segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Viver?





Onde estarão o meus sonhos?
Será que ao longo da vida os perdi?
Será que agora desperto e percebo
Que nunca, nenhum sonho, um dia vivi.!


Onde estarão meus sorrisos?
Será que nunca aprendi a sorrir?
Será que ficaram num passado distante
Que nem eu mesmo sei se vivi?


E o brilho dos meus olhos?
Se um dia existiram, onde estarão?
Será que se perderam na minha tristeza
Ou se um dia os tive foi mera ilusão?


Onde estará minha voz que um dia
Gritando bem alto eu mesmo ouvi
Hoje emudeço em murmúrios tristonhos
Pois até meu pensar há muito perdi


Que me resta agora de mim fazer?
Que me resta pensar no que posso ser?
Se depois de tantos perdidos não sei
Se me vale, mesmo triste, ainda viver.


José João



A procura





Mar, sol agoniza, delírios leves
Pensamentos vagos e até sonolentos
Saudade viva, ardente e crua
Da vida, do tempo, dos meus momentos


O dia se vai e em mim se perde triste
Pinto teu rosto num sol moribundo
Banhado em águas pintada a esmo
Com olhar perdido no mar profundo


Te busco em raios,  nas quase estrelas
Te busco em sol,  na quase noite
Te busco em mim onde perdido estou
Te busco dentro do que já não sou


Em morte diária, lento se vai o dia
No nascer jovem de estrelas antigas
Me perco nelas vagando o olhar
Na vã tentativa de te encontrar


Que quase sol, que mar, que saudade
Que quase estrelas, que quase noite,
Que angustia! Ah! Momentos vividos...
Agora em mim como sonhos perdidos.


José João



Dentro dos sonhos





Oh! Saudade que me abraça a alma
Acalenta o sono que não quero dormir
Pois que, desperto, posso ver chegar
Todos o sonhos que preciso sonhar


Sonhos passados no tempo perdidos
Tempo em que sonhar não me era preciso
A verdade era mais e melhor que sonhar
Que gritava bem alto: A vida é amar


Agora lembrando de tantos momentos
Preso, que estou, em meu triste deserto
Com a saudade posso dormir: Não quero
Se acordado os sonhos de mim ficam perto


As lembranças me vêm e as quero comigo
Por breves momentos ainda que seja
Também que me venham saudades antigas
E feliz, nos meus sonhos, talvez eu me veja


José João

Minha oração





A Ave Maria de longe eu escuto
A mim me parece um canto de luto
Não que não sinta a beleza do canto
Mas por tão triste me entrego ao pranto


Quantas Ave Maria um dia rezei!
Rezando, solene, outra preces que sei,
Em cantiga alegres também já rezei
Agora, chorando, de rezar me cansei


Tanto rezei e pedi nesta hora que até
O joelhos feridos já não podem dobrar
Lhe pedi que trouxesse alguém para amar
Mas minhas preces ninguém pode escutar


Ave Maria, como agora sozinho, sempre escutei
Se havia esperanças rezas alegres um dia orei
Agora perdido a Ave Maria fico a escutar
E chorar, é agora, a oração que aprendi a rezar.


José João

Castigo





Pobre e gentil alma que calada chora
Um pranto triste em sutis soluços
Por sonhos que no tempo foram perdidos
Ou que pela angustia foram assim vencidos


Calado o canto por ser maior o pranto
Da saudade sentida pelos tantos encantos
Encantos que em agonia lenta faleceram
E eram bem mais que muitos por serem tantos


Dos tantos e tantos sonhos em vão sonhados
À alma coitada, um só, a ela não restou
Até a saudade que lhe embalava aflita
Se foi com o sonho e não mais voltou


Que triste agonia de vida vivida sozinha
Pois nem o eco, dos soluços, lhe voltou
Silêncio perene de um mundo já esquecido
Morto no tempo e no mesmo tempo perdido


Tão só que o tempo lhe perdeu o sentido
Que pensa de ontem as dores sentidas
E até custa a crer que essa dor de agora
Por ela, há muito, já foram vividas.


