terça-feira, 27 de junho de 2017

Que a saudade se faça destino

Depois de tantos momentos tão intensamente vividos,
Guardados dentro da alma, como se a eternidade
Ali também estivesse, guardando como se fosse divino
Os que a vida permitiu. Depois de tantos sonhos
Que se fizeram apenas um como verdades de dois,
Depois dos detalhes que de história se fizeram,
O viver de agora, sem essa saudade, não seria viver.
Me perco em vagos devaneios nos buscando
No tempo, te trago para perto como se tudo
Ainda estivesse tão aqui, como se os ontens
Fossem hoje e tudo estivesse em volta de mim,
Até a brisa se perfumou com teu perfume doce,
Único, como se apenas ele existisse no tempo.
Não seria vida não fosse essa saudade, viva,
As vezes cheia de risos, outras de lágrimas
Mas a te trazer, a te fazer, apesar do tempo,
Minha maior verdade. Te amar tanto assim
Me ensinou que o que o destino não permite
Ser para sempre, que para sempre seja a saudade
A lembar o que vivemos e ainda ...amamos.
Talvez seja isso a eternidade.


José João
27/06/2.017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Pobre sombra de mim!

Pobre sombra esvaecida de mim mesmo
A caminhar num vazio que se fez mundo
A ir sem saber onde, caminhando a esmo
Como se fosse estrada abismo tão profundo

Sou aquele a quem os olhos já não vêm mais
Aquele a quem chamam pobre alma perdida
Que faz de arrimo qualquer pedra de cais
Como se fosse o mar sonho que o leve a vida

Talvez seja este meu sonho mais verdadeiro
Esse que se sonha torpe em demente medo
Desses que se faz de hediondo pesadelo 

Sou, talvez, alma que procura em desespero
O que um dia o tempo ou destino lhe tomou
E aos céus blasfema porque nunca encontrou 


José João
26/06/2.017


sábado, 24 de junho de 2017

Perdoa se fui tão pouco.

Perdoa se não soube te amar, me entregar mais.
Perdoa, mas foi tudo que pude fazer... tudo...
Se achaste pouco, que seja eu a sentir essa angustia,
Que me doa na alma ter sido tão pequeno, mas te amei,
Te amei como se fosses a própria vida a fazer-me
Flutuar entre os momentos, todos teus, sem reservas.
Perdoa, se me fiz tão pouco mas dentro de minha alma
Só tu existias, todos os meus pensamentos eram teus.
Perdoa se minhas palavas, abraços, beijos e carinhos
Não traduziram meus sentimentos ou, talvez...
Não os tivesses percebido, mas eram todos teus...
Sozinho, rezava orações com teu nome, meus olhos
Desaprenderam a ver tudo que não fosse tu...
Respirava o teu ar, sorria teus sorrisos e até...
Sonhava teus sonhos, nunca fui além de ser
Todo, pleno e totalmente teu. Não percebeste...
As vezes somos tão pouco que o tudo que se dá
Não é percebido. Que pena não teres visto
Meus olhos gritarem mais que as palavras
Quando, em lágrimas alegres, diziam te amo
Com a ternura que minha alma te olhava.
Perdoa, pelo tanto ter sido tão pouco, Perdoa.

José João
24/06/2.017


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gritos que a alma não ousa gritar.

A saudade, corria na noite, alucinada, louca,
Tentando encontrar sonhos disponíveis
Que trouxessem pedaços vividos dos tantos
Ontens que se fizeram viver, se fizeram poesia,
Os tantos momentos que se fizeram de sempre
Mesmo que agora se pareçam poesias inacabadas.
A noite, não sei se por maldade, se arrasta lenta
Sem nenhuma pressa de passar, sem quer ir-se,
A solidão, cor de treva, de gosto amargo,
Num escuro sem brilho, com um olhar demente
Desnuda a alma cabisbaixa, carente, ajoelhada
Em contrita oração pedindo baixinho que ela,
A solidão, não doa tanto. E a noite, sem
Nenhum alvor, se deixa ficar vazia e...
O escuro vazio da solidão grita em mórbido
Silêncio que não é preciso ser feliz para viver.
Mas a saudade, sempre prestimosa, fica ali,
Parada no pensamento, fazendo o coração
Bater mais forte e a alma fingir sorrisos,
Cheios de lágrimas que sofrem nos olhos
Como se fossem gritos que ela não ousa gritar.

José João
22/06/2.017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Talvez... brincar de ser feliz.

Hoje quero gritar, correr entre quintais,
Correr no tempo sem ter onde ir, mas ir...
Correndo por caminhos sem rumo, por veredas,
Descobrir horizontes, ouvir o eco de minha voz,
Mesmo sem saber o que digo, quero apenas gritar.
Não é raiva, talvez seja um descabida angustia,
Talvez buscando uma saudade que não senti ainda,
Um sonho que ainda não sonhei. Procurar sorrisos
Que ainda não foram dados, palavras não ditas,
Escrever poesias no chão, conversar com o tempo,
Ouvir a brisa de um lugar onde nunca fui,
Hoje quero fazer diferente, até gritar, te amo,
Mesmo sem ninguém ouvir. Não importa.
Quero ver outros mares, andar na multidão
Cheia de palavras diferentes, sem sentido,
Não sei se é loucura, se é solidão, se é medo,
Ou se é essa vontade de viver, de amar, não sei.
Mas hoje quero gritar, correr, até brincar...
Brincar de ser feliz, é isso,. Brincar de ser feliz.


