prantos assim são chorados
Como chuva forte que cai sem ter hora
Como coração partido da mãe que chora
Por que sem dizer o filho lhe foi embora
Minhas lágrimas, a mim são como palavras
Sussurradas num triste e eterno queixume
Como flor que chora a perda de seu perfume
Desde sempre tentei secar esse meu pranto
Por vezes chorando dores que doíam tanto
Que confundiam-se pranto, tristeza e canto
José João
24/07/2.012
Do amor, a beleza é o pranto
Ando pelas ruas como se fosse fantasma de mim mesmo
Passos bêbados, pensamentos distantes, olhos vazios.
Sigo sem horizontes, qualquer caminho é meu caminho
E vou, entre cantos e prantos, perfeito triste andarilho
Não sei mais quem fui, e se para sempre serei assim...
Sombra de mim a percorrer estradas perdidas, sem chão
A flutuar em pedaços esquecidos de sonhos que sonhei
A correr entre pensamentos vendo os momentos que amei
Que amei... como se amar fosse uma oração a ser rezada
Com o coração e a alma, contritos num doce e divino canto
Em que cada instante é maior, se faz eterno, se faz de tanto
Que o mundo se faz pequeno para os sonhos que nascem,
Cada um mais belo, mais colorido e de maior encanto
Que tanta beleza, a vida permite, seja continuada em pranto
José João
24/07/2.012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Meus pesadelos
Fantasmas me vêm, e entre minha raiva e medos
Aparecem. Vivos, até se pintam em cores fortes.
Não sei de onde vêm, mas não se fazem sombras
Talvez sejam até pesadelos, inteiros e sem cortes
Procuro no tempo as razões que os fazem chegar
Talvez por maldades. Motivos? Se têm eu não sei.
Que passado posso ter vivido para que só agora
Me venham tão fortes que até minha alma chora
Minhas poesias, por medo e tristeza choram comigo
Como se vida criassem, e inocentes pedem orando
Que os fantasmas não me façam viver a vida chorando
Paro no tempo, calo meu grito, espero entre os sonhos
Que pedi pra sonhar. Não sei quando ou mesmo se vêm
Mas quero aprender, pelo menos, o prazer de esperar
José João
23/07/2.012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Esse amor que nunca vai
Passam-se noites, dias, horizontes, as ... distâncias.
Chora-se lágrimas, prantos, dores, mas ele está ali
Dentro do coração, da alma e das tantas lembranças
A saudade a cada momento desperta fazendo lembrar
Que não existem ontens nem amanhãs, tudo é sempre
Até detalhes se fazem grandes, muitos, se fazem tantos
Que passam a ser importantes, cada um com um encanto
Esse amor que brinca de parar o tempo dentro da gente
Brinca com os corações deixando-os ternamente dementes
Que nos faz ficar como se criança, até mesmo inocentes
Esse amor que brinca de passar por sobre as distâncias
Que faz se fazer sonhos de nuvens e de criar encantos
Esse amor que nunca vai, faz também se fabricar prantos
José João
20/07/2.012
Não diga nada
Não tente enganar meu coração com palavras
Que já não dizem mais nada, é melhor calar e ir.
Não diga nada. Deixe que o silêncio fale por nós
E apaga dos olhos esse olhar que já não sabe pedir
Sei, vão ficar comigo as recordações dos momentos
Que sonhamos ou vivemos juntos como amantes
Mas agora não diga mais nada, para que palavras?
Nenhuma vai fazer voltarmos a ser o que eramos antes
Não vejo mais em teu olhos quele desejo no olhar
Não diga palavras que serão apenas palavras soltas
Que se farão de lágrimas por serem agora tão poucas
Vai. Não queira me enganar. Não diga palavras bobas,
Palavras vazias são ditas em quase todas as despedidas
Deixe que guarde em mim a recordação de nossas vidas
José João
20/07/2.012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Quando se sente o adeus
Mar, saudade, o por-do-sol pintando o horizonte,
Lembranças, lágrimas, uma dor comprimindo o peito
O tempo parece parar, em volta tudo é tão pequeno
Uma vontade incontida de chorar. Não tem jeito
As lágrimas cobrem os olhos, vontade de correr...
Ah! Se se pudesse voar, ir buscar, ir pedir, ir dizer
Gritar. Te amo, estou sofrendo. Ah! se o mundo
Aos amantes sofredores pudesse isso por eles fazer!
