terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Por que não disseste que a saudade dói tanto?

 Aqui estou eu, de joelhos, a implorar-te em prantos,
Que faça ser menor essa tanta dor que agora sinto,
Que meu pranto se faça, nos olhos, oração rezada
Com verdades de tudo que senti, e a Te não minto

Eis-me aqui a pedir que, em mim, doa menos a saudade
Que ficou, depois de ser dito, sem palavras, um adeus
Que agora me aflige a alma e ela, calada, Te implora
Que deixe, calado nos olhos, os prantos que são meus

Ouviste o meu clamor agora responde, por que calaste?
Nada disseste, quando pedi que a mim um amor viesse,
Não disseste, e eu não sabia, que há um antes e um depois,
E uma dor, a saudade, que nem sempre é chorada pelos dois

A ela pedi também, aos seus pés ajoelhado, em penitência,
Que a mim olhasse, mesmo com um olhar que pouco diga,
Que apenas me perceba, como se eu não fosse um estranho
Um olhar que se mostre vivo, que ainda não tenha ausência

Por que não me falaste de um adeus com tão doída saudade?
Tanto é o vazio... que faz viver ser apenas um não morrer,
Faz que a vida seja a sensação de estar vivo... sem viver,
Faz que o pranto grite alto o que a voz não pode mais dizer

José João
06/01/2.026

Nenhum comentário:

Postar um comentário