segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A liberdade da poesia



A liberdade me proibiu
Limitar os versos que escrevo
Disse que a métrica é fria,
E os versos agora livres
Voaram tão alto que os perdi
Deixaram se ser meus,
Se entregaram devassamente
Ao mundo e fizeram voz,
Gritavam sua liberdade
Na poesia clara e completa,
E a poesia feita de versos
Curtos ou versos longos
Não deixou de ser poesia.
O pensamento gritava solto
Sem medo do começo
Ou do fim do verso,
E a poesia como se tivesse
Uma roupa nova
Não se preocupou com a elegância
Queria apenas ser verdadeira
E os versos ficaram como as pessoas
Altas, baixas, gordas, magras.
Negras, brancas ficaram assim,
Como  o mundo é feito,
Mas sem contradição, sempre sensível,
Doce, terna, assim como o mundo não é feito.
Quem sabe um dia os homens tenham
A liberdade dos versos sem métrica?
E a ternura da poesia completa ?

José João

... desses poetas que amam

Como queria ser poeta!
Escrever versos alegres,
Versos tristes.
Versos de mentiras verdadeiras,
Onde a alma, por doce inocência,
Ri da dor que sente.
Á! Como queria ser poeta!
Desses poetas
Que conquistam a solidão,
Que fazem da lágrima poesia.
Desses poetas que se fazem de mendigo
E deitam com a lua
Em qualquer sarjeta do universo,
Desses poetas que amam tão loucamente
Que se fazem criança e dormem inocente,
E criança seriam
Não fosse dormir na rua
Com a noite pecadora e nua
Lhe oferecendo o ventre
E o poeta, coitado, ainda carente,
No peito uma vontade ardente
Mas a alma sofreu tanto
Que a tudo ficou descrente...
Triste... indiferente.


Um traço traçado na taça

Traçando vagos traçados
Em tranças leves trançadas
Na mão da taça que trago
E na taça a traça traçando
O gosto do vinho que trago
No silêncio do leve traço
Traçado pela traça na taça
Caminho só, rindo ou sorrindo
Beijando a taça que a traça
Em silêncio comigo trançou
E trago o gosto perdido
Da vida que o destino traçou.

Como é bom amar!

Não sei quantas vezes amei,
Amei e sorri, que bom é amar.
Não sei quantas vezes amei,
Amei e sofri, que bom é amar.
Se outra vez tiver que amar
Não importa o que acontecer
Vou me entregar.. é preciso,
Eu preciso viver,
Ainda que depois um adeus
Faça a vida doer,
Mas com a dor se aprende
Que amar é viver
E viver se entende
Entre sorrir e sofrer.

O perfume de um beijo



O perfume de teus beijos
Ainda está dentro de mim
Como se fosse a saudade
De um amor que não tem fim

Mas como o perfume de um beijo?
Como pode um beijo ser perfumado?
Só entende esse doce  milagre
Quem um beijo divino tenha ganhado

José João

Amar? Eu!?

Sentar diante do nada
Olhos cansados de tanto chorar,
Sentir a saudade na alma
Solidão espreitando querendo chegar.
Ficar entre cantar e gritar
E as palavras correndo no tempo
Para a tristeza chegar.
E eu?! Com lembranças perdidas
Que me vêm em pedaços
Por nunca serem esquecidas.
Que fazer de mim agora?
Será que ainda posso sonhar
Com a loucura de um beijo ardente
De alguém que no mundo
Ainda possa me amar?


Á! Quanto já amei!

Sentado na porta da tarde
No meio do tempo, com o nada
Brincando em inocente dizer.
No violão um acorde risonho
Voando com o vento
E querendo viver
Na poesia, de há muito vivida,
Que mesmo querendo não pude esquecer,
Sentindo no rosto molhado
Por lágrimas frias caindo tristonhas
Mostrando que a vida
Também é vivida em pleno sofrer.
Caído no meio da estrada
Com um eco atrevido parido do nada
Correndo entre as dores até me chegar,
Num grito esquisito,
Ou moribundo gemido, até já não sei,
Dizendo num silencioso dizer que:
Me sinta feliz pelo tanto que amei.

Eu, um pedaço de mim





Já fui feliz, já sonhei, já vivi
Sonhei sonhos lindos ainda acordado
Tremi de amor em ternos braços
Me senti deus por tanto ser amado


Fiz poesias alegres falando de amor
Escrevi contos com prazer, com ternura
Até gritei ao mundo que a tristeza sorria
Por tanto ver em mim tamanha alegria


Depois acordei como pedaço de mim
Com sonhos mortos, caídos, vencidos
Os lindos sonhos morreram enfim


Hoje sou resto do tempo, resto de nada
Resto de mim, resto do que um dia me vi
Hoje apenas grito ao mundo: Viva, morri.


José João



Só nos sonhos te encontro

Lá se vão as estrelas na alvorada
Levando os sonhos que não sonhei
Aqueles sonhos, amor, que eram teus
Dos momentos que foram todos meus

Á! amor, quantos sonhos tenho ainda
Pra sonhar contigo o que não sonhei!!
Sonhos com tudo que me faça lembrar
Dos beijos, querida, que não te dei

Quantas alvoradas haverão de espantar
As estrelas e meus momentos de ilusão
Deixando em mim este gosto de solidão?

Quantas noites ainda não vou dormir
Pela ansiedade de dormir e te sonhar
Se só nos sonhos consigo te encontrar

Vem logo!


Te amo e te preciso como divina luz
Deixa que sonhe contigo e viva este sonho
Que se fará verdadeiro em minha alma
E seguirá comigo como canto de paz e calma

Deixa que em meus sonhos te tenha toda,
Te carregue entre flores, beijos e desejos
Deixa, querida, que meus sonhos me acalentem
E diz-me que a mim eles não mentem

Vem amor, entre estrelas rios e jasmins
Vem no raio de luar perdido na madrugada
Revive minha alma tão triste e tão calada

Amor onde estás? Te busco até em orações
E sem saber teu nome te chamo loucamente,
Porquê estás vindo assim tão lentamente?

José João

A cor de minha tristeza

Se a tristeza tivesse cor
De que cor seria a minha?
Teria a cor do mendigo
Ou teria a cor da rainha?
Qual é a cor do mendigo?
Que cor teria a rainha?
Então que cor teria a tristeza
Essa tristeza que é só minha?
Teria a cor do tempo?
Ou teria cor de esperança?
Ou seria colorida
Da cor que gosta a criança?

