sexta-feira, 2 de março de 2012

Minha voz





Quero ficar só comigo mesmo...
E me ouvir.
Contar a história dos amores 
Que já vivi
Ouvir da minha própria voz 
Que fui feliz
Dizer pra mim mesmo
Coisas que ninguém diz
Quero me ouvir falando
Dos amores que senti
Quero me encontrar
Com as saudades que perdi
Quero entender o que me aconteceu
Dos tantos amores que tive
Nenhum sobreviveu...
Será que é meu destino viver só?
Ninguém me respondeu...
Mas pra enganar a solidão
Finjo que minha voz sou eu.


José João



Diferente





Sou uma mistura de água e fogo
Sou a calma de qualquer turbulência
Sou a inocência de um pensamento indecente
Sou a tranquilidade de um desejo ardente


Sou a chuva que inunda a estrada
Sou a estrada afogada pela chuva
Sou a planta que respira aliviada
Sou a pedra, parada, chorando calada


Sou o silêncio verde das campinas
Sou o vento brincando de voltear
Sou um eco que ninguém pode escutar


Sou um grito desesperado de um pássaro ferido
Sou o vento furioso derrubando sem parar
Flores que, nas campinas, se vergam pra chorar


Eu? Eu sou as lágrimas que as flores choram
Sou a carícia de um raio de sol carente
Eu? Eu sou a tristeza brincando de ser gente!


José João

Queres me amar?





Que importa o amanhã que todos temem?
Queres me amar? Ama-me, agora e loucamente!
Como se todos meus momentos fossem teus
Como se todos os teus beijos fossem meus


Queres me amar? Ama-me, profana minha inocência
Como se ela, minha inocência, não te desejasse
E quando amanhã for outra vez nosso presente
Ama-me mais, sem pudor, com malícia, indecente...


Vulgar? Pra ti? Sei que sou e o que importa?
O amor ao mesmo tempo é profano e inocente
Queres me amar? Me toma, me beija avidamente!


Beija minha boca como se buscasse tua alma
Me beija a boca, a vida, toma este corpo ardente
Que amanhã... será outra vez nosso presente?


José João

Sou teu


Sou teu, assim como é a brisa para o vento
Assim como é o verso, a poesia, para o poeta
Sou todo teu, assim como é do sol a luz
Sou teu, querida, assim como a palavra não traduz


Não há um momento, amor, que não seja teu
E cada um deles, se não estás, é uma saudade
Uma saudade diferente, ansiosa, alegre, ardente
Como carícias, já me deixando a tua vontade...


Amor, como é bom te amar assim como ti amo
Que importaria me amar se não te amasse mais
Que egoísta seria, antes de te amar, me amando!


Vem amor, vem que minha alma anseia tua chegada
Até minha tristeza, meu amor, vai embora rindo
Quando percebe, querida, que a mim tu estás vindo!


José João

quinta-feira, 1 de março de 2012

A perfeição!





Calou-se o vento como criança obediente
E sentou-se no tempo a olhar tão docemente
Aquela silhueta, como um anjo, alegremente
Tornar-se forma humana e brincar tão inocente


Num momento de êxtase, ao sol, gritou o vento
Acende-te! Deixa-me admirar beleza tão divina
E o sol a despertar, sem esconder a surpresa
Ao vento perguntou: É um anjo ou uma menina?


A poesia até então calada e inacabada
Apressou-se a responder: Está é minha criação
Uma mistura de beleza, flores e anjo... A perfeição!


Poeta como podes tu fazer um ser tão perfeito?
Parece um anjo que inocente à terra desce
Amigo vento, ama, e o feio bonito lhe parece.


José João

Falo em ti...





Silêncio! Que silêncio? Apenas não me ouvem
Falo em ti a todo instante, para as flores
Para o mar, falo em ti pra vida, para a noite
Falo em ti a toda hora, o maior dos meus amores


Ao sol, todos os dias, com venerar ardente
À lua? A cada raio de luar que até sabem teu nome
Falo em ti para o vento que me ouve sorridente
E minha alma? Que repete teu nome tão ternamente


Silêncio? Que silêncio? Se pra mim grito teu nome
Dele faço canções, faço versos, inocentes poesias
Grito teu nome ao tempo na mais louca alegria


Ah meu amor, que importa os tantos nomes, eu te amo
Pra mim, meu coração diz que só você existe
E amar-te, querida, é a vida que tanto insiste!


