quinta-feira, 30 de julho de 2015

Uma história que não sei

Te amo, tanto que não sei como dizer
Te preciso, tanto que não sei como viver
Se porventura houvesse tempo a conferir
Não  lembraria, desde sempre te conheci

A que tempo e de onde o que importa?
És uma oração, a Ave Maria que aprendi
Se te vi? Em sonhos...não sei, não lembro
Mas me sinto todo, completo e repleto de ti

Se sofro por tanta falta, diz-me o que resta?
É a Ti, ó Deus, respeitoso... mas pergunto
Se escreves todos os destinos, que fizeste?
Nos separaste, não nos deixaste ficar juntos!

É justo sofrer assim? Pelo tanto que eu amo?
Beber as próprias lágrimas, juro, não reclamo
Mas fazer-me amante, órfão do próprio amor
Sem que escutes meu desesperado clamor!

Assim fazes que me seja dado a rebeldia
De ousar, a Ti, levantar a voz aos gritos
Não por falta de respeito e bem sabes
Mas pelo desespero, desespero dos aflitos

Me fazes chorar dolorido e queixoso  pranto
Como fosse um pássaro perdido de seu ninho
Que é só queixume a beleza de seu canto
Chora a dor de agora cantar e ser sozinho

Não me poupes se é sofrer o que me resta
Mas não me prives de sentir essa saudade
Viver esse sonho que nem sei se eu sonhei
Ou essa história que se um dia vivi...não sei

José João
30/07/2.015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Amor e poesia.

Amar...já amei tanto, até sei quando o amor acontece.
O amor acontece quando duas almas são a mesma poesia,
Quando escrevem seus sonhos num mesmo verso...
Quando nas entrelinhas da poesia vivida, os olhos...
Dizem, em suave silêncio, o que as palavras 
São poucas para dizer, ou falar não faz nenhum sentido.
Amar é quando o coração escreve cartas silenciosas,
Quando os olhos sorriem em alegres lágrimas,
Quando as lembranças de qualquer momento vivido
Povoam o pensamento. É sentir as mão tremerem,
O pulsar mais forte, a ansiedade se fazer sede
Quando a hora do encontro se aproxima sem o tempo
Querer passar. Amar é sentir a vontade de estar perto,
É sentir as quatro, saudade do que aconteceu as três.
Ah! Quanto amei!! Até inventei sorrisos de felicidade,
Os meus, para os tantos momentos, se fizeram poucos.
Amar é nunca estar só, é sempre estar perto...
Ou em sonhos, ou em pensamentos, mas nunca só,
É afugentar a solidão com um único pensamento...
Espantar a tristeza com um único sorriso...
Amar ...é cultivar carinhosamente um saudade,
Para amanhã ter do que lembrar, e mesmo triste...
Sorrir.


José João
27/07/2.015





sexta-feira, 24 de julho de 2015

Brincando de ser eu

Hoje não quero escrever versos, nem poesias,
Não quero buscar rimas, nem sonhos, nem saudades,
Quero apenas ver o tempo, mesmo sem nada ver,
Porque os olhos choram e o olhar não vai além de mim,
E o pensar... se fez vazio em loucura demente.
Os versos ficariam perdidos em poesias inacabadas,
Que não diriam nada, apenas se fariam lamentos
Como se as palavras fossem os prantos que choro,
As rimas se perderiam no som opaco do silêncio,
Cheio de tristezas onde nem as lágrimas brilhariam,
Nem diriam nada, pois a alma muda, só sabe chorar.
Hoje não quero escrever versos, quero ficar aqui...
Dentro de mim, sentado na esquina do tempo
Sem direção, sem sentido, sem rumo...sem ir.
Quero ouvir a brisa suave cantando uma sinfonia
Que não sei, brincar de imaginar o que as nuvens
Desenham no céu, fazer rabiscos no chão
Que nada querem dizer, sem sentido, sem razão,
Só mesmo para ter o que fazer sem nada fazer.
Hoje não quero escrever poesias, só quero brincar...
Brincar de ser...eu.


José João
24/07/2.015





sexta-feira, 17 de julho de 2015

Desde e...para sempre

Todos os sonhos que sonhei eram teus...todos teus.
Todos os caminhos me levavam a ti... todos eles
Te fiz o melhor pedaço de mim, o mais completo,
Como se fosses minha luz, meu mais perfeito sol.
Brinquei de fazer poesias...sorridentes, cheias de ti, 
Alegres como teu sorriso, ternas como teu olhar...
Me fiz poeta para contar nossa história repleta de nós,
Inventei palavras, desenhei momentos, perdi medos,
Me reinventei para ser todo e completamente teu,
Não havia distâncias, a saudade era apenas a de ontem
Que já hoje  não era mais saudade...eramos nós,
Cheios de nossas vontades, desejos, verdades...
Todos os ontens eram deixados para trás, esquecidos
Por serem muito menos que hoje, que já nascia
Sabendo que  amanhã os sorrisos eram mais...
Os olhares, a vontade de nós dois, seriam sempre mais
Porque todos os amanhãs seriam mais perfeitos,
Mais completos, mais bonitos, mais...muito mais tudo...
Te fiz minha mais doce canção, poesia de perfeitas rimas,
Me vesti de ti, desde sempre... até nessa saudade de agora