Queria saber ...




Queria  saber rir, cantar como todos sabem,
Queria saber sonhar belos sonhos, como sonham
Queria ver um por do sol, pelo meno uma vez,
Diferente. Alegre, risonho, sem estar carente

Queria saber andar na direção de um horizonte,
Um horizonte colorido, pintado de arco-iris
Queria andar num caminho bordado, enfeitado,
De flores. Cantando versos de belos amores

Queria saber contar meus sonhos para as estrelas
Saber brincar como vento entre cercas e quintais
Queria saber cantar com os pássaros as canções
Desconhecidas. Essas canções que alegram vidas

Queria ser teu pensamento o mais doce pensamento
Queria ser um teu sorriso, o sorriso mais inocente
Queria  ser a paisagem, a mais bela de todas que
Viste. Não posso. Porquê será que sou sempre triste?

José João

domingo, 11 de setembro de 2011

Gritos da alma

Meus sonhos são meros pedidos da alma
Pedidos que ela, neles chorando, implora
Um momento que seja, de doce ternura
Para que esqueça as tantas vidas que chora

Esse chorar que em lágrimas à alma sufoca
Espasmo sofrido, incontido, por tanto sofrer
Me faz que a alma calada, tímida e triste
Sonhe querendo um belo e novo acontecer

Ah! Pobre alma sonhando a esmo um alvorecer
Uma aurora de cores, de versos, de amores
Um pedaço de tempo que lhe faça viver

Mas o destino irônico, frio, cruel e zombador
Faz que o tempo lhe marque com lágrimas e dor
Fazendo que a alma apenas grite em triste clamor.



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Onde estás?








Onde estás, ó doce alma de ternura infinda?
Porque te foste ao tempo sem nada me dizer?
Em mim deixaste muito mais que apenas dor
Me tiraste a vontade que ainda restava de viver

Porque tua ausência me impões sem um adeus?
Levando contigo sonhos que me destes a sonhar
Tirando a alegria dos meus olhos que eram teus
Por que só a ti, amor, eles felizes queriam olhar

Agora em desespero, teu nome ao mundo grito
Soluços e lágrimas de meu peito saem aflitos
Como orações rezadas por tristes fiéis contritos

Ó! Dor! Dor atroz, maldita dor dos condenados
Que chega  como martírio ou remissão de pecados
Por apenas ousar um dia, loucamente ter amado

José João















quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Minhas relíquias

Revirando minha grande e velha gaveta,
Revendo meus guardados, fiquei surpreso
Com o que o tempo me deu para guardar.
Palavras soltas, letras perdidas,
Velhas e poeirentas poesias inacabadas,
Até um beijo, bem velhinho, sozinho,
Sentado no canto da gaveta, um beijo
Que havia esquecido de ter recebido.
Retratos, coitados, sem cor, roídos.
Sorrisos amarelados em rostos apagados.
Até aquela velha saudade de cabelos brancos
Dormindo comodamente sobre aquela história
Que ficou guardada sem que eu soubesse.
E as cartas? Cartas que nunca foram enviadas,
Tantas que se acotovelavam e até discutiam
Na esperança de que fosse manda-las,
Não entendiam que já estavam velhas.
Não que não tivessem mais sentido
Ficaram como registros de momentos
Que também envelheceram e nem aconteceram.
As recordações discutiam acirradamente
Cada uma querendo sem mais jovem que a outra
E como se não bastasse, a mais importante também.
E os sonhos?! Velhos e caducos sonhos
Misturando as histórias ou contando em pedaços
As tão já passadas emoções e sensações.
O que também me chamou a atenção
Foram duas lágrimas tão velhinhas
Que quase nem se punham mais de pé
Embora parecessem lúcidas, diziam contentes
Que eram remanescentes de um sorriso...
Um sorriso em que os olhos choraram.
E um velho soluço conversando com os ais
Da mesma idade, dizia: Coitadas estão caducando,
E eu fiquei sem saber se sorri realmente um dia .
Á! Minha grande e velha gaveta
Cheia de relíquias que o tempo não consome.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Não sei ser poeta

Queria ser poeta, saber escrever versos bonitos,
Saber falar da beleza dos raios de luar
Deitados na praia beijando ternamente a areia.
Saber falar do por do sol, da saudade melancólica
Que vai aumentando enquanto ele vai lentamente
Se escondendo no horizonte entre cores
Que nenhum homem ousou ou imaginaria criar.
Á! Se eu soubesse ser poeta? Falaria
Da beleza das flores, da inocência dos lírios,
Entenderia o cantar terno da brisa ninando
Os miosótis, os jasmins, as dálias, as rosas...
Porquê não nasci poeta para saber falar das belezas?!!
Falar dos pequeninos, belos e irriquietos passarinhos
Cantando lindas sinfonias em notas que ninguém conhece.
Se eu fosse poeta saberia ouvir o canto do vento
Fazendo o mar valsar com suas ondas brancas,
Leves, soltas, como criança brincando na praia.
Se eu fosse poeta saberia falar do amor
De sua beleza terna, doce, envolvente e cheia de vida,
Dos namorados apaixonados trocando beijos
Na sombra de um flamboyant  tão risonho de florido.
Saberia escrever versos apaixonados. Parar o tempo
Eternizando momentos de paixão, de entrega
Como a emoção e a beleza do primeiro beijo.
Mas não sou poeta, e triste reconheço isso,
Nunca serei poeta, sou apenas um sonhador
Que sente saudade dos próprios sonhos
Até dos sonhos que, infelizmente, nunca sonhou,
Sou aquele que faz versos tristes por não ser poeta
Que escreve lágrimas tristemente caídas no tempo
Sou quem o mundo fez andarilho... assim como o vento.



domingo, 4 de setembro de 2011

Brincando de enganar o sofrer


Deus, Deus, Deus. Deus que não ouve minha prece
Que me permite sentir dor tão cruelmente voraz
Deus onde estás? Vê que dor minha alma tanto padece
Oh! Deus me responde: Será que tanto ela merece?