José João 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Eu e a solidão


Um dia eu e a solidão conversando...
Admirados? Somos velhos camaradas!
Ela contou histórias que escutou do tempo
Histórias de amor e lágrimas derramadas

Contou de amores perdidos e sonhos vencidos
Desencontros de corações que um dia viveram
Dentro de histórias contadas entre sonhos
Sonhos que se fizeram tristes e logo morreram

De repente a solidão me olhando triste
Pôs suas mãos macias sobre meus ombros
E disse: Amigo, ainda bem que você existe!

Não tem coração melhor pra mim neste mundo
Dentro dele sou viva não preciso nem ter voz
Te entendo, te escuto mesmo se estás mudo.

José João

Assim sou eu

Qual folha rolando triste com o pó do chão
Qual ave que chora um canto por ser tão só
Qual um náufrago abraçado pela solidão
Ou uma planta num canto murcha por não ter sol

Assim sou eu, caminhando lento sem horizonte
Seguindo longos caminhos que nunca vi. E ter
Meu canto indo com o vento por sobre os montes
Deixando lágrimas se fazerem rios e no chão correr

Assim vou seguindo estradas que o destino fez
A noite contando estrelas de mim me esqueço
Choro, e cada soluço é uma dor que talvez mereço...

Se durmo meus sonhos teimam em não chegar
E se vêm, chegam confusos sem um começo
Chegam no fim do sonho quando já vou chorar...

José João

Ter por apenas ter...


Ter por apenas ter, sem amor não é viver
É o mesmo que estar só, com um vazio dentro da gente
Com se tudo fosse tão pouco ou mesmo nada fosse
Até a alma chora triste por se sentir tão carente

Ter por apenas ter, sem amor não é viver
É como ter um livro sem ter aprendido a ler
É não falar nada daquilo que se quer dizer
É estar fingindo risos estando a alma a sofrer

Quero ter, mas amando, ainda que chore depois
Ter pelo menos uma história do que fui
E se sentir saudade um dia que seja por dois

Assim fico a esperar gritando dentro de mim
Que venha alguém com amor para dar e receber
E por mais que se tenha  mais ainda possamos ter

José João

Paixão terna e louca



Queria poder te abraçar, te beijar os lábios
Sussurrando poesias pra te fazer dormir
Te contar  histórias de desejos, de amores
Histórias inocentes que te fizessem rir

O que, querida, não faria pra te botar no colo,
Te olhar nos olhos e deixar que eles falassem
Que gritassem em tua alma ternamente: te amo!
E que nesse instante as palavras calassem...

Como se não existissem, como se fossem poucas
E nossas mãos nos tocassem vendo nossos corpos
Sentindo o desejo dessa paixão terna e louca!

Nesse instante minha alma aberta te abre os braços
E meu coração desperta vibrante sem nenhum cansaço
E nossos corpos com sede nos cingem num abraço!

José João

Sonhos de ontem



Meus sonhos de ontem tão distantes
Me vem todos sem deixar um vazio
Vêm trazidos por lembranças constantes
Como se minha saudade estivesse no cio


Sonhos de barbas longas e brancas, caducos
Tão caducos que se acham sonhos de ontem
Brigam quando digo que até estão surdos
E por tanta carência até eles mentem


Os sonhos de hoje que insisto em sonhar
Ficam por ai como se não fossem preciso
Os de amanhã, pobre de mim ficaram indecisos


Por isso me vem sonhos caducos, distantes
Sonhos sonhados quando ainda era criança
Sonhos que hoje não são nem mais esperança!


José João



Quem já viu?





Quem já viu minha dor chorar?
Minha carência pedindo afeto por ai?
Quem já viu minha solidão pedir companhia?
Ou minha tristeza por ai pedindo alegria?


Quem pintaria um quadro retratando meu desencanto
Monet?! Talvez se houvesse tinta para tanto
Quem faria um poema para essa angústia toda?
Ninguém! Para ela qualquer palavra é pouca


Um dia já viu minhas lágrimas soltas
Como se fossem vadias brincando em meu rosto?
Ou minha saudade chorar por desgosto?


Quem nesta vida já viu minha aflição?
Correndo em desespero entre mágoas e prantos?
Quem a mim já viu macambúzio pelos cantos?