José João
21/06/2.017


Quantas vezes já te esqueci!

Quantas vezes, te juro, já te esqueci!
Mas sempre voltas, viva e mais forte
A atirar-me nos momentos que vivi
A fazer-me chorar por tudo que já senti

Te esqueci ontem quando chorei sozinho
Te esqueci a noite, dormi sem te lembrar
Esqueci palavras, detalhes, esqueci carinhos
Até vires, sorrateira, dentro de um sonhar

Até a saudade, que também quis esquecer
Te traz sem que eu queira, sem eu pedir
As vezes, com raiva, finjo que te esqueci

Mas a bem da verdade, finjo quando minto
Quando juro te esquecer, a saudade sorri
E faz de sempre essa loucura que sinto.


José João
21/06/2.017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Se a solidão tivesse cor...

De que cor seria a solidão, se cor ela tivesse?
Seria cor de tristeza? Ou cor do vazio?
Seria da cor das lágrimas que se chora sozinho?
Que cor teria a solidão, se cor ela tivesse?
Não teria a cor da saudade, nem de lembranças,
Não teria a cor dos sorrisos, mesmo fingidos,
Talvez tivesse a cor do tempo, desse tempo
Que não passa, quando a dor é mais doída
Pintada com a cor da solidão por serem parecidas.
Que pintor pintaria a solidão? E com que tinta?
Talvez fosse cor da ausência que dói dentro da gente,
Ou seria da cor dos prantos que a alma chora,
Quando sozinha, em mórbido silêncio, se entrega
Submissa à própria solidão? A cor da solidão...
Será que parece com a cor daquela lágrima
Que sofre nos olhos sentindo a dor demente
Que faz viver ser tão difícil, tão sem viver?
Quem dera a saudade soubesse a cor da solidão!
Mas penso que solidão que se preza não tem cor...
Se tivesse não seria solidão, e ela é apenas
Aquilo que não se sabe dizer, só se sabe sentir.

José João
19/06/2.017


domingo, 18 de junho de 2017

Sempre atento para amar-te

Apraz-me essa saudade tua, mesmo estando toda
Entre alegres sorridos fingidos e lágrimas tristes.
A ela me entrego todo, como se senti-la
Fosse viver outra vez a plenitude de estar contigo.
Me faço criança a sonhar-te, me faço poeta 
A buscar-te entre as poesias ainda não escritas
Mas cheias de ti. esperando inocentes e passivas.
Dou-me ao tempo no prazer de pensar-te minha,
Ainda minha, sem distâncias, sem medos,
Por saber que os amanhãs, ainda cheios de ti,
Não me permitirão nunca pensar em ausência.
Entrego-me a cativar-te em minha memória,
Te deixo toda, plena e comodamente  habitar
Minha alma, no espaço mais divino dela,
Onde apenas os sentimentos mais puros
Se fazem história, se fazem vida, se fazem nós.
Não me permito, e nem mesmo ao tempo, 
Que o esquecimento se faça voz em mim
Fazendo de nós um passado esquecido.
Minha alegria é triste, mas é essa saudade tua
Que me faz estar sempre atento para amar-te...
 e ... viver.


José João
18/06/2.017
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ah! Essas divinas poesias!

Que seria de minha alma não fosse a poesia!
A doce e terna poesia, mesmo escrita em lágrimas,
Gritando saudades... mesmo fazendo versos
Chorados pela dor da solidão, versos tristes,
Que até despertam prantos, mas se fazem poesias,
Histórias vividas em que corações se juntaram,
Se confessaram e se amaram, as vezes em segredo,
Outras vezes como versos inacabados, em que sobram
As saudades, as lembranças e até mesmo a angustia.
Ah! Essas poesias que me deixam a alma viva,
Transbordante de sentimentos, buscando palavras,
As vezes soltas, outras vezes versos sem rima...
Mas brincando de pintar histórias, qualquer história,
De risos, de prantos, de dores as vezes tão doloridas
Que são escritas com risos fingidos mas fazem pulsar
Corações, fazem a vida ter tantos sentidos
Que loucura e razão se confundem, se cruzam,
Se trocam, se tocam numa insensatez divina.
Ah! Essas poesias que me fazem a alma brincar
Seriamente de ser livre, de ser viva...
De ser eterna..

José João
16/06/2.017


segunda-feira, 12 de junho de 2017

A dor que a alma sente

Grita, minha pobre alma, tua dor
Reza blasfêmias ou santas orações
Ajoelha-te, submissa em clamor
E pede aos céus, pede com fervor

Que as tantas cicatrizes mal saradas
Essas que a solidão lambe sem pudor
Se façam dores passadas, esquecidas
Sejam histórias no tempo já perdidas

Cuida que se em ti chegarem prantos
Deixa que em mim todo se derrame
Que deles farei versos, farei cantos

Que as lágrimas, pela tua dor parida
Corram em meu rosto como alento
Que a ti sempre, juro, estarei atento


José João
12/06/2.017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Minha amiga... saudade

