Quem sabe devesse meu pranto ser minha voz? Meu gritar?
Assim minha súplica seria mais completa, seria meu grito
A contar ao mundo, ao tempo, o que me aflige, me faz chorar.
Em silêncio me escuto, me digo o que não quero mais sentir,
Entrego todo meu pensar a fazer de mim o que nunca fui
E vou, entre meus rastros, consumindo-me a me encontrar
A criar cantos, inventar orações, ladainhas para poder orar
Com palavras minhas, como se arações inventadas por mim
Fossem minhas confissões pelos tantos pecados que nem sei
Como pequei. Talvez tenha amado tanto que me perdi assim
Para ninguém ouvir, deixo meu pranto chorar em silêncio.
Das lágrimas, faço contas de um rosário que só eu sei rezar,
As orações, rezo em palavras mudas que só o silêncio sabe falar.
José João
13/01/2.026
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