José João

Pedaços infinitos





Ah! As flores! Pedaços infinitos de Deus,
A meiguice terna e a beleza doce das violetas
Que se fazem inocentes, se fazem crianças
E se deixam acariciar pelas frágeis borboletas

Meu Deus! As orquídeas! Frágeis fadinhas divinas
Coloridos anjos do céu, por descuido, na terra caídos,
Na verdade, são pedaços completos de Deus
Pedaços dos céu que nunca serão colhidos

Cravos, antúrios, azaleias, margaridas e jasmins
Chegam aqui na terra por um suspiro de Deus
Pois todas elas um dia foram anjos e querubins

Ah! Essas flores que nos dão alegria e calma!
Esses maravilhosos pedacinhos infinitos de Deus!
Bem mais que os homens, elas tem amor e alma

José João

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Poesia sem nome


Porque a poesia tem que ter um título
Se a dor não tem um nome?
Tem apenas um começo, sem fim,
Sem sobrenome.
Porque a poesia tem que ter um título
Se das minhas lágrimas apenas eu sei.
E essa dor só eu chorei?!!
Porque nomear com título uma dor
Se nem eu sei se é mesmo dor,
Pode ser uma carência atrevida
Que a alma diz ser desamor?
Que título daria a uma dor,
Uma dor que vem de longe
Se perguntada desde onde
Ela cala e não responde?
Que título daria a uma dor
Que me faz chorar em poesia,
Me faz gritar duras blasfêmias,
E me faz ser oração, injuriosas heresias?


José João
18/02/2.023
                   

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

As estrelas amam



Ontem fui contar  estrelas,  a  cada  uma  que  contava dava
um  nome,  mas uma,  a  mais  escondida  de  todas,  quando
a  olhei, ela  timidamente  disse:  Já  tenho  nome.       Fiquei 
surpreso, primeiro por  ouvi-la falar, não sabia que  estrelas
falavam,  segundo   pela  distância  que   estavamos,            e 
finalmente por que entendi  uma  estrela.Como é seu nome?
Perguntei.  Ela   com  um  sorriso  doce,   um   sorriso meigo,
como só as estrelas  sabem   sorrir,  disse  apenas. Adivinha!
Como  poderia  adivinhar o nome de  uma  estrela?
Mas  os  desafios  nos  fascinam,   fiquei  pensando,    quando
para   minha   surpresa,   não   sabia   que   as   estrelas    era 
ciumentas,  as outras  começaram  a reclamar  perguntando.
Se   ela   já  tem   nome   porque   insistes? Ela  que diga. Nós,
é que  ainda não temos.  Não  resisti. Vocês falam? 
Perguntei. Claro, disse uma delas,  se  não  falassemos não se
riamos estrelas. Mas  estrelas  não falam,  todos  aqui  sabem
disso.   Todos    aqui   onde?   Perguntaram.   Aqui   na   terra
onde moro, respondei.  Elas rindo perguntaram.
-Se aí não nos entendem, porque estás nos entendendo?
-Não sei,  nunca havia falado com estrelas antes, na 
verdade, acho que estou ficando louco.
-Tu amas?
-Como? Não entendi.
-Se tu amas, se  tu te entregas ao amar como  se fosse a
o amor a própria vida.
-Não sei.
-Como não sabes!? É preciso que  uma estrela ti diga o
o que é amar?  Esses humanos tão desprovidos de 
sentimentos! São dignos de pena.
-E vocês amam?
Elas se olharam surpresas, como se estivessem ouvindo
a pergunta mais imbecil do universo, me olharam, dessa
vez percebi um olhar de pena. Disseram.
-O que tu achas? Será que não vês que  estamos milhares
e milhares de distância, algumas vezes até milhões  e
ainda assim enfeitamos o  mundo de vocês? Embalamos
os sonhos de vocês todas as noites, até  depois de mortas
ainda lhes damos luz  tanta é a  distância, agora vê, o
que  vocês  no dão?  Nada. Nós pedimos alguma  coisa
em troca? Nada. Nós  ficamos  felizes ao  ver vocês felizes,
e toda essa distância nos separa. Porque  vocês humanos
não se amam,  já que estão tão perto  um  do outro.
Pobres homens é preciso uma   estrela para faze-los
entender o que é o amor!
-Nós sabemos o que é o amor - disse mostrando convicção
nas minhas palavras -
-Então diz o que é o amor.
-O amor é você saber... - quando ouvi uma vozinha tênue
dizendo: Escuta  meu  nome é... o dia  chegou rápido, não
ouvi o  nome da  estrelinha tímida,  nem disse as estrelas 
o que nós, os homens, sabemos sobre o amor.


José João









terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Que posso fazer?