Triste silêncio nos olhos opacos, sem brilho
Quando um pranto teimoso se recusa chorar
Brilhantes se tornam se as lágrimas vêm
Mesmo que a alma se sinta, coitada,  ninguém


Docemente ao vazio minha alma cativa se torna
Faz dele o seu mundo e já nem se importa
Pois só ele, o vazio, lhe ficou como abrigo
É só o que tem, por destino ou... por castigo.


José João








Meu pecado



Só, como se vazio estivesse todo o mundo.
A vida? Um insipido deserto pavoroso
De sonhos mortos e até já esquecidos
Pelo tempo, lentamente consumidos


Sem pressa, vai ao tempo, a alma triste
Sem sequer ter um horizonte para buscar,
O silêncio atroz lhe mata um tímido canto
Não permitindo nem chorar o próprio pranto


Oh! Cruel dor que em vivo sangue deixa
Abertas as cicatrizes já quase cicatrizadas
Que na alma se fazem profundas chagas
Por minhas lágrimas sendo assim lavadas


A mim, vem de longe como um quase nada
Tristes restos de sonhos pálidos e agonizantes
Me chegam em lembranças tênues, apagadas,
Em fragmentos, pelas tantas dores choradas


Que me resta então pedir à vida ou ao mundo?
Zelo pela alma que em prantos se desmancha?
Talvez pedir que a saudade lhe tome da solidão
Como se isto fosse um pedido de perdão


Que tão pecado teria minha alma cometido
Para que a punição lhe fosse... tanto chorar?
Será que a própria vida se confundiu ao pensar
Que é pecado tão intensamente se amar?


José João

sábado, 5 de novembro de 2011

Apenas mais um





Na rua, com tanta gente,
Eu era apenas mais um,
Na multidão solitária
Eu também era mais um,
Andando nas ruas eu via
Que não tinha onde chegar
Em tantas portas fechadas
Eu não podia entrar.
Via as vitrines olhando
Minha imagem do outro lado...
Perdida
Se confundindo com os preços
Das promoções que não vendem
Nenhum pedaço de vida,
Me perdi na floresta
De concreto e solidão
Em ninguém eu via história
Por que não via emoção,
Cada rosto uma sentença
Em cada sentença uma dor
Em cada dor uma ausência
Da triste falta de amor.
Que lugar é esse?
Que não se pode brincar
De fazer poesia
Ou conjugar o verbo amar.


José João

sábado, 22 de outubro de 2011

A noite e a saudade





Bruxuleante do candeeiro a chama tímida
Que pela noite quase engolida e ainda assim
Iluminava a mente, o papel e a pena fina
Que insistia escrever um verso quase sem rima


Ao longe, no bambuzal, dançando ao vento
Cantava, a coruja, canção nefasta a exprimir-se
Em desencontradas notas em tão compasso lento
Que o próprio tempo, ao vento lhe fazia esvair-se


Em mim, a alma triste, na noite a espelhar-se
No silêncio que as vezes não cansava de chamar
Um nome que meus lábios  tremiam ao murmurar
Um nome que a alma chorava soluçando ao lembrar


Dos olhos, por ela, duas lágrimas tristes a rolar
Uma mocinha, já nos lábios, ternamente a me beijar
Outra, pequena menina, ainda nos olhos a passear
Brincavam em meu rosto, de o rosto dela desenhar


Um grito na noite em que a aurora por mera teimosia
Ou, quem sabe,  por capricho insistia em não chegar
E eu, por tanto amor, até juro que ali estava
Na pálida luz do candeeiro seus olhos a me olhar.


José João





quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A poesia de ontem



Ontem escrevi uma poesia sem nome,
Versos sem rimas, palavras cansadas, vazias
Assim com se elas fossem minhas lágrimas
Caindo no papel e escrevendo minhas dores.
A poesia sem nome que ontem escrevi
Era como se fosse palavras soltas, sem nexo
Contando histórias que nem lembrava mais,
Buscando dores guardadas, reabrindo cicatrizes
Que, na alma, pareciam saradas, calcinadas.
Mas se abriram novamente, sangraram
Abundantes em dores, em gritos, que a alma
Alucinada e triste grita a esmo chorando sozinha.
Sem tempo, sem rumo, num espaço que não existe
Por que tudo ficou para traz sem caminho de volta.
Ontem escrevi uma poesia sem nome, tão triste
Que me restou apenas dizer, não mostrar
Para que ninguém chore a dor que é só minha
Essa dor tão grande que fez minha poesia sem nome
Ficar sem fim. Infinita como se a dor de sempre
Ficasse eterna a cada momento.

