domingo, 4 de setembro de 2016

Pra mim ... sonhar é melhor que viver.

Faço dos meus sonhos verdades verdadeiras
Porque a vida ... a vida mentiu pra mim.
Me encheu de vazios depois de promessas
Mentirosas. Me fez amar, me entregar todo,
Pleno e sem reservas, me fez crer na eternidade
Do sentir, mas não me falou de adeus, de lágrimas,
De saudades e depois deu-as a mim ... assim...
Como fossem tributos por amar sem medida.
Não me disse que um adeus doía tanto ...
Tanto que as lágrimas, feito farpas pontiagudas,
Após sangrarem a alma, fogem pelos olhos,
Deixando-os vermelhos pela tanta dor que choram.
A vida mentiu pra mim,  mentiu quando disse 
Que a saudade fazia fugir a solidão ... mentira,
Juntas doem ainda muito mais, e é tanta dor
Que em qualquer lugar que se esteja, lá estão...
Saudade e solidão, tristezas e lágrimas...
Meus sonhos, não... eu os faço, eu os crio...
Posso sonha-los todos os dias e a cada um deles
Fazer eterno, se gostar daquele que sonhei hoje,
Sonho amanhã, e depois... e depois ...e depois
Para sempre ser, pelo mensos, uma esperança
Sem adeus e ... sem saudade.


José João
04/09/2.016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Existes ... pelo menos em sonhos

Talvez... não sei bem, devesse ter sido você
Quem eu deveria ter esperado, não sei, não lembro
Porque não o fiz, me perdi, me esqueci de mim...
Não me refiz, não me encontrei e de mim, me perdi.
Busquei, e sem saber porque, caminhos diferentes,
Caminhos que não se cruzariam com os teus...
Hoje não sei onde estás e não ficaram  marcas
No chão para me fazer voltar por onde passei,
Ou se ficaram foram apagadas pelo tempo
Ou por outros passos que por ali passaram...
Talvez como os meus, em desencontrados ir e vir.
Teus passos, lá, também não estavam, eu saberia
Se lá estivessem, tua alma me diria, chamaria
A minha a seguir-te e eu, por mero esquecer
Das coisas de mim, de ti... de nós, me perdi.
Mas, se hei de seguir assim, tão só, que a vida
Me farte dessa saudade que me faz te procurar,
Que me faz ser teu, que me faz que viver me seja
Isso, essa busca de ti, essa falta de ti, essa tanta
Loucura de ti. E se não me for mais permitido
Te encontrar que, pelo menos, essa lembrança,
Mesmo distante, quase apagada, quase perdida,
Te traga inteira e plena para dentro dos sonhos...
Que te trazem para tão perto de ... nós dois


José João
02/09/2.016

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Confissionário

Ontem, eu sei ... fui bem além de mim,
Disse tudo que queria dizer e muito mais,
Bem em sua frente, tentava olhar seus olhos,
Mas ela até parecia não tê-los. Ali, diante de mim,
Parada, inerte, em assombrosa passividade,
Me ouvia calada. Meus gritos e os da alma
Se faziam ouvir, blasfêmias, injurias, palavras
Gritadas, algumas cheias de ira, até mesmo rancor,
Eram ditas, e ela, calada, sem nenhum movimento,
Ouvia tudo, em pé, na minha frente, muda e passiva.
Meus gritos espantavam o silêncio, até a solidão,
Escondida num canto, perto dela, assustou-se,
Correu por dentro da noite como se minha raiva
Lhe perseguisse. E ela...ela me ouvia muda,
Insensível, quanto mais ela me impunha silêncio
Mais eu gritava, se minhas mãos lhes tocavam...
Sentia a frieza, a dureza de quem não sabe sentir,
Como não lhe tivesse sobrado sentimento nenhum
Me enfurecia mais, e muito mais eu gritava...
Furioso, lhe falei tudo que uma quase loucura
Me permitia falar. Cansei, um pranto avulso
Tomou conta de mim... sentei no chão, incoerente ...
Encostei minha cabeça nela e ...dormi...dormi
Essa foi a primeira vez que conversei, que gritei
Que me confessei com a parede do meu quarto.

José João
01/09/2.016



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Versos tristes ...não é minha a culpa

A culpa não é minha se meus versos são tristes
E cheios de mim. Não é minha a culpa, é da poesia
Que se permite ser escrita assim. A culpa ...
Também é das palavras que escrevem tristezas,
Não sabem ficar alegres, não sabem sorrir
Nos versos, não sabem correr, brincar de inocência,
Se fazem poucas, se fazem tímidas, só gritam
Se alguma tristeza, trazida por algum adeus...
Ou uma saudade maior que todas as saudades
Precisem ser gritadas, para que até o eco dos gritos 
Sejam tristes e, voando ao tempo, se façam prantos.
Não me culpem se os versos se escrevem tristes,
Se as poesias choram com suas próprias lágrimas,
Se as rimas se perdem entre o meio e o final do verso,
E as entrelinhas sejam pedaços escondidos de mim
Que contam vazios, em versos que não têm fim.
Não me culpem se a solidão constante e plena,
Se o silêncio tão comum num coração carente
Façam essa dor por maior que seja uma dor serena
Como se dor não fosse dor, fosse um sentir diferente


José João
30/08/2.016


Nem sempre amar é só amar.