Minha estrada nada mais é que um caminho
Ou vereda perdida, cruelmente varrida
Por tempestade parida de angustia e dor,
Os passos cansados por tropeços marcados
Se fazem pesados e a alma em clamor

Gritando piedade, mas o destino por mera maldade
Lhe deixa a vontade pra apenas chorar
Se orações aprendeu de rezar se esqueceu
Mas nem tudo perdeu lhe restou um gritar

E um grito estridente pela dor tão carente
Que até o eco é carente de um lugar pra ficar
E a alma enfadonha, cabisbaixa e tristonha,
Talvez por vergonha, se deixa calar

E um silêncio vazio, como a angustia no cio,
Faz um tempo tão frio que a alma a tremer
Se sente tão pouca, ou até quase louca
E a voz por tão rouca nada pode dizer

Mas de coragem se veste e num esforço inconteste
Por milagre celeste e sem se maldizer
Em murmurio ardente, como um olhar elouquente
Entre alma e gente, pergunta: Deus o que posso
                     F A Z E R  ?

José João




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Amor, que bela poesia!


Há! Esse amor que se vai em tantas voltas
E em tantas voltas se vai,
Deixa saudades, leva sonhos, deixa dores
E sempre é amor nunca se desfaz.
Há! Esse amor de lágrimas e de cantos
A gente chora, a gente sofre,
Se derrama em tantos prantos
Mas ele sempre... cheio de encantos

Esse amor que me prometi nunca mais querer
Mas que tanta falta me faz!

José João


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Deixa-me chorar



Deixa-me chorar tua saudade
Assim como chorei tua partida.
Deixa-me chorar com tuas lágrimas
O adeus mais triste que nunca vivi.
Deixa-me ti sonhar nos meu sonhos
Como verdade acontecida,
Com esse amor parido do tempo,
Esse tempo que nos toma nossos sentidos
E nos deixa assim: Sós. Deixa-me chorar,
Chorar todas as lágrimas que tiver.
Deixa-me gritar a solidão que deixaste,
Deixa-me ser só comigo mesmo
E estar contigo onde estiveres.
Vê minhas lágrimas? São todas tuas
Não são mais minhas, elas choram tua ausência
Num adeus mais que adeus.
Deixa-me chorar que o mundo agora
É só um pedaço de nada.
Deixa-me chorar como se chorar
Fosse estar contigo, assim  como se tua saudade
Me bastasse para dizer: Estou vivo.

José João

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Entre solidão e tristeza



Igual solitário pássaro que no espaço voa
Em perdidas rotas desse azul do céu infindo
Que em volteios tristes se entrega a toa
Chorando, saudoso canto, como se estivesse rindo

Com o vento, sem rumo, indo sem nenhuma pressa
Para onde ir? Nem ninho tem para poder chegar
Se os teve um dia, perdido ao tempo ficou pra traz
E o belo canto que todos ouvem é o seu chorar

Triste pássaro tão livre! Voando a seu prazer
Quantos não invejam a liberdade desse viver!
Solto no céu brincando, mas preso em seu sofrer

Que cruel gaiola! Pior prisão é a que não se vê
Assim como o rio que entre margens tem que correr
Assim como do pássaro e do rio é esse o meu viver.

José João

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Da solidão



Você tirou o meu céu,  me deixou sem horizontes,
Sem estradas para seguir os sonhos que sonhei.
Apagou os rastros que deixei para poder voltar,
Calcou em minha face solidas marcas de tristeza
Que se fizeram caminhos de lágrimas em meu rosto,
Como se fossem,  nos traços finos da tristeza, fontes
A jorrar tormentosas tempestades de prantos.
Ah! Esses meus olhos, agora brilhantes e tristes!
Esses meus olhos que me deixam calmamente
A alma vadiar no vazio denso e amorfo de um tempo
Disforme pela tão intensa densidade da solidão
Que me sangra a carne, me fere o peito e grita
Que de dentro de mim, ela tomará conta de mim.
Como se eu agora fosse apenas... dela.
Desesperado corro entre meus sonhos e desejos,
Corro entre minhas vontades que se foram
Quando se foram também meus horizontes,
Corro atras do vento que levou minhas palavras,
Corro atras do tempo que levou meus trinta anos
Corro atras de mim que já nem sei quem sou
Corro... como se a solidão não estivesse onde estou.