José João




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

simplesmente não sei





Hoje o que sinto não é dor nem saudade,
Nem angustia, nem tristeza, nem ansiedade
Hoje o que sinto, não sei, é um gosto de nada
Tão intenso que deixa a alma marcada


A vontade se foi, nem de chorar eu preciso
Talvez me falte o que ainda  não sei
Talvez no caminho perdido em que caminhei
Com ele perdido também eu fiquei


O mundo se cala em silêncio profundo
Perdidas as cores como no fim do mundo
Amanhã outro dia, se importa? Não sei
Que vivam as lágrimas com que me banhei


Ouço do nada o som do vazio que só eu posso ouvir
Me atento a um pranto de longe ouvido, um sussurro...
Loucura talvez, mas posso escutar o silêncio falar...
Posso escutar o silêncio cantar... ou chorar?


Percebi que o vazio lá de fora é o de dentro de mim,
Até a loucura que dizem vazia, em mim tem razão
Que louco eu sou se ontem chorei e não me esqueci?
Será que é loucura dizer que um dia... vivi?


José João

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Saudade cativa





Oh! Silêncio que em minha alma chega
Que nem um teu sussurro em mim se faz ouvir
E me atento ao eco do grito que gritei
Mas ele não volta como no tempo voltei


O tormento me atormenta em pesadelos
De momentos que o destino a mim impôs
Me matando de ontem o sonhos e os de hoje.
Para sonhar não me deixou nenhum para depois


E eis que o vazio me envolve e até diaria
Que bom seria se tão triste ele não fosse
Mas em que lugar estar a mim me importa?
De onde esteja para o mundo não tem porta


E que mundo haveria de uma porta me abrir?
Se o tempo não permite que a ele volte outra vez
A não ser pela saudade que a mim se faz cativa
Ou também pela lembrança que à alma deixa viva.


José João

O provedor de lágrimas

Quanta dor ao peito aflige em triste angústia
Quanto pranto, por tristeza, derramado!
Mas que seria da alma muda e silenciosa
Não fosse, por sorte, o prazer de ter chorado?

Chorado um pranto que, mesmo triste, ainda é belo
E nela, na alma, que bom a saudade ter ficado
Assim o tempo não se faz cruel carrasco
E da alma, o pranto, é prazer por ter amado

Por destino o tempo, para a alma, não é passageiro
Nem tão pouco a alma, para o tempo, é viajante
As duas existências se confundem e por tanto
De eterno para a alma também será o pranto

E eu, da alma, pequeno espaço a contentar-me
A ser somente provedor de lágrimas e de pranto
Que em soluços e tristes ais se vão ao tempo
Apagando lembranças do que um dia foi meu canto

sábado, 1 de outubro de 2011

Vagando no vazio




Vagando no tempo,
No espaço andando por não ter chão,
Palavras torpes e até injurias calado ouvia,
E a alma, em triste pranto, sangrava o peito
Rezando orações noviças que nem eu sabia.
Tétrico silêncio calava a voz. Um murmurio frágil
Saia em busca de se fazer ouvir.
Afiadas vozes como frias lâminas
Me feriam a alma em profundos golpes
E a dor mais fria que lascinante
Em desespero chamava as lágrimas
Que moribundas, em gigantesco esforço,
Se faziam fortes.
Chorava, como se o pranto fosse oração,
Juntava as mãos em demente postura
E fugia, corria com passos bêbados
Como se tudo em minha volta fosse loucura,
Assim não me permiti encontrar entre os prantos
Um momento de sutil lucidez que me levasse
À doce surdez para não ouvir
O que em mim, me doia tanto.