Eu e ela,  os dois, andamos como sombras tristes
Indo por estradas que nem no horizonte se curvam
Tão forte é o vazio que do tempo faz  um simples nada
E da alma, dela faz, coitada, uma triste alma penada

Meus sonhos se fizeram pesadelos pavorosos
Em que fico a procurar a mim mesmo em outro tempo
Como se eu não existisse em quase nenhum momento

Mas agora que importa? O que ainda posso fazer?
A não ser chorar brincando para enganar o sofrer
Ou então sorrir fingindo que ainda gosto de viver.



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Eu, dentro de mim


Já andei sobre pedras pontegudas, afiadas
Dilarecendo pés, alma, coração e pensamentos,
Duras pedras e amorfos fantasmas, vestidos
De pesadelos de perdas que a alma chora.
Caminhei sobre as sombras do que fui,
Caminhei sobre meus próprios escombros
Carregando solidão, dores e lágrimas
Mas ia sempre sem saber se o vazio
Estava dentro de mim, ou no mundo.
Caminhei por dias, por noites, por vidas até,
Sem me importar com a distância do horizonte,
Para mim todos os horizontes estavam bem ali...
Ali, onde ninguém foi, ali em lugar nenhum
Onde só meu pensamento doentio pela dor
Dilacerente que me rompia a alma podia ver.
Deitei com as estrelas me cantando canções
Que não ouvia, com o luar me dando banhos,
Me afagando o corpo e eu não sentia.
Tudo foi ficando ainda mais triste, sem cor...
Minha voz se tornou um sussurrante gemido,
Ou a súplica de uma oração que ninguém ouvia,
Até tentava gritar, mas como num pesadelo
Nem eu mesmo me escutava, mas ia seguindo sempre
Até chegar aqui... aqui onde estou... aqui dentro de mim

José João








sábado, 27 de agosto de 2011

Minha noite

Lá fora a noite brinca de esconder o mundo e mostrar estrelas,
Brinca de fazer silêncio para trazer sonhos e mistérios.
Aqui, comigo, trazida por ela e acomodada dentro de mim
A solidão maliciosamente me chega como se fosse preciso,
Me olha bem dentro dos olhos e apenas diz: Cheguei.
Volto ao tempo em busca de lembranças perdidas
Meu desespero em encontra-las se faz tão forte que a saudade,
Como louca, busca no pensamento até amores que não vivi.
E a noite lá fora continua misteriosamente silenciosa e fria
Como se quizesse me dizer coisas que não quero ouvir,
Como se quizesse me fazer voltar os medos que pensei  mortos,
Até as lágrimas se fazem vivas contando histórias antigas
De dores já passadas, de feridas que pensei cicatrizadas,
Tudo fica vazio, sem cor, como se até mesmo a noite
Bincando de macabra magia se fizesse desaparecer.
A solidão se torna viva, cria corpo, se torna densa,
A tristeza, entre as estrelas, brincando de fazer chorar,
Num raio de luar que distraido passava ela se faz passageira
Comodamente deitada sabendo que em mim ela pode morar.
Assim em mim fica a noite, ou na noite eu fico
Olhando para o nada, bucando sonhos que não pude sonhar






Minha pobre alma

Meus versos gritam a dor que vem da alma
Por que a voz seria pouco, coitada, nada diria
É tanta  dor que o peito arfa no desejo de gritar
Mas permite apenas que os soluços possam falar

Vou ao mundo andando triste, passos bebados
O horizonte, parece, que de mim se escondeu
E a alma louca, alucinada, aos versos pede:
Grita essa dor que em mim nunca não morreu

Os versos  fazem das lágrimas tristes gritos
E deles o eco mudo, aflito corre o mundo
Tropeçando no vazio como pobre moribundo

A angustia toma vida e de companheira se faz
Da alma que, coitada, de viver nem pode mais
Mas senta no tempo e vê que nem de morrer é capaz.



sábado, 20 de agosto de 2011

Sem surpresas, por favor

Não me chegue de surpresa por favor.
Avise quando vai chegar,
Tenho que me preparar, me aprontar,
Tenho que me desfazer, tenho
Que me refazer, tenho que  jogar fora
Aquele sorriso esquálido, amarelo e doente,
Tenho que jogar fora aquela saudade
Que ainda não passou.
Tenho que apagar, e calmamente,
Aqueles pensamenetos que insistem em voltar,
Que insistem em ficar.
Tenho que me desnudar de uma grande
Parte de mim, do que fui,
Ou do que, talvez, ainda sou.
Não me faça surpresa podes  não me querer
Se me encontrares assim, dividido em mim.
Tenho que me lavar, tenho que procurar
Nos meus guardados aquele sorriso colorído
Que não sei onde guardei, se não encontra-lo
Ser livre para fazer outro. Tenho que reaver
A ansiedade de estar indo e a volupia
De te encontrar, tenho que gritar
Forte com a solidão, fazer-me superior,
Manda-la embora. Tenho até que chorar
Algumas lágrimas tristes, paar que
Só as lágrimas alegres possam te encontrar.
Não me faça surpres, por favor me avise
Quando vai chegar, tenho ainda que encontar
Aquele brilho no olhar para que meus olhos
Alegres te dêm boas vindas. tenho que reaprender
Levantar os braços e abraçar outra vez,
Tenho que limpar os lábios de tantas injúrias
Para poder te beijar e... se me sentires desajeitado
Desculpa, tem calma, é que já faz tanto tempo,
Que beijar é um sonho, como é um sonho estar contigo.
Por favor não me faça surpresa,
Me avise quando vai chegar,
Mas se não fores chegar... não diga nada
Deixe que continue sonhando.

Viver sem sofrer? Como?