Minhas palavras se perdem dentro do meu silêncio,
Não que elas não tentem gritar, voar em liberdade,
Como fazem meus pensamentos, mas é que a voz,
Se perde entre os soluços que insistem em chorar
O nome dela. A alma, como passageira dos sonhos,
Voa entre os horizontes, por caminhos sem chão,
Em desesperados e perdidos volteios, e vai...
Se perde, volta, sem nenhum lugar onde possa estar.
Onde possa esconder-se da tanta dor que a aflige.
As lembranças, como cascatas de sonhos perdidos,
Correm no tempo  como se a dor, delas precisasse
Para doer mais. O tempo pára, os olhos ardem,
O coração dispara, e uma saudade, dessas que dói,
Se faz do tamanho da vida, como se nunca mais
Fosse passar. E uma angustia, dessas que faz
A loucura falar em delírios o que não se quer falar,
Diz baixinho pra alma da gente, o que não se quer
Ouvir: Que amar...também é chorar.


José João
30/08/2.016

sábado, 27 de agosto de 2016

Um museu de solidão

Há quem fale em solidão, como se ela fosse
Apenas solidão. Ah! Se soubessem como sei...
Suas tantas faces, suas tantas maneiras de chegar,
De ser, de ficar. Até mesmo de fingir, sim, a solidão
Finge, é como se fosse uma atriz, as vezes bela,
Até alegre, dadivosa, outras... sufoca, quase mata.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!
Por exemplo, aquela solidão que fica depois de um adeus,
E finge-se dar um tempo, mas na verdade,
Ela, a solidão, é o medo de se sofrer outra vez.
Aquela, quando o adeus é tão pouco, que no momento
Se faz solidão, mas só até o amanhã ou até outro olhar 
Que faça o ontem ser apenas uma lembrança.
Ah! Mas que dolorosa solidão! Malvada e vilã,
É aquela que nos toma mesmo dentro da multidão
Onde o silêncio na alma grita mais que qualquer voz,
Onde tudo e nada se confundem, em ir ou ficar.
Onde até a alma se perde dentro de infinda tristeza.
Mas tenho minha solidão preferida, terna solidão,
É aquela em que escolho estar, minha, só minha...
Tão prazerosa como fosse um ópio divino...
Me fazendo sonhar, sonhos que a vida não tem.
Só tem uma solidão que tenho medo, é aquela
Que não sei se saberia sentir.
Ah! Se soubessem de solidão como eu sei!!!

José João
20/08/2.016



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nem parecia um dia

Hoje o dia se fez ridículo, parado, cheio de vazios,
Um pedaço de tempo sem forma, sem cor, 
Perdido entre horas que passavam sem querer passar,
Se arrastavam preguiçosas, zombando de todas
As dores, saudades, gritando num silencioso gritar
Cantos de tristeza que eu nem queria ouvir.
Nem parecia ser dia, parecia pedaços esquisitos
De horas quebradas, tortas, rotas, compridas, mortas,
Me perdi dentro delas, corri gritando blasfêmias,
Até o eco dos meus gritos caiam em estapafúrdio cair,
Ensopados, pesados pelo peso do pecado de blasfemar.
As palavras se desencontravam no clamor de pedir,
E o dia, que pra mim nem era dia, zombava rindo,
Fazendo de cada hora um gargalhar tirano, irônico.,.
Debochado e irreverente, alheio a angustia que a alma
Chorava sozinha entre as lembranças e sonhos 
Que lentamente iam se desvanecendo, se fazendo nada...
Mas provocando as lágrimas para chorarem essa dor.
E o dia, que pra mim nem era dia, num mórbido cio
Com a solidão, paria horas ainda mais tristes,
Mais preguiçosas que se arrastavam como lentas
Procissões sem querer fazer o amanhã chegar.


José João
24/08/2.016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

É só o que sei fazer ... amar

Amo, apenas porque é o melhor que sei fazer,
Sei amar antes e depois de amar, parece loucura!
Sei te amar sem te conhecer e sei sentir tua saudade
Antes que me digas adeus, porque é só o que sei...
Amar. Sei amar desde a vontade de te conhecer,
Amar teu nome sem nem saber quem és,
Desde agora, chorar essa saudade dos amanhãs
Enquanto não vens. É só o que sei... amar.
Te espero sonhando sonhos que amo sonhar,
Porque neles te amo, tanto que o prazer de te esperar
Me faz sentir o coração bater mais forte e a alma
Cantar Ave Marias imitando a voz dos anjos.
Amo porque é só o que sei fazer... amar
Amo te esperar, sentado no meio da tarde,
Com os olhos olhando pra lugar nenhum,
Com o olhar perdido entre os tantos silenciosos
Caminhos que minha mente cria, apenas e apenas
Por amar. Te confesso meus segredos, todos eles,
Nas verdade, meus segredos de nós dois...
Amo  amar, esse amor que se chora sozinho,
Sem se ser triste, amo, até a inquietude
De te esperar...é só o que sei fazer... amar.

José João
23/08/2.016


...e se não existissem lágrimas!!