José João
16/07/2.015







quarta-feira, 15 de julho de 2015

Uma história sem fim

Se um dia me contassem minha própria história...
Sentiria pena de mim, não senti por não ter tempo, 
Estava muito ocupado com os prantos, com as dores,
Com a tristeza quase mórbida que povoava meus dias,
Ocupado com as angustias, constantes companheiras,
Com a solidão parida por um adeus que gritou alto
Dentro de minha alma. Não tinha tempo de sentir
Pena de mim...viver o momento não me permitia...
Viajei por noites...engolindo prantos, soluços...
Em tanto silêncio que respirar era um grito dolorido,
Percorri caminhos cheios de vazios e perguntas...
Povoando o pensamento com temores, revoltas,
Pedaços de dias onde esperança e lágrimas
Se misturavam e se buscavam dentro de mim.
Perdi...perdi pedaços completos  que ainda hoje
Se fazem mais que dor, que pesadelo, que ausência,
Se fazem pedaços perdidos de minha alma...
Fazendo a saudade ser igual a dor que não passa.
Ainda hoje se me contassem minha história
Sentiria pena de mim, só não sinto porque 
Ainda a estou vivendo... apesar do tempo.


José João
14/07/2.015



terça-feira, 14 de julho de 2015

Só na poesia a saudade é bela.

Ah! E se não houvesse  saudade!? Que linda ela é!
Há quem diga que ela é um pedaço de nós que se foi,
Mas  por incoerência divina, ficou dentro da gente
Como se fosse uma magia que ninguém pode explicar,
Outros dizem que a saudade é uma verdade que mostra
Que valeu a pena viver os momentos que nos marcam...
Que nos fazem rir ou chorar quando lembrados...
Dizem também que é a saudade o único sentimento
Que pára o tempo, que traz de volta os sonhos,
Que nos faz sentir o prazer de termos sido felizes...
Ah! Essa saudade que nos toma, nos deixa dementes,
Com o olhar perdido no nada, olhos em lágrimas
Buscando imagens sorridentes que só nos fazem chorar,
Que nos deixa entre os vazios da perda e da carência.
Mas se a saudade não existisse de que serviriam
As lágrimas? Com que palavras se faria a poesia?
Como os prantos seriam contados? Teriam história?
Saudade...ah! saudade! Linda, contada nas poesias,
Rimando versos, se fazendo poemas...mas a saudade...
É linda apenas na poesia...na verdade ela é atroz,
Arde no peito, sufoca, espreme o coração,
Cala a voz e faz alma chorar os mais doloridos ais

José João
13/07/2.015



Até que uma saudade...

Nosso mundo...eramos só nós dois e o tempo,
A beleza, nossas verdades, eternas a cada momento.
Nossos sonhos já nasciam coloridos, cheios nós...
Onde nada além de nós dois fazia sentido...
Os olhares que nos diziam tudo no mais perfeito silêncio,
As palavras que se calavam por serem tão poucas...
Nossa voz vinha da alma, num falar doce, mágico...
Sem palavras, nossas mãos, em doces carícias,
Escreviam poesias completas em nossos rostos
Que se iluminavam com o brilho de um amor...
Tão perfeito que só na eternidade podia caber...
E foi assim....Tudo de repente ficou vazio, sem razão,
O silêncio foi quebrado por soluços, a voz da alma,
Antes doce magia, se fez rouca, em gritos e ecos
Gritados no desespero de dores agora infindas,
Os sonhos se contorciam em espasmos perdidos,
Sem cor, como fossem pesadelos que, nas noites
Cheias de vazio, se faziam fragmentos mórbidos
De uma tristeza sem tamanho...por não ter fim
Até que um dia, talvez por pena de mim,
Uma saudade...

José João
13/07/2.015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Agora lembro...já te esqueci

Tanto te dei, que tanto perdi e tanto chorei
Até meu sonhar, agora sei, pra ti foi tão pouco
Minha saudade, ais e suspiros, todos te dei
Pobre de mim ao te ouvir me chamar de louco

Louco por tanto, louco por tudo, louco eu sou
Se pisas minha alma, se ris do meu canto
Se zombas do canto que minha alma cantou
Não Importa! Todos sabem que louco eu sou

Se a porta se abre, o mundo se fecha, onde entrar?
Com teu sorriso, que porta, que mundo se pode abrir?
Se é sorrir por sorrir, se é chorar, onde ficar?
Se parado, ou se sobre o tempo poder caminhar

Caminhos perdidos, por sonhos vencidos, e vividos
Em loucuras doentes, vontades dormentes, dementes
Que fazem voltar, e no espaço perdido fazem chorar,
Que importa se louco! Agora preciso e só quero gritar.

Queres que grite? Um nome? Grito, não vou te chamar
Fantasma tristonho seria teu nome, seria lembrar
De beijos molhados, corpos suados, teu sussurrar
Ou mesmo gritando em prazer incontido: Quero te amar!

Que louco eu fui, se estou, ou se louco ainda  sou
Marcando teu corpo de beijo de gosto sem nenhum sabor
Na fronha uma flor perdida sem cor, o tempo apagou
Marcando a vontade do corpo desnudo que a vida marcou

Caminhos perdidos num corpo marcado por tanto prazer,
Se pisas minha alma, se ris do meu pranto, agora eu vi
Em loucuras doentes, vontades dormentes, dementes
Que agora me lembro...esqueci de dizer que já te esqueci


José João
(a pedido) 
publicado em 2.011



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Nem sempre fui triste

Ora mais! A mim me chamam de triste
Como se sempre tivesse sido assim
Rio-me tanto...por algumas vezes
Eu? Sempre triste!!...teria sido meu fim

É... sou triste, isto... até sei que sou
Mas não foi sempre que minha alma nua
Sangrou em lágrimas. Não foi, acreditem
Não foi a vida toda que minha alma chorou

Foi de algum tempo atrás, um adeus
Que me fez hoje ser como dizem que sou
Foram os lindos sonhos que um dia vivi.
Como não ser triste se nunca os esqueci?