Oh! Saudade que me alivia a dor
Com pequenos pedaços de perdido sonhos
Que de longe me chega cavalgando o tempo
Tímidos. lentos mas sempre risonhos

Que me trazem um tempo ou a ele me levam
Em brigas sutis com o esquecimento
Como se estar vivo fosse sempre lembrar
Assim, como se viver fosse sempre sonhar

Me vêm com o sonhos, pedaços de mim
Um dia arrancados por mero prazer
Agora me chegam como se a vida diessesse
O que até o destino se esqueceu de dizer

Que tudo é preciso e se tem que sentir
Chorar ou sorrir é resumo do próprio viver
Bem alto nos fala e não guarda segredo
Que impossivel é a vida sem ter um sofrer

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A eternidade dos espinhos

 

Vidas que se perdem em desvios ou estradas
Levadas por tempestades de dores nascidas
Ou parídas, sem parto, sem sonhos, sem cor,
Quem dera tudo fosse sempre tão bonito
Na ternura de cores singelas, cor de amor
Com o frescor da alvura do lirio no campo nascido.
Ah! Quem dera ser toda beleza eterna!
A brisa cantando valsas desconhecidas
Embalando folhas, flores e sonhos,
Gorjeios em sinfonias desencontradas,
Em sons graves, agudos, mágicos
Como se todos os belos sons do universo
Nascessem de uma orquestra divina!
A beleza do mar cativo deitado na areia
Sussurrando versos que não se sabe onde aprendeu
O nascer do sol, lá no fim dos olhos, brincando de criança.
Quanta beleza! Cada dia um por do sol diferente,
E ele falando sorrindo: Amanhã vou voltar.
Mas que vida e que mundo! Quantas contradições!
Porque tem que existir a solidão? A dor? A saudade?
Mas já que existem por que não são passageiras?
Muitas vezes são eternas dentro da gente.
Sempre penso a vida igual a uma roseira
Como se a flor fosse o amor, a dor os espinhos,
As flores precocemente murcham, secam e caem
Mas os espinhos? Esses parecem não morrer nunca,

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Almas e vidas

Almas que se encontram, e se desencontram
Que se perdem em idas,  em vindas,
Que percorrem caminhos infinitos
Entre tempo e espaço desconhecidos,
Almas que se viram, que viveram momentos,
Que se perderam em tristses desencontros
Como se tudo não tivesse que acontecer,
Será que essas almas na infinitude do tempo
Se lembraram uma da outra? Almas choram?
Não sei. Sei que a minha loucamente procura
Uma outra que deve estar a minha procura,
Não sei como nos perdemos, não sei se vivemos,
Muito menos se nos beijamos, mas com certeza,
Nos amamos, ainda hoje não a esqueci,
Sem mesmo nunca te-la visto.
Onde será que ela está? Em alguma estrela?
Ou bem perto, bem ali, quase chegando?
Ou será que ainda é cedo? Ainda não é tempo.
Ah! Essas vidas que não se pode explicar!
Que não se pode entender! Que  as vezes
Nem se pode viver. Ah! Essas vidas tão vidas.
Essa maravilha do amor eterno que não sabemos viver.
Essas lágrimas que choramos por dores tão da gente,
Dores que nossa alma fala e não sabemos entender.
Se pudessemos ver um pouco além de nós!
Se pudessemo ver bem ali onde nossa alma mostra
E não sabemos olhar, muitas dores, quem sabe,
Seriam tão descabidas e muitos amores seriam
Verdadeiramente eternos.




Esses meus sonhos!!!

Esses meus sonhos, coitados, se perdem
No vazio deixado pelos nãos, se perdem
Nas promessas vãs de amores que nem existem,
E se vão perdidos entre dores e lágrimas,
Que caem soltas na mais triste das tristezas
Por que é a alma que chora a dor da solidão
Que chega de mansinho sem pressa de chegar.
Á! Esses sonhos que teimam em serem sonhados
Me levando à ilusão de que ser feliz é possivel,
Depois fogem, se perdem, me deixam só
Entre pensamentos perdidos, buscando horizontes
Que se perderam em estradas sem fim,
Sem chão, sem cor, sem luz e sem céu.
Assim os desejos morrem também
E tudo fica como se mais nada fosse preciso.
Perdas que se fazem de sempre na infinitude
Do tempo por ser, a dor, eterna em cada momento
Lembrado, chorado em prantos que só a alma,
Coitada, sabe chorar. Ah! Esses sonhos!
Que sempre me enganaram, me fizeram chorar vidas
E ainda não aprendi, mas que pelo menos,
Minha vontade de ser feliz seja para sempre





sábado, 23 de julho de 2011

Preciso de ti


Não te quero apenas. Preciso de ti.
Preciso me inundar em teu querer,
Me tomar de mim e todo a ti me entregar,
Me despir e me vestir de ti.
Ousar desnudar minha alma em tua frente,
Desixa-la cativa aos teus sentidos
E meu corpo... cativo aos teus desejos
Como se de mim eu fosse minha menor parte
E tu a melhor e maior parte de mim.
Sentir tuas vontades todas minhas
E ti deixar ficar comodamente dentro de mim.
Não te quero apenas como mulher
Mas como meu universo essencial e único,
Como a melhor essência da vida.
Entraste no meu mais intimo pedaço
E de dentro dele me fizeste homem,
Um homem que fortificaste ao ensina-lo amar.
Tão suavemente soubeste te fazer caminho
E nele me deixas ternamente seguir,
Te fazes de minha estrada e horizonte,
Te percorro para chegar em ti.
Te vejo me guiando, mãos dadas e nós seguindo,
Ao mesmo tempo, te vejo me acenando para chegar,
Não há intervalo entre nós, vencemos a distância,
Me guias com a alma e me acenas com o corpo
O que ainda nos falta é por que agora
Ainda não é preciso, ou por tanto amor
Queiram fazer mais terno, sublime e belo
A doação de nossos corpos um ao outro.
..............    ....................   ..................   .............
Pena que o tempo não nos tenha permitido
                 SAUDADES

José João

terça-feira, 12 de julho de 2011

Talvez um dia

Não lamento minha solidão
Embora não a tenha pedido.
Ela simplesmente chegou e fez morada.
Não pude manda-la embora
Por não ter com quem dividir
Meus momentos e meus tormentos.
Choro silenciosamente minhas angústias
E divido comigo mesmo
As esmoções que me fazem triste.
Meu rosto se abre em sorrisos
Que a todos engana facilmente
Mas essa dor, essa dor violenta
Dilacera vagarosamente minha alma.
Choramos juntos, nos abraçamos
Na tentativa de curarmos nossas feridas,
Como se fossemos um o balsamo do outro,
Somos tão parecidos que parecemos apenas um.
Minha alma coitada tão sublime, tão suave
E eu que a aproximei dessa dor,
A culpa é só minha.
Mas ainda me resta um esperança
Que minha alma encontre sua alma gêmea
Para felicidade de nós três.
Aí então eu e ela seremos apenas um
Para felicidade de dois corações
Que se enocontram.