... e se não existissem lágrimas!? Como viveria?
Como minha alma gritaria com meus olhos?
Como os versos de saudade se escreveriam
Em meu rosto? Se não existissem lágrimas!
Como eu poderia rezar, em divino silêncio, 
Orações saídas de dentro de mim como fossem
Meus pedaços pedindo clemência ao tempo?
Lágrimas! Pedaços completos de mim...
Serenas, brilhantes, inocentes, puras e livres...
Se não existissem lágrimas... eu as criaria,
Teceria pedaços do por do sol, o mais lindo,
Em pequenas contas coloridas, cor de saudade,
Misturava, nas mãos do tempo, com o orvalho
Do alvor do dia quando se prendem nas pétalas,
No lindo e preguiçoso despertar das flores,
Subiria na mais alta montanha ... a mais alta,
Aquela que mais  chegasse perto de Deus,
Poria aos seus pés e diria: Eis aí Senhor...
Eis aí do que precisas para fazer lágrimas...
Mas elas existem, não sei como foram feitas...
Mas se fizeram tão minhas que, acho até,
Deus me deu de presente ... todas elas.

José João
23/08/2.016


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O desesperado grito das lágrimas

As vezes chorar é preciso... é quando o sol
Vai indo lentamente lá para o fim do mundo,
Vai abrindo caminhos, levando sonhos...
E fazendo a saudade, no silêncio da alma,
Brincar com os olhos que choram as angustias
De adeus que ficaram como marcas vivas,
Como histórias e segredos que só sabe
Quem, nesse momento, chora sua dor...
Quase sempre, chorar é uma oração rezada
Sem palavras, (quando é muito a dor
As palavras são inúteis) é quando a alma
Ergue os braços ao céu, deixa o olhar perdido
Na busca de qualquer luz que a faça crer
Estar sendo ouvida e, submissa a um sentir,
Que vai muito além da própria vontade,
Chora aos cântaros, prantos que nem sabia
Estavam ali, prontos para se fazerem voz.
As vezes chorar é preciso, quando é muito
Grande a dor do adeus, tanto que comprime
O peito, os soluços engolem a voz é, nessa hora,
Que as lágrimas se fazem palavras...
Sem idiomas e sem tradução. É apenas dor.


José João
22/08/2.016

Por tanto chorar

Caminhava por estradas vazias, entre angustias
E mórbido silêncio a me acompanharem,
Sussurrava orações perdidas no vazio de mim,
Sentia nos ombros, curvos, o peso de saudades
Doídas, choradas com pedaço completos
De uma solidão tão densa que sufocava a alma.
Passos trôpegos, chão molhado pelas lágrimas
Que chorava em convulsivo e descabido pranto.
Noites a se arrastarem lentas em amargas horas,
Como se ruminassem minha própria dor,
Como se fosse preciso repeti-la para doer mais.
Minha alma se marcava por cicatrizes...tantas
Que se faziam bordados de retalhos de mim.
Caminhava assim, sem uma saudade nova
Para enganar o tempo, para enganar a alma.
Em orações gritadas em desespero, rezava...
Como rezam os loucos esperando divino milagre.
E rezava...rezava na espera de um acontecer...
Até que a alma explodiu em gritos e blasfêmias
E perguntou: Deus não vês esse meu sofrer
E os tantos pedidos que fiz? Não me ouves?
E uma suave voz me respondeu em silêncio:
Vês aqueles passos, lá ao longe? Aqueles indo
Na direção do horizonte? São os passos dela...
Eu a trouxe pra ti, mas estavas tão ocupado 
Em chorar tua dor que não a viste passar...
Que pena!

José João
22/08/2.016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

É melhor o vazio dos loucos

Não sei, até hoje, o que teria sido melhor pra mim,
Ter te conhecido, ou nunca ter te visto, não sei.
Se nunca tivesse te conhecido, a monotonia da vida
Continuaria a mesma, os vazios, as tentações
Mórbidas se fariam tantas e tão fortes que um dia
Já não seria ninguém. Não teria sonhado,
Não teria caminhado por estradas desconhecidas
Como se fossem minhas, mas estaria dentro
De minha loucura, na comodidade de nada ser,
De nada saber, nem de chorar, nem de querer,
No vazio dos loucos não existe dor nem sofrer.
Qual o melhor pra mim? Não sei. Te conheci.
Comecei a ver outros horizontes, a sonhar,
A olhar os amanhãs muito além do que eu era.
Aprendi que não existe vazios numa entrega
Plena, intensa quando duas almas se permitem
Fazer-se uma, quando se aprende que amar
É nunca se está só, é a magia de saber que
A eternidade não está no tempo, mas dentro de nós.
Aprendi a sentir tua saudade a cada instante
Que não estavas. Aprendi a amar...mas também...
Aprendi chorar essa dor, essa saudade,
A viver esse vazio que um adeus faz sentir.
No vazio dos loucos não existe essa dor...
Acho que vou voltar.