José João

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Folhas de outono





                                         
Meus sonhos, assim como folhas de outono
Levadas  pelo vento,
O tempo, como ventania de verão, os levou também.
Para onde? Não sei,  mas para muito além de mim,
Onde só o pensamento chega...
... Onde só as lágrimas vão.
Pra lá foram folhas, histórias e lágrimas.
Como se o outono quizesse esconder da primavera
As tristezas que não alegram as flores.
Assim fiquei sem histórias... sem lágrimas,
Olhos vazios procurando em horizontes perdidos
Poesias inacabadas, poesias sem dono,
Poesias que nunca ninguém escreveu...
E dentro delas me colocar
Mesmo como palavra solta, sem sentido,
Mesmo como uma folha de outono caída
Chorando sua dor sem ser percebida.


José João





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Alma prostituída



Uma lágrima cai dos meus olhos,
Afaga meu rosto, sem que eu queira,
Como uma meretriz, que afaga sem carinho,
Ainda assim minha alma se prostitui, e prostituta
Se deita cômoda na cama do tempo
Como se o macho fosse um pensamento,
Sem que ela perceba, estéril.
Que sorte! Assim não haverá criação.
E a sólida, mais que solidão ou carência,
Figura de um fantasma bêbado cheio de vazio,
Em depressivo passo alucinante,
Cambaleia numa estrada sem rastros,
Nem parece caminho, apenas uma rota de fuga
Por onde ninguém nunca passou.
E o vento, silencioso, por ser tão pouco,
Canta baixinho uma canção sem nexo,
Se contorce como se fosse louco,
Como se estivesse no cio... no coito
Querendo fecundar a alma prostituta
Que traiu o estéril pensamento,
Não com o vento, que bobo se roça no tempo.
A alma carente se entrega a um mero e
Qualquer Tormento... como este fosse...
O galã do momento.

José João

Em qualquer lugar do infinito



Para qualquer lado que ande chego no infinito
Assim não preciso de sul ou norte para seguir
Posso andar na direção de qualquer estrela
Que o infinito... é logo ali, basta apenas ir

Não tenho rumo, nem rota, nem caminhos
Estradas ficaram como marcas no chão,
Como veredas esguias por lágrimas molhadas,
Por soluços da alma em dores choradas

Em que porto chego traçando rota pelas estrelas?
Onde no universo haveria um lugar pra não chorar?
Triste ilusão é pensar que a tristeza não vai estar lá

Por isso não tenho um ponto no infinito a desejar
Qualquer lugar do universo me serve para estar
Afinal a tristeza não está lá, comigo ela vai chegar


José João















sábado, 24 de setembro de 2011

Cárcere





Qual crisálida no casulo adormecida
Em que a existência é apenas um estar
Assim minha alma pelo vazio envolvida
Que quase morta insiste em lhe deixar


O frio da tristeza em prantos deixa alma
Que chora em agonia a saudade de uma vida
Que não volta, poi no tempo se perdeu
E deixa as cicatrizes a mostrar o que viveu


Que vida! Que sonhos! Aurora a despertar
Em sol alegre corpo e alma a aquecer
Em que a própria vida lhe pedia pra viver
ESm dias renascidos sempre no vo alvorecer
Assim como a crisálida no casulo adormescida


Mas no tempo se perderam sonhos... ilusões
e o vazio tão frio, prisão de pensamentos
Me deixa disponivel só a vontade de chorar
E à alma não deixa nenhum sonho pra sonhar


Asim como a crisálida em casulo adormecida
Minha em cárcere do vazio a lhe deixar
Enquanto a crisálida amanhã já terá vida
Minha alma amanhã terá prantos pra chorar


José João





O jardineiro





Deixe que lhe diga em versos simples
O largo sentimento que me toma
Tão grande, a comparar no campo apenas
Com o jasmin que ao mundo exala seu aroma


Da palavra, o dom divino não me coube
A mim restou apenas ser um mero jardineiro
Sem leitura, aprendo a vida com as flores
Que belas e soberbas nascem em meu canteiro


Deixe-me que lhe diga em versos simples
Pois as palavras dos doutores não conheço
Mas sei sentir no peito um doce encanto
Apesar de senti-lo por quem eu não mereço


Mas de minha ignorância não reclamo
Apesar dela minhas mãos sabem falar
As flores, senhora, a mim se entregam todas
Dizem que como eu ninguém mais sabe amar.