Lá fora, a noite brinca de esconder fantasmas,
A chuva cai como se fosse prantos chorados,
Não se sabe por quem, talvez pelo tempo
Que, coitado, eterno, deve ter muitas dores 
Para chorar, muitas histórias tristes pra contar.
No quarto, sozinho, sentindo meu próprio vazio,
Os fantasmas não precisam de portas nem janelas
Para entrar, apenas se fazem donos da noite
Ocupam todo o espaço, sufocam meus momentos,
Já mesmo quase todos perdidos num torpe esquecer.
A solidão, silencioso fantasma a fabricar silêncios,
A angustia,, a esgueirar-se sorrateira em volta de mim,
A tristeza, sentada comodamente no canto dos olhos,
Em louca frenesi fabrica lágrimas, muitas lágrimas,
Tantas que se atropelam, esperam um soluço apenas
Para explodirem, como em convulsão pelo rosto
Escrevendo nomes que não esqueço. Só a saudade,
Num comovente esperar, me traz um sorriso,
Num fingido sorrir, e me diz baixinho:
Não te aflijas, estou aqui para chorar contigo

José João
09/06/2.017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A beleza dessa saudade tua

Ah! Não fosse essa saudade tua! Que me toma,
Me invade, me trás vida entre as tantas tristezas.
Com ela brinco de viver, de estar contigo,
Passo por sobre o tempo e me entrego todo
A senti-la como se estivesses aqui, perto de mim.
É verdade que as vezes choro, que as lágrimas,
Como crianças matreiras, brincam em meu rosto,
Nele rabiscam teu nome, e que meus soluços
Se fazem inocentes tentativas de gritar,
Ainda te amo... que o tempo pára e o momento
Se faz eterno dentro da alma que entre sorrir
E chorar se põe a guardar-te carinhosamente.
Ah! Não fosse essa saudade tua a despertar-me!
A me fazer correr entre os sonhos e buscar-te
Toda e plena e me vestir de ti! Se ainda
Sei sorrir, é essa tua saudade que me permite,
Sorrisos alegres, tristes, sorrisos que as vezes
Confundo com um silencioso confessar
A dor que sinto. Mas é ela que, quando me vem,
Te traz toda, me tomando e se apossando de mim.


José João
08/062.017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A te ouvir me ponho atento (loucura)

O que me fazes, saudade? E porque me vens?
Deixa-me aqui no silêncio de mim, no vazio,
A oferecer-me, além da dor, o que mais tens?
Mas te fazes tanto que presumo estares no cio

Perco-me entre os sonhos, coitados, mortos,
Se não, pelo menos, pobres sonhos caducos
A me fazerem descabida e patética companhia
Companhia que, alma sã, te-los não se atreveria

Mas essa minha loucura demente, cheia de ti
Me faz buscar-te no mais escondido de mim
E brinca de saudade eterna de dor sem ter fim

Calo-me, e no silêncio que me toma o tempo
Deixo-me ficar na demência de tentar te ouvir
Se te amar é viver, a te ouvir me ponho atento

José João
07/06/2.017






segunda-feira, 5 de junho de 2017

O que não permito da solidão

Que me seja a solidão uma santa companheira
Se assim o desejarem a vida ou mesmo a alma
Que se faça em mim de hospede ou de passageira
Mas que me seja a primeira, a última, a derradeira

Que minha alma se faça forte e me faça entender
Que mesmo assim, em plena solidão, sem nada ser
Com o silêncio comum aos que sozinhos vivem
Sinta-me repleto do que sobrou de mim e...viver.

Mesmo que saudades se percam dentro de mim,
Se façam pedaços de momentos até já esquecidos
Que a alma não esqueça de um dia te-los vividos

Dou-me todo à minha solidão, gentil companheira,
Mas só não lhe permito que mesmo em vazio estar
Não sejam minhas as lágrimas e a vontade de chorar.


José João
05/06/2.017


Saudade... é uma história

Pobre alma minha, tantos segredos escondidos!
Tantas dores guardadas, tantas angustias choradas!
Reza, pobre alma minha, pelos amores perdidos
Chora, com lágrimas que, em silêncio, gritem caladas.

Chora, minha pobre alma, nos tantos versos molhados
Alguns cheios de mim, contando coisas que escondo
Outros, talvez por pena, não sei, se deixam inacabados
Mas chora, pobre alma, chora o que a dor está impondo

Não te sintas ridícula, deixa que o sentir te tome toda,
Deixa que os soluços se façam orações rezadas
Ou faz que tuas dores se façam contos de fadas

Assim fingirás que dor é apenas brincar de chorar
Que amar é viver um sorrir e chorar um depois
E que saudade é a história que um chora por dois


José João
05/06/2.017


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Essa angustia da falta de mim.

Queria poder sorrir como tantos sorriem,
Mesmo que fosse um sorriso triste...
Desses que ninguém quer sorrir... me serviria.
Queria ter menos segredos escondidos...
Queria partilhar alegrias, cantar, brincar...
Fazer poesias com a primavera, pincelar nos versos
A beleza das flores, fazer do meu lápis um cinzel
E esculpir sorrisos, pássaros gorjeando trinados
Que só sei ouvir. Ah! Como gostaria!!
Gostaria de sentir a beleza do alvor do dia...
Declamar para o sol criança uma poesia alegre,
De sentir a brisa passar inocente entre as cercas,
Passear nos quintais, fazer dançar, suavemente,
As flores do pé de flamboyant! Mas lágrimas...
É só o que sei fazer, prantos que chegam,
Se fazem veredas em meu rosto por onde
a saudade, pálida, por também sentir a dor
Que sinto, passeia em passos lentos, carregada
Por um lágrima triste que insiste em não cair
Do rosto, pendura-se tenazmente na esperança
De que um sorriso lhe faça atirar-se sorrindo
Ao Tempo. Mas nada! Só mesmo essa angustia
Da falta de mim.