José João
19/08/2.016


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Eu... os restos de mim

Finalmente descobri do que sou feito!
Sou feito de restos... restos de mim mesmo.
Minha saudade é resto de momentos vividos,
De amores que se foram em doloridos adeus,
Que também foram restos de sentimentos
Que o tempo não permitiu que se eternizassem.
Minhas lágrimas... (rsrsrs) também são restos
Porque nos prantos que já chorei, como fossem
Fortes chuvas de cruel inverno, se gastaram todas,
Hoje são lágrimas raquíticas, como são todos
Os restos, nem me molham mais o rosto,
Contam histórias inacabadas e descabidas,
São mesmo restos, não são como as antigas...
Fortes brilhantes, escreviam em meu rosto
Histórias completas, poesias inteiras, hoje...
Coitadas! Meus sonhos!? Também hoje
São restos, são pedaços perdidos de mim
Que se arrastam penosamente no tempo,
Cansados, nem fazem mais a alma chorar.
Na verdade não sei se sou feito de restos
Ou sou o próprio resto, o fantasma de mim

José João
18/08/2.016

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Só eu sei de mim

Quando estiver na solidão, não me busquem,
Pode nem ser solidão, talvez seja eu dentro de mim,
Me dizendo coisas que só eu sei me dizer.
Quando meus olhos estiverem em lágrimas,
Não perguntem se é tristeza, pode ser um sorriso
Da alma contando uma saudade que só eu sei sentir.
Quando estiver em silêncio, me deixem ficar,
Talvez nem seja silêncio, seja o encantamento
De um momento que quero lembrar, reviver,
Deixar ficar dentro de mim em terna harmonia
Com a vontade de eternizar o que foi tão intenso
Que até hoje vive na alma, passou pelo tempo
Sem ranhuras, sem se fazer pedaços, completo,
Como se tivesse sido  bordado pela perfeição.
Se estiver gritando, não me escutem, quem sabe
Nem sejam mesmo gritos, sejam orações rezadas
Numa alucinante vontade de que voem por aí
Por sobre horizontes ... sentimentos, corações,
E sejam, um dia, ouvidas como um pedido
De clemência...  e quando estiver chorando,
Não chorem comigo... me deixem só.

José João
17/08/2.016



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Nós... para sempre

Ontem, te vi nos sonhos que sonhava acordado,
Teu rosto brincando de chamar minha saudade,
Teu perfume solto ao vento perfumando o tempo,
Até senti tuas mãos em meu rosto, macias, suaves,
Como se fosse uma leve brisa de primavera.
Senti as mãos tremerem, o coração pulsar mais forte,
Senti os olhos, escrevendo com lágrimas, teu nome
Em meu rosto. Flutuei dentro o tempo, te busquei,
Lá, bem dentro de minha alma, de onde nunca saíste,
A saudade veio correndo, em desesperado chegar,
Como se fosse preciso, como se fosse um pedaço
Da vida que ficou no tempo vivido por nós dois.
Fiquei em silêncio para não espantar meu pensar,
Não deixar o sonho, que me fazias sonhar, ir-se
E me deixar essa falta de ti, essa louca carência
Que me toma, que me invade, como se tua ausência
Fosse o mesmo que não viver. Não me permito
Ir além de sonhar contigo, te deixar dentro de mim,
De te fazer minha, para sempre, mesmo em sonhos.

José João
16/08/2.016


sábado, 13 de agosto de 2016

"As vezes eu me levo para passear"

Quando estou só, quando a solidão grita estridente,
E minha alma, aos pulos, faz o coração correr
Dentro do peito, num pulsar descompassado,
Como fosse soluços que sufocam minha voz,
Quando o vazio ocupa o pensar, a dor fica viva
Fazendo que fugir seja estar em nenhum lugar,
E o olhar se perde na vazia imensidão do nada,
Quando até os restos dos sonhos que sonhei
Se fazem pedaços perdidos do que vivi...
E quando o cansaço da alma triste me permite,
As vezes eu me levo para passear, apenas ir...
Mesmo por caminho tantas vezes percorridos,
Mas a alma voa por horizontes que nunca fui,
Me conto histórias de mim como fossem
Verdadeiras, vivo os sonhos que nem sonhei,
Mas que estão ali, dentro de mim, vivos,
Reais como se fossem saudades do que nem sei
Se vivi. As vezes eu me levo para passear,
Para me me ouvir contar histórias, 
Declamar versos perdidos, poesias inacabadas,
Mas sigo comigo de mãos dadas com a alma
Contando coisas de mim...

José João
13/08/2.016
(participação especial
de Silvia Tereza)

Almas sozinhas

- O que nos separa não é a distância
   E na verdade, nem os caminhos
  O que nos une não é a vida...
   É simplesmente sermos sozinhos

   Minha busca é árdua...onde estou?
  Talvez tão longe e de mais ainda vim
  Entretanto nada sob o céu tem fim
  A esperança é eterna e existe em mim

  Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre, de cantar risonho
E em belos versos em ti me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes
Se dela falas...me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda é até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
E haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! E chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar, falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto de vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita


José João
publicada em
14/08/2.011
(reedição, a pedido)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Lágrimas ... para florir

Se "é preciso chuva para florir",  meus olhos...
Sim, meus olhos, estão prestes a serem jardins,
Tanto são os prantos que caem como chuva,
Por vezes orvalho, quando a dor é menor
Que a saudade, outras é tempestade, quando
Uma dor maior que todas sufoca a saudade
E se faz dona de mim por tanta carência...
Pelo vazio que ficou com aquele adeus, triste,
Dito no silêncio de palavras apenas murmuradas,
Por essa ausência que insiste em se fazer viva,
E até pelos sonhos mortos, um dia, minha alma,
Que não se cansa em fabricar lágrimas...
Fará nos meus olhos, uma verdadeira primavera,
Se "é preciso (apenas) chuva pra florir"...
Meus olhos vão além, fazem das lágrimas,
Prantos e dos prantos, chuva forte, e a alma,
Semeia, as sementes de um flor que só nasce
Nos olhos dos amantes, por isso quase ninguém vê.
É uma flor linda, talvez com um semblante triste,
Mas de pétalas luzidias, uma flor de nome saudade
Que floresce nos olhos de quem, por amar,
Só precisa de lágrimas... para fazer florir

José João
12/08/2.016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Copias os versos, mas ...e as lágrimas?