José João

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A dor que sinto

Parece não ter sentido a dor que agora sinto
E por não ter sentido até parece não ser dor
Mas pra a alma, mentir não posso e não minto
E deixo que, da vida, ela sinta o amargor

A dor é tão doída que a voz se cala em pranto
E calada no silêncio só soluços pra chorar
No peito morre a ânsia de tentar cantar um canto
E a alma alucinada chora sem histórias pra contar

Parece não ter sentido nenhuma dor que senti
Mas todas foram perdas por tudo que já vivi
Ainda hoje choro triste pelo que ganhei e perdi

Parece não ter sentido a dor que agora sinto
Mas é uma dor tão doída que a voz se cala em pranto
Deixando morrer no peito a ânsia de cantar um canto.








quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Minha alma





Qual inocente pomba que no céu se perde
Voando a esmo em perdido espaço
Gemendo triste e o coração partido
Pelo pobre filho que caiu no laço


Qual alvo lírio que no prado murcha
Pelo cruel calor de ardente estio
Ou como inocente peixe em agonia lenta
Por que sem água lhe secou o rio


Assim minha alma no espaço chora
E pede aflita... e não escolhe a hora
Qual mãe que a vida do filho implora


Que um dia encontre doce regaço
De que preciso e sem que não passo
Pode até ser qualquer terno abraço.


José João

Meu canto

Meu canto é triste e nasceu chorando
Como o triste canto de um passarinho
Que vai aos filhos buscar comida
Mas que na volta lhe roubaram o ninho


Meu canto é triste como a roseira que chora
Ao ser podada sem qualquer razão
Lhes cortam os galhos, lhes tiram as rosas
Mas também lhes tiram o tenro botão






Meu canto é triste como o nascer da aurora
Que a chuva forte lhe esquece a hora
Tão triste fica que a chuva fina
É a natureza que por ela chora


Meu canto é triste assim como eu
Que choro um tempo que o tempo levou
Meu canto é triste como é triste o mundo
Em que vivo por não saber quem sou.


José João

Renascer





Eu era a flor da beira da estrada
Que entre tantas ninguém notava
Passavam constantes os caminhantes
Mas minhas lágrimas ninguém olhava


Enfeitava o prado e meus dias tristes
Esperava um dia que alguém me olhasse
Nas manhãs choradas pelo orvalho frio,
Quem dera houvesse quem me secasse...


Um dia então, sem que esperasse
Grosseira mão me arrancou do galho
Me apertava tanto... mas sem emoção
Que a dois passos me atirou no chão!


Que triste destino a mim se impunha
Somente uma folha como companheira
Cadáver de estrada, de morte banal
E por sepultura só pedra e areia


Mas eis que me vem da mão do destino
Cantando alegre um feliz passarinho
Me olha risonho ... me faz reviver
E com todo carinho me põe em seu ninho.


José João

Esses poetas e suas poesias!





Como são magníficos esses poetas e suas poesias!
Não sei se são mágicos, ilusionistas do pensamento
Brincam de brincar com palavras e sentimento
Riem da solidão, da pior dor, em qualquer momento

Fazem as palavras valsarem elegantes em seus  versos
Ao som de uma sinfonia que nenhum maestro escreveu
Misturam o canto dos pássaros e os volteios do vento
Se gostam, com um ponto no fim do verso param o tempo

Brincam de correr entre estrelas fazendo versos pra lua
Tecem raios de luar fazem guirlandas e vestem a noite nua
Brincam de banhar com a lua na poça d' água que ficou na rua

Se por um momento a solidão se avizinha e a saudade lhe grita
Não se assusta, lentamente vai indo procurando uma flor qualquer
Senta no tempo e diz: vamos brincar de mal-me-quer, bem-me-quer...