José João
01/06/2.017




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Minha solidão

Diz-me, solidão infinda, porque tanto me tens?
Porque me fazes perder-me de mim e vagar?
Porque sempre, sem que eu peça, a mim vens
Com tristezas e esse tanto pranto para chorar?

Porque me cercas com esse mórbido silêncio
Que se faz vazio espaço a me tomar o tempo?
Porque me deixas a mercê de tanta angustia
Que nem rezas, nem saudades trazem alento?

Perco-me dentro de te em comovido sentir.
Dou-me a fazer de mim descabido resto
Do que fui e, mudo, oro sem saber o que pedir

Talvez, se houvesse sobrado resto de saudade,
Uma lembrança, um momento, um lembrar,
Assim, talvez, solidão, até eu pudesse sonhar.


José João
31/05/2.017


terça-feira, 30 de maio de 2017

Preciso de tão pouco!

Não preciso de tanto, preciso apenas de um olhar,
Um olhar que grite docemente o que a alma quer ouvir,
O que a alma precisa ouvir. Um olhar que se faça voz,
Que até se faça lágrimas, tanto a doçura do momento.
Não preciso de tanto, preciso apenas de ternas mãos
Que conversem em terno silêncio com meu rosto,
Em carícias sinceras e cegas onde os defeitos se farão 
Versos mudos, porque só a alma sentirá o momento.
Preciso de tão pouco. Não preciso de palavras estridentes
Gritando te amo, preciso do silêncio para que as almas
Se sintam plenas e confessem seus tantos segredos 
Sem medo de erros, sem medo de acertos, apenas...
Se entregando, sem medo dos amanhãs. Preciso de pouco,
De tão pouco que as vezes me assusto comigo mesmo,
Quando vejo tantos pedirem tanto. Eu?! Preciso apenas
De um beijo com gosto de amor, com gosto de vida,
Com gosto de certezas. Um beijo que faça dos outros
Pedaços de si, para que cada um seja sempre o primeiro,
Preciso de tão pouco, que talvez, quem sabe, sentado
Na beira do tempo me venha, na brisa, o que espero...
O que preciso...

José João
30/05/2.017

domingo, 28 de maio de 2017

A dor que a alma sente

Oh! Dor que chega aos gritos martirizando a alma
Que ajoelhada e triste se entrega toda ao pranto
Se deixa ficar, demente, mostrando fingida calma
Onde esconde angustias, tristezas e desencanto

Apieda-se gentil lembrança que em saudade vem
A trazer-lhe recordações de tempo já tão distante
Que nem mais como relíquias a pobre alma tem
Mas serve, faz que não se veja uma pobre ninguém

Mas se entrega ao pranto, em tão desvairado chorar
Que as lágrimas se atropelam deslizando no rosto
Como fossem caminhos que ali a dor tivesse posto

E a alma com um olhar vazio em perdido infinito
Se entrega em dolorido pranto a pedir, talvez...
Que lhe seja permitido sorrir pelo menos uma vez


José João
28/05/2.017

Que seja apenas saudade

Essa saudade tua te recria dentro de mim,
Traz, de dentro da alma, todos os momentos,
Todos os que ficaram, que se fizeram vida,
Que se fizeram eternamente nossos...
Sem se importarem com ausência ou distância.
Quando a saudade se faz mais forte, mais viva
Tanto que as lágrimas se deixam cair no rosto
Como se fossem carícias tuas, um sussurro,
Que só a alma ouve, vem do tempo dizendo
Teu nome, soletrando, letra por letra, para fazer
Bem mais forte essa vontade de dizer, te amo.
Fecho os olhos, brinco de te buscar o sorriso,
O olhar, sempre caridoso, de um amar sereno,
Desses que faz o tempo perder-se dentro da gente...
Que faz o esquecimento ser apenas ridículo..
E faz o pranto escrever em orações, escritas
Um pedido desesperado de clemência
Para que apenas a saudade se faça sempre
Cheia de ti e ocupe o vazio de tua ausência.

José João
28/05/2.017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Maior que a dor da saudade

Não é de saudade a dor maior a ser sentida,
Dor maior é essa ausência que se faz de sempre,
Que deixa a vida como um simples existir,
Os sonhos são apagados por mórbida tristeza,
Os pensamentos se perdem no vazio do tempo,
Apenas fragmentos de momentos que existiram
Se deixam ficar lutando contra o esquecimento.
A saudade, por mais que se faça, até mesmo vida,
Não preenche o vazio da ausência que marca a alma
Deixando-a a mercê da dor, ajoelhar-se e, 
Aos prantos, rezar orações inventadas, choradas,
Que nem se sabe até onde vão, se são ouvidas
Ou se perdem no vazio, indo a lugar nenhum.
A solidão chega frenética, sem pudor, indolente,
Toma conta do tempo, faz tudo ficar vazio...
Até o silêncio aumenta sua demente mudez
E um soluço da alma, como se fosse um grito,
Desses gritos que até o eco é estridente...
Se espalha como um pedido de clemência
Que nunca é ouvido.