Lá na frente, no horizonte, o por-do-sol pintado de belo
Indo lá dentro, em cada momento, buscando o pranto
Aí percebe-se quão fácil seria dizer: Como te amo tanto!
Aumenta a dor, um misto de raiva da gente e saudade.
O peito arfa buscando o ar que o horizonte vai levando...
E a solidão, com dor, carência e tudo em nós vai ficando
José João
19/07/2.012
Vem chorar comigo
Pedaços de mim vão ao mundo nas poesias que faço
Como fossem de minha alma prantos que ela chora
Buscando em outros corações sofridos a mesma dor
Essa dor de sempre, que se faz nessa dor de agora
Meus versos voam, entram em corações que tristes
Choram a mesma dor que choro com lágrimas diferentes
Mas a angustia da alma é a mesma, ditada pela saudade
Que fica quase mórbida deixando até a alma carente
Meus versos querem dizer que até chorar vale a pena
Se um amor forte nos habitou um dia e sempre ficou
Dentro de nós, como tatuagem, que à alma marcou
Minhas poesias querem ser sentidas dentro da alma
Bem lá no fundo, onde só a saudade pode chegar
Se alguém sentir uma dor assim...vem comigo chorar...
José João
19/07/2.012
Pedaços do passado
Perguntar ao mundo com palavras choradas
Porque o passado, pra mim, só isso deixou.
Dores, angustias, prantos, toda essa saudade,
Que mesmo o tempo passando nunca apagou
Deixou pensamentos distantes retalhos perdidos
De momentos que foram ficando tão esquecidos
Como sonhos que na manhã não se pode lembrar
E fazem que a alma por tão carente se ponha chorar
Mas lá de traz, vem a solidão silenciosa, trazendo
Em rotos guardados, pedaços de olhares, de beijos
Que se fizeram um dia a ternura de tantos desejos
Assim despertaram sonhos velhos, sonhos caducos
Que adormecidos, da alma faziam uma doce morada
Já que sabiam agora ser apenas saudade e mais nada
José João
19/o7/2.012
terça-feira, 17 de julho de 2012
O tempo não mede o pranto
Se o tempo pudesse ser medido por meus prantos
Ontem, hoje, amanhã, seriam apenas eternamente
Verão, inverno, outono, primavera, seriam instantes
Se confundiriam nas lágrimas de prantos constantes
Seria como se o tempo tivesse por si mesmo parado
Perdido entre noites, madrugadas e dias chorados
Como se fosse todo o pranto um único soluço dado
Que até mesmo o tempo, por ele, estaria molhado
Mas não pode. O tempo não pode medir meu pranto.
Não teria tempo que desse tempo de assim medir
E não seria meu pranto se o tempo medisse tanto
Assim vou indo com os olhos cantando o meu cantar
Entre estradas, caminhos e sonhos que fazem chegar
Prantos que o tempo por não ter tempo me ajuda chorar
José João
17/07/2.012
Ouvinte do pranto
As vezes me pego cantando canções
Que nem sei onde ouvi ou aprendi
Canto palavras e pedaços soltos
Como sentimentos rasgados e rotos
Canções me vêm como esses gritos
Que almas tristes sempre choram
Assim como orações no tempo rezadas
Pelas almas carentes quando imploram
Um segundo, um pedaço, um momento
Um pedaço de um relâmpago de tempo
Que encobrisse assim esse tanto tormento
Canções me vêm como gritos da alma
Que de migalhas se faz pobre pedinte
Tanto que do próprio pranto se faz ouvinte.
José João
17/07/2.012
Chorar por apenas saudade
Buscar teu olhar no sol poente de um horizonte
Desenhado com a beleza da ternura de teu olhar.
Buscar na brisa leve a doce meiguice de tua voz
E deitar sobre o tempo buscando outro sonhar
Deixar vir no pensamento os mais ternos momentos
Que foram vividos, sentidos, como pedaços de vida
Que se eternizaram na alma fazendo nela morada
E deixar o infinito de tua presença como uma estrada
A alongar-se até onde a existência possa ir e chegar .
Até onde uma saudade incontida se faça de universo,
E acomode na canção de um pranto, um terno chorar
Não um chorar por dores sentidas dentro da alma,
Não um chorar pela solidão que faz a alma gritar,
Mas um chorar pela saudade gostosa de lembar
José João
17/07/2.012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sei chorar... sei fingir...