José João

Estranho quadro

É noite, a chuva cantarola nos telhados,
O vento canta baixinho uma canção triste,
As árvores dançam um valsa desconhecida
De uma orquestra que nunca antes foi ouvida


As pedras acariciadas pela água da chuva
Se deixam lavar para ficarem mais belas,
A tudo isso alguém triste assiste calado
Como se fosse um quadro na janela pintado


Por um pintor que queria retratar a dor
Fazer com a chuva um quadro de  fundo
E pintar um lágrima sem matiz e sem cor


Que quadro estranho escolheu esse pintor!
Pintar o rosto de um desconhecido sofredor
Com a solidão vestida com todo esse amargor.


José João

Minhas poesias





Meus pensamentos se perderam em poesias mudas
Poesias sem formas com palavras soltas e vazias
Que nada dizem por que nem de solidão sabem falar
Nem da dor que sinto ou da tristeza que vou chorar


Minhas poesias nada mais são que cantos mudos
Sussurrados por uma alma que chora a própria dor
Ninguém lhe escuta os gritos por serem surdos
Ou os gritos são meros gemidos de um sonhador?


Minhas poesias são versos perdidos difíceis de ver
Atirados e até já vencidos no livro do tempo
Como pedaços de versos que ninguém mais quer ler


Minhas poesias são pedaços de nada assim como eu
Histórias falando de dores que ninguém nunca leu,
Versos perdidos que ainda hoje ninguém escreveu.


José João

Nem sonhos tenho mais





Nem sonhos tenho mais para sonhar,
Esperanças ficaram nas lágrimas choradas
Pelas dores sentidas que o destino me deu
E os devaneios ficaram no passado que morreu


As lembranças correram por entre o esquecimento
Belos momentos esconderam-se atrás de dores vivas.
Na carne ficaram cicatrizes abertas que sem pudor
Me lembram cruelmente que viver também é dor


Tentando fugir corri na direção de um horizonte
Como se do sofrimento pudesse me esconder
Indo por caminhos desconhecidos sem nada ter


Que me lembrasse o que fui, o que vivi, o que sou
Mas em minha alma as cicatrizes lembravam a dor
Que é só minha e vai comigo por onde eu for.


José João



Meu mundo





Meu mundo, tão pequeno que bem aí é o horizonte
Sem linhas cinzentas, sem céu azul e sem sonhos
Um horizonte pintado de apenas solidão e dor
Sem estrelas, apenas veredas sem sol, sem calor


Meu mudo, tão perdido e tão vazio onde apenas eu
Corro entre o nada, me banho com lágrimas e canto
Para eu mesmo ouvir, faço carinhos na saudade, rio
Grito meu nome pra eu mesmo não esquecer de mim


Sento no vazio do meu mundo e só, respiro profundo
Me conto histórias de amores que nunca vivi
Vôo em sonhos perdidos por lugares que nunca vi


Á! esse mundo tão pequeno, tão vazio e cheio de mim
Esse meu mundo povoado de solidão e tristezas
É um mundo diferente, tão pequeno e tão sem fim.


José João

Queria ser

Queria  saber rir, cantar como todos sabem,
Queria saber sonhar belos sonhos, como sonham
Queria ver um por do sol, pelo meno uma vez,
Diferente. Alegre, risonho, sem estar carente

Queria saber andar na direção de um horizonte,
Um horizonte colorido, pintado de arco-iris
Queria andar num caminho bordado, enfeitado,
De flores. Cantando versos de belos amores

Queria saber contar meus sonhos para as estrelas
Saber brincar como vento entre cercas e quintais
Queria saber cantar com os pássaros as canções
Desconhecidas. Essas canções que alegram vidas

Queria ser teu pensamento o mais doce pensamento
Queria ser um teu sorriso, o sorriso mais inocente
Queria  ser a paisagem, a mais bela de todas que
Viste. Não posso porque será que sou sempre triste?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um triste despertar

Gosto de escrever poesias, nelas sou feliz
Posso ser rei de um reino onde as flores falam
Onde o rei cala e ouve o que um pássaro diz
Onde posso cantar alegre. Coisa que nunca fiz

Na minha poesia brinco de sonhar com as estrelas
Vou voando, sem medo, no mais distante horizonte
Brinco de escorregar nas nuvens como se fosse o vento,
Sou forte, sou mágico, nelas até para o tempo

Minhas poesias, meu mundo infinito e diferente
Onde amo. canto o amor, sou feliz não sou carente
Meu mundo de luz, ternura no ar, sublime perfume
Onde posso ser tudo, posso até mesmo ser gente

Na poesia, sinto, apalpo um amor forte e ardente
Por alguém que sem saber o nome seu nome eu chamo
E me entrego de braços aberto sem medo de amar
Ah! Que sonho! Que despertar! Acho que vou chorar...