Tu sabes a dor que chorei para escrever
Esses versos que me tomas dizendo que são teus?
Tu sabes do grito estridente que minha alma
Gritou em lágrimas quando a saudade se fez dor?
Essa dor que nunca sentiste. Copiaste os versos,
Mas a dor...essa é só minha e só eu sei chora-la.
Não sabes chorar, com certeza não sabes...
Como tua alma fria e vivendo sem sentido
Poderia, sem prantos, chorar uma saudade?
Vejo tua alma um triste deserto árido, seco,
Sem saber parir palavras, quanto mais versos.
Talvez tenhas até zombado de minha tristeza,
Ela não te importa, pra ti importa, muito mais,
Os versos que escrevi, os versos que são meus,
Que te importa a dor que chorei nas noites
Ruminando uma solidão só minha? Pra ti,
Já é muito a cópia de mim. Copia mais,
A poesia pra mim é como um rio que corre, 
Caudaloso, extenso, sem paradas e sempre mais,
É como um infinito de sentimentos que a alma
Não cansa de sentir, e me dita nos versos
Palavras que só ela sabe dizer. Mas se queres,
Por pena, e apenas por isso, te deixo
Que chores com minhas lágrimas um dor
Que é minha. Rio-me, um riso triste...
Por pena de ti.

José João
10/08/2.016



domingo, 7 de agosto de 2016

Almas que não se encontram

Me deixa, por favor, Deus, pelo menos sonhar,
Me permites essa saudade que as vezes dói tanto,
Me permites, na mansa brisa, sentir seu perfume,
Me permites que meus pensamentos, todos eles,
Sejam pra ela, permites até, que nos horizontes...
Ao por do sol, na melancolia dos tantos devaneios
Trace rotas para busca-la por caminhos que não sei...
Que talvez nem existam. Permites que na angustia,
Nessa minha angustia que se faz dona de mim,
Invente orações que nem sei se escutas, mas deixas,
Que com o nome dela, crie rezas que só eu 
Sei rezar. Me permites que traga lembranças
Como fossem relíquias que o tempo nunca apaga,
Que a saudade escreva em meu rosto o nome dela
Bordado em lágrimas, desenhado em prantos...
Me permites até senti-la dentro da alma...
E fazes que esse sentir seja infinitamente eterno,
Me permites tudo, então permita que os sonhos
Venham... que sejam ternamente sonhados 
Para que possa, pelo menos ... conhecê-la, 


José João
07/08/2.016

sábado, 6 de agosto de 2016

Não digo nada ...apenas choro

Além, muito além do tempo, lá num horizonte,
Perto do infinito, no mais belo céu de por do sol,
Além de qualquer distância, fiz meus pensamentos
Te buscarem, fiz meus sonhos voarem nos rumos
Mais incertos, até mesmo em perdidos desertos
De caminhos vazios, sem maracas e sem chão.
Fiz meus olhos, coitados, em perene desespero,
Te procurarem por caminhos que nem existem
Além dessa saudade que deixaste, desse vazio
Que tua ausência traz. Te busco nas histórias,
Que a vida nos escreveu, na ternura dos beijos...
Até beijos que não trocamos, nas tantas palavras 
Que não dissemos. E uma mistura de angustia,
Saudade, solidão e carência me toma todo,
Tanto, que lágrimas, contra a vontade da alma,
Saem avulsas em indecorosa liberdade de mostrar
O que deveria ser segredo. Na frente do tempo,
Sento cansado, ombros curvos, caídos...
Como se tua falta tivesse o peso do mundo...
Não digo nada... apenas choro.


José João
06/08/2.016



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Além de ti... só o infinito

Colhi no tempo alguns pedaços de mim,
Ainda repletos de ti. Busquei na alma
Minhas todas razões de sentir essa saudade,
Vieram sonhos vestidos de ti, perfumados...
(Só o amor faz sentir o perfume dos sonhos)
Minhas lágrimas me culparam dessa angustia
Que elas choram, dessa tristeza que gritam
Em meu rosto, como se fosse minha a culpa
De tua ausência, como se não doesse em mim
Essa falta que fazes, como se o vazio,
Esse que me toma todo, não se fizesse 
Afiadas e pontiagudas farpas de solidão
A me ferir a alma que em sutis e doloridos
Gemidos chora em silêncio essa tanta dor.
Restos de sonhos que sonhei contigo,
E foram tantos! Nunca me permiti sonhar
Outros sonhos, todos eles foram sempre teus,
E bem sabes, como minha própria vida,
Que te dei e que essa santa saudade de ti
Me faz ainda senti-la pulsar em mim.