José João









Como da outra vez



Corro no meio das noites buscando sonhos entre estrelas
Sonhos que sonhei quando a saudade me contava histórias
E bem ali, bem de dentro de mim, um coração alegre
Gritava vivas ao mundo, ao tempo, gritando suas vitórias

Voo no meio do vento procurando cantos que já cantei
Procurando orações rezadas pedindo milagres que já vivi
Grito ao mundo blasfêmias, injúrias em violentos prantos
Maldizendo o que me fez perder tudo aquilo que já senti

Hoje, meus gritos, são sussurros lentos de tão cansados
Até quase não os escuto apenas sinto no soluço triste
Da própria dor a mim dizendo que  a solidão existe

Ouço minha voz voltando como se de mim não quisesse ir
Para que ninguém ouvisse o que a tristeza comigo fez
E assim de mim, não rissem tanto como da outra vez...

José João







sábado, 3 de dezembro de 2011

Minhas lágrimas



Minhas lágrimas tristes aos meus pés caíram
Como moribundos gritos de saudade infinda
E assim sumiram como se ao mundo fossem
Buscar os sonhos que não sonhei ainda

Para onde foram não sei, outras lágrimas chorei
E foram  tantas nas tantas noites que não dormi
Que a própria noite, talvez por pena, pra mim falou
Baixinho, sussurrando, que comigo também chorou

Para onde foram as lágrimas aos meus pés caídas?
E as tantas outras que na noite também se foram?
Fazendo da vida uma eterna noite tão mal vivida?

De muito longe ao som do tempo um sussurro mudo
Me diz que minhas lágrimas foram para muito além
Levadas por minha alma que comigo quer chorar também.

José João





Versos perdidos


Meus versos se perderam por aí chorando minhas dores
Em palavras lacrimejantes, choradas, gritadas, sofridas
Entregando ao mundo o segredo de minha alma triste
Que desde sempre sabe, que só a solidão pra ela existe


Meus soluços em tormentosos ecos gritam o mesmo som
Chorando entre as pedras da triste solidão e a saudade
Vem trazendo sonhos de momentos que pensei mortos
Mas o destino, talvez até por ironia, os fez de eternidade


Vou, entre minhas dores, buscando vazios para outras dores
Que haverão de chegar, eu sei, o mundo é tão inconsequente
Nos faz pedir, nos faz sonhar, mas na verdade mente pra gente


Quantos sonhos sonhei entre verdades e beleza de sonhos vivos!!
Quantas vezes ouvi que o mundo é belo aos amores cativos!
Na verdade agora são, de minha tristeza, seus tantos motivos.


José João











segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Viver?





Onde estarão o meus sonhos?
Será que ao longo da vida os perdi?
Será que agora desperto e percebo
Que nunca, nenhum sonho, um dia vivi.!


Onde estarão meus sorrisos?
Será que nunca aprendi a sorrir?
Será que ficaram num passado distante
Que nem eu mesmo sei se vivi?


E o brilho dos meus olhos?
Se um dia existiram, onde estarão?
Será que se perderam na minha tristeza
Ou se um dia os tive foi mera ilusão?


Onde estará minha voz que um dia
Gritando bem alto eu mesmo ouvi
Hoje emudeço em murmúrios tristonhos
Pois até meu pensar há muito perdi


Que me resta agora de mim fazer?
Que me resta pensar no que posso ser?
Se depois de tantos perdidos não sei
Se me vale, mesmo triste, ainda viver.


José João



A procura





Mar, sol agoniza, delírios leves
Pensamentos vagos e até sonolentos
Saudade viva, ardente e crua
Da vida, do tempo, dos meus momentos


O dia se vai e em mim se perde triste
Pinto teu rosto num sol moribundo
Banhado em águas pintada a esmo
Com olhar perdido no mar profundo


Te busco em raios,  nas quase estrelas
Te busco em sol,  na quase noite
Te busco em mim onde perdido estou
Te busco dentro do que já não sou


Em morte diária, lento se vai o dia
No nascer jovem de estrelas antigas
Me perco nelas vagando o olhar
Na vã tentativa de te encontrar


Que quase sol, que mar, que saudade
Que quase estrelas, que quase noite,
Que angustia! Ah! Momentos vividos...
Agora em mim como sonhos perdidos.