As vezes me acho o acorde de um violino chorando triste
Cantando, com um por-do-sol em lágrimas, uma Ave Maria
Onde os sinos choram seis lágrimas em badaladas no tempo
Que vão cabisbaixas, chorosas levadas ao mundo pelo vento
As vezes me sinto uma canção. Melodia que o tempo esqueceu
Que ninguém lembrou de cantar, por ser triste ou não existir
E assim vou, ou fico, em qualquer lugar onde possa chorar
Onde possa com os olhos e com o pranto minha história contar
Se me dizem triste, sou poeta, sei fingir brincar, fingir sorrir
Sei até fazer versos fingindo que não é minha a dor que choro
Sei cantar cantos que ninguém conhece, sei nos versos mentir
As vezes sou oração, as vezes sou canto, em outras sou poesia
Quase sempre sou eu mesmo brincando de imitar o pranto
Essas lágrimas brilhantes que pra saudade se fazem encanto.
José João
14/07/2.012
Te buscando
As vezes me sinto caminhando por estradas desconhecidas
Procurando o que não sei, mas buscando sonhos perdidos
De momentos que nem sei onde vivi, mas sei que os vivi
Talvez em horizontes distantes, de onde vim e aqui me perdi
Talvez até buscando teus carinhos, teus beijos perdidos
Buscando os instantes em que a alma gritava teu nome
Entre cantos, entre os sorrisos, que sei, um dia sorri
Talvez buscando os campos onde contigo, alegre, corri
Me sinto sozinho caminhando por estradas desconhecidas
Caminhos com cheiro de verde, com cheiro do tempo
Em que flutuavas toda plena e pura em meus pensamentos
Era o divino momento em que o céu brincava de brincar
De colorir teus olhos com as cores dele, da luz e do mar
Essas cores de todos os dias tão vivas que só fazem chorar
José João
14/07/2.012
Esse meu coração...
Esse meu coração, batendo forte, chorando triste
Como se cada pulsar fosse um lágrima, uma dor
A ser chorada como se ontem fosse para sempre,
Como se todas as dores falassem de um só amor
Maior que o mundo, que o mar, maior que o tempo
Tão grande que um dia o céu cresceu para cobri-lo,
Que as nuvens até se fizeram de estradas para te-lo
Que tive que ser corpo, coração e alma para vive-lo
Esse meu coração, faz minha alma cantar um canto
Cheio de saudade, onde o queixume se faz de pranto
Onde a dor da solidão de faz de muito, se faz de tanto
Que a angustia me põe no colo e canta para eu chorar
Trazendo sonhos que um dia sonhei e os fiz de vida
Para nunca esquece-los, para sempre deles lembrar
José João
14/07/2.012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Não é de ontem essa dor
Não é de ontem a dor que sinto,
Nem de hoje a dor que amanhã eu vou sentir,
Não é saudade. Quem me dera fosse.
É uma dor que vem do tempo, desde quando?
Não sei dizer... talvez de sempre,
É como se minha alma desde muito
Vagasse solta no espaço a procura
Do que nem mesmo eu sei.
É uma dor que nem sei dizer
Talvez por ser maior que qualquer dor,
É como se o espaço se tomasse de angustia
E se entregasse todo e unicamente para mim
Como se sofrer fosse preciso, fosse viver,
Fosse gritar em silêncio o que não sei dizer.
Não é de ontem a dor que sinto agora
Que me toma forte, violenta e tanto
Que os tão poucos momentos que um dia vivi
São atropelados, deixados esquecidos,
Caídos moribundos no vazio que me toma,
Como se eles não precisassem existir.
Também não lamento essa dor de agora,
Tudo tem seu momento, seu tempo, sua hora
E se é de chorar que preciso. Vou chorar
Essa dor de tanto tempo, de quase sempre
Me ensina, na verdade o que é difícil aprender.
Aprendi a chorar sozinho e em silêncio
Para não constranger as lágrimas,
Que lentamente caem dos meus olhos,
Na vã tentativa de levar com elas...
A dor que sinto.