José João
04/08/2.016


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Até sempre

                        
As vezes, e muitas, confundo chorar com sorrir,
Solidão com viver, silêncio, com gritos mudos
Que a alma, em alvoroço pela dor que sente...
Pela ausência que chora em desespero, grita.
Me perco nos caminhos por onde a saudade me leva,
E sem rumo, percorro horizontes que nem conheço,
Ouço o eco do meu grito moribundo chamando
Teu nome como fosse canção perdida no tempo.
Meus olhos acordam tristes, em lágrimas vivas
E vão traçando rotas entre o que não vejo
Apenas sinto. Escrevo versos perdidos,
Cheios de palavras que nada dizem, tão poucas
Para tanta tristeza, palavras sem sentido, vazias
De mim porque em mim tudo se fez nada...
Sou, talvez, um pedaço de tempo que se perdeu,
Um resto de sonho que agora se faz apenas dor,
Uma sombra que caminha com passos bêbados,
Tropeçando nos soluços que caem da alma...
Mas que, ainda assim, só sabe ser teu


José João
01/08/2.016


domingo, 31 de julho de 2016

E se minhas mentiras forem mentiras?

Há sempre quem queira explicar minhas lágrimas,
Alguns dizem que não é dor, são meros fingimentos,
Outros dizem que choro dores alheias, com se fosse
Um plagiador de lágrimas e sentimentos... mas outros...
Dizem que são mesmo minhas as lágrimas com que choro
As dores que também são minhas. Meus versos...
Dizem alguns, não são ditados pelo que minha alma sente,
Outros dizem: Coitada dessa alma triste e... tão carente!
Não importa o que digam, se finjo ser dor, 
A dor que não sinto, ou se "finjo que é dor a dor que sinto".
Dentro de mim há um vale de lágrimas, um rio de prantos,
Mas quem acreditaria?!! Há uma fábrica de saudades,
Um deposito de tristezas, há, tipo um caixinha de musica,
Pela metade, de sorrisos, há um pequeno "jarrinho",
Desses que cabem na palma da mão, também pela metade,
De esperança, que já está de cabelos brancos...
Voz reticente, e... sem mais esperança de ser esperança.
Rio-me de quem quer decifrar minha alma e sentimentos,
Sou um escrevedor de versos, que das tantas saudades
Que sente, pelos tantos adeus que ouviu...aprendeu
A chorar, com cada um dos olhos uma dor diferente,
Enquanto a alma chora uma dor que ninguém vê...
Quem sabe sejam mentiras ... as minhas mentiras


José João
31/07/2.016

Impossível viver sem te amar

Talvez devesse calar meu pensamento 
Quando o pensar não fosse todo e somente em ti,
Não me vale qualquer querer, a mim, vale apenas
O teu. Não me importam pensamentos ou sonhos,
Vontades ou devaneios que não me levem a ti
Ou não te tragam toda, de qualquer tempo ou distância.
Não importam os caminhos pelos quais minha saudade
Te busque, que minha alma percorra aos prantos,
Ou em sofridas lágrimas, te procurando em desespero.
Tua ausência aumenta os vazios, as angustias...
Essa toda solidão que me toma a própria vida...
Viver sem ti... não é viver, é apenas existir, estar...
E nada ser. Me perco dentro de mim mesmo...
Ora te chamo em orações inocentes, ora blasfemo,
Quando a dor se faz maior que a saudade...
Quando a tristeza faz que a dor doa mais ainda.
Não me importam mais os caminhos que percorra,
Se cheios de sombras tristes, ou de silêncios...
A saudade é sempre a mesma, onde quer que esteja,
Só a dor aumenta, como se em cada dia que passa
Te amar fosse sempre mais que viver.


José João
31/07/2.016



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Uma solidão só minha

Minha alma em incoerente alegria se alvoroça
Com a solidão e o silêncio, se toma de incontido
E descabido prazer e vai buscar momentos, sonhos
E até detalhes do que fomos e ainda és.
Faz morada na solidão, se deita comodamente
Dentro dela e faz que o pensamento te traga de volta
Por caminhos que só ela, a alma, conhece.
No silêncio, o tempo parece gritar teu nome,
Me tomo de mim e como em transe, te sinto
E um lívido tremor me invade... e até me assusta,
Tanto é tua presença. Fecho os olhos pra te ver melhor
E te vejo toda, minha alma te toca, o coração pulsa
Em desespero, a distância se perde... existe só o tempo,
Onde tua ausência aumentou o vazio, mas quando,
Em qualquer lugar, a solidão se apieda de mim,
Quando o silêncio se faz parte de minha alma,
Que grita estridente teu nome, os olhos choram alegres,
Como se te olhassem dentro de mim ...
Nessa saudade toda e... só minha.