José João



Dentro dos sonhos





Oh! Saudade que me abraça a alma
Acalenta o sono que não quero dormir
Pois que, desperto, posso ver chegar
Todos o sonhos que preciso sonhar


Sonhos passados no tempo perdidos
Tempo em que sonhar não me era preciso
A verdade era mais e melhor que sonhar
Que gritava bem alto: A vida é amar


Agora lembrando de tantos momentos
Preso, que estou, em meu triste deserto
Com a saudade posso dormir: Não quero
Se acordado os sonhos de mim ficam perto


As lembranças me vêm e as quero comigo
Por breves momentos ainda que seja
Também que me venham saudades antigas
E feliz, nos meus sonhos, talvez eu me veja


José João

Minha oração





A Ave Maria de longe eu escuto
A mim me parece um canto de luto
Não que não sinta a beleza do canto
Mas por tão triste me entrego ao pranto


Quantas Ave Maria um dia rezei!
Rezando, solene, outra preces que sei,
Em cantiga alegres também já rezei
Agora, chorando, de rezar me cansei


Tanto rezei e pedi nesta hora que até
O joelhos feridos já não podem dobrar
Lhe pedi que trouxesse alguém para amar
Mas minhas preces ninguém pode escutar


Ave Maria, como agora sozinho, sempre escutei
Se havia esperanças rezas alegres um dia orei
Agora perdido a Ave Maria fico a escutar
E chorar, é agora, a oração que aprendi a rezar.


José João

Castigo





Pobre e gentil alma que calada chora
Um pranto triste em sutis soluços
Por sonhos que no tempo foram perdidos
Ou que pela angustia foram assim vencidos


Calado o canto por ser maior o pranto
Da saudade sentida pelos tantos encantos
Encantos que em agonia lenta faleceram
E eram bem mais que muitos por serem tantos


Dos tantos e tantos sonhos em vão sonhados
À alma coitada, um só, a ela não restou
Até a saudade que lhe embalava aflita
Se foi com o sonho e não mais voltou


Que triste agonia de vida vivida sozinha
Pois nem o eco, dos soluços, lhe voltou
Silêncio perene de um mundo já esquecido
Morto no tempo e no mesmo tempo perdido


Tão só que o tempo lhe perdeu o sentido
Que pensa de ontem as dores sentidas
E até custa a crer que essa dor de agora
Por ela, há muito, já foram vividas.


Triste silêncio nos olhos opacos, sem brilho
Quando um pranto teimoso se recusa chorar
Brilhantes se tornam se as lágrimas vêm
Mesmo que a alma se sinta, coitada,  ninguém


Docemente ao vazio minha alma cativa se torna
Faz dele o seu mundo e já nem se importa
Pois só ele, o vazio, lhe ficou como abrigo
É só o que tem, por destino ou... por castigo.


José João








Meu pecado



Só, como se vazio estivesse todo o mundo.
A vida? Um insipido deserto pavoroso
De sonhos mortos e até já esquecidos
Pelo tempo, lentamente consumidos


Sem pressa, vai ao tempo, a alma triste
Sem sequer ter um horizonte para buscar,
O silêncio atroz lhe mata um tímido canto
Não permitindo nem chorar o próprio pranto


Oh! Cruel dor que em vivo sangue deixa
Abertas as cicatrizes já quase cicatrizadas
Que na alma se fazem profundas chagas
Por minhas lágrimas sendo assim lavadas


A mim, vem de longe como um quase nada
Tristes restos de sonhos pálidos e agonizantes
Me chegam em lembranças tênues, apagadas,
Em fragmentos, pelas tantas dores choradas


Que me resta então pedir à vida ou ao mundo?
Zelo pela alma que em prantos se desmancha?
Talvez pedir que a saudade lhe tome da solidão
Como se isto fosse um pedido de perdão


Que tão pecado teria minha alma cometido
Para que a punição lhe fosse... tanto chorar?
Será que a própria vida se confundiu ao pensar
Que é pecado tão intensamente se amar?


José João

sábado, 5 de novembro de 2011

Apenas mais um





Na rua, com tanta gente,
Eu era apenas mais um,
Na multidão solitária
Eu também era mais um,
Andando nas ruas eu via
Que não tinha onde chegar
Em tantas portas fechadas
Eu não podia entrar.
Via as vitrines olhando
Minha imagem do outro lado...
Perdida
Se confundindo com os preços
Das promoções que não vendem
Nenhum pedaço de vida,
Me perdi na floresta
De concreto e solidão
Em ninguém eu via história
Por que não via emoção,
Cada rosto uma sentença
Em cada sentença uma dor
Em cada dor uma ausência
Da triste falta de amor.
Que lugar é esse?
Que não se pode brincar
De fazer poesia
Ou conjugar o verbo amar.


José João