Sonhos agora perdidos, sonhos mortos
Momentos que foram e não podem voltar
Nem posso vive-los como me fizeram viver
Fui feliz, sou triste por não saber esquecer.

Essa tristeza que dizem ver em meu rosto
Essa tanta vontade descabida de chorar,
Como dizem sempre sem nada me perguntar
São lembranças do quanto já pude amar.

José João
07/07/2.015







terça-feira, 7 de julho de 2015

Lágrimas também são poesias

 Lágrimas...lágrimas e lágrimas, são versos mudos
Que contam, no silêncio do tempo, a história 
De uma alma. São segredos gritados no rosto,
Sem que ninguém entenda, outras vezes são orações
Que se reza sem palavras, no angustiante desespero
De uma solidão que se faz tão perversa quanto viva.
Lágrimas também são belas poesias declamadas
Ou escritas num rosto triste, cheio de saudades
Que brincam de fazer os lábios se contorcerem
No rascunho de um sorriso que não passa 
De um soluço fingido, num morder de lábios
Que mostra  sutilmente a dor que se sente.
Lágrimas, poesias vivas, declamadas, gritadas,
Na eloquência de um silêncio onde só a alma
Pode ouvir e entender, é a tentativa de fazer-se
Sentida. As lágrimas são versos vivos...
As poesias são histórias verdadeiras que ninguém
Acredita que aconteceram...mas se escritas 
Com lágrimas, a dor mostrada pelos olhos dizem 
A  verdade da dor vinda da alma que a poesia...
...Conta... com lágrimas


José João
07/07/2.015





segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um pedacinho de poesia que...

Guardei um pedacinho de poesia, um pedacinho só,
Mas estava cheio de mim... não sei onde guardei...
Eram  dois versos completos...o começo da poesia.
Sei que coloquei dentro de uma saudade, mas...
Não sei mais qual saudade...se dos beijos...
Beijos que nunca dei por isso a tanta saudade,
Do olhar cheio de ternura que nunca troquei,
Por isso essa tão angustiante saudade...não sei...
Não sei se guardei dentro de um sonho
Que nunca sonhei, mas fica vivo dentro de mim.
Perdi meu pedacinho de poesia, dois versos inteiros...
Faz um falta! É como se tivesse perdido
Um pedaço de minha história, fica um vazio!
Busquei dentro de todas aquelas saudades...
E de mais outras mas...não encontro...me dói.
Esses pedacinhos de poesia vieram a mim
No por do sol de ontem, chegaram mansamente
E ficaram gritando em meu pensamento...
Guardei tão bem guardado, dentro de uma saudade,
Que não sei qual. Assim, hoje não escrevo
Minha poesia...vou ver se lembro os pedacinhos 
Que perdi, cheios de mim.

José João
06/07/2.015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

As tantas metades de mim

Metade de mim é ...risos
A outra metade é...pranto
A metade riso nada mais é
Que tristeza fingindo encanto

Metade de mim é saudade
A outra metade ainda não sei
Se é os sonhos já sonhados
Ou é sonhos que não sonhei

Uma parte de mim é silêncio
Protegendo meus tantos segredos
Das vontades perdidas e mortas

Sou uma mistura inconstante
Escondendo as metades de mim
Como fosse o que não mais importa.

José João
03/07/2.015


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Almas sozinhas

- O que nos separa não é a distância
   E na verdade, nem os caminhos
  O que nos une não é a vida...
   É simplesmente sermos sozinhos

   Minha busca é árdua...onde estou?
  Talvez tão longe e de mais ainda vim
  Entretanto nada sob o céu tem fim
  A esperança é eterna e existe em mim

  Quem sabe possas me fazer um sonho
Me encontra ela e eu te proponho
Uma vida livre, de cantar risonho
E em belos versos em ti me ponho

- Há quanto tempo tens essa busca?
Não sei quem és e a mim não dizes
Se dela falas...me diz seu nome
Me diz ao menos se foram felizes

- Há muito tempo, passado distante
Quis o destino que mais não a visse
E em triste loucura me perdi no tempo
E ao me encontrar, me veio o tormento

Que mais faço? Desespero eterno?
Até no infinito amar é preciso
Traduz meus versos, canta o que sinto
Que amo e amo, sou amante contrito

Grita comigo a beleza do amar
Grita bem alto, nos versos, na vida
Grita que amar é mais que viver
Grita que amar é nunca morrer

Grita que a morte ao amor não resiste
Grita que a sorte é amar não ser triste
Grita que a vida é luta incontida
E que sem amor jamais é vivida

Não calo! E se choro meu grito
Que pela perda é até mesmo aflito
Não calo, não paro no tempo
E haverás de fazer acabar meu tormento

Escreve meu nome e o dela também
Que até no infinito eu a quero bem
Se hei de chorar por não a encontrar
Me ajuda! E chora comigo também

Há quanta procura e vãs tentativas
De encontrar no caminho uma alma cativa
Que me faça falar, falar nessa vida
Que de muito pra mim já é esquecida

Diz que para um segundo de amor
De doação tão terna quanto infinita
Se fores chorar o resto de vida
Vale a pena, faz a vida ser bem mais bonita


José João
publicada em
14/08/2.011
(reedição, a pedido)


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Era uma vez...