José João
13/07/2.012
Viver...sem viver
Quando a solidão em grito rompe
Clamando pelo menos uma saudade
A angustia chega e toda se apossa
Como se da vida fosse única verdade
E eis que chora do coração até a alma
Quem por desventura teve essa sorte
E se entrega pleno à falta de vontade
De viver... que clama sua própria morte
Assim a dor lhe impõe silêncio absoluto
Desde a fala até o silêncio do pensar
Então a vida escorre em suspiros leves
Fazendo dela mesmo motivo de chorar
Em profunda fenda o áspero e duro chão
Se abre engolindo até mesmo a ilusão
E assim segue o homem como sempre está
Vazio. Como viver fosse o mesmo que morrer
José João
13/07/2.012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Além de mim
Teu beijos me acostumaram a sentir o gosto do vento
Esse vento gostoso que todas as manhãs beija as flores
Acostumei com tua voz como se fosse gorjeio de pássaros
A cantar divino canto falando das belezas e dos amores
Foste a vida que vivi, foste o calor e os encantos que senti
Ficaste dentro de mim, de minha alma, como doce canto
A embalar sonhos que se faziam muito mais que sonhos
Eram histórias que me faziam rir e até ironizar o pranto
Eras meu ontem, meu hoje, eras todo os meus amanhãs
Eras o ar que respirava, a história mais perfeita que vivi
Na verdade, foste a única história de vida que escrevi
Hoje tua imagem fica comigo nas noites que não durmo,
Na saudade que o tempo teima buscar indo além de mim
De tudo que fui, que sou, só não além dessa tristeza sem fim
José João
12/07/2.012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Histórias do destino
Meus passos pararam como se de repente me faltasse chão,
Os pensamentos se perderam confusos no meio do tempo
Os olhos tristes choravam com a alma em atrevidos soluços
Que se faziam bem mais que pranto por se fazerem oração
Meu mundo perdia o movimento e a cor, ficava num vazio
Que sugava todas as minhas vontades, só não a de chorar
Deixava que o pranto molhasse meu rosto como caricias
Por que sabia, ficou perdido também até a vontade de sonhar
Um quadro único se pintava em minha frente e por toda vida
Caminhavas lentamente em direção a um horizonte infindo,
Tua silhueta na distância se desfazia e eu rezava pedindo
Que tudo não passasse de um pesadelo, que logo acordasse
Mas cruel destino, escreve as histórias com mórbido prazer
Fazer da vida dos amantes apaixonados apenas um sofrer
José João
10/07/2.012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Recordações que me vêm
Recordações me vêm da alma sem que peça
Já os sonhos vêm correndo com pressa de chegar
Pensamentos voam soltos em volteios com o vento
E se me chegam vêm dizendo que a alma quer chorar
Me sento em qualquer canto esperando a saudade
Que foi la atrás no tempo, outra história foi buscar
E os olhos inquietos em queixumes vão dizendo
Tudo isso só porque minha alma quis amar
Assim fico dentro de um passado que não quer passar
Remoendo ilusões perdidas que insistem em voltar
E o coração já me pergunta se é nele que elas vão ficar
Recordações de momentos passados entram sem pedir
Nessa saudade que agora sinto tão dentro de mim
E que fica, e se guarda, sem mais nunca querer ir
José João
06/07/2.012
Vai... vai ser feliz
Ei! Você que está triste com o olhar perdido no nada,
Se tens alguém a quem queiras dizer bem alto: Te amo
Ou, se por timidez, queiras dizer bem baixinho a dois,
Vai. O que estás esperando, vai, não deixa pra depois
Corre, faz viver teus sonhos. Que logo, hoje será ontem.
Queres, por acaso, viver assim, como eu e meus prantos?
Talvez se um dia alguém tivesse me dito. Corre, vai, vai,
Vai viver teus desejos, teus sonhos e os teus encantos
Se alguém me tivesse dito! Estou te dizendo, vai agora.
Vale a pena buscar, da vida, qualquer momento feliz
Mas sofremos por nunca ouvir o que o coração nos diz
Vai, não ouve o que dizem, teu coração é que está carente
Ser feliz está tão difícil, que por dois segundo de felicidade
Por um beijo apaixonado trocaria pela duvida da eternidade.
José João
06/07/2.012
Já fui tanto...