Aprendi

Não sei mais quem sou. Me perdi
Nem sei mais pra onde vou.
Talvez fique aqui, dentro de mim
Como meu começo ou meu fim

Caminhei sem deixar rastros
Não deixei marcas nem sonhos
Se os deixei um dia, esqueci
Nem sei como cheguei aqui

Por vezes o eco do meu pensamento
Quando sóbrio, sussurrando me diz
Coisas desconexas, incoerentes,
Diz  baixinho que já fui feliz

Mas um coisa, com certeza, aprendi
A ser só, a ouvir, a calar,
A saber o momento da tristeza chegar
Me abraçar e a saudade comigo chorar.

Chega logo, amor!


Canto amor! Canto teu nome que nunca esqueci
Ainda te sinto o perfume, teus beijos ardentes,
Pena querida, que mesmo assim, nunca te vi
Talvez por isso eu e minha alma sejamos carentes

Te chamo, grito teu nome que nunca ouvi
Sinto teu corpo quente e macio bem perto de mim
Que por vezes até juro que contigo vivi.
Quem é você? Que me toma os sonhos e não conheci?

Será que é loucura? Ou será um desejo qualquer?
Será que você é um sonho perdido dentro de mim?
Ou será que você é, na verdade, um anjo-mulher

Voando no espaço procurando por mim? Ou brincando
De me ensinar a sentir o doce prazer de esperar?
Mas vem querida, chega logo, preciso te encontrar.

José João



Essas dores descabidas

Pra que cantar ladainhas ou rezar orações
Que ficarão no tempo sem serem ouvidas
Pra que fazer promessas em solene contrição
Todas ficarão entre os nadas como rezas perdidas

Rezar, me ensinaram um dia, mas até esqueci
Cantei versos sacros, ladainhas, ajoelhado orei
Foram tantas rezas ensinadas que até me perdi
E nenhuma me evitou sofrer as dores que já sofri

Hoje meus cantos são dores sofridas, sentidas
Que na alma se fazem cruéis, dolorosas feridas
Como se tudo fosse preciso pra viver por viver

Como se para viver fosse preciso apenas sofrer
Pra que cantar ladainhas? Serão só rezas perdidas
Para os santos, as dores dos homens são tão descabidas.

Vem, amor...


Vem, amor, não me faça esperar tanto
Não sei quem és ou onde possas estar
Mas sei que existes. meu coração diz
Te espero. Um dia haverás de chegar

Sinto teu perfume na brisa leve do mar,
Vejo tua silhueta no horizonte desenhada
Como se fosses um anjo, caminhando devagar
Me ensinando o doce prazer de esperar

Á! amor, que bom seria te botar no colo
Te fazer canção, até cantar pra você dormir
Velar teu sono e no teu sonho te ver sorrir

Vem, amor, há quanto tempo te espero tanto!
Gastei todos os sonhos pra sonhar contigo
Agora, amor, me resta apenas te ver comigo

José João

Como até agora vivi?

Meus sonhos ficaram moribundos
A solidão me faz companhia
As lágrimas brilham no rosto
Como purpurinas. como fantasias

Minha lembranças brincam comigo
Como pedaços de sonhos perdidos
Da solidão me faço terno amigo
Da tristeza, perfeito abrigo

Me busco em pequenos pedaços do tempo
Em que fragmentos de mim se esconderam
E nos sonhos, que de sonhar se esqueceram

Assim sou seu, no vazio procurando razão
Dos nadas que sem querer me vesti
Me perguntando como até agora vivi.