José João
19/05/2.017



terça-feira, 9 de maio de 2017

O palhaço e o poeta...poeta?!!

Me atenho a escrever-me entre versos e sonhos,
Entre dores e verdades, algumas verdadeiras,
Outras fingidas, como são algumas das lágrimas 
Que choro sorrindo, como se o riso fosse do palhaço...
O palhaço triste que escreve nas entrelinhas da vida
A angustia que sente e gargalha uma tristeza mórbida
Que ninguém entende ou percebe, apenas acham
O palhaço alegre, e ele, gargalhando estridente pranto,
Vai seguindo, vai escrevendo versos que contam
Histórias vividas, ou sonhando com os amanhãs
Risonhos que ele ainda ousa, apesar de tudo, sonhar.
As vezes lhe vem uma saudade gostosa de sentir,
Lhe beija a alma num carinhoso beijar, outras vezes,
Vem a brisa lhe acariciando o rosto, sussurrando
Coisas que esqueceu de lembrar, algumas vezes
Se confundem, palhaço e poeta e abraçados 
Fazem versos, o  palhaço em piruetas de palavras
Conta sorridentes histórias tristes, e o poeta...
Bem, este, aos prantos, mas sem deixar de sorrir,
Finge que é ele o palhaço que chora e sabe fingir


José João
09/05/2.017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Divina lembrança de nós dois.

Me atiro no tempo, na liberdade da saudade
Que me fazes sentir, com ela caminho entre os sonhos
Que sonhamos, e os que ainda vou sonhar, cheios de ti.
Ah! Essa saudade! Me faz livre pra te buscar,
Te deixar dentro de mim como se fosses uma oração
A ser rezada num cantar suave de uma Ave Maria
Na voz de um anjo que, brincando de fazer rima,
No fim de cada verso, escreve apenas o teu nome.
Me recrio dentro desse sentir, me entrego todo,
Corro entre horizontes, faço poesias com a brisa,
Brinco de pintar flores, de voar com os pássaros,
Em serena loucura, brinco de fazer infindas rotas
Entre as estrelas indo sem rumo entre elas
Cavalgando um pensamento que vai te buscar
Lá dentro do tempo, lá, bem dentro de mim,
Onde a alma servil e amante te guardou sorrindo.
E assim, essa doce saudade tua, perene por ser sempre,
Me permite viver entre lagrimas alegres, sonhos,
E a divina lembrança de nós dois.


José João
08/05/2.017


terça-feira, 2 de maio de 2017

Saudade ou dor? Não sei.

Me perco no silêncio de tua ausência, mesmo a solidão
Gritando em estridente mutismo teu santificado nome.
Me deixo levar pela saudade, numa louca busca de ti,
Por ontens que se fizeram dor, e os amanhãs, sem forma,
Apenas cheios de lágrimas que brincarão em meu rosto
Escrevendo histórias que, para sempre, ali ficarão
Como se fossem a própria vida chorando tua falta.
Calo parado dentro dos sonhos que não sonhei,
Mas repletos de ti, tanto ficaste dentro de minha alma
Que até os sonhos que não sonhei... são todos teus...
Cheios de ti, dos momentos que se farão de sempre.
Fico parado no tempo, numa demência! Num vazio!
Balbucio palavras desconexas numa voz reticente...
Sem sentido, sem um não-sei-o-que-dizer e, choro...
Lembro os segredos (a dor é maior) não devia
Te-los pra ti, mas calei, não os disse e agora...agora
A dor é mais que apenas dor é o remorso contante,
Maior que eu, maior que a saudade, que a tristeza,
Maior que a angustia que fica martirizando a alma.
Hoje, o silêncio foi maior, tanto foi, que ouvi
O pensamento chamando teu nome baixinho...
Como se sentisse pena de mim.


José João
02/05/2.017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

É minha alma a essência de mim

Hoje quase não sei mais de mim, me perdi
Nas tantas decepções que me fizeram confundir
Ilusões com verdades ou meros fingimentos,
Não sei mais sentir, não sei mais me entregar
Sem medo, pois tudo que até agora vivi
Foram promessas vãs que minha alma, inocente,
Acreditava sem reservas e gritava ao mundo
Como se fossem verdadeiras as palavras ouvidas.
Me perco em sonhos que nunca passam disso
Por que nunca deixam que se façam verdades,
Me mostram como se eu não fosse mais eu,
Como se os sentimentos que me habitam
Não fossem mais preciso, não fossem mais
Parte essencial de mim. Assim, me escrevo
Em versos incompletos, em poesias inacabadas,
Em sonetos sem estrofes porque as rimas
Se fizeram vazias. |Minha alma chora em prantos
Por que dela se esqueceram, não a vêem,
Por que querem fazer o homem mais importante
Que a alma? se é ela que me faz vivo ... se é ela
A dona de mim... se ela é quem ama