Era uma vez um amor...um amor que parava o tempo,
Que brilhava como se fosse as estrelas, 
Servia de inspiração aos pássaros que inventavam
Acordes em gorjeios divinos para fazê-lo inesquecível,
Um amor tão grande que o próprio silêncio gritava
E atirava-se sorridente ao  mundo dizendo: O amor existe!
E o eco repetia incontáveis vezes: O amor existe...
O amor existeeee...! Os sonhos se faziam verdadeiros,
Se faziam caminhos  entre as almas e os corações
Levando recados cheios de ternura, e eles...
Corações se almas, se faziam de apenas um...
Se abraçavam tão ternamente que se faziam um só corpo
Como nada mais fosse preciso. Existiu um amor assim...
Tão forte que, por vezes, o próprio amor se confundia...
Não sabia se ele era o amor, ou se era os amantes.
Um amor que por ser tão único...tão grande
Tão maior que tudo, até mesmo que a vida, 
Só podia começar assim: Era um vez um amor
Que juntou dois corações, deles fez apenas um,
Entrou, fez morada, e ficou para sempre até que...
Um dia...entre os humanos a única perfeição 
Que a eternidade permite é a...saudade. 


José João
29/06/2.015



domingo, 28 de junho de 2015

Um estranho dentro de mim

As vezes me sinto um estranho dentro de mim
Tão pequeno e tão pouco, tão cheio de nada,
Tão cheio de silêncios, de vazios que me tomam,
Me fazem perder-me de mim mesmo, como fosse
A loucura de não saber-me quem sou ou de onde vim.
Me sinto perdido entre perguntas e carências...
Entre sonhos e verdades fingidas...entre caminhos
Que nunca vi, mas sei que existem, vão para algum lugar.
Onde? Não sei. As vezes me perco em devaneios
Descabidos, incoerentes, falando palavras soltas,
Buscando sonhos que se haviam feito mero esquecer,
Mas de repente, e estranhamente, me vêm lúcidos,
Sempre cheios de restos de mim...ou de quem sou.
Não sei esse estranho que habita em mim...
Que chora sem ter vergonha de chorar, que ama...
Sem medo dos amanhãs, que chora copiosos
Prantos se tristeza ou saudade permitem, sem medo
De ser ridículo...mas as vezes...me sinto um estranho
Dentro de mim ...quando um eu grita: Chega
Dessa desvairada utopia de querer se feliz...
As vezes sou um estranho dentro de mim.

José João
28/06/2.015






quinta-feira, 25 de junho de 2015

Onde vou me (te) encontrar?

...Me fiz andarilho a procura de mim mesmo,
Corri entre meus sonhos, me busquei no tempo...
Voei (em pensamentos) por entre coloridos horizontes,
Fiz rota por entre estrelas...perfeito andarilho...
Sem rumo, indo por qualquer estrada, vereda...
Qualquer caminho que me levasse ainda que fosse
A lugar nenhum. Ia desafiando meus medos,
Meus anseios, sussurrando canções sem sentido,
Gritando para ouvir o eco de minha própria voz
Para que o silêncio não se fizesse senhor de mim.
Quantas vezes sentei para conversar com a noite,
Ouvir seu silêncio e lhe contar minhas histórias...
Que calada, assim como ela é, me ouvia paciente,
Até quando o alvor da madrugada começava
A esconder as estrelas, a acordar os jardins...
E lá ia eu a procura de mim...passos lentos,
Sem pressa, sentindo sem ver o amanhecer
A esticar-se ao tempo a levantar-se da noite
E tomar conta da vida. Só me importava caminhar...
Ir a procura de mim...mas sei que só te encontrando
Me encontro...onde será que estou?


José João
25/06/2.015






quarta-feira, 24 de junho de 2015

Para onde será que vão os anjos?!!!

Talvez eu esteja louco, não sei. Mas eu acredito...
Eu acredito em anjos...desses anjos que talvez 
Nem sejam divinos...sem asas, com inocentes
Pecados, mas com um olhar cheio de ternura...
Que fazem as palavras serem poucas e pequenas,
Que  perfumam as horas,  encantam os dias...
Fazem os momentos eternos, vivos para sempre.
Eu acredito em anjos, que têm a voz da brisa...
A doçura infinita de um sentimento cheio de beleza,
Desses anjos que deixam a alma repleta de paz,
Que não se fazem nem muito, nem pouco... 
Se fazem apenas a medida certa nos momentos...
Sabem falar e o que dizer se precisamos ouvir
Sabem nos envolver no silêncio se for preciso calar,
Se não podem  sentir a dor que se sente...tristes
Choram com a gente, nos põem no colo
Afagam nossa alma, buscam sorrisos, encantos...
Mas são anjos, nos ensinam a amar e se vão...
Não deixam rastros, se fazem sonhos...
Se fazem saudade...eternamente
(foi assim que minhas poesias ficaram tristes)


José João
24/06/2.015


Ainda hoje somos...eu

Nas noites, quando a voz do silêncio me fala de solidão,
Quando lágrimas silenciosas teimam em mostrar o sofrer
De uma alma carente, cheia de histórias e segredos...
(Segredos que nem o tempo sabe contar...)
Quando tudo se faz mais triste que qualquer tristeza...
E os suspiros e ais se fazem orações rezadas sem fé,
Que se vão sem rumo sem terem onde chegar...
Tudo parece tão pouco, tão sem sentido, sem razão...
Não fosse essa tua saudade que seria meu viver?
Com ela (a saudade) vens risonha, cheia de tanto 
Bem querer que me atento a te ouvir, a te sentir
Dentro de mim, de onde, é bem verdade, nunca saíste.
Meus olhos, no espelho, refletem minha alma...
Cheia, repleta de ti, onde até meu sorriso é o teu
A enganar-me o rosto e a te fazer-me eu.
Me tomaste de mim, te apossaste sem licença,
Descobriste meus tantos segredos, meus desejos
Tanto que não sei se foste minha, se fui teu
Ou se ainda hoje somos ...eu.