Força do hábito

A dor vai amadurecendo
Minha vontade de partir.
Teu silêncio me manda embora,
Me manda tanto
Que estou prestes a deixar
Florescer em mim a vontade,
Mesmo triste, de ir.
Vou procurar em outros corações
O que não podes me dar,
Vou procurar em outros braços
Os carinhos que me negas.
Mas não vou ti culpar
Nós existimos sim, e deu certo
Enquanto estivemos juntos.
Depois, pode ser minha culpa,
Talvez não esteja mais
Desperto para o teu sentir,
Quem sabe nos acostumamos
E presos nesses costumes
Pensamos que nos amamos ainda.
Talvez seja o medo
De perder nossa rotina, isso assusta.
Talvez tu sintas esta minha
Mesma vontade. Ouvir outras palavras,
Sentir outras carícias. Nos acostumamos.
Mas nós dois queremos partir um do outro.
Nada nos prende a não ser nossos hábitos
Que nos confunde nos fazendo pensar
Que é o mesmo sentimento de antes
Mas não. Não nos temos ódio
Mas tabém não nos temos mais amor.
Acho que apenas nos admiramos.
Nosso adeus é mutuo, somos amigos agora. 
   (talvez assim me console pela tua perda)

Minha flor



Todas as madrugadas
Quando ela me acorda,
Incrivelmente bela pra mim,
Exala seu melhor perfume
De todos o dias, mas é único,
É terno, é encantador.
Minha flor é única, me alucina,
Me faz sentir bem mais
Que um simples homem, desperta
A criança que tem em mim
E me deixa mais completo.
Ela é vaidosamente feminina,
Não a vaidade de se fazer bela,
Mas a vaidade de me fazer feliz.
Todos o dias minha flor
Desperta com o mesmo perfume
Mas todos o dias me pergunta
Se seu perfume não está mais doce,
Ela se esforça para me agradar
Todos os dias mais e mais,
Digo que está, embora seja,
O mesmo perfume maravilhoso de sempre
Que me inebria, que me dá vida.
Pelo brilho de felicidade
Que vejo em seu olhar
Compensa essa generosa mentirinha.
Também minha flor, é bem mais
Que petálas frágeis e perfumadas,
É um sonho de como gostaria
De acordar todas as manhãs.
É o sonho de acordar
Com o perfume de uma mulher.

José João

Que fazer ?

É tarde, a cidade se escondeu
Dentro da noite e me deixaram só.
Apenas os meus sonhos
Me fazem companhia acalentados
Pelo silêncio que canta triste
Um canção que apenas eu
Posso ouvir por estar desperto
Dentro da minha solidão.
Os momentos lentamente
Se transformam em horas.
Que mais lentamente ainda,
Se transformam em saudade,
Uma saudade triste que molha
Meu rosto através das lágrimas
Como se estas fosssem
A melhor expressão da dor.
Nem posso gritar, se grito
Desperto a noite lá fora,
Aí então meu sillêncio
Vai embora, não acalentará
Mais meus sonhos e ficarei só.
É melhor calar e esperar
Que a cidade se descubra da noite
E que minha solidão adormeça.
Ou será que entre os homens
Ela seja maior e me faça
Sentir saudade da solidão
Silenciosa da noite
Que talvez\ doa menos ?

Um lugar apenas



Inútil essa procura desesperada.
Andei por caminhos jamais percorridos,
Entrei em corações vazios,
Acordei sentimentos adormecidos,
Flutuei no espaço, acordei estrelas,
Estive em jardins tão belos
Que nem os sonhos poderiam contar.
Ah! Quantos beijos roubei,
De lábios que quase pétalas
Me faziam sonhar?!!
Andei por muitos lugares
E jamais me senti perdido,
Mas agora, depois de tanto
O cansaço foi chegando
E minha esperança pouco a pouco
Morrendo dentro de mim,
Já não tinha certeza de encontrar.
Por vezes quando a solidão
Era mais forte e o eco do meu silêncio
Partia lentamente entre meus soluços
Achava que era eu o próprio espaço
Que tão tenazmente procurava.
Assim não me permiti mais seguir,
Não tinha mais onde ir,
Já havia encontrado tantos lugares
Onde pudesse me esconder de todos
E viver sozinho.
Mas nunca encontrei nenhum,
Em todo o universo, que pudesse
Me esconder de mim mesmo,
E da dor que sinto.

José João


sábado, 9 de julho de 2011

Um dia de tristeza



Estou tão triste, tão só e em tão silêncio,
Que meu próprio silêncio tenta me deixar desperto,
Me fazer companhia e conversar comigo.
Minha angustia chega quase em desepero,
Sou apenas o fantasma de mim mesmo,
Que perambula numa casa vazia.
Todos dormem tranquilos só eu carrego
Minhas tensões, meu medo perverso e cruel.
Estou tão triste, tão só e em tão silêncio
Que ouço nas minhas veias o sangue correr
Como se fosse uma fonte de tristezas.
Choro. Minhas lágrimas molham meus pés,
Me deixam o olhar turvo como se a nevoa da solidão
Não quizesse me permitir ver meu próprio sofrimento.
Choro em meu silêncio e sinto medo de mim mesmo,
Medo de explodir em farpas que possam atingir
A mim e a todos, e isto me diz que talvez
Nunca mais eu seja o mesmo.
Tenho medo que o tempo, por mais amigos que seja,
Não apague jamais o que sinto agora,
Medo, raiva, ódio, sentimentos há muito
Em mim sepultados que revivem agora intensos
Como se a letargia em que viviam
Apenas os tenham deixado mais fortes, mais ferozes,
Mais vivos e muito mais violentos.
Grito a dor desesperada de um homem só
Que venceu um  passado que o encheu de cicatrizes,
No corpo e na alma. Um passado sepultado
Dentro dele mesmo, do homem que já sabia onde ir.
Do homem que conquistou seu novo espaço,
Retomou e dirigia seus pensamentos
Na direção de um horizonte que já não era utopia.
Ódio, sinto ódio de ver renasscer de raízes mortas
Uma dor maior, mais atraoz que faz de mim um animal.
Choro, choro a dor da raiva por terem querido
Levantar das cinzas um passado que tão cuidadosamente
Enterrei sob toneladas de soluços.
Por ser tão maldito esse passado, após passado tanto tempo
Ele me causa essa dor de agora. Maldito seja.