José João
28/04/2.017


terça-feira, 25 de abril de 2017

Assim é minha lágrima

Hoje, grito em desespero tua triste ausência...
E pior seria se não pudesse mostrar minha lágrima,
Que se abre na beleza única de uma lágrima que chora
Minha dor como se fossem pétalas que mostram
Quanto dói a falta de ti. Nas horas em que a saudade
É apenas saudade, elas ficam ternas, puras, translucidas
Escrevendo teu nome na harmonia de um sentir divino.
Mas quando a saudade se faz dor, quando a tristeza
Grita lá de dentro de mim, ele se tinge, se toma
Da cor da dor como se a alma chorasse sangue.
E as lágrimas vão muito além do pranto, muito além,
Se fazem dor a correr entre sonhos, entre a solidão
E o vazio de mim. As vezes até acho minhas lágrimas
Belas, algumas se dobram como se não suportassem
A dor que choro, outras se pintam, numa pintura
Alegre, num fingir uma alegria que não sinto, se pintam
Em pequenos corações como se fossem pedaços
De saudade brincando de enfeita-las... outras, talvez
Pela timidez, se fazem roxas com se fosse criança
A chorar uma dor que nem sei se sente... mas é assim.
Agora sabem como são minhas lágrimas, como uma flor,
Que se apanha num jardim que não existe.


José João
25/04/2.017
imagem gentilmente
cedida pela poeta e fotógrafa 
Marissete Zanon

Sempre te levo comigo

Ainda carrego aquele olhar que um dia me deste,
Levo-o comigo onde eu for, ele vai preso na alma,
Na liberdade de ver-me quando o sinto dentro de mim.
Deixo que me veja todo e me faço desnudo do medo
De te perder para o tempo, me permito, vive-lo.
Deixo também que tua saudade me tome, me invada,
Me faça tua posse, que não permita o esquecimento
Se aproximar de nós, tu dentro de mim e eu...
Vestido de te, como se a vida fosse apenas nós dois.
Levo tudo de ti, de nós dois comigo, até o detalhes...
Esses que fazem nossa história ser bela até...
Nas entrelinhas, quando ninguém percebe o que nela
Foi dito, se fazem segredos dentro da poesia...
(Quase ninguém percebe a grandeza dos detalhes)
Te levo sempre dentro dos mais ternos sonhos,
De todos os que sonhei, ou que ainda vou sonhar,
Porque tu ocupas todos os pensamentos, os amanhãs,
Da mais fugaz à mais eterna das minhas verdades.
Te levo comigo onde eu for, dentro dessa saudade
Que me marca a alma e me deixa vivo, pra ti.


José João
25/04/2.017

sábado, 22 de abril de 2017

Tem dia que viver é assim

O silêncio, parece estar cheio de lágrimas tristes,
Como se o tempo estivesse chorando a dor que sinto,
Até a solidão, em sussurros que quase não se ouve,
Parece chorar baixinho, como se também quisesse dividir,
Não sei porque, a mesma dor que a solidão chora comigo.
A alma, inquieta, tenta nos sonhos que guardou
Momentos que aliviem a dor, mas só encontra
Saudade, uma saudade mais doída, mais triste,
Dessas que se chora sozinho em qualquer lugar.
O tempo pára, no peito o coração parece gritar um nome,
As mãos tremem, e um soluço, como se fosse um grito,
Sai correndo de dentro da alma fazendo eco no tempo,
Gritando mais que uma dor, grita uma carência,
Uma ausência uma falta de tudo, que até o eco
Do grito, por não saber repetir a dor, fica demente,
Sem saber até onde chegar e...vai lentamente calando,
Até não ser mais eco, ser apenas tristeza e silêncio...
E assim vão todos, solidão, carência, saudade, dor, 
Tristezas, dentro de mim, só eu não vou a lugar nenhum...
Choro aqui mesmo.


José João
22/04/2.017

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um triste... eu te amo

Trago alguns versos rotos e poesias inacabadas,
Algumas flores que juntei pelos caminhos
Porque os jardins estão mortos, 
As flores foram olhadas com tristes olhares,
Regadas com salgadas lágrimas choradas
Pela dor, pela angustia, pela monotonia
Dos dias tristes e murcharam. Não trouxe sorrisos,
Perdi-os, não encontrei nenhuma razão para sorrir.
Mas trouxe esses pedaços de saudade que ficaram
Presos na alma, uns pedaços de lamentos...
Até eles se perderam, o tempo pensou 
Que fossem orações e os levou no esquecimento.
Trouxe também esse resto de mim que te grita
Sem ser ouvido, que te ama sem nunca
Ter sido amado. Ah! Também trouxe prantos...
Muitos prantos, desde aquele adeus que ouvi,
Que ainda se faz vivo, que me segue onde vou,
Cheio de angustias, mas tem alguns momentos
Que me confundo se vivi ou se sonhei.
Mas ficam como se estivessem tão longe...
Que não os vejo, apenas sinto no vazio de mim.
Não te trouxe flores, te trouxe apenas esse triste
Eu te amo, tantas vezes repetido sem que...
Nunca tenhas ouvido. Mas...eu te amo... ainda..