Minha vida não foi sempre chorar dores e prantos
Tive sonhos, momentos vivos, do mais terno encanto
Recitei versos de amores vividos, de amores paridos
De duas almas num divino cio de um amor incontido
Corri de mãos dadas, peito ao vento, coração cantando,
Flores fazendo coro ao canto do vento que cantava comigo
Corri brincando de buscar horizontes que estavam bem ali
Onde qualquer pensamento pode alcançar e faze-los daqui
Brinquei de viver, não sabia que vida também pode brincar
De fazer mágicas cruéis, dessas que fazem até a alma chorar,
Enlouquecida no tempo, num vazio, sem saber onde está
Hoje busco um canto no meio do mundo para poder estar
Ouço a vida brincando, me dizendo que não sou para amar
E a solidão em ironia me pergunta, se quero com ela cantar.
José João
06/07/2.012
Minha alma
Minha alma, acho que nasceu de versos tristes
Ou de amores moribundos, perdidos por aí.
Minha alma as vezes canta tão tristes cantos...
Desses que coração nenhum canta por aqui
Minha alma canta melodias vindas do tempo,
De distantes horizontes, onde acho, nunca estive
Entende o chorar das flores, do perfume das manhãs
E das lágrimas que alguém vai chorar nos amanhãs
Minha alma, acho que nasceu da canção do vento
Esse vento criança que perfuma as primaveras
Voando nos campos brincando de amores e quimeras
Essa minha alma feita de tristezas, amores e encantos
Vive a comover-se de dores que outras almas choram
Assim aprendeu cantar com os olhos, cantando prantos
José João
06/07/2.012
Choro depois
Vai, me deixe aqui chorando, não olhe para traz
Vai e leva todos os momentos mágicos que vivemos
Não quero nada, e mesmo nada tens para deixar
Leva tudo, já me basta esta saudade que vai ficar.
Que queres mais levar de mim que não te chegue?
Então leva tudo, histórias, sonhos, até os pensamentos.
Não é a primeira vez que fico só, tenho companhia
Sempre tive a saudade para alegrar os meus momentos
Vai, não vou chorar agora, quero os olhos bem abertos
Para ver aumentar lentamente a distância entre nó dois,
Não vou te dar o prazer de me ver chorar. Choro depois
Quem sabe encontre um dia em outro olhar o meu olhar?
Quem sabe um dia encontre a beleza de outro amar.
Mas enquanto não me vem, com a saudade chorar.
José João
06/07/2.012
Diz mundo, diz pra mim...
Olho para o céu, não consigo ver,
Sonhos pra sonhar e poder viver,
Olho para o tempo e só sei dizer
Que não vivo, não vivo sem você
Queria tanto que não fosse assim
Queria que o destino por um segundo
Me permitisse apenas um sorriso aberto
Que seria o mais feliz de todo o mundo
Prefiro lembrar meus passado chorando
Que sonhar um futuro que não vou ter
Este futuro seria, viver sempre com você
Diz, mundo, diz agora que foi que fiz
Diz onde errei, será foi no meu sonhar?
Será mundo, que não nasci pra ser feliz?
José João
06/07/2.012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
buscando saudades perdidas
Hoje vou brincar de correr entre o destino e o tempo
Vou lembrar palavras que não disse, beijos que não dei,
Estradas que percorri sozinho, sonhos que não quis sonhar,
Histórias de amores que não vivi, caminhos onde não passei
Vou lembrar as lágrimas que chorei, as saudades que senti
Quero lembrar tudo, para fazer de tudo um único canto
Com uma melodia que ninguém conheça mas que diga
O que é amar, viver, sentir a alma triste derramar seu pranto
Vou cantar com o vento, canções que apenas ontem aprendi
Quando vi meus sonhos, todos eles, irem embora lentamente
Sonhos que quis sonhar, que sonhei, que fiz de vida e perdi
Vou cantar agora o canto triste de uma dor que se faz infinda,
Se faz de eterna a cada instante em que a saudade me chama
Dizendo: Tem muita solidão e angustia para sentir ainda
José João
05/07/2.012
E vem a solidão ficar comigo
Te amar, foi como se a primavera só existisse uma vez,
Assim como se fosses o único dia que o sol iluminou
Te amar, foi ficar entre céus e oceanos a me ver sonhar
E te ver como anjo refletido brincando com o mar
Teu rosto, desenhado em nuvens, tanto era o amor
Que te via assim, sempre sorrindo brincando de brincar
Mandando beijos pelo vento, pela brisa, em belo canto
Que sempre pensei ser da primavera esse doce encanto
Nunca pensei no verão, nem nas folhas caídas do outono
Nunca pensei em prantos, saudades, adeus ou ausências
Sempre um mundo florido, completo de amor, sem carências
Mas de repente o céu se torna cinza, tudo vai indo, fugindo,
Voando no tempo, se perdendo num manto invisível de vazio
E vem a solidão ficar comigo. Fingindo tristeza me olha sorrindo
José João
05/07/2.012
Uma lágrima apenas
Uma lágrima é um solitário grito de saudade,
Desesperada, não espera o pranto para sair
Corre aos olhos como se a alma fosse pouca
Para essa dor que, tão doída, a deixou louca
E a lágrima solitária, no rosto faz um caminho
E por ele vai, seguindo até o fim do infinito,
Lá onde vai a dor que matou verdades, desejos,
Matou até o sabor terno daquele último beijo
Uma lágrima, apenas uma lágrima, e nada mais.