Ser só. É assim

Sozinho entre a solidão e a tristeza
Perdido entre saudades e sonhos que sonhei
O amor sempre mentindo, me enganando
Me dando como lembranças as dores que chorei

O silêncio se faz cruelmente vivo em minha volta
Tanto que ouço meus pensamentos soluçando,
Ouço minha alma rezando orações confusas
Como se orar fosse o mesmo que estar chorando

Invento rezas, as antigas estavam já vencidas,
Invento sonhos, que sei, nunca serão vividos
Busco sentimentos que nunca serão sentidos

Na multidão procuro olhares e não sou percebido
Ando, mesmo sabendo onde vou, me sinto perdido
Grito: Estou aquiiii ... mas nunca sou ouvido.

Eu, uma história que invetaram

Sou aquele sozinho que todos acham triste,
Aquele que chora desde quando ficou vivo
Sou a própria solidão que tanto insiste
Em me deixar sozinho e a ela ficar cativo

Sou aquele que anda na multidão e não é visto
Que grita a dor da alma e por ninguém é ouvido
Sou o nada, que por nada ser até insiste
Em viver, mesmo já sem ter qualquer sentido

Sou menos que eu mesmo, sou apena o meu grito
Que sai do peito como louco procurando aflito
Qualquer sonho que o faça fazer-se de infinito

Sou enfim, o mais esquisito sonho que sonharam
O sonho que se sonhou mas que nunca é lembrado
Sou, talvez, apenas uma história triste que inventaram



O infinito das flores

Ah! As flores! Pedaços infinitos de Deus
A meiguice terna e beleza das violetas
Que se fazem inocentes, se fazem criança
E se deixam acariciar pelas frágeis borboletas

Meu Deus! As orquideas! frágeis fadinhas divinas
Coloridos anjos do céu por descuido na terra caidos
Na verdade são pedaços completos de Deus
Pedaços do céu que nunca foram colhidos

Cravos, antúrios, azaléas, margaridas e jasmins
Chegam aqui na terra por um suspiro de Deus
Pois todas elas um dia eram anjos e querubins

Ah! Essas flores que nos dão alegria e calma
Esses maravilhosos pedacinhos infinitos de Deus
Bem mais que os homens elas têm amor e alma

Meu deserto





Vivo num deserto povoado de sonho mortos
Por fantasmas de saudades tristes e moribundos
E tudo se faz sem cor, sem som, se faz vazio
Que penso estar a solidão em pleno cio


Meu mundo se fez um pedaço completo do nada
Onde nada entra, nada sai e nada existe
Nem eu, que mudo, canto poesias inacabadas
Sem começo, sem fim mas sempre tristes


Assim vou por caminhos bêbados e tortos
Sem margens que guiem um rumo, um norte
Sem orações ou ladainhas que me dêm sorte


Até as pedras choram por tão triste rota
Nem o eco do meu soluço a elas já não importa
Pois as pegadas que deixei... estão todas mortas


José João

Aos não amados

Esta poesia é para os desventurados
Aqueles que amaram e nunca foram amados,
Choraram dores lacinantes e profundas
Que até as almas se fizeram moribundas

Estes versos, se um dia forem lidos
Por quem com eu à sorte se entregou
Com certeza, não se sentirão surpreendidos
Em saber que nunca viveu quem nunca amoui

Amei como se amar fosse rezar. fosse orar,
Fosse cantar ladainhas com apenas um nome:
Amor, e Amar fosse todo meu sobrenome

Amei, como sei, ninguém no mundo amou
Fiz castelos de sonhos, mas coitado de mim
Castelos em que ninguém nunca me procurou

Bem aventurados

Bem aventurados os desventurados como eu
Bem aventurados os que choram suas dores
Bem aventurados  quem chora o amor que perdeu
Bem aventurados a quem tantos amores se deu


Bem aventurados os que têm uma dor pra chorar
Bem aventurados os que têm uma saudade pra sentir
Bem aventurados os que ainda assim querem amar
Bem aventurados os que choram sua dor sem mentir

Sou um desses a quem as lágrimas permite
Os olhos brilharem como diamantes ao sol
Sou, o que em mágoas, ainda sabe sorrir

Sou quem nas noites faz do céu seu lençol
Para todas suas dores ternamente cobrir
E entre sonhos e pesadelos deitar no chão e dormir