José João
20/04/2.017

Soneto da minha vida

A mim. me foi dado o prazer de amar-te
Mas minha alma dele fez gentil dever
A entregar-me todo e pleno a querer-te
Como se só isso fosse preciso pra viver

Ajoelho-me ao tempo em contrito rezar
E me ponho, ao teu sentir, doce razão
De todo dia fazer um novo começar
De ser teu nome a mais perfeita oração

De mim, de muito, te juro já me esqueci, 
Não fosse esse meu viver pra ti, o que seria?
Alma penada a perder-se em vida tão vazia

Não há em minha alma nenhuma outra verdade
Além dessa que me toma e que me invade
De em mim estares viva dentro dessa saudade


José João
20/04/2.017

terça-feira, 18 de abril de 2017

Até a solidão sentiu pena de mim

Hoje, meus pensamentos foram  todos teus, só teus,
Vieste forte por sobre o tempo, sobre distâncias, 
E veio contigo a saudade, uma saudade diferente,
Dessas saudades que os olhos não resistem... choram,
Se entregam ao pranto como se fossem poetas,
Escrevendo com lágrimas histórias que testemunharam...
De sonhos em que eles, os olhos, não se fechavam,
Sonhavam acordados tanto era a beleza dos sonhos.
Tudo hoje foi só você, até a brisa, em leves volteios,
Parecia murmurar teu nome, baixinho, te chamando,
Querendo que viesses, talvez até por pena de mim,
Ela sempre escutava meu pesamento te gritando
Angustiado, triste, como se estivesse demente,
Perdido entre a ausência e a carência de ti,
Estiveste hoje em mim como se nunca tivesses partido,
Até o silêncio se fazia voz, gritando lá dentro da alma,
O que nem sabia pedir, mas reclamava  essa falta de ti.
Hoje não foi a saudade como a dos outros dias
Que qualquer lágrima rolava em minha face e ia,
Hoje foi tanta, que até a solidão pedia em pranto:
Que essa saudade não me doesse tanto.


José João
18/04/2.017
reedição (25/07/2.013)

domingo, 16 de abril de 2017

Que seja belo o meu pranto

Posto que em mim me tome o tempo,
Entre dores tão tristemente já sentidas,
Momentos de risos que até talvez fingidos
Se fizeram prantos ou mesmo sonhos perdidos

Que se ocupe de mim gentil saudade
A me fazer perder-me em tempos idos 
Como se para a alma fosse caridade
Buscar-me em momentos bem vividos

E se há de ser chorada em triste canto
Essa dor tão doída, essa tanta solidão
Que me seja belo nos olhos esse pranto

Se preciso hei de chorar fazendo versos
Em delírio da alma orando o teu nome
Como se só ele existisse no universo


José João
16/04/2.017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hoje, o dia foi feito para chorar.

Hoje, as palavras não me importam, nem o sonhos,
Hoje não importam os caminhos um dia percorridos,
Só o silêncio me importa, só as lágrimas, o pranto
Que choro dentro de mim, que correm em meu rosto
Desde a alma que, ajoelhada, se entrega a dor do sentir
Um adeus que vai deixar para sempre uma saudade.
Hoje não quero falar, nem pensar, quero apenas silêncio.
Quero ficar dentro de mim, sozinho, entre solidão,
Angustia e essa louca vontade de chorar, preciso chorar,
Hoje, quero apenas sentir essa dor que me toma,
Que só eu posso senti-la, por ser tão plena, tão tanto,
Como se tivessem inventado outra maneira de viver.
Sei que não é apenas dor, essa dor que sinto agora,
Vai muito além de mim, do tempo, do que já vivi.
Sei, vai se fazer recordação, dolorida pela ausência,
Pelo remorso de não ter falado, não ter abraçado,
Não ter dito: te amo, não ter carregado no colo
Nos momento infantis onde amar, é mais que amar,
É transformar um mero viver em divina ternura.
Hoje, meu silêncio, minhas lágrimas, têm um nome
Que só minha alma sabe dizer... aos prantos

José João
13/04/2.017


sábado, 8 de abril de 2017

As vezes sentir saudade é viver

Foram tantas as despedidas! Lembro ainda...
Em algumas consegui conter as lágrimas,
Ainda disse adeus sem sentir tanta dor...
E o que ficou depois, foi apenas uma saudade sutil,
Sem angustias, só alguns momentos de incerteza.
Em outras, fingi sorrir, mas depois, sozinho,
Me entreguei ao pranto, um pranto convulsivo,
Desses que até a alma chora, faz a saudade ser
Muito mais que apenas saudade, faz os momentos
Tristes, a vida vazia, faz que chorar seja viver,
Uma vontade de fugir, de ir, sem ter pra onde,
De ficar em lugar nenhum, é um aperto no peito,
Um pensamento voando solto para o que passou,
Para os momentos que não voltam mais...prantos.
Uma vontade de ver, de sentir, de tocar...gritar
Mas tudo silencia e é tanto o silêncio que se faz
Que se ouve as lágrimas chamando no rosto
O nome que se quer ouvir. Tem adeus que se faz
Dor para sempre, que fica dentro da alma
Como se fosse preciso...para se estar vivo.

José João
08/04/2.017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O primeiro encontro

Tanto tempo!. Tantas outras emoções já sentidas!
Tantos outros sentimentos sentidos, vividos...
Mas não apagam aquele dia, único e eterno.
Lembro, e ainda sinto, o fragor daquele sentir,
Que mesmo em silêncio explodia dentro de mim.
Uma ansiedade quase doentia me tomava todo,
As horas se arrastavam lentas, preguiçosas,
Como se quisessem aumentar a angustia da espera,
Minhas mãos suavam inquietas, se enlaçavam,
Se faziam amigas como se se consolassem,
As pernas trêmulas me faziam sentir uma vontade
De parar, sentar, mas a ansiedade era tanta, que ali,
Em poucos passos,, caminhava sobre o mundo.
O olhar se perdia no caminho, tanto era a loucura
Que até dobravam esquinas levados pela ansiedade,
o peito arfava como se fosse pouco o ar do tempo,
A voz reticente, quase muda, contando as horas,
Murmurando um nome... num sentir mudo... quando
De repente ela diz, com a voz que até hoje choro
Quando penso ouvir: Estou aqui. Um tremor
Me invadiu, um quase desmaio me tomou, as mãos...
Mais suadas e mais trêmulas se perdiam em gestos
Não fosse minha alma com meus olhos falarem
Por mim, nada teria dito, tanto era a emoção.