Uma lágrima bela e triste de um último olhar.
Faz a alma sofrer, gritar, chorar, querer morrer
Com ela os olhos se perdem em horizontes distantes,
Buscando imagens perdidas, vagando por sonhos
Que se perderam no tempo como nuvens viajantes
José João
05/07/2.012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Te esperei por uma vida
Te esperei, te esperei sentado nas noites, nas madrugadas,
Te esperei, te procurei por caminhos, veredas, estradas
Fiquei sentado nas tardes, te buscando nos horizontes
Te esperei, por anos, correndo por vidas sem paradas
Sem descansar, procurei teu olhar por entre estrelas
Busquei nos jardins o sabor do teu perfume, te procurei
Corri por lugares distantes, naveguei por mares sombrios
Não sabes! Nem nunca saberás quanto na vida te esperei!
Hoje não espero mais, corro entre os sonhos perdidos
Canto canções antigas mas que já não fazem mais sentido
Lembrando os momentos, os mais bonitos, que levaste contigo
Hoje corro entre ruas, buscando luares que não dizem mais
Da ternura de nossas caricias, abraços e beijos, de nós dois
Hoje vejo que tudo pra nós foi ontem não houve um depois
José João
04/07/2.012
Minha mais linda loucura
Não me importa quantas horas a noite possa ter
Nem me importa mais se o amanhã custa tanto a chegar
Se meus sonhos ficam vivos quando penso em teu olhar
Que me importam noites, amanhãs, se nunca vão passar...
O que me importa é sempre ter um teu momento pra viver
Se o tempo custa, ou não vem, ou me manda em pedaços
Histórias que vivemos, beijos que trocamos, até sonhos
É isso amor que importa, lembrar pra toda vida o que fomos
Deixa contigo eu ficar, nas noites, nos dias, em meu sonhar
Nas minhas horas de alegria, de tristezas, de chorar
Deixa, amor, que eu possa ficar, por toda vida a ti lembrar
Não importam as perguntas, que me digam que enlouqueci,
Não me importa que zombem, que riam, isso não importa
Importa que se for loucura é a mais linda loucura que vivi
José João
04/07/2.012
Não tenho vergonha de chorar
Não sei mais por quanto vou chorar
Me chegam teus beijos no pensar...
As vezes, acho, vou enlouquecer
Sem você, amor, pra que viver?
Quase sempre me ponho a lembrar
Sentado na porta da noite, ao luar
Tudo o que um ao outro nós já fomos
Agora, amor, agora o que é que somos?
Tristes, as lágrimas vêm sem eu pedir
E tudo em seguida perde a cor
Aí minha alma grita com meu pranto
Toda a amargura da perda desse amor
Não tenho vergonha de chorar, chorar,
Chorar até a alma de cansada se sentar
Na beira de qualquer vazio, esperando
Em vão anseio, você sorrindo, me chegar.
José João
04/07/2.012
terça-feira, 3 de julho de 2012
As mentiras doem
Ah! Vida. Ingrata desilusão por sonhos perdidos
Sonhos inocentes sonhados onde as mentiras
Se fizeram tão vivas que o coração se entregou
E sorrindo por, indevida inocência, acreditou
Se abriu assim como a alma que tanto deu-se
Amando tanto que de duas vidas apenas uma fez
E gritando versos em sacros hinos de amor infindo
Viu-se, depois sozinha, por que tudo lhe foi fugindo
As juras se fizeram em nada e se foram ao tempo,
Em bisonhos cantos, como risos de ironia pura
E a alma que tanto deu-se, viu-se perdida e nua
Despida por que as vãs promessas que lhe cobriam
Eram todas mentiras cruas ditas com falso encanto
Que a alma, por vergonha, se esconde atrás do pranto
José João
03/07/2.012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Estrela cadente
Ah! Estrela cadente.