José João

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sofrer é... brincar de...



Viver, brincando de viver, é o melhor para viver
Sempre brinquei, brinquei até mesmo de sofrer,
Brinquei de amar, brinquei de querer,
Brinquei de mal-me-quer com flores que nem conheci.
Brinquei de contar estrelas, de sonhar amores
Sempre fiz da vida um parque de sorrisos
Por que sei brincar de fingir se for preciso chorar,
Minhas lágrimas saem  reluzentes, brilhantes,
Risonhas, enfeitando meu rosto com caminhos perfeitos
Dos olhos à alma, da alma ao tempo, do tempo ao ser.
Até hoje brinco de saudade com lembranças distantes,
Brinco com recordações perdidas para reabrir chagas
Que, há muito, pensei cicatriazadas, mas o tempo
Também brinca com a gente, nos engana sempre
Passa, nos faz pensar que tudo ficou lá distante,
Mas de repente dores de há muito sentidas,
Se fazem de hoje, de amanhã, se fazem de sempre.
Por que o tempo também brinca com a gente?
Ainda mais se o sentimento sentido foi daqueles
Que fazem cada momento inifinitamente eterno.
Mas aprendi  brincar de viver, me divirto vivendo,
Ando sem saber para onde vou, ou se vou chegar,
Paro sem saber o que esperar, sento se for preciso ir,
Também sei brincar de viver como o tempo brinca de passar,
Canto quando o silêncio precisa ser ouvido,
Calo quando a alma grita seus temores por ser tão só.
Gosto de brincar de viver por que amanhã é outro dia
Brinco de sofrer sem receios e sem temores,
Por que sei que sofrer é apenas brincar...
...  de esconde-esconde com a felicidade.

José João






quinta-feira, 23 de junho de 2011

histórias do meu jardim


Plantei um pé de Estrelas no meu jardim,
Ao pé de uma cerca, ouvindo as muitas histórias
Das Damas-da-noite que sobre ela se debruçavam
E choravam de saudade com suas Lágrimas-de-anjo
Que caiam leves sobre os Beijos-de-moça
Que se faziam florir, enfeitando como tapete, o chão,
Saudade dos Narcisos que se foram com as Rosas
Sob uma Chuva-de-prata, ouvindo os acordes de um Tango.
A Bela-Emília, deitada na relva, olhava sonhadora
Para o Céu-estrelado. Quantas recordações e tristezas!?
Onde estaria Alísson que partiu com Gardênia,
Embora tivesse jurado amor eterno à Amor-perfeito.
Ah!! No meu jardim, quantas histórias e quanto perfume!
Saudades, lágrimas, quem disse que as flores não choram?
Angélica, Gerbera e Amarílis, apaixonadas por Monsenhor
Que chorava por Camélia a deusa única de Cosmos.
Ah! Essas flores! Como me contam suas histórias!
Quem diria que Begônia,  sempre usando vaidosa,
Um Brinco-de-princesa, amava desesperadamente Iris
Que fazia versos apaixonados para Gloriosa,
Pedindo que Corda-de-viola lhe ensinasse versos de amor.
Esse meu jardim me ajuda  a chorar minhas tristezas
Com as Lágrimas-de-anjo que sobraram das Damas-da-noite.
Assim é a vida, amar é lindo mas a felicidade é uma troca.
Agora pela Coroa-de-cristo, vou tomar um Copo-de-leite
E sonhar como, com certeza, sonham as flores


                                                                              José João
                                                                            23/06/2.011






segunda-feira, 20 de junho de 2011

Velhos guardados



Ontem estive revendo velhos guardados dentro da alma,
Sonhos antigos, amores mal resolvidos,
Lágrimas choradas por dores agora tão descabidas.
Saudades que nem sei por que senti
Momentos que se foram sem dizer nada
Outros que eternamente ficaram dentro da alma
Como se fosse preciso estarem sempre vivos
Fazendo de sempre o que podia ser nunca...
Revi sorrisos que se perderam no tempo,
Palavras que me foram ditas com angustia
Outras que disse sem motivos para falar.
Algumas tão sinceras que a alma chorou ao dizer
Mas não foram acreditadas e daí nada nasceu.
Todos esses guardados, ontem se fizeram vivos,
Revivendo histórias que nem lembrava mais.
Mas de todos eles, um tomou de subito minha alma,
Foi a lembrança de um olhar que me disse adeus.
Como se os olhos gritassem ou gemessem
O adeus mais doloroso que ninguém nunca ouviu.
Tremi, como se tudo voltasse como foi antes,
Chorei como se fossem as mesmas lágrimas
E as cicatrizes se reabriram em chagas mais dolorosas
Por que foi um adeus que não era para ser dito,
E a ausência deixou um vazio tão grande
Que  até hoje minha alma se sente incompleta
Partida em fragmentos perdidos num adeus
Tão adeus que só os olhos falaram.
Esses velhos guardados dentro de minha alma
São reliquias que o tempo não apaga nunca.

José João




sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quero viver livre



Quero viver livre, solto, assim como o amor
Percorrendo estradas, horizontes e corações carentes,
Quero voar em volteios leves como voam as poesias,
Invadindo corações e pensamentos,
Despertando desejos, sonhos esquecidos, e ir.
Sem estradas, sem caminhos assim com vai o vento
Cantando canções que ninguém entende,
Atravessando cercas, quintais, jardins
Como se fosse dono do mundo ou do tempo.
Quero voar como voam os pássaros, migrando
Entre espaços desconhecidos de diferentes horizontes,
Sobrevoando oceanos e sentindo a brisa doce e terna
Lhes roçar o corpo como abraços do céu.
Quero ser livre para ver um por do sol a cada dia,
Diferentes,  por serem únicos em cada porto,
E por ser, em cada porto, uma saudade diferente.
Quero ser livre para sentir saudade
Até das dores que já senti, das lágrimas que chorei,
Sentir saudade dos beijos que não dei,
Dos amores que não vivi, das palavras que não disse,
Dos olhares que não dei ou não recebi.
Quero ser livre para sentir saudade
Dos carinhos que não dei, dos cabelos que não afaguei,
Das lágrimas que não chorei, dos sonhos que não sonhei.
Quero ser livre para sentir meus momentos, todos,
Até os mais tristes pois foram emoções sentidas e vividas.
Quero ser livre para viver minha própria tristeza, afinal
Minha tristeza não é um estado de espirito sutil e passageiro
É o privilégio de um dom.