José João
03/04/2.017


sábado, 1 de abril de 2017

Tristeza...é nunca ter amado

Estranhas as palavras que ouço no silêncio
Na verdade nem mesmo sei se são palavras
Mas me perco em ouvi-las e ... nada digo
Me falta voz, o que queria dizer foi contigo

Quantas vezes gritei com a própria alma,
Te amo. Com os olhos! Quantas vezes gritei?
Mas não sentiste ... nem mesmo me ouviste
E pra dentro de mim, quantas lágrimas chorei!

E hoje, já passado tanto tempo, lembro ainda
Dos momentos que em silêncio me ouvias
Quando minha alma chorava, o que sentias?

Não te esqueci, se o dissesse eu mentiria
Mas dor maior que a minha sei que sentes
Nunca amou, se o dizes, coitada, tu mentes.

José João
01/04/2.017


sexta-feira, 31 de março de 2017

...Foi o medo dos amanhãs

Talvez o meu silêncio seja o maior grito da solidão,
Dessa solidão que eu mesmo me permiti ao calar,
Em não deixar, talvez por medo, que minha alma
Te confessasse meus segredos, todos cheios de ti.
Hoje sinto esse vazio, essa ausência, essa falta,
Que faz meu olhar se perder no vazio do nada,
Na distância de além de mim, como se te buscasse
Nos momentos que poderiam ter sido eternizados
Com a ternura de um olhar que, não sei porque,
Nunca te dei, com palavras que sairiam da alma,
De entro de mim, dizendo de todos os sentimentos
Que me tomavam, mas... foi o temor, a incerteza
Por achar o amar tão imprevisível, me fiz silêncio,
Deixei a alma calar, deixei o tempo passar, e agora ...
Essa saudade que dói mais que todas, essa angustia
De não ter o gosto dos beijo que não trocamos,
De não ter confessado com a ternura de um olhar
Os sentimentos que eram teus. Me restou agora
Essa tanta falta de ti, esse olhar perdido no nada,
Aí finjo tua presença na saudade, nessa saudade
Que fez morada... dentro de mim.


José João
31/03/2.017
Esta imagem foi
gentilmente cedida
pela dona. Obrigado.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Tudo foi tão de repente...

Hoje, nem sei porque, vieram pedaços de nós vividos
A tanto tempo! Tão fortes, que caminhei por onde passamos,
Senti a emoção de ter tuas mãos entre as minhas, até chorei.
Senti a ternura dos abraços, o afago dos lábios em ternos beijos,
Ouvi tua voz como se fosse canção acalentando meus sonhos,
E uma mistura de demência, loucura e carência me tomou,
Tanto, que não resisti e, timidamente, sussurrei teu nome,
Foi quando minha alma, numa explosão de angustia...
Se pôs a grita-lo com meus olhos e ele se escreveu
Em lágrimas no meu rosto como se cada uma fosse uma letra
Ou um pedaço de tempo que, com o pranto, se fazia saudade,
Se fazia carência, se fazia essa toda necessidade de ti,
Não resisti, até os menores detalhes se fizeram história, 
Detalhes que passaram despercebidos de nós dois,
Alguns, hoje, até de sorriso se fizeram, tímido, triste
Que não definia se era sorriso ou outra expressão de dor.
Não sei por que tudo chegou assim, de repente, sem avisar,
E as pressas, tive que fazer os soluços, as lágrimas...
Sorrisos fingidos, para poder sentir essa repentina 
Saudade de  ti. De outra vez avisa, que, prometo
Farei lágrimas mais bonitas, mais reluzentes, mais...


José João
29/03/2.017


domingo, 26 de março de 2017

Entre a saudade e um sorriso

Entre a saudade e um sorriso, esse sorriso sem gosto,
Meu coração bate forte, minha alma voa para horizontes
Desconhecidos. A brisa, talvez até por lembrança tua,
Me beija o rosto carinhosamente, fecho o olhos,
E te sinto na plenitude de um sentimento único.
Nesse momento, não importa o que diz o mundo,
É como se estivesse mudo, por que no silêncio
Que me fiz ficar, só tua voz, apenas ela, ouço dizendo
Coisas que nunca esqueci. Deixo que a leveza
Do meu pensamento vá te buscar entre os sonhos
Que sonhei contigo e até entre os que não tivemos
Tempo de sonhar, mas sonho por nós dois.
Quando essa saudade de te é maior que o tempo
Tudo fica tão pequeno, e nem sei como ela cabe
Dentro de mim, parece que a eternidade se divide
Em cada momento, para eternizar cada um deles
Como se cada um fosse uma história completa
De nós dois, que se fez de sempre.


José João
26/03/2.017
Foi autorizado o uso
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