Cortando a noite qual punhal flamejante!
Deixando rastros de pedidos perdidos,
Caídos na própria noite sem luz,
Ou como esperança sem cor.
Há quem lamente,
Não houve tempo de pedir
E busca o céu, olhar atento,
Qualquer estrela que talvez, nem exista mais
Mas que se solte, que caia, que corra...
Afinal tem que ser feito o pedido.
De repente... outra estrela cadente
Risca o céu, enfeita a noite, entra na mente
E lábios frenéticos esboçam um falar,
Atropelam as palavras, o tempo é curto
O pedido é grande. Deu tempo de pedir?
Ninguém sabe. O pedido é um segredo.
Ah! Estrela cadente!
Que engana crianças, engana até a gente.
E se perdem não se sabe onde,
Talvez engolidas por um buraco negro,
E os pedidos? ... Os pedidos?!
Esses se perdem por aqui mesmo.
02/07/2.012
Minha saudade amiga
Que sonhos, saudade, tens pra me dar?
Outros momentos trazes para sonhar?
A cada dia me despertas um pensar
E sempre um outro motivo pra chorar
Me trazes agora em forte relembrar
Um beijo que já me havia esquecido
Não. Não foi aquele beijo trocado
Mas outro, aquele ousadamente roubado
Me trazes a recordar o lindo rosto dela
Que de lírio ficou rubro como se o sol,
Aquela divina face tivesse acariciado
Mas não foi do sol tão doce caricia
(Foi o calor daquele meu beijo roubado)
Tantas recordações que até me fazem
Dentro dos próprios versos me perder
Assim como um dia dela me perdi
Assim como até hoje não sei como vivi
Mas não há de ser tanto a dor que sinto
A saudade, cativa companhia, me acalenta
E de olhos fitos no meu tristonho pensar
Calmamente do meu lado ela se senta
Amanhã certamente outros sonhos me trará
Outros momento que eu possa recordar
Foram tantos, tão intensos e tão verdade
Que pra senti-los só mesmo com a saudade.
José João
02/07/2.012
Sem sonhos para sonhar
Ó! Dor que minha alma toda toma
Que lhe faz esquecer a própria vida
Que se perde como folha seca ao vento
Como lágrima, lentamente ao chão caída
Que tristes o sonhos que me tomam agora!
Como se eu fosse o resto de mim mesmo
Como se o amanhã me fosse um pesadelo
Que já hoje, gostaria de esquece-lo
Ó! Sonhos que me largaram a toa ao mundo
Que no tempo me fizeram apenas um vagabundo
E que pra vida um simples e perdido moribundo
Ó! Saudade! Onde estás que não me ouves?
Faz que meus sonhos a mim possam voltar
Que já não tenho outros sonhos pra sonhar
José João
02/07/2.012
Saudade, meiga companheira
Ah! Que bela calma a saudade me traz
Me deito em seu colo e não preciso mais
De um canto escondido pra chorar meu pranto
Ou de outros ouvidos para ouvirem meu canto
Ah! Mas que doce calma que sinto agora!
Como a saudade me enfeita as horas!
Me acalenta com belos sonhos dourados
E deixa alegre os meus olhos chorados
Que saudade maior haverei ainda de ter?
Talvez dela mesma, se ela um dia partir
Mas se um dia, isso a mim acontecer,
Que seja por um amor como nunca senti
Mas enquanto não me vem esse amar
Deixo que a saudade me possa tomar
Em qualquer momento que ela quiser
Desde que me permita faze-la de mulher.
José João
02/07/2.012
A saudade foi buscar
Será que tenho algum sonho perdido
Lá, bem dentro do tempo esquecido?
Como poderia sem saudade encontra-lo?
Como sem ela, ir ao tempo busca-lo?
Estanho o que agora comigo acontece
Minha tão doce saudade de mim se perdeu
Mas como? Se ela de mim não se esquece?
Será que hoje, ela de mim, se esqueceu?