José João








quinta-feira, 16 de junho de 2011

Me dá um beijo



Me dá um beijo,
Mas não aquele beijo com gosto de ontem
Ou com gosto de hoje,
Me dá um beijo
Mas não aquele beijo com gosto de amanhã,
Me dá um beijo com gosto de sempre,
Um beijo com gosto de eternamente
Um beijo com gosto de infinito
Como só tua boca sabe beijar,
Um beijo que deixe minha alma rubra
Desfalecida no perfume de teus lábios
Como se fossem flores divinas
Enebriando o universo.
Me dá um beijo, só um beijo
E ele em mim se fará eterno a cada momento
Como se mais nada precisasse existir.
Flutuaria entre arco-iris, nuvens e estrelas
Voaria entre pensamentos nunca pensados
Entre os mais belo sonhos nunca sonhados
Até o desejos mais ousados se fariam inocentes.
Um beijo, apenas um beijo
Para que me faças o universo colorido,
Não ti faças de rogada ... me dá um beijo
Por todas as noites que já passamos juntos
Pelos abraços que já me destes
Me dá um beijo, aquele beijo sofrego
De violenta paixão, ou terno de doçura infantil
Mas me dá um beijo, sei que também queres
Afinal é em meu peito onde mais vives,
É em teu colo onde mais me deito.
Vem, me dá um beijo, não vês que nos completamos?
Minha doce e terna companheira, minha querida,
Como eu, também tão... carente... Solidão.
Vem me dá um beijo...

José João




quarta-feira, 15 de junho de 2011

No fim do horizonte

Lá no fim do horizonte, lá bem além de tudo,
Onde só se chega em pensamento
Por que as estradas são infinitas espirais,
Lá onde o pensamento se confunde com o eco
Lamuriante de um gemido que a alma chora
Entristecida como se a dor de ontem fosse sempre,
Nesse horizonte de lembranças perdidas
Em que as lágrimas se fazem palavras
Por que as palavras  se fazem tão pouco
Como se elas não bastassem para falar de dor
Por que as feridas permanecem chagas vivas
E palavras não traduzem a dor da alma
Assim ela busca abrigo nesse horizonte distante
Onde nunca aconteceu nenhuma história.
Onde a tristeza pode lapidar-se imaculada
E tão pura que até a saudade se torna corpo
Límpido, denso com gosto de solidão.
É nesse horizonte que meus pensamentos
Se encontram quando todos me acham perdido
É este horizonte que costumo nomear de: EU


José João
15/06/2.011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Momentos que não vivi

As vezes me pego pensando
Em tudo que fiz ou não fiz
O arrependimento que sinto
É não ter feito o que não fiz.
Talvez sentisse outra dores
Ou quem sabe eu fosse feliz?
Talvez contasse outra história
Dos momentos que pude viver e não quis.
Não sei se a culpa foi minha
Ou se foi o destino quem fez
Dizer os tantos nãos que eu disse
Por medo de sofrer outra vez.
Mas quem pode me dizer agora
Se foi errado o que fiz
Se a dor que sinto é maior
Ou se... eu seria feliz?

Minhas mais novas conquistas

Minhas mais novas conquistas estão agora,
Vivas, soltas, vadias, voando no meu mundo,
Em volteios leves, indo entre campos e jardins,
Brincando de brilharem ao sol como diamantes,
Límpidos, perfeitos, colorindo meu olhar triste
Que se debruça lá no horizonte como se procurasse
Pelo menos alguns sonhos para sonhar,
Sonhos que insistem em não vir, não chegar.
Minhas novas conquistas, essas lágrimas brilhantes
Brincando de fazer caminhos em meu rosto,
Essa saudade do que...  nem eu mesmo sei,
Brincando de levar meus pensamentos para lugares
Distantes, perdidos no tempo e na memória.
Acho que minha alma gosta de brincar de chorar,
Gosta de brincar de sentir saudade, sentir saudades
De amores perdidos ou nunca vividos
De amores que apenas  em sonhos foram paridos.
Minha alma, não sei se louca ou inocente,
Mas sempre trazendo lágrimas novas
Como se ela fosse eternamente... carente.





quarta-feira, 1 de junho de 2011

Liberdade de sonhar



Hoje posso povoar meus sonhos
Criando imagens de momentos vividos
Que não sei onde estavam.
Talvez estivessem perdidos dentro de mim,
Escondidos entre minhas dores,
Ou, quem sabe, debaixo dos pesadelos
Que se fizeram profundas cicatrizes abertas
Como chagas dolorosas martirizando até a alma.
Hoje posso povoar meus sonhos
Com a liberdade dos sofredores ou dos poetas,
Posso dar nome de flor às dores que sinto,
Hoje posso colorir minhas lágrimas
E a cada uma delas dar um sentido, uma razão.
Posso até nomear os tantos soluços,
Que, do peito, saem ao tempo gritando
Nomes que a memória já nem guardava mais.
Não sei se me fiz sofredor ou se me fiz angustia,
Não sei se me fiz poeta ou se me fiz tristeza
Só sei que agora posso povoar meus sonhos
Já não serão mais universos vazios e sem cor
Serão  mundos onde tudo pode acontecer,
O sorriso de mãos dadas com a tristreza,
As lágrimas zombando da angustia,
A solidão trocando beijos com a alegria
A saudade brincado de presente com o passado
... Assim vou povoar meus sonhos... sonhos!!!

José João




sábado, 9 de abril de 2011

Com que me pareço?!



As vezes me pareço tão criança
Por brincar de esperança
De crescer e ser feliz.
As vezes me pareço um menino
Brincando de traçar seu destino            
Pensando que ainda pode ser feliz
As vezes me pareço adolescente
Que traça a vida simplesmente
Sonhando que ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço...
Um rapaz de trinta anos
Que parece ter sofrido alguns enganos
Mas  pensa que ainda pode ser feliz.
As vezes me pareço um senhor
De quarenta ou cinquenta
Que por vezes se lamenta
Lembrando tudo que não fez.
As vezes me pareço até comigo
Com sonhos mortos e até já esquecidos
Dizendo que viver...
É melhor que ser feliz.