José João
23/06/2.015




As marcas na minha mão...são...

Quem nunca disse um adeus? Quem nunca sentiu
O peito contorcer-se em espasmos doloridos
Como se o respirar fosse um sacrifício e não chorar
Fosse impossível? Quem nunca sentiu um adeus
Doer na carne e o silêncio, num mórbido existir,
Gritar para que os olhos  falem pela alma?
E as lágrimas, tal palavras eloquentes mas  mudas, 
Blasfemem a dor que só quem ama e perdeu 
Sabe sentir e chorar.  Quem calou um ai
Quando a carência da perda se fez tristeza
E a solidão, senhora dos amantes de amores
Perdidos, se fez dona do tempo e dos pensamentos?
Matou os sonhos, encheu a vida de lembranças
Que, quando buscadas, só fazem chegar o pranto?
Quem nunca descansou a fronte entre mãos trêmulas
Cabisbaixo, olhar fixo no chão sem nada ver
Porque os olhos só sabiam fazer lágrimas?
Quem nunca cravou as unhas na palma da mão
Como fosse um desesperado e silencioso grito
Da alma dizendo: Não é preciso ser feliz
Para viver.Quem nunca fez isso...não sei...
Mas minhas mãos têm essa marca

José João
23/06/2.015


terça-feira, 23 de junho de 2015

Meus versos

Ora! A mim dizes que meus versos te tomam a alma,
Te invadem o ser, te fazem sonhos que não sonhavas
A mim  dizes que minhas palavras são pedaços de mim
Que se vão em tua alma como poesia que não tem fim.

Ora! Mas...como saber-me tanto na prosa dos versos?
Que por vezes incompletos, dizem muito mais de mim
Que completas poesias escritas com um começo qualquer
Como fossem linhas corridas dizendo o que não se quer.

A  mim me dizes que de minha alma jorram poesias
Que de mim saem com a liberdade de um doce voar
Mas como sabes? Vai ver dentro de mim...se puderes
Verias que os versos...ah! É minha maneira de chorar

Ah! Quantos sonhos meus versos te faz alegre sonhar?
Quantas vezes, diz-me,  minha poesia já te fez cantar?
A gritar em suspiros, sentimentos que nem eu sei sentir
Cheia de tristes versos risonhos por tanto saber-me fingir

Mas se dizes que as poesias, esses rascunhos que faço
Te invadem toda, te tomam e chegam a beijar tua alma
Se até dizes que te deitas esquecida de qualquer cansaço
Que eles se façam,  nas noites, um terno e divino abraço


José João
22/06/2.014

sábado, 20 de junho de 2015

...é a saudade sorrindo pra mim

Nas noites, em todas aquelas em que a dor da perda
Faz a carência ser maior que a tristeza e solidão juntas,
Quando o eco de um silêncio cortante grita para a alma, 
Já em prantos, as histórias que fazem agora essa dor...
Como se fosse de um sonho, uma voz  me chama
Num suave murmurar, baixinho me sussurra o nome,
Procuro entre minhas lembranças e ... não sei...
Mas ela continua... contando ternamente coisas  
Que ninguém (a não ser eu) sabia, me debruço
Sobre o tempo (irritantemente lento) e paciente,
Ouço o que mais me parecem carinhosas palavras 
De alento na tentativa de fazer a noite menos longa,
De fazer a dor menos doída, de me fazer vivo.
Me atento ao que me é dito e parece de ontem
A história contada...sorrir e chorar se confundem
Não me parece mais que estou sozinho...na noite...
Corro no tempo, la atrás, e de lá trago pedaços
De momentos vividos, cheios  ainda de mim.
E a voz se fazendo ainda mais suave, mais terna...
Me diz: Agora dorme...vou ficar contigo...
Olho atento para dentro da noite e vejo...é a saudade
Sorrindo pra mim.

José João
20/06/2.015








quinta-feira, 11 de junho de 2015

Assim como os poetas

Estranha essa minha louca mania de viver assim...
Sorrindo com sorrisos que não são meus, 
Chorando com minhas lágrimas dores alheias,
Escrevendo versos cheios de tantas tristezas,
Tristezas que nem são minhas, e nem sei de quem,
As minhas... escrevo sorrindo, fingido ser verdadeiro
O sorriso que nem sei sorrir. Faço poesias
Cheias de mim...ou de histórias que nem vivi,
Nessas, finjo com minhas lágrimas a dor que não sinto,
Naquelas, nas gargalhadas, finjo alegre, num sorriso aberto,
Uma alegria que nem existe. Brinco de escrever versos,
De contar nas poesias coisas que só ela sabe dizer.
Se são minhas ou não as dores que conto, que importa?
As lágrimas são as mesmas, por isso nunca sabem
Se choro minha dor ou a dor alheia. Fingir é magia,
É o rosto mais perfeito de qualquer poesia...
As vezes o poeta  engana até a si mesmo,
Diz que não é dele o pranto, que a poesia que escreveu
Chora, até jura... cruzando os dedos nas entrelinhas
(e sorrindo baixinho com os olhos cheios de lágrimas)