Jamais, jamais um só sonho meu esqueci
Mas algo me diz que alguma coisa me falta
Deve estar em qualquer lugar do passado
Esse sonho que não me tenho lembrado
Mas eis que me chega sorrindo a saudade
Dizendo que de mim não se havia esquecido
Que apenas pra mim foi distante buscar
Aquele sonho que havia no tempo perdido
José João
02/07/2.012
Assim como as flores
Como flor pendida em caminho estreito
Em que caminhantes não lhe têm respeito
E mais ainda, grosseiros ao chão lhe atiram
Como se dele lhe quisessem fazer de leito
Assim a flor, coitada, tão bela e tristes
Se arrasta ao sol e não tem sossego
Não tem quem queira lhe erguer do chão
Quem lhe sinta um pouco de compaixão
A flor em prantos, triste, ao vento implora
Por favor, me ergue o caule para que eu viva
Não ouve o vento, e em volteios vai indo embora
Minha alma vive, assim como vive essa triste flor
Que em prantos pergunta a Deus: Que mal te fiz?
Assim também, minha alma triste, em prantos diz
José João
02/07/2.012
Grita coração
Grita coração, bem alto, teus desencantos
Faz da vida parceira dos teus prantos
Chora. Não importa com quais lágrimas
E faz do vento caminho para os lamentos
Chora, coração, teu descontentamento
Grita a dor que te lacera a pobre alma
E se dor maior essa vida tem pra te dar
Esta, à outra dor, certamente acalmará
Segue a sorte da tristeza que herdaste
Pela perda de um amor quase infinito
E se indiferente fores a tantos outros
Vai, segue e ouve atento teu próprio grito
E se teu grito, ao mundo, não fizer eco
Não lamente tão desventurada sorte
Foi o amar quem te deu a dor que sentes
E não amar é viver dentro da morte
Segue, então, a sina que o destino te impôs
És história, tens um antes, uma agora e um depois
E toda história de amor, coração, é verdadeira
Somente se tiver sido escrita por dois
José João
02/07/2.012
Minhas poesias!?
Um dia talvez minhas poesias sejam como as borboletas
Valsando alegres e frágeis ao sabor do vento, sem rumo
Beijando corações como se fossem flores coloridas
E em cada um deixando uma semente de amor e vida
Entrará em cada um deles mansamente, sem que sintam.
Para cada semente levará uma lágrima minha, a mais bonita
E deitará as duas, minha doce lágrima regará a semente
E deixará que cresça viçosa de beleza eternamente infinita
Um dia minhas poesias povoarão pensamentos e sonhos
Se farão a medida mais certa para apaixonar os corações
Dos descrentes, dos carentes, dos que vivem sem emoções
Quem sabe, minhas poesias, possam até servir de recado
Em cartas perfumadas falando do amor mais inocente e puro
Para aquele amante tímido com vergonha de estar apaixonado!
José João
02/07/2.012
Amar, é brincar de esperar...
Vai, e que logo o tempo apague teus rastros no chão
Para que o desespero de te seguir se apague com eles
Mas é tão doída tua ausência, toda essa tanta saudade
Que ti seguir, agora se faz em mim minha maior vontade
Não sei como ficarão meus dias, levaste meus sonhos,
Levaste os sorrisos, a alegria, e deixaste apenas vazios
Que me toma todo e por não ser nada me sufoca tanto
Desde a alma até os olhos chorando tão copioso pranto
Vai, a vida é mesmo assim, amar é brincar de esperar
O que não se sabe, por vezes lágrimas, as vezes risos,
Um divino cantar da alma, mas quase sempre um chorar
Tomara teus passos já tenham se apagado ao tempo,
Ou tenhas caminhado sobre pedras sem deixar marcas
Mas que adianta, estarás sempre em meu pensamento.
José João
02/07/2.012
domingo, 1 de julho de 2012
Chorar, é sempre tão pouco
Chorar. Para quem sente saudade é tão pouco,
É conversar com o tempo sem precisar falar,
É dizer dos momentos que não se esqueceu,
É contar em silêncio um sonho que já morreu
Chorar é a alma triste gritar em silêncio sua dor
Deixar que cada lágrima seja uma palavra gritada
No vácuo de um mundo onde o som não pode ir
Em que só o vazio, por nada ser, pode existir.
Chorar é fazer de sublime uma oração rezada
Que só a alma consegue em sutil desespero rezar
E em leves sussurros pedir que lhe possam escutar
Chorar é estar em harmonia com a dor mais doída
Por saber que de dentro da gente ela não vai mais sair
É saber que ela sempre estará onde se possa estar ou ir
José João
01/07/2.012
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