Mais um sonho


Foi apenas mais um sonho,
Desses sonhos que não se deve sonhar
Por que fazem o amanhã mais triste,
Desses sonhos que nascem mortos
Mas deixam a tristeza viva,
Doendo cruelmente dentro da alma,
Um sonho  que ao ir-se se fez lágrimas.
Se fez solidão e faz que seja,
A solidão, espaço vazio, escuro,
Habitando dentro da gente
E nos cabendo todo dentro dele mesmo.
Foi apenas mais um sonho
Como todos os sonhos que ousei sonhar,
Que ainda criança se fizeram moribundos
Nem esperaram o alvorecer
Para dizer adeus, se foram,
Antes mesmo de senti-los sonhos
Se foram como se o destino
Não lhes permitisse crescer
Para que nem esperança houvesse.

Eterno é...


Se não soubesse eternizar os momentos
Que seria de mim agora?
Se não soubesse fazer de eterno
O que passamos juntos
O que eu seria agora?
Eterno é o primeiro beijo que trocamos,
É aquele teu olhar de anjo divino,
Eternamente ficou em mim tua voz
Quando docemente me disseste:
Ti amo. Eterno é a emoção  que senti
Quando toquei teu corpo.
Eterno é teu olhar doce de luar
Com gosto de anjo e mulher.
Eterno é estás dentro de mim
Fazendo o coração pulsar mais forte.
Eterno é todo esse sentimento louco
Que me leva a teus braços?!!!
Eterno é a vontade de ti amar sempre mais,
Como se tudo fosse tão pouco.
Eterno é... esse sentimento ...
 (lágrimas)  ... que me deixaste.
O eterno é tão ... simples,
É apenas ser teu... para sempre,
A cada momento, mesmo sendo impossivel
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Se eu não for eternamente teu,
A cada momento, de que me serve ser teu?

A poesia é... nossas lágrimas


Minhas poesias não são belas
São apenas poesias, simples sonhos
Ou até minhas vontades,
Conflitantes por vezes,
É  minha maneira de dizer
Dos meus sentimentos e momentos,
Minha maneira de me fazer comum
Como tantos que choram,
Que sentem saudade
E escondidos derramam seus prantos.
Minhas poesias, muitas vezes.
São lágrimas choradas silenciosamente,
Ou desesperados gritos silenciosos
De minha alma.
Não sei fazer poesias belas.
Talvez saiba fazer poesias vivas
Por serem tão verdadeiros
Os momentos que poetizo,
Se poetizar não for verbo
Não importa, eu substantivo O chorar
Por ser concreto,
Ou verbalizo o amar como abstrato
E assim não precisa que minhas poesias
Sejam belas, basta apenas
Que sejam eu ou você
Que choramos lágrimas diferentes
Por dores tão parecidas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Triste os que nunca amaram

Que importa dos outros o desdém?
Desses tantos que nunca sabem
O que é na vida um querer bem?
Desses que vivem, coitados,
Sem amar nunca ninguém?

Que importa as tantas zombarias?
Desses que se perdem nas palavras
E rezam soberbas heresias,
Se perdem no tempo sem viver
E juram ser verdade as fantasias?

Zombem quando grito que eu amo
Riam se choro amores que perdi
Zombem pelas dores que já sofri,
Um dia vocês estarão mortos
E eu, vivo, nos amores que vivi.

Que fazer?

Que fazer
Depois que tudo estiver perdido?
Depois que os beijos
Não fizerem mais sentido?
E as palavras? Que antes sorriam
Se fizerem de eco
Num espaço esquecido?
Que fazer?
Que fazer
Quando em teus braços
Quiser adormecer?
Sentir saudade do teu jeito de dizer
Sussurrando inocente
Querendo mais prazer?
Que fazer da vida
Se sem ti não sei viver?
Que fazer do tempo
Se não posso ti esquecer?
Que fazer de mim
Se toda minha vida é só você?

Momentos eternos

De que saudade tanto e tantos falam?
Que saudade tão doída de se sentir?
Com certeza falam de uma outra saudade
Não daquela que gosto de sentir por ti

Se a saudade que ti sinto fosse dor
De senti-la, ainda assim eu gostaria
Mas com certeza não é dor essa saudade
Mas se fosse, ainda assim eu viveria

Que mais me faz tão desperto esse viver?
A não ser essa saudade que me fazes merecer
E se um dia qualquer de mim ela se for
Ti trarei em sonhos para assim poder viver

Preciso cultivar essa saudade tão singela
Que nasce como se de mim nascesse o sol
E me entrego todo, e pleno, e intesamente
Que em cada momento ela se faz eternamente.

"Se esta rua,se esta rua fosse minha"



"Se esta rua, se esta rua fosse minha"
Eu mandava, eu mandava não pisar
Para que minhas lágrimas tão tristes
Se fizessem de história do lugar.

"Se esta rua, se esta rua fosse minha"
Eu plantava um roseiral para alegrar
Os olhos tristes de amantes sofredores
Que, como eu, passam a vida a chorar

"Se esta rua, se esta rua fosse minha"
Eu mandava em noites frias de luar
Mostrar estrelas que ainda não conheço
E meus sonhos, todos eles, calentar

Mas a rua é de todos não é minha
E assim minhas lágrimas a rolar
São pisadas, humilhadas e cuspidas
Que me fazem nunca mais querer amar.

José João

Te espero




Quem dera visses a tristeza dos meus gritos
- Ou dos pensamentos -
Te gritando como louco entre as horas
- Ou entre os momentos -
Te buscando entre tantos sonhos perdidos
- Ou perdidos sentimentos -
Já nem sei se esta saudade é só saudade
- Ou um rosário de tormentos -

Te busco, incansável, entre as tantas vidas
Brincando de estrela no universo
Correndo em volteios como leve brisa
Com teu nome brincado de fazer verso

Quem dera meus gemidos te chegassem
Como orações que minha alma reza aflita
Ou em pedidos que ela, chorando, grita

Há se a dor que agora sinto tu soubesses...
Soubesses do vazio que me cala, me emudece
Quem sabe, pra mim, correndo tu viesses?

José João