José João
25/07/2.016
(Fortaleza - CE)

Essa louca ilusão

As vezes o mar parece dizer coisas 
Que não consigo entender. Outras vezes murmura
canções que não sei se cantam alegrias ou tristezas,
Mas sempre se faz caminho, estrada luminosa
Para o sonhos, as buscas, a vontade de encontrar
O que não sei o que é... mas de que preciso.
Lá, naquele horizonte, aquele bem ali,
Onde os olhos alcançam, fica um pedaço da rota
Onde começam os sonhos, muito além desse,
Um outro um outro e mais outro, tantos horizontes!
Um pensamento desesperado voa por cada um
Na ansiedade de encontrar, ou de ver voltar,
Ou ir entre brumas, sonhos e tristeza 
E uma vontade descabida de chorar uma saudade
Que nem sabia que ainda existia em mim.
Tudo fica entre as vontades, sonhos, um rosto 
Desconhecido e ausente, mas que sei:
Existe. Tudo isso além-mar... sem talvez...
Nem saber que existo.


José João
22/07/2.016
(Fortaleza - CE)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sem tempo para sonhar

Hoje não tive tempo de sonhar,
Apenas minha saudade foi buscar momentos
Que haviam se escondido no tempo
Em algum lugar perdido dentro da alma.
Sentei comodamente em frente ao nada
Deixando a saudade ir, voar, perder-se
Nos tantos horizontes onde poderia ter,
Pelo menos, teus rastros ou...um pedacinho de ti.
Deixei que os olhos fingissem, em exagerada ternura,
Te verem entre as tristezas, e a incontida vontade
De te ver voltar. Sorri um sorriso triste...
Desses que se sorri para enganar as lágrimas.
Murmurei nomes, blasfêmias, rezei orações vazias,
Orações que a alma inventava como se as rezas
Se fizessem estradas, caminhos no tempo
Para que não te perdesses de mim...
Já tão perdido nos vazios que deixaste,
Mas como não haviam mais sonhos pra sonhar...
Como não haviam mais horizontes pra te procurar...
Como só haviam lágrimas, deixei que escrevessem,
Docemente, teu nome em meu rosto...


José João
21/07/2.016
(Fortaleza - CE)

Meu silêncio

De repente minha alegria ficou triste
Os sorrisos ficaram sérios,
Não quiseram mais conversar com o tempo.
Nos olhos, a umidez da tristeza começava a se fazer viva
Chamando sutilmente as lágrimas que se alvoroçavam
Em descabida agonia, loucas para se fazerem prantos.
O silêncio não se fazia tanto mas lutava por fazer-se senhor
Como se nada mais precisasse ser ouvido.
Não era saudade, era uma angustia esquisita
Dessas que não se sabe de onde vem ou porque veio,
Apenas chega, se acomoda e se faz dona do momento.
Também não era carência, era a falta de um não-sei-o-que
Tão intensa (e nem havia adeus) que a solidão brincou
De me fazer festa mesmo dentro da multidão...
Que parecia surda...porque não havia silêncio...
Talvez ele estivesse dentro de mim...não sei.


José João
21/07/2.016
(Fortaleza - CE) 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

É preciso viver os sonhos

Vou sonhar meus sonhos e vivê-los todos
Pra que um dia não sinta a mais doída das dores...
Saudade daquilo que sonhei e não vivi.
Sentir a angustia do arrepender-se por não ter feito
É dor maior que todas as dores choradas por um adeus,
Sentidas por uma saudade, que vem e acalenta a alma
Por ainda estar o gosto dos momentos vividos...
Quero sentir o prazer de chorar os amores perdidos,
De deixa-los dentro de mim como relíquias vivas,
Quero viver todos os meus sonhos, sem deixar vazios
Para o futuro, deixar os manhãs repletos de histórias,
Quer sejam de sorrisos fingidos, de lágrimas tristes,
Mas que se façam, ainda que dentro da saudade,
Verdades que prazerosamente me encheram os dias.
Se após sonhar e viver meus sonhos, as perdas e adeus
Se fizerem verdadeiras, se lágrimas molharem o rosto
E escorrerem ao tempo, se a alma em prantos derramar-se,
Ainda assim teria valido a pena: Afinal, ser feliz
É tão difícil! Vale a pena a saudade lembrar
Que vivemos tudo o que sonhamos...vale a pena.


José João
13/07/2.016


terça-feira, 12 de julho de 2016

Não sei qual saudade é maior.

As vezes meus olhos me traem em risos chorosos
De lágrimas entre alegres e tristes, por lembrar
Momentos que ficaram guardados dentro da alma
E se fizeram saudades gostosas de sentir,
Assim meus olhos se iluminam, brilham em prantos,
Algumas vezes mostram sutilmente uma leve tristeza,
Que logo se perde num disfarçado sorriso maroto,
Desses que sabe a hora de sorrir para enganar a dor.
Ah! Essa saudade! Quando vem só mesmo saudade,
Sem angustias, sem solidão nem tristezas fortes,
Quando apenas a carência se avizinha de mansinho,
Não dói tanto, e dá certeza do que fomos e vivemos,
A saudade, sempre faz ficar junto de nós, outra vez,
Quem partiu mas não se foi, faz que a ausência
Se perca na confusão do sentir uma presença
Que fica dentro da gente. Ah! Essa doce saudade!
 As vezes se faz tanta, que não sei a maior que sinto
Se a tua ou ... a de nós dois.


José João
12/07/2.016


Um dia essa dor será saudade.