José João


11/06/2.015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sonhos que nunca passarão de sonhos

Se um dia, como se por descuido dos deuses,
Um amor risonho, desses que se vê apenas nos devaneios,
Aquele amor com o rostinho rosado de um anjo,
Olhos vivos, alegres, buliçosos, com um doce sorriso
Inocentemente marteiro nos lábios , chegasse 
Dentro de minha alma e dissesse: Estou aqui...
O que eu faria? O que faria com essa saudade 
Descabida que me faz escrever versos? 
O que faria com esse medo, que até hoje 
Aquele adeus me faz sentir, chorar,
O que faria com essa vontade de ser feliz outra vez?
Ah! Esses meus temores! E se ele insistisse em ficar?
E fosse apagando sonhos antigos,  fosse apagando 
Os rastros nos caminhos percorridos agora com restos
De sonhos e pedaços de mim? O que eu faria?
O que faria com essas tantas lágrimas guardadas,
Que a saudade e solidão me fazem, nas noites 
Sem hora para terminar, derrama-las em silêncio?
...Mas que pensamento esse meu?! Até me faz parecer
Criança que o tempo esqueceu de cuidar.


José João
10/06/2.015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

As doloridas brincadeiras da vida

Nunca me olham nos olhos sem perguntarem:
Porque teus olhos são tristes? Não sei...
Dificilmente os vejo - respondo - sinto-os
Quando a tristeza faz a alma triste perder a voz,
Quando as lágrimas, cantando em prantos vivos,
Se fazem palavras mudas contando o que só sei chorar.
Talvez sejam lamentos pelo tanto amor que já vivi,
E que se foi... e como rastro deixou essa saudade
Desmedida, cheia de lembranças que ainda gritam
Vivas dentro de mim...como amei!! Amei tanto!!
Vivi um amor perfeito! Tão perfeito que se fez divino.
Amei, não como esse amor dito com palavras,
Esse amor que têm medo dos amanhãs...
Amei tanto que até os defeitos dela eram perfeitos,
Cheios de nós dois para vivê-los, entende-los,
Faze-los parte de nós. Amei assim...como hoje
Não sei mais amar. Talvez essa tristeza no olhar
Esteja muito além da saudade, da solidão, 
Talvez seja a dor de saber ser impossível ...
Amar assim outra vez... ou nem mesmo apenas amar.

José João
05/06/2.015







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Meus velhos guardados

Hoje, buscando velhos guardados dentro dos sonhos
Caducos, das recordações cansadas, das lembranças
Antigas, de cabelos brancos, encontrei algumas relíquias...
Um beijo que se arrastava lentamente pelos tantos anos,
Que apenas se fez vontade em mim, sem nunca ter sido dado,
Mas, coitado, já caduco, dizia ter sido o melhor beijo
Que troquei um dia. Encontrei também, dentro de um baú
Velho, surrado, escondido num pedaço de pensamento
Cheio da poeira do esquecimento, um eu te amo...
Reticente, tímido, quase sem nada ser mais, se fez
Palavras simples, até sem sentido, o que fez um sorriso,
Cheio de ironia, brincar com escarnio da quase tristeza 
Que as palavras cabisbaixas sentiam por mais nada serem.
Ah! Encontrei também um olhar! Cheio de mágoas
Por ter envelhecido sem nunca ter sido trocado com carinho,
Sem nunca ter tomado o lugar das palavras para dizer
De um sentimento que só ele sabia falar, dizer...gritar.
Encontrei até uma saudade que nem lembrava mais,
Estava de braços dados com um adeus...um adeus
Que insistiu em não se fazer relíquia, em ficar vivo,
Insistiu em se fazer de sempre, para que as lágrimas
Não envelhecessem, se fizessem jovens a cada dia... 
A cada chorar... a cada lembrar.

José João
01/06/2.015


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Ainda hoje estás...

Talvez tenha sido tu que tenha deixado em minha alma,
Mais marcas, mais feridas, que até hoje abertas,
Não  se fazem cicatrizes, é como se sempre estivessem 
Vivas, como se fossem lágrimas ou lamentos eternos
Que na alma se fizeram fonte de dores e angustias.
Talvez tenha sido tu, que me abriu, me rasgou
E se apossou de mim sem cerimônia, como dona,
E eu, cativo a esse amor tão intenso, como agora sei,
Tão insano, não me permiti me guardar, me entreguei
Como se fosse o mundo dos sonhos se fazendo vivo,
Se fazendo espaço, se fazendo meu próprio tempo.
Me fiz servo, tuas vontades se faziam  minhas razões,
Teus desejos, os meu desejos, e até teu sonhos
Eu sonhava como fossem meus, me vesti todo de ti,
Te fiz canção, te fiz versos, te fiz minha poesia,
Te escrevi, te senti na eternidade de cada pensamento,
Nunca fui além, nunca ousei  pensar além de ti,
Deixei que sorvesses minha alma para ser todo teu.
Hoje é essa falta de mim... me levaste contigo,
Até os sonhos foram contigo, não ficou nada de mim
A não ser esse vazio cheio de tua ausência...


José João
29/05/2.015




Quando não há mais o que fazer

Sentado em frente ao por-do-sol, do mais triste,
Cansado pelo peso da angustia, sentado na tarde,
Buscando sonhos que já morreram, ou se perderam,
Entre os caminhos sem volta que o tempo deixa
Quando a ausência se faz dor, e os momentos,
Se perdem nas lembranças agora tão distantes.
Quando o peso da solidão se faz maior que a saudade,
E os olhos, por desejo da alma, se umedecem
Num brotar de lágrimas como tímida fonte a fazer-se
Nascer no lacrimejar inocente de um puro chorar,
Que em silêncio, se faz desesperada oração...
Quando tudo isso acontece...não há de se pedir
Piedade, nem clemência...não há de se pedir perdão,
Há de se deixar chegar a loucura da vontade de ir,
Sem rumo, para qualquer lugar, em vã tentativa
De fazer passar essa dor que nunca passa,
Ou ficar, como se nenhum lugar existisse mais...
E ser apenas cativo de um caprichoso destino.


José João
29/05/2.015




quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os amanhãs começaram ontem

Ah! Que saudade de passear pelos caminhos floridos
Por onde nunca passamos. Dos olhares que não demos.
Saudade das palavras que nunca nos dissemos...
Da relva, da grama onde nunca deitamos para sonhar.
Hoje essa saudade dói como fosse um remorso...
(e há quem tenha tempo para tudo isso e não faz)
Saudade das tardes ensolaradas, do por-do-sol
Que nunca tivemos o prazer de ver...de sentir.
Meus dias são assim, tristes, cheios de momentos
Que pude viver e não vivi, cheio de recordações
De coisas que não fiz...dói, dói até na alma.
Hoje, as palavras que não disse, gritam no silêncio
Da tua ausência, fazem eco nos caminhos, 
Agora percorridos com toda essa tanta solidão 
Que me acompanha, que se faz viva em mim
Cobrando o que não fiz. Me pensei dono do tempo,
Dono dos amanhãs, deixava sempre para depois...
Os momentos que poderiam ser vividos cheios de nós.
Apenas agora, sentindo essa dor da saudade, percebi....
Que os momentos de hoje também povoam os amanhãs.


José João
28/05/2.015






quinta-feira, 21 de maio de 2015

Um lugar para ficar

Aquele adeus, que quase o silêncio não me deixou ouvir,
Que foi dito baixinho, em sussurros, em palavras
Quase mudas...ah! Quanto te foste, que a solidão
Se fez meu espaço...aquele adeus se fez grito...
Tão estridente, que o eco voou entre os sonhos,
Preencheu tua ausência e saiu me levando ao tempo,
Sem chão para pisar, sem ar para respirar,
E quase sem vida para viver. Me vi perdido
Entre os nadas, dentro dos vazios mórbidos
Que só a dor, por uma perda infinda, se faz viva.
Perdi os passos, tropecei na ansiedade de ir
Para qualquer horizonte, sem que tua saudade
Fosse comigo, sem que tua ausência me seguisse,
Me tomasse, me invadisse como pedaço de mim.
Meu caminho se povoou de angustias, a tristeza
Me tomou pelas mãos, pela alma e se fez prantos,
Que como luzidias pétalas caiam ao chão,
Brincando de fazerem rastros para que a solidão
Não se perdesse de mim. Assim, o único lugar
Que encontrei para ficar, foi dentro da ausência
Que me deixaste.

José João
21/05/2.015






terça-feira, 19 de maio de 2015

Coisas de poetas

Um dia, espantaram meu silêncio e a mim perguntaram:
"Solidão...saudades e lágrimas...que seria dos poetas sem elas?"
Seriam os mesmos poetas, se fariam pedaços vivos
Da mais bela natureza, do mar, das escuras tempestades,
Se vestiria com pedaços delas e ninguém o encontraria,
Sentiria então o gosto da infinitude de ser dono do nada,
E, sozinho, seria levado a portos distantes sem ser
Esperado por  ninguém, e sem abraços de chegada.
Alguém um dia então diria: Isto é solidão.
Se faria brisa a voar sempre, levando sementes
Como se fossem poesias, perfumes de flores
Como se fossem histórias, sairia contando ao mundo,
Em terno esvoaçar, as carícias que fez, beijos que deu,
Mas sempre indo sem voltar nunca, (como é a brisa)
E um dia lembraria de uma flor a quem deu
Um afago mais carinhoso, mais terno, se sentira estranho
E um dia chamariam isso de ...saudade.
Vontade de chorar.. mas onde estariam as lágrimas
Para chorar essa falta? Essa dor que nem sempre é dor?
Faria-se chuva a elevar-se ao espaço,  em pintar-se
De arco-íris, molhando as flores que a brisa deixou,
Regaria carinhosamente as sementes, e flores.
E cairia em outros jardins, beijaria outras pétalas,
Contaria suas recordações e histórias, e outra vez
Se faria chuva (como fossem prantos) do poeta.

José João
c/ participação especial de:
Goretti Freire.
19/05/2.015








segunda-feira, 18 de maio de 2015

Essa minha vida...tão comum!