Pensei fosse saudade... mas era dor... dor...
Dessas que se chora em lágrimas, em gritos,
Que sufoca, comprime a alma, faz blasfemar,
Faz não ter lugar para ir ou ficar, não importa,
É a mesma dor. Os prantos caem avulso
Como fosse sangue da alma indo ao tempo
Em desesperada angustia, em infinda tristeza,
Tanto que parece fazer arrastar-se lentamente
Para tudo ficar mais triste e cruelmente vazio.
O pensamento, por só saber gritar em silêncio,
Murmura um nome como se rezasse uma oração,
Voa em tantas direções! Onde haja um horizonte.
Passa por sobre distâncias, e vai como louco,
Desvairado, a procura de rastros que não ficaram.
Tudo é silêncio, só não aquela palavra que...
Dita baixinho, reticente, quase sem se ouvir,
Se fez tão forte que um tremor súbito, a lividez
Sutil de um quase desmaiar, um pulsar descabido,
Vestiu de tristeza a eternidade desse momento.
Agora só resta esperar que um dia, não sei quando,
A saudade se apiede da alma e tome o lugar da dor,
Dessa dor que teu adeus deixou e tua ausência...
Insiste em deixa-la viva dentro de mim.


José João
12/07/2.016


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Essa saudade que ainda me faz ser teu...

Que minha alma sempre esteja atenta 
Ao teu sentir. Que esta saudade infinda
Sempre seja oração a ser rezada com teu nome
Numa entrega que vá até além do tempo,
Muito além do que possa a vida ser vivida,
Apesar da dor, essa dor que toda ausência faz,
Desse vazio que fica como se tudo fosse menos,
Como se até viver nem mais fosse preciso...
Ainda assim...dentro dessa angustia sufocante,
Meus olhos, em prantos, sorriem mesmo triste, 
Quando um sonho, que fugiu do esquecimento,
Me chega cheio de ti, e como se fosses um anjo,
Desses que ensina a amar e faz morada na gente,
Se deita comodamente dentro da alma, que cativa,
A ele deixa ficar e cuida pra que nunca se vá.
Assim, a mim tu fazes. Te fizeste maior que tudo,
Me tomaste de mim e te fizeste tão maior 
Que me hospedei em ti, dentro dessa saudade
Que insiste em dizer que ainda sou teu.

José João
06/07/2.016

terça-feira, 5 de julho de 2016

A flor do cacto e ...

Sob o sol do deserto e entre espinhos,
Com o calor a afogar-lhe a existência
Ainda assim, viçosa e bela nasce a flor
Mostrado doce e sublime incoerência 

Brilham as pétalas se abrindo ao tempo
Parecem sorrindo a um estranho mundo
Erguem-se ao céu como se por encanto
Parece que sol lhes molha com seu pranto

Bela flor do cacto que vive entre espinhos
Que faz até do sol um amante submisso
E dos espinhos?! Faz fonte de carinhos

Para ela se ajoelham em solene contrição
Se fazem servos e até lhes rezam oração
Para mim...é como fossem farpas de solidão


José João
05/07/2.016


sábado, 2 de julho de 2016

As faces da solidão

As vezes a solidão me assusta, em outras...
Me completa. As vezes me enche de vazios
E pensamentos perdidos no nada, me deixam
Inerte entre sonhos distantes, quase mortos, 
Se torna densa, sufocante, fazendo que respirar
Se faça soluços e faz chorar ser tão fácil!
Faz que lágrimas caiam no rosto como marcas
De histórias doloridas impossíveis de esquecer.
Faz o olhar vazio, como se nada houvesse para ver,
Disforme, do tamanho do silêncio, assusta até a alma.
Outras vezes, ela vem risonha, escolhe até o lugar
Para nos contar histórias que a gente viveu,
As vezes nos permite um silêncio gostoso de sentir,
Traz, prazerosa, momentos que vivemos, sonhos...
Sonhos que nunca cansamos de sonhar,  
Até sorrisos, tímidos é certo, mas são sorrisos
Que se desenham no rosto. Lembranças chegam
Como se fossem filmes. E ela, a solidão,
Nos abraça tão ternamente, que nem parece solidão,
As vezes ela completa a gente...


José João
02/06/2.016


quinta-feira, 30 de junho de 2016

As vezes milagres acontecem

A mim não me importa mais quem eu seja...
Caminhos! Qualquer um me serve...
Me fiz andarilho caminhando entre meus restos...
Rotas não tenho, não tenho portos para chegar,
Sem rumo, vagando nas ondas de marés
Revoltas onde os horizontes se vão sempre
Para além, para muito além de onde possa chegar.
Levo comigo tão pouco, mas de tamanho peso
Que meus ombros se curvam, a alma sangra,
Os olhos se perdem ao longe vasculhando 
Estradas vazias, perdidas,onde ninguém passou.
Passos trôpegos, incertos, sem certeza no pisar.
Ando com tão pouco, levo guardados em mim
Os tantos adeus que me disseram, as lágrimas
Que ainda não chorei, levo saudades doloridas,
Tristezas que nunca se fazem vencidas...
Só não levo sonhos, esses deixei pra trás...
Não valeriam a pena, ficaram desbotados,
Sem sentido se fariam apenas mais prantos
Mas quem sabe antes de qualquer horizonte
Encontre um sorriso que se perdeu, um olhar...
Um olhar em desespero buscando outro...
Ou quem sabe um coração sedento, com fome
De carinhos...assim como o meu!


José João
30/06/2.016