Solidão, saudade, lágrimas, são tão comuns em mim,
Sonhos perdidos no tempo, lembranças mortas,
Ausências, os vazios que elas deixam na alma
Se fazem angustiantes companhias, ficam comigo,
Se fazem vivas a cada momento, sufocam gritos
De desesperos, deixam o silêncio povoar o tempo,
Tudo fica parado, como se as horas ficassem dementes,
Sem nenhuma pressa de passar para a dor se fazer
Mais dor. Me perco em devaneios tristes, chorosos,
As palavras se escondem, os versos morrem
Já no inicio do pensar, antes mesmo de serem versos,
Os prantos molham a poesia e neles ela se sufoca,
Agoniza, suspira em ais que se fazem apenas dor.
Os sentimentos são tomados por uma agonia mórbida
Que faz coração pulsar em gemidos lentos,
Como se rezasse uma oração desconhecida.
Me acostumei a chorar, muitas vezes o chorar
Vem em sorrisos falsos, vadios, cheios do fingir,
Que aprendi quando uma dor, maior que todas,
Uma ausência maior que tudo, se fez tanta dor
Que para enganar alma aprendi a chorar sorrindo

José João
18/05/2.015



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Isso sim, é que é chorar

Lá fora as plantas dançam uma valsa triste,
O vento se faz uma orquestra sem maestro,
Ora gritando forte, talvez possíveis mágoas,
Outras ameno, quase suave, como se pedisse
Desculpas as flores que quase perdiam as pétalas,
E temerosas, pareciam segurar-se aflitas nos galhos
Que passíveis se arrastavam submissos pelo chão.
A chuva, como fosse um chorar violento do mundo,
Se desmancha em prantos, em sussurros inaudíveis,
Reticentes, rompe o silêncio com apenas um falar.
Tudo se fazia triste, via-se até o medo das árvores,
A dobrarem-se em violentas contorções, seu galhos
A arrancarem-se em nefastas amputações pareciam
Chorar uma dor que ninguém sabe entender.
As ruas desertas pareciam caminhos de fantasmas,
Os trovões, aos brados, mostravam sua força,
Brincavam de fazer tremer da terra, até alma,
E os relâmpagos riscavam o céu em desenhos
Sem forma, em belos caminhos sem rumo,
Aí me senti tão ridículo!! Que com vergonha de mim!
Parei de chorar, até sorri. O que são minhas lágrimas?!


José João
1505/2.015






segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu era apenas um pingo d'água

Meus erros. Ah! Meus erros! Foram tantos!
Amei sempre mais do que deveria amar...
Amei como se amar fosse viver na eternidade
De sonho perfeitos, na entrega infinita dos sentidos
Sempre cheios de amanhãs coloridos...sorridentes,
Como se não existissem lágrimas, como se os prantos
Fossem impossíveis, assim como se não existissem,
(pelo menos para os meus olhos) Me fiz grande,
Por saber meu sentimento maior que o mundo,
Me pensei assim também, ridiculamente assim...
(as vezes nos fazemos muito maiores do que 
realmente somos) culpa dessa vaidade criada
Por um amor desmedido num descabido sonhar.
Só maior que esse amor louco que vivi foi...
A dor da perda, num adeus incoerente, doloroso,
Cheio de silêncios, de suspiros pela falta do que dizer,
As palavras...se faziam apenas mudas reticências.
Ah! Esses meus erros! Fui me sentir um oceano
Repleto de mim, com tanto para dar, sem saber
Que na verdade era apena um pingo d'água...
E os pingos d'água só são grandes e belos
Se caírem sobre a flor. Eu!? Caí dentro 
De um rio, frio, que não tinha nenhum mar para ir.


José João
04/05/2.015




domingo, 3 de maio de 2015

Quase mataram minhas poesias

Invadiram meu sono com nefastos pesadelos,
Me tomaram de mim, expulsaram os sonhos
E minhas verdades começaram a desaparecer,
Iam entre os vazios, agora repletos de medo,
Do temor, até mórbido, de perder meus momentos
Escritos em histórias com gosto de poesias...
Me perdi nos pesadelos, nos fantasmas amorfos,
Que como doença, invadiam minha vida, 
Sacrificavam tudo que minha alma sentiu e contava
Na ansiedade de se fazer, mesmo triste, viva.
Na noite, tudo ficou tão forte, que até a solidão
Deu lugar ao desespero. Os adeus escritos em poemas,
Agora gritavam para os versos, para os sentimentos,
Para as palavras que um dia foram escritas.
Com os dedos compridos da saudade.
O coração batia mais forte, em descompasso,
Num gritar pulsante com o medo de ser preciso 
Recomeçar o que não haveria mais recomeço.
Mas de repente tudo ficou límpido outra vez
E o adeus que ia dar para os meus versos,
Como mágica divina, se fez poesia.


José João
03/05/2.015










sexta-feira, 1 de maio de 2015

Um vasto deserto triste.

Quantas vezes acordei com os olhos gritando de alegria,
Uma alegria que as palavras jamais diriam.
Com o coração batendo inocentemente descompassado
Pela tanta emoção, que seu pulsar se fazia voz,
Contando para a alma o milagre de amar...amar.
Quantas vezes acordei com um gosto de paixão na boca,
Com o gosto de primavera, por ser muito pouco
O gosto de apenas uma flor. Ah! Minhas noites!
Eram vividas em verdades como se fossem sonhos,
Os mais belos sonhos que se pode sonhar ou...viver.
Não existia insônia e nem vontade de dormir...
A razão se perdia na incoerência de uma entrega
Onde os corpos se faziam pequenos pedaços da alma
Numa entrega divina, sem pecados, sem medos...
Cheios de uma ternura que nem a vida sabia explicar.
As manhãs, cobertas de sol, despertavam  alegres,
E um doce gargalhar da brisa, nas folhas úmidas,
Dava um sorridente bom dia...pra nós dois
(silêncio, olhar demente perdido no tempo,
algumas lágrimas teimosas)
.........................................................................
...hoje meu coração é um deserto, sem nenhuma 
Planta pra nascer


José João
